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Por quê? (196) Dúvida cruel

Cláudio Amaral Sempre disse não ter medo da morte. Sempre. Mas... será que falo a verdade... ou falo apenas da boca pra fora? Essa dúvida cruel me perseguiu quase que a semana toda, neste final de março e começo de abril de 2010. Nos primeiros dias, porque tive que tomar contato com relatos a respeito de problemas sérios em relação à saúde. Li, por exemplo, o relato de um cidadão que havia sido informado por um médico que estava com um tipo inédito de câncer. Fiquei abalado, deprimido, arrasado. E pensei: “ Será que eu teria forças para reagir como ele, enfrentar a doença e buscar a cura como ele fez? ” No dia seguinte, outro baque: a notícia da morte do jornalista Engel Paschoal, com quem convivemos, Sueli e eu, por longos anos. Fiquei novamente abalado, deprimido, arrasado. E, tomando como exemplo o caso do cidadão que havia descoberto ser portador de câncer raro, procurei não me entregar. Pelo contrário: tomei coragem, dei um tempo no texto que estava a fazer e fui até o velório da ...

Por quê? (195) Bravos sanitaristas

Cláudio Amaral Desde dezembro de 2009, quando Sueli e eu voltamos a viver na nossa residência da Aclimação, em São Paulo, tenho ficado de olhos bem abertos sobre os caminhões que recolhem lixo aqui na nossa rua. Para isso, tenho visão privilegiada a partir da janela do nosso escritório, no piso superior do sobrado que ocupamos desde 1980. E por vezes fiquei impressionado com a eficiência (ou seria eficácia?) dos coletores de lixo, mais conhecidos como lixeiros. A propósito: nos Estados Unidos os lixeiros não admitem essa classificação profissional; exigem serem chamados de “sanitaristas”. Mais do que lixeiros, os nossos coletores são, verdadeiramente, sanitaristas. Afinal, não houve um dia sequer, desde meados de dezembro, que eles tenham feito o serviço porco que nós conhecíamos quando aqui vivíamos, ou seja, antes d’eu ser convidado a trabalhar na Redação d’A Tribuna, em Santos, como Editor-Executivo. Antes, era comum os coletores – verdadeiros lixeiros – recolherem o lixo por cima e...

Por quê? (194) Ao vivo?

Cláudio Amaral Fiquei surpreso com a presença de Ana Maria Braga no Pacaembu, quarta-feira, dia 24/2/2010, durante a estreia do meu Corinthians na edição deste ano de centenário na Taça Liberta(minhas)dores. Ela sempre se declarou palmeirense e por conta disso tem rivalizado com o principal parceiro do programa Mais você , nas manhãs de segunda a sexta-feira, na Rede Globo de Televisão. Afinal, Louro José, o parceiro, é conrintianíssimo, apesar de ser uma imitação de papagaio e que, pelo fato de a ave original ser verde, seja mais representativa do Palmeiras. O jogo Corinthians 2 X Racing do Uruguai 1 terminou à meia-noite, na virada de quarta para quinta-feira. Por conta disso, pensei, no ato: “Como a Ana Maria vai fazer o programa da manhã de quinta-feira, ao vivo, a partir das 8h15 da madrugada?” Solitário, imaginei: “A não ser que o programa esteja previamente gravado”. Pelo sim, pelo não, fiz questão de levantar cedo, assistir a parte final do Bom Dia , o Radar SP (apesar da ausê...

