sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Por quê? (310) – De pai para filho (e vice-versa)



Cláudio Amaral

Filmes memoráveis e inesquecíveis. Filmes históricos. Filmes que representam lições de vida. Assim costumam ser os filmes biográficos. Assim são filmes como Dois Filhos de Francisco e Gonzaga – De Pai para Filho.

Fiquei emocionado e chorei (e muito) ao ver essas duas películas nacionais, ambas dirigidas por Breno Silveira: Dois Filhos de Francisco em Franca (SP), em fins de 2005, quando eu trabalhava para o diário Comércio da Franca, e Gonzaga – De Pai para Filho no início da noite de quinta-feira (15 de novembro de 2012). Em ambos eu estava ao lado da minha Sueli Bravos do Amaral, mas não posso falar por ela; só por mim.

Dois Filhos de Francisco me emocionou muito porque a história de Zezé Di Camargo e Luciano tem tudo a ver com a minha, especialmente na chegada a São Paulo. Eles vindo de Goiás e eu de Adamantina, no Interior paulista. Passamos, tanto eles quanto eu, por dificuldades que não esqueceremos jamais e que passaram, passam e passarão milhões de brasileiros.

Gonzaga – De Pai para Filho me tocou fundo pelas marcantes divergências entre Gonzagão, o chamado Rei do Baião, com o filho dele, Gonzaguinha. Eles passaram a maior parte da vida distantes, um longe do outro e cada um tendo uma visão da vida. Tudo por conta da música e dos shows que fizeram pelo País.

Luiz Gonzaga do Nascimento, o Gonzagão, nasceu em Exu, no sertão pernambucano, a 13 de dezembro de 1912 e faleceu em Recife, a capital daquele Estado, a 2 de agosto de 1989. Foi sanfoneiro, cantor e compositor dos mais populares no Brasil e era conhecido como o Rei do Baião. No Exército, que serviu por dez anos, se destacou como corneteiro e se orgulhava de jamais ter dado um tiro sequer.

Luiz Gonzaga do Nascimento Junior , o Gonzaguinha, nasceu no Rio de Janeiro a 22 de setembro de 1945 e faleceu em desastre de automóvel em Renascença, no Paraná, a 29 de abril de 1991. Antes, se tornou “doutor” (em Economia), como queria o pai, mas foi famoso como cantor e compositor. Idealizou e criou o Movimento Artístico Universitário (MAU).

Um, Gonzagão, foi obrigado a prestar serviços aos militares de plantão após a ditadura de 1964. O outro, Gonzaguinha, fez tudo o que lhe foi possível para combater e difamar o regime comandado por Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Figueiredo e outros tantos.

O mais marcante, entretanto, não foi isso. O que mais marcou as vidas de Gonzagão e Gonzaguinha, como se viu na vida real e no filme Gonzaga – De Pai para Filho, foram as desavenças e desencontros de ambos e entre os dois.

Vistos de fora, nas telas dos cinemas (como vimos na sala 9 do Cinemark do Shopping Santa Cruz, em São Paulo), tais desavenças e desencontros parecem absurdos, desnecessários, descabíveis. Mas foram reais. Tão reais como as muitas histórias de vida que acontecem desde sempre em lares e em ruas do Brasil todo.

Quantos mais famosos os personagens da vida pública, no Brasil e no mundo, maiores os conflitos entre seres humanos, homens e mulheres, pais (e mães) e filhos (e filhas), irmãos e irmãs, avôs e avós, chefes e chefiados, professores e alunos, etc.

Aqui, entretanto, os alvos são os pais e filhos. Como Gonzagão e Gonzaguinha. Pais (e mães) que geram filhos para dar-lhes amor, carinho, ensinamentos, educação, proteção e principalmente bons exemplos. Jamais para abandoná-los, mesmo que – como fez Luiz Gonzaga com Luiz Gonzaga Júnior – dando-lhes todos os bens materiais possíveis e imagináveis.

O melhor seria que filmes como Gonzaga – De Pai para Filho não fossem necessários. Mas já que casos como esse existem e são necessários, que eles sirvam de exemplo para nos ensinar a ser pais (e mães) melhores, mais compreensivos, mais pacientes, mais amorosos, mais didáticos, mais, mais e mais. Com mais diálogos e sem nunca, entretanto, nos fazer capazes de criar e educar inadequadamente os nossos filhos e filhas. Afinal, é conversando que a gente se entende. Gente de bem, especialmente. Gente que ama e respeita os seus semelhantes acima de tudo e de todos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

16/11/2012 15:15:18  (horário de Brasília)

Nenhum comentário: