sábado, 28 de abril de 2012

Por quê? (286) F-Indy: experiência única


Cláudio Amaral (ao lado de Bia Figueiredo, no Anhembi, 6ª-feira)

A vontade de sentir a emoção de ver o carro correr a 200, 250 ou 300 quilômetros por hora foi grande. Foi. Passou logo após os meus 30 ou 40 anos de idade. Hoje é passado. Ainda que meu filho caçula não consiga entender esse meu estado de espírito.

Flávio, meu caçula, que já passou dos 30, é fanático por velocidade. Assiste a todas as provas da Fórmula 1 e sempre que pode – ou seja, quase todo dia – pratica no simulador que instalou no computador.

Ele garante que conhece cada curva de todos os circuitos da Fórmula 1 e analisa com propriedade todas as corridas disputadas no Brasil, na Ásia, na Europa e na América do Norte.

Há duas semanas começou a insistir comigo que deveríamos comprar ingressos para ver a Fórmula Indy no Parque do Anhembi, aqui em São Paulo. Mas, como eu não me entusiasmei, ele ficou desolado.

Só se animou quando escrevi uma frase de incentivo à piloto Bia Figueiredo a convite da rede de postos Ipiranga, que patrocina a única brasileira que disputa a Fórmula Indy.

Escrevi com o coração, porque acompanho a carreira de Bia desde quando ela corria no Kartódromo Schincariol, em Itu, a cerca de 100 quilômetros da Capital. Naquela época, final dos anos 1990, eu trabalhava para a cervejaria ituana e vi a pequena Ana Beatriz Figueiredo deitar e rolar em cima de pilotos como Nelson Ângelo Piquet, filho do grande e famoso Nelson Piquet.

Assim que a Ipiranga me comunicou que eu havia ganhado o direito de ir ao Anhembi nestes três dias de Fórmula Indy (27, 28 e 29 de maio de 2012) e dar uma “volta rápida” num carro de corrida, mandei cópia da mensagem para Flávio. Ele vibrou e ao mesmo tempo me pediu para ir junto. Foi comigo até o hotel indicado pela organização, aqui perto, no Paraíso, cavou uma vaga na van que nos levou ao Anhembi, circulou por todos os boxes, fotografou carros e pilotos. E fez mais: cavou o direito de também dar a tal da “volta rápida”. E gostou. Só não gostou mais porque foi uma volta, apenas. Ele queria mais. Muito mais.

Finalmente chegou a minha vez. E eu, que já estava nervoso, tremi como um condenado a caminho da forca. Sequer conseguia vestir o macacão e precisei de ajuda para colocar o capacete. Para entrar no cock-pit, então, foi o maior sufoco. Precisei da ajuda de dois homens enormes, que só falavam inglês e, uma vez acomodado, me senti como sardinha em lata.

Meu relógio marcava aproximadamente 15 horas quando o motor foi acionado mediante partida elétrica externa e a “volta rápida” demorou uma eternidade, ainda que o carro rodasse a milhão.

Fui obrigado a fazer exercícios especiais de respiração para não colocar o coração pela boca e nem quando o carro parou no mesmo local de onde havíamos partido eu me senti tranquilo. Pelo contrário. Fui retirado novamente à força pelos dois brutamontes estrangeiros e a única frase que consegui falar ao colocar os pés em terra firme foi: “Never more. Never more”.

Flávio e a plateia reunida pela equipe da Ipiranga não acreditavam no que viam em mim, mas eu tremia e tive que me isolar na barraca da organização, sentar e esperar a tremedeira passar.

Durante os 30 ou 40 minutos em que estive isolado, revi em detalhes e mentalmente as três curvas à direita e as três curvas à esquerda, sempre raspando os muros do Anhembi em altíssima velocidade. E o que foi pior: sem ver nada à frente, porque era impedido pela presença do piloto, que nem o nome consegui saber. Nem o nome do piloto, nem a velocidade precisa que o carro alcançou. Só sei – ou melhor, imagino – que fomos a mais de 200 por hora.

Ao contrário de mim, meu filho queria mais. Muito mais. Ele e todos os demais convidados do patrocinador de Bia Figueiredo. Nem quando chegamos de volta ao hotel, no Paraíso, ele se conteve. Tanto que dormiu pouco de sexta-feira para sábado, levantou cedo, tomou banho, engoliu o café da manhã e saiu novamente para o Anhembi.

