segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Por quê? (304) – Até 2013, com a graça de Deus.


Cláudio Amaral

Estamos a caminho do Aeroporto Internacional Dulles, em Washington DC, capital dos EUA. Minha Sueli, nosso genro e Amigo Márcio Gouvêa (marido da nossa Cláudia e ambos pais dos nossos netinhos Beatriz e Murilo) e eu. Temos voo direto para o Aeroporto Internacional Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos.

Irei – sim, pelo menos eu – com o coração nas mãos e cheio de vontade de voltar logo.

Amei tudo o que fiz aqui em Asburn Village desde 8 de maio de 2012.

Aqui frequentei o ESOL Conversation Groups na Ashburn Library, destinado a visitantes estrangeiros e interessados em praticar uma segunda língua, o Inglês.

Aqui pude praticar a condução de veículo automático, que no Brasil havia dirigido apenas uma vez.

Aqui aprendi a pilotar com o uso de GPS, sistema que nunca usei na minha terra.

Aqui voltei a andar de bicicleta e pela primeira vez conduzi uma com marchas.

Aqui conheci gente diferente, entre estadonidentes, espanhóis, mexicanos, peruanos, poloneses, coreanos do sul, indianos, bolivianos, colombianos, argentinos, italianos, iranianos, russos, chineses e brasileiros, muitos brasileiros.

Aqui voltei a caminha diariamente pelas margens do Lake Ashburn.

Daqui vi meu Corinthians ser campeão pela primeira vez da Copa Liberta-As-Dores.

Aqui aprendi a limpar a casa e a cortar a grama.

Daqui fui por vezes a Washington DC para visitar museus e mais museus.

Aqui comprei um computador novo (que uso para escrever essas mal traçadas linhas), roupas e chinelo.

Daqui fui conhecer a vizinhança, principalmente Reston.

Aqui convivi de perto, muito perto, com a parte da família que para cá veio há pouco mais de um ano.

Aqui fui muito, muito, muito feliz.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

24/09/2012 18:04:18 (horário de Brasília)

24/09/2012 17:04:18 (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Por quê? (303) – Only English (final)


Professor John (ao centro, de camisa azul) e a turma do ESOL de 20/9/2012 na Ashburn Library

Cláudio Amaral

Quatro noites antes de pegar o rumo de casa, novamente, encerrei minha participação numa das experiências mais ricas dos meus 62 anos, 8 meses e 17 dias: a frequência nas últimas 20 aulas do ESOL Conversation Groups, na Ashburn Library, uma das unidades da www.library.loudoun.gov, o departamento de bibliotecas públicas do governo do condado de Loudon, Virgínia, EUA.

Tive três Mestres nesta experiência inédita: Bob Eland, Laura e John, todos voluntários na Ashburn Library.

O objetivo do grupo é promover uma conversação informal para pessoas não nascidas nos EUA e querem praticar a língua inglesa como um segundo idioma.

Bob, um senhor peso-pesado, nos animou nas conversas de terça-feira à noite, em geral das 19h às 20h. Nas poucas vezes que ele esteve impedido de comparecer foi substituido pela jovem Laura, formada em Biologia em nível superior.

John, um senhor alto e bem conservado fisicamente, foi o responsável pelas conversas de quinta-feira pela manhã, como neste dia 20 de setembro de 2012. Ele sempre esteve conosco a partir das 10h. Muito bem organizado, trouxe-nos toda vez um plano de aula. E o cumpriu integralmente, ainda que para isso fosse obrigado a dar uma hora e meia ou mais de aula.

Durante as 20 aulas que frequentei, convivi com gente da Irlanda, Índia (o maior grupo de interessados), Coréia do Sul, México, Taiwan, China, Afeganistão, Bolívia, Peru, Argentina, Espanha, Turkmenistão (Leste Europeu), Turquia, Vietnan, Alemanha, Iran, Colômbia (como a jovem Carolina, que me pediu para ensinar Português a ela) e Polônia (os jovens Ilona e Lukas, com quem troquei mensagens pelo correio eletrônico).

Do Brasil, apenas eu e a jovem Beatriz, que compareceu a apenas duas aulas e pouco conversou comigo, infelizmente.

