quarta-feira, 30 de abril de 2008

Por quê? (79) Capital ou Interior?

Cláudio Amaral

O que você prefere, caro e-leitor: morar na cidade grande ou numa pequena comunidade? Na Capital ou no Interior?

A razão da minha pergunta é simples (pra mim, pelo menos): conheço gente que jamais moraria em São Paulo.

Assim como tem conhecidos meus que nunca trocariam a Capital por uma cidade do Interior, nem pequena (como a minha querida Adamantina, a 600 quilômetros de onde vivo hoje), nem grande, como Campinas (85) e Ribeirão Preto (350 quilômetros do maior centro urbano do Brasil).

Eu vivo tranqüilamente (ou tanto quanto possível) em São Paulo desde 1971, ou seja, há mais de 37 anos.

Vivo aqui e daqui dificilmente sairei.

Vim para cá pela segunda vez em maio de 1971, quando São Paulo era bem menor do que hoje, mais tranqüila e mais segura.

O tráfego de veículos, então, nem se compara ao que vemos nestes conturbados dias finais de abril de 2008.

Fui me acostumando aos poucos e nem percebi o agigantamento da cidade.

Com a intimidade que ganhei em relação aos bairros e regiões que mais freqüento, senti-me cada vez mais familiarizado e seguro em relação a quase tudo que temos aqui.

Meus amigos e conhecidos do Interior, não.

Muito menos aqueles que sempre viveram em outras praças.

A maioria tem até medo de vir para a Capital paulistana.

Eles dizem que aqui é muito violento, caótico, complicado.

Mais ou menos aquilo que nós, paulistanos, pensamos em relação ao Rio de Janeiro e seus complicadíssimos morros e favelas.

Tudo, entretanto, é uma questão de costume.

Eu nasci em Adamantina, mudei com os meus pais, irmãs e irmão para Marília e de lá viemos para São Paulo, em meados dos anos 1950. Logo após a Copa do Mundo de 1958 voltamos para Adamantina e dez anos depois fui novamente para Marília, em seguida para Campinas e em 1971 para São Paulo.

Sempre me adaptei bem a cada cidade. Inclusive quando fui trabalhar em Campo Grande (MS), em 2004/5, e em Franca (SP), em 2005/6.

Desde a adolescência, entretanto, eu não tenho dúvida: minha cidade é São Paulo. Aqui eu já morava quando meus filhos nasceram (dois em Marília e dois em São Paulo), nesta cidade eu e Sueli os criamos, aqui nasceu e vive Be(bê)atriz, nossa primeira netinha.

Conheço razoavelmente bem essa cidade e daqui não pretendo sair.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

29/4/2008 16:14:11

terça-feira, 29 de abril de 2008

Por quê? (78) Questão de respeito

Cláudio Amaral

Tudo na vida é relativo, assim como toda moeda tem dois lados.

Por quê?

Filosoficamente falando, embora neste exato momento eu esteja escrevendo, o que serve para uma pessoa não é válido para outra, necessariamente.

É por isso que nos momentos de dúvida eu me coloco, ou melhor, procuro me colocar no lugar do outro.

Em geral, essa postura tem me ajudado a ver melhor o meu semelhante, a minha vida, o mundo em que vivemos e a mim mesmo.

A propósito, lembro-me de uma frase imortal: “o que eu não quero para mim, não desejo para os meus semelhantes”.

Portanto, se eu não gosto de levar fechadas no trânsito conturbado da cidade em que vivo, por que é que eu vou sair por aí fechando os outros carros que passam pelo meu ou com os quais eu cruzo nas ruas?

Se, como pedestre, eu gosto de ver respeitado o meu direito de atravessar na faixa quando junto a ela não existe sinalização luminosa especifica, por que eu devo desrespeitar o direito dos meus semelhantes passarem pela frente do meu Honda Fit na mesma situação?

Se eu gosto de ver a minha preferência preservada quando estou nas filas de bancos, de bilheterias, de compradores de cachorro quente, de caixa de supermercado..., por que eu deveria desrespeitar a vez do outro?

Se eu admiro quem trata bem a minha mãe, a minha sogra (prestes a completar 80 anos bem vividos), a minha esposa, a minha filha, os meus filhos e a minha netinha Be(bê)atriz, por que, meu Deus, eu vou destratar ou ignorar as esposas, as filhas, os filhos e os netos dos outros?

