Por quê? (451) – Manual de Vida
Cláudio Amaral
Na Missa das 18h desta segunda-feira, 05/01/2026, na Paróquia Santo
Inácio de Loyola e São Paulo Apóstolo, aqui em São Paulo, o Padre Rafael lançou
uma daquelas frases que parecem simples, mas que ficam ecoando no coração como
sino de igreja ao entardecer: os Dez Mandamentos são um manual para a vida.
Parei, pensei e fiquei a raciocinar: Manual. Trata-se de uma palavra
curiosa.
Uma palavra geralmente associada a máquinas, eletrodomésticos, coisas
que, se usadas de forma errada, quebram.
E talvez seja exatamente aí que esteja o ponto.
A vida também quebra. As relações quebram. O ser humano, tantas vezes,
quebra por dentro, quase sempre por uso indevido do Amor, da Liberdade e da Consciência.
Na Bíblia, o livro mais vendido do mundo, os Mandamentos não surgem
como castigo, mas como cuidado. Deus não os entrega ao povo enquanto ele ainda
é escravo no Egito. Primeiro Ele nos liberta. Depois nos orienta.
Fez como quem diz: “Agora que você é livre, aprenda a não se perder de
novo”.
E o tal “manual” começa colocando Deus no centro. E não faz isso por
vaidade divina, mas por necessidade humana.
Quando Deus sai do centro, qualquer coisa tenta ocupar o lugar:
dinheiro, poder, vaidade, ressentimento. E aí, o coração desanda.
Os mandamentos seguintes descem ao chão da vida: respeitar pai e mãe,
proteger a vida, honrar compromissos, dizer a verdade, não cobiçar o que é do
outro.
São coisas básicas, pensei ainda durante a Celebração.
Tão básicas que, quando esquecidas, transformam o mundo num lugar duro,
desconfiado e hostil.
Jesus Cristo, mais tarde, simplificaria tudo em duas linhas mestras: amar
a Deus e amar o próximo.
Ele, como Nosso Senhor Todo-Poderoso, não aboliu o manual. Apenas
mostrou que ele sempre foi escrito com a tinta do amor.
Talvez o grande erro, tornei a pensar, seja ler os Mandamentos como
proibições.
Eles (os Mandamentos) são, na verdade, avisos de proteção. Como placas
numa estrada perigosa. Ignorá-las não é sinal de liberdade, mas é, sim, um
convite ao desastre.
Ao final da Missa, ficou em mim a sensação de que aquele “manual”
continua atual. Não envelheceu. Não perdeu validade.
Quem envelheceu fomos nós, às vezes cansados de ouvir o óbvio, mas
ainda necessitados dele.
E conclui, ali mesmo: seguir os Dez Mandamentos não garante uma vida
sem problemas. Não. Nunca garantiu. Mas ajuda, como sempre garantiu, e muito, a
viver com dignidade, consciência tranquila e paz no travesseiro.
E isso, convenhamos, já é uma bênção imensa.
A bênção que todo Cristão precisa.
Amém!
(*) Cláudio
Amaral (claudioamaral49@gmail.com) é
Católico. Patriota. Anticomunista. Autor do livro-biografia O Cabo e o
Jornalista (José Arnaldo 100 Anos) e do livro-autobiográfico Meus Escritos de
Memória. Jornalista desde 01/05/1968. Mestre em Jornalismo para Editores pelo
IICS/SP (2003). Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (2013/2015).
06/01/2026 15:36:11 (pelo horário de Brasília)

Comentários