Ele só ficou parado diante da beleza e da simpatia de Bia Figueiredo. A pequena menina dos anos 1990, que hoje é uma mulher feita, e bem feita. Inteligente e bem educada, pronta para fazer sucesso entre todos os pilotos da Fórmula Indy.

Tivesse eu a oportunidade de sentir a emoção da alta velocidade numa das centenas de corridas que acompanhei de perto por mais de 20 anos em autódromos e kartódromos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, minha reação teria sido outra. Bem diferente da que senti na sexta-feira, no Anhembi.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


28/4/2012 21:42:33

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Por quê? (285) Rumo à Fórmula Indy, no Anhembi/SP


Rubinho, Tony Kanaan, Hélio Castroneves e Bia Figueiredo
(fotografados por Miguel Costa Jr.) estarão no Anhembi/SP
neste final de semana



Cláudio Amaral

Kart, Turismo, Marcas, Fórmula 2, Fórmula 3, Stock Cars, Motocross e Fórmula 1 são algumas das categorias do automobilismo brasileiro e internacional que passaram pelos meus olhos, pelos meus ouvidos, pela minha mente e pelos meus textos.

Emerson Fittipaldi, Wilson Fittipaldi Junior, Christian Fittipaldi, Rubens Barrichello, Raul Boesel, Paulão Gomes, Luiz Pereira Bueno, Alex Dias Ribeiro, Chico Serra, Ingo Hoffmann, José Carlos Pace, Mauricio Gugelmin, Nelson Piquet, Roberto Moreno e Ayrton Senna da Silva são alguns dos muitos pilotos de automobilismo que acompanhei e ou assessorei nas pistas brasileiras. Especialmente em São Paulo (Interlagos), no Rio de Janeiro (Jacarepaguá), Paraná, Goiás, Brasília, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia. E nos autódromos estrangeiros também, em especial na Argentina (Buenos Aires e Baia Blanca), no Uruguai e no Paraguai.

Nos motódromos do Brasil estive lado a lado com pilotos como Gilberto Narezzi, Nivanor Bernardis, Rodney Smith, Jorge Negretti, Pedro Bernardo Raymundo, Eduardo Saçaki (japonês voador) e o saudoso Ylton Veloso Cavalcanti (Paraibinha).

Meus colegas de reportagens foram Reginaldo Leme no Estadão (atualmente na Rede Globo de Televisão), Moraes Eggers e Lito Cavalcanti na Folha de S. Paulo (hoje no SporTV), Sandro Pinto Moreno no Correio Braziliense, Luiz Augusto Michelazzo (O Globo), Sérgio Leitão (agências internacionais) e o saudoso Cecílio Favoretto (Agência Folha).

Na Fórmula Indy, entretanto, nunca estive. Nem nas vezes em que essa categoria do automobilismo mundial esteve no Brasil. Por conta disso, não conheço pessoalmente Hélio Castroneves, Tony Canaan, Vitor Meira, Raphael Matos, Gil de Ferran, Affonso Giafone, Felipe Giafone, Bruno Junqueira, Raphael Matos, Vitor Meira, entre outros. Conheço, sim, Antônio Pizzonia e Bia Figueiredo porque eles competiram na segunda metade dos anos 1990 no Kartódromo Schincariol, em Itu (SP).

Entre os dois, conheci melhor a pequena Ana Beatriz Caselato Gomes de Figueiredo, que deu muitos “banhos” nos meninos que se aventuravam a desafiá-la em Itu. Bia se tornou a primeira brasileira a competir numa categoria de alto nível do automobilismo mundial. Um dos destaques da Indy Lights, ela também é a única mulher com vitórias na competição, com os triunfos em Nashville 2008 e Iowa 2009, nos Estados Unidos.

Bia ficou nove anos no Kart e em 2009 foi eleita a personalidade mais popular da Indy Lights. Já correu na Fórmula Renault Brasil, Fórmula 3 Ligth, Fórmula 3 Sul-Americana e na A1GP.

Além de Bia Figueiredo, na Indy, neste final de semana, em São Paulo, terei chance de rever meu piloto favorito entre os homens: Rubens Barrichello. Vi Rubinho ganhar nove a cada dez provas que disputou no Kart e acompanhei à distância, mas sempre de olhos e ouvidos bem atentos, a brilhante carreira que ele fez ao longo de 19 anos na Fórmula 1, passando inclusive pela Ferrari. Ambos, Rubinho e Bia, são fãs de Ayrton Senna da Silva, o melhor piloto brasileiro na Fórmula 1.

