quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Por quê? (36) Marlene


Cláudio Amaral

Marlene dos Santos Piñol é uma velha e querida Amiga.

Amiga com A.

Nos conhecemos nos tempos em que ela, jornalista como eu, assessorava o presidente da VASP (lembram-se da VASP?), Flávio Musa.

Na época, anos 1970, ela se chamava apenas Marlene dos Santos.
Anos depois, quando trabalhava na Nossa Caixa, teve a felicidade de conhecer o designer Ricardo Piñol e logo eles juntaram as escovas de dente (não sem antes subir ao altar de uma igreja católica).

Juntaram as escovas de dente e tudo mais que uma mulher e um homem juntam quando querem se felizes juntos.

Marlene sempre teve uma vida difícil, em Cravinhos (onde nasceu, em abril de 1951, como o décimo filho de Aguida e Joaquim), em Osasco, em Brasília e em São Paulo.

E foi das dificuldades da vida que ela tirou forças para vencer.

E venceu.

Com as forças que reuniu ao longo da vida e muita fé em Deus.

E também com a educação e os exemplos que teve dos pais, a solidariedade dos irmãos e o apoio de amigos.

Com tudo isso, e muita determinação, Marlene se tornou uma vencedora, uma vitoriosa, uma mulher admirável e uma pessoa exemplar.

Sinceridade é uma das suas principais características.

Nem por isso ela é agressiva.

Diz sempre a verdade, mas jamais faz os seus interlocutores sofrerem.

Educou com firmeza, mas, ao mesmo tempo, muito amor e ternura, a lindíssima Ligia, que peguei no colo (mas isso foi há muitos anos, porque hoje ela é uma mulher bem maior do que eu).

Tem feito o mesmo com a segunda filha, Mariana.

E ambas amam de paixão tanto a mamãe Marlene quando o papai Piñol (é assim que o chamamos).

Por que eu escrevi tudo isso a respeito da minha Amiga Marlene?

Ah... porque... em primeiro lugar, porque Marlene sempre foi especial, solidária e presente nas horas mais difíceis, na alegria e na tristeza.

Segundo, porque acabo de encontrar na biblioteca aqui de casa um exemplar de Pessoas, escrito por Marlene e editado pela Arte Pau Brasil em 1986.

A dedicatória quase me fez chorar: “Para Cláudio e Sueli, meus amigos de todas as horas”.

É isso, mesmo, Marlene, somos e temos em você uma Amiga de todas as horas.

Em você e no Piñol, também, apesar da distância que separa São Paulo e Ribeirão Preto.

Abaixo da dedicatória de Marlene li uma outra prova do carinho e da importância que ela dedica aos Amigos: “Aos meus amigos, sem os quais a vida não teria sentido”.

Amiga de Vinicius de Moraes, o poetinha ou poeta maior, de quem ganhou manuscritos invendáveis e intransferíveis, Marlene fez poesia para os leitores da Revista LUI (1977), de Doomo Doomo (o primeiro livro, editado em 1980), em postais poéticos via Arte Pau Brasil, numa exposição no Spazio Pirandello, em São Paulo (com arte de Paulo Lima) e em textos escritos especialmente para revistas (Nova, por exemplo) e jornais (Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil, entre outros).

Relendo Pessoas neste fim de tarde e início de noite desta terça-feira de Carnaval, 5 de fevereiro de 2008, escolhi o seguinte rai-kai para mostrar Marlene para quem não a conhece: “Escrevendo me entrego. Não minto, nem nego”.

Ela é ou não é uma pessoa especial e uma poetisa de mão cheia?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional.

13/2/2008 11:05:11

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