sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Por quê? (191) Desilusão pessoal
Cláudio Amaral
Estou no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Meu relógio de pulso – que Sueli me deu ao voltar da Itália, em fevereiro de 2009 – marca 10h53 do dia 29/1/2010.
Entro na loja da Laselva e busco jornais.
Vejo a capa do Valor Econômico e depois a da Folha de S. Paulo, que, curioso, pego para ver o nome da mulher que dialoga com o presidente Lula, enquanto a comitiva em torno dele caminha por algo que me parece a pista do mesmo aeroporto.
Após ver, uma a uma, as capas de todos os jornais disponíveis e de me deter por instantes n’O Globo, ainda hoje o melhor jornal do Brasil, parto para a bancada de livros.
Foi nesse momento que recebi a abordagem de uma loira de cabelos amarrados atrás, tipo rabo de cavalo.
Alguns poucos centímetros mais alta do que eu, ela me perguntou:
- Você conhece a promoção da loja?
E como eu disse que não, ela me passou uma ficha plastificada e acrescentou:
- Você escolhe duas revistas que costuma comprar na banca e elas serão entregues em sua residência com taxa reduzida.
Sem mais nem menos, neste exato instante eu respondi que há meses deixei de ler revistas.
E sem que a loira me perguntasse, emendei:
“Trata-se de uma desilusão pessoal, você me entende?”
Se ela entendeu ou não, fiquei sem saber.
Sei apenas que ela não aproveitou a deixa espontânea que lhe dei para seguir com a conversa.
No lugar dela eu teria indagado a respeito da minha tal “desilusão pessoal”.
Teria perguntado do que se trata essa “desilusão pessoal”.
Qual o tamanho e ou a profundidade dessa “desilusão pessoal”?
O que essa “desilusão pessoal” tem a ver com as revistas que ela queria mandar para a minha residência?
Agora, às 11h27, enquanto escrevo, fico a pensar:
“Será que ela, a loira, se sentiu constrangida diante da minha afirmação e resolveu recuar?”
“Ou será que para ela a minha tal ‘desilusão pessoal’ soou como algo muito íntimo, a ponto dela não querer se envolver nos meus problemas?”
Pelo sim, pelo não, aqui estou a meditar e a me questionar a respeito da falta de iniciativa da loira da loja.
Por quê?
Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?
(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.
29/1/2010 11:32:09
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Por quê? (190) Vida nova
Cláudio Amaral
Foi colocando ordem em toda a minha vida, pessoal e profissional, neste finalzinho de 2009, que encontrei anotações, por exemplo, que nem mais sabia existir.
A entrevista que fiz com meu Amigo e Compadre Carlos Conde, por exemplo, cometida a partir das 18h25 do dia 20/5/2004, em função de um novo livro em gestação: Como e por que surgem os nossos jornais?
Junto a tal manuscrito, que já digitei e a ele mandei, encontrei um outro, de quatro páginas.
O título é Vida nova.
Nelas, ou seja, nas quatro páginas e sob esse título, me identifico em boa parte.
Outras partes, entretanto, desconheço por completo.
O manuscrito está datado, logo no início: 15/5/2004, 14h50.
A primeira frase é um enigma: “A vida nunca mais foi a mesma depois de 40+40”.
A segunda, também nada tem a ver comigo: “Muitos pedidos de entrevistas, todos negados”.
Na terceira, uma certeza, mas ainda assim enigmática: “Ele queria paz, sombra e água fresca”.
Ele? “Ele quem, cara pálida”, como diria meu Amigo Daniel Pereira, jornalista como eu e meu parceiro de tantas jornadas.
E assim segue o manuscrito, que, sim, tem a minha letra:
- Dinheiro? Sim, precisava de dinheiro, mas aquela não era hora de pensar em dinheiro. Era hora de pensar nos 40+40, de tirar lições da experiência, de olhar bem de frente para a família, de curtir a netinha.
