terça-feira, 25 de março de 2008

Por quê? (68) Vai, Massa!

Cláudio Amaral

Reginaldo Leme me desmentiu na reportagem que fez nesta segunda-feira, 24 de março de 2008, a respeito do Grande Prêmio da Malásia de Fórmula 1.

Ele disse no Jornal Nacional que a equipe Ferrari agiu normal e corretamente, ou seja, dentro dos conformes, durante a parada que o piloto brasileiro Felipe Massa realizou na 17ª volta da corrida disputada na madrugada de domingo.

Segundo Reginaldo Leme, Massinha perdeu a liderança para Kimi Raikkonen ao retornar à pista porque não conseguiu voltas rápidas – ou pelo menos tão rápidas quanto deveria – antes de entrar na área de boxes para reabastecimento e troca de pneus.

Massa, na opinião de Reginaldo Leme, deveria ter aproveitado melhor o privilégio de ocupar a primeira posição, não tendo concorrentes à frente, para abrir uma vantagem maior em relação a Raikkonen.

Assim, do que pude entender a partir das palavras do comentarista da Rede Globo de Televisão, não houve favorecimento da Scuderia de Maranello ao campeão de 2007 e vencedor da prova da Malásia.

Quem sou eu para querer tirar a razão de Reginaldo Leme.

Afinal, ele acompanha a Fórmula 1 de perto e por dentro desde os tempos em que éramos, ele e eu, repórteres da Equipe de Esportes do Estadão, nos anos 1970.

Embora eu jamais tenha me afastado da Fórmula 1, mesmo depois de ter deixado a Redação do Estadão para trabalhar em outros jornais (Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Folha de S. Paulo, O Estado de Mato Grosso do Sul, Comércio da Franca, etc.), há mais de um ano eu vejo as corridas desde uma poltrona instalada em frente à televisão. Ou seja: como espectador, como torcedor e apaixonado pelas competições automobilísticas.

Ele, não.

Reginaldo Leme vive a Fórmula 1 treino a treino, corrida a corrida.

Ele é, sem dúvida, o jornalista brasileiro que está na ativa há mais tempo. Desde os tempos em que foi levado a comentar Fórmula 1 ao microfone da saudosa Rádio Nacional de São Paulo, pelas mãos do não menos saudoso Pedro Luis.

Não há, portanto, como duvidar ou discordar de Reginaldo Leme, o Amigo ‘Alfacinha’, palmeirense como ele só.

Entretanto, creio que é assim, como eu vi, que o público brasileiro vê o comportamento da Ferrari em relação a Felipe Massa.

Um comportamento estranho.

No mínimo, estranho.

E o que o piloto Felipe Massa pode fazer para mudar isso?

Nada?

Ele pode, sim, mudar essa situação.

Pode e deve.

Para isso, no entanto, vai ter que ser mais político, diplomático... do que foi Rubens Barrichello, o campeão do comportamento politicamente correto.

Rubinho, que é muito mais piloto do que Felipe Massa, soube engolir sapos enquanto esteve na Ferrari. Publicamente, pelo menos. E, até onde sabemos daqui de fora, lutou, brigou, esperneou o mais que pode em Maranello para que o favorecimento ao alemão não fosse tão acentuado.

Massa conseguirá fazer igual e ainda se impor, a ponto de vir a ser o primeiro piloto da Ferrari?

Difícil, muito difícil.

Difícil, quase impossível, mas nem por isso o ‘menino de Botucatu’ deve desistir.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

25/3/2008 08:10:21

domingo, 23 de março de 2008

Por quê? (67) Viagem ou filme?


Cláudio Amaral


A vida é uma viagem, como escrevi na crônica anterior, ou um filme que se repete insistentemente?

Por quê?

Pelo seguinte: assistindo ao Grande Prêmio da Malásia de Fórmula 1, na madrugada deste domingo, 23 de março de 2008, fiquei com a sensação de ter visto, mais de uma vez, o que a Ferrari fez com o piloto Felipe Massa.

Ou eu estaria vendo “comunista no armário” ao imaginar que os mecânicos da escuderia de Maranello boicotaram o brasileiro ao segurá-lo por oito segundos e meio no box?

A quem preferiu dormir ao invés de ver a segunda corrida de Fórmula 1 do ano eu explico: Massa fez o melhor tempo no sábado, largou em primeiro na madrugada deste domingo e manteve a ponta até entrar na área de boxes para reabastecimento e troca de pneus; voltou à pista em segundo, logo atrás do também ferrarista Kimi Raikkonen, que havia largado ao lado do brasileiro.

Como se isto não bastasse, o finlandês foi liberado do box da Ferrari em menos tempo, ou seja, com tempo suficiente para voltar na frente do brasileirinho.

Diante desse quadro, eu tenho ou não razão de imaginar que já vi esse filme em corridas de Fórmula 1 e exatamente com pilotos da Ferrari?

Seja sincero e honesto comigo, meu caro e-leitor, e me diga: você também já viu esse filme, não é mesmo?

Fizeram exatamente isso com meu menino Rubinho Barrichello.

E fizeram por vezes. Várias vezes.

Sempre em benefício dos interesses da Ferrari e para beneficiar o “todo poderoso alemão”, aquele que se aposentou das pistas mas continua a serviço do time do comendador Enzo Anselmo Ferrari (Módena, Itália, 18 de fevereiro de 1898 + Maranello, 14 de agosto de 1988), fundador da Scuderia Ferrari.

Ou seja: na Ferrari não tem essa de “uma equipe com dois pilotos”.

Não tem, nunca teve e jamais haverá.

A Ferrari foi, é e sempre será “uma equipe de um piloto só”, o piloto que a escuderia italiana eleger para ser o “primeiro e único”.

Na Ferrari, o segundo piloto será sempre tratado com “o segundo piloto”.

Teve época em que o segundo era o irlandês Eddie Irvine e depois o italiano Giancarlo Fisichella.

Em seguida, iludiram a nós todos, os brasileiros em geral, e a Rubens Barrichello, em particular, dando-nos a impressão (falsa impressão) de que o “menino do Brasil” poderia ser campeão do mundo.

Assim que Rubinho resolveu deixar de ser o “bobo da corte” e se mandou para a Honda, elegeram um outro brasileiro para brincar de segundo piloto.

