sábado, 31 de dezembro de 2016

Por quê? (373) – Ano Novo?


Cláudio Amaral

O ano de 2016 não foi bom para a maioria dos brasileiros. Foi, em verdade, se é que a verdade existe, dos piores anos que já vivemos.

Muitos dizem que 2016 foi simplesmente péssimo. Em especial aqueles que perderam os respectivos empregos.

Ruim, também, 2016 acabou sendo para quem perdeu as chamadas boquinhas, mordomias, benefícios em demasia. No caso dos políticos e seus aliados e afilhados, por exemplo.

Ah... 2016 terminou péssimo ainda para os políticos, empresários e executivos que perderam a liberdade que tinham de ir e vir. E de fazer negócios escusos. No caso, nem preciso citar nomes de pessoas e empresas, pois o assunto aparece diariamente na mídia e nas conversas de botequim pelo Brasil afora.

Mas, e para você, caro e-leitor? Como foi o ano que terminou? Como você se saiu em termos econômicos, profissionais, pessoais, políticos, familiares, amorosos, etc.?

Bem, creio que cada um se saiu como pôde. Ou, como diriam alguns amigos meus: “como Deus quis”.

No meu caso, em particular, ou seja, pessoalmente, não tenho do que reclamar. E, se reclamações eu fizer, corro o risco de ser castigado. Não por Deus, até porque Ele não castiga. Ninguém. Porque Deus é bom e só quer o nosso bem. Independente de raça, de cor, de religião, de preferências clubistas, sexuais, políticas e partidárias.

E por que 2016 se revelou bom para mim?

1)   Não tive um único fato ruim a lamentar, pessoal e particularmente.

2)   Recebi tarefas novas ao longo do ano.

3)   Estreitei os laços afetivos e de Amizade com muitas pessoas do meu convívio.

4)   Fiz novos Amigos. E novas Amigas, também.

5)   Ampliei os meus trabalhos voluntários e consegui cumprir todos e a contento (pelo menos sob o meu ponto de vista).

6)   Melhorei o relacionamento familiar em todos os sentidos. E com todos (ou quase todos).

7)   Tive grandes e significativas alegrias como avô de Beatriz e Murilo, razão pela qual só tenho agradecimentos a eles e aos pais (Cláudia e Marcio Gouvêa).

8)   Consegui, finalmente, editar o meu primeiro romance: Um lenço, um folheto e a roupa do corpo ou A estória do Jornalista Católico Apostólico Romano praticante que ficou 40 dias e 40 noites perambulando pelas ruas de São Paulo, em busca de solução para um caso de relacionamento humano, complicado de se entender (São Paulo: PerSe, 2016). E, como consequência, vi reunidos, em torno de uma movimentada sessão de autógrafos, no dia do meu aniversário de 67 anos, exatas 50 pessoas do meu relacionamento pessoal e profissional. E como se isso não bastasse, li notícias, reportagens e comentários publicados a respeito em jornais (impressos e eletrônicos) de São Paulo, Franca, Taubaté, Adamantina e Marília. Foi, como diria um colega de redação, “um estouro no Norte”, expressão usada para caracterizar um evento de sucesso, muito sucesso.

Importante: nada disso teria sido possível sem a participação de uma equipe das mais eficientes (Gabriel Emidio Silva e Francisco Ferrari Jr.), o apoio de Sueli Bravos do Amaral e outros tantos integrantes da Família Bravos, da solidariedade de Amigos como Carlos Conde, Ethevaldo Siqueira e Geraldo Nunes, assim como da parceria do pessoal da plataforma PerSe (Hércules e Thiago).

Por tudo isso – e, sim, eu sei, apesar das desonestidades e lambanças da política no Brasil e no mundo – este “loucutor” que vos fala, e escreve, não tenho do que lamentar. E só posso comemorar a passagem de ano e o fim de 2016.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º/5/1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/História/SP (Turma de 2013/2015). Autor do romance Um lenço, um folheto e a roupa do corpo (São Paulo: PerSe, 2016), disponível na loja online da PerSe.


31/12/2016 09:18:26  (pelo horário de Verão de Brasília) 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Por quê? (372) – Leiam e rabisquem


Cláudio Amaral

Tenho uma divergência radical com um dos meus filhos em matéria de livros: quando o exemplar é meu, leio sempre com uma caneta na mão direita. Leio e rabisco à minha vontade. Ele, não. Ele – um dos dois filhos homens que Sueli me deu – jamais fez isso e vive a me condenar por esse meu costume.

Eu já era assim antes de entrar para o curso de Licenciatura em História da FMU, em fevereiro de 2013. E lá aprendi que era necessário ler e rabiscar tudo, para depois elaborar os trabalhos que nos eram solicitados pelos nossos professores.

Mas por que eu resolvi interromper a leitura que estava fazendo nesta tarde calorenta de um dos últimos dias de 2016 e aqui estou a escrever essas bem traçadas linhas?

Simplesmente porque me lembrei dessa minha característica enquanto lia – e rabiscava com caneta vermelha – o livro do Professor Rafael Ruiz: literatura e crise – Uma barca no meio do oceano (São Paulo: Cultor de Livros, 2015).

Ruiz foi meu Professor de Literatura no IICS, o Instituto Internacional de Ciências Sociais, onde fiz o curso de Mestre em Jornalismo para Editores – Turma 2003. E desde então eu o acompanho de perto, tamanha é admiração que tenho por ele. E, claro, fui à noite de autógrafo em que Rafael Ruiz lançou este novo livro, no dia 22/9/2015.

Desde então tenho tentado ler literatura e crise – Uma barca no meio do oceano. Só agora, entretanto, arrumei tempo para praticar um dos meus “esportes” preferidos: a leitura, que, aliás, me acompanha desde quando aprendi a ler, aos cinco anos de idade.

E no final da tarde desta quarta-feira (28/12/2016), quando estava lendo – e rabiscando – o segundo parágrafo da página 55, lembrei-me de algo muito importante (para mim, pelo menos): é assim que gosto que façam os meus leitores. Especialmente aqueles que se deram ao trabalho de comprar o meu primeiro romance, lançado no dia 3/12: Um lenço, um folheto e a roupa do corpo (São Paulo: PerSe, 2016).

A maioria dos professores que tive ao longo do meu terceiro curso superior (FMU, 2013/2015) também faz assim, ou seja, rabiscam tudo o que leem. E quando perguntei a eles a razão disso, todos me disseram que assim fica fácil para explicar e ou pesquisar e ou escrever posteriormente, seja um artigo ou um trabalho.

Uma única exceção entre todos eles é André Oliva Teixeira Mendes, que nos ensinou História da Antiguidade Oriental no primeiro semestre, Historiografia no segundo, História da Arte no terceiro e Historiografia Brasileira no quinto.

Um dos mais competentes professores de História que conheço, André Oliva Teixeira Mendes trata os livros com o maior cuidado. Sejam os próprios, sejam os de terceiros. Para ele, livro não se risca, não se rabisca e nem se abre de tal maneira que venha a deformá-lo.

Os meus, não. Os meus – e refiro-me aos “meus” porque ainda pretendo publicar muitos – quero que sejam lidos e rabiscados. Muito lidos e muito rabiscados. A começar de Um lenço, um folheto e a roupa do corpo.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


28/12/2016 19:34:13  (pelo horário de Verão de Brasília)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Por quê? (371) – Em vida


Cláudio Amaral

Dois dias antes de publicar o meu primeiro romance(*), estive em Osasco, cidade que faz limite com São Paulo, a Oeste da nossa Capital. E lá ouvi algo que me levou a pensar muito e profundamente na vida.

- Por que você não iniciou este trabalho há um ano? Você teria ouvido tudo isso diretamente de meu pai e não precisaria estar aqui, agora, perguntando, perguntando e perguntando a mim.

Parei, pensei e sai de Osasco pensando na pergunta do meu entrevistado.

Fiz todo o caminho de volta, até minha residência, na Aclimação, zona sul de São Paulo, pensando quase que tão somente nisso. Ou seja, na pergunta...

- Por que você não iniciou este trabalho há um ano?

De volta ao meu home office lembrei-me dos meus tempos de estudante universitário de Licenciatura em História.

Naquela época, entre 2013 e 2015, não foi um, nem dois os Professores que me recomendaram guardar tudo o que pudesse ser utilizado no futuro para produzir uma biografia.

Uma biografia como a que estou a produzir desde o dia 3 de setembro de 2016. Naquele dia fui encarregado de pesquisar, ordenar e escrever a história de Amor de um casal que já nos deixou.

