sexta-feira, 16 de março de 2012

Por quê? (276) Emoções gauchescas e brasileiras



Minha Amiga Whalmir Anna e Marcelinho, afilhado dela

Cláudio Amaral

As emoções e as alegrias insistem em nos surpreender. As tristezas também. Mas todos temos certeza de que é melhor sentir emoções e alegrias inesperadas. Sempre.

E foi isso que me aconteceu na manhã nublada desta sexta-feira (16/3/2012). Fui à feira e em seguida rumei para o Hospital das Bonecas, no Brooklin, zona sul da Capital paulista.

Fui levar para conserto um aparelho eletrônico que a família de Cláudia, Márcio, Beatriz e Murilo levou para os Estados Unidos, em agosto do ano passado.

Tive dificuldades para chegar ao local, mas evitei me irritar com o tráfego e para isso usei o rádio do meu Honda Fit.

Comecei ouvindo a Jovem Pan. Em seguida, para variar um pouco, para a Estadão/Espn, depois para a CBN e finalmente para a Bandeirantes. Todas em AM, a banda de minha preferência, sempre.

Na volta, continuei a sintonizar a Bandeirantes e a partir daí comecei a me emocionar. Estava no ar o programa do José Luiz Datena, que entrevistava o cidadão Gaúcho da Fronteira ou Heber Artigas Fróis. Ele nasceu em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, no dia 23 de junho de 1947. É um músico brasileiro e um dos mais conhecidos intérpretes de música regional gaúcha, de acordo com o que encontrei no site http://pt.wikipedia.org/.
Entrevistado com maestria por Datena, o Gaúcho da Fronteira nos brindou com uma pérola, que reproduzo a seguir.

Canto Alegretense

Gaúcho da Fronteira

Não me perguntes onde fica o Alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e violão
Prá quem chega de Rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no Rio Ibirapuitã

Houve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduy

E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer
E nos olhos vou levar o encantamento
Desta terra que eu amei com devoção
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão.

Emocionei-me de imediato e por um motivo especial: lembrei-me de uma grande e querida Amiga: Whalmir Anna Fuchs VonKoenig. A conheci quando ela era editora na Folha da Tarde de Porto Alegre e por conta de uma viagem ao Uruguai. Fiz uma parada na capital gaúcha antes de seguir para Montevideo para acompanhar uma participação do Brasil na Copa Davis de Tênis. Era o início dos anos 1980 e a minha COMUNIC assessorava a Marlboro nos bons tempos em que a seleção brasileira tinha os tenistas Carlos Kirmayr e João Soares, entre outros, sob o comando do também Amigo Paulo Cleto.

Voltei a Porto Alegre outras vezes. Só e na companhia de Sueli Bravos do Amaral. Fomos a trabalho e também a turismo. Sempre acompanhados por Whalmir. E curtimos muito a cultura gaúcha. Especialmente a cultura musical. E numa dessas ocasiões, curtimos musicas como essa do Gaúcho da Fronteira, que está à disposição no site http://letras.terra.com.br/gaucho-da-fronteira/1137630.

Ficamos anos e anos sem contato com a nossa Amiga gaúcha. Mas, graças a Deus, voltamos a encontrá-la pelo Facebook. E queremos continuar em contato com ela. Sempre. E para sempre.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


16/3/2012 12:52:14

segunda-feira, 12 de março de 2012

Por quê? (277) As sábias palavras de Padre Toninho



Moisés com as Tábuas da Lei, por Rembrandt


Cláudio Amaral

Os bons oradores sempre estiveram presentes em minha vida. Em Adamantina, em Marília, em Campo Grande (MS), em Franca, em São Paulo e em Santos.

Por sorte (palavra que minha mulher gosta pouco ou quase nada) ou por merecimento (como prefere minha orientadora psicológica).

Pelo sim, pelo não, o certo que me encontrei com bons oradores tanto na Matriz de Santo Antônio, o padroeiro de minha querida Adamantina, onde nasci, quanto na Paróquia de Santa Rita de Cássia, na Vila Mariana, aqui em São Paulo.