Se eu fico triste quando o meu time (o Corinthians, claro) perde, por que eu ficaria feliz diante da derrota dos demais concorrentes diretos do Timão, tais como o Palmeiras, o SPFC e o Santos FC? Prefiro (acredite, se quiser) torcer pela vitória da Ponte Preta frente ao Palmeiras e ao Guaratinguetá, por exemplo, do que pela derrota dos adversários da ´Macaca´.

Se eu não puder torcer pelo seu sucesso, caro e-leitor, jamais irei desejar o seu fracasso.

Jamais.

Tenha certeza disso.

E tem mais: mesmo que eu não goste do presidente Lula como político, nem aprove as principais decisões do governo dele, nunca irei desmerecer a pessoa, nem avacalhar a administração que ele comanda. Poderei, quando muito, apontar as minhas discordâncias e emitir minhas opiniões.
Sempre com respeito. Sempre.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

29/4/2008 14:55:38

domingo, 27 de abril de 2008

Por quê? (77) Fora, caminhões!

Cláudio Amaral

Os caminhões, veículos que estão sendo escorraçados pelos usuários das ruas e avenidas da Capital paulista, me perseguem desde criança.

Por quê?

Porque, desde quando era menino pequeno lá em Adamantina, eu queria ser motorista de caminhão.

Lembro-me bem de um mês de dezembro em que escrevi uma carta para meus avós maternos, que residiam em São Paulo, para pedir “de presente de Natal um caminhão grandão de madeira da marca FMN” (não era FNM, sigla da Fábrica Nacional de Motores; era, de verdade, na minha cabecinha, “um FMN”).

Como eu não ganhei o tal “presente de Natal”, os caminhões continuaram sendo meu sonho de consumo.

Depois, quando adolescente, sonhei dirigir um dos “Mercedões” que a família Guizzardi, vizinha da minha casa, usava para transportar botijões de gás de São Paulo para Adamantina.

Só sosseguei, mas pouco, quando pude dirigir um caminhão Ford carregado de amendoim produzido na fazenda da família Martins, também vizinha da minha casa de Adamantina.

Os anos se passaram, meus sonhos mudaram e acabei me antipatizando com os caminhões quando, já jornalista, tomei conhecimento do lobby das multinacionais que produzem esses veículos no Brasil para conter a expansão da malha ferroviária brasileira.

Os dirigentes dessas empresas fizeram de tudo para que as cargas não fossem transportadas de trem, mas cada vez mais por rodovias, de caminhões.

É por isso que quase todas as nossas ferrovias faliram e raramente temos oportunidade de viajar de trem.

Agora, com as complicações diárias cada vez maiores no tráfego de veículos pelas vias públicas da Capital paulista, os caminhões voltaram ao centro das discussões.

Os engenheiros e técnicos da Prefeitura de São Paulo alegam ser necessário tirar os caminhões das nossas ruas. Pelo menos durante o dia, pois, segundo eles, só assim os ônibus, utilitários e veículos de passageiros rodarão melhor.

E tudo me leva a acredita que sim.

Tudo me leva a crer que os caminhões são os vilões da história.

Por quê?

Porque vi, na quarta-feira, de oito às 10h30 da manhã, o número incalculável de caminhões que circulam pela Avenida dos Bandeirantes, na zona sul desta cidade, tanto num quanto noutro sentido.

Vi também como é acentuada a falta de profissionalismo dos motoristas de caminhões e seus ajudantes durante o serviço de carga e descarga de mercadorias junto a estabelecimentos comerciais da Capital.

Um exemplo?

Um só: sábado passado, 26/4/2008, um caminhão de uma distribuidora de cervejas (da Skol, para ser mais claro) subiu a Rua Borges Lagoa e foi estacionado em fila dupla pouco antes da esquina com a Rua Domingos de Morais, na Vila Mariana. Assim que parou o “bruto”, o motorista ligou o pisca alerta e desceu com dois auxiliares para deixar cerveja nos bares do pedaço. Os demais veículos não existiam para os três “cervejeiros”. Todos os motoristas foram obrigados a ter paciência de Jó porque os “belezas” e “gracinhas”, como foram chamados pelos condutores e passageiros dos demais automotores, precisavam descarregar “água suja” para os “brameiros” da região.

Por tudo isso, eu junto meus pulmões aos dos demais insatisfeitos e grito, com força total: fora, caminhões!