Netinha? Mas minha querida e amada netinha, a Be(bê)atriz, só veio a nascer no dia 12/6/2007. E tem mais: em maio de 2004 minha filha Cláudia, a mãe dela, nem era casada.
Essa, entretanto, é uma outra questão. O que interessa, no momento, é decifrar o enigma do manuscrito que acabo de encontrar e que tem a seguinte sequencia:
- Ele queria ter tempo também para fazer as atividades que mais gostava: andar a pé pelo bairro onde morava desde 1971, visitar e conversar com os amigos, viajar de carro.
Nesta parte eu me identifico, sim. E na próxima também:
- Depois, talvez, ele fosse fazer algo que havia descoberto que gostava: ensinar. Ensinar com paciência, porque antes ele dizia que não tinha paciência para ensinar. Especialmente se tivesse que ensinar a mesma tarefa mais de uma vez. Agora, sim, estava disposto.
Nesta próxima, a identificação comigo é maior ainda:
- Queria escrever. Escrever, sim. Dar entrevista, não. Ele sabia bem o que os entrevistadores faziam com os entrevistados.
Tem mais. Mais manuscrito e mais identificação:
- Queria ler. Ler todos os livros que acumulara ao longo dos anos. Até reler alguns, como “Quem ama não adoece”, emprestado pela terapeuta.
Qual terapeuta? No manuscrito ela não está identificada, mas, se for a minha, ela se chama Marta Maria Peretti e neste momento deve estar em férias junto à família, em Presidente Prudente (SP).
- Queria terminar a leitura do livro sobre Barcelona, emprestado pela amiga Lucila (Cano?).
- Queria ler um outro emprestado da terapeuta: “O Romance”, de James A. Michener.
Queria mais, de acordo com o que leio agora no manuscrito de minha autoria:
- Queria sair pelo interior do Brasil ensinando tudo o que aprendera em 36 anos de Jornalismo, desde 1º de maio de 1968, quando fizera a primeira reportagem, em Adamantina (SP).
Essa parte tem tudo a ver comigo: Jornalismo, 1º de maio de 1968, primeira reportagem em Adamantina. Tudo a ver.
Mas, vamos em frente:
- Queria ajudar os amigos a vencer o desemprego, que atingia números fantásticos no Brasil: só em São Paulo, capital, eram mais de dois milhões no início de 2004. E muitos amigos dele estavam sem emprego, apesar das promessas de Lula e de Serra nas eleições de 2002: “Criarei mais de 10 milhões de empregos”.
“Criaremos como, cara pálida?”, perguntaria novamente Daniel Pereira.
Uma outra parte do manuscrito tem tudo a ver comigo, embora não possa garantir que sou eu o personagem da história:
- Queria estudar Teatro, um sonho desde a juventude, quando subiu ao palco do circo que todo ano era montado em frente à casa dele, em Adamantina.
Opa! Essa parte também tem tudo a ver comigo.
A seguinte, entretanto, me deixa em dúvida:
- Recebeu convite para fazer cinema.
Afinal, o convite que recebi em relação a “fazer cinema” se referia a um curta metragem, mais experimental do que profissional.
A próxima parte, então, é sonho puro:
- Escreveu um livro dos 40+40 e ganhou muito dinheiro. Fez muitas doações em segredo. Deu muitas entrevistas, finalmente. Deu conferencias, porque falar em público ele gostava desde jovem, na Seicho-No-Iê, em Adamantina. Viajou muito. O Brasil todo. Ficava horas respondendo perguntas da platéia. Só ia embora quando todos tinham feito perguntas. Dava autógrafos sem pressa, porque achava um desrespeito fazer isso às pressas, impessoalmente. Sempre escrevia o nome do solicitante e uma mensagem diferente, por menor que fosse o papel que lhe era apresentado.
Sonho. Sonho puro.