O mesmo se deu, por exemplo, na Igreja que frequentei junto ao Colégio Dom Bosco, em Campo Grande. Eu e Sueli, quando ela também estava na capital do Mato Grosso do Sul. Lá, lembro-me perfeitamente, parecia-me que os padres falavam comigo durante os respectivos sermões. Eu chegava a pensar que eles liam os meus pensamentos e compreendiam os apuros que eu passava nos meus tempos de diretor de Redação do jornal O Estado do Mato Grosso do Sul.

Igualmente na Matriz de Franca (SP), cidade para onde me transferi em seguida. Fiz excelentes amizades com os oradores do local e também algo que eu gosto muito: cantar durante as celebrações.

Na Santa Rita de Cássia, aqui em São Paulo, paróquia que eu e Sueli frequentamos há mais de 30 anos, quem mais nos encantou foi Frei Inocêncio, que recentemente foi transferido para a Igreja de Santo Agostinho, a três quilômetros daqui. Ele sempre nos brindou com sermões claros e esclarecedores. Agora, esperamos o mesmo do Frei Cristiano, que o substituiu a partir de 19/2/2012 e a quem conhecemos pouco.

Bem, mas acredito que escrevi demais até chegar ao motivo principal desta crônica.

A razão que me levou a sentar e escrever estas linhas é a viagem que fizemos a Santos entre sexta-feira e domingo.

Ou melhor: o sermão que ouvimos da boca de um dos párocos que mais admiramos desde fins de 2008, quando fomos para a Baixada paulista: o Padre Toninho.

Até às 8h30 de domingo, quando assistíamos a celebração da Missa no Sagrado Coração de Jesus, no bairro da Aparecida, eu – pelo menos eu – tinha conhecimento de que os Mandamentos de Deus eram dez. Apenas e tão somente dez.

Entretanto, ao iniciar o sermão, Padre Toninho nos perguntou:

- Quem sabe quantos são os Mandamentos de Deus?

E todos – ou quase todos nós – respondemos, sem pensar duas vezes:

- Dez.

Estávamos enganados. Totalmente enganados, segundo Padre Toninho.

E ele nos explicou que no Antigo Testamento os Mandamentos eram 613. Sim, seiscentos e treze, entre Mandamentos positivos (mais de 240) e Mandamentos negativos (mais de 360).

Quando ficou patente que ninguém seria capaz de decorar os tais 613, disse Padre Toninho no sermão da primeira Missa de domingo, os Mandamentos foram reduzidos para dez: 1º) Amar a Deus sobre todas as coisas; 2º) Não usar o nome de Deus em vão; 3º) Guardar domingos e festas de guarda; 4º) Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores); 5º) Não matarás; 6º) Guardar castidade nas palavras e nas obras; 7º) Não roube (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo); 8º) Não levantar falsos testemunhos; 9º) Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos; 10º) Não cobiçar as coisas do outro.

Ainda bem que Padre Toninho não nos pediu para recordarmos de improviso os Dez Mandamentos, porque seria difícil. Por isso, certamente, os dez acabaram sendo reduzidos para dois: “Ame a Deus sobre todas as coisas” e “Ame ao seu próximo como a ti mesmo”. E finalmente para apenas um: “O Amor deve prevalecer sobre todas as coisas”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

Em tempo: quem pretende saber mais a respeito do tema deve buscar em http://pt.wikipedia.org/wiki/613_mandamentos.

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


12/3/2012 17:55:27

sábado, 3 de março de 2012

Por quê? (276) Se Prefeito de São Paulo eu fosse...




Cláudio Amaral

Passava um minuto das dez horas da manhã deste sábado nublado na Capital paulista.

Eu descia a Rua Joaquim Távora e estava a chegar na esquina com a Rua Humberto I (Primo ou Primeiro, como você quiser), na Vila Mariana.

Ia a caminho da feira livre instalada junto ao Instituto Biológico.

