terça-feira, 20 de outubro de 2009

Por quê? (187) Um plano de defesa antiaérea, por favor


Cláudio Amaral

A área brasileira de Pré-Sal só não colocará em funcionamento um plano de defesa antiaérea se não quiser.

O plano está feito e foi apresentado na manhã desta terça-feira, dia 20/10/2009, no auditório da Codesp, a Companhia Docas do Estado de São Paulo, na região portuária de Santos, a Capital da Baixada Santista.

O autor intelectual e apresentador do plano é o general de brigada Nelson Santini Júnior, paulista de Campinas, há 30 anos no Exercito brasileiro e atual comandante da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, sediada no Forte dos Andradas, na Praia do Monduba, no Guarujá, na margem esquerda do Porto de Santos.

O general Santini falou em detalhes sobre o plano que idealizou. E usou o máximo de detalhes possíveis.

Falou das 9h17 às 11h02 para um auditório totalmente lotado, e atento.

Santini elogiou o presidente Lula e o ministro da Defesa, Nelson Jobim: “Estamos caminhando em 5 anos os 50 que caminhamos para trás”. Mas também não deixou de dar alfinetada em ambos: “O plano está pronto. Só falta a vontade e a decisão políticas”.

A vontade política, no caso, será necessária para decidir pela implantação do plano e fazer um investimento de 620 milhões de dólares exatamente na defesa antiaérea idealizada por Santini: 500 milhões de dólares na compra de 5 baterias antiaéreas de médio alcance; 60 milhões de dólares em 12 baterias de baixo alcance e 36 radares da marca Saber.

Com esse investimento, o comandante da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea acredita que o Brasil terá logística para defender o Pré-Sal por dez anos.

Ao longo desse tempo, diz Santini, será preciso fazer apenas a manutenção de homens, sistemas e equipamentos.

Teremos, assim, uma área protegida de 160 mil quilômetros quadrados – a área da Bacia de Santos –, ou seja, 200 quilômetros de largura por 800 quilômetros de comprimento, de Santa Catarina ao Espírito Santo.

Essa área incluirá, por exemplo, os dois maiores poços de extração de petróleo da Bacia de Santos: Tupi e Iara.

O general Santini espera ser autorizado a instalar em cada plataforma, em Tupi e em Iara, quatro soldados munidos de lançadores de mísseis.

O esquema se repetiria em cada uma das 11 refinarias da Petrobras em funcionamento em território nacional, onde também seriam implantados quatro soldados com lançadores de mísseis e radares suficientes para cobrir 36 quilômetros quadrados (de cada refinaria).

Usando como outro exemplo a cidade de Santos, Santini garantiu ao público que foi ouvi-lo na sede administrativa do Porto de Santos que seis soldados e as respectivas baterias antiaéreas defendem o município.

Reconheceu que isso ainda não é tudo o que o Brasil precisa e defendeu a necessidade de uma união: “Sem as forças do Exercito, da Marinha, da Aeronáutica não faremos defesa antiaérea”.

Nem assim, entretanto, as forças armadas estarão completas, na opinião do general Santini: “Precisamos sempre da Polícia Militar, por exemplo, porque a PM tem efetivos treinados e armados para o combate, como tem acontecido no Rio de Janeiro”.

Santini usou o caso recente do Rio de Janeiro, onde um helicóptero foi abatido por milícia de traficantes, para mostrar o clima que imagina ser possível em torno do Pré-Sal.

Ele lembrou que o Brasil caminha firme para um lugar de destaque entre os maiores produtores de petróleo e gás do mundo. Disse também que a água é cada vez mais escassa no nosso planeta. E que, paralelamente, o governo brasileiro luta por um posto definitivo no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Diante de tudo isso, alguém acredita que o Brasil ficará livre de ataques terroristas internacionais?”, indagou Santini. E acrescentou: “Por que ficaríamos, se todos os países com lugares garantidos no Conselho de Segurança da ONU sofrem ataques terroristas?”

