sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Por quê? (171) O valor da leitura


Cláudio Amaral

Quando comecei a aprender a ler e a escrever, criança pequena lá em Adamantina (SP), não tinha ideia do quanto a leitura me seria importante.

Hoje, prestes a completar 60 anos de idade, continuo a valorizar a leitura e cada vez a valorizo mais.

Sem possuir o domínio que tenho da leitura – em português, claro – eu não seria capaz de ter lido centenas e centenas de livros.

Livros que ainda tenho comigo, como quase todos de Machado de Assis.

Livros que me foram emprestados e que devolvi, por respeito aos seus donos e a outras pessoas a quem eles, os livros, pudessem ser cedidos, ainda que por tempo determinado.

Livros que ainda estão me esperando, aqui em Santos e lá em São Paulo, onde está a maioria de todos quantos consegui acumular.

Mas não são apenas os livros que me deliciam e me encantam, a ponto d’eu valorizar a minha capacidade de ler e ler muito.

As revistas, também.

Os jornais, então, nem te falo, caro e-leitor.

E essa conversa toda – que parece “conversa fiada”, mas não é – vem à tona a propósito dos diários que tive oportunidade de ler nesta sexta-feira, a última de agosto de 2009.

Fui ao Sesc de Santos, aqui na Aparecida, logo após o almoço e li três jornais.

Comecei com A Tribuna, passei pelo Estadão e terminei na Folha de S. Paulo.

Três jornais onde trabalhei e para os quais dei o melhor de mim (e Deus sabe que estou a falar, ou melhor, a escrever a verdade).

Na Tribuna de hoje eu revi a maioria dos repórteres com quem convivi por oito meses e 16 dias, entre outubro de 2008 e junho de 2009.

Gente da melhor qualidade, com a maior garra, empenho, dedicação e determinação.

No Estadão, me deliciei com a crônica de Ignácio de Loyola Brandão, o meu cronista preferido entre todos os que escrevem em português.

Caipira de Araraquara, embora seja cidadão do mundo, Loyola escreve fácil, simples e conta as histórias que todos gostam de ler.

Loyola é um craque, um jornalista e escritor que usa sempre palavras acessíveis a todos nós.

Outros dois jornalistas me agradaram muito nas páginas do Estadão de hoje: Antero Greco e Reginaldo Leme, que – não por acaso, até porque nada é por acaso – foram meus colegas de reportagens lá mesmo no jornal da Família Mesquita.

Na Folha... ah... essa Folha de S. Paulo... sempre com pautas e reportagens ditas e tidas como diferentes, só me chamou a atenção, mesmo, de verdade, o repórter especial Clovis Rossi, meu ex-chefe no... Estadão.

Depois que li esses três jornais e coloquei os respectivos exemplares nos devidos lugares, como sempre faço, deixei a sala de leitura do Sesc-Santos mais feliz do que nela havia entrado. Muito mais feliz.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

28/8/2009 21:38:50

Por quê? (170) Santos, uma benção!


Cláudio Amaral

Mudar para Santos me foi uma benção.

Uma benção que, sinceramente, não sei se mereço.

Mas, penso que, se Deus me deu essa oportunidade, é porque fiz jus.

É porque mereci.

Ou será que Ele está apostando em mim, mais uma vez?

Ou estaria Ele me testando?

Pelo sim, pelo não, sinto-me num paraíso, estando em Santos.

E não é só pelas praias que tenho à minha frente, aqui em Santos.

Não é, também, só pelos raios solares que nos banham – como ontem e hoje, por exemplo – aqui em Santos.

Nem pelas chuvas, que são frequentes e refrescam a temperatura em quase toda a Baixada Santista.

Não é, igualmente, apenas pela vista que tenho do Oceano Atlântico (“o marzarzão, vovô”, como diz a pequena e querida Beatriz, olhando a partir da janela da sala do apartamento que estamos, Sueli e eu, a ocupar na Aparecida, quase Ponta da Praia).

Nem o brilho que vejo nos olhos dela, a pequena Beatriz, quando vê um “naviozão” passar pelo “marzarzão”, rumo ao cais do Porto de Santos ou a alto-mar, me faz achar que é o principal desta benção que é estar em Santos.