E naquele local (Joaquim Távora proximidades da Humberto I), ouvi dois garis conversando a respeito da limpeza que faziam nas sarjetas em frente ao prédio de luxo.

Eram uma mulher e um homem.

E a mulher disse ao homem, enquanto ambos lutavam contra a sujeira que teimava em não sair debaixo das rodas dos automóveis ali estacionados:

- Se prefeito eu fosse, pagava para os motoristas desses carros pararem longe das calçadas.

Certamente ela e seu parceiro de varrição queriam ter mais liberdade para ir e vir com as respectivas vassouras. E isso os automóveis não permitiam.

Ato continuo eu me lembrei – e quase falei aos dois – que a Prefeitura, seja de onde for, não tem obrigação alguma de custear estacionamento para quem quer que seja.

E mais: se assim fosse, quem pagaria pelo privilégio dado pela Prefeitura de São Paulo seria ela e ele, os garis. Nós também e todos os demais contribuintes.

O Prefeito, também, porque ele tão contribuinte quanto cada um de nós, embora seja um dos principais privilegiados entre todos os habitantes paulistanos, paulistas e brasileiros.

O ideal, prezados garis, seria que no Brasil a população – incluindo motoristas, transeuntes e habitantes locais – fosse um pouquinho, só um pouquinho mais educados.

Até onde sei e vi em minhas muitas viagens pelo mundo afora, o Brasil é um dos poucos e raros países em que a população joga lixo nas ruas.

Lixo e muito mais.

Imagino que outros países sul-americanos que visitei nos meus 62 anos de vida também sejam assim, também, mas garanto que não vi lixo nas ruas da Argentina (onde conheci Buenos Aires e Baia Blanca), Paraguai e Uruguai.

Uma coisa, entretanto, eu posso garantir: São Paulo, onde vivo há mais de 40 anos, é a cidade que mais tem lixo nas ruas. Muito mais do que todas as outras zonas urbanas que tive como conhecer.

São Paulo, caros garis, tem mais lixo do que eu vi nos meus 18 meses em Santos. E o povo que aqui vive é tão indisciplinado quanto os santistas.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


3/3/2012 14:33:33

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Por quê? (275) Alegria ao volante



Cláudio Amaral

Vibrei. Foi uma das melhores notícias que recebi neste princípio 2012.

Ela, a notícia, chegou pelo correio eletrônico. E veio assinada pelo Dr. Diogo Lins, neurocirurgião que me operou no dia 29/7/2011, no Hospital Sancta Maggiore do Paraíso, em São Paulo.

Emitida às 9h42 de sábado, 25/2/2012, a mensagem foi direta, curta e grossa, como é característica dele:

- A partir de agora, não vejo problemas em o senhor dirigir. O seu risco de ter convulsões é semelhante ao da população geral.

Além de vibrar, dei pulos e mais pulos de alegria.

Uma alegria indescritível, inenarrável.

E tive motivos de sobra para tudo isso: há oito meses eu estava proibido de dirigir.

Tudo começou em julho de 2011, quando sentei em frente ao Dr. Diogo, na clínica dele, na Mooca, ao lado do Hospital Villas Lobo.

Ao meu lado, minha inseparável companheira de mais de 40 anos, Sueli, a mulher que levou o Dr. Gentil Silva a descobrir que eu tinha um tumor na cabeça.

Um tumor que estava me fazendo andar em ziguezague, como um bêbado.

Mais que isso: o tal do tumor estava a comprimir meu cérebro e a fazer com eu tivesse dificuldade para falar como uma pessoa normal e para me lembrar das coisas. Até mesmo das mais corriqueiras.

Foi por isso, eu acredito, que acabei por perder meu emprego na Redação d’A Tribuna de Santos, em meados de 2009. De lá pra cá, jamais voltei a ter carteira assinada com empresa alguma. Fiz apenas alguns trabalhos temporários porque tenho Amigos. Muitos Amigos, como Carlos Conde, Paulo Andreoli e Eduardo Ribeiro. E muitas Amigas, também, como Fernanda Dabori e Tânia Gonçalves.