Primeiro, ele serviu – sim, o termo é esse – ao alemão.

Agora, quando ele se iludiu com a saída do alemão e teve a falsa idéia de que poderia ser o primeiro piloto da maior e melhor escuderia do mundo, eles, os poderosos da Ferrari, não tiveram a menor dúvida: escolheram o “homem de gelo”.

E assim será em 2008, 2009... para sempre.

E o que nós, no Brasil, podemos fazer para mudar esse cenário?

Nada!

Absolutamente nada!

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

23/3/2008 14:35:31

Por quê? (66) A vida é uma viagem

Cláudio Amaral

Certo dia, no final de abril de 2005, sem mais nem menos, uma pessoa se juntou ao grupo em que eu estava, em frente à Catedral de Franca (SP), e nos contou o seguinte:

“A vida é uma viagem. Ela começa quando saímos do útero materno e embarcamos num trem. O trem da vida. Nele encontramos duas pessoas: os nossos pais, que, acreditamos, farão conosco a viagem até o fim. Infelizmente, entretanto, eles desembarcam em alguma estação – muitas vezes sem aviso prévio – e nos deixam órfãos de carinho, proteção, amor e afeto. Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes e especiais: nossos irmãos, amigos e amores. Tem pessoas que tomam esse trem a passeio. Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há, também, pessoas que passam de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros tantos viajam no trem de tal forma que, quando descem, ninguém percebe. Alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso e isso nos obriga a fazer a viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com mais ou menos dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil é aceitar a realidade quando não podemos sentar ao lado de quem mais gostamos, pois outra pessoa está ocupando esse lugar. Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabendo que esse trem jamais volta, tem quem faz essa viagem tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que em algum momento do trajeto poderá fraquejar. Nós mesmos fraquejamos algumas vezes. E, quando isso acontece, certamente, alguém nos entende. O grande mistério é que não sabemos em qual parada desceremos. É isso que torna a nossa viagem cada vez mais interessante”.

Dito isso, a pessoa virou as costas e saiu.

Deixou-nos todos pensativos, como se cada um estivesse se perguntando: “E eu, o que estou fazendo nesse trem?”

Segundos depois – segundos que mais pareceram dias –, alguém se virou para cada um de nós e perguntou: “E você? O que você está fazendo nesse trem?”

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

23/3/2008 04:58:26

terça-feira, 18 de março de 2008

Por quê? (65) Saudade de 2003

Cláudio Amaral

Acordei bem, alegre, feliz, cheio de vontade de escrever.

Por quê?

Penso que o motivo é o dia lindo que vi – e ainda vejo – lá fora.

Um dia claro, começando a esquentar, radiante... depois de dois dias frios, chuvosos, carrancudos e repletos de congestionamentos por todos os lados da metrópole paulistana.

Sem mais, nem menos, pensei nos meus colegas de mestrado no Centro de Extensão Universitária da Universidade de Navarra, Espanha.

Pensei na turma e em cada um deles: Luis Meneghim (Joinville), Ildo Silva (Florianópolis), Rogério Silva (Palmas), Flávio Mello (São Paulo), Luis Caminha (Pelotas), Marcelo Pereira (Campinas), Marcos Meirelles (São José dos Campos), Tânia Rabello (SP), Silvia Herrera (SP), Sandra Aguiar e Eduardo Caliman (Vitória, ES), Edson Rossi (SP), Daniela Scatolin (SP), Claudia Belfort e Célio Martins (Curitiba), Fernanda Santos (SP), Ramon Monteagudo (Cuiabá), Jackson Abrão e André Rodrigues (Goiânia) e Alessandra Machado (Rio Branco).

Na Mônica Paula, também, pois ela sempre foi nossa fiel escudeira, tanto na sala de aula quanto nas festas.

Pensei, ainda, nos professores, a maioria vinda da Espanha (Paco Sanchez, Antoní Piqué, Ramón Salaverría...), uma, inesquecível, cubana residente nos Estados Unidos, Bonnie Anderson, e outros tantos residentes no Brasil: os nossos diretores Carlos Alberto Di Franco e Guilherme Cunha Pereira, Rafael Ruiz, Jorge Matuoka e Cesar Bullara.

Tive vontade de estar novamente com eles.

Senti saudade das nossas conversas em sala de aula, nos intervalos com fartura (café, sucos, doces, salgados...), nos almoços e jantares repletos de gargalhadas.

Até nas reuniões de grupos de trabalho nós éramos felizes, sorridentes sempre, descontraídos, amigáveis.

Tínhamos nossas preferências. Claro. Lógico. Evidente. Afinal, somos humanos e seremos sempre. Mas não me recordo de qualquer divergência entre nós. Pessoal, ideológica ou profissional.

Nos divertíamos muito com a postura generalesca de Ildo Silva, com o gauchês de Luis Caminha, com o flamenguismo de Marcos Meirelles, com as carências de Rogério Silva, com a ironia de André Rodrigues, com o bom humor de Edson Rossi e com as posições das meninas, também, que, por educação, me reservo o direito de não detalhar.

Foi um ano bom, aquele 2003.

Foi um mestrado muito rico.

Tão rico, mas tão rico, que voltei em 2004 e assisti aulas e quase todas as palestras da turma que nos sucedeu.

Conclusão: estou com saudade, turma. Muita saudade.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

18/3/2008 12:28:27

domingo, 16 de março de 2008

Por quê? (64) Tristeza

Cláudio Amaral

Bom dia, meu caro e-leitor.

Mas, como diria Omar Cardoso, “bom dia, mesmo!”

Por quê?

Porque todos nós precisamos de um bom dia, todo dia.

E hoje, domingo, 16 de março de 2008, eu, mais do que tudo, estou a precisar de um bom dia.

Um bom dia, mesmo!

Por quê?

Porque acordei triste.

Não adianta você me perguntar a razão, o porquê.

Não adianta.

Desconheço a razão ou as razões desta minha tristeza.

Acredito até que não deveria estar lhe escrevendo isso, caro e-leitor.

Penso, entretanto, que devo lhe escrever quando estou feliz, sim, como na grande maioria dos dias, mas também quando me sinto triste, como nesta manhã nublada de um verão que está chegando ao fim.

Porque escrever, abrir meu coração, apenas quando estou alegre, é fácil. Muito fácil. Mas soa irreal, superficial, falso, mentiroso. Até porque, todos nós temos nosso dia triste. Todos. E eu não haveria de ser diferente.

O primeiro sintoma de tristeza que senti hoje, ao acordar, foi saber que duas pessoas muito queridas e próximas a mim amanheceram indispostas.

O segundo, foi o fato de que eu precisava sair, como fiz, para trabalhar, e não ter como ficar com elas, cuidando delas, em casa, em pleno domingo. Isso me deixou muito frustrado. Muito.

O terceiro – sim, teve mais tristeza no meu início de dia, hoje – foi relembrar que o Corinthians só empatou com o pequeno, mas travesso, Juventus, ontem à tarde, no Morumbi. E, com isso, deixou escapar a possibilidade de assumir a liderança do Paulistão, pela primeira vez em 2008.

O quarto motivo me veio à cara, de bate-pronto, assim que abri o computador e chamei as notícias do dia: Rubens Barrichello, o querido Rubinho de tantas jornadas, umas alegres e outras tristes, conseguiu terminar o GP da Austrália na zona de pontuação, mas... foi desclassificado por um erro de um funcionário da Honda.

Tive vontade de ir até a Austrália e esganar o sujeito, o indivíduo, o meliante... seja lá o que ele for.

Senti vontade de chamá-lo, na cara e aos berros, de maldito, incompetente, irresponsável... e
muito mais.

Entretanto, como eu não tenho como ir até a Austrália, muito menos de esganar quem-quer-que-seja, fico por aqui e a curtir minhas frustrações e minha tristeza.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

16/3/2008 11:08:22

quinta-feira, 13 de março de 2008

Por quê? (63) Carros velhos

Cláudio Amaral

Há tempo, muito tempo, descobri que “toda moeda tem dois lados”.

Desde então eu vivo dizendo e repetindo: “toda moeda tem dois lados”.

E não é que, vez ou outra, essa afirmativa tem se virado contra mim?!

Pois tem.

Tanto tem que hoje apareceu no meu correio eletrônico uma mensagem de um e-leitor me cobrando: “se você acredita, de verdade, que ‘toda moeda tem dois lados’, se vira e se veja no espelho”.

Ele se referia ao fato de eu ter encerrado a crônica anterior com a seguinte afirmação: “que tal tirar de circulação todos os veículos que estão caindo aos pedaços?”

Para terminar de me encurralar, me jogar contra minha própria afirmação, ou, se você preferir, me fazer queimar a língua, ele, o e-leitor, me desfiou: “duvido que você nunca tenha tido um carro velho”.

Dito e feito, meu caro e-leitor.

Tive, sim, um carro velho. E, se você quiser, posso até te dar detalhes: meu carro velho era uma Brasília com mais de 20 anos de uso. E tem mais: era verde, a cor mais rejeitada pelos torcedores do Corinthians, como eu.

Proprietário confesso de um carro velho, meu e-leitor argumentou: “se eu me desfizer da minha Parati ou perder o direito de continuar a circular com ela, ficarei sem condições de trabalhar, porque de ônibus eu não consigo transportar as mercadorias que eu e minha esposa vendemos na Rua Mairinque, junto ao Liceu Pasteur, na Vila Clementino”.

As mercadorias a que ele se refere são sucos, café, cural de milho, paçoca de amendoim com leite condensado, cachorro quente, ‘pit bull’ (uma espécie de cachorro quente com lingüiça especial), esfihas, etc.

“Fazemos, minha esposa e eu, tudo em casa, com o maior cuidado e capricho”, explicou o meu e-leitor.

“Usamos produtos de primeira qualidade, do amendoim para fazer paçocas ao milho verde para preparar o cural”, acrescentou o ambulante do Ipiranga, que usa a mesma Parati há nove anos para ir às compras e para fazer o trajeto entre o bairro em que o casal reside e o local em que arma a barraca, toda sexta-feira à noite.

Meu Deus! Quantos casais existem nessas condições?! Quantos cidadãos paulistanos e brasileiros dependem dos respectivos carros velhos para ganhar o pão nosso de cada dia?

E eu, que rodo pra baixo e pra cima de carro novo, fico aqui a defender a retirada dos carros velhos de circulação.

Perdão, Senhor!

Peço perdão a Ti e a todas as pessoas com quem fui injusto.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

13/3/2008 18:05:06

terça-feira, 11 de março de 2008

Por quê? (62) Congestionamentos

Cláudio Amaral

O assunto do dia, hoje, 11 de março de 2008, em São Paulo, é o congestionamento.

Melhor seria dizer os congestionamentos registrados em São Paulo hoje, ontem, antes de ontem... e assim por diante.

Congestionamento virou rotina aqui na Capital paulista, há anos, mas todo dia se fala, se escreve, se filma, se fotografa, se manifesta, enfim, se comunica a respeito dos nossos congestionamentos.

E assim será sempre e cada vez mais.

Todas as emissoras de rádio que fazem Jornalismo, em São Paulo, dedicam mais e mais espaços aos congestionamentos.

As tevês e os sites, também.

Temos até uma emissora de freqüência modulada dedicada exclusivamente ao tráfego de veículos pelas nossas ruas, alamedas e avenidas, a Sul América Trânsito, 92,1, filhote da Rádio Bandeirantes, patrocinada pela Sul América Seguros: http://www.sulamerica.com.br/radiotransito.

Os repórteres que tratam do assunto falam de todos os cantos da cidade e por todos os meios. Inclusive a partir de helicópteros (um dos quais é ocupado toda manhã pelo meu Amigo Geraldo Nunes, repórter aéreo da Rádio Eldorado AM 700 kHz).

Ou seja: os congestionamentos criaram centenas de empregos na maior cidade do Estado e do País, entre jornalistas, radialistas, cinegrafistas, fotógrafos, engenheiros, técnicos e fiscais (os chamados marronzinhos).

O congestionamento desta terça-feira foi tão intenso que todos nós entramos no assunto. No rádio, na tevê e na Internet tivemos especialistas de todas as formações.

Um publicitário defendeu no http://www.bluebus.com.br/ que deveríamos passar a andar de bicicleta e em seguida outro veio e contra argumentou: “Como carregar as compras do supermercado numa bicicleta?”

As sugestões para o problema foram desde o escalonamento dos horários de entradas e saídas no trabalho por região da cidade à melhoria no transporte coletivo (ônibus e Metrô), passando pelo transporte solidário e pelo pedestrianismo.

De minha parte, fica uma certeza que tenho há 30 anos: quando Sueli e eu resolvemos abrir nossa empresa e contratar funcionários para nos auxiliar nas tarefas diárias (chegamos a ter uma equipe de 18 pessoas), dávamos preferência para aqueles que moravam na região em que instalamos nosso escritório. Assim, na falta de ônibus, fosse por greve ou congestionamento, eles iam caminhando para o trabalho.

A propósito, os nossos escritórios sempre foram instalados nas proximidades de casa e isso sempre nos ajudou.

Hoje, quando não estou a trabalhar no escritório que tenho dentro de casa, procuro horários alternativos, seja saindo de casa antes ou depois dos momentos em que a maioria dos motoristas colocam seus veículos nas ruas.

Tem dado certo.

Nem sempre, mas tem dado certo.

Agora, uma providência faz falta nas grandes cidades como São Paulo: uma equipe – de profissionais e voluntários – que pudessem se dedicar exclusivamente ao estudo de alternativas para diminuição dos congestionamentos.

Ah... tem mais: que tal tirar de circulação todos os veículos que estão caindo aos pedaços?

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

11/3/2008 14:53:15

Por quê? (61) Haja paciência

Cláudio Amaral

Tudo na vida exige paciência. Muita paciência.

Agora, morar em São Paulo exige uma paciência sem igual.

Hoje, por exemplo, dia 10 de março de 2008, eu acordei sendo obrigado a ter paciência, mais uma vez, com os pedreiros que desde o início do ano trabalham numa reforma no prédio existente ao lado de minha casa. Parece obra de igreja: não acaba! Entra mês, sai mês, e lá estão eles a falar alto, a martelar, a bater nas latas que usam para transportar areia, cimento, pedra, etc.

Haja paciência!

Como se isto não bastasse, em torno de minha residência estão subindo três edifícios de no mínimo dez andares cada um. E cada um deles tem mais de cem operários. Gente que fala alto, que bate martelos, que sobe desce em elevadores barulhentos. Das 7 horas da manhã às 5 horas da tarde.

Pobre da minha netinha, que tira várias sonecas ao longo do dia e não raro acorda assustada com o barulho dos obreiros do prédio velho ao lado e dos três novos que estão subindo sem parar.

Haja paciência!

E tem mais. Tem, sim.

Ao abrir a garagem de casa para tirar o carro e acelerar rumo ao trabalho, dei de cara com cinco outros veículos a me atrapalhar: um encobria minha visão; outro, encurtava minha área de manobra; um terceiro, em fila dupla, não ia nem vinha; um quarto me espremia entre os demais; um quinto também queria sair da garagem do imóvel da frente.

Conclusão: eu fiquei sem saber se ia, se ficava, se dava vez ou se forçava passagem.

Haja paciência!

Depois que eu consegui sair da garagem, vi que era correto, educado e de bom tom esperar que um pai tirasse dois filhos do carro dele, que acabara de ser estacionado exatamente na frente de casa.

Fiz isso com a maior paciência. Juro!

Afinal, eu também tenho filhos, embora eles estejam todos grandinhos, crescidinhos, têm suas próprias carteiras de motoristas e não dependam mais nem do papai, nem da mamãe.

Mas, além de esperar pacientemente que os garotos saíssem do carro do papai deles, tive que reunir mais paciência ainda. Sim, porque um motorista desavisado, que não conseguia ver a movimentação dos guris à frente do meu veículo, começou a buzinar e a dar sinal de luz alta para que eu movimentasse o meu quatro rodas.

E vocês, caros e-leitores, pensam que eu sai do carro, gritei com ele, ameacei jogar o meu contra o automóvel dele, etc. e tal, como fariam muitos motoristas desta cidade grande?

Não!

Nem pensar!

Respirei fundo, movimentei o carro pacientemente e fui em frente, certo de que não deveria perder a paciência logo às 8 horas da manhã de um dia lindo e que com certeza iria exigir – como exigiu – muito mais paciência deste animado torcedor do Corinthians.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

10/3/2008 18:59:51

domingo, 9 de março de 2008

Por quê? (60) Padre Jorge

Cláudio Amaral

“Sacerdote é como militar”, eu disse para Sueli numa manhã qualquer da semana passada, quando ela me contou que o Padre Jorge estava de partida.

“Tanto o militar quanto o sacerdote”, acrescentei, “sabem, logo no início da carreira, que terão de mudar de residência e de cidade inúmeras vezes ao longo da vida”.

“Essa é a vida deles”, conclui.

E na manhã deste domingo, 9 de março de 2008, como todas as manhãs de domingo, lá fomos nós, Sueli e eu, para a celebração do Padre Jorge, na capela das Irmãs da Visitação, na Rua Dona Inácia Uchoa, na Vila Mariana.

Teria sido uma celebração como todas as missas do domingo, naquele local pequeno e agradável, onde ouvimos e refletimos em torno das três leituras, cantamos, rezamos o Pai Nosso e a Ave Maria, confessamos, comungamos e, por fim, damos o máximo da nossa atenção ao sermão do sacerdote.

Mas, a missa, ou melhor, a “celebração da Missa”, como certa vez me ensinou Toni Fongaro, foi diferente.

Afinal, o Padre Jorge estava se despedindo de nós.

Quando ele aqui chegou, há quatro anos, eu não estava em São Paulo. Continuava tendo residência na Capital paulista, como sempre tive, desde maio de 1971, mas trabalhava em tempo integral em Campo Grande (MS).

Por conta disso, raramente assistia as missas do Padre Jorge.

Soube da chegada dele pelos relatos da Sueli, ora em São Paulo, ora em Campo Grande.

Voltei em fins de março de 2005, mas logo fui trabalhar em Franca e por lá fiquei um ano e meio.

Enquanto isso, freqüentava a Catedral de Franca e assistia as celebrações do pároco local, Padre José Geraldo Segantin, com quem tive excelente relacionamento e de quem sempre admirei a voz com a qual ele cantava e nos encantava.

Em julho de 2006, quando retornei de vez para casa, fui levado por Sueli para assistir as celebrações de Padre Jorge. E dele fui ficando fã, pouco a pouco.