Seria, então, a nova lua-de-mel que estou a viver com Sueli, após 40 anos de vida em comum?

Seriam as férias que o jornal me obrigou a tirar?

Não.

Não é exatamente isso.

É isso, também, mas não somente isso.

É tudo isso e mais, muito mais.

O que é, então?

Com certeza, absoluta certeza, é a alegria gerada pelos Amigos.

Sim, porque eu nunca me senti tão cercado de Amigos.

Aqui, em Santos, eu tive oportunidade de rever Amigos.

Tive, ainda, a alegria de fazer novos e bons Amigos.

Muitos Amigos.

Muitos e bons Amigos.

Amigos sinceros, cordiais, prestativos, solidários, preocupados e ocupados comigo.

Amigos.

Simplesmente... Amigos.

Amigos que terei para sempre e que levarei para sempre, esteja onde estivermos, eles e eu.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

28/8/2009 09:32:35

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Por quê? (169) Santos para não santistas


Cláudio Amaral

Para fazer jus ao que ouvi de um Amigo santista, na semana passada...

- Você escreve a respeito de Santos como se aqui houvesse nascido...

...me dispus a fazer uma caminhada especial na manhã desta segunda-feira.

O dia não estava dos mais claros.

Antes, entretanto, que escurecesse mais, fui à luta.

Primeiro, tomei um bom café da manhã na Padaria Cristo Redentor, na esquina da Avenida Epitácio Pessoa com a Rua Trabulsi, na Ponta Praia.

Depois, fui em direção a avenida da orla santista e, ao invés de virar à esquerda e seguir rumo à balsa que liga Santos com Guarujá, tomei o caminho contrário.

Passei pelos canais 6, 5, 4, 3, 2 e 1.

Fui até a divisa de Santos com São Vicente, mas, antes de cruzar a linha divisória entre as duas cidades, fiz algumas incursões.

No Canal 2, por exemplo, andei rumo à Vila Belmiro, aonde vou sempre que me disponho a visitar o casal de Amigos Cristina Saliba e Carlos Conde e ou aos jogos do Santos FC, no “Alçapão”.

Desta vez, entretanto, descobri um novo caminho rumo à “Vila mais famosa do mundo”, como gostam de dizer os santistas fanáticos pelo time de Pelé.

No 1, visualizei um canal bem mais largo do que os demais.

Constatei, também, que existe um outro canal, que eu não conhecia e que deságua no 1.

Ainda junto ao Canal 1, localizei a tão comentada Pensão Caiçara, da qual me falou por vezes o advogado e jornalista Eduardo Velozo Fuccia, autor do livro “Reportagem Policial - Um jornalismo peculiar”.

Indo em direção a São Vicente, passei por um outro local muito comentado por Velozo: o Universo Palace, cenário de casos famosos.

Na volta – não sem antes tomar um café na Padaria José Menino, na esquina da avenida da orla com a Avenida Santa Catarina, bem em frente ao Parque Municipal Roberto Mario Santini – parei por cerca de dez minutos diante das placas que nos dão informações a respeito dos canais de Santos.

Lá fiquei sabendo que os canais de Santos (http://www.canaisdesantos.com.br) foram idealizados pelo pai da engenharia sanitária no Brasil, Francisco Rodrigues Saturnino de Brito (http://pt.wikipedia.org/wiki/Saturnino_de_Brito).

Inaugurados a partir de 1907, os canais ajudaram a sanear a hoje Capital da Baixada Santista, porque, após o início da drenagem superficial do solo, a epidemia de febre amarela deixou de gerar mortes e foi declarada extinta.

Na época, os comandantes e as companhias de navegação evitavam atracar seus navios no Porto de Santos, hoje o maior do País e do continente, para que seus tripulantes não ficassem doentes.

Por consequência, Saturnino de Brito é venerado em Santos e, imagino, em mais de 50 municípios (53, precisamente) em que trabalhou como engenheiro sanitarista.

Vi mais, claro.

Vi muito mais.

Até porque andei das 9 às 14 horas nesta segunda-feira.

Andei e consegui resistir a tentação de embarcar num ônibus urbano, na volta de São Vicente para a Ponta da Praia.

Só não resisti à tentação de comer uma tortinha de banana no McDonalds da Aparecida, onde estou instalado há dez meses.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

24/8/2009 16:00:25

domingo, 23 de agosto de 2009

Por quê? (168) Acelera, Rubinho!!!


Cláudio Amaral

Exatamente às 9h41 deste domingo chuvoso, aqui em Santos, meu filho caçula me chamou pelo celular para dizer:

- Um dia, pai, alguém tinha que errar a favor do Rubinho.

Flávio Murilo do Amaral, meu filho caçula, estava em São Paulo e não acreditava no que via ao vivo, pela TV Globo, direto de Valencia, na Espanha.

Ele queria saber do pai, que acompanhou de perto, bem pertinho, quase todos os GPs de Fórmula 1 disputados no Brasil, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, ora a serviço do Estadão, ora pelo Correio Braziliense, se era verdade o que via pela televisão.

Sim. Era verdade, sim.

Mas poucos acreditavam no que estava acontecendo.

Rubens Barrichello, o nosso querido Rubinho, havia largado em terceiro no grid do Grande Prêmio de Valencia, passara para a segunda colocação após a primeira parada do líder e atual campeão mundial Lewis Hamilton (McLaren/Inglaterra) e atrás de Heikke Kovalainen (McLaren/Finlândia), que havia saído em segundo.

Flávio e todos nós, os fãs de Rubinho, cansamos de ver a Ferrari, a Honda e a Brown cometerem erros contra o nosso piloto preferido na Fórmula 1 e sofremos muito na virada do ano (2008/9) diante da possibilidade de o condutor mais experiente abandonar a categoria antes do tempo.

Todos nós queríamos ver Rubinho campeão mundial e nunca nos conformamos com a preferência que a Ferrari sempre deu ao alemão.

Queríamos, também, ver como ele se comportaria na Ferrari após a aposentadoria de Michael Schumacher, mas Rubinho preferiu trocar de equipe antes que o alemão se fosse das pistas.

E aí ficou a sensação de que tudo acontecia contra ele, que ele era um “pé frio”, um azarado.

Difícil aceitar, mas assim pensa – ou pensava? – a grande maioria.

É difícil para alguém que acompanha Rubinho desde as primeiras corridas de kart, quando ele ganhava dez a cada dez provas disputadas pelo paulista e pelo brasileiro.

É difícil aceitar a idéia de “pé frio”, azarado, resmungão, reclamão... em relação a um piloto cujo pai (apoiado por todos os familiares mais próximos) nunca desistiu e sempre procurou criar as condições mínimas para que ele lutasse para um dia chegar à Fórmula 1.

Não é por acaso que Rubens Barrichello foi duas vezes vice-campeão mundial de Fórmula 1.

Não é por acaso que Rubens Barrichello foi o primeiro piloto brasileiro a correr pela Ferrari.

Não é por acaso que Rubens Barrichello venceu neste domingo o seu décimo GP de Fórmula 1.

Não é por acaso que Rubens Barrichello conquistou neste domingo o centésimo GP para o Brasil.

Não é por acaso que nós continuamos a acreditar em Rubens Barrichello.

Não é por acaso que nós acompanhamos todos os GPs de Fórmula 1, torcemos por Rubinho e vibramos com cada pontinho que ele conquista nas pistas por onde passa o circo da F1.

Como nada é por acaso, não foi por acaso, também, que a equipe McLaren errou no pit-stop de Hamilton e que a falha dos mecânicos da equipe do atual campeão acabou sendo bem aproveitada pelo único brasileiro que correu neste domingo nas ruas de Valencia.

Nada é por acaso.

Nada é por acaso.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

23/8/2009 19:01:20

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Por quê? (167) Santos e os Objetivos do Milênio


Cláudio Amaral

Ninguém pode acusar as cabeças pensantes de Santos de não estarem de olhos voltados para o futuro.

Sejam elas do setor público, da iniciativa privada ou do terceiro setor.

A prova disso foi exposta clara e publicamente no final da tarde desta segunda-feira, no Salão Nobre Prefeito Esmeraldo Tarquínio, no Palácio José Bonifácio, onde funciona a sede da Prefeitura de Santos.

Lá estiveram, por cerca de uma hora, toda a cúpula da administração pública municipal, seis parlamentares com mandatos junto à Câmara de Vereadores e 50 representantes de organizações comunitárias da Capital da Baixada Santista.