Uma belíssima história de Amor, por sinal.

Uma história de Amor tão bela e comovente, que os filhos, noras e netos querem deixar registrada para a posteridade.

Felizmente terei muitas informações para produzir o meu trabalho. Até porque uma das pessoas do casal elaborou mais de um documento histórico, que ela chamou de Livro de Ouro. E é nele que estou me baseando para montar a biografia em produção.

Imagino, entretanto, quantas histórias de Amor existem, como esta, no Brasil e no mundo. Histórias que, no entanto, não foram registradas, não deixaram documentos – escritos, falados e ou fotografados – e que, por isso, não poderão ser registrados e deixados para filhos, netos, bisnetos...

Para felicidade de meus filhos, meus netos e meus bisnetos estou deixando textos e imagens que pelo menos um deles poderá utilizar para registrar minha passagem por este mundo. Minha e de Sueli, com quem estou casado desde 5 de setembro de 1971.

Temos, por exemplo, tanto ela quanto eu, centenas de cartas escritas à mão e a dedo desde que começamos a namorar, lá pelos idos de 1971, em Marília (SP). E mais: possuímos centenas de escritos e imagens desses anos todos.

Tudo isso poderá ser utilizado a partir do dia em que algum dos nossos decidir escrever a nossa biografia, a nossa história de vida, como as que produzi e produzo atualmente.

(*) Um lenço, um folheto e a roupa do corpo é, em resumo, “a estória do Jornalista Católico Apostólico Romano praticante que ficou 40 dias e 40 noites perambulando pelas ruas de São Paulo, em busca de solução para um caso de relacionamento humano, complicado de se entender”. Está publicado na plataforma PerSe: http://www.perse.com.br/novoprojetoperse/WF2_BookDetails.aspx?filesFolder=N1475173658621. Nela é possível ler uma prévia gratuitamente e, caso o leitor queira ter uma versão exclusiva, pode optar entre o formado e-book (por R$ 7,30 e só) ou impresso (R$ 37,28 + custo da entrega pelos Correios).

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é autor do recém-publicado Um lenço, um folheto e a roupa do corpo. É jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


05/10/2016 18:34:56 (pelo horário de Brasília)

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Por quê? (370) – Amor entre guerras

AMOR ENTRE GUERRAS, por Marianne Nishihata (Editora Planeta - 2015)

Cláudio Amaral

Meu relógio marcava exatamente 10h10 desta segunda-feira (12/09/2016) quando dei por encerrada a leitura do livro Amor entre guerras.

Estava visivelmente emocionado, depois de ter ido às lágrimas por mais de uma vez, em razão da hábil narrativa construída a partir de 2001 pela Jornalista Marianne Nishihata, então estudante na Universidade de Mogi das Cruzes (SP).

Amor entre guerras representa o primeiro romance escrito pela autora e foi editado pela Planeta (www.planetadelivros.com.br), em 2015.

Nesta obra, que começou como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), ela narra “o romance entre uma carioca e um japonês que lutou pelo Brasil na 2ª. Guerra Mundial”.

A carioca, no caso, era Ilma Faria (1922/2009); o japonês, Alberto Tomiyo Yamada (1921/2002).

Ele nasceu no Japão, mas teve o registro de nascimento feito no Brasil. Por consequência foi convocado para integrar a FEB, a Força Expedicionária Brasileira (1943/1945), que, por decisão do presidente Getúlio Vargas, enviou para a Itália 27.834 combatentes, entre homens (a maioria) e mulheres. Todos sob o comando do general João Batista Mascarenhas de Morais (1883/1968).  Desses, 454 pracinhas e cinco pilotos da Força Aérea Brasileira morreram em ação.

Alberto Tomiyo voltou vivo da Itália, mas por pouco não foi a 455ª. vítima em combate. Ele acabou ferido por pelo menos três projeteis disparados por um soldado alemão e foi dado como morto. Depois se descobriu que fora socorrido por socorristas dos Estados Unidos e recuperado por médicos e enfermeiras estadunidenses e brasileiros.

Ilma ficou o tempo todo no Brasil. Era apaixonada por Alberto Tomiyo, que havia conhecido na estação ferroviária de Mogi das Cruzes, quando a família dela mudara do Rio de Janeiro para aquela localidade paulista por conta da transferência do pai.

Ambos queriam se casar antes do embarque dele para os campos de batalhas, mas não conseguiram. E ela só não sofreu mais por ser devota de Santa Teresinha e Filha de Maria. Foi a única pessoa das duas famílias que jamais acreditou que o então noivo houvera morrido. E não se arrependeu disso.

O casamento de Ilma e Alberto Tomiyo aconteceu a 26 de dezembro de 1946 e eles tiveram seis filhos: Teresinha (conforme haviam combinado ainda antes do embarque de Alberto para combater na 2ª. Guerra Mundial), José, Sueli, Suzui, Regina e Vera.

Juntos eles conseguiram outra vitória: dez anos depois, venceram as barreiras e tiveram o casamento aceito pela Família Yamada. A partir de então, Ilma “passou a ser uma das pessoas mais adoradas pelo clã”, segundo a Jornalista Marianne Nishihata.

Amor entre guerras é mais uma prova de que não é preciso ser escritor experiente para construir uma boa narrativa.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).

12/09/2016 18:10:49 (pelo horário de Brasília)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Por quê? (369) – Tenho um sonho. E você?


Cláudio Amaral

Esses são os desejos que listei num caderno espiral no dia 08/04/2007, localizado nestes dias de arrumação, aqui em casa:

Sonho em voltar a NY (onde estive em 1974, pelo Estadão, e quase voltei mês passado; só não foi possível porque a aeronave da United Airlines foi impedida de levantar voo a partir do Aeroporto Internacional Dulles, em Washington DC, no dia 28/6/2016).

Sonho em voltar a Campo Grande (a capital do Mato Grosso do Sul, onde trabalhei como Diretor de Redação do diário O Estado de MS, em 2004 e 2005).

Sonho em voltar a Barcelona (onde estive com Sueli, Sérgio Kobayashi e esposa em 2001, em viagem patrocinada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

Sonho em voltar a Franca (onde trabalhei por 18 meses, em 2005 e 2006, no diário Comércio da Franca, com Amigos como Corrêa Neves Jr., Sonia Machiavelli, Joelma Ospedal, entre outros).

Sonho em voltar a Recife (onde estive por vezes incontáveis, pelo Estadão, pela Imprensa Oficial e nas últimas vezes ciceroneado pela inesquecível Amiga Adriana Moreira, a saudosa Drika).

Sonho em voltar a Madrid e a Lisboa (cidades que conheci na mesma viagem de 2001).

Sonho em ver minha cidade de São Paulo limpa.

Sonho em vibrar novamente como o meu Corinthians campeão (como em 2015, por exemplo).

Sonho em ver todas as pessoas felizes (como eu nunca vi).

Sonho em saber que todas as fábricas de cigarros foram extintas.

Sonho ter tempo para escrever meus livros (isso até que conquistei, em 2011, quando me aposentei de verdade, depois de ter trabalhado dos seis anos de idade aos 60; agora falta encontrar quem se interesse por publicar os livros que escrevi e estou a escrever).

Sonho ter tempo para as pessoas que precisam de mim (também consegui após 2011).

Sonho ter tempo para ler (idem em relação aos dois sonhos anteriores).

Sonho ter tempo para ver e rever meus filmes preferidos, tais como Perfume de mulher, Don Juan de Marco, E o vento levou, Indiana Jones, Os Maias, Hoje é dia de Maria, 24 Horas e, entre outros, O Alto da Compadecida.

Sonho voltar a falar com, ver e rever todos os Amigos e as Amigas.

Sonho ter tempo para refazer tudo o que não fiz como devia.

Sonho possuir tempo para dar atenção e ouvido às pessoas que amo.

Sonho ter muitos netos, a começar de Beatriz (que nasceu em SP a 12/6/2007) e Murilo (SP, 6/1/2010), que são filhos de Cláudia e Márcio Gouvêa e que há cinco anos moram em Ashburn, VA, EUA.

No mesmo caderno, mas com data de 24/4/2007, encontrei as seguintes anotações:

Sonho ter tempo para ensinar.

Sonho ter tempo novamente para caminhar, fazer ginástica e hidroginástica no Sesc Vila Mariana.

Sonho falar, o mais fluente possível, os idiomas Inglês, Espanhol, Italiano e Frances.

Sonho ter tempo para voltar às celebrações da Missa todos os domingos (consegui há anos).