Sei quase nada do Padre Jorge, confesso. Sei apenas que ele veio do México, que pertence à Ordem dos Xaverianos e que nesta segunda-feira, 10 de março de 2008, parte para uma pequena paróquia do interior do Paraná, próxima a Foz do Iguaçu.

Minha admiração por ele, entretanto, sempre foi crescente e motivada pela simpatia com que ele nos recebei à porta da capela das Irmãs da Visitação, pela facilidade com que ele nos explicava o Evangelho, pela maneira com que ele nos colocava à vontade durante os sermões, que, de verdade, eram mais bate-papos informais do que sermões.

Sei mais de Padre Jorge pelo que me falavam Sueli e a Amiga Glória (tema da crônica 33, de 14 de fevereiro de 2008).

Sei também que não devemos ser egoísta a ponto de querer só para nós e a nossa comunidade o que de melhor temos e o que de mais agradável a nossa Igreja nos oferece.

Assim sendo, encaro com naturalidade a transferência de Padre Jorge.

Porém, e tudo na vida tem um porém, fiquei triste na despedida de Padre Jorge e, sinceramente, gostaria que ele ficasse entre nós para sempre.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

9/3/2008 11:30:41

Por quê? (59) No Mosteiro

Cláudio Amaral

Animada com o fato de ter sido notícia num dos sites mais visitados da Internet, o VivaSP, aquela figura no mínimo inusitada à qual me referi por mais de uma vez em minhas crônicas resolveu ir a público.

Foi na manhã de quinta-feira, 6 de março de 2008.

Vestiu roupa nova, beijou a imagem de Nossa Senhora da Medalha Miraculosa, rezou a oração da Ave Maria por três vezes e saiu de casa.

Já na porta, voltou e leu o Evangelho do dia: Testemunhos a favor de Jesus (Jo, capítulo 5, versículos de 31 a 47).

De consciência tranqüila, foi até a estação Ana Rosa, “a mais simpática do Metrô paulistano”, e embarcou rumo ao centro velho de São Paulo.

“Bom dia” daqui, “bom dia” da li, a figura foi abrindo caminho em meio à multidão que se dirigia ao trabalho. E que multidão.

Ao invés de descer na Sé e de lá tomar o rumo da Catedral, a figura seguiu em frente.

Só foi descer na próxima estação, a do Largo São Bento, exatamente o local em que ficou hospedado o Papa Bento XVI, ano passado.

E por que no Largo São Bento?

Porque ali seria, como foi, palco de uma celebração em homenagem à alma e à memória de um dos políticos que a figura mais admira, mesmo depois de passados sete anos de sua morte: Mário Covas Júnior, nosso ex-prefeito e ex-governador.

Chegou cedo para ter lugar dentro do Mosteiro.

Sim, porque sabia que o local estaria repleto de gente.

Gente graúda, claro, porque trabalhador, gente humilde, do povo, tem que trabalhar. Trabalhar duro, e desde bem cedo.

Entrou, fez o sinal da cruz, olhou firme para a imagem de Cristo e se ajoelhou junto ao último banco.

Ali, humildemente, a figura no mínimo inusitada reverenciou a memória do melhor governador que o Estado de São Paulo teve, pediu alívio para a alma dele, rogou ao Pai por um lugar digno para o homem que morreu no exercício do poder em nome do povo paulista e se levantou.

De frente para a porta principal, sem receio de ter dado as costas para o altar, a figura ficou a observar a chegada dos figurões: o ex-governador Geraldo Alckmin, agora com inglês na ponta da língua, depois de seis meses de estudos nos Estados Unidos; o prefeito Gilberto Kassab, confiante na reeleição, embora ele nunca tenha sido verdadeiramente eleito para o cargo que ocupa; deputados estaduais e federais, senadores e outros políticos menos cotados.

Ah... claro: o governador José Serra, também, ainda que ele tenha sido um dos maiores adversários de Mário Covas, que o odiava e, embora do mesmo partido (o PMDB e depois o PSDB), nunca o perdoou pelas “traições políticas”.

A figura sorriu para cada um deles. Disse “bom dia” aos montes e só não pegou nas mãos de cada um porque não teve oportunidade.

Depois da celebração, uma das mais lindas que já assistiu, esperou que cada um tomasse o seu rumo e só foi embora quando o Mosteiro já estava vazio. Completamente vazio.

E foi feliz, com a alma e a consciência em paz, apesar das cenas teatrais e das falsidades demonstradas pelos políticos presentes e que ali foram mais por obrigação do que por respeito ao homenageado.

“A vida é assim”, pensou.

“A vida é assim”, repetiu.

“Político é assim em qualquer lugar do mundo”, disse entre dentes, rumo ao Metrô.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

9/3/2008 07:34:06

quinta-feira, 6 de março de 2008

Por quê? (58) José Arnaldo

Cláudio Amaral

Com José Arnaldo não tinha meio termo: ou você o amava, ou o odiava.

Por quê?

Porque ele era um homem de opinião, decidido, posições firmes.

Com ele não tinha meias palavras.

Ou ele gostava ou não gostava.

Dos políticos profissionais, por exemplo, ele nunca gostou e sempre deixou isso muito claro.

Dos jornalistas bajuladores, adesistas, que se deixavam corromper, também.

No começo do meu namoro com a Sueli, minha sócia em tudo há 37 anos, eu não me bicava com ele.

E tinha lá os meus motivos: ele não nos dava moleza. Nunca deu. Tivemos que namorar e noivar às escondidas, muitas vezes. E eu nunca fui de fazer algo às escondidas.

“Filha minha tem que estar em casa às dez horas da noite”, ele dizia sempre. Alto e bom tom.

Quantas vezes Sueli e eu tivemos que sair do cinema antes do fim do filme para que ela não chegasse atrasada em casa, na Avenida Nelson Spielman, quase esquina com a Rua Paraná, em Marília (SP).

Ele era duro com tudo. Um implicante nato.

Mas, aos poucos, com o passar do tempo, eu fui compreendendo e entendo as posições de José Arnaldo.

E também com o passar do tempo ele foi mudando, amolecendo.

Especialmente depois que os netos começaram a chegar.

A Cláudia Márcia, a nossa primeira, sempre foi a queridinha do vovô Zéca.

Mas nem por isso ele gostava menos do André, que veio logo após a Claudinha, nem do Rogério, do Mauro, do Flavio, das Paulas, da Vanessa, da Thaís, da Renatinha, do Bruno, da Maíra, da Bethanea e do Primeirinho, do Daniel, da Gabriela e do André Luiz.

Ela amava todos os filhos (Zé Cláudio, Sueli, Paulo Cesar, Mario Marcio, Sérgio Luiz e Salete) e netos, sem distinção.

Assim como amava o Brasil, o Estado de São Paulo e Marília, aos quais defendeu sempre, nas trincheiras da II Guerra Mundial, quando lutou na Itália, ou dos jornais e das rádios para os quais trabalhou.

Foram mais de 40 anos de Jornalismo, que agora estamos resgatando, texto por texto, para publicação.

Vamos, Sueli e eu, resgatar a memória do saudoso José Arnaldo, que um dia, uma única vez, me deu um beijo no rosto, na plataforma de embarque do terminal rodoviário da Barra Funda, minutos antes de embarcar para Marília.

Foi a última vez que nos vimos e nos falamos, porque dias depois ele veio a falecer, em Marília, a cidade que ele mais amou. E como amou.

Por quê?

E você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

6/3/2008 20:17:22

quarta-feira, 5 de março de 2008

Por quê? (57) Turismo em Santos

Cláudio Amaral

Voltei a Santos inúmeras vezes após o bate-e-volta da adolescência relatado na crônica do dia 2/3/2008: “Viagem inesquecível: Santos”.

Fui a serviço do Estadão para uma reportagem especial a respeito do Santos FC, em 1971, e para acompanhar treinos e jogos do Peixe, durante a Era Pelé; a passeio, porque tenho Amigos por lá; e a trabalho, também, quando tinha a responsabilidade de divulgar os torneios de tênis profissional organizados por Paulo Cleto e Paulo Ferreira e disputado nas quadras de saibro do Tenis Clube.

Mas a viagem que mais me deu satisfação, após aquela dos 15 para 16 anos, eu fiz com a família, em 2001.

Entrei em férias na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, onde era gerente de Redação, e fui com Sueli, os filhos Cláudia, Mauro e Flávio, mais dona Cidinha, minha sogra, para uma semana no Hotel Atlântico.

Há decênios eu sonhava em conhecer o Atlântico por dentro.

Por quê?

Porque por fora ele era lindo, imponente, classudo.

Sueli fez reserva de dois apartamentos, lado a lado, por uma semana.

Além de conhecer o hotel por dentro, fizemos passeios inesquecíveis pela cidade.

Fomos ao Monte Serrat, de onde se tem uma visão privilegiada de Santos, ao Parque Balneário Hotel (que fora projetado para aproveitar a abertura dos jogos de azar no Brasil, que não aconteceu, felizmente), ao Porto (onde conhecemos o então novo terminal de embarque e desembarque de passageiros), ao Jardim Botânico (em meio ao qual Sueli se deslumbrou com a rica variedade de plantas), ao Museu do Café (totalmente reformado quando o governador ainda era o saudoso Mário Covas, filho de Santos) e, claro, voltamos ao quase centeário Café Paulista, um dos restaurantes mais agradáveis do litoral paulista.

O mais legal da viagem foi fazer o que faríamos depois em Barcelona, na Espanha, ainda em 2001, e em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, em agosto de 2004: o city tour. Embarcamos por três vezes, em dias diferentes, num microônibus que fazia ponto final bem em frente ao Hotel Atlântico e que nos levou pelos principais pontos turísticos de Santos.

Ficamos muito bem impressionados com o estado de conservação da cidade, administrada na época pelo malufista Beto Mansur. Ele realmente recuperou Santos. Tanto que eu não ouvi um único barulho dos muitos que meu Polo Classic apresentava ao trafegar pelas vias públicas da Capital paulista.

Lembrei-me, a propósito, de um mecânico da VW, que cuidara do meu automóvel e que a cada revisão me dizia, para minha alegria:

- O seu carro não roda, doutor. Ele desliza.

Pois foi assim, em Santos, durante aquela viagem inesquecível: o Polinho, como carinhosamente o chamávamos, não rodava, ele deslizava pelo asfalto das ruas e avenidas santistas, ricas em jardins sempre floridos.

Lamento que nunca mais tenha tido tempo para voltar a Santos, terra do meu compadre e Amigo Carlos Conde, com tempo para ficar pelo menos uma semana em férias.

Lamento muito.

Por quê?

E você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

5/3/2008 07:35:43

terça-feira, 4 de março de 2008

Por quê? (56) Paulo Bastos


Cláudio Amaral

Paulo de Mendonça Bastos, um dos melhores Amigos que tive, me veio à mente no início da tarde desta terça-feira, 4 de março de 2008.

A lembrança ocorreu quando eu passei pela sede da Hípica Paulista, demarcada pelas ruas Quintana, Guaraiuva, Porto Martins e Kansas, no Itaim-Bibi, zona sul da cidade de São Paulo.

Conheci Paulo Bastos em 1976, quando eu era gerente geral da A. A. Comunicações e ele executivo da Heublein.

Como responsável pela área de promoções, Paulo Bastos contratara a A. A., de Álvaro Assumpção, para fazer a divulgação de produtos e eventos promovidos e ou patrocinados por marcas como a vodca Smirnoff e o uísque Bell´s, entre outras.

Eu e minha equipe de jornalistas nos empenhamos ao máximo e conseguimos excelentes resultados tanto nos lançamentos de novos produtos quanto na divulgação de eventos esportivos.

Os eventos esportivos tinham mais espaços nos jornais e isso agradava tanto Paulo Bastos quanto aos dirigentes da Heublein do Brasil. Entre eles, o exigente e respeitado Armando de Moraes Sarmento, o presidente da empresa.

Exatamente naquela época, Paulo Bastos ganhou mais e mais prestígio dentro da multinacional de origem norte-americana e logo foi promovido a diretor e depois a vice-presidente de marketing.

Na virada dos anos 1970 para 1980, Paulo Bastos concluiu que chegara a hora de iniciar carreira solo e criou a P. B. Comunicações.

Pela afinidade que tinha com a Hípica Paulista, instalou a empresa na Rua Quintana, bem em frente ao portão principal da entidade.