Entre elas, o comandante e autoridade máxima da cidade, o engenheiro e prefeito João Paulo Tavares Papa, mais o vice-prefeito Carlos Teixeira Filho (também secretário da Assistência Social) e quase todo o secretariado municipal.

Representando o setor empresarial estava Ronaldo de Souza Forte, um dos mais atuantes da Baixada Santista, diretor Regional Titular do Centro das Indústrias (Ciesp) e presidente da Santos-Arbitral (Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem de Santos).

A missão de todos era das mais nobres: a posse do Comitê Municipal para Políticas de Referência e Otimização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, o chamado Comitê Pró-ODM.

E quais são esses tais ODMs?

Quem nos explicou foi o secretário municipal de Governo, Márcio Antônio Rodrigues de Lara, com base nos oito objetivos assumidos como compromisso por 189 países reunidos pela ONU (Organização das Nações Unidas):

· Erradicar a pobreza extrema e a fome;
· Atingir o ensino primário universal;
· Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia da mulher;
· Reduzir a mortalidade infantil;
· Melhorar a saúde materna;
· Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças;
· Garantir a sustentabilidade ambiental;
· Estabelecer uma parceria global para o desenvolvimento.

Esses objetivos serão perseguidos com base nos índices de desenvolvimento reunidos por técnicos de todas as áreas no Perfil dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de Santos.

Esse documento básico foi elaborado por uma comissão liderada pelo cientista político Sérgio Andrade, representante da Agência Pública, a Agência de Análise e Cooperação em Políticas Públicas.

Com muito trabalho e determinação, o Comitê Municipal para Políticas de Referência e Otimização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio deverá apontar ações e soluções que colocarão Santos, em 2015, numa posição de destaque em matéria de políticas públicas.

Uma posição que servirá de exemplo para todos os municípios do Brasil e do mundo.

E mais: fará com seja cada vez melhor e mais agradável viver numa cidade que já é das mais acolhedoras do território paulista e do Brasil.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

18/8/2009 17:12:45

domingo, 16 de agosto de 2009

Por quê? (166) Dance, Santos! Dance!


Cláudio Amaral


Santos, a cidade mais importante do litoral paulista, tem uma dívida para com Niterói, no Estado do Rio de Janeiro.

Uma dívida impagável.

A população de Santos para com os habitantes de Niterói.

A dívida é resultado de uma apresentação impagável que o Ballet da Cidade de Niterói nos ofereceu na noite de sexta-feira, no palco do Sesc, no bairro Aparecida.

Tínhamos, Sueli e eu, comprado ingressos para a apresentação deste domingo, 16/8/2009, a partir das 16 horas.

Mas trocamos as entradas em cima da hora, no sábado, logo após a missa que marcou a passagem do décimo aniversário da morte do nosso saudoso José Arnaldo, o jornalista, herói da Segunda Guerra Mundial, nascido José Padilla Bravos.

Trocamos e não nos arrependemos.

Foi uma noite diferente.

Não pelo teatro.

Nem pela dança.

Foi diferente por tudo: pelo teatro, pela dança, pela companhia e... pela homenagem a Pixinguinha.

Sim, a apresentação do corpo de baile de Niterói – ou melhor, da Companhia de Ballet da Cidade de Niterói – representou um tributo a Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, nascido no Rio de Janeiro a 23 de abril de 1897 e falecido lá mesmo a 17 de fevereiro de 1973.

Ouvimos, no Teatro do Sesc, em Santos, exatas 16 músicas de Pixinguinha.

Todas deles, mas nem todas exclusivamente dele.

Os arranjos, como nos explicaram após a apresentação, não são exclusivos, mas representam aquilo que melhor se adaptou aos padrões estabelecidos pelo coreógrafo Rodrigo Negri.

Nos figurinos, Cássio Brasil procurou dar liberdade de movimentação aos dançarinos.

Entre eles, a metade, pelo menos, é formada por dançarinos de origem.

Na outra parte, entretanto, existem fisioterapeutas, farmacêutica, uma formada em História, pais e mães.

Todos, obrigatoriamente, são contratados com base na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e dão seis horas por dia ao Ballet da Cidade de Niterói.

Apresentam-se pelo Brasil afora e até no Exterior.