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que, caminhoneiro insensível?

27/4/2008 18:53:56

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Por quê? (76) Carta ao Amigo Carlucho

Cláudio Amaral

Bom dia, Carluchão.

Espero que você possa ler essa minha missiva, esteja onde estiver.

Por quê?

Escrevo porque me deu vontade de falar com você, caro Amigo.

Senti vontade, por exemplo, de te contar que não foi em vão seu esforço (ou seria sacrifício?) para mudar de vida, desta em que estou, para uma melhor, como a que você está.

Sim, acredite.

Por um lado, admito, sua passagem, como dizem os espíritas, foi traumática para muita gente.

Sim, porque custamos a acreditar que você se foi do nosso convívio.

A Itália, sua querida esposa, por exemplo, nos disse e repetiu que ainda não acredita.

Em minha casa, todos nós ficamos de bocas abertas na medida em que recebemos a notícia.

Mas, passado o susto e o choque, ficamos a pensar nos bons momentos que vivemos nestes mais de 14 anos de convivência.

Quantas vezes nós gritamos “bin... go...” dentro da Agência Folha, do Banco de Dados Folha de S. Paulo, do Uol, da COMUNIC e por telefone, Carluchão?

Incontáveis, não é mesmo?

E “gooooooooooool”, quantas vezes nós gritamos durante e depois dos jogos do Timão e da seleção brasileira de futebol?

Também não dá pra contar, né, Carlucho?

O din-din da pizza chegou!” também foi uma frase gritada a plenos pulmões por muitas e muitas vezes, não é, Carluchão?

Então, o que mais nós queremos?

Claro, claro, claro... queríamos ter você aqui conosco, na mesma dimensão, no mesmo plano, no mesmo chão.

Mas, como isso não é possível..., resta-nos o consolo de saber que você não passou por acaso por este mundo, Carluchão.

Sim, porque você fez muitos amigos, aqui em São Paulo e pelo Brasil todo; você fez muitas pessoas felizes, especialmente a Itália, a Eliane e o Thales; você foi um bom filho, um grande companheiro, um excelente profissional, enfim, Carluchão, você foi um parceirãooooooooooo.

Agora, Carluchão, enquanto a gente pede aqui de baixo para que papai do céu – que certamente o recebeu de braços abertos – continue te tratando tão bem quanto você merece, você, aí onde está, fica vigilante por nós. Especialmente pela Itália, pela Eliane, pelo Thales e por seus pais.

Ah!, Carluchão, tem mais: por você nós fomos ontem à noite à sua Freguesia do Ó, participamos da celebração da Missa das 19h30 na Matriz, abraçamos os seus e reencontramos um montão de amigos. Inclusive o Calmon, a Lucila e o Engel, que não víamos há meses.

Viu só, Amigo, como você é poderoso e importante pra nós?

Grande e forte abraço, Carluchão.

E até um dia, né?

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que, Amigão?

17/4/2008 12:05:33

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Por quê? (75) Adeus, Eduardo Martins

Cláudio Amaral

Depois de Irigino Camargo, meu primeiro e inesquecível Mestre, Eduardo Martins foi o jornalista que mais acreditou em mim como profissional.

Tive o privilégio de trabalhar com ele durante todos os anos em que passei pelo Estadão, de julho de 1969 a março de 1975.

Nossa ligação era tão forte e nossa amizade tão sólida que jamais deixamos de nos falar e nos comunicar.

Lembro-me, por exemplo, que quando estava diretor de Redação de O Estado de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, em 2004 e 2005, liguei para ele, ainda no Estadão, e falamos longamente.

A partir daquela conversa, quando ele me revelou ter morado ao lado da principal agência dos Correios, em Campo Grande, ainda moço, antes de vir para São Paulo, trocamos seguidas mensagens pelo correio eletrônico.

Através delas combinamos que ele iria à capital sul-mato-grossense, a convite de O Estado de MS, para ter uma conversa com os jornalistas que trabalhavam comigo.

Essa conversa acabou não acontecendo porque eu voltei para São Paulo antes do previsto, mas o contato jamais se desfez.

Recentemente, precisei falar com ele, pedi os telefones ao amigo comum Luiz Roberto de Souza Queiroz, mas o tempo passou e eu não liguei.