A partir de lá, P. B. organizou inúmeros eventos esportivos e sociais. Com destaque para as provas de hipismo rural na Praia da Enseada, no Guarujá, no litoral paulista.

Estávamos sempre juntos: ele, eu, Leda Cavalcanti (que depois foi brilhar no Show da Manhã da Rádio Jovem Pan), Bino Silva (que casou e foi morar em Araras, no Interior paulista), Daniel Pereira (que em seguida passou pela TV Record e Rádio Bandeirantes sem jamais sair da zona norte), Cora Aprigliano (que anos mais tarde se tornou esposa de Affonso Chaves Júnior, com quem formou uma família linda, hoje residente em Curitiba) e José Luiz da Silva (que foi ser meu sócio na COMUNIC, em agosto de 1978).

Foi uma época maravilhosa, rica em todos os sentidos, gratificante tanto profissional quando pessoalmente.

Pena que dois anos atrás a segunda mulher de Paulo Bastos, Cecília, ligou para o meu telefone e disse para Sueli que P. B. havia falecido.

Lamentável.

Que pena, P. B., você ter ido sem ao menos dizer adeus.

Por quê?

E você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

4/3/2008 17:46:49

domingo, 2 de março de 2008

Por quê? (55) Viagem inesquecível: Santos

Cláudio Amaral

Disse e repito: sempre gostei muito de viajar, conhecer pessoas e lugares novos.

Por conta disso, estiquei uma viagem a São Paulo, aos 15 para 16 anos, para rever o mar, em Santos.

Estava em São Paulo para participar de um encontro de jovens da Seicho-No-Iê.

Havia morado aqui na primeira infância, até logo após a Copa do Mundo de 1958.

Minha avó materna, Durvalina, meu avô Zéca (segundo marido dela), duas tias, Terezinha e Dulce, três tios, Walter (marido de Dulce), Renato (casado com Terezinha) e João (ainda solteiro) moravam aqui.

Mas, ao invés de ir vê-los no Ipiranga, na Saúde e no Sacomã, fui é para Santos.

A viagem foi combinada com os colegas da Seicho-No-Iê que vieram comigo de Adamantina.

Um deles deu a idéia, falamos em grupo com o responsável pela nossa vinda e no dia seguinte ao encontro levantamos cedo, tomamos café e embarcamos na mesma Kombi que havia nos trazido de Adamantina.

Descemos a serra ao nascer do Sol e subimos ao entardecer.

Fizemos a maior algazarra junto ao mar.

Parecíamos um bando de crianças deslumbradas com um brinquedo novo e tão sonhado.

Jogamos areia e água salgada uns nos outros.

Só o nosso responsável se salvou das peripécias e peraltices do grupo.

Tomamos banho nas águas do mar, mesmo. E vestimos a roupa por cima do sal que insistia em grudar nas nossas peles.

Nada poderia nos incomodar naquele dia inesquecível. Nem mesmo o calor típico das regiões à beira mar.

Almoçamos, demos uma volta geral na cidade e subimos a serra antes que escurecesse.

Naquela época, tínhamos apenas uma opção para ir e vir de Santos: a Via Anchieta, porque o Caminho do Mar já não oferecia uma viagem segura e a Rodovia dos Imigrantes não era nem sonho.

Em São Paulo, fiquei no Ipiranga, agora sim, para ver meus parentes.

Desci e me despedi do grupo na Rua Bom Pastor, exatamente na esquina da Rua Cisplatina. E dali fui ver meu avô e minha avó.

Fiquei com eles no fim de semana e voltei de ônibus para Adamantina.

Cheguei lá na maior felicidade, pois, afinal, havia feito uma viagem de gente grande.

Uma viagem inesquecível.

Por quê?

E você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com.

2/3/2008 22:29:16

sábado, 1 de março de 2008

Por quê? (54) Mário Covas


Cláudio Amaral

Nesta quinta-feira, 6 de março de 2008, o mundo da política brasileira vai se reunir às 11 horas, no Mosteiro de São Bento, no centro da Capital paulista, por um motivo nobre: orar pela alma e reverenciar a memória de um dos políticos mais atuantes e dignos que este País teve: Mário Covas Júnior, o Zuza.

Será o momento de lembrarmos a passagem 7º aniversário do falecimento de nosso ex-governador, ex-senador, ex-deputado federal, ex-prefeito da Capital paulista.

A iniciativa é da Fundação Mário Covas e contará com a participação do Coral dos Monges Beneditinos do Mosteiro de São Bento.

Em Santos, cidade em que Mário Covas nasceu, viveu, sonhou um dia prefeitar e foi sepultado, a missa será às 18 horas, no Santuário de Santo Antônio do Valongo.

Covas não me conheceu como eu gostaria que tivesse conhecido, mas eu o conheci bem, de perto.

Com exceção da eleição para prefeito de Santos, em 1961, quando eu tinha apenas 12 anos e morava em Adamantina (SP), votei nele em todas as outras eleições que ele disputou a partir de 1967, quando, com 18 anos completos, tirei meu primeiro título de eleitor.

Lembro-me bem da campanha que ele fez para deputado, em 1982, quando foi eleito com 300 mil votos para a Câmara Federal.

Depois vieram as campanhas, também inesquecíveis, para o Senado, em 1986, que resultou em 7,7 milhões de votos, a maior votação da história do Brasil até aquela época; para a Presidência da República, em 1989 (4º lugar); em 1990, para governador de São Paulo (3º lugar); em 1994, quando foi eleito governador com 8,6 milhões de votos e em 1998, reeleito com 9,8 milhões de votos.

Morto no dia 6 de março de 2001, quando era governador e foi vencido por um câncer que nunca antes havia conseguido tirá-lo de combate, nem diminuir sua vontade de viver e de lutar pelo povo do nosso Estado e do nosso País, Mário Covas foi homenageado em todo o território nacional.

Os motivos são muitos, mas há que se destacar a tenacidade deste filho de Santos, torcedor fanático do Santos FC (o qual sonhou presidir e não conseguiu); a honestidade, a determinação e a capacidade de fazer política e administrar a principal cidade e maior Estado brasileiro.
Mário Covas teria sido presidente da República na sucessão de Fernando Henrique Cardoso, se vivo estivesse. E, caso isto tivesse acontecido, este País seria ainda melhor e muito maior.