Por fim, algo que me parece real:
- Ia aos jogos do Corinthians. Insistia em ir, especialmente ao estádio do Pacaembu, porque lá reencontrava os amigos dos tempos de reportagens esportivas pelo Estadão (1970/75).
Diante disso tudo, eu fico a imaginar se não teria sido esse manuscrito uma tentava de misturar a ficção com a realidade.
Por quê?
Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?
(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.
31/12/2009 16:27:14
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Por quê? (189) Papai Noel
Cláudio Amaral
Estávamos numa quinta-feira, dia 17/12/2009.
Sueli e eu havíamos subido a Serra do Mar para passar em São Paulo as festas de fim de ano.
Como quinta-feira é dia do rodízio do nosso FIT Honda, embarcamos no Metrô na Ana Rosa e desembarcamos no Alto do Ipiranga, a última (ou seria a primeira?) estação da linha verde.
Ao chegar ao Condomínio Chácara Santa Cruz, na esquina da Rua Assunguí com a Santa Cruz, fomos abordados por um conhecido que havia se vestido de Papai Noel em 2008.
Ele foi direto ao assunto: disse que estava à procura de alguém que quisesse ser o Papai Noel da garotada em 2009.
Disse mais: que eu tinha “o perfil físico ideal”, ou, como diria meu diretor de interpretação Nill de Pádua, nos bons tempos de Oficina de Atores Nilton Travesso, lá pelos idos de 2004, o “physique du rôle” de Papai Noel.
Mesmo sem saber se Gilberto, que se vestira de Papai Noel em 2008, estava a me elogiar ou me depreciar, continuei a ouvi-lo atentamente.
Ele contou que havia tido a ideia no momento exato em que nos viu, a mim e a Sueli, ultrapassar a portaria do condomínio onde vivem minha filha Cláudia, meu genro Márcio Gouvêa e minha netinha Beatriz.
Qual ideia?
A ideia de me convidar para que eu me vestisse de Papai Noel.
Gilberto explicou que gostara da experiência, ano passado, mas estava com um “pequeno problema”: a maioria da garotada já sabia que seria ele o Papai Noel.
Isso quebraria o encanto, segundo ele.
Topei no ato.
Topei sem pensar.
Foi tão rápido, que Gilberto nem acreditou e me perguntou:
- Você topa? Topa mesmo?
Aceitei a missão e daí em diante foi só alegria e diversão.
Com base na experiência do ano passado, Gilberto me deu todas as dicas: me levou para trocar de roupa na sauna (que felizmente não estava funcionando naquele dia), fixou um travesseiro na barriga, ajeitou a barba branca e o chapéu vermelho, me explicou o que fazer com as calças e como manipular o saco de presentes (balas e pirulitos).
Gilberto me orientou inclusive como tratar a garotada quando eu chegasse ao salão da juventude.
- Você pega a criança e coloca no colo, pergunta o nome e o presente que ela pediu ao Papai Noel. Pergunta também se ela se comportou ao longo do ano e se acredita que mereça o que pediu. No fim, enfia a mão direita no saco de balas e pirulitos.
Foi moleza.
O duro foi aguentar o calor que sentia dentro daquela roupa de Papai Noel.
Mas isso não foi o mais difícil.
O mais difícil foi disfarçar o suficiente para que a pequena Beatriz do Amaral Gouvêa, de dois anos e meio completados no dia 12, não descobrisse quem era o Papai Noel.
Por quê?
Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?
(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.
21/12/2009 13:12:32
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Por quê? (188) Um texto, por favor
Cláudio Amaral
Há exatos 40 dias eu não escrevo um único texto para este meu blogue.
O último texto que aqui postei foi escrito exatamente às 15:15:58 do dia 20/10/2009.
Nunca mais senti vontade de me abrir com meus possíveis leitores.
E sabe o que é pior: nenhum deles sentiu falta dos meus escritos.