Sonho voltar aos 75 quilos de 1971 (isso ainda não consegui; cheguei perto, mas depois meu peso voltou a subir).

Sonho conhecer os Estados do Brasil que ainda não conheço: Amazonas, Pará, Piauí, Alagoas, Tocantins, Maranhão, Sergipe, Rondônia, Acre.

Sonho até com coisas e fatos aparentemente impossíveis: o fim da miséria e da pobreza, do racismo e das discriminações, das guerras e dos conflitos religiosos, dos ditadores e das ditaduras, dos pobres e oprimidos, da mentira e dos mentirosos, dos corruptos e da corrupção, da força e do poder do dinheiro, da soberba e da hipocrisia, da prostituição (viva o sexo com amor e carinho), da poluição ambiental e atmosférica, da ganância e dos gananciosos, da exploração do homem pelo homem, do exercício mercantilista da Medicina, das empresas que só visam lucro...

Sonho com o fim da buzina e outros poluentes sonoros.

Sonho com a “descoberta” de um Poder Central/Celestial/Superior, que harmonize o nosso Planeta e o Universo.

Sonho com a prevalência do bom-senso, da paciência, da amizade, da cordialidade, do respeito.

Sonho com um mundo justo e habitado por um povo fiel a Deus e aos bons costumes.

Sonho com o fim corporativismo, do analfabetismo e, tanto quanto possível, da ignorância.

Sonho em voltar ao Teatro, como ator, autor e espectador.

Sonho com o fim dos vírus eletrônicos e dos antivírus.

No dia 11/6/2006, fiz mais as seguintes anotações descobertas agora:

Sonho ver meus livros publicados (tentativa que retomei recentemente com a ajuda de Amigas e Amigos).

Sonho deixar de ser escravo das empresas que têm me explorado (isso eu consegui após a cirurgia do dia 29/7/2011).

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


18/07/2016 15:15:10 (pelo horário de Brasília) 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Por quê? (368) – Fustel de Coulanges, Historiador.


Cláudio Amaral

Do nada, mas do nada mesmo, acordei nesta madrugada de 08/07/2016 com um nome na cabeça: Fustel de Coulanges. E, uma vez acordado, fiquei a me perguntar: quem é ele? onde foi que ouvi falar dele? quem me falou dessa pessoa?

Levantei, tomei banho, me troquei e vim ao computador para pesquisar. Estava curioso para saber, por exemplo, se Fustel de Coulanges era uma pessoa, um homem, uma mulher ou um fantasma. E, principalmente, se existia alguém com esse nome.

O Google me levou à maioria, mas não a todas as respostas que eu procurava. Clicando neste linque https://pt.wikipedia.org/wiki/Numa_Denis_Fustel_de_Coulanges fiquei sabendo que a pessoa em questão é do sexo masculino, se chamou Numa Denis Fustel de Coulanges, nasceu em Paris a 18/3/1830, morreu em Massy [(https://pt.wikipedia.org/wiki/Massy_(Essonne)] a 12/9/1889 e foi um Historiador positivista e “gênio do século XIX”.

Soube ainda que a obra mais conhecida produzida por Fustel de Coulanges foi A Cidade Antiga (Lá Cité Antique), publicada em 1864.

A Cidade Antiga? Esse nome me trouxe à memória, de imediato, a figura marcante de um Professor que tive no curso de Licenciatura em História na FMU (2013/2015): André Oliva Teixeira Mendes. E sem perder tempo fui à busca dos meus apontamentos (sim, porque anotei tudo o que puder em todas as aulas dos seis semestres de História; anotei e depois passei a limpo neste mesmo computador).

Bingo! Nos apontamentos do primeiro semestre, aula de 11/3/2013, uma segunda-feira, quando estudávamos História da Antiguidade Oriental, lá estavam eles: o Professor André Oliva e o Historiador Fustel de Coulanges.

Citando Fustel de Coulanges, Auguste Comte (1798/1857 – Filósofo francês, apontado como fundador da Sociologia e do Positivismo) e o brasileiro José de Alencar (1829-1877, autor do clássico O Guarani), o Professor André nos falou naquela manhã inesquecível tanto de A Cidade Antiga quanto do surgimento dos espaços urbanos (as cidades) em função da discussão religiosa e da impossibilidade de se separar duas questões importantes: espaço urbano e política.

O Professor André Oliva nos falou ainda de inúmeros temas e nos deu incontáveis exemplos, mas alguns, especialmente, me ficaram fixados na memoria: a importância dos documentos e vestígios. A proposito, ele nos disse que “a escola metódica foi quem nos ensinou a dar valor a eles (documentos e vestígios)”. E nos deu como referências de cidades apenas duas: a abandonada Atenas e Roma, onde a cidade moderna foi comendo a antiga e hoje o Coliseu, por exemplo, “é um horror”.

Mestre André, que viria a estar conosco ao longo de quase todos os semestres, de 2013 a 2015, naquele marco de 2013 nos falou ainda da Índia e da China, que cada vez mais são invadidas pelos ocidentais; do surgimento da Família (clãs) como “pater famílias” (descendente direto do deus familiar, como Alexandre, o Grande, era descendente de Zeus); do modelo político-militar; disse que cada Família era formada por 150 a 200 indivíduos, todos nômades, que sobreviviam na base da caça, pesca e coleta; que a convivência era coletiva, ou seja, se tinha o que comer, todos comiam, mas se não tinham alimentos, todos passavam fome.

Outro tema abordado na ocasião e que vale a pena ser lembrado hoje é o Xamã, termo de origem tungúsica (https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADnguas_tung%C3%BAsicas), que nessa língua siberiana quer dizer, na tradução literal: “Aquele que enxerga no escuro”.

É por isso – mas não só por isso – que até hoje (08/07/2016) eu tenho certeza de que valeu a pena ter tomado a decisão de estudar História e, consequentemente, conhecido gente como a maioria dos colegas e coleguinhas que tive na FMU e Professores como André Oliva Teixeira Mendes, Edson Violim Júnior, Yara Cristina Gabriel, Leandro de Proença Lopes, Flávio Luís Rodrigues, Cleber Cecheti, Denise Canal, Silvia Siriani, Carlos Vismara, Cecília Martinez, Andrezza Rodrigues, Bernadete Carbonari, Victor Callari, Alexandre Claro, Márcia Matos e Guilherme Santos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).

08/07/2016 19:00:46 (pelo horário de Brasília)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Por quê? (367) – O choro de Rildo


Cláudio Amaral

Nem todos nós entendemos, de cara, o choro do jogador de futebol Rildo, logo após marcar o terceiro gol do Corinthians, na partida em que o Timão venceu o Flamengo por 4 a 0, domingo (03/07/2016), no Itaquerão, em São Paulo. Repórteres e narradores de emissoras de rádio e televisão se arriscaram a explicar o motivo, mas teve gente que zombou de Rildo.

Ele? O jogador se explicou. Em poucas palavras, mas disse, por exemplo, à repórter Joanna de Assis, do SporTV, que havia feito um desabafo pelo longo tempo que ficou fora dos gramados (294 dias). Mas o fez rapidamente. Se pudesse, e tempo tivesse, Rildo de Andrade Felicíssimo, nascido em São Paulo, Capital, no dia 20/03/1989, teria passado muito mais tempo detalhando o quanto sofreu desde que chegou ao time do coração.

Rildo, que tem 1,81 metro de altura, veste a camisa 19 e fez apenas um jogo como titular do Corinthians, certamente teria se lembrado de tudo o que viveu no Timão, desde que foi apresentado no Centro de Treinamento Dr. Joaquim Grava, numa quarta-feira, 8 de julho de 2015, ou seja, há exatamente um ano.

Na ocasião, Rildo se declarou “mais um louco do bando”, referindo-se ao fato de que os torcedores alvinegros são conhecidos como “um bando de loucos”. E lembrou um jogo no Pacaembu, em 2004, entre Corinthians e Goiás, vencido pelo Timão por 1 a 0, com gol de Fábio Baiano. Recordou que o gol foi marcado na meta da entrada do Estádio Dr. Paulo Machado de Carvalho. E deu detalhes: “Eu estava lá. Estava com tênis desamarrado; na hora que o Fábio Baiano fez o gol, dei um chute no ar e o tênis caiu lá dentro do campo. Tive que esperar o fim do jogo para pegar o tênis de volta”.