Portanto, este final de semana, na pista montada na Marginal do Rio Tietê, a partir do Parque Anhembi, em São Paulo, onde estarei acompanhado do meu filho caçula, Flávio Murilo do Amaral, a Fórmula Indy promete ser marcante e histórica na minha vida de jornalista e fã da velocidade de competição. Só de competição, porque nas vias públicas prefiro respeitar a velocidade máxima de cada uma.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


26/4/2012 22:15:42

Por quê? (284) Em defesa do Parque da Aclimação

O Parque da Aclimação tem 112.000 metros quadrados de área pública



Cláudio Amaral

Só não sou mais bairrista, no bom sentido, que o meu saudoso sogro José Arnaldo. Ele não teve o privilégio de nascer em Marília. Como eu também não tive. Ele nasceu na pequena Avaí, primeira localidade após Bauru. Eu nasci em Adamantina, bem mais no fundo do caminho aberto por conta da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, no início do século. Mas ninguém defendeu mais Marília e o seu povo do que o pai da minha esposa, que ao longo de mais de 40 anos escreveu nas páginas do Correio de Marília.

Baseado no bairrismo de José Arnaldo, que conheço bem por conta da responsabilidade que divido com Sueli Bravos do Amaral na edição quase que diária do blogue http://josearnaldodeantenaebinoculo.blogspot.com.br, aprendi a cultuar os valores da minha Adamantina e também da nossa Aclimação.

Foi por conta disso que desde 1971, quando nos casamos em Marília e viemos, Sueli e eu, morar na Aclimação, que procuramos sempre e cada vez mais acompanhar de perto o dia a dia deste que nós chamamos “O bairro mais agradável de São Paulo”. E também classificamos de “Uma pequena cidade do Interior bem próximo ao centro da maior metrópole do Brasil”.

Daqui fui trabalhar em Campo Grande (MS), em Franca e em Santos, mas sem nunca ter quebrado os nossos laços afetivos e bairristas com a Aclimação.

Desde a Aclimação nós já viajamos o Estado de São Paulo, o Brasil e três continentes do Planeta: América Latina, Europa e América do Norte, sem nunca ter esquecido de Adamantina nem deste nosso bairro.

Escrevo tudo isso para chegar aos nossos dias atuais. Dias em que tive o privilégio de ser convidado pelo jornalista Roberto Casseb para uma animada conversa no escritório dele, junto a Avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci. Dias em que voltei a frequentar uma das melhores e mais ricas áreas verdes da Capital paulista, o Parque da Aclimação.

Com Casseb, que nada tem a ver com o prefeito de São Paulo, falamos muito da necessidade de ampliação do Parque da Aclimação. Ele me observou que o espaço total do nosso Parque está pequeno. Cada vez mais apertado em consequência do aumento da população regional. Por isso, é preciso, segundo o idealizador, fundador e diretor-proprietário do Jornal do Cambuci & Aclimação, com quem concordo, fazer o Parque da Aclimação retomar áreas que lhe foram tomadas ao longo dos anos, desde a sua implantação, em 1939, pela Prefeitura de São Paulo. Áreas que há anos são ocupadas por outras entidades, empresas de economia mista e unidades de ensino.

Quando fui ao encontro com Casseb, na terça-feira (24/4/2012), nem sequer tirei o meu Honda Fit da garagem. Fui caminhando. Fui e voltei caminhando. E, além de ter feito uma boa caminhada, aproveitei para apreciar a pujança e a força do comércio da Aclimação e do Cambuci. Que maravilha ver o progresso desta região, em todos os sentidos, ao longo dos anos.

Nesta quinta-feira (26/4/2012) fiz uma nova caminhada matinal pelo Parque da Aclimação, onde tenho ido de três a quatro vezes por semana. Mais uma vez fui e voltei andando entre minha residência e aquela área verde. E pude comprovar aquilo que salta aos olhos de praticamente todos os usuários do local: precisamos urgentemente de mais espaço. Seja para os encontros entre Amigos, para atividades esportivas, para a recreação das crianças, para as caminhadas, para as turmas que gostam de se exercitar e ou dançar, seja simplesmente para quem prefere apreciar as aves e os peixes que habitam o lago. E também para quem gosta de ir até lá para paquerar (que não é caso de homens sérios como Casseb e eu).