Se sentiu, também, não se manifestou.
Triste, não?
Hoje, último dia do mês de novembro, resolvi olhar para o meu blogue.
Olhei e descobri que o mês de novembro estava no fim e que iria acabar sem que eu houvesse postado um único texto sequer.
Nestes 40 dias eu me dediquei a inúmeras atividades.
Inúmeras ou diversas?
Sei lá.
Sei apenas que cuidei do blogue do meu sogro, o jornalista José Arnaldo: http://josearnaldodeantenaebinoculo.blogspot.com/.
Sei também que me dediquei o mais que pude à pesquisa da vida e da obra do empresário português João Antunes dos Santos.
Sei ainda que empenhei aos estudos da vida nacional por conta de um curso que ganhei de presente da Adesg, a Associação dos Estagiários da Escola Superior de Guerra, via representação em Santos.
No mais?
No mais me dediquei a andar nas praias de Santos, a folhear alguns poucos exemplares de jornais, a ver televisão, a ouvir rádio, a muitos contatos com amigos e conhecidos, a ler e responder minha correspondência eletrônica.
O que mais?
Ah, sim, tem mais: li livros.
Li diariamente.
E isso me deixa satisfeito, alegre, feliz...
Por quê?
Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?
(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.
30/11/2009 14:14:18
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Por quê? (187) Um plano de defesa antiaérea, por favor
Cláudio Amaral
A área brasileira de Pré-Sal só não colocará em funcionamento um plano de defesa antiaérea se não quiser.
O plano está feito e foi apresentado na manhã desta terça-feira, dia 20/10/2009, no auditório da Codesp, a Companhia Docas do Estado de São Paulo, na região portuária de Santos, a Capital da Baixada Santista.
O autor intelectual e apresentador do plano é o general de brigada Nelson Santini Júnior, paulista de Campinas, há 30 anos no Exercito brasileiro e atual comandante da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, sediada no Forte dos Andradas, na Praia do Monduba, no Guarujá, na margem esquerda do Porto de Santos.
O general Santini falou em detalhes sobre o plano que idealizou. E usou o máximo de detalhes possíveis.
Falou das 9h17 às 11h02 para um auditório totalmente lotado, e atento.
Santini elogiou o presidente Lula e o ministro da Defesa, Nelson Jobim: “Estamos caminhando em 5 anos os 50 que caminhamos para trás”. Mas também não deixou de dar alfinetada em ambos: “O plano está pronto. Só falta a vontade e a decisão políticas”.
A vontade política, no caso, será necessária para decidir pela implantação do plano e fazer um investimento de 620 milhões de dólares exatamente na defesa antiaérea idealizada por Santini: 500 milhões de dólares na compra de 5 baterias antiaéreas de médio alcance; 60 milhões de dólares em 12 baterias de baixo alcance e 36 radares da marca Saber.
Com esse investimento, o comandante da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea acredita que o Brasil terá logística para defender o Pré-Sal por dez anos.
Ao longo desse tempo, diz Santini, será preciso fazer apenas a manutenção de homens, sistemas e equipamentos.
Teremos, assim, uma área protegida de 160 mil quilômetros quadrados – a área da Bacia de Santos –, ou seja, 200 quilômetros de largura por 800 quilômetros de comprimento, de Santa Catarina ao Espírito Santo.
Essa área incluirá, por exemplo, os dois maiores poços de extração de petróleo da Bacia de Santos: Tupi e Iara.
O general Santini espera ser autorizado a instalar em cada plataforma, em Tupi e em Iara, quatro soldados munidos de lançadores de mísseis.
O esquema se repetiria em cada uma das 11 refinarias da Petrobras em funcionamento em território nacional, onde também seriam implantados quatro soldados com lançadores de mísseis e radares suficientes para cobrir 36 quilômetros quadrados (de cada refinaria).