Fazem movimentos indescritíveis para um leigo no assunto, como eu, mas que encheram os olhos de todos nós que estivemos no Teatro do Sesc-Santos.

Tanto que os aplausos foram fortes e seguidos.

Os elogios, também. E de viva voz, porque o diretor e os bailarinos nos chamaram para uma conversa pública ao término da apresentação. E foi aí que ficamos sabendo de tudo, ou quase tudo o que se passa com o elenco.

Alias, se pudéssemos, voltaríamos neste domingo à noite.

Mas domingo é dia de futebol e não de teatro, dança, balé...

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

A propósito: aos interessados em mais informações a respeito de Pixinguinha, Niterói e do Ballet da Cidade de Niterói, recomendamos consultar a enciclopédia livre Wikipédia: http://pt.wikipedia.org.

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

16/8/2009 15:18:15

domingo, 9 de agosto de 2009

Por quê? (165) Mamãe, mamãe, mamãe...


Cláudio Amaral

Exatamente neste domingo, o Dia dos Pais de 2009, eu me dediquei integralmente à minha mãe.

Até porque não tenho pai desde 1985, quando o senhor Lázaro Alves do Amaral, o ‘seu’ Lazinho, nos deixou, vítima de insuficiência cardíaca, em Marília.

Acordei cedinho, peguei meu Honda Fit e às 7h30 estava a sair do prédio em que vivo com Sueli, em Santos, rumo a São Paulo.

Subi a Serra do Mar e fui direto ao endereço de minha irmã caçula, no Ipiranga.

Como havia combinado com meu sobrinho Gustavo Moreno, que agora está mais palmeirense do que nunca, cheguei lá minutos, poucos minutos após 9 horas da manhã.

Clélia, a caçulinha, me aguardava.

Ela, os filhos Gustavo e Luciano, torcedor do Santos FC, e mulher dele, Thaís.

Os dois, mais jovens e fortes do que eu, desceram Dona Wanda usando uma cadeira de rodas, colocaram ela e as bagagens no carro e fomos, os três – minhas mãe e irmã, mais eu – rumo ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas.

Foi de lá que saiu para Campo Grande o avião da Azul, a mais nova companhia aérea do Brasil.

Minha mãe poderia ter ido no ônibus da Azul de São Paulo a Viracopos, mas foi comigo e minha irmã. Primeiro, porque é minha mãe; segundo, porque tem quase 80 anos; terceiro, porque é usuária de cadeira de rodas.

Dona Wanda vive há anos, muitos e muitos anos, na casa de minha irmã Clélia, mas agora foi passar uma temporada – anos, talvez – com a primeira filha, na capital do Mato Grosso do Sul.

Cleide vive lá ao lado dos filhos Douglas, Diógenes e Débora. Tem a cercá-la, também, as noras, o genro e netos.

Sentiu-se, portanto, no direito e na obrigação de ter a mãe, idosa e a exigir cuidados especiais, sob a guarda dela.

Na hora do embarque, contamos, os três (Dona Wanda, Clélia e eu) com a extrema dedicação de Elton, funcionário exemplar do Aeroporto de Viracopos.

Jovem e bem mais forte do que eu, ele pegou minha mãe no colo, exatamente como havia feito meu sobrinho Gustavo, a retirou de dentro do meu Fit e a colocou na mesma cadeira de rodas.

Em seguida, ele nos levou ao balcão de checagem e depois ao portão de embarque. Negou-se a aceitar recompensa pelo trabalho, disse que havia feito aquilo “por gosto e dedicação ao próximo” e se foi. Não sem antes desejar “boa viagem” às minhas mãe e irmã.

Comovidos, minha irmã e eu, agradecemos da melhor forma que sabemos:

- Deus lhe pague, Elton.

No portão de embarque, finalmente, tive uma grande decepção: a funcionária do aeroporto não me deixou acompanhar minha mãe até o momento final do embarque.

Educadamente, eu ainda disse a ela: “Você tem mãe, não é mesmo?” E como ela confirmou que sim, eu insisti: “Então você deve saber o que estou sentido agora, tendo que me despedir dela aqui, não é assim?”

Ela fez que sim como a cabeça e me desmontou ao dizer, encabulada:

- O senhor precisa entender que eu não tenho autoridade para deixá-lo passar daqui.

