terça-feira, 28 de agosto de 2012

Por quê? (300) Mudança de estação

No outono as árvores ficam amareladas e liberam suas folhas

Cláudio Amaral

O tempo já está a mudar aqui em Ashburn, Virgínia, nos Estados Unidos. Mudando do Verão para o Outono, embora, oficialmente, a nova estação tenha data de chegada marcada para o dia 21 de setembro.

Quando aqui chegamos, minha Sueli e eu, no dia 8 de maio de 2012, este lado dos EUA – e em geral todo o Hemisfério Norte – estava em plena Primavera, a estação das flores, que começou no dia 21 de março e foi até o dia 20 de junho.

Foi um Verão dos mais quentes. As temperaturas passaram dos 40 graus centígrados. Por vezes chegaram aos 45.

Por consequência, tivemos tempestades fortíssimas. Poucas mas fortes, com chuvas e ventos que danificaram muitas árvores aqui pelos lados de Ashburn Village, onde estamos hospedados. Inclusive uma árvore linda que existia no quintal de nossa residência temporária e que caiu na noite de 29 de junho de 2012.

Na ocasião, registrei na minha página do Facebook: “Ventos de 128 quilômetros por hora atingiram Loudoun, Cascades e Sterling no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, na noite de sexta-feira, 29, por 45 minutos. A tempestade interrompeu o fornecimento de energia elétrica a cerca de meio milhão de residências, escritórios, centros comerciais, hospitais e escolas da região em torno da Capital, Washington DC”.

Igualmente, em São Paulo, onde vivemos há mais de 40 anos, o Inverno também foi rigoroso. Já não é mais e graças a Deus voltou a chover na Paulicéia na madrugada deste 28 de agosto de 2012, após 40 dias de estiagem.

Quando retornarmos ao Brasil, no dia 25 de setembro de 2012, chegaremos em plena Primavera, que tem início marcado para 23 de setembro.

Esperamos que a paisagem esteja parecida com a qual vimos quando aqui chegamos: muitas flores, muitos pássaros e um clima agradável.

Afinal, em países como o Brasil, em que prevalece o clima temperado, no Inverno as plantas ficam ociosas, na Primavera elas voltam a crescer, no Verão os vegeatais de médio e grande portes crescem e no Outono ficam amarelados e liberam suas folhas (como já começa a acontecer por aqui, nos EUA).

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

28/08/2012 14:13:25 (horário de Brasília)
28/08/2012 13:13:25 (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

sábado, 18 de agosto de 2012

Por quê? (299) Carteira de Habilitação Internacional


Meus documentos: CHI, Passaporte e CNH (por Sueli Amaral)

Cláudio Amaral

Alegria, alegria, alegria: acabo de receber aqui em Ashburn Village, Virgínia, EUA, a minha Carteira de Habilitação Internacional. É o documento que me faltava para continuar dirigindo por todas as vias públicas daqui, onde Sueli e eu estamos desde o dia 8 de maio de 2012.

Tentei tirar a mesma CHI no Brasil antes de vir para os EUA, mas o Departamento de Trânsito (Detran) do Governo do Estado de São Paulo ignorou solenemente meu pedido de informação. Eu queria a relação dos países em que valia a Carteira Internacional oferecida por aquele órgão estatal, porque, se não valesse nos EUA, eu não teria razão para pedir a emissão da CI. Até hoje não recebi resposta.

Vim sabendo que poderia dirigir com a mesma CNH do Brasil por apenas três meses, ou seja, até 8 de agosto de 2012. E assim fiz, graças às gentilezas da filha e do marido dela, que, entre outras bondades, me empretaram o carro e facilitaram o estudo das leis e sinais de tráfego dos EUA.

Primeiro eu estudei o Virginia Driver’s Manual e depois fiz tantos testes quantos me foram possíveis via Internet no site do DMV, o departamento de trânsito da Virgínia. Acertei quase todas as questões em todos os testes que o tempo me permitiu fazer. Só então eu fui para as ruas e avenidas bem conservadas e sinalizadas deste Estado.