Sobre a Fiel, como é conhecida a torcida do Corinthians, Rildo, se pudesse, teria lembrado do que disse na apresentação: “A torcida do Corinthians dispensa comentários; está sempre incentivando o time e agora vou trabalhar para cair nas graças da torcida”.

E como conquistar a Fiel, Rildo? Além de confirmar que é torcedor Corinthiano e elogiar a torcida, ele também falou sobre a maneira como quer conquistar o “bando de loucos”: “Com muito trabalho. Tenho qualidades, vou acrescentar raça, que é o que a torcida pede nos jogos. Acompanhei quando estava vindo para cá, vi como a torcida é grande e como pede vontade e raça. É isso que vou procurar dar”, de acordo com registro feito no http://globoesporte.globo.com pelos repórteres Carlos A. Ferrari e Diego Ribeiro.

Rildo foi para o Corinthians porque ficou fora dos planos da Ponte Preta de Campinas, time ao qual estava ligado. Tivera atrito com a equipe do técnico Guto Ferreira. Após vestir a camisa do Timão, o jogador declarou: “Essa é a oportunidade da minha vida. Jogando em grande clube como o Corinthians, tudo o que fazemos toma uma dimensão grande. Estou preparado. Vocês vão ver um novo Rildo a dar alegria à torcida”.

Certamente ele não sabia o que o esperava a partir do primeiro dia da nova etapa de sua carreira, que começou no São Bernardo, no ABC paulista, e seguiu por outros cinco clubes: Fernandópolis (SP), Ferroviária (Araraquara, SP), Vitória da Bahia, SantosFC e Ponte Preta, onde, em 2013 foi campeão paulista do interior.

No Corinthians, Rildo foi o escolhido para substituir Malcom, contra o Joinville, mas ficou apenas três minutos em campo. Numa de suas primeiras jogadas o atacante caiu em cima do próprio ombro e teve  uma luxação. E lá se foram dois meses de recuperação. Depois vieram outros problemas: infecção geral às vésperas do fim de 2015, inflamação no ombro em janeiro de 2016, um trauma no pé esquerdo em março, uma torção no tornozelo esquerdo e uma fratura do osso navicular do mesmo pé esquerdo em abril, que resultou em novo afastamento por mais dois meses. 

Nem assim Rildo perdeu as esperanças de ser titular do time que leva no coração. E seguiu disposto a reconquistar espaço no Corinthians, com o qual tem contrato até o fim de 2016. Ele tem ciência de que a renovação dependerá do desempenho que apresentar nos jogos em que for aproveitado daqui para frente. “Se a sorte ajudar”, publicou o site http://tudotimao.com.br no dia 30/6/2016, ou seja, três dias antes do jogo com o Flamengo na Arena Corinthians.

Em resposta, se pudesse, ele certamente teria lembrado a frase que pronunciou no dia da apresentação CT Joaquim Grava, há um ano: “Sou o Rildo, chego para mostrar muito trabalho. Espero dar alegrias à Fiel”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


07/07/2016 11:52:49 (pelo horário de Brasília)

terça-feira, 5 de julho de 2016

Por quê? (366) – SPFC É BRASIL


Cláudio Amaral

Hoje (05/07/2016) vou correr o risco de contrariar a maioria dos meus e-leitores de todas as cores e afirmarei com convicção: o SPFC (São Paulo Futebol Clube) é Brasil.

A razão é simples: poucas pessoas do meu relacionamento, Amigos ou não, acreditam que eu possa torcer por um adversário como o Super Poderoso Tricolor.

Pois bem: acreditem ou não, vou ligar a televisão perto das 10 horas da noite desta quarta-feira (06/07/2016), logo após o ensaio do Coral da Paróquia Santa Rita de Cássia de Vila Marina (SP), para ver o jogo SPFC X Nacional da Colômbia e torcerei pelo supercampeão do Morumbi.

Estou ciente de que receberei um monte de protestos e gozações. Tanto da parte dos meus Amigos Corinthianos, como de são-paulinos, entre os quais me lembro de José Aquino, Reynaldo Salgado, Carlos Magagnini, Bino Silva, Luiz Antônio Piratininga (e Família), Geraldo Nunes, Fernando Philipson (e familiares), Toni Oliveira (Maestro do nosso Coral)...

Mesmo assim estou disposto a correr o risco de errar feio e assistir uma derrota histórica do SPFC para o adversário desta quarta-feira, em jogo pela Copa Libertadores da América.

Torcerei pelos comandados do técnico argentino Edgardo Bauza por entender que esse é meu dever como brasileiro e porque acredito que – mesmo sendo torcedor de um adversário histórico, o Todo Poderoso TIMÃO – devo apoiar o time que continua a representar o Brasil na Libertadores.

Tenho outros motivos, também, mas os principais são esses dois.

Entre os outros, para quem é curioso, destaco o fato de que fui setorista do Estadão no SPFC, nos primeiros anos de 1970, em substituição temporária do Repórter Paulo Aquino, toda vez que ele entrava em férias. E, como tal, mesmo sendo declaradamente Corinthiano, sempre fui muito bem tratado por dirigentes, técnicos e jogadores tricolores.

Atualmente, como não tenho mais a obrigação da imparcialidade de quando exercia o Jornalismo, especialmente o esportivo, vivo me “digladiando” com os são-paulinos.

Por exemplo: quando troco mensagens com o Jornalista José Aquino, via Facebook, escrevo que o Morumbi já não é mais o maior estádio particular do mundo e que não passa de um “sucatão”, etc e tal. Escrevo ainda que o tricolor não teve a coragem de assumir o rebaixamento para a segunda divisão do Paulistão, em tempos passados. E que todos os mundiais de clubes que enchem de orgulho os são-paulinos não passam de “Copa Toyota”.

É tudo gozação, sabem os meus Amigos torcedores do SPFC. Ou espero que eles saibam.

Na verdade, e já que o meu Corinthians está fora, mais uma vez, da Copa Liber-Ta-As-Dores da América, quero mais é que o único representante brasileiro se dê bem, ganhe dos adversários colombianos e siga em frente. Sempre em frente.

Se os são-paulinos, palmeirenses, santistas, flamenguistas, fluminenses, vascaínos, botafoguenses, gremistas, colorados, atleticanos, cruzeirenses e torcedores de outras agremiações brasileiras – inclusive os Corinthianos – vão acreditar em mim ou não, pouco importa.

O que me importa é que desta vez, pelo menos desta vez, e para mim, o SPFC É BRASIL.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


05/07/2016 14:25:34 (pelo horário de Brasília)

terça-feira, 21 de junho de 2016

Por quê? (365) – A cola, a sabatina e a História


Cláudio Amaral

- Colei na sabatina de História.

Está assim. Exatamente assim. Está no alto da página 81 de Clarissa. Portanto, não, não e não. Não fui eu quem colou na sabatina de História. Até porque nunca fui de colar em sabatina e em prova alguma. Sempre fui aluno dedicado, aplicado, sério. Em todos os graus de ensino que cursei. Em todas as escolas que frequentei em Adamantina, em Marília, em São Paulo.

Como se dizia nos meus tempos de escola, sempre fui “caxias”. Ou “CDF”, vulgo “c... de ferro”, como preferirem. Sempre fui estudioso. Sempre estudei muito. Muito mais do que o necessário. E assim sendo nunca tive razão para colar. Nem mesmo nos concursos que prestei ao longo dos meus 66 anos.

Quem colou foi a jovem personagem do livro do consagrado e saudoso escritor Erico Verissimo (1905-1975).

Personagem, no caso, da 48ª. edição de Clarissa, um livro publicado em papel jornal pela Editora Globo (Porto Alegre – Rio de Janeiro), em 1983.

Tem mais: a frase que ela “pronunciou” e Verissimo registrou foi dita dentro de uma Igreja Católica de Porto Alegre (RS), onde Clarissa foi assistir uma missa de domingo quando ela ainda não havia ingressado na adolescência.

Como você, caro e-leitor, pode perceber, nesta curta viagem que faço pelos EUA, estou a ler Verissimo. E não é a primeira vez. Até porque já li quase todas as obras deste que foi um dos mais consagrados escritores brasileiros do Século XX.

E como escrevi no texto anterior – Os pássaros também falam? –, nesta tarde de terça-feira (21/6/2016) minha memória foi despertada pelo fato de que sou apaixonado por História.

Tanto isso é verdade que cursei Licenciatura em História na FMU entre 2013 e 2015. E desde então procuro me especializar em Biografias, um dos ramos mais fascinantes da “Ciência em construção” que é a História (certo minha querida Professora Yara Cristina Gabriel?).