O que eu poderia fazer diante de tão exemplar funcionária?

Nada. Absolutamente nada.

Despedi ali mesmo de minhas mãe e irmã, desejei boa viagem a ambas e peguei o caminho de volta para Santos. Nada mais. E fiz a viagem de volta pedindo a Deus que cuide delas e que me permita voltar a ver minha mãe com saúde.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

9/8/2009 21:45:33

sábado, 8 de agosto de 2009

Por quê? (164) Sem peça de reposição


Cláudio Amaral

Certa vez, algo em torno de 1996, uma profissional de Recursos Humanos que me entrevistava para decidir se me contrataria ou não para trabalhar na empresa a que ela servia, me perguntou:

- Por que você quer mudar de emprego?

E eu, ingenuamente, respondi: porque meu diretor é uma pessoa complicada, muito difícil.

E ela, a profissional de RH, quebrou minhas pernas ao me dizer, de pronto, na cara e na lata:

- Todos os seres humanos são complicados.

Diante da minha cara de interrogação, ela emendou:

- Imagine você se todos nós fossemos descomplicados, previsíveis?

E enquanto eu fazia o que ela havia me pedido, ou seja, imaginava seis bilhões de pessoas agindo sempre dentro da mesma lógica e do mesmo comportamento, ela, novamente ela, disparou:

- O mundo seria a maior chatice. Monotonia total.

Deixei o prédio em que funcionava a Reuters, a maior agência de informações do mundo, na região da Praça da Sé, bem no centro financeiro de São Paulo, e voltei com o rabo entre as pernas, pensativo, para a Rua Barão de Limeira e para o edifício 425, onde até hoje funciona boa parte das atividades do Grupo Folha de S. Paulo.

Voltei e fiquei a imaginar que eu merecia um chefe melhor, um diretor menos desequilibrado e mais pragmático. Mais eficiente, também.

Mas, como ele era bem relacionado com o chefe dos chefes, conclui que era mais fácil eu me adaptar a ele do que ele a mim.

Ou seja: ou eu me acertava com ele, ou deveria continuar a procurar outro emprego.

E foi o que eu fiz, indo para o Jornal do Brasil, onde, mesmo tendo um salário 50% maior, quebrei a cara mais cedo do que imaginava.

Tudo isso me veio à mente no meio da tarde deste sábado e a propósito de um comentário que ouvi na Rádio Jovem Pan, em função da morte, na manhã de hoje, de um dos maiores comediantes da atualidade, o português Raul Solnado:

- Ele se foi sem deixar peça de reposição.

E aí eu fiquei a me perguntar: e ele deveria ter deixado peça de reposição?

Imaginei o que seria de nós se todos deixássemos peças de reposição. Um ser humano para ocupar o lugar de cada ser humano que deixasse essa vida terrena.

Como seria a peça de reposição de Raul Solnado? E de Pelé? E de Sarney? E de Lula? E de Collor? Como seria...

Será que a partir daí o ser humano deixaria de ser complicado e imprevisível?

Ou seria exatamente como é hoje e desde o início da Humanidade?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

8/8/2009 23:55:08

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Por quê? (163) Um café, por favor


Cláudio Amaral

Além da chuva, o frio também nos deu uma trégua, aqui pelos lados de Santos e da Baixada Santista.

A quinta-feira amanheceu com previsão de “dia ensolarado” e aos poucos os raios solares foram tomando conta de tudo.

Por isso, mas mais ainda por conta de um compromisso importante, acordei às 6h10, me espreguicei e, antes que me levantasse, tive uma grande alegria.

Uma voz infantil, vinda de cerca de um metro de distância, indicando um sorriso angelical, disparou em minha direção:

- Bom dia, vovô?

Era Beatriz, a netinha que pedimos a Deus, Sueli e eu.

A filha de nossa filha Cláudia, e de Márcio Gouvêa, está a passar a semana por aqui porque a escolinha também pediu férias e que mamães e papais mantivessem os filhos em casa por conta da gripe suína.

Alegria, alegria, alegria.

Nosso apartamento é só alegria, porque Beatriz do Amaral Gouvêa nos enche de alegria pela manhã, à tarde e à noite.

