Por quê? (466) — O DIA EM QUE A GLÓRIA BATEU À MINHA PORTA
Cláudio Amaral Há acontecimentos que a gente espera. Há outros que nos surpreendem. E há aqueles que acontecem de uma maneira tão simples, tão despretensiosa, que, no instante em que acontecem, parecem apenas mais um fato do cotidiano. Só depois é que a gente percebe que havia alguma coisa diferente naquele momento. Foi assim comigo. A história começa nesta terceira semana de Setembro. Eu estava em casa. Sozinho. Ou melhor: eu e Deus. A Sueli estava participando de um curso no Ateliê da Professora Rute Sato, e eu trabalhava no meu house office , diante do computador, envolvido com minhas atividades de escritor. Até que a campainha tocou. Levantei-me da frente do computador e fui até a janela que dá para a rua. Abri a janela e vi uma cidadã parada diante do portão. Na mão direita, ela segurava um papel. Com a mão esquerda, segurava uma das alças do carrinho que carregava três caixas de papelão. Olhei. Ela olhou. E eu disse: “Sim?” Então veio a frase: “S...