Ainda assim fiquei com a ideia fixa de tirar o International Drive’s Document. Fiz diversas consultar a respeito e meu genro me deu o empurrão definitivo na noite de domingo, dia 12 de agosto de 2012. Ele fez uma consulta via Internet (Google, talvez) e me avisou que havia um site destinado especificamente para isso.

Fiz o mesmo na manhã do dia seguinte e preenchi todos os dados necessários. Tirei uma foto da minha CNH e a anexei no site da Inter-Drive Services LLC, com uma foto e minha assinatura. Concordei em pagar quase 70 dólares pelo serviço e a CHI chegou por volta do meio-dia deste sábado, aqui na residência em que estamos hospedados, minha Sueli e eu.

Válida em 189 países, graças ao convênio que a empresa em questão tem com a Organização das Nações Unidas (ONU), a CHI é uma tradução oficial da minha CNH em 11 idiomas: Inglês, Espanhol, Português, Russo, Alemão, Árabe, Japonês, Chinês, Italiano, Sueco e Francês.

Na carta que acompanhou a minha CHI, a Inter-Drive me avisou que o documento tem como finalidade “ultrapassar as barreiras de comunicação que possam existir quando um motorista encontra-se dirigindo em um país estrangeiro”. Esclareceu ainda que a Carteira Internacional está baseada “no acordo das Nações Unidas de Tráfico de Rotas, que permite um motorista utilizar o documento pelo período de um ano no mesmo país”. Outro esclarecimento: “… de acordo com a Convenção de Viena, a CHI não é válida por mais de três anos ou até a data de vencimento da CNH, o que ocorrer primeiro”. Assim sendo, terei que validar minha CHI em agosto de 2013 porque minha CNH valerá até 29 de outubro de 2015.

A Inter-Drive me fez mais um alerta: “Para utilizar o documento adequadamente, você precisa ter sempre em mãos a CNH e a CHI”. A última recomendação é igualmente importante: “Recomendamos ao motorista fazer uma pesquisa a respeito das leis de trânsito do país no qual deseja dirigir, já que estes regulamentos variam de acordo com o país e ou cidade”.

Isto posto, estou habilitado a continuar a dirigir por esta região da Virgínia (Ashburn, Sterling, Herndon, Fairfax, Leesburg, Manasas, Reston, Arlington…) e ainda fazer as viagens que pretendemos até Nova Iorque e a Washigton DC, a capital dos EUA.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

18/08/2012 14:14:20 (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)
18/08/2012 15:14:20 (horário de Brasília)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Por quê? (298) Only English-8



Cláudio Amaral

Essa crônica da série Only English ganhou vida própria porque hoje, quinta-feira, dia 9 de agosto de 2012, fiz algo de especial, inusitado. Algo que me deixou feliz, mas muito feliz.

Antes que você, caro e-leitor, perca a paciência de tão curioso, te explico: fiz uma longa caminhada. Uma caminhada de nada menos que 53 minutos entre a Library Ashburn e a residência em que estamos hospedados, minha Sueli e eu, em Ashburn Village, Virgínia, EUA.

O caminho de ida até a Ashburn Library, na décima visita que fiz à biblioteca pública de Ashburn, foi fácil. Minha filha me levou no carro dela, automático e com GPS de fábrica, como quase 100% dos veículos que rodam aqui pela Virgínia.

Quando ela me deixou na Hay Road, disse que não se preocupasse comigo, pois tinha planos de voltar andando. E foi o que fiz após mais de uma hora e meia de aula no ESOL Conversation Groups, que comecei a frequentar no dia 17 de julho de 2012.

Escolhi o caminho mais distante, porque ao longo do mais curto existem obras de construção de um novo condomínio e, pior, não dispomos de local apropriado para pedestres. Pelo mais comprido, sim, a segurança é total.

Na hora e meia de aula com o Professor John, um dos voluntários que prestam serviços sem remuneração na Ashburn Labriry, praticamos conversação a respeito dos dois mais recentes assassinatos em massa verificados nos EUA e discutimos da onde vem a culpa (ou culpas) por fatos do gênero. A maioria acredita que em casos como esses a Constituição é muito liberal e, portanto, a maior responsável.

