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Por quê? (21) Diploma

Cláudio Amaral Sempre trabalhei muito. Desde os seis anos de idade, quando era criança pequena lá pelos lados do Sacomã. Você não conhece o Sacomã, caro leitor? É um lugar que fica depois do Ipiranga e da Estrada das Lágrimas, a caminho do litoral paulista. Foi naqueles lados da Capital que morei com minha família dos cinco aos oito anos de idade, ou seja, de 1955 a 1958. Logo após a Copa do Mundo da Suécia, meu pai fez as malas, juntou a família (mulher e quatro filhos) e voltamos para Adamantina, no interior do Estado de São Paulo, onde nasci. Por conta do trabalho, excessivo mas necessário ao complemento do orçamento familiar, meus estudos foram sempre levados na base do sacrifício. Naquela época não tinha essa de começar a trabalhar após a faculdade. Na minha família, pelo menos. Ou na minha classe social. Quando começava a andar, o menino já era encaminhado para o trabalho. Por quê? Por necessidade. Fiz boa parte do primário numa escola pública do Moinho Velho, em São Paulo, e fui...

Por quê? (20) Frustrações

Cláudio Amaral Por estar com tempo livre, tenho lido jornais todo dia. Não. Não estou com todo o meu tempo livre, não. Estou, sim, com mais tempo livre do que tinha até 5 de setembro de 2007, quando conclui uma tarefa que me ocupava por completo, pois a ela me dedicava todos os dias, sete dias por semana, pela manhã, à tarde e à noite. Meu Deus! Era uma loucura. Pois bem: lendo jornais todo dia, tenho uma sensação que me preocupa, ou, com a qual me ocupo, como preferia dizer o Mestre Anivaldo Pedro Cobra, que conheci há 32 anos, quando ele era professor na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba. Qual é esta sensação? Os jornais, invariavelmente, não me satisfazem mais. Eles sempre me deixam com um sentimento de que falta algo em cada notícia, em cada reportagem, em cada artigo. Se o texto se refere ao Corinthians, então, falta muito: a que hora começou o treino de quinta-feira, o primeiro de 2008? como estava o astral dos jogadores, dos integrantes da comissão té...

Por quê? (19) O Eucalipto

Cláudio Amaral Hoje é quinta-feira, 3 de janeiro de 2008. E como faço todas as quintas-feiras, estou em casa, tranqüilo, sem compromissos formais, sociais e profissionais. Num dia como hoje, aproveito para fazer serviços caseiros: curtir Be(bê)atriz, ler o Estadão e rabiscar o que não gosto e ou não concordo, limpar as gavetas e o guarda-roupa, ver e ouvir o noticiário esportivo (especialmente quando falam do Corinthians)... até que algo me tire o sossego. O barulho dos carros velhos, por exemplo, que insistem em passar pela rua em que moro há 31 anos e, vez por outra, parar na porta de casa, aqui na Aclimação. É o caso de uma Parati do século passado, daquelas que ainda precisam ter o motor esquentado antes de sair do lugar. Ela estava quieta, imóvel, quando sai para ir à padaria, mas, quando voltei, o barulho era de tirar o controle emocional da vizinhança. Tive dois carros desse tipo e, se pudesse, voltaria a ter uma Parati, mas nova, zerinho. E cuidaria dela como cuidei das minhas ...

Por quê? (18) Chocantes

Cláudio Amaral Aproveitei a ociosidade da passagem de ano para ver dois filmes. O primeiro foi Tropa de Elite, que vi em DVD, na noite de 31 de dezembro de 2007, “o melhor ano da minha vida”. Eu estava na Ilha de Paquetá, no município do Rio de Janeiro, em companhia de familiares e amigos. O segundo foi Os 2 filhos de Francisco, pela TV Globo, na noite de 1º de janeiro de 2008. Eu já estava em casa, após oito horas de viagem de charrete movida a cavalos, barca a diesel e carro a álcool, entre Paquetá e São Paulo, mas revi um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema nacional na solidão do meu escritório. As duas películas me impressionaram bastante e me chocaram. Mesmo o filme a respeito da dupla Zezé de Camargo e Luciano, que eu já havia assistido, em 2005, quando trabalhava na Redação do jornal Comércio da Franca, em Franca, no interior paulista. Fiquei chocado com a miséria vivida pela família de Francisco de Camargo, tanto na zona rural do interior goiano quanto na periferia de ...

