sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Por quê? (140) A figura voltou


Cláudio Amaral


Imagine, caro e-leitor, qual foi a primeira pessoa que encontrei ao chegar a São Paulo para as festas de Natal 2008?

Sim... você acertou: aquela figura no mínimo inusitada, à qual me referi pela primeira vez no dia 9 de janeiro de 2008, uma quarta-feira.

Até parece que ela estava a me esperar.

E... olhe que eu fiquei três meses vivendo em Santos, mais precisamente na “Capital da Baixada Santista”.

Pois ela, a figura, me esperou, pacientemente.

Sem dizer “alô”, nem “bom dia”, muito menos “feliz Natal”, ela, a figura, grudou em mim e me seguiu durante os dias 25 e 26 de dezembro de 2008.

No dia do Natal ela não teve chance porque eu fiquei em família de sol a sol.

Mas... hoje, sexta-feira, 26, não teve jeito: ela se escorou em mim novamente e não me largou enquanto eu fiquei perambulando pelas ruas paulistanas.

Acompanhou-me ao Banco Itaú, onde fui pagar uma conta.

Foi e voltou ao meu lado.

Depois do almoço, grudada, foi comigo a três locais onde trabalhei ao longo dos primeiros oito, quase nove meses do ano.

Na Rua Dr. Diogo de Faria, quase esquina da Rua Marselhesa, na Vila Clementino, ela, a figura, entrou comigo na lojinha do Jai, com quem fui me atualizar a respeito dos negócios da região.

- Nada mudou por aqui, Amaral, me disse o companheiro de muitas e muitas conversas.

Na Rua Indiana, no Brooklin, fui rever e abraçar meu amigo Francisco, corretor de imóveis dos bons, e lá estava ela, mais uma vez.

Perguntou mais do que eu.

Parecia conhecer o bom Chico há anos.

Pediu para conhecer o apartamento “descolado”, recém inaugurado.

E eu fui obrigado a intervir e explicar:

- Não é “descolado”. É apartamento decorado.

Viu e gostou, deslumbrada, a figura.

Claro. Ela deve morar numa quitinete no centro velho ou numa casinha da periferia.

- Olha o preconceito, Cláudião, me cobrou minha consciência.

- Perdão, perdão, perdão..., Senhor, pensei comigo mesmo, imaginando estar falando com Deus.

Na Rua Michigan, também no Brooklin, ela, a figura, foi mais discreta perante meu amigo Aramis.

Sentou-se a meu lado e ficou calada.

Ouviu sem intervir na conversa de quem está contando os dias para sair em férias com a mulher, professora municipal, mais os filhos adolescentes.

Terminado o giro, ela, a figura, seguiu comigo até o Largo Anna Rosa, na Vila Mariana, e... sumiu.

Sumiu sem dizer “até logo”, nem “adeus”, muito menos “feliz Ano-Novo”.

Estranha essa “figura no mínimo inusitada”, não?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

26/12/2008 23:24:10

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Por quê? (139) Natal 2008


Cláudio Amaral

Hoje não tem Santos.

Hoje não tem praias.

Hoje não tem concertos ao ar livre, nem no Coliseu, nem no Theatro Guarany.

Hoje não tem caminhada com os pés nas águas do Oceano Atlântico.

Hoje não tem A Tribuna.

Hoje não tem as alegrias da Baixada Santista, nem da “Capital da Baixada Santista”.

Hoje é Natal.

Hoje estou de volta a São Paulo, a cidade onde cheguei há quase 40 anos.

Hoje revejo minha família, minha casa, minha rua, meu bairro, meus Amigos.

Hoje eu volto a digitar e a blogar os textos do meu inesquecível sogro, o jornalista José Padilla Bravos, o Zé Arnaldo, que nos deixou no dia 15 de agosto de 1999.

Hoje é dia de voltar a brincar com a pequena, linda e graciosa Be(bê)atriz, que aos 18 meses de vida está, finalmente, começando a dizer “vovó” e “vovô”.

Hoje é dia de retornar à celebração da Missa na Igreja de Santa Rita de Cássia, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana.

Hoje é dia de rever o Padre Lucas e com ele rezar o “Pai Nosso que está no céu...”.

Hoje é dia de desejar “Feliz Natal” até a quem eu não conheço, nunca vi e jamais verei.

Hoje é dia comer bem, mas moderadamente.

Hoje é dia de um bom vinho.

Hoje é dia de rever o DVD que Renato Teixeira gravou no Ibirapuera, no dia 26 de agosto de 2006, ao lado de dois filhos e dos Amigos Pena Branca, Joana, Xitãozinho e Xororó.

Hoje é dia de escrever sem compromisso.

Hoje é dia de ver “Roberto Carlos Especial” na Rede Globo de Televisão.