De vez em quando, ela fica com sono e dá uns chiliques. Mas, nada que a vovó não consiga controlar.

Bem, mas voltando ao meu compromisso importante, não demorei a ir às ruas e avenidas de Santos.

Não sem antes, é claro, um gostoso “vai com Deus, vovô”, seguido de um “boa sorte, nono”, porque a “vovó Su”, como ela diz, a ensinou palavras em italiano.

E lá fui eu para um encontro profissional mas amigável com duas pessoas que agora figuram na minha lista de “profissionais respeitáveis”: o advogado e empresário Ronaldo de Souza Forte e o seu jovem e inseparável braço direito Daniel Figueiredo Quaresma, também advogado e respectivamente presidente e diretor Operacional da Santos-Arbitral.

Aproveitando que estava novamente no Centro Histórico de Santos, mais precisamente na Rua XV de Novembro, tomei o rumo da Bolsa e do Museu do Café, em cuja cafeteria sorvi uma xícara da mais apreciada bebida genuinamente nacional.

Fiz mais: enquanto esperava que o café me fosse servido por um atendente caprichoso e eficiente, durante o tempo em que apreciei o sabor da bebida e por pelo menos os 20 minutos seguintes, ou seja, até que paguei a conta, mergulhei na leitura de um livro que, salvo melhor juízo, lerei por outras tantas e incontáveis vezes: “Quebra tudo! Foi para isso que eu vim! E você?”.

A obra foi escrita por Ricardo Jordão Magalhães, um cidadão que se diz “um Revolucionário com mais de 15 anos de atuação na indústria de tecnologia” e se apresenta como “fundador e presidente da BizRevolution”, empresa que pode ser conhecida em detalhes no site http://www.bizrevolution.com.br/.

Animado com o conteúdo de “O manifesto: Quebra tudo! Foi para isso que eu vim! E você?”, que abre o livro e que eu havia lido dentro do ônibus da Circular 04, que me levou do bairro Aparecida, junto ao Canal 6, à Praça Mauá, embalei e li mais cinco textos de “A convocação: de funcionário para revolucionário”: “Para os que têm mais e menos de trinta anos”, “Não interessa se vai levar dez anos, eu vou fazer!”, “Eu quero ouvi-lo daqui a alguns anos”, “Se for preciso, vá contra a empresa” e “Eu não conheço nenhum impedimento”.

Foram 41 de um total de 191 páginas, que espero devorar ao longo de todo o tempo que tiver disponível de hoje para amanhã, quando estarei em São Paulo para conhecer as empresas de um companheiro do curso que frequentamos no dia 28/7/2009 e que nos foi ministrado exatamente pelo autor do livro que promete nos ajudar a quebrar tudo, ainda que a mensagem de Ricardo Jordão Magalhães não seja “uma chamada à destruição, à violência ou à desordem”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

6/8/2009 15:00:03

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Por quê? (162) Em 30 anos!!!


Cláudio Amaral

O frio continua, mas a chuva deu uma trégua, finalmente.

Em Santos, pelo menos.

Pois nem o frio me meteu medo neste início de semana, a primeira do mês de agosto de 2009.

Tanto que, ainda em férias, coloquei roupa boa, capaz de impressionar aos mais exigentes, e fui para as ruas, literalmente, nestas segunda e terça-feiras.

Fui disposto e voltei animado.

Saí de casa (apartamento, na verdade), aqui junto ao Canal 6, no bairro da Aparecida quase Ponta da Praia, por volta da uma hora da tarde de segunda-feira e só voltei depois das 10 e meia da noite.

E em todo esse tempo só fiz gastar solas de sapatos. Ou seja: fiz todos os trajetos andando, caminhando e sem pegar nenhum ônibus sequer. Carro? Nem pensar.

O clima estava ameno, convidativo, tanto de dia quanto de noite.

Fui cheio de vontade e retornei repleto de entusiasmo.

A razão (melhor seria escrever... as razões) foi tudo o que vi e ouvi tanto na Associação de Engenheiros e Arquitetos quanto no Instituto Histórico e Geográfico, ambos em Santos.

No IHG-Santos, vi uma belíssima homenagem a Bartolomeu de Gusmão, o “padre voador”, tido e havido como inventor do balão a ar quente há nada menos que 300 anos.