Em seguida, o Professor John nos fez raciocinar e falar a respeito de 13 sub-temas da Língua Inglêsa: in mint condition, give someone the creeps, can, in the buff, slip one’s mind, turn beet red, stay on one’s good side, in the long run, dough, work out, drop in on someone, pop by somewhere e decadent.

Numa delas o Professor John me escalou para formar uma frase e eu respire fundo e mandei: I work out every day. Para minha surpresa, ele saiu com essa: Good. Very good. Aí foi a minha vez de ficar com as bochechas coradas (turn beet red ou blush).

Depois de me despedir do grupo formado por uma iraniana, uma peruana, uma sul-coreana, uma salvadorenha, uma polonesa e um polonês, uma espanhola de Barcelona e um casal de indianos, deixei a Ashburn Library às 11h50 e, ao invés de seguir pela esquerda na Hay Road, fui pela direita. Caminhei por cinco minutos até a Claiborne e depois por 30 minutos até a Glaucester. Lá virei à esquerda e andei por mais 12 minutos até a Fincastle. Mais três minutos e eu estava na Ringold. Três minutos mais e estava em casa. Ou melhor, na residência da minha filha, do meu genro e dos meus queridos netinhos (Beatriz, de 5 anos e quase dois meses, e Murilo, 2 anos e sete meses), em Ashburn Village.

Cheguei suado, mas não estava cansado. Estava, sim, feliz. Muito feliz.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

09/08/2012 15:16:38 (horário de Ashburn, Virgínia, EUA)
09/08/2012 16:16:38 (horário de Brasília)

domingo, 5 de agosto de 2012

Por quê? (297) Cinco de agosto



Cláudio Amaral

O dia cinco de agosto é inesquecível para mim. Primeiro, porque nesta data lembro-me sempre do Grande Amigo Meninão. Segundo, porque há um ano eu estava entre as 150 pessoas reunidas no prédio do IICS. Terceiro, porque naquele encontro de Masterianos o Amigo Eduardo Ribeiro me proporcionou uma alegria para sempre.

Meninão foi um Grande Amigo, repito. Nasceu em Bruxelas, na Bélgica, porque o pai era decorador de fama internacional, conhecido como Luiz Europeu e autor da decoração do Jockey Club de São Paulo. Mas foi registrado como brasileiro e com um nome tão enorme quanto ele viria a ser, fisicamente: Álvaro Luiz Roberto de Assumpção. Ele tinha mais de dois metros de altura, foi dono de boates e um conhecido homem da noite. Em São Paulo, principalmente. Mas no Rio de Janeiro também.

Conheci Meninão por obra e graça do Amigo Luiz Roberto de Souza Queiróz, o Bebeto, meu colega de reportagens no Estadão. Na época, início dos anos 1970, o empresário Álvaro Assumpção já era colunista social na hoje extinta Folha da Tarde e dono da A. A. Comunicação, empresa de assessoria de imprensa. Às duas atividades ele fora levado pelos conhecimentos e informações que possuia no meio empresarial e noturno.

Passei a trabalhar com Meninão mesmo sendo repórter do Estadão. Em 1975, fui para a assessoria de divulgão da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, onde fiquei por 18 meses. Ao sair, e não desejando voltar ao diário da Família Mesquita, do qual estava licenciado, passei a visitar os Amigos. E fui bater na A. A., então instalada na Rua Martinico Prado, nas proximidades da Santa Casa de Miserircórdia.

Assim que soube que eu estava por lá, Meninão mandou me chamar e logo me propos trabalhar novamente com ele. Desta vez, entretanto, não mais como profissional de atendimento, como anteriormente. Mas como gerente da equipe de Jornalistas. Diplomaticamente, me recusei e fiz uma nova proposta: ser gerente geral e por consequência chefe dos três gerentes da empresa.

Meninão parou, pensou e aceito. E eu fui gerente geral na A. A. Comunicação por dois anos ao longo de 1976, 1977 e 1978. Até que um dia ele me chamou na casa que ocupava na Rua Gironda, no Jardim América, para me soltar uma bomba no colo: estava de viagem marcada para os EUA porque precisava se submeter a uma cirurgia no fígado, pois sofria de cirrose epática.