Antes mesmo que alguém dissesse que 620 milhões de dólares é muito dinheiro e que o plano antiaéreo do Pré-Sal não será necessário, Santini se adiantou: “Estou pedindo apenas 0,4% do valor agregado dos dólares investidos na exploração do petróleo do Brasil” e “cumprindo com a minha obrigação de comandante da Brigada Antiaérea: mostrar o que é defesa antiaérea”.

Usando uma frase de efeito que tem repetido seguidamente entre amigos, Santini disse: “Santos não será a primeira área do Brasil a ser destruída; será a primeira a ser defendida”.

E por fim lançou mão da Bíblia, como também faz sempre que pode: “Se você quer a paz, prepare-se para a guerra”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

20/10/2009 15:15:58

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Por quê? (186) Um novo livro, por favor


Cláudio Amaral

Há quatro dias, muito a contragosto, conclui a leitura do livro de Ruy Castro, organizado por Heloisa Seixas e chamado O Leitor Apaixonado – prazeres à luz do abajur.

Era sábado, dia 3 de outubro de 2009, exatamente a data de mais um aniversario de Sueli, a primeira e única.

Foram, contados, um a um, exatos 30 dias de “prazeres à luz”, 30 dias em que me senti exatamente como o título da obra: um “leitor apaixonado”.

Por vezes, à luz do dia, embora os dias de Inverno, aqui em Santos, tenham sido pouco claros e os dias de Primavera menos ainda.

Por vezes, à luz elétrica, no escritório, na sala, no quarto e, na maior parte do tempo, no banheiro, onde a leitura corre solta e o tempo parece não passar.

Foi um dos raros livros em que eu avançava na leitura pedindo para recuar.

Um livro que Ruy Castro e Heloisa Seixas, ambos jornalistas e escritores, marido e mulher, deveriam tomar como exemplo de obra obrigatória.

Heloisa nos disse durante a “Tarrafa Literária”, no dia 4 de setembro de 2009, no Theatro Guarany, um dos templos da história cultural de Santos, que Ruy foi contra a publicação de O Leitor Apaixonado.

Mas, como sempre acontece com os homens diante da insistência das mulheres, ela acabou vencendo a batalha e o livro está aí, à disposição de todos os leitores apaixonados do Brasil e demais paises de língua portuguesa.

Comecei a leitura no mesmo dia em que ele, o autor, me fez uma dedicatória que lembra nossos sofrimentos durante a série de espetáculos batizados de “Chega de Saudade” e que rodou, pela ordem, o Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília.

Sofremos com a escassez de dinheiro e a abundância de desorganização, mas nos alegramos com a oportunidade rara de ver nos palcos tanta gente boa e talentosa: Zimbo Trio, Pery Ribeiro, Carlinhos Lyra, Claudette Soares, Luiz Eça..., sempre sob o comando da dupla Ronaldo Bôscoli e Luiz Carlos Miéli.

Pelas páginas de O Leitor Apaixonado – prazeres à luz do abajur me foi possível conhecer mais detalhes a respeito da Semana de Arte Moderna de 1922, a Ipanema de 1920, as noites da Lapa, como aprender “ingrês” com Millôr Fernandes e Pedro Carolino, três brasileiros (Nelson Rodrigues, Carlos Heitor Cony e Paulo Francis) e um jornal (o Correio da Manhã), a turma do Algonquin, as capas das revistas New Yorker e Esquire e muito, muito mais.

Em O Leitor Apaixonado – prazeres à luz do abajur tem até aula para “aspirante a biografo”, posição em que me coloco há anos, muitos anos.

Agora, terminada a leitura desta obra de Ruy Castro, me vejo numa situação incômoda e inédita: apegado a esse volume de papel impresso em formato de livro; apegado de tal forma que não quero, de jeito algum, dispor dele em favor de amigos e colegas que o desejam tanto ou mais do que eu.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

7/10/2009 10:35:35