Definitivamente, precisamos ampliar a área ocupada pelo Parque da Aclimação.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


26/4/2012 14:58:01

terça-feira, 24 de abril de 2012

Por quê? (283) Juarez Bahia e o Dicionário de Jornalismo

Juarez Bahia (1930/1998) foi Jornalista,
Professor e Advogado

Cláudio Amaral

Juarez Bahia foi um dos mais importantes Jornalistas brasileiros de todos os tempos. E hoje (24/4/2012) acordei a me lembrar dele com profunda saudade por três motivos: o Dicionário de Jornalismo editado pela Mauad em 2010, a figura sempre presente na mídia do ministro do STF Joaquim Barbosa e o carinho que recebi no início de fevereiro, em Santos, da viúva de Bahia, Sra. Irene Bifonte Bahia (sempre acompanhada de sua fiel escudeire Meire Santos), quando da visita que fiz ao apartamento em que reside desde que voltou do Rio de Janeiro.

O ministro Joaquim Barbosa me é muito simpático porque me faz lembrar sempre de Juarez Bahia. Afinal ambos têm em comum a pele negra e alguma semelhança facial (ou não?). Pelo sim, pelo não, o JB ministro do Supremo Tribunal Federal me traz à lembrança a figura de Jornalista JB (perdoem-me aqueles que pensarem em contrário ou que estou comparando figuras incomparáveis). Um porque, além de tudo, é reto de caráter; o outro, porque... também tinha um caráter imutável.

Dona Irene, já expliquei, me cercou de todo carinho (e até mais do que creio ser merecedor) durante nosso primeiro e até agora único encontro pessoal. E me deu – de presente – tantas publicações sobre e de autoria de Juarez Bahia, que jamais poderei esquecê-lo (ainda que quisesse).

Ganhei dela, por exemplo, cópias xerográficas de uma reportagem especial da Revista Imprensa, a propósito dos 200 anos da Imprensa Brasileira. Um texto muito bem escrito por Benalva da Silva Vitorio (professora da Faculdade de Comunicação da Universidade Católica de Santos) e Suzane Caroline Gil Fragoso (jornalista formada na mesma escola). E que, para minha alegria, faz referência a mim e – embora eu não mereça tanta deferência – me apresenta como um dos discípulos do Mestre Juarez Bahia e também como o “rapaz que conheceu em 1971 e que veio do interior para trabalhar no jornal O Estado de S. Paulo”.

Dona Irene me presenteou ainda com mais oito publicações da lavra de Juarez Bahia, o homem que nasceu a 18/11/1930, na pequena Cachoeira, na Bahia, viveu em cidades brasileiras como Feira de Santana, Santos, São Paulo e Rio de Janeiro e também em capitais da Europa, como Lisboa e Madri, vindo a falecer na capital fluminense em janeiro de 1998.

Entre essas oito publicações estão As origens e o espírito do jornalista (onde ele afirma que “O jornalismo não é uma invenção, mas uma descoberta”), A Imprensa, a Liberdade e a Verdade (discurso feito em 21/3/1958, em nome da primeira turma de Jornalistas da Faculdade de Filosofia de Santos), A Imprensa e o Ensino Profissional (palestra proferida a convite do Lions Club de Santos em 24/4/1957), Um homem de trinta anos (vida e poesia de Paulo Gonçalves), Introdução à Comunicação Empresarial (edição de 1995), Ensina-me a ler (edição de 1989), Setembro na Feira (edição de 1986) e o Dicionário de Jornalismo (edição de 2010).

Aprecio todas essas obras. Mas a que mais me encanta é o Dicionário de Jornalismo Juarez Bahia Século XX. Gosto não só porque foi o último texto produzido pelo Mestre Juarez Bahia – que sempre me recebeu com muita atenção, carinho e respeito quando ele era chefe da Redação da Sucursal de São Paulo do Jornal do Brasil e eu um simples foca do Estadão, no início de 1971 – mas também porque compreendo o valor desta “enciclopédia” e, mais, sei do quanto foi trabalhoso para Dona Irene conseguir a publicação desta obra.