Hoje é dia de relembrar quem já nos deixou há pouco e muito tempo.

Hoje é dia de pedir saúde, muita saúde, para a mulher que me gerou e me colocou no mundo há 59 anos.

Hoje é dia de pedir forças às irmãs que cuidam dela.

Hoje é Natal.

Hoje é dia de alegrias, felicidades, emoções fortes.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

25/12/2008 23:12:18

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Por quê? (138) Um privilégio


Cláudio Amaral


Santos é uma cidade de praias.

Praias, praias e mais praias.

Em Santos tem a Praia do Gonzaga, a mais famosa de todas.

Tem a Praia do Embaré, a Praia da Aparecida (bairro em que moramos, Sueli e eu num apartamento, Mônica e Mário Evangelista numa casa de vila, ambos junto ao Canal 6) e tem ainda a Ponta da Praia (onde vive a família Marini: Wilson, Salete e Samuel, também numa casa, térrea, espaçosa e confortável).

Santos tem outras tantas praias.

Tem a Praia do José Menino, a Praia da Pompéia, a Praia do Boqueirão e a Praia do Embaré, não necessariamente nesta ordem.

Mas... Santos tem mais, muito mais do que praias.

Santos tem o Centro Histórico e uma programação cultural de fazer inveja para os grandes centros urbanos do Brasil.

Dentro do Centro Histórico tem, por exemplo, o Teatro Coliseu.

E foi no Coliseu que assisti, na noite de sábado, 20 de dezembro de 2008, uma inesquecível apresentação da Orquestra Sinfônica Municipal.

Sob a batuta do Maestro Luís Gustavo Petri, e a participação do Coral Municipal de Santos, permiti que meus olhos brilhassem, meus ouvidos se encantassem e meu coração pulsasse forte ao som de obras inesquecíveis de Johann Sebastian Bach e Heitor Villa-Lobos, entre outros.

Ainda no Centro Histórico de Santos tem o recém inaugurado Theatro Guarany.

Theatro com h e Guarany com y, porque é assim que ele foi batizado.

Santos tem o Poupatempo, uma das criações mais inteligentes do ex-governador Mário Covas, filho de Santos.

Santos tem a Bolsa do Café, onde se toma o melhor café que eu já bebi. Eu, Marini e Mário Evangelista.

A Santa Casa mais antiga do Brasil e da América do Sul também está em Santos. Firme e forte.

Santos tem, entre muitas outras atrações, o maior jardim público do mundo, segundo o Livro dos Recordes.

Pois foi entre o jardim e as águas do Oceano Atlântico, nas areias da Praia do Gonzaga, que eu e mais de oito mil pessoas (segundo cálculos da Polícia Militar) assistimos na noite de domingo, 21 de dezembro de 2008, outro espetáculo inesquecível: a apresentação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a batuta de John Neschling e com a participação de Mônica Salmaso e o Grupo Pau Brasil.

Inesquecível.

Encantador.

Por tudo isso – e mais, muito mais – é um privilégio viver em Santos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

22/12/2008 23:15:45

sábado, 13 de dezembro de 2008

Por quê? (137) Sou louco por ti...


Cláudio Amaral

Eu seria louco (mais, muito mais do que já sou) se negasse que estou feliz com a contratação de Ronaldão pelo Corinthians.

Estou feliz.

Muito feliz.

Mas... nem sempre foi assim.

Sempre reconheci méritos em Ronaldão.

Nunca, entretanto, aceitei que ele é um fenômeno.

Jamais.

Desde os tempos em que ele começou a brilhar no Cruzeiro, em Belo Horizonte, em 1993/94, eu digo que fenomenal, mesmo, só Pelé.

E assim foi por todos estes mais de 14 anos.

Vibrei, sim, com as jogadas geniais dele no PSV, jogando em gramados da Holanda e da Europa, em 1996; em 1997, no Barcelona, meu time de preferência na Espanha; na Inter de Milão (Itália) e no Real Madrid (Espanha).

E como vibrei com as jogadas e os gols que Ronaldão fez com a camisa da seleção brasileira.

Mas... fenômeno, não.

Contra tudo e contra todos, disse e repito: fenômeno, não.

Pois bem: quando a notícia de que ele iria para o meu Corinthians começou a pipocar na Internet, na manhã de terça-feira, 10 de dezembro de 2008, fiz cara de incrédulo.

Só comecei a acreditar quando o vi no Jornal Nacional.

Mais precisamente, quando Ronaldão disse:

- Vou pro Corinthians fazer parte daquele bando de loucos.

Mesmo assim, confesso, fui dormir sem dar crédito total ao que estava lendo, vendo e ouvindo.

Tanto que larguei tudo o que estava fazendo, na Redação de A Tribuna, em Santos, para acompanhar a apresentação de Ronaldão no Parque São Jorge, em São Paulo.