Além de me lembrar de todos os meus Professores e de muitos colegas e muitas coleguinhas do curso de História na FMU, a fala de Clarissa me levou novamente às salas de aulas da Escola Estadual Major Arcy. Lá, naquela escola pública da Aclimação, “o bairro mais agradável de São Paulo”, fiz meu estágio obrigatório – e inesquecível – ao longo de três semestres, em 2014 e 2015.

Estagiei com o apoio de todos os Professores e o irrestrito respaldo da direção. Dos funcionários e dos quase 300 alunos, também. Indistintamente. Mesmo porque fui um dos poucos estagiários que tiveram o privilégio de frequentar a Sala dos Professores e as reuniões – quase todas – de planejamento e avaliação.

Mesmo depois do fim do estágio, faço questão de ir com frequência ao Major Arcy. Seja para acompanhar as aulas de História – principalmente – com o Professor Felippe, de Filosofia com a Professora Laura e o Professor Nilso, de Português com a Professora Marisa, de Artes com a Professora Olga, de Xadrez com o Professor Félix, de Educação Física com o Professor Marcelo, de Matemática com os Professores José Roberto e Elias, de Geografia com o Professor Marcelo, de Ciências e Biologia com o Professor Duran... seja para ver as apresentações musicais e teatrais no pátio, quase sempre sob a coordenação da Professora Ivani... seja para as festas juninas na quadra, organizadas e dirigidas pela Professora Eliane (a Diretora) com o apoio dos Professores Cromancio (Vice-Diretor), Paulo (Coordenador Geral), Sula e Silvia (também coordenadoras).

Foi tão marcante em mim a acolhida e o apoio que sempre tive naquela E. E., onde, por sinal, estudaram meus dois filhos, que acabei por me tornar um Professor-Voluntário do Major Arcy.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


21/06/2016 18:51:23 (pelo horário de Verão da Costa Leste dos EUA, onde estamos uma hora antes do horário de Inverno de Brasília) 

sábado, 18 de junho de 2016

Por quê? (362) – Os pássaros também falam?


Cláudio Amaral

Nos romances os animais falam, escreveu Erico Verissimo no alto da página 37 da 48ª. edição de Clarissa, publicada pela Editora Globo (Porto Alegre – Rio de Janeiro), em 1983.

Intrigado com essa frase, que li perto do meio-dia deste sábado (18/6/2016), na sala de casa, em Ashburn Village, no Estado de Virgínia, aqui nos Estados Unidos da América, fui conferir ao longo dos caminhos que existem por estes lados do Hemisfério Norte.

E qual foi a conclusão a que você chegou?, deve estar perguntando aquele que me lê neste momento, via rede mundial de computadores, em algum lugar do planeta.

A conclusão é: Sim. Os animais falam. E não é apenas nos romances.

Todos os animais?

Acredito que a resposta correta é sim. Mas, com certeza absoluta posso sustentar que pelo menos os pássaros falam.

Sim. Os pássaros falam. Ou pelo menos essa é a impressão que tenho ao longo das minhas caminhadas diárias em torno do lago artificial que costumo frequentar nesta minha pequena ausência do Brasil, a segunda neste ano.

Estamos em Ashburn pela sétima vez em cinco anos. Desde a manhã de terça-feira, 07/06/2016, depois de um conturbado voo entre o Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, em Cumbica, bairro do município paulista de Guarulhos, e o Washington Dulles, na capital dos EUA.

Viemos, Sueli e eu, para participar do nono aniversário da netinha Beatriz, nascida no Brasil, em 2009, e que aqui vive com os pais e o irmãozinho Murilo, 6 anos e meio, há quase cinco anos.

Uma das primeiras atitudes que tomamos foi fazer uma caminhada em torno do lago existente nas proximidades. Um lago artificial que conhecemos desde que aqui chegamos pela primeira vez, no segundo semestre de 2011. Foi logo que o neurocirurgião Diogo Lins me liberou da fase de recuperação da cirurgia à qual fui submetido para extração de um tumor na cabeça, abaixo do couro cabeludo.

Já estivemos por essas bandas do Hemisfério Norte em todas as estações do ano. E enfrentamos todo tipo de temperatura, da mais fria à mais quente.

Os animais também. Conhecemos todos os tipos que são comuns por essas terras. Inclusive os mais diferentes para gente como nós: os esquilos, por exemplo, que não são comuns no Hemisfério Sul.

Entre os mais corriqueiros vemos sempre os patos, os gatos, os cachorros, as tartarugas e muitas aves. Muitas. Muitas das quais são citadas por Verissimo pai no romance Clarissa, escrito em 1933 e que figura como segunda obra de uma lista de mais de 40 produzidas pelo viajante apaixonado (como lemos na Pequena Biografia do Autor). Tão viajante que passou, inclusive, pelos EUA e em Washington DC foi diretor do Departamento de Assuntos Culturais da OEA, a Organização dos Estados Americanos por três anos a partir de 1953.

Mas, a impressão que temos é que os pássaros daqui também são diferentes dos nossos.

Onde moramos, no bairro paulistano da Aclimação, as aves também são comuns e entre elas imperam as maritacas, que têm entre suas principais características o barulho.

Vemos ainda outros tipos, especialmente aqueles que frequentam nossa jabuticabeira e insistem em bicar as jabuticabas antes mesmo que possamos desfrutar delas.

Mas, bairrismo à parte, aqui nos EUA os pássaros parecem mais alegres, mais ousados, mais dóceis e familiares (embora em momento algum eu tenha conseguido uma boa imagem deles ou de um deles, o que certamente frustrará Amigos como o mariliense Ivan Evangelista Jr.).

Aqui eles voam como se nos desafiassem e como se convivessem mais perigosamente com os desafios da natureza. Sempre a nos fazer lembrar dos perigos que vivemos a bordo do Boeing da United Airlines que nos transportou ao longo das 6.000 milhas que separam São Paulo de Washington DC.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


18/06/2016 12:23:27  em Ashburn, Virgínia, EUA
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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Por quê? (363) – E assim caminha a Humanidade


Cláudio Amaral

Brasília, DF. Estádio Mané Garrincha. 16/6/2016. Final de noite. Fluminense 1 X Corinthians 0. Foi mais uma derrota do meu TIMÃO. A segunda em quatro dias. Outra partida que perdemos por 1 a 0.

E por que fomos derrotados?

Porque o time adversário fez gol e nós não. Simples assim. Como aconteceu na partida anterior, domingo passado (12/6/2016), na arena do Palmeiras, em São Paulo.

Não foi culpa do árbitro nem de seus auxiliares. Não podemos culpar ninguém. Nem mesmo os nossos atletas. Nem o treinador, Fábio Carille, o substituto interino de Tite, que agora vai dirigir a seleção brasileira.

Assim, em resumo, eu escreveria a abertura de minha reportagem se numa redação estivesse. Fosse no Estadão (onde trabalhei de 1969 a 1975) ou no UOL (1994 a 1997) ou no Correio Braziliense (1990 a 1992) ou n’O Estado de Mato Grosso do Sul (onde estive por seis meses como Diretor de Redação, em 2004 e 2005, em Campo Grande) ou no Comércio da Franca (Franca, SP, 2005 e 2006) ou, finalmente, n’A Tribuna de Santos (2008 e 2009).

Na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (1998 a 2003), não. Lá eu não escrevia sobre esportes. Muito menos a respeito de futebol. Lá eu fui Gerente de Redação de 15 edições do Diário Oficial dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, quase todas diárias. Comandei quase 120 jornalistas, incluindo aqueles que editavam a revista D. O. Leitura, sob o comando firme e competente de Almyr Gajardoni.

Foram anos maravilhosos. Inesquecíveis. Anos que, infelizmente, não voltam mais.

Assim como o meu Corinthians de antigamente não tem volta.

Sim, poderemos ser novamente campeões do Brasileirão, como fomos outras vezes. Inclusive em 2015. Assim como poderemos voltar a ser campeões do Paulistão, da Copa Libertadores da América e também do Mundial de Clubes, que ganhamos em 2000 e em 2012, para desespero dos “anti” Corinthianos.

Poderemos até ter treinadores melhores e mais competentes. Como foram, por exemplo, Osvaldo Brandão, Vanderlei Luxemburgo, Osvaldo de Oliveira, Carlos Alberto Parreira, Mano Menezes e Tite, o maior de todos, o humano, o líder, o inesquecível.