Quero deixar aqui registrado um detalhe final, que para mim é muito mais do que um simples detalhe: conheci Juarez Bahia – que pode ser localizado no https://www.facebook.com/#!/pages/Juarez-Bahia/332470303441017, por obra de Meire Santos – em função da boa vontade e à amizade que tenho desde 1971 com o Jornalista Carlos Conde, que foi meu editor no Estadão, meu diretor na Sucursal de São Paulo do Correio Braziliense e meu VP na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Além de atual Editor-Chefe de A Tribuna de Santos, onde trabalhei em 2008 e 2009, Conde é muito mais do que isso: e meu Amigo de Fé, meu Irmão Camarada e padrinho da minha primeira filha.

Tudo isso – ser discípulo de Juarez Bahia e Amigo e Compadre de Carlos Conde – me faz muito feliz.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


24/4/2012 12:22:56

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Por quê? (282) Judiciário: queremos transparência

Cezar Peluso X Joaquim Barbosa, por Fellipe Sampaio/STF: em nome da transparência

Cláudio Amaral

Tem muita gente condenando a pendenga que acaba de explodir no campo minado do Judiciário brasileiro. Especificamente no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Eu, não. Estou batendo palmas para os ministros do STF e pedindo: queremos mais; queremos transparência também entre os nossos mais altos magistrados.

O Judiciário do Brasil nunca foi e dificilmente poderá ser comparado a um time de futebol. Nem a uma equipe, na verdadeira acepção da palavra.

Equipe, todos nós sabemos, treina e joga unida. Não só o Barcelona, o melhor e mais exemplar time de futebol do mundo no momento. Mas também o Real Madrid e tantos outros. Até o meu Sport Club Corinthians Paulista é, verdadeiramente, uma equipe. Treina e joga em equipe.

Sim, eventualmente a equipe, por melhor que seja, também empata e até perde. Mas sempre atua como uma equipe. Ou pelo menos assim procura fazer.

E assim é também no basquete, no vôlei, no futebol de salão (que agora inventaram de chamar de futsal) e também nos esportes individuais, como o tênis, o atletismo e a natação, que não raro compete em equipe, como na Copa Davis, no revezamento 4 por 100, etc.

No Judiciário em geral e no STF em particular também deveria ser assim. Ou não?

Confesso que tenho dúvidas e que não raro prefiro que os nossos ministros tenham divergências. Afinal, são delas – as divergências, as diferenças – que surgem as melhores decisões. Ou não?

Só sei que “a unanimidade é burra”. Acredito nisso. Até que me provem ao contrário.

No que se refere ao STF, pelo menos, concordo com o editorial do Estadão de sábado (21/4/2012): “O bate-boca entre Peluso e Barbosa em nada dignifica o Supremo”. Mas acredito mais ainda nessa outra tese do jornal em que trabalhei como correspondente e repórter por mais de cinco anos: “As respostas do ministro Joaquim Barbosa às críticas que lhe foram feitas pelo ministro Cezar Peluso, um dia antes de deixar a presidência do Supremo Tribunal Federal (STJ), lançaram mais luz sobre um cenário que o grande público supunha preservado de lavagens públicas de roupas sujas”.

Luz, luz, luz e mais luz. É o que “o grande público”, ou seja, nós todos, cidadãos brasileiros e pobres mortais, queremos ver sobre todos aqueles e aquelas que ocupam funções públicas no Brasil.

Luz, luz, luz e mais luz, por favor. Queremos saber em detalhes tudo o que se passa em todos os setores do Judiciário brasileiro. Assim como nos outros poderes constituídos da Nação: Executivo e Legislativo, tanto a nível municipal quanto estadual e federal.

Temos tudo a ver com isso.

Isso tudo diz respeito ao nosso dia a dia, à nossa vida, ao nosso cotidiano.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


23/4/2012 17:22:08

sábado, 21 de abril de 2012

Por quê? (281) Carta aberta a Ignácio de Loyola Brandão



Ignácio de Loyola Brandão (por André Conti) e "veia bailarina"


Cláudio Amaral

Meu caro Loyola: confesso, para a posteridade, que sou leitor de sua crônica quinzenal no nosso Estadão. Eu e milhões de brasileiros. Informo também que, além de ler e reler seu texto desta sexta-feira (20/4/2012), recomendei-o aos meus parceiros de Facebook e de Twitter. Fiz mais: pedi à minha companheira de mais de 40 anos que a lesse também, e com atenção.

