quinta-feira, 31 de julho de 2008

Por quê? (107) Entre Amigos


Cláudio Amaral

Nós não nos víamos há anos.

Primeiro, porque Rogério Silva está longe, em Palmas, capital do Tocantins, onde é editor-chefe da TV Anhanguera.

Segundo, porque Edson Rossi, mesmo perto, é um profissional muito ocupado. Ou pelo menos era.

Mesmo assim, conseguimos nos reunir no final da noite desta quarta-feira, 30 de julho de 2008: Rogério, Edson, eu e Sueli Amaral.

Nos reunimos no La Ventana, um bar e restaurante localizado na esquina das ruas Juriti e Tuim, em Moema, na zona sul da Capital paulista.

A iniciativa foi do Rogério, que veio a São Paulo para uma reunião geral dos profissionais responsáveis pelo Jornalismo nas afiliadas da Rede Globo de Televisão.

Ele estava com saudade dos Amigos que fez durante o Master em Jornalismo para Editores em 2003.

Rogério queria nos ver e trocar idéias e informações com o maior número possível de colegas que atuam em São Paulo, mas, modéstia às favas, conseguiu se reunir apenas com alguns dos melhores (risos).

Ao chegar, não deixei por menos e disse ao Edson Rossi, palmeirense de quatro costados:

- Você não deveria estar no chiqueirão?

Rimos muito.

Para quem não sabe, chiqueirão é o nome que nós, os corintianos, como eu e o Rogério, damos ao Parque Antártica, sede da Sociedade Esportiva Palmeiras.

No exato momento em que jantávamos no La Ventena, o Palmeiras vencia o Flamengo por 1 a 0, no chiqueirão.

Edson Rossi não estava lá, mas sabia de cada lance importante do jogo, porque Priscila, a mulher dele, estava na casa do casal, ao lado do chiqueirão, e o mantinha informado pelo celular.

Falamos de futebol, das atividades de cada um dos quatro que estavam à mesa, do dia-a-dia das redações de jornais, revistas, tevês e sites, dos planos que temos, das viagens que fizemos e faremos nos próximos meses e, claro, de uma possível visita ao Tocantins.

Rogério tem ampliado cada vez mais as atividades que desenvolve junto ao Jornalismo da Rede Anhanguera de Rádio e Televisão no Tocantins. Só não trabalha mais porque não pode.

Edson acaba de deixar a Abril após 12 anos e está editando uma revista a ser lançada pelo maior diário esportivo do Brasil.

Eu e a Sueli? Bem, nós estamos cada vez mais dedicados aos nossos textos e imagens.

Sueli acaba de concluir a digitalização e edição, com a decisiva colaboração de Marcello Vitorino, do Diário de Guerra do pai dela, o saudoso jornalista José Arnaldo.

Eu edito o http://josearnaldodeantenaebinoculo.blogspot.com/, diariamente, que criamos, ela e eu, no início do ano.

Escrevo e edito outros dois blogues: um com minhas crônicas e outro com minhas experiências em 40 anos de Jornalismo, voltado especialmente para os estudantes da área, futuros jornalistas.

Por ai foi a nossa conversa, noite adentro, noite afora.

Quando vimos, o La Ventana estava fechado. Só nos quatro e o garçom lá dentro.

Encontro de Amigos é assim: o tempo passa e a gente nem percebe.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

31/7/2008 02:01:28

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Por quê? (106) Amigo é coisa...

Cláudio Amaral

[A minha família de Amigos: Flávio (o caçula), Márcio Gouvêa (o genro), Cláudia (a número 1), Sueli (a primeira e única), Mauro (o filho do meio) e eu, todos felizes com a notícia da chegada de Beatriz, que viria (e veio, graças a Deus) no dia 12/6/2007]

Foi o padre Miguel Lucas quem me alertou para o Dia do Amigo.

Eu, Sueli e mais 60 pessoas, aproximadamente, assistíamos a celebração da Missa das 11 horas da manhã deste domingo quando o pároco da Igreja de Santa Rita da Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana, nos fez acordar para a importância deste dia.

Sim, eu sei, caro e-leitor, que todo dia é Dia do Amigo.