Mas, agora, pelo menos, vamos ter que amargar um bom período de “vacas magras”. Uma “entressafra” dura e penosa. Vamos ter que nos contentar com partidas como as que tivemos contra o “arqui adversário” Palmeiras (para não dizer “inimigo”, uma palavra que não me agrada) e o Fluminense.

Vamos ter que nos contentar com jogos ruins, medíocres, abaixo da crítica.

O consolo – para nós Corinthianos, pelo menos – é que o nosso TIMÃO sempre joga com raça, com garra, com determinação e com atletas que estão acostumados a lutar por lugares nos selecionados nacionais. Assim como os nossos treinadores. Sempre.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


17/06/2016 11:40:56 (em Ashburn, Virgínia, EUA)

terça-feira, 14 de junho de 2016

Por quê? (362) – Fomos todos roubados?


Cláudio Amaral

Basta a seleção brasileira de futebol ser eliminada de uma competição – seja ela importante ou não – para as reclamações crescerem.

Assim foi a partir do momento em que o narrador da Univision anunciou que o árbitro de Peru 1 X Brasil 0 apitou o final do jogo da noite deste domingo (12/6/2016), aqui nos Estados Unidos.

Até parece que a partida de futebol e o mundo estavam se acabando, que nosso planeta não tem pelo menos outro problema mais grave e complicado (como inúmeras guerras – na Síria, por exemplo – e atentados como o da boate em Orlando, também aqui nos EUA, onde cerca de 50 pessoas morreram vítima de um louco).

Sim, porque imediatamente passamos a ouvir gritos de “Fora Dunga. Fora Dunga. Fora Dunga”.

É sabido que os problemas da seleção brasileira de futebol não se acabarão com a troca do treinador. Como não acabaram quando da substituição de Felipão por Dunga, logo após o 7 a 1 que o Brasil tomou da Alemanha, na Copa do Mundo de 2014.

Parece difícil entender que fomos todos roubados? Ou melhor: que somos sempre roubados, dentro e fora dos campos de jogo, nos balcões de negócios, nas mesas de bares e restaurantes, nos ônibus, no metrô, nas ruas, nos cinemas, nos teatros, nos estádios de futebol e em qualquer aglomeração humana, por exemplo?

É difícil aceitar que somos todos roubados desde que o Brasil foi “descoberto” (ou passou a ser explorado) pelos europeus chegados de Portugal, em 1500 e depois em 1808, quando a Família Real foi obrigada a fugir da fúria de Napoleão Bonaparte?

Seria melhor aceitar que a Família Real Portuguesa é a maior responsável pelos nossos desajustes de todos os tipos – ou não é?

Ou isso é consequência dos desajustes de caráter do ser humano em geral?

Pelo sim, pelo não, sabemos todos que ninguém está satisfeito apenas e tão somente com o que tem. Todos – ou quase todos – nós queremos mais. Mais dinheiro, mais poder e mais coisas e bens materiais. Tudo gerado pelo mundo selvagem e capitalista em que vivemos.

Se o ser humano fosse menos egoísta e mais solidário, o mundo seria melhor. Ou não?

Será que se o ser humano ficasse contente – ou menos insatisfeitos – com o que tem (ou temos?), seriam menores as desavenças na política, na economia, no poder municipal, na esfera estadual e ou a nível federal? Será?

Com gente mais cordata, mais feliz e mais satisfeita com o que tem (ou temos?) teríamos evitado os intermináveis “Fora Dilma”, “Fora Lula”, “Fora Temer”, “Fora Cunha”, “Fora Renan”, “Fora Alckmin”, “Fora Haddad”, “Fora Moro”, “Fora imprensa golpista” e assim por diante? E mais: evitaríamos as desavenças, os desencontros e as lutas corporais entre torcedores do meu Corinthians, do SPFC, do Palmeiras, do SantosFC, do Flamengo, do Fluminense, do Atlético e do Cruzeiro de Minas Gerais, dos colorados e dos tricolores do Rio Grande do Sul, por exemplo?

Ou isso é próprio e inerente ao ser humano, no Brasil e no mundo, no futebol e na política?

A intolerância está em todas as partes e cresce assustadoramente, todo dia, dia após dia, apesar dos constantes apelos em prol da Paz e da Misericórdia pronunciados por líderes como o Papa Francisco, entre outros.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?


(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).

sábado, 28 de maio de 2016

Por quê? (361) – Acabou, Maninha! Acabou?

 Clélia Maria Amaral e eu tomamos café na Bolaria da Ju no dia 20/7/2015

Cláudio Amaral

Foi a última vez, infelizmente, que minha Maninha querida cuidou dos meus cabelos e das minhas unhas.

Sexta-feira, 27 de maio de 2016, por volta das 4 horas da tarde, ela me deu a triste notícia: vai encerrar as atividades do salão de beleza que mantinha na Rua Bom Pastor, no Ipiranga, em São Paulo, Capital.

Quando eu e Sueli voltarmos dos Estados Unidos, em fins de junho, ela estará efetivamente aposentada.

Vai cuidar apenas da nova casa, dos netinhos queridos e das atividades religiosas à qual se dedica há anos, muitos anos, pregando a palavra dos Testemunhas de Jeová.

Clélia Maria do Amaral é a caçula de quatro filhos colocados no mundo pelo casal Wanda e Lázaro, o ‘seu’ Lazinho.

Em verdade, em verdade eu vos digo: nossos pais geraram muito mais do que quatro filhos, mas só Cleide, eu, Clówis e Clélia sobrevivemos.

Atualmente, Cleide, a primeira, vive em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; eu estou aqui, firme e forte, aposentado, mas ainda curtindo os prazeres do Jornalismo e me dedicando a produzir biografias; Clówis é falecido; e Clélia está decidida a fazer apenas o que gosta (como eu).

Clélia cuidava dos meus cabelos e unhas dos pés e das mãos há muito, muito tempo. Desde que um dia, em Marília, onde morava, viu minhas unhas das mãos, achou que não estavam boas e resolveu cuidar delas.

Concordei. E enquanto ela cortava e lixava, meu sogro, o carrancudo José Arnaldo, chegou e fez cara feia para o que viu. Ele deve ter pensado: “Homem cuidando das unhas?”. Mas, se pensou, nada falou. E fez bem, porque logo era ele quem estava sentando na mesma cadeira e dando as unhas para Clelinha cuidar.

Depois das unhas das mãos, Maninha passou a cuidar também das unhas dos pés e dos cabelos, numa época em que este ‘loucutor’ que vos fala tinha cabelos em profusão.

Quando ela se mudou de Marília para São Paulo e eu senti que precisávamos nos ver com mais frequência, passei a frequentar com maior regularidade o salão dela, sempre no Ipiranga. Era uma maneira de vê-la mais vezes.

Só não gostava do fato dela nunca aceitar o meu suado dinheirinho. Por isso, sempre perguntava para Sueli se ela tinha algum produto de patchwork (http://patchworksueliamaral.blogspot.com.br) para que eu levasse para minha Maninha querida. Ou, quando não, eu procurava compensá-la de outra forma. Como nesta sexta-feira, quando fomos tomar lanche na Lar Sol Pães e Doces, na mesma Rua Bom Pastor.

E, apesar de nada me cobrar pelas unhas e cabelos, foi assim que Clelinha se sustentou e criou os três filhos: Cristiano, Gustavo e Luciano, que lhe deram quatro netos e uma netinha, todos lindos, fofos e queridos.

Deus seja louvado, Maninha.

Deus a proteja sempre, Maninha. A você e a todos aqueles que lhe são caros.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


28/05/2016 11:21:36

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Por quê? (359) – Volta às aulas?


Cláudio Amaral

Foi como voltar aos bancos escolares que frequentei em 2013, 2014 e 2015 na FMU/Liberdade.

Mais que isso: foi como voltar às aulas de História desse mesmo período, as quais frequentei para aprender a interpretar e a escrever com o rigor e a linguagem dos historiadores.

Muito mais: foi como voltar às aulas de História do Brasil e da África. Do Brasil, com os Professores Edson Violim Júnior (Séculos XVI e XVII), Silvia Cristina Lambert Siriani (Século XVIII e I Reinado e Regência) e Flávio Luís Rodrigues (Da República Velha ao Estado Novo e Brasil Contemporâneo). Da África, com Maria Cecília Martinez.

Tudo isso eu senti na manhã desta quinta-feira (19/5/2016), no auditório da Editora Unesp, na Praça da Sé, em São Paulo.

Foi lá que se deu o Simpósio História Viva do Brasil: 50 anos de contribuições de Emília Viotti da Costa à historiografia brasileira.