Não liguei e não ligarei mais, porque, infelizmente, Eduardo Lopes Martins Filho nos deixou na madrugada deste domingo, 13 de abril de 2008, aos 68 anos de idade.

Foi sem saber do resultado do jogo que o time da preferência dele, o Palmeiras, fez com o São Paulo FC, no Morumbi, pelas semifinais do Campeonato Paulista.

Até porque, no exato momento em que os dois times entravam em campo, familiares e amigos conduziam o corpo de Eduardo Martins para a última morada.

E, a exemplo do que ocorreu com o sepultamento do Amigo Carlucho Maciel, na quinta-feira, 10 de abril de 2008, em Osasco, eu não pude comparecer nem ao velório, nem ao enterro.

Por quê?

Simplesmente porque só agora, perto da meia-noite, foi que li no site do Estadão que Eduardo Martins nos deixou.

Dele guardo apenas boas lembranças.

Eduardo Martins foi meu primeiro editor no Estadão. Eu era correspondente do jornal da família Mesquita em Marília e ele o responsável pelas páginas do Interior.

Foi com ele que aprendi muito do que sei a respeito da língua portuguesa, porque, além de um profundo conhecedor do nosso idioma, Edu era um professor nato.

Certa vez, quando eu já estava na Redação do Estadão, aqui em São Paulo, ele me contou que veio de Mato Grosso (Mato Grosso do Sul ainda não existia) para estudar Medicina na Capital paulista.

Como o vestibular era dos mais difíceis e concorridos, ele se matriculou num cursinho e, para pagar os estudos, foi trabalhar no Estadão, em 1956, aos 17 anos.

Era para ser um trabalho temporário, mas ele gostou tanto do Jornalismo que nunca mais deixou a profissão.

Nos anos 1970, Mestre Edu fez Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas, mas nunca exerceu a profissão.

Ficou famoso com os livros de português, um programa na Rádio Eldorado, mas principalmente com o Manual de Redação e Estilo do Estadão, o mais vendido de todas as publicações do gênero.

Merecia, por sua competência e honestidade, ter sido diretor de Redação do Estadão, mas nunca fez o jogo político necessário e indispensável para chegar lá.

Editou praticamente todas as áreas dentro do jornal e nos últimos anos que lá passou se dispôs inclusive a reorganizar o arquivo.

Mestre Eduardo Martins é daquelas pessoas que vão fazer muita falta ao Jornalismo brasileiro.

Agora e por muitos e muitos anos.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que, seu faccia bruta?

14/4/2008 00:10:50

domingo, 13 de abril de 2008

Por quê? (74) Boas recordações

Cláudio Amaral

Bendita hora em que resolvemos, Sueli e eu, deixar o sono de lado e encarar a celebração da Missa das 8 horas da manhã, neste domingo, 13/4/2008.

Fomos à simpática e aconchegante capelinha do convento das Irmãs da Visitação, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana, aqui em São Paulo.

A capela estava cheia e o italianíssimo Padre Cláudio mais inspirado do que nunca.

Celebramos o 4º Domingo da Páscoa, o Domingo do Bom Pastor e o dia da jornada mundial da oração pelas vocações sacerdotais e religiosas.

A propósito, Padre Cláudio, missionário da Ordem de São Francisco Xavier, lembrou um compatriota dele: Dom Bosco, educador e como tal criador do Colégio Dom Bosco.

Ao citá-lo, Padre Cláudio mexeu com meu passado.

Por quê?

Porque durante os oito meses em que trabalhei em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, em 2004 e 2005, freqüentei com assiduidade as celebrações da Missa na igreja do Colégio Salesiano Dom Bosco, na Avenida Mato Grosso.

A cada sermão eu me encantava mais com os sacerdotes da Ordem de Dom Bosco, tal a clareza e profundidade com que eles nos explicava o Evangelho.

Padre Cláudio lembrou com raro conhecimento de causa as origens de Dom Bosco e as marcas que ele deixou principalmente em Torino, na Itália.

Ao final da Missa, mais lembranças agradáveis: o assistente de Padre Cláudio, xará de nós dois, nos informou que padre Jorge, aquele do Por quê 60, está bem no Paraná, numa pequena paróquia próxima a Foz do Iguaçu, estará entre nós em agosto e que, antes de partir de São Paulo, leu com satisfação a minha crônica do dia 9 de março de 2008.