Assim como todo dia é Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia do Senhor, Dia dos Namorados, Dia da Sogra, etc.

Agora, nada como um dia específico e especialmente dedicado aos amigos para nos lembrarmos deles.

No caminho entre minha residência e o condomínio em que moram minha filha Cláudia, meu genro Márcio Gouvêa e minha netinha Beatriz, meu filho Mauro, o do meio, lembrou a mim e à Sueli que os países de língua espanhola, aqui na América Latina, costumam comemorar o Dia do Amigo.

Virou até um dia comercial, segundo Mauro.

Aqui no Brasil, não.

Não vi um único lembrete a respeito, nem um anúncio comercial.

Foi por isso que precisei do padre Miguel Lucas para me lembrar do dia do Amigo.

Isto posto, aproveito para recomendar que cada um de vocês se lembrem dos seus amigos. Hoje, amanhã e sempre.

Especialmente daqueles que para nós todos são Amigos com A.

Eu já me lembrei dos meus Amigos nas minhas orações desta manhã, na Igreja de Santa Rita.

Lembrei-me, por exemplo, do meu pai, Lázaro Alves do Amaral, que foi um grande Amigo, sem dúvida.

Do meu sogro, José Arnaldo Padilla Bravos, outro grande Amigo.

Do meu irmão, Clowis Francisco do Amaral e do meu cunhado Paulo César Bravos, Amigos que se foram nos dois primeiros meses deste 2008.

Do Carlos Maciel, o Carlucho, Amigo que se foi em abril.

Antônio De Salvo, Eduardo Martins (meu Mestre) e Creso Moraes são Amigos que também se foram neste 2008 e deixaram muita dor e saudade infinita.

Mas não são apenas os Amigos que se foram que eu gosto de lembrar.

Prefiro me lembrar também dos Amigos que ainda estão entre nós, que são muitos e que nos fazem muito bem.

Marlene dos Santos Piñol, por exemplo, pode, muito bem, representar todas as Amigas de quem eu me lembro com satisfação, embora com saudade.

Um casal? Sim: Marcello Vitorino e Nilva Bianco, que, além de grandes Amigos, são pais da querida Sofia.

Outro casal Amigo? Fácil: Cora e Affonso Chaves, ela paulistana, ele carioca (ou seria fluminense), casados em São Paulo e há anos residentes em Curitiba.

Tenho Amigos de todos os tipos e em dezenas de cidades e Estados.

Amigos de infância, de juventude e da idade adulta.

Possuo Amigos feitos nos meios profissionais e particulares, no mundo do futebol, nos clubes dos quais fui sócio e dos times (de futebol, de basquete, de vôlei...) cujo dia-a-dia acompanhei.

Amigos das escolas pelas quais passei em Adamantina, Marília, Campinas e São Paulo, no primário, no secundário, nos cursos técnicos e nos níveis superiores.

Professores? Muitos. Professores de Matemática e Física (o Professor Emerson Araújo, por exemplo, que conheci no Instituto Monitor), Química, Biologia, Inglês (muitos), Espanhol... e, claro, de Jornalismo, a matéria que mais estudei desde o dia 1º de maio de 1968.

Fiz Amigos em jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, no meio internético e cibernético.

Até no mundo dos negócios eu fiz Amigos, como Antônio Carlos Turra Vieira, que tem vivido comigo as agruras, as tristezas e alegrias das compras e vendas de casas e apartamentos. É ele, o Turrão, que escolhi para representar aqui os “Amigos do Plantão”. Grande Turra. Incansável, batalhador, correto ao extremo. Amigo, sempre Amigo.

A lista é grande, muito grande, mas três Amigos, pelo menos, merecem uma citação especial: Carlos Conde (que é meu Amigo desde os tempos do Estadão na Rua Major Quedinho, e meu compadre há mais de 30 anos), Luiz Augusto Michelazzo e Daniel Pereira (que comigo viveram as aventuras do automobilismo, motocross e outras competições).

