Por quê? (465) - 5 DE SETEMBRO: O DIA EM QUE A VIDA ME ABRAÇOU
Cinquenta e cinco anos juntos: Que privilégio! Que bênção! Que presente! Obrigado, Senhor!
Cláudio Amaral
Há dias que
começam como todos os outros. E há dias que, antes mesmo de o café ser servido,
já chegam trazendo consigo uma história inteira.
Hoje é um
desses dias. Hoje é 5 de setembro de 2026.
Acordei
depois de uma boa noite, em companhia de Amigos de Verdade. Dormi bem. Talvez
porque amizade verdadeira também tenha esse poder silencioso de nos devolver a
paz. Abri os olhos disposto. Mais do que disposto: bem-disposto. E fui para a
cozinha.
Foi então
que a encontrei. A Mulher da Minha Vida: Sueli Bravos. Minha companheira de
todas as horas.
E talvez
seja difícil explicar o que significa encontrar, depois de tantos anos, a mesma
mulher que um dia subiu comigo ao altar.
Mas algumas
coisas não precisam ser explicadas. Precisam ser sentidas. Entre beijos e
abraços, comemoramos a data. Não uma data qualquer. 5 de Setembro. O dia em
que, há exatamente 55 anos, lá em Marília, no interior de São Paulo, subimos ao
altar da Capela do Sagrado Coração de Jesus.
Eu poderia
dizer que parece que foi ontem. Mas não foi. E ainda bem que não foi. Porque,
se tivesse sido ontem, não teríamos vivido tudo o que vivemos. Não teríamos
atravessado os anos. Não teríamos acumulado histórias. Não teríamos conhecido
tantas alegrias. Não teríamos enfrentado tantas dificuldades. Não teríamos
aprendido que casamento não é apenas caminhar lado a lado quando o caminho é
bonito.
É continuar
caminhando quando ele fica difícil. É estender a mão. É esperar. É compreender.
É perdoar. É rir. É chorar. É permanecer. É olhar para a pessoa que está ao
nosso lado e, mesmo depois de 55 anos, reconhecer nela a mesma pessoa que
escolhemos para dividir a vida.
Tomamos um
bom desjejum. E, enquanto eu tomava meu café, talvez tenha pensado que existem
cafés que alimentam o corpo e existem manhãs que alimentam a alma. Esta foi uma
delas.
Depois, veio
a minha hora de oração. Durante uma hora, exercitei-me de outra maneira.
Rezei com
ela o Manhã de Luz e o Terço Mariano. E fizemos isso na companhia do
Padre Alex Nogueira.
Enquanto
rezava, pensei que a vida também pode ser medida de outras formas. Não apenas
pelos anos. Não apenas pelos aniversários. Não apenas pelas conquistas. Mas
pelas pessoas que Deus colocou em nosso caminho. Pelos amigos que permaneceram.
Pela família que construímos. Pelos abraços que recebemos. Pelos abraços que
ainda podemos oferecer. E, principalmente, pelo amor que sobrevive ao tempo.
Ao final desta
manhã especial, meu relógio inteligente registrava 3.059 passos e 104 calorias
queimadas.
Olhei para
aqueles números e sorri. Três mil e cinquenta e nove passos. Cento e quatro
calorias. Bonitos números. Mas insuficientes para medir a manhã que eu havia
acabado de viver. Porque nenhum relógio é capaz de contabilizar quantos passos
demos juntos em 55 anos. Nenhum aparelho consegue registrar quantas vezes Sueli
segurou minha mão. Quantas vezes eu segurei a dela. Quantos abraços. Quantos
beijos. Quantas preocupações divididas. Quantas alegrias multiplicadas. Quantas
vezes um de nós precisou do outro. Quantas vezes o outro estava ali. Sempre
ali. E talvez seja isso que chamamos de casamento. Não a fotografia daquele dia
de 1971. Mas todos os dias que vieram depois dela.
A fotografia
envelhece. O vestido muda. Os cabelos mudam. Os rostos mudam. O tempo passa. Mas
há algo que, quando verdadeiro, o tempo não consegue levar. O amor.
Hoje, 55
anos depois daquele 5 de Setembro de 1971, eu não sei se sou capaz de dizer
tudo o que sinto. Talvez nenhuma palavra seja suficientemente grande. Talvez
nenhuma crônica consiga conter uma história de 55 anos. Mas posso dizer uma
coisa. Quando acordei hoje, eu tinha motivos para agradecer. Quando fui à
cozinha, encontrei Sueli. Quando a abracei, encontrei a minha história. Quando
rezei, encontrei Deus. Quando pensei nos Amigos de Verdade, encontrei carinho. Quando
caminhei, encontrei disposição. Quando olhei para os números do relógio,
encontrei apenas números. Porque o que realmente importava não estava na tela. Estava
dentro de mim. E então compreendi que felicidade talvez seja exatamente isso: acordar
um dia e perceber que a vida, apesar de tudo, foi generosa. Muito generosa.
Hoje, 5 de Setembro
de 2026, completamos 55 anos de casados. E se alguém me perguntasse qual foi o
maior presente que recebi nesta manhã, talvez eu não respondesse com uma
palavra. Eu simplesmente apontaria para ela: Sueli, a Mulher da Minha Vida. Aquela
que estava na cozinha. Como tantas outras vezes. Mas que hoje estava ali de um
jeito diferente. Porque hoje eu sabia. Sabíamos os dois. Faz 55 anos que
começamos esta caminhada. E ainda estamos caminhando. Juntos.
Que
privilégio! Que bênção! Que presente! (foto)
E se me
perguntarem o que eu desejo para os próximos anos, não pedirei muito. Só mais
manhãs. Mais cafés. Mais orações. Mais passos. Mais abraços. Mais beijos. Mais
histórias. Mais vida. Com ela.
Porque
depois de 55 anos, descobri uma coisa que talvez já soubesse desde aquele 5 de Setembro
de 1971: algumas pessoas entram em nossa vida para fazer parte dela. Outras
entram para ser a própria vida.
Sueli é
assim para mim.
E hoje,
enquanto comemoro nossos 55 anos de casamento, só consigo dizer: Obrigado, meu
Deus. Pelos Amigos de Verdade. Pela família. Pela vida. Pela disposição de
continuar caminhando. Pela fé. E, acima de tudo... por Sueli, a Mulher da Minha
Vida. Minha companheira de todas as horas. Minha esposa há 55 anos. E, se Deus
permitir, minha companheira de todas as horas que ainda virão.
Cinco de Setembro de 2026. Um dia especial. Uma data especial. Uma história especial. E um homem profundamente agradecido por poder dizer: EU VIVI. EU AMEI. EU FUI AMADO. E CONTINUO CAMINHANDO. Ao lado dela.
Cláudio Amaral
Jornalista e Escritor prestes a viver mais uma Alegria, a da reedição do romance Um lenço, um folheto e a roupa do corpo, desta vez pela Editora Marini.

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