No dia em que estive com Dr. Diogo Lins, por recomendação expressa do Dr. Gentil Silva, clínico geral do meu plano de saúde (Prevent Senior), ele me mandou voltar para casa, guardar na garagem o meu Honda Fit vermelho como uma Ferrari e ficar sem dirigir até o fim do ano, ou seja, dezembro de 2011.

Só não cumpri esta determinação no dia 9 de novembro de 2011, em Ashburn Village, no Estado da Virginia, nos Estados Unidos. Foi quando minha filha precisou que eu levasse à escola a pequena e linda Beatriz, minha netinha de 4,5 anos na época.

Como o automóvel da minha filha é automático e tem GPS instalado de fábrica, não tive problema algum na ida e na volta. Também porque o tráfego de veículos por lá é dos mais tranquilos e civilizados.

Escrevi no mesmo dia para o Dr. Diogo Lins e tomei a maior advertência dele, via correio eletrônico. Ele considerou minha atitude temerária.

No mais, tirei o Honda Fit da garagem apenas para fazer pequenos trajetos pelas ruas de São Paulo. Só mesmo para levar Sueli ao supermercado e quando ela precisava fazer compras grandes.

Fui, portanto, o mais disciplinado possível.

Agora, quero sair a dirigir por aí, mas sempre com cuidado. Mais cuidado do que o normal. Mais cuidadoso do que nos tempos em que não tinha restrição alguma de ninguém.

Minha próxima vitória, espero, virá novamente do Dr. Gentil Silva e quando ele me liberar do Cloridrato de Sertralina, um remédio que estou a tomar desde quando ele julgou melhor me proibir de tomar alcoólicos. E não é por conta da cerveja, que eu gosto tanto, porque já me acostumei com Líber, sem álcool, fabricada pela Brahma. É por conta da taça de vinho que eu gosto tanto. Uma por semana, apenas.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


26/2/2012 19:10:10

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Por quê? (274) Praia, sol, boa comida e Amigos no Carnaval

Bisa Cida e Sueli saudam um dos seis navios saindo do Porto de Santos (Foto Cláudio Amaral)

Cláudio Amaral

Viajar é sempre bom.

Bem melhor quando se volta a um lugar especial.

Melhor ainda tendo oportunidade de curtir praias ensolaradas, saborear boa comida, sorver bebidas especiais, degustar sorvetes e milho verde cozido, reencontrar Amigas e Amigos.

Foi o que fizemos neste Carnaval: Sueli, Bisa Cida e eu.

Fomos a Santos e de quebra ao Guarujá.

Descemos a Rodovia dos Imigrantes na quinta-feira e subimos na manhã desta quarta-feira, sempre procurando evitar o excesso de veículos em função da Festa de Momo.

A estrada estava livre, felizmente.

Na Capital da Baixada, à qual eu não ia há pelo menos oito meses, em função da minha cirurgia de 29/7/2011, curtimos praia todos os dias, sempre procurando evitar os raios solares fortes do meio-dia.

Revi o Compadre e Amigo Carlos Conde, com quem comi pasteis no Carioca, um dos pontos mais tradicionais do centro de Santos.

Reencontrei também as Amigas e os Amigos da Redação de A Tribuna, local do meu último emprego fixo, com carteira assinada e tudo o mais que eu tinha direito.

Tudo isso na sexta-feira.

No sábado, quando voltamos às praias logo cedo, um acontecimento marcante nos deixou de bocas abertas às margens do Oceano Atlântico: a partida de seis navios gigantescos, do tipo daquele que naufragou na costa da Itália, recentemente. Vimos partir e saudamos efusivamente o MSC Armonia, o MSC Orchestra, o Costa Pacífica, o Costa Fortuna, o Grand Mistral e o Soberano. A cada apito que eles emitiam, eu repetia, relembrando minha netinha Beatriz e os bons tempos em que moramos em Santos:

- Apita, naviozão. Apita. Apita porque seu apito é música para os meus ouvidos.