Ao referir-me às competições motorizadas, lembro-me, imediatamente, da figura inesquecível de Cecílio Favoretto, que também já se foi, e sem aviso prévio. Foi com ele que eu cobri anos e anos de corridas em Interlagos, Jacarepaguá, Viamão (RS), Curitiba, Goiânia, Brasília... Foi bom tê-lo como Amigo, Cecílio.

Ah... e como não lembrar dos Amigos do Jornalistas & Cia., do Master em Jornalismo para Editores pela Universidade de Navarra, Espanha, da Redação que comandei em Campo Grande (MS), do dia-a-dia do Comércio da Franca por ano e meio... enfim, Amigos.

Amigos que deixamos pelo caminho e que em alguns casos, raros, reencontramos, como Gilberto Lorenzon (o Professor Gilberto, que tenta de todos os jeitos e maneiras me fazer professor, também), Roberto Camargo (o Bob) e Décio Miranda (ex-Estadão, agora em Brasília).

Melhor do que isso, só se eu reencontrasse Amigos como Domingos Baptista Andrade (o Minguinho), Noel, Ambrósio (o Fio) e Devanir (a Deva), dos meus bons tempos de Adamantina.

Amigos do peito, Amigos inesquecíveis, Amigos para sempre.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

21/7/2008 11:01:17

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Por quê? (105) Concurso literário, não.


Cláudio Amaral

De folga e sem compromisso algum na agenda, deixei minha residência e fui caminhar pelas vias públicas da Aclimação e da Vila Mariana.

Era fim de tarde de quinta-feira, 17 de julho de 2008.

Meu destino era incerto.

Acabei no Sesc Vila Mariana, na Rua Pelotas, aonde não ia há meses.

Gosto muito do Sesc Vila Mariana, onde fiz ginástica e hidroginástica, li muitos jornais e revistas, assisti apresentações de teatro e música, admirei exposições e mais exposições.

Mesmo assim, deixei de ir ao Sesc Vila Mariana.

Por quê?

Os motivos são diversos: minhas transferências para Campo Grande (onde também freqüentei o Sesc) e depois para Franca (cidade em que não encontrei uma unidade sequer do Sesc), meu ritmo frenético de trabalho após a volta a São Paulo, etc.

A primeira ação que fiz ao chegar ao Sesc Vila Mariana, na tarde de quinta-feira, foi perguntar a respeito da minha situação como associado.

Enquanto aguardava o atendente consultar o sistema, peguei e li um folheto a respeito do Concurso Literário de 2008, promovido pelo Sesc nacional e a Editora Record.

Li e reli, ontem (quinta-feira) e hoje (sexta-feira, 18/7/2008).

O regulamento informa, por exemplo, que posso inscrever meus contos e meus romances até o dia 15 de agosto de 2008, que o resultado será divulgado em janeiro de 2009 e que o vencedor de cada categoria terá sua obra publicada e distribuída pela Editora Record.

Tem mais: “O autor vencedor de cada categoria terá direito a 10% do valor de capa da obra quando de sua comercialização em livrarias”.

Pensei, claro, em rever meus textos e inscrever pelo menos um.

Mas, infelizmente, não me animei.

Posso até vir a mudar de idéia, mas..., por enquanto, tenho muito forte, dentro de mim, a frustração do concurso de 2003.

Naquele ano, em “férias forçadas”, escrevi como um louco e, às vésperas do Natal, inscrevi um texto junto ao Sesc.

A inscrição foi mais dolorida do que um parto, embora eu nunca tenho sentido as dores do parto.

Deu trabalho, muito trabalho, mas eu consegui inscrever meu texto.

E você pensa que o trabalho e a dor do parto terminaram quando da inscrição, caro e-leitor?

Não. De maneira alguma.

Deixei São Paulo para trabalhar em Campo Grande em fins de julho de 2004 sem saber do resultado do Premio Sesc de Literatura 2003.

Fiz de tudo para saber o que acontecera com meu romance, e nada.

Mais de um ano se passaram até que eu conseguisse saber, por um terceiro, quais tinham sido os romances e os autores premiados.

Doeu.

Fui uma dor do parto dobrada.

Nem tanto pelo fato de meu texto sequer aparecer em último lugar, o quinto.