Não desgrudei os olhos e os ouvidos da transmissão especial que o SporTV fez na manhã de sexta-feira, 12 de dezembro de 2008.

Hoje, 13 de dezembro de 2008, eu posso dizer que acredito que Ronaldão vai jogar no Corinthians.

Ainda assim, desconfiado, vou acompanhar cada passo dele dentro da Fazendinha, até o dia em que ele entrar em campo para valer.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

13/12/2008 12:20:07

Por quê? (136) O marzarzão


Cláudio Amaral

Acordo impreterivelmente às 6 horas da manhã.

Claro... às vezes um pouco antes.

Especialmente depois que meu relógio biológico se acostumou e minha mente assimilou que devo estar na Redação de A Tribuna entre 7h e 8h.

Acordado, esticado, necessidades fisiológicas feitas... vou para a janela da sala do apartamento que me abriga desde 1º de novembro de 2008.

Da janela, que ainda não tem cortina (e nem sei se um dia terá), vejo o mar.

O mar, não!

Vejo o marzarzão, como eu gosto de dizer.

Sinto-me imensamente feliz e tão privilegiado, que meu primeiro ato é fazer o sinal da cruz e agradecer:

- Obrigado, Senhor, por me permitir estar aqui.

- Obrigado, Senhor, por me permitir chegar até aqui.

Repito estas duas frases no meu ritual matutino junto ao mar.

Sim... porque todo dia (todo dia, não; quase todo dia), caminho algo em torno de 120 metros, rumo ao marzarzão, tiro os chinelos, ando sobre a areia até as águas do Oceano Atlântico e... com os pés molhados, repito...

- Obrigado, Senhor, por me permitir estar aqui.

- Obrigado, Senhor, por me permitir chegar até aqui.

Ato contínuo, rezo o Pai Nosso, três vezes a Ave Maria, lavo os pés num dos chuveiros públicos e caminho de volta ao apartamento 71 do Edifício Bambuí, na Rua Epitácio Pessoa, 555, praticamente na esquina do Canal 6.

Feito isto, nada mais poderá impedir que o meu dia seja repleto de alegria.

Nada mais.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

13/12/2008 11:57:50

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Por quê? (135) 59 anos de vida (e molecagens)


Cláudio Amaral

A felicidade que estou a viver em Santos me fez voltar aos tempos de infância, neste 3 de dezembro de 2008.

Voltei aos tempos em que era menino pequeno, lá em Adamantina.

Entre as molecagens que fiz... ah, ah, ah... foi acordar a Sueli cantando... parabéns a você...

Ela não acreditou, saltou da cama, pulou no meu pescoço e disse:

- Seu moleque. Quem tem que cantar parabéns sou eu.

Gostei da brincadeira, que saiu de improviso, e a repeti ao longo de todo o dia.

A cada pessoa que vinha falar comigo, fosse qual fosse o assunto, eu dirigia uma brincadeira ligada ao meu aniversário.

Um colega que desceu do terceiro para o segundo andar da Redação d’A Tribuna de Santos e me pediu desculpas, antes mesmo de falar bom dia... eu disse:

- Você não veio falar comigo antes porque não queria me dar parabéns.

Tudo para que ele também soubesse do meu aniversário.

E assim foi o dia todo.

Passei o dia, neste 3 de dezembro, cantando parabéns a você...

Cantando e rindo daqueles que se diziam surpresos ao saber do meu aniversário.

Diverti-me muito.

E assim foi em casa (o apartamento em que estou morando há um mês, junto ao Canal 6, no bairro Aparecida) e no jornal A Tribuna (onde trabalho desde 1º de outubro).

Diverti-me muito às custas dos meus amigos e colegas de trabalho.

Mas... o que mais me levou a sentir felicidade no dia em que completei 59 anos de vida e entrei no ano em que viverei meus 60º ano de vida... foi um presente que ganhei logo após o almoço.

Fomos almoçar no Mauá, um pequeno restaurante localizado numa das esquinas da Praça Mauá, no centro de Santos.

Fui com Wilson Marini, Mário Evangelista, Salete e Samuel Marini.

Ao sair do Mauá, Salete disse que desejava me dar um presente:

- Uma viagem no bonde turístico de Santos.

Fomos: ela, eu e Samuel, filho dela com Wilson Marini.

No meio do caminho, o bondinho empacou.

- Furou o pneu, eu disse, sorrindo.

Logo voltamos a andar e a viagem terminou novamente na Praça Mauá.

Uma delicia.

Uma viagem tão gostosa quanto os salgados e doces que comemos à noite, no nosso apê, onde Sueli passou o dia preparando uma festa inesquecível.

Uma festa para poucos, mas inesquecível.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

5/12/2008 00:12:51