Com Bob as conversas raramente tinham temas. Eram levadas ao sabor dos ventos, descontraidamente. Laura nos apertava nas pronúncias e na aula de 18 de setembro de 2012 fez mais: insistiu em nos explicar os significados, também. Sempre em Inglês. Com John tudo era diferente: ele sempre tinha temas para debater conosco e isso ocupava a primeira parte das conversações. Na segunda, eles nos apresentavam definições de adjetivos, advérbios, verbos e substantivos.
Fora das conversações em grupos sempre tivemos liberdade para consultar todo o acervo da Ashburn Library: livros, revistas, CDs e DVDs, dicionários e jornais editados nos EUA. Um acervo riquíssimo. Para adultos e crianças. Os pequenos têm ainda contação de histórias ao vivo. Todos podem se cadastrar junto à biblioteca e levar para casa o que a eles interessar, por empréstimo e gratuitamente. Ou então fazer seus estudos e suas consultas lá mesmo, inclusive pela Internet.

Por tudo isso, garanto que vou sentir saudades da Ashburn Library.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

21/09/2012 00:32:40 (horário de Brasília)

20/09/2012 23:32:40 (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

domingo, 16 de setembro de 2012

Por quê? (302) – De volta à realidade brasileira



Cláudio Amaral

Jamais fiquei fora de casa por tanto tempo. Nunca aproveitei tão bem uma viagem como esta que fizemos, minha Sueli e eu, tanto a nível nacional quanto internacional. Até porque Ashburn é uma localidade planejada, muito bem arborizada, bem administrada e está numa região – London County – das mais agradáveis dos EUA e do mundo.

Saimos de casa, na Aclimação, São Paulo, Brasil, na noite de sete de maio de 2012. E chegamos aos Estados Unidos na manhã do dia seguinte. No Aeroporto Internacional de Washington (Washington Dulles, que tem esse nome em homenagem ao ex-secretário de Estado John Foster Dulles – 1888/1959),  fomos recebidos por Márcio Gouvêa e pela pequena Beatriz, que nos levaram para Ashburn Village, no mesmo Estado da Virgínia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Virginia), onde estamos até hoje na companhia também da filha Cláudia e o pequeno Murilo.

A região nós já conheciamos porque aqui estivemos por 58 dias em 2011, de 19 de setembro a 16 de novembro.

Desconheciamos, porém, a disciplina do povo da Virgínia. Em geral, as pessoas se cumprimentam sempre que se cruzam em público e não jogam lixo nas ruas, nem nas estradas. Os motoristas dão a preferência aos pedestres e aos ciclistas. O tráfego de veículos tem regras claras e as faixas de rodagens extras, tanto à esquerda quanto à direita, facilitam o trânsito. Assim sendo, colisão é uma raridade em Ashburn e nos demais municípios do condado de Loudoun entre os carros, quase todos automáticos e bem conservados.

Tem mais: as vias públicas são limpas e bem sinalizadas, tudo é muito bem planejado e isso dispensa, por exemplo, varredores de rua. A coleta de lixo é feita durante o dia, porque assim o barulho dos caminhões não atrapalha o nosso sono. E os resíduos descartados pelos moradores são divididos em três tipos: orgânicos, recicláveis e vegetais (grama cortada no quintal de casa, folhas e galhos que caem das árvores, por exemplo).

Os funcionários públicos e os órgãos governamentais sabem bem quais são as suas obrigações. E as cumprem corretamente.

Chama a atenção de todos, na Virgínia, o fato de ninguém ter medo de violência. Nas grandes cidades, como Nova Iorque e Washington DC, por exemplo, as coisas são diferentes e todos nós precisamos ter mais cuidados com as nossas posses (dinheiro, cartão de crédito, documentos, etc.) e propriedades. Mas por aqui ninguém pega e se apossa daquilo que não é seu. Nem mesmo a correspondência e os pacotes que a UPS, a FedEx e outros entregadores deixam nas portas das residências.

Biblioteca pública na Virgínia é biblioteca pública mesmo. Tanto que jamais tive restrições na Ashburn Library, mesmo não sendo cidadão dos Estados Unidos e não tendo documento de identificação (Social Securit) emitido pelo poder público local. Participei do ESOL Conversation Groups sem ter que pagar absolutamente nada. Foram 20 participações inesquecíveis, com gente vinda do México, Irã, Espanha, China, Japão, Coréia do Sul, Polônia, Argentina, Peru, Colômbia, India, Bolívia, Rússia, Alemanha, Taiwan e até do Turquenistão (http://pt.wikipedia.org/wiki/Turquemenistão). Além disso tive direito de tomar emprestado e trazer para casa todos os livros, CDs e DVDs que me interessaram. Sempre gratuitamente.

Andarilho sem límites, deitei e rolei em Ashburn. Fui todo dia ao lago existente a menos de 100 metros de casa. Eu e Sueli. E voltamos a pedalar, também, como não fazia desde a infância, quando ajudava meu pai a coletar roupas para lavar na Lavanderia Adamantina, no Interior de São Paulo. Pedalei pelo menos por 20 minutos por dia. E uma vez por semana, nos últimos 40 dias, pedalamos por horas e ao longo de até 30 quilômetros por vez da W&OD (http://www.wodfriends.org/trail.html). Chegamos – minha Sueli, Márcio Gouvêa e os dois netinhos – a cometer a ousadia de ir até o centro de Reston (1833 Fountain Drive) e voltar após uma pausa rápida para o almoço no agradabilíssimo La Madeleine  (http://www.lamadeleine.com/).

Com a segurança que nos dá o povo, as autoridades, os veículos, as ruas e as estradas da Virgínia fomos a praticamente todas as localidades da região: Leesburg, Sterling, Herndon, Reston, Manassas, entre outras. Fomos também conhecer as lindas praias de Virgínia Beach e os parques, museus e um dos principais teatros de Washington DC.

Aqui eu dirigi pela primeira vez no Exterior, no dia 9 de novembro de 2011. E muito mais agora, em 2012, graças às gentilezas da filha e do genro. Até tirei uma carteira internacional de motorista, via Internet, que eu havia tentado sem sucesso junto ao Detran de São Paulo. Esse documento me custou algo em torno de 70 dólares, vale por três anos e me dá o direito de dirigir em quase todos os países do mundo, ou seja, naquelas nações que estão ligadas à ONU.

Na próxima vinda para cá, preferencialmente em 2013, queremos ir a Nova Iorque (que conheci nos anos 1970) e às vinícolas da Virgínia. No mínimo. Quero ainda comprar uma bicicleta bem equipada e um aparelho que me garanta acesso às emissoras de televisão do Brasil, pois desta vez usei uma bike emprestada e a sitonia das TVs foi bem limitada.

Enquanto isso, a situação geral no nosso querido Brasil nos preocupa cada vez mais. Certamente, chegando a São Paulo no próximo dia 25 vamos encontrar tráfego pesado e congestionados, semanas e semanas sem chuva, motoristas sem disciplina alguma e a maioria do povo querendo sempre tirar vantagens sobre os semelhantes.

Isso tudo sem falarmos dos impostos e taxas elevados cobrados pelos governos da União, dos Estados e dos municípios, dos políticos de Brasília – no Executivo e no Legislativo – e dos índices sempre crescentes da criminalidade. E não adianta reclamar. Temos que voltar e ponto final. Voltar e ser feliz. O mais feliz possível.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

16/09/2012 21:54:51 (horário de Brasília)
16/09/2012 20:54:51  (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Por quê? (301) – Desde 1971

Eu e minha Sueli estamos casados desde 5 de setembro de 1971

Cláudio Amaral

Cinco de setembro é uma data especial para minha Sueli e para mim também. Neste dia, em 1971, nos casamos na Capela do Colégio Sagrado Coração de Jesus, na Rua Pernambuco, em Marília, Interior do Estado de São Paulo. Desde então nunca mais nos separamos. Brigas? Sim, tivemos poucas. Mas podes crer: foram bem poucas. E nada que nos obrigasse a dormir separado e a ficar sem nos falar.

Em 15 de julho de 1971, dia em que nos conhecemos, eu era – taxativamente – um caipira de Adamantina, também no Interior paulista. Filho de tintureiro e dona de casa, só não era mais xucro, rude, bronco, porque botara na cabeça que iria ser Jornalista. Sim, Jornalista com J (maiúsculo). E por conta disso lia muito: jornais (ainda que de dias passados), revistas e livros. Ouvia rádio o dia todo.

Sueli era moça esclarecida. Bem mais do que eu. Estudava no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em frente a casa dela, na Avenida Nelson Spiellman. Tinha uma educação rígida, por conta da formação militar do Jornalista José Arnaldo, pracinha na Segunda Guerra Mundial e que escrevia no Correio de Marília e, ao mesmo tempo, era funcionário público na Caixa Econômica Estadual.

Dois Amigos, muito Amigos, foram responsáveis por nosso encontro: Antonio Augusto Neto Filho e José Cláudio Bravos. Eu acabara de chegar a Marília, no dia 6 de janeiro de 1969, e Toninho, Relações Públicas da Prefeitura Municipal, promovia mensalmente uma rodada de pizza na casa dele e da esposa, Marilena. Fui convidado e compareci com o também Amigo Francisco Manuel Giaxa, repórter do Jornal do Comércio, diário mariliense que havia me levado de Adamantina para Marília.