Doeu muito mais pelo fato de os organizadores nunca terem tido a gentileza de me dar uma informação. Uma informação sequer.

Por tudo isso, preferi ignorar o Prêmio Sesc de Literatura dos anos seguintes.

E tudo indica que continuarei a ignorá-los, mesmo sabendo que uma premiação – em quinto lugar, que seja – poderia dar uma força à minha ainda inédita carreira de escritor.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

18/7/2008 18:51:48

domingo, 13 de julho de 2008

Por quê? (104) A figura foi ao plantão


Cláudio Amaral

Você se lembra, caro e-leitor, daquela figura no mínimo inusitada, à qual me referi pela primeira vez no dia 9 de janeiro de 2008, uma quarta-feira?

Bem, mesmo que você não se lembre, isso não é a questão mais importante do dia.

O importante é que ela, a figura, surgiu do nada, novamente, na manhã deste domingo, 13 de julho de 2008.

Coincidência ou não, hoje é dia 13. E 13 é o número preferido da figura. O número da sorte dela.

Depois de lamentar ter que levantar cedo, ou seja, “7h30 da madrugada”, ela, a figura, tomou um café magro para os próprios padrões, entrou no carro e acelerou para um bairro medianamente distante da zona sul.

- O que será que ela, a figura, vai fazer hoje, em pleno domingo, dia frio?, pensei comigo e com meus botões.

Como se tivesse lido os meus pensamentos, a figura disse:

- Vou acompanhar de perto um dia na vida de um corretor de imóveis.

Assustado com o fato dela, a figura, ter respondido à pergunta que eu me fizera mas não verbalizara, calei-me.

- Melhor ficar calado e vivo do que morrer com a boca cheia de formigas, pensei cá comigo.

O plantão e o corretor escolhidos pela figura estavam numa rua tranqüila e bem localizada, entre a Avenida Vereador José Diniz e a Marginal do Rio Pinheiros, as avenidas dos Bandeirantes e Jornalista Roberto Marinho.

No plantão, dedicado à venda de apartamentos de altíssimo padrão, ao custo de R$ 1,5 milhão por unidade, a figura se espantou de cara com a primeira atividade do corretor e se indagou:

- Além de ficar de plantão por dez horas seguidas, das 9h às 19h, em pleno domingo, e de se dedicar a convencer pessoas a comprarem apartamentos de altíssimos valores, o corretor ainda tem que limpar o chão, as mesas e as cadeiras?

Com a maior paciência do mundo, o corretor de plantão encostou o rodo na parede, endireitou o corpo, respirou fundo e disse, para espanto da figura:

- É isso mesmo. Ou melhor: obrigação eu não tenho, mas, como hoje é domingo e dia de folga da faxineira, ou eu faço a limpeza do chão, das mesas e das cadeiras, ou eu trabalho num ambiente empoeirado, sujo e feio.

Assim que se recuperou do susto, a figura foi para um canto e lá ficou, calada e evitando pensamentos. Ela, a figura, não queria invadir os espaços do corretor, muito menos ter os pensamentos lidos e interpretados por ele.

Ficou só a observar o ambiente e os movimentos.

Foi assim que observou, por exemplo, que às 9h, horário oficial do início do expediente, estava tudo limpo e em ordem.

- Nota 10 eu não mereço, mas zero também não, pensou o corretor enquanto dirigia os olhares em direção à figura.

- Não mesmo, pensou ela, a figura.

- Não mesmo, o quê? Minha nota é 10 ou zero?, indagou o corretor.

Engasgando-se com as palavras, pois ainda não se acostumara a ter os pensamentos invadidos por outra pessoa, a figura respondeu:

- Nem 10, nem zero.

O corretor deu de ombros, entrou num reservado instalado nos fundos do plantão e passou a se dedicar a um outro tipo de limpeza: a lavagem dos panos de chão que havia usado para “higienizar o ambiente”, como ele gostava de dizer.

Em seguida, a figura viu que o corretor se dedicava a ler papeis e mais papeis.

- Estou a estudar o produto, porque, quando o cliente chegar, eu preciso estar com todas as informações na ponta da língua. Afinal, não posso deixar uma pergunta sequer sem resposta.