Tratou-se de um evento científico aberto ao público em geral, gratuito, com inscrições prévias.

Um evento que – como o próprio nome indicou – marcou uma homenagem especial à Historiadora Emília Viotti da Costa.

Apesar das limitações físicas, uma vez que ela se locomove em cadeira de rodas, a Professora e Historiadora Emília se fez presente, ouviu palavras elogiosas pronunciadas pelo Professor Jézio Gutierre, presidente da Fundação Editora Unesp, e dele recebeu uma placa comemorativa aos 50 anos que ela dedicou à historiografia brasileira tanto aqui (como Professora na USP) quanto nos Estados Unidos, onde viveu, lecionou e se aposentou pela Universidade de Yale depois de ter sido cassada pelo regime cívico-militar de 1964.

Senti-me de volta aos bancos escolares e às aulas de História do Brasil e da África por conta das exposições que fizeram os Professores Ana Maria Camargo (USP), Leila Mezan Algranti (Unicamp), Manolo Garcia Florentino (UFRJ) e Vagner Gonçalves da Silva (USP).

O tema da manhã foi Abolição e relações raciais na atualidade. E por conta disso foi nos dito, por exemplo, que cerca de 12 milhões de escravos foram exportados para o mundo a partir do território africano, de 1800 a 1850.

Entre eles estavam principalmente adultos do sexo masculino. Mas não só, porque havia – ainda que em menor número – também mulheres, idosos e crianças.

Para tanto foram necessárias mais de 35.000 viagens de navios negreiros.

Quantos vieram para o Brasil? Calcula-se algo em torno de 5 milhões de negros (que também eram humanos, embora, lamentavelmente, não fossem reconhecidos como tal pelos traficantes e senhores de escravos).

E a escravidão acabou após a insistência e as punições imposta pela Inglaterra a Portugal e ao Brasil, no século XIX? Não, porque – segundo Zilda Iokoi – esse tema está presente ainda hoje, em São Paulo, por exemplo, por conta dos milhares de bolivianos que vivem escondidos nas oficinas de costura da Capital paulista.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


19/05/2016 19:29:52

quarta-feira, 30 de março de 2016

Por quê? (358) – Escola de Caligrafia?


Cláudio Amaral

Você, caro e-leitor, sabia que existe uma Escola de Caligrafia em São Paulo?

Eu sabia, mas não me lembrava. Recordei agora, exatamente no meio da tarde chuvosa desta terça-feira (29/3/2016), enquanto aguardo a visita de um técnico especializado em instalação de tevê a cabo e telefone.

E como se deu essa minha lembrança? Acredite: lendo um jornal-revista em papel, exatamente no momento em que os impressos, especialmente jornais e revistas, estão acabando, por conta do avanço das publicações via Internet.

Trata-se de piauí 113, edição de fevereiro deste ano, que comprei e levei para ler durante as férias nos Estados Unidos, onde estive entre 14/2 e 4/3.

Levei mas não li. Afinal, fiquei ocupado com as brincadeiras dos netinhos Murilo (6 anos) e Beatriz (8), com a leitura de livros e as poucas saídas com a Filha, o Genro e o irmão dele. Fomos três vezes a Washington, ora para ver hóquei sobre patins e basquete universitário no Verizon Center (http://www.verizoncenter.net), ora para conhecer por dentro o campus principal da Georgetown University (https://www.georgetown.edu).

De volta ao Brasil, peguei a piauí e tenho lido aos poucos, texto por texto. Até que hoje cheguei à página 15 e ao texto CONSCIÊNCIA DO TRAÇO – Uma escola paulistana de caligrafia.

Por essa reportagem fiquei sabendo da existência “da centenária Escola de Caligrafia De Franco”, fundada em 1915 pelo Professor Antônio De Franco.

Instalada na Zona Oeste da Capital paulista, a escola é dirigida pelo neto do fundador, o também Professor Flávio José De Franco Júnior.

Segundo a autora do texto em questão, Ana Lima Cecilio, o Professor De Franco Júnior “é um homem alto, de 58 anos e cabelos brancos”. Ele “fala com voz grave e se veste de maneira sóbria”, detalhes só observados por repórter muito observador e daqueles que sempre procurei imitar, desde que optei pela profissão de Jornalista, em 1º de maio de 1968.

Outro detalhe bem observado por Ana Lima Cecilio: a Escola de Caligrafia De Franco tem 120 alunos matriculados. São aprendizes que buscam a instituição “atrás de volteios da letra inglesa manuscrita tipo comercial moderna, a base do curso”.

Ainda de acordo com as explicações do diretor, essa escrita “é uma das mais simples” e que “dá ao estudante a consciência do traço”. E depois? “Depois ele pode escrever o que quiser”.

Nunca tive o privilégio de entrevistar o Professor De Franco, o avô. Mas lembro-me bem dele dos meus bons tempos de repórter do Estadão. Era nas páginas do então maior e melhor diário do Brasil que ele publicava pequenos anúncios em busca de novos alunos.

Mais uma que aprendi nas páginas 15 e 16 de piauí: o fundador da Escola de Caligrafia De Franco “aprendeu a arte caligráfica com a mãe, uma italiana da região de Vêneto que veio solteira para o Brasil e se casou com um conterrâneo que achou por aqui por volta de 1890”.

Hoje, segundo o neto, “a técnica ali ensinada continua importante”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


29/03/2016 23:10:40 (pelo horário de Brasília) 

quinta-feira, 3 de março de 2016

Por quê? (357) – O Jornalista mais premiado do Brasil


Cláudio Amaral

Tal qual O Esquife do Caudilho, de autoria do Jornalista e Amigo Daniel Pereira, o livro que acabo de ler – O Jornalista mais premiado do Brasil, escrito pelo também Jornalista e Amigo Arnon Gomes – me remeteu a uma longa série de acontecimentos que vivi.

Biografia do Jornalista José Hamilton Ribeiro, O Jornalista mais premiado do Brasil é um trabalho tão minucioso, detalhado e cuidadoso quanto O Esquife do Caudilho.

Entre um e outro existem muitas diferenças, embora ambos possam ser colocados na mesma categoria: livros de memórias. No primeiro (O Esquife do Caudilho) as lembranças são do próprio autor (Daniel Pereira). No segundo (O Jornalista mais premiado do Brasil) o autor (Arnon Gomes) conta a vida e as riquíssimas aventuras de José Hamilton Ribeiro.

Estive no lançamento das duas publicações, em São Paulo. Mas em ambos os casos me ocupei da leitura em outra localidade: li durante minha estada em Ashburn Village, na Virginia, neste final de Inverno da Costa Leste dos EUA, enquanto o Verão torrava as cabeças dos meus conterrâneos, na Capital paulista.

Daniel Pereira é um conhecido de muito tempo. O conheço desde o século passado. Enquanto que com Arnon Gomes meu relacionamento é mais recente, de 2005. Ambos, entretanto, são Amigos e Jornalistas da maior competência.

Meus primeiros contatos com Arnon aconteceram quando eu era responsável pela seleção de novos profissionais para o diário Comércio da Franca (SP). E este foi o caso dele, com quem falei por telefone numa noite quente, tanto em Franca, quanto em Santos, onde ele morava. Nossa negociação foi tão rápida, que em meia hora Arnon estava dentro do ônibus que o conduziria a Franca. Mal teve tempo de se comunicar com os familiares mais próximos e na manhã seguinte já estava à minha frente, na rodoviária da cidade em que iria trabalhar.

A passagem dele pelo diário mais importante daquela região foi um êxito tão grande, que logo ele foi “roubado” pela Folha da Região de Araçatuba, na qual trabalha até hoje (março de 2016).

Êxito, também, Arnon conseguiu na produção e lançamento de um projeto antigo, dos bons tempos de Universidade Santa Cecília, em Santos: a biografia de José Hamilton Ribeiro.

Neste livro o Jornalista Arnon Gomes nos apresenta um texto impecável e demonstra igual competência na apuração dos fatos relacionados à vida de Zé Hamilton. Uma apuração e um relato dos mais difíceis. Exatamente porque o biografado tem mais de 60 anos de carreira e – apesar de se dizer, com orgulho, um caipira do Interior paulista – viajou muito pelo Brasil e pelo mundo. Sempre a trabalho e em missões das mais arriscadas, como a Guerra do Vietnã, em 1968, quando perdeu a perna esquerda ao pisar numa mina.

Nunca trabalhei com Zé Hamilton. Fiz alguns poucos contatos com ele nos meus tempos de Gerente de Redação da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, onde tivemos um Amigo e colega de trabalho em comum: Almyr Gajardoni, citado na página 33.