No domingo, mais praia e sol, muito sol.

A praia do domingo foi no Guarujá, onde fomos rever os Amigos Mário Evangelista e Monica Ribeiro. Aproveitamos para conhecer o novo apartamento deles, comprado recentemente. E também para rever Marcela, uma das filhas do casal, e fazer novos amigos.

Na segunda-feira, ah... segunda-feira, o destaque ficou por conta da comida boa, farta e a preços honestos na Gianne Massas, na Rua Alexandre Martins, logo após o shopping.

Em seguida fomos cumprir o dever cristão na paróquia do Padre Toninho, a Sagrado Coração de Jesus.

Ainda na segunda, Sueli foi rever Amigas na Casinha de Retalhos e eu fui conhecer Irene e Meire, viúva e sobrinha do Mestre Juarez Bahia, meu inesquecível Professor de Jornalismo.

Bahia foi marcante para mim no início da minha carreira como Jornalista, no início dos anos 1970. Ele, já conhecido e famoso, no Jornal do Brasil, e eu um principiante, foca de tudo, no Estadão. Ele na Avenida São Luiz e eu na Rua Major Quedinho, ambas no Centro da Capital paulista.

Foram tempos inesquecíveis. Tempos memoráveis. Como inesquecível foi o encontro com Dona Irene e Meire, em Santos.

A partir de agora, pretendo voltar seguidamente ao Litoral Paulista. Tantas vezes quantas forem possíveis antes da nossa próxima viagem aos Estados Unidos, já definida e devidamente marcada.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


22/2/2012 10:32:21

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Por quê? (273) A maior cidade do Brasil



Cláudio Amaral

Morar na maior cidade do Brasil é difícil, exige muita coragem e determinação.

Viver em São Paulo não é para qualquer um. Não. Definitivamente, não.

Morar, viver e vencer, pessoal e profissionalmente, na Capital paulista requer tudo isso – coragem e determinação – mas também muita ambição e vontade de vencer na vida.

Quando decidi deixar minha cidade natal, Adamantina, no final dos anos 1960, o fiz contra tudo e todos.

Fui para Marília, na mesma região e a maior cidade da Alta Paulista. E em menos de dois anos estava a caminho de Campinas, a convite do Estadão, para ser repórter na sucursal daquela cidade.

Sabia – ou queria, determinadamente – que aquela seria uma passagem rápida, um trampolim para voos mais altos.

Tinha, nos anos 1970/71, o firme propósito de vir trabalhar em São Paulo. E mais especificamente na Rua Major Quedinho, 28 – 5º andar, onde ficava a sede do então maior e mais respeitado diário do País.

Vim solteiro mas de casamento marcado para o dia 5 de setembro de 1971.

De papel passado com Sueli, voltei de Marília e logo fiz planos para vencer – e, se possível – dominar este imenso e complicado agrupamento urbano.

Minha determinação era tamanha que cheguei a ter cinco atividades profissionais ao mesmo tempo.

Por mais que eu gostasse de trabalhar no Estadão, pulei fora assim que oportunidade melhor surgiu para mim.

E só deixei São Paulo quando não tive alternativa aqui e me apareceu posição de trabalho irrecusável.

Estive em Campo Grande (MS), em Franca e em Santos. Jamais, entretanto, abri mão da nossa base paulistana.

A residência que temos na Aclimação, “o bairro mais agradável de São Paulo”, sempre esteve aqui, ainda que eu estivesse em outra cidade.

Gostei muito de Campo Grande, Franca e Santos sem jamais ter deixado de amar São Paulo e aqui viver por toda minha vida.

É essa cidade que me encanta. Pelo seu povo (ainda indisciplinado), pelos seus cinemas, teatros, centros comerciais, comércio de rua e muito mais. Mas principalmente pelos parques públicos que temos à disposição de todos.