As desigualdades sociais, por exemplo, não seriam tão acentuadas.

A carga tributária não nos seria tão pesada, tal era a fúria com a qual ele combatia os impostos e taxas cobrados pelo Governo Federal.

Mário Covas era um político raro e tão correto, mas tão correto, que jamais permitiu, por exemplo, a nomeação de um parente para qualquer cargo público. Nem na administração dele, nem na gestão de um político e ou administrador amigo. Com ele não tinha proselitismo, muito menos apadrinhamento, nem conchavos, negociatas, toma-lá-dá-cá, etc.

Sei, e todos que estiveram próximos a Mário Covas sabem, de pessoas amigas dele que foram demitidas sumariamente de cargos públicos porque não compareciam ao trabalho.

Quem mais fez isso? Quem? No passado e no presente. Quem?

Esse é o tipo de político que sempre fez falta no Brasil. Sempre.

Por quê?

E você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspor.com.

1/3/2008 15:16:36

Por quê? (53) Fariseu ou publicano?


Cláudio Amaral


A leitura do Evangelho que nos se apresenta neste sábado, 1º de março de 2008, nos coloca literalmente contra a parede.

Por quê?

Porque nos faz meditar a respeito da narrativa envolvendo o fariseu e o cobrador de impostos (Lucas 18,9-14).

Nesta narrativa, Jesus contou esta parábola para os que achavam que eram muito bons e desprezavam os outros:

- Dois homens foram ao Templo para orar. Um era fariseu, e o outro, cobrador de impostos. O fariseu ficou de pé e orou sozinho, assim: "Ó Deus, eu te agradeço porque não sou avarento, nem desonesto, nem imoral como as outras pessoas. Agradeço-te também porque não sou como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e te dou a décima parte de tudo o que ganho”.

- Mas o cobrador de impostos ficou de longe e nem levantava o rosto para o céu. Batia no peito e dizia: "Ó Deus, tem pena de mim, pois sou pecador!"

E Jesus terminou, dizendo:

- Eu afirmo a vocês que foi este homem, e não o outro, que voltou para casa em paz com Deus. Porque quem se engrandece será humilhado, e quem se humilha será engrandecido.

Nos comentários que recebo das Paulinas ao lado do texto do Evangelho do Dia, vieram as devidas e indispensáveis explicações:

- Nesta parábola, temos a oposição radical entre dois orantes e dois tipos de oração: a oração arrogante e auto-suficiente do fariseu e a oração confiante e humilde do publicano. A oração do fariseu é típica das tradicionais orações de Israel. Aparentemente é uma oração de agradecimento a Deus. Contudo, por seu conteúdo, adquire outro sentido. O fariseu "agradece" por ser um justo, observante, diferenciado e separado dos "pecadores" como o publicano que ali estava presente. É uma oração de auto-suficiência e de desprezo aos outros, que, em nome de Deus, fundamenta uma posição de privilégios e poder. O outro orante, o publicano, tem a atitude de um pobre que confia totalmente em Deus. Ele, humilhado e excluído pelo sistema religioso que o considera um pecador, é consciente de sua pequenez e de sua dependência de Deus. À medida que o "justo" rompe a comunhão com o próximo, ele rompe a comunhão com Deus.

Isto posto, eu te pergunto, caro e-leitor: você é um fariseu ou um publicano? De que lado você se coloca?

Por quê?

E você ainda me pergunta por que?

Aos invés de perguntar, pense à vontade e depois me escreva.

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspor.com.

1/3/2008 13:15:51

Por quê? (52) Educação

Cláudio Amaral

Você se considera uma pessoa educada, meu caro e-leitor?

Minha pergunta é motivada pelas inúmeras manifestações de falta de educação que tenho observado a todo instante pelas ruas, avenidas e alamedas de São Paulo.

Pelas calçadas, passeios públicos, passarelas e parques também.

Pois bem, na dúvida ou na certeza a respeito de você ser ou não uma pessoa educada, me responda:

1) você diz “bom dia” ao acordar ou dar de cara com uma pessoa, conhecida ou não, na primeira parte do dia, ou seja, até o meio-dia?

2) você diz “boa tarde” ou “boa noite” com freqüência ou só quando não tem alternativa?

3) você pede “por favor”, “por gentileza”, “com licença”... ou você vai entrando, passando, avançando... sem tomar conhecimento de quem está à sua frente ou ao seu lado?

4) você se diz “agradecido”, “grato”, “Deus lhe pague”... a quem lhe faz um favor ou uma gentileza?

5) você se levanta e dá o seu lugar a uma criança ou um adulto de mais idade ou a uma pessoa do sexo feminino (caso você seja do sexo masculino)?

6) você respeita a faixa de pedestre quando está dirigindo um veículo motorizado e permite que as pessoas cruzem a rua na sua frente, especialmente quando não existe sinal luminoso para pedestre ou vai em frente?

7) você respeita o sinal vermelho, pára e espera sua vez, esteja de carro ou a pé?

8) você é daqueles que acelera o automóvel (ou o caminhão ou o utilitário ou o ônibus) quando vê que o semáforo vai amarelar e ou avermelhar no seu caminho?

9) você é do tipo que gosta de levar vantagem em tudo ou é um legalista?

10) você costuma azeitar a mão de quem pode dar um jeitinho a seu favor, mesmo sabendo que alguém será prejudicado?

11) você pára e dá atenção a uma pessoa visivelmente necessitada que te aborda na rua ou toca a campanhia de sua residência ou simplesmente passa reto ou bate a porta na cara do seu semelhante?

12) você costuma ser solidário com os seus semelhantes, conheça ou não a(s) pessoa(s)?

13) você pára e oferece ajuda a quem, por exemplo, está com dificuldade para fazer o carro funcionar ou para trocar um pneu, ou passa reto?

14) você faz por sua sogra (ou sogro) tudo o que faria para sua mãe (ou seu pai)?

15) você costuma dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede e ou abrigo a quem tem frio?

Afinal, você é ou não é uma pessoa educada?

Por quê?

E você ainda me pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968; professor e orientador de jovens jornalistas; palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do http://blogdoclaudioamaral.blogspot.com e do http://aosestudantesdejornalismo.blogspor.com.

29/2/2008 14:37:00