Por quê? (193) O Twitter e a minha produção literária

Cláudio Amaral Mário Evangelista, o “Gatão”, exímio cozinheiro e competente Editor-Executivo do Expresso Popular de Santos, rebate de frente minha crônica anterior: Produção literária em baixa, postada no dia 20/2/2010. - Claudião, querido. Não, não creio que sua adesão no twitter tenha derrubado sua produção literária. Tenho visto seus textos no microblog como isso mesmo: microcontos, microcrônicas. Se somar todos eles – tenho certeza – verá que produziu um texto literário partido em pequenas peças, formando um mosaico maravilhoso. Beijos. Se eu não conhecesse o marido de Mônica como conheço, fruto do relacionamento que temos desde que ele trabalhava no Correio Popular de Campinas, onde ela também trabalhou, me recusaria a tornar pública a mensagem que ele me mandou às 19h34 de domingo (21/2/2010). “Gatão” é jornalista, culto, criativo, mas, antes de tudo, um típico “italiano”, ou seja, quando ele gosta de alguém, gosta mesmo, por completo. Mas, também, quando tem restrições, pessoais...

Por quê? (192) Produção literária em baixa

Cláudio Amaral Relutei muito a aderir ao Twitter e agora fico a imaginar a razão. Certeza absoluta eu ainda não tenho, mas tudo indica que minha adesão ao Twitter afetou diretamente minha produção literária. Em tempo: se é, claro, que podemos chamar de produção literária todos os textos que tenho publicado aqui e em outros meios de comunicação. O certo é que minha chamada produção literária caiu quase a zero. Se não vejamos: em 2008, produzi e publiquei 140 textos, além de reeditar um livro que chamei de Meus escritos de memória . Em 2009, foram apenas 51 textos, quase um terço da produção do ano anterior. As razões são, basicamente, duas: porque até 17 de junho estive dedicado de corpo e alma à Redação de A Tribuna de Santos e depois – em setembro, outubro, novembro e dezembro – porque entrei de cabeça na pesquisa da vida e obra do empresário português João Antunes dos Santos, cuja biografia será escrita pelo meu compadre e Amigo Carlos Conde. Em 2010, quando estamos no 51º dia (31 de...

Por quê? (191) Desilusão pessoal

Cláudio Amaral Estou no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Meu relógio de pulso – que Sueli me deu ao voltar da Itália, em fevereiro de 2009 – marca 10h53 do dia 29/1/2010. Entro na loja da Laselva e busco jornais. Vejo a capa do Valor Econômico e depois a da Folha de S. Paulo, que, curioso, pego para ver o nome da mulher que dialoga com o presidente Lula, enquanto a comitiva em torno dele caminha por algo que me parece a pista do mesmo aeroporto. Após ver, uma a uma, as capas de todos os jornais disponíveis e de me deter por instantes n’O Globo, ainda hoje o melhor jornal do Brasil, parto para a bancada de livros. Foi nesse momento que recebi a abordagem de uma loira de cabelos amarrados atrás, tipo rabo de cavalo. Alguns poucos centímetros mais alta do que eu, ela me perguntou: - Você conhece a promoção da loja? E como eu disse que não, ela me passou uma ficha plastificada e acrescentou: - Você escolhe duas revistas que costuma comprar na banca e elas serão entregues em sua residê...

Por quê? (190) Vida nova

Cláudio Amaral Foi colocando ordem em toda a minha vida, pessoal e profissional, neste finalzinho de 2009, que encontrei anotações, por exemplo, que nem mais sabia existir. A entrevista que fiz com meu Amigo e Compadre Carlos Conde, por exemplo, cometida a partir das 18h25 do dia 20/5/2004, em função de um novo livro em gestação: Como e por que surgem os nossos jornais? Junto a tal manuscrito, que já digitei e a ele mandei, encontrei um outro, de quatro páginas. O título é Vida nova . Nelas, ou seja, nas quatro páginas e sob esse título, me identifico em boa parte. Outras partes, entretanto, desconheço por completo. O manuscrito está datado, logo no início: 15/5/2004, 14h50. A primeira frase é um enigma: “A vida nunca mais foi a mesma depois de 40+40”. A segunda, também nada tem a ver comigo: “Muitos pedidos de entrevistas, todos negados”. Na terceira, uma certeza, mas ainda assim enigmática: “Ele queria paz, sombra e água fresca”. Ele? “Ele quem, cara pálida”, como diria meu Amigo Dan...