Aqui está boa parte da minha família mais próxima e quase todos os meus amigos. A exceção é aquele ramo familiar que hoje (e desde agosto de 2011) vive nos Estados Unidos: a filha Cláudia, o genro Márcio Gouvêa, os netinhos queridos Beatriz (4,7 anos) e Murilo (2 anos).

Nesta cidade tem tanta, mas tanta coisa boa, que seria impossível enumerá-las todas. Uma, entretanto, eu tenho clara na minha mente: o glorioso Sport Club Corinthians Paulista, o meu Timão.

Os políticos pouco me importam. Até porque, se fosse depender deles, não teria chegado aonde cheguei.

Assim como não estaria comemorando e felicitando os 458 anos que São Paulo faz neste 25 de janeiro de 2012.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


24/1/2012 19:24:13

sábado, 14 de janeiro de 2012

Por quê? (272) Tempos difíceis



Cláudio Amaral

Quem me conhece só pelo que sou hoje, desconhece os tempos difíceis que vivi no passado.

Fui criança pobre quando nasci, conquistei tudo o que tenho com muita dificuldade e graças ao apoio que sempre tive dos meus pais (os saudosos Lázaro Alves do Amaral e Wanda Guido do Amaral), da minha mulher Sueli (na foto, acima, ao meu lado), dos meus filhos Cláudia, Mauro e Flávio, assim como dos muitos Amigos e Amigas que conquistei ao longo dos meus 62 anos de vida.

Lembrei-me de tudo isso às 7h da manhã deste sábado, dia 14/1/2012, quando acordei e identifiquei que hoje era (no passado, era) dia do pagamento da prestação do apartamento que eu e Sueli compramos na Rua Machado de Assis, 165, aqui na Aclimação, em São Paulo.

Aquela fase, há quase 40 anos, foi uma das mais difíceis que enfrentamos. Nunca tínhamos dinheiro suficiente para pagar as prestações em dia. Daí o fato de o dia 14 ser marcante e inesquecível. Fazíamos das tripas coração para evitar que a terceira prestação vencesse na sequência, porque aí a situação ficaria preta.

Na época eu era repórter do Estadão e ainda fazia bicos (ou seria biscates?) diversos para completar o orçamento. Revisava textos de livros, escrevia para o saudoso Amigo Meninão, o Álvaro Assumpção, e para a Agência Estado dos Amigos Luiz Salgado Ribeiro, Daniel Pereira e Sircarlos Parra Cruz e também para a Associação Paulista de Município, entre outros.

Quando deixei o Estadão e fui para a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo a situação piorou ao invés de melhorar. O secretário Pedro Tassinari Filho encontrava dificuldades para me contratar e o salário não saia, por mais boa vontade que ele tivesse.

Foi em 1974/75 e me lembro bem, como se fosse hoje, o dia em que apelei para o Amigo Klaus Trench de Freitas, falecido no dia 27/11/2005. Eu o encontrei no estacionamento da Secretaria da Agricultura. Ambos estávamos saindo do trabalho e eu disse a ele:

- Klaus me empresta algum porque não tenho dinheiro para comprar o leite da minha filha Cláudia amanhã cedo.

No ato, o “alemão” enfiou a mão no bolso e me passou uma nota de 50.000 cruzeiros, o dinheiro da época.

Emprestei dinheiro de outros colegas, até o dia em que fui contratado pela Ceagesp, empresa ligada à Secretaria da Agricultura, e paguei a todos, um por um, graças a Deus.

Na época eu já estava morando na Rua Machado de Assis e tinha as prestações do apartamento em dia. Absolutamente em dia.

Sueli sempre completou o nosso minguado orçamento, até que foi trabalhar comigo na COMUNIC, empresa que criei a 21 de agosto de 1978.

Em 1980 ficamos só nós dois como sócios e, salvo um ou outro sufoco passageiro, nunca mais tivemos problemas financeiros sérios.

Graças a Deus!!!

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

14/1/2012 12:15:06