Discretamente, a figura pensou baixinho:

- Muito bem. Isto sim é que corretor.

O corretor, por sua vez, nada mais disse. Apenas esboçou um leve sorriso entre os dentes.

Antes que a fome o dominasse e a comida fosse colocada para esquentar na marmita elétrica, o corretor se dedicou a atender dois proprietários.

O cliente, mesmo, aquela figura tão esperada, só apareceu depois das 13h. Entrou no plantão, fez uma pergunta atrás da outra, mostrou-se interessado, quis saber dos preços e das condições de pagamento, falou que preferia “isso assim e aquilo assado”, disse que ia buscar a esposa e saiu. Manobrou o carro tão apressadamente, que quase saiu pra cima, na contramão, numa rua de mão única de direção.

Livre do cliente, o corretor procurou não se lembrar que a família estava reunida, em casa, em torno de um peixe à moda capixaba, e almoçou com calma, ali mesmo, no reservado, sem, entretanto, tirar os olhos da porta de entrada. Ele era o único plantonista e não tinha como abandonar o local de trabalho. Nem mesmo para almoçar.

- E quando ele tiver necessidade de ir ao W.C.?, pensou a figura.

- Eu corro, faço tudo sem nem mesmo fechar a porta e de ouvidos bem apurados.

O corretor falou e olhou para o relógio. Viu a hora e pensou no jogo que ia começar no Morumbi: SPFC X Palmeiras, um dos maiores clássicos do futebol paulista.

- Nem ao futebol o corretor tem o direito de ir? Nem pela TV ele pode assistir?

- Não. Nem um, nem outro, respondeu o corretor de imóveis.

- Então, pensou a figura, corretor de imóveis é um alienado? Nem ao futebol ele pode se ligar?

Contrariado com a observação, ele, o corretor de imóveis, respondeu na lata:

- Somos tão alienados quanto o médico, o policial, o jornalista, o enfermeiro, o piloto de avião, o condutor de trem do Metrô, o motorista de onibus..., enfim, como qualquer outro profissional que dá plantão.

Dito isso, ambos, a figura e o corretor de imóveis tiveram as atenções atraídas por gritos de gooooooool vindos do outro lado da rua.

Curiosos, os dois tentaram saber o que acontecia, mas não conseguiram.

Só mais tarde, bem mais tarde, ela, a figura, e ele, o corretor de imóveis, ficaram sabendo que naquele instante, aos seis minutos de jogo, o São Paulo abrira o marcado graças a um gol feito por André Dias, após um cruzamento de Jorge Wagner.

No mais, emoção, mesmo, só as duas quase colisões de veículos em frente ao plantão, por conta das atuações de motoristas irresponsáveis e ou desatentos.

Às 7h da noite, com o dia já escuro por conta do inverno, figura e corretor se foram, cada um para o respectivo destino, sem nem sequer dizer “adeus”, nem mesmo marcar um novo encontro, num outro dia e plantão quaisquer.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

13/7/2008 19:02:55

terça-feira, 8 de julho de 2008

Por quê? (103) De volta à terrinha



Cláudio Amaral

Uma mensagem simples, mas singela, me colocou no túnel do tempo e me levou de volta à terrinha nesta manhã agradável de 8 de julho de 2008.

O tempo: 50 anos.

A terrinha: Adamantina (foto), no interior paulista, onde nasci às 2h15 da madrugada do dia 3 de dezembro de 1949, como fruto do amor do casal Wanda e Lázaro Alves do Amaral.

A mensagem me foi gentilmente enviada pelo Professor Celso Lima, que escreve a respeito dos pioneiros da terrinha no http://www.jornaldacidade.jor.br/.

Confesso que eu não me lembro da figura do Professor Celso Lima, mas fiquei feliz. Muito feliz.

Por quê?

Porque ele me fez lembrar, por exemplo, que nos anos 1960 meu pai teve um Kombi.

Ele me fez lembrar e me emocionar ao escrever, às 21h56 da noite anterior, 7/7/2008:

- Eu lecionei e fui diretor do Grupo Escolar do Bairro Monte Alegre, na Estrada 14, e viajamos, 4 professores e eu, na perua do Sr. Lazinho, seu pai.