Em “As paredes caem, uma a uma, em Pinheiros”, você relatou o que tem acontecido na sua vizinhança – com uma riqueza de detalhes incomparável e insuperável – e ao mesmo tempo registrou o que tem acontecido em praticamente todas as regiões desta nossa metrópole.

Por exemplo: aqui na Aclimação – onde você viveu antes de ir para Pinheiros –, tem ocorrido o mesmo. Ou algo bem parecido.

Diariamente, quando eu e Sueli saímos de casa para ir à feira, ao supermercado, à padaria, à vendinha ou à nossa paróquia preferida, a Santa Rita de Cássia, vemos de perto e sentimos na pele a ganancia das construtoras e incorporadoras.

Não se espante, prezado Loyola, mas é isso mesmo: moramos numa residência de três pavimentos, na Rua Gregório Serrão, entre as ruas Machado de Assis e José de Queirós Aranha, a cerca de 300 metros da Estação Ana Rosa do Metrô.

Vivemos exatamente na via pública que divide a Vila Mariana e a Aclimação. De um lado – o nosso lado – é Aclimação e do outro lado da rua é Vila Mariana, segundo os limites estabelecidos pela Prefeitura de São Paulo.

Vivemos naquilo que chamamos de “o bairro mais agradável de São Paulo” e numa “cidadezinha do interior dentro da capital paulista”. Afinal, aqui praticamente todo mundo se conhece, se cumprimenta e convive amigavelmente. Exatamente, creio, como nos tempos em que nos conhecemos e conversamos animadamente na esquina das ruas Gregório Serrão e José de Queirós Aranha, ambos a caminho do Largo Ana Rosa.

Pois bem: entre uma saída e outra, aqui no bairro, constatamos que dezenas de casinhas – e casarões, também – já caíram pela fúria das imobiliárias aqui mesmo na Rua Gregório Serrão, entre Machado de Assis e Joaquim Távora; na Joaquim Távora e na Carlos Petit, de um lado a outro da quadra (ou quarteirão, como queira); na esquina da Carlos Petit com a Vergueiro, junto à caixa d’água, onde foi erguido um dos maiores espigões do bairro; em mais de um ponto da Rua Machado de Assis, em direção ao Parque da Aclimação, que você conhece bem, caro Loyola; e, ainda, nas vias secundárias do bairro.

Nesse avanço geral, Loyola, foram, além de muitas casas, inúmeras arvores frutíferas, entre mangueiras, amoreiras, abacateiros, goiabeiras e até jabuticabeiras, tal qual aí pelos lados da João Moura e Cristiano Viana, em Pinheiros, onde você vive atualmente.

E as consequências são semelhantes, tanto em Pinheiros quanto na Aclimação e Vila Mariana: a população e o tráfego de veículos cresceram vertiginosamente. Na mesma proporção que diminuíram as áreas verdes e cresceu a selva de pedra.

É triste, mas é verdade. A verdade da vida, prezado Loyola.

Ainda bem, meu caro, que ainda temos suas crônicas para ler a cada quinzena.

Ainda bem, Loyola, que você nos brinda com livros maravilhosos, como aquele que escreveu a respeito da saudosa Professora Doutora Ruth Cardoso.

Só me resta, agora, encontrar um livro que me foi recomendado pelo Carlos Taufik Haddad, Amigo de longa data: “veia bailarina”, que você editou pela http://www.globaleditora.com.br e que tenho procurado desde quando eu e Carlinhos, que também vive em Pinheiros, nos encontramos na missa de 7º dia de outro grande Amigo, José Paulo Prado, no início de 2012.

Tenho procurado “veia bailarina” em todos os sebos e livrarias por onde passo. Mas, até agora, nada, caríssimo Ignácio de Loyola Brandão.