Corri para casa, na Rua Machado de Assis, na Aclimação, peguei um livro enorme sobre doenças e fui pesquisar a tal. Quase cai duro e preto. Chamei minha Sueli e disse a ela que só Deus manteria Meninão conosco.

Ele voltou ao Brasil um mês depois, me chamou à residência novamente e me mostrou o resultado da cirurgia: “Abriram uma avenida na minha barriga, de alto a baixo”, me disse com a blusa do pijama aberta.

Fiquei horrorizado, pois ainda não tinha maturidade suficiente para enfrentar algo do gênero.

Poucos dias se passaram até quando Meninão foi novamente internado no Hospital Sírio Libanês, onde nem tempo para os Amigos vê-lo ele nos deu. Eu estava tomando banho, em casa, quando Sueli foi me avisar que a Amiga Leda Cavalcanti, que trabalhava conosco, estava ao telefone. Eu nem precisei atendê-la para saber que havíamos perdido o Grande Amigo Álvaro Luiz Roberto de Assumpção, o único Jornalista que conheci que não sabia datilografar.

Foi triste, muito triste.

Feliz, entretanto, foi o encontro de Masterianos no dia 5 de agosto de 2011, no Instituto Internacional de Comunicação Social, na Bela Vista. O Master criado especialmente para Jornalistas, e que eu havia cursado em 2003, estava completando 15 anos e os Amigos Carlos Alberto Di Franco e Mônica Paula organizaram um grande evento.

Ainda convalecendo de uma cirurgia na cabeça, detalhada na crônica anterior (http://www.blogdoclaudioamaral.blogspot.com/2012/07/por-que-296-um-ano-de-vida-nova.html), fui à sede da Rua Maestro Cardim levado no meu Honda Fit por minha filha querida. A meta era ficar algumas poucas horas, apenas. E lá fiquei o dia todo, das 9h às 20h. Mantive a cabeça coberta pelo chapéu que havia ganho dias antes do meu filho caçula. Era ordem médica.

Ao final do encontro, o Jornalista e Amigo Eduardo Ribeiro, editor-responsável pelo semanário Jornalistas & Cia., me encomendou, sem perguntar se eu tinha condições de escrever, um texto a respeito de tudo o que se passara naquele evento. E acrescentou: “Um texto de 7.000 toques”.

Eduardo Ribeiro foi me levar em casa e conversamos a respeito de tudo, menos sobre o texto. Ao chegar, rever a esposa, a filha, os netinhos Beatriz e Murilo, os filhos e a nora, parei e pensei: 7.000 toques!? Sueli ainda me perguntou: “Até quando?” Respondi: até segunda-feira. Ela, otimista como sempre, me respondeu: “Senta e escreve”.

E foi o que fiz: sentei, escrevi e mandei para o Edu. Fiz uma ressalva: ele deveria ler com lupa e editar de acordo com as regras do J&Cia.. E com uma preocupação a mais, porque eu tinha receio de a memória ter falhado, como falhava antes da cirurgia do dia 29 de julho de 2011.

Poucas horas se passaram até que um novo correio eletrônico chegasse ao meu computador, assinado por Eduardo Ribeiro. Ele me dizia que o texto estava perfeito (ou algo assim). E publicou na edição seguinte, na quarta-feira daquela mesma semana.

Fiquei muito feliz. E mais feliz ainda quando Mônica Paula me ligou para dizer que iria reeditar o meu texto na revista especial que estava preparando para marcar os 15 anos de Master.

Lembrei de tudo isso neste domingo, 5 de agosto de 2012, enquanto orava, ajoelhado, dentro da St. Thereza Catholic Church, aqui em Ashburn, Virgínia, EUA. Orei, agradeci a Deus, aos Amigos Meninão, Edu e Mônica pelas alegrias que me proporcionaram. E também para que Nosso Senhor cuide dos nossos destinos. Deles, meu, dos meus familiares, das Amigas e dos Amigos.  

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

05/08/2012 13:53:03 (em Ashburn Village, Virgínia, EUA)
05/08/2012 14:53:03 (horário de Brasília)