Fomos para casa alegres, felizes, realizados – ainda que temporariamente, porque nossos mestres nos ensinaram que ninguém se realiza plenamente.

São situações como essas que compensam os dissabores da vida, do dia-a-dia da cidade grande, do trabalho estressante, do tráfego desgastante em vias públicas superlotadas de veículos, da má vontade de frentistas de postos de combustíveis, da insistência exagerada de jornais/rádios/tevês/revistas com temas desagradáveis, etc.

São temas como esses, que ressaltam e destacam os lados bons da vida, que nos renovam e nos preparam para mais uma semana de estudos e de muito trabalho.

E mais: o Domingo do Bom Pastor me levou de volta a Franca, no Interior de São Paulo, onde trabalhei por 15 meses, em 2005 e 2006, pois foi lá que aprendi a cantar “Sou bom pastor/ovelhas guardarei/não tenho outro ofício nem terei/quantas vidas eu tiver eu lhe darei”.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que, seu faccia bruta?

13/4/2008 23:32:34

sábado, 12 de abril de 2008

Por quê? (73) Decepção

Cláudio Amaral

Há meses, minha mulher vinha me pedindo para não mais entrar no Extra da Avenida Ricardo Jafet, na Vila Santa Eulália, aqui em São Paulo.

Mas, vira e mexe, lá estava eu.

Ora comprando algum produto no hipermercado, ora abastecendo o tanque de combustível de um dos carros que uso.

“Você foi ao Extra da Ricardo Jafet, de novo?”, me perguntava ela toda vez que chegava em casa com alguma mercadoria ou com o cupom fiscal do posto de combustível.

Na noite deste sábado, eu dei um basta.

Chega!

Não quero mais ter o desprazer de voltar ao Extra da Ricardo Jafet.

Por quê?

Porque não quero mais correr o risco de ser atendido com descomprometimento, nem de sofrer alguma agressão desnecessária.

Explicando melhor: toda vez que vou ao posto de combustíveis do Extra da Ricardo Jafet, sou obrigado a assistir a desentendimentos entre frentistas.

E nesta noite não foi diferente.

Ou melhor: foi diferente.

Por quê?

Porque, além de ter que assistir e ouvir mais discussões entre os frentistas, foi obrigado a ver dois motoristas quase sairem no braço.

Pra mim, chega!

Diante dos desentendimentos entre os frentistas, falei, mais uma vez:

- Ninguém disse a vocês que isso não é o tipo de comportamento que se tem diante de clientes?

Como a reação do frentista que me atendia foi de desprezo, indaguei novamente:

- Cadê o gerente dessa birosca?

E sabe você, caro e-leitor, o que ele me respondeu:

“Esse é o problema”.

Conclusão: ou o posto não tem gerente, ou o gerente não é profissional, ou é um ausente, ou o Extra – ou melhor, a Companhia Brasileira de Distribuição, proprietária do estabelecimento – não dá a ele condições para gerenciar como deveria aquela birosca.

Para completar, o frentista ainda me afirmou:

“Não vejo a hora de entrar no Exercito, porque lá, quando um manda, os outros obedecem, tenha ele (o mandão) razão ou não”.

Ou seja: para ele, o frentista, manda quem pode, obedece quem tem razão. E no Extra da Ricardo Jafet não tem nem quem mande, nem quem tenha razão.

Dito isso, e enquanto eu tentava pagar minha conta de R$ 55.02 por 45,8881 litros de álcool, um motorista buzinou para o condutor do carro da frente “andar logo”, este se irritou (ou ‘se estressou’, como definiu o frentista) e chamou o outro de “louco” mais de uma vez. O “louco” tentou sair do carro, mas foi impedido por três vezes. E quando saiu, estando cara a cara com o oponente, um chamou o outro para briga.

É por tudo isso que disse para que todos os frentistas e clientes do Extra da Avenida Ricardo Jafet me escutassem, às 22h42 deste sábado:

- Aqui eu não volto mais!

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

12/4/2008 23:30:56

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Por quê? (72) Adeus, Carlucho

Cláudio Amaral

Ele foi um dos profissionais mais corretos com quem trabalhei.

Primeiro, na Agência Folha e no Banco de Dados Folha de S. Paulo, em 1994 e 1995.

Depois, no UOL, em 1995 e 1996.