Na AEAS, presenciei um debate de mais de cinco horas seguidas, sem intervalo algum, a respeito da ligação que o governo do Estado de São Paulo está prometendo, mais uma vez, para facilitar o tráfego entre Santos e o Guarujá, passando pelo maior porto do Brasil e um dos maiores do mundo.

Sob o tema “Túnel, ponte ou ambos? É hora de debater a questão”, vimos e ouvimos – perto de duas centenas de pessoas, entre engenheiros, arquitetos, políticos de quase todos os partidos e municípios da Baixada Santista, jornalistas e outros interessados – apresentações técnicas apuradíssimas de especialistas em pontes e túneis escavados e submersos.

Ouvimos os argumentos e vimos as transparências de gente entendida nos assuntos em debate e muito bem preparadas para o evento.

Mas, quem mais me impressionou – e, espero, a todos os presentes, senão a maioria – foi o professor da Escola Politécnica da USP e presidente do sindicato da empresas de consultoria em Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), José Roberto Bernasconi.

E o motivo é simples, ou não tão simples assim: ele defendeu com a maior veemência possível um planejamento estratégico para os próximos 30 anos – sim, trinta anos!!! – de vida das cidades, dos municípios e das pessoas fixadas e que venham a se fixar na Baixada Santista. Incluindo, segundo Bernasconi, o Litoral Sul e o Litoral Norte.

Só assim, nos disse Bernasconi, teremos condições de aproveitar – e bem – as vantagens que estão nos sendo oferecidas, por exemplo, pela chegada a Santos e adjacências da Petrobrás e de empresas parceiras e associadas em função da exploração do Pré-Sal na Bacia de Santos.

Isso é ou não é suficiente para nos deixar animados, entusiasmados, vibrando... e querendo ficar aqui para sempre, ou pelo menos por tantos anos quantos Deus nos permitir?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

4/8/2009 12:17:57

domingo, 2 de agosto de 2009

Por quê? (161) A Missa de domingo


Cláudio Amaral

Em Santos, neste inverno, faz um frio de espantar pinguim.

Hoje, domingo, 2/8/2009, especificamente, amanheceu tudo encoberto aqui pelos lados do bairro Aparecida: os prédios, as casas, o Canal 6 (que divide Aparecida da Ponta da Praia) e as árvores.

Chuva, como nos últimos 15 dias, felizmente não tivemos nesta manhã.

Acordei por volta das 7 horas e não dei trégua para a baixa temperatura.

Nem para o termômetro eu olhei.

Tirei o pijama, vesti roupa de missa e, mesmo sem o café de todas as manhãs, fui para a... Celebração da Missa.

Sueli avisou que irá à tarde, na missa das 17 horas.

Eu, não.

Eu, hoje, preferi a primeira missa da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, aqui perto de onde moramos, Sueli e eu.

Até porque das 16 às 18 horas estarei ligadíssimo no jogo a ser disputado no Pacaembu, em São Paulo, seja via rádio ou televisão.

A fase do meu Corinthians não é das melhores, mas, como todos os corintianos que se prezam, eu continuo acreditando – e muito – no Timão. Mesmo sabendo que o Avai vem de cinco vitórias seguidas no Brasileirão.

Fui à Celebração da Missa concelebrada pelo padre Toninho e não me arrependi.

Entrei na igreja meio triste, quase cabisbaixo, mas saí sorrindo, de cabeça erguida.

E a todos os amigos e conhecidos que me perguntarem – hoje, amanhã e sempre – as razões que me levam à Igreja e à Missa, eu direi, como tenho dito ao longo dos muitos e muitos anos:

- A Celebração da Missa me faz bem. Me faz bem para o corpo e para a alma. Para a mente e o para o coração.

Sei que nada disso – Igreja, Missa, minha fé em Deus... – poderá se responsabilizar pelos pagamentos dos meus aluguel, plano de saúde e compras no mercado e na feira.

Também estou ciente de que nada disso poderá me devolver os bons empregos e os melhores trabalhos que eu já tive ao longo dos meus 53, quase 54 anos de vida profissional.

Ainda assim eu continuo e seguirei indo à Igreja e à Missa, de preferência toda manhã de domingo.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional.

2/8/2009 11:34:27