Mas o detalhado relato de Arnon Gomes em O Jornalista mais premiado do Brasil me fez lembrar meus bons tempos de Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo; de Mario Mazzei Guimarães (1914-2012), citado também na 33 e 202, entre outras; daquela figura que Daniel Pereira chama de “veneranda” em O Esquife do Caudilho (página 59); do meu bom e saudoso Amigo Anselmo Scarano (1919-2006), que nos tempos de repórter em Marília me dizia: “quem tem um não tem nenhum”, como está na página 61; das muitas reportagens médico-científicas que fiz em Franca (página 62, por exemplo); as dificuldades que tive para entrevistar Gerson, “o canhotinha de ouro”, nos tempos em que ele jogou no SPFC (tal qual Zé Hamilton teve com Chico Buarque, página 66, e Gay Talese com Frank Sinatra); Zuenir Ventura (página 112) e a famosa frase que ele cunhou – 1968, o ano que não acabou – e que uso na abertura deste meu blogue, por ser exatamente o ano do início de minha carreira como repórter; o Amigo Eduardo Ribeiro, idealizador e editor do Jornalistas & Cia. (página 134, entre outras); a discussão em torno da obrigatoriedade ou não de diploma para exercício da profissão de Jornalista (página 137); a preferência de Zé Hamilton pela reportagem, mesmo quando em posto de chefia, como fiz, por exemplo, quando diretor de Redação do diário O Estado de MS, em Campo Grande (MS), e Editor-Executivo d’A Tribuna de Santos; as referências ao Amigo Ethevaldo Siqueira (página 153), com quem trabalhei no Estadão; igualmente ao histórico fim do jejum de títulos do meu Corinthians, em 1977, assim como a Osmar Santos, meu Amigo e colega na Rádio Verinha, em Marília (página 155); às aulas de História do Brasil que tive na FMU, entre 2013 e 2015, com a Professora Silvia Siriani (página 168).

Outra questão importante que me remeteu ao passado, nos relatos de Arnon Gomes, em O Jornalista mais premiado do Brasil, está na página 201. Ali há referência aos “cabelos brancos” de Zé Hamilton e ao fato de que isso não o impede de aparecer no vídeo, na TV Globo. Exatamente como no episódio que levou a cubana Bonnie Anderson, minha Professora no Master em Jornalismo – Turma de 2003, a se demitir da vice-presidência da CNN quando a direção quis que ela substituísse os antigos apresentadores da emissora de Atlanta (EUA) e em seus lugares colocasse jovens, bonitos e elegantes, mas nem sempre experientes e competentes.

Mais uma coincidência que me alegrou em O Jornalista mais premiado do Brasil: Zé Hamilton é, como eu, morador da Aclimação, para mim “o bairro mais agradável de São Paulo”.

Para finalizar, uma vez que esta crônica também está passando dos limites, tal qual na anterior: quantos de nós não gostaríamos de ter uma carreira tão brilhante como a de José Hamilton Ribeiro? E mais: de ter trabalhado em revistas como a histórica Realidade? Mais uma: e de ter o privilégio que tem Arnon Gomes de conviver, privar da Amizade e de escrever a biografia d’O Jornalista mais premiado do Brasil?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


03/03/2016 09:23:31  (pelo horário de Inverno da Costa Leste dos EUA, onde estamos duas horas antes do horário de Brasília)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Por quê? (356) – O Esquife do Caudilho


Cláudio Amaral

É difícil, quase impossível, encontrar palavras para analisar o livro de Daniel Pereira. Tudo o que eu queria dizer foi dito pelos Jornalistas Joaquim Maria Botelho (autor da apresentação, nas páginas 9 a 12) e Gabriel Emídio (nas orelhas).

Para Botelho, é “coisa de memorialista, este livro. E dos bons”. Para Emídio, que, além de escrever o texto das orelhas, fez a revisão da obra, “bem mais que alusão à morte de Getúlio Vargas, o título instiga e chama para dentro do livro”.

O lançamento foi no dia 14/12/2015, no Memorial da América Latina, em São Paulo, mas demorei exatos 70 dias para começar a ler O Esquife do Caudilho.

Nesse tempo, a obra, editada pela Pasavento, esteve nas mãos de Mauro Amaral (meu filho do meio) e de Sueli Bravos do Amaral (minha namorada desde 1969). Ambos falaram muito bem das 51 crônicas de Daniel Pereira e acrescentaram: ele cita você em pelo menos três delas.

Claro que isso aumentou minha vontade de ler as tão esperadas memórias de um dos meus três melhores Amigos, entre os muitos Jornalistas que conheço. Mesmo assim, só peguei nelas no dia 24/2/2016, aqui em Ashburn, Virgínia, na Costa Leste dos EUA.

Antes, me distrai com a conclusão da leitura de O nome de Deus é Misericórdia – uma conversa (do Papa Francisco) com Andrea Tornielli e um certo capitão rodrigo, de Erico Verissimo.

Por que tanto enrolação (?), me perguntei um dia desses. E eu mesmo me respondi: Sabe que não sei. Uma explicação deve haver, mas deve estar oculta, a ser descoberta.

Ciúme, talvez? Inveja, quem sabe? Pode ser, admito. Afinal, tenho pelo menos cinco livros escritos e nenhum publicado. Mas saio em minha defesa argumentando: Daniel Pereira é mais rodado do que eu; tinha que sair na minha frente com suas memórias.

Quem nos conhece – a Daniel Pereira e a mim – sabe que trabalhamos juntos por anos, muitos anos. Dividimos inúmeras empreitadas na COMUNIC Comunicadores Associados S/C Ltda.,  empresa que criei e registrei dia 21/8/1978. E sempre fomos vitoriosos, como está nas páginas 57, 154 (duas vezes) e 212.

Trabalhos, citações e amizade à parte, o fato é que as memórias de Daniel Pereira têm muito a ver com a minha trajetória: somos caipiras do Interior paulista (ele de Assis, eu de Adamantina), nascemos pobres, vencemos pelas nossas próprias forças e muita determinação, trabalhamos nas mesmas ocasiões em três empresas (no Grupo Estadão, na COMUNIC e na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), tivemos muitos Amigos em comum (Joaquim Maria Botelho, Guilherme Degani, Sircarlos Parra Cruz, Zé Cabrera, Gabriel Emídio, Osmar Santos, Luiz Carlos Sperandio, Orlando Duarte, Eli Coimbra, Divaldo Zogaib de Mello – o Turco, Alaor Martins, Geraldo Fernandes, Raul Martins Bastos, José Aparecido Miguel e Claudemir Strabelli, pai da Francine e do Bruno, que seguem vivendo na nossa Adamantina), fomos boias frias e engraxates, fizemos pontas em circos, somos apaixonados pelo veículo rádio e somos torcedores do mesmo TIMÃO.

Lendo, avidamente, O Esquife do Caudilho vi que não fui o único a sentir a morte de perto (página 95), lembrei-me do meu pai (Lázaro Alves do Amaral, o Lazinho) e do meu sogro (José Padilla Bravos, o Jornalista José Arnaldo, que integrou a FEB e como tal foi combatente na Segunda Guerra Mundial e participou da tomada de Monte Castelo, na Itália, tal qual o marido da viúva da página 51).

Outras coincidências: também frequentei a discoteca de uma emissora de rádio (a Brasil de Adamantina), onde eu e meus Amigos nos trancávamos para escutar a música em que Geraldo Vandré cantava, num Maracanãzinho lotado: Caminhando e cantando/E seguindo a canção/Somos todos iguais/Braços dados ou não... (página 69).

Nem por isso somos iguais em tudo. Ao contrário de DP, um descrente confesso nas coisas de religião, sou Católico Apostólico Romano praticante e como tal voluntário na Paróquia Santa Rita de Cássia de Vila Mariana, em São Paulo. Outras diferenças: nunca fumei. Beber, sim. Já bebi muita cerveja, mas nunca tanto quando ele; e, há pelo menos cinco anos, quando bebo, só sem álcool.

Para arrematar, porque esta análise está passando dos limites, quero deixar claro que O Esquife do Caudilho revelou-me um outro lado deste meu Amigo: não sei se teria a coragem que ele teve de contar tudo o que contou a respeito da vida pessoal dele e dos pais.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).

25/02/2016 21:31:15 (pelo horário de Inverno da Costa Leste dos EUA, onde estamos duas horas antes do horário de Brasília)