Tentei levá-lo a trabalhar comigo na Agência Jornal do Brasil (AJB) e no JB On-line, quando para lá fui em julho de 1996, mas ele preferiu se manter fiel ao Grupo Folha de S. Paulo.

Quando ele deixou a Folha, voltamos a trabalhar juntos, numa parceria dele, pessoa física, com a minha pessoa jurídica, a COMUNIC.

Foram, portanto, 14 anos, dois meses e oito dias de parceria, ou seja, de 2 de fevereiro de 1994 a 10 de abril de 2008.

E essa parceria só se desfez, fisicamente, porque nesta quinta-feira, 10/4/2008, o jornalista e economista Carlos Maciel da Silva, o Carlucho, passou desta vida para uma bem melhor.

Carluchão, como o chamávamos, estava em Santos, caminhando numa das praias daquela cidade, quando sofreu um infarto fulminante, foi socorrido, mas o coração dele não resistiu e parou de bater.

Coração corintiano, diga-se, porque ele jamais deixou de torcer pelo Timão nestes mais de 14 anos em que nos conhecemos.

Nem de torcer, nem de acreditar no Sport Club Corinthians Paulista, nossa paixão, minha e dele.

Na última mensagem eletrônica que nos enviou, a mim e à Sueli, Carlucho avisava que estava a caminho de Santos porque os pais dele haviam se mudado para lá e ele, como bom filho, se sentia melhor ao lado deles.

“Mas, logo eu estarei de volta”, avisou Carlucho.

Foi e, infelizmente, não voltou.

Para tristeza de nós todos, da esposa (Itália), da filha (Eliane) e do filho (Thales).

Dos pais, também, porque não tem nada pior para os pais do que sepultar um filho, quanto mais um filho como Carlucho.

Agora, só nos resta lembrar dos bons momentos que passamos juntos, no dia-a-dia da Agência Folha ou no chamado “Bar do Claudinho”, na esquina da Alameda Barão de Limeira com a Avenida Duque de Caxias, no centro de São Paulo; nas inúmeras viagens que fizemos pelo Brasil para divulgar os produtos e serviços da Agência Folha; nos cafés que tomamos aqui em casa ou nas cafeterias da capital paulista.

E, além das boas lembranças, resta-nos recordar também das mensagens sempre otimistas que eles nos mandava diariamente, porque duvido que ele tenha deixado de nos “emeiar”, como ele escrevia, um dia sequer desses anos todos.

Ah... tem mais: nos lembraremos com saudade, também, das expressões preferidas do Carlucho: faccia bruta e mangia brodo.

À distância, além de pedir a Deus pela alma de Carlucho, vamos rogar pelo bem estar da esposa, dos filhos e dos pais dele, também.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que, seu faccia bruta?

Em tempo: o corpo do Amigo Carlucho foi sepultado no início da tarde desta sexta-feira, 11/4/2008, no Cemitério Parque dos Girassóis, em Osasco, na região metropolitana de São Paulo.

11/4/2008 00:33:14

terça-feira, 8 de abril de 2008

Por quê? (71) Noite mal dormida


Cláudio Amaral


Foi, no mínimo, uma noite diferente.

Uma noite mal dormida, com certeza.

Estranho, porque há semanas eu vinha dormindo bem.

Cada vez melhor.

Acordei, na manhã desta terça-feira, espreguicei, virei de um lado para o outro, ameacei levantar, mas foi difícil.

Enfim, sentando na cama, com os pés no tapete, comecei a pensar no(s) motivo(s) de ter dormido aos pedaços.

E por que eu teria sonhado tanto entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira, 8 de abril de 2008?

Sem chegar a uma conclusão, fui para o banheiro.

Meditei, meditei, meditei... e nada.

Desci e o café da manhã também não desceu legal.

Logo pra mim que tenho no café da manhã uma das minhas melhores refeições.

Pão, café, leite, suco de berinjela com gengibre...

Tudo isso?

Pois é... nem tudo isso me fez recuperar a noite mal dormida.

De folga, bendita folga, fui à feira livre da Aclimação com Sueli e Be(bê)atriz, prestes a completar dez meses de vida.

No fim da feira, depois de comer um pastel recheado com carne de soja preparado pela Elzinha, comecei a me reencontrar.

De volta para casa, mesmo cansado, fui à luta: ótica, banco, farmácia, barbeiro, outro banco...

E não é que finalmente descobri o que havia me incomodado tanto?