Bons tempos, Professor Celso Lima. Bons tempos.

Tempos difíceis, reconheço. Mas, bons tempos.

Bons tempos porque eu era criança, ainda, embora já estivesse dedicado ao trabalho e aos estudos.

Mas, como criança, eu não tinha consciência das dificuldades e responsabilidades que adquiri ao longo dos 50 anos que se passaram desde então.

Recordo-me, e escrevi isso na mensagem que enviei hoje ao Professor Celso Lima, que a Kombi do meu pai era velha, surrada, e a Estrada 14 não tinha calçamento, ou seja, era de terra, torrões e areia.

Enquanto meu pai fazia as viagens de ida e de volta, nós – minha mãe e minha irmã Cleide, a primeira filha – ficávamos apreensivos, preocupados, rezando para que acidente algum acontecesse com ele, a Kombi e os professores.

A remuneração por esse serviço era pequena e o lucro irrisório, mas meu pai e a nossa família precisavam daquele dinheiro, que complementava a renda que tínhamos na Lavanderia e Tinturaria Adamantina, onde meu pai e eu lavávamos e passávamos roupas.

A Kombi foi o primeiro veículo da família Amaral, em Adamantina. E meu pai cuidava dela como se fosse mais um filho.

Além de professores, como o Professor Celso Lima, naquela Kombi meu pai transportava também jogadores profissionais que defendiam o Guarani Futebol Clube – e depois o Adamantina Futebol Clube – durante o Campeonato Paulista da 3ª Divisão.

Bons tempos.

Tempos em que o Professor Celso Lima chegou a Adamantina e...

- Dei aula 3 dias e já assumi a direção da escola, permanecendo até 1965, quando me efetivei como diretor no Bairro do Morão, em Mariápolis. Em 1966/67, dirigi o Grupo Escolar Navarro de Andrade, em substituição ao Professor Sidnei Maria de Andrade e em 1958, com a morte de Durvalino Gruion, então diretor do 4º Grupo Escolar (hoje EEPG Professor Durvalino Grion), fui removido para lá, onde permaneci até 1984, quando me aposentei.

No ano seguinte, 1985, meu pai nos deixou. Foi vítima de um ataque cardíaco e desde então está sepultado no Cemitério Municipal de Marília, onde ele morava com minha mãe.

Hoje, passados 23 anos, sou grato ao Professor Celso Lima por ter me feito recordar meu saudoso pai e a velha e brava Kombi da família.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

8/7/2008 14:06:16

domingo, 6 de julho de 2008

Por quê? (102) Uma esquina inesquecível



Cláudio Amaral

Ela não é uma mulher, mas é linda.

Ela não é a minha mulher, mas é amada.

Ela não é um ser humano, mas tem vida.

Ela não é um Amigo, nem uma Amiga, mas me trata bem, muito bem.

Ela não é um lugar histórico, mas, acreditem, tem história.

Ela não me dá carinho, mas eu a trato com carinho, respeito e boa vontade.

Ela não é monumental, mas eu a vejo como um monumento.

Ela não tem como se lembrar de mim, mas para mim ela é inesquecível. É e sempre será.

Por quê?

Porque na esquina onde estou nesta manhã ensolarada, e ao mesmo tempo fria do inverso paulistano, eu vejo o tempo passar há mais de oito meses, quase nove.

Todo fim de semana eu aqui estou.

Às vezes, nos feriados, também.

Aqui, nesta esquina, eu trabalho, leio, escrevo, como, bebo, ouço notícias e músicas no meu radinho de pilhas, falo ao telefone celular, recebo Amigos e, principalmente, pessoas com quem eu nunca havia falado antes.

Aqui, nesta esquina, eu constato o quanto os motoristas são irresponsáveis, mal educados, desconhecem e desrespeitam as leis de trânsito e outros condutores de veículos e nossos semelhantes que andam a pé.

Aqui, nesta esquina, eu passo momentos alegres.