Veja, portanto, que achar prédios novos de apartamentos é fácil, mas livro bem escrito como “Veia bailarina” não é mole não.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


21/4/2012 10:25:31

terça-feira, 17 de abril de 2012

Por quê? (280) Frei Cristiano, nosso novo pároco



Frei Cristiano - tal qual Frei Inocêncio - é torcedor do Corinthians


Cláudio Amaral

Cristiano Zeferino de Faria não pensava em ser padre. Queria casar, ter filhos e ser arquiteto. Mas Deus lhe deu outra missão e hoje ele é Pároco da Paróquia Santa Rita de Cassia da Vila Mariana, na zona sul da Capital paulista. Ele ocupa o lugar que foram, nos últimos anos, dos Freis Gaspar Blanco Ramos e Miguel Lucas (falecidos em 2010 e 2011, respectivamente) e Inocêncio Justus (transferido em fevereiro para o Santo Agostinho, no bairro Vergueiro, a três quilômetros da Aclimação).

Frei Cristiano nasceu em Goiânia, capital do Estado de Goiás, em 1971. Frequentava a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na capital goiana, e nada mais queria, em termos religiosos, do que ser um bom cristão.

Em 1990, o Pároco da Nossa Senhora de Fátima de Goiânia, Padre Valentim Lorenzana, convidou Cristiano para ser seminarista. Ele recusou. E repetiu: “Quero casar, ter filhos e ser arquiteto”.

Aí entrou em cena a inteligência e a experiência de vida de Padre Valentim. Ele convidou o jovem Cristiano, de 18 anos, para ajudar – apenas ajudar – no seminário que estava sendo organizado para treinamento de futuros sacerdotes.

Cristiano topou e passou a trabalhar na organização do evento, carregando mesas e cadeiras, atendendo os convidados, entre palestrantes e ouvintes.

Só deu conta de que também fazia parte da equipe de futuros seminaristas quando o seminário acabou. E, ao ser indagado a respeito, disse ao Padre Valentin: “Gostei”.

Imediatamente, Cristiano recebeu um livro para ler em uma semana. Não se recorda mais do nome, mas cumpriu o prazo. E ao devolvê-lo recebeu outro, que deveria levar de volta em um mês.

“Assim foi”, contou-me o simpático Frei Cristiano na Sacristia da Paróquia Santa Rita de Cássia de Vila Mariana no início da tarde desta terça-feira (17/4/2012).

“Foi até vir a luz e o questionamento para a vocação”, acrescentou o nosso novo Pároco. “Seguiram-se os diálogos com Padre Valentin e a decisão de fazer dois anos de Filosofia na Universidade Católica de Goiás, hoje PUC”.

Em seguida veio o Noviciado e a Ordenação aconteceu no dia 13/12/1998, na mesma Paroquia Nossa Senhora de Fatima, em Goiânia, na presença do então Arcebispo de Goiânia, Dom Antônio Ribeiro de Oliveira.

De Goiânia, Frei Cristiano foi para Curitiba, no Paraná, como Mestre de Postulantes. E, antes de vir para a Vila Mariana, trabalhou por mais dois anos na Argentina como administrador da Casa de Noviciado.

A posse como Pároco da Santa Rita de Cassia, em substituição ao Frei Inocêncio, deu-se no dia 19 de fevereiro de 2012. A solenidade foi presidida por Dom Tarcísio Scaramussa, Bispo Auxiliar da Região Episcopal Sé. Além dos paroquianos, que lotaram a Igreja, estiveram presentes também os superiores de Frei Cristiano: o Presidente da Federação Agostiniana no Brasil, Padre Pelaio Moreno, mais os Vicários Provinciais, Padres José Florêncio e Jesus Cavalleiro.

Com Padre Cristiano foram empossados os dois Vigários Paroquiais, o Frei Eris Drian e o Frei Claudio de Camargo. "São eles que ajudam o senhor a administrar a Paróquia?", perguntei a Frei Cristiano. E ele me respondeu: "Não. Quem administra a Paróquia Santa Rita de Cássia são os paroquianos".

Os três moram na Rua Dona Brígida, 671, na Vila Mariana, proximidades da Paróquia Santa Rita de Cássia. Lá fica o Professório Nossa Senhora do Bom Conselho, pertencente à Federação Agostiniana do Brasil.

Frei Cristiano fala dois idiomas, Português e Espanhol. Diz ter noções básicas de Italiano. “Mas só noções”, acrescenta, “pois, embora tenha vivido seis meses em Roma, estudando Espiritualidade Agostiniana, o curso foi todo em Espanhol”.

Mesmo que não tivesse planos de ser religioso, Frei Cristiano se diz “muito feliz” e confessa: “Amo minha vocação”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

17/4/2012 22:40:24