As histórias que li nas mensagens de Tânia Mara a respeito dos últimos tempos de vida do tio dela que eu conheci em Marília.

Fiquei desolado, na noite de segunda-feira, quando li Mestre Irigino Camargo, o primeiro jornalista a acreditar em mim, havia falecido praticamente só, isolado do mundo, tal a gravidade da doença que o acometeu.

Ele era obrigado a andar com um cartão para se lembrar quem era e para onde deveria ir quando se perdia pelas ruas de Marília, mesmo lá estando há mais de 50 anos, seguramente.
Santo Deus!!!

Não é essa, seguramente, a vida que merece um ser humano.

Ser humano algum merece viver só, quando mais alguém que ajudou a tantos e por tanto tempo.

Como eu gostaria de ter tido tempo e coragem para passar horas, dias, semanas e meses com Mestre Irigino Camargo no fim da vida dele.

Mas, lamentavelmente, a vida profissional nos separou.

De tal forma, que só agora, quatro anos após a morte dele é que eu fico sabendo de detalhes dos tempos derradeiros de uma pessoa que me ajudou tanto e a quem sou tão grato.

Só agora, meu Deus!

Lamentável!

Lamentável e triste.

Muito triste.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

8/4/2008 23:14:44

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Por quê? (70) Geografia da América

Cláudio Amaral

Os tempos eram outros quando os exploradores e os colonizadores chegaram às terras do nosso continente.

A mentalidade, os conceitos e os padrões também eram bem diferentes.

Os nossos tempos são outros, assim como a nossa mentalidade, os nossos conceitos e padrões.

Nós, que vivemos os dias atuais, temos certeza de que a Humanidade evoluiu e acreditamos que os nossos tempos são bem melhores do que aqueles em que os europeus começaram a chegar aqui pela América do Sul.

Hoje, apesar das barbaridades que vemos diariamente nas tevês e nas páginas impressas e eletrônicas, relatando mortes e desrespeitos aos direitos humanos aqui e no exterior, temos certeza de que a maioria dos habitantes do nosso planeta é civilizada. Ou, pelo menos, cada vez mais civilizada.

Bush, Bin Laden, Saddam, Fidel, Chaves e outros ditadores, extremistas e antidemocratas à parte, sabemos que as minorias são cada vez mais aceitas e respeitadas. Seja pela negociação ou pela força (física ou da opinião pública).

Tanto que o racismo e outras tantas manifestações de discriminação estão cada vez mais fora de moda no nosso dia-a-dia.

Os ataques – impensados ou bem planejados – ao meio ambiente também.

É por isso – por tudo isso – que fico cada dia mais chocado e revoltado em relação aos acontecimentos relatados em Geografia da América por Melhem Adas (“geógrafo e escritor brasileiro” que, segundo a ‘A enciclopédia livre Wikipédia’, é “formado na PUC de São Paulo, é um dos mais renomados professores de geografia brasileiro” e “escreve livros para o ensino médio e fundamental”).

Comecei a ler Geografia da América, de Melhem Adas, porque encontrei entre os livros que guardo em casa um exemplar usado por minha filha há quase 20 anos.

A obra que tenho lido foi editada pela Moderna em 1989, quando a geografia do nosso planeta era bem diferente. Tanto que ainda existia a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), por exemplo.

Li a apresentação, me interessei e fui em frente.

Interessei-me principalmente porque o livro é muito bem escrito. Mais que isso, as idéias do autor são interessantes, se não porque ele acredita “que não é possível estudar geografia, e principalmente Geografia Humana ou Social, sem uma base histórica”, mas, também, porque, na opinião de Melhem Adas, “não existem fronteiras entre as ciências humanas”.

Hoje, no quarto dia de leitura, devoradas 128 das 332 páginas do livro, custo a acreditar no que os europeus – mas principalmente os espanhóis – fizeram com as populações, as cidades, as florestas e outros recursos naturais preciosos que encontraram em terras outrora ocupadas por incas, maias, astecas, ou seja, com as chamadas “sociedades pré-colombianas avançadas”.

Custo a acreditar e para mim é difícil imaginar o quanto os conquistadores eram animalescos, ignorantes, brutais, desumanos, gananciosos, inconseqüentes e materialistas.

E me pergunto: eles ou os monarcas que financiavam as viagens e expedições que os conquistadores fizeram por terras americanas até então desconhecidas na Europa?