Aqui, nesta esquina, eu sinto tristezas, mas, ao mesmo tempo, eu sorrio, eu gargalho, eu faço caras de homem sério e de menino travesso.

Aqui, nesta esquina, eu digo “bom dia”, “boa tarde” e, por vezes, poucas vezes, “boa noite”, também.

“Até amanhã”, “boa sorte”, “bom trabalho”, “boa semana”, “até mais ver”... eu também digo aqui, nesta esquina.

Aqui, nesta esquina, eu acompanhei, via rádio, muitas vitórias, empates e derrotas do meu Corinthians, inclusive aquela que marcou a queda do Timão para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Aqui, nesta esquina, eu recebi a notícia da morte de meu cunhado Paulo César Brasil, há exatos seis meses.

Aqui, nesta esquina eu penso na vida, na minha família, no meu trabalho, no meu futuro.

Nesta esquina, bem aqui, eu acompanhei pela Rádio Jovem Pan e pela voz marcante de Téo José, que conheci em Goiânia, a metade final do Grande Prêmio da Inglaterra de Fórmula 1, vencido pelo piloto inglês Lewis Hamilton.

Aqui, nesta esquina, eu sorri, eu sofri, eu chorei nesta manhã ao saber que, três anos depois da última vez, o “meu menino” Rubens Barrichello (foto), que conheço desde os oito de idade (dele), voltou ao pódio da Fórmula 1, desta vez a bordo de um Honda, a mesma marca do meu carro, que desde às 9h50 está estacionado exatamente junto a esta esquina.

Uma esquina realmente inesquecível.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

6/7/2008 12:23:56

terça-feira, 1 de julho de 2008

Por quê? (101) Adeus, Amigo Creso Luiz de Moraes


Cláudio Amaral

O dia começou tão bem, mas tão bem, nesta terça-feira, 1º de julho de 2008, que tudo me indicava que nada, absolutamente nada, poderia estragar o meu dia.

Doce ilusão.

Às 9h10, quando, pela segunda vez no dia, consultei meu correio eletrônico, o meu dia mudou completamente.

Os raios solares, por exemplo, deixaram de ter o brilho que tinham, mesmo sem perder a intensidade.

O telefone, que havia tocado por três vezes, todas com notícias boas, não tocou mais até agora, às 11h50.

Os sinais da Internet, via rádio, sempre tão fortes, sumiram.

As pessoas para quem insisti em ligar não me atenderam. Estavam em reuniões ou fora dos respectivos escritórios.

E aqui estou eu a escrever com profunda tristeza a crônica 101, que esperava ser tão alegre e satisfatória quando a número 100.

Por quê?

Porque acabo de saber que mais um Amigo nos deixou: Creso Luiz de Moraes (foto), natural de Londrina, no norte do Paraná, cidadão do mundo, morador de Curitiba, onde formou e criou uma família numerosa, alegre e feliz.

Creso é o sexto Amigo que se vai neste ano.

Antes dele foram Paulo César Bravos, Clówis Francisco do Amaral, Antônio De Salvo, Carlucho Maciel e Eduardo Martins.

Creso era jornalista como eu, empresário do ramo de assessoria de comunicação como eu fui por muitos e muitos anos, pioneiro do setor como também fui, sujeito sério, honesto, competente e, acima de tudo, Amigo dos Amigos.

Ao lado de Christiane, dos filhos e das filhas, todos fortes, saudáveis e bem criados, Creso era um anfitrião incomum.

Fazia questão de nos receber bem em Curitiba e de nos oferecer mesa farta em casas grandes.

Recebia igualmente bem os filhos dos Amigos e disso sou testemunha.

Colocava sempre à disposição dos Amigos a estrutura da Enfoque, que criou e dirigiu por 30 anos. A estrutura física e os funcionários sempre solícitos e bem treinados, amáveis e competentes.

Eles, empresa e seres humanos nela reunidos, representavam um porto seguro para os Amigos que se arriscavam a trabalhar temporariamente em Curitiba.

E agora?

O ideal é que tudo continue como sempre foi, embora não seja fácil – pelo contrário – tocar a vida sem o Amigo Creso Luiz de Moraes.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

1/7/2008 11:50:00