Por quê? (17) Às avessas

Cláudio Amaral Em 1977, ou seja, há 30/31 anos, quando eu cursava marketing na Fundação Brasileira de Marketing (FBM), na Alameda Santos, em São Paulo, minha turma aprendeu uma estratégia chamada na época de “marketing ao contrário” ou “marketing às avessas”. Pois foi exatamente isso que fez Francisco Camargo, pai de Zezé e Luciano, para impulsionar a carreira da dupla. Por ocasião daquele que foi o meu primeiro curso de marketing, um dos nossos professores nos apresentou diversos casos e um deles sobrevive na minha memória até hoje. Trata-se do caso de um fabricante de calças que viu o estoque diminuir e as vendas aumentarem somente depois que ele, amigos, familiares e funcionários começaram a percorrer as lojas de roupas masculinas da Capital paulista e a perguntar pelas calças que o empresário produzia no Brás. Ninguém conhecia o produto. E como sempre acontece em casos semelhantes, os lojistas imediatamente ofereciam as marcas mais conhecidas. Ato contínuo, os supostos compradores ...

Por quê? (16) Amigos

Cláudio Amaral Hoje, 24 de Dezembro de 2007, deixo de escrever uma crônica para digitar uma carta. Uma carta endereçada a Amigos (com A, perceberam?) como Carlos Conde, Daniel Pereira, SirCarlos Parra Cruz, Osvaldo Martins, Juan Garrido, Eduardo Martins (meu Mestre), Carmo Chagas, Alberto Luchetti, José Marqueiz, Nelson Urt, Eduardo Carvalho, José Paulo Kupfer, Bia Bansen, José Antônio Rodriguez, o Zelão, e tantos outros. O que eu tenho para lhes dizer, hoje, à porta do Natal, Amigos, é o seguinte: nós, nós todos, jamais deveríamos ter deixado as redações. Por quê? Porque nós, nós todos, fazemos falta nas redações. Nós e gente como o Miguelão (é assim, não é, Bia, que vocês, os Amigos, tratam o ministro Miguel Jorge?). Ah, vocês querem uma prova, uma justificativa para esta (ou seria ‘essa’?) minha afirmação? A prova, ou melhor, as provas estão diariamente nas páginas dos jornais, todos os jornais. Que horror, Amigos! Como estão mau (ou seria ´mal´?) feitos os nosso...

Por quê? (15) É Natal

Cláudio Amaral O Natal sempre nos toca fundo. No fundo da alma. É assim comigo e, com certeza, com você também. O Natal me leva à reflexão, por exemplo. Por quê? Não sei. Sei apenas que neste período que envolve o Natal, antes e depois do dia 25 de dezembro, eu sempre me pego meditando, refletindo, pensando no passado, no presente e no futuro. Penso e reflito, por exemplo, na minha infância em Adamantina e em São Paulo, na adolescência em Adamantina, no início da fase adulta (vivida em Adamantina e em Marília), na época de namoro, noivado e casamento (em Marília e São Paulo), na chegada dos filhos. Tudo isso em relação ao lado pessoal, aquele que mais agrada minha terapeuta. Em relação ao lado profissional, relembro e reflito nas minhas passagens pela Rádio Brasil de Adamantina; pelo JC e rádios Dirceu, Verinha e Clube de Marília; pelo Estadão (em Marília, Campinas e São Paulo), Correio Braziliense, Grupo Folha de S. Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (sempre na Capital pau...