Para complicar o meu entendimento dos acontecimentos relatados em Geografia da América, lá está escrito, e repetido por vezes incontáveis, que ao lado – ou por trás? – deles estava a Igreja com a qual eu me alinho e por intermédio da qual procuro me manter fiel e temente a Deus.

Se você, caro e-leitor, ainda não tem, e quiser ter idéia das dimensões do que estou a me referir, leia Geografia da América, de Melhem Adas.

Antes, entretanto, de dar início à leitura dessa obra, tenha certeza de que está preparado para tal.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

4/4/2008 17:33:47

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Por quê? (69) 3 de abril

Cláudio Amaral

A exatos três anos, ou seja, no dia 3 de abril de 2005, eu deixava São Paulo para passar um mês em Franca, a 415 quilômetros de casa.

Fui a convite do Amigo Corrêa Neves Júnior, jornalista e masteriano como eu (ele fez o Master em Jornalismo para Editores em 2001 e eu em 2003, no Centro de Extensão Universitária da Universidade de Navarra, Espanha, em São Paulo).

Poderia ter ido de avião até Ribeirão Preto e de carro a Franca, mas preferi fazer a viagem toda de automóvel.

Fui no meu Pólo Classic, vermelho como uma Ferrari.

Rodei a Rodovia dos Bandeirantes do começo ao fim, depois entrei na Via Anhanguera até Ribeirão Preto e por fim usei a Rodovia Candido Portinari.

Cheguei a Franca com chuva e, pior, à noite.

Demorei um pouco para encontrar o Hotel Imperador, em frente à Prefeitura, mas cheguei lá.

No dia seguinte, 4 de abril, dia do aniversário de fundação de Marília, onde me casei com Sueli e nasceram nossos dois primeiros filhos, Cláudia Márcia e Cássio Fernando, acordei bem cedo e às 7h30 já estava no trabalho.

E que trabalho.

Tanto que, ao invés de um mês, fiquei 15 meses.

Fiz de tudo na Redação do jornal Comércio da Franca, o maior da região. Maior, inclusive, do que os jornais de Ribeirão Preto, a cidade mais importante da região.

Disse, escrevi e repito: ensinei muito, em Franca, mas aprendi mais ainda.

Ensinei, escrevi, pautei, entrevistei, opinei e editei.

Morei em hotel (Imperador), apart-hotel (Franca Inn) e, por fim, num pequeno mas agradável apartamento do Jardim dos Lima.

Eu e Sueli, sempre que possível, porque os filhos ficaram em São Paulo. E a casa também.

Paralelamente ao trabalho, curti muito a cidade de Franca. E nela fiz amigos, conheci restaurantes (especialmente o Barão, na principal e mais central das praças), pizzarias (com destaque para a Sapataria da Pizza), cafés (como o sem igual Senhor Café), faculdades (a Unifran, do professor Everton de Paula, a Unesp e a Faculdade de Direito, por exemplo), lancherias, supermercados, cinemas, os inesquecíveis Teatro Municipal e a Rodoviária, bares e botecos, embora eu não seja nem bebum nem madrugador.

Ate sinuca eu voltei a jogar, em Franca.

Vejam só.

Aventurei-me pela região, também. E sempre que pude fui rever amigos em Ribeirão Preto e o hoje saudoso irmão Clówis e a família dele, em Uberaba (MG).

Freqüentei as celebrações da Missa aos domingos, quase sempre na Catedral, onde sempre encontrei paz e equilíbrio com a ajuda do padre José Geraldo Segantin e do bispo dom Diógenes.

Minha passagem por Franca foi tão rica, mas tão rica, pessoal e profissionalmente, que só mesmo o casamento de minha filha, a 29 de julho de 2006, me trouxe de volta para casa, em São Paulo.

Agora, quando a saudade aperta, como neste 3 de abril, eu olho para a pequena Beatriz do Amaral Gouvêa, prestes a completar dez meses de vida, e tenho certeza de que meu lugar é aqui, junto da família.

Afinal, quando deixei São Paulo para trabalhar em Franca, éramos cinco e hoje somos sete: eu, Sueli, os filhos Cláudia, Mauro e Flávio, o genro Márcio Gouvêa e a linda e querida Be(bê)atriz.

O que eu posso querer mais da vida, Senhor?

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

2/4/2008 22:33:57