Terminada a festança, e como éramos todos duros, prontos, sem dinheiro, Toninho nos ofereceu uma carona. Foi de casa em casa, deixando um aqui, outro alí. E quando parou para deixar o Zé Cláudio, que ainda era solteiro, virou para mim e disse: “É aqui que mora a grandona”.

Dias depois, exatamente a 15 de julho de 1971, eu vim a saber que a “grandona” não passava de uma baixinha, magrinha… e se chamava Sueli. Era a irmã do Zé Cláudio, na época repórter do Correio de Marília. Soube disso porque eu de um lado e o Zé do outro fomos à mesma sessão do mesmo cinema: às 20 horas, no Cine Pedutti.

Eu estava só, mas ele, não. Ele, acompanhado de uma…, não, de duas moças, que num determinado momento, antes que o filme começasse, sairam para… sei lá fazer o quê. E eu, embora tímido, respirei fundo e fui falar com o Zé.

Lembro-me até hoje o que disse a ele: “O Zé… você com duas e eu sem nenhuma?” Ele pediu que ficasse lá junto dele e prometeu-me apresentar a irmã, porque a outra era namorada do próprio.

Assim que elas voltaram… “Sueli, esse é o meu amigo Cláudio; Cláudio, essa é minha irmã Sueli. E essa é Lúcia, minha namorada”.

Encantado daqui, prazer dali… nos sentamos para assistir o filme, uma produção do Japão que estava para começar. E quem foi que assistiu a película? Eu e ela, não. Conversamos o tempo todo, a ponto de sermos chamados a atenção pelos vizinhos.

Saímos dali e fomos até a Avenida Nelson Spielmann, onde deixei Sueli no portão, a pedido dela, “porque meu pai é bravo até no nome”.

No dia seguinte, como manda o figurino, procurei na lista o número do telefone dela, pelo nome do pai, e liguei. Eu estava na Redação do JC. Nossa conversa foi rapidíssima e não chegou a ser concluída. Fiquei sabendo depois que ela havia passado mal enquanto falava comigo e desmaiado sobre uma travessa de bacalhoada. “Emoção”, perguntei a ela no próximo encontro. “Não, de jeito algum”, me garantiu.

Pelo sim, pelo não, nunca mais nos desgrudamos. Namoramos pessoalmente até o dia em que fui transferido pelo Estadão para a Sucursal de Campinas, em fins de 1970. A partir de então nossos contatos foram por carta. Os telefonemas eram raros e as visitas a Marília aconteciam apenas a cada duas semanas. Eu ia e voltava de trem.

Por isso, apressamos o casamento. Nossos padrinhos foram o Jornalista Irigino Camargo e Dona Zezé, Toninho Neto e Marilena, Flávio Adauto e Zenaide, Luiz Carlos Calegari e a esposa. Isso da minha parte. Ela escolheu os casais José Cláudio e Lúcia Helena, Regina e Marçal Bissolli, Alcindo Braos Padilha e Edwiges, Anselmo Scarano e esposa.

A festa, grande festa, foi no Clube dos Viajantes e às 16 horas já estávamos dentro do ônibus do Expresso de Prata que nos levou de volta a São Paulo.

Fomos morar num “apertamento” de apenas 40 metros quadrados na Rua Dr. Nicolau de Souza Queirós, na Aclimação. Era lá que nos encondíamos quando nasceu Cláudia Márcia do Amaral, hoje casada com Márcio Gouvêa, pais da princesa Beatriz e do pequeno príncipe Murilo. É na casa deles que estamos aqui em Ashburn, Virgínia, EUA, desde 8 de maio.

Quando vieram os meninos – Cássio, nascido a 19 de dezembro de 1974, falecido com 11 dias, em Marília, Mauro e Flávio – já estavamos em outros endereços.

Todos eles foram criados com dificuldades, mas sempre com muito amor. E nós, os pais, temos muito orgulho da educação que tivemos dos pais dela – o saudoso José Arnaldo e a querida Aparecida Grenci Bravos, hoje com 84 anos – e também dos meus: Lázaro Alves do Amaral e Wanda Guido do Amaral, ambos falecidos. Foram eles que nos fizeram pessoas corretas, honestas, respeitosas, carinhosas e cheias de Amor. Religiosas, também.  

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

04/09/2012 18:30:19 (horário de Brasília)
04/09/2012 18:30:19  (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)