Usando como outro exemplo a cidade de Santos, Santini garantiu ao público que foi ouvi-lo na sede administrativa do Porto de Santos que seis soldados e as respectivas baterias antiaéreas defendem o município.
Reconheceu que isso ainda não é tudo o que o Brasil precisa e defendeu a necessidade de uma união: “Sem as forças do Exercito, da Marinha, da Aeronáutica não faremos defesa antiaérea”.
Nem assim, entretanto, as forças armadas estarão completas, na opinião do general Santini: “Precisamos sempre da Polícia Militar, por exemplo, porque a PM tem efetivos treinados e armados para o combate, como tem acontecido no Rio de Janeiro”.
Santini usou o caso recente do Rio de Janeiro, onde um helicóptero foi abatido por milícia de traficantes, para mostrar o clima que imagina ser possível em torno do Pré-Sal.
Ele lembrou que o Brasil caminha firme para um lugar de destaque entre os maiores produtores de petróleo e gás do mundo. Disse também que a água é cada vez mais escassa no nosso planeta. E que, paralelamente, o governo brasileiro luta por um posto definitivo no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
“Diante de tudo isso, alguém acredita que o Brasil ficará livre de ataques terroristas internacionais?”, indagou Santini. E acrescentou: “Por que ficaríamos, se todos os países com lugares garantidos no Conselho de Segurança da ONU sofrem ataques terroristas?”
Antes mesmo que alguém dissesse que 620 milhões de dólares é muito dinheiro e que o plano antiaéreo do Pré-Sal não será necessário, Santini se adiantou: “Estou pedindo apenas 0,4% do valor agregado dos dólares investidos na exploração do petróleo do Brasil” e “cumprindo com a minha obrigação de comandante da Brigada Antiaérea: mostrar o que é defesa antiaérea”.
Usando uma frase de efeito que tem repetido seguidamente entre amigos, Santini disse: “Santos não será a primeira área do Brasil a ser destruída; será a primeira a ser defendida”.
E por fim lançou mão da Bíblia, como também faz sempre que pode: “Se você quer a paz, prepare-se para a guerra”.
Por quê?
Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?
(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.
20/10/2009 15:15:58
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Por quê? (186) Um novo livro, por favor
Cláudio Amaral
Há quatro dias, muito a contragosto, conclui a leitura do livro de Ruy Castro, organizado por Heloisa Seixas e chamado O Leitor Apaixonado – prazeres à luz do abajur.
Era sábado, dia 3 de outubro de 2009, exatamente a data de mais um aniversario de Sueli, a primeira e única.
Foram, contados, um a um, exatos 30 dias de “prazeres à luz”, 30 dias em que me senti exatamente como o título da obra: um “leitor apaixonado”.
Por vezes, à luz do dia, embora os dias de Inverno, aqui em Santos, tenham sido pouco claros e os dias de Primavera menos ainda.
Por vezes, à luz elétrica, no escritório, na sala, no quarto e, na maior parte do tempo, no banheiro, onde a leitura corre solta e o tempo parece não passar.
Foi um dos raros livros em que eu avançava na leitura pedindo para recuar.
Um livro que Ruy Castro e Heloisa Seixas, ambos jornalistas e escritores, marido e mulher, deveriam tomar como exemplo de obra obrigatória.
Heloisa nos disse durante a “Tarrafa Literária”, no dia 4 de setembro de 2009, no Theatro Guarany, um dos templos da história cultural de Santos, que Ruy foi contra a publicação de O Leitor Apaixonado.
Mas, como sempre acontece com os homens diante da insistência das mulheres, ela acabou vencendo a batalha e o livro está aí, à disposição de todos os leitores apaixonados do Brasil e demais paises de língua portuguesa.
Comecei a leitura no mesmo dia em que ele, o autor, me fez uma dedicatória que lembra nossos sofrimentos durante a série de espetáculos batizados de “Chega de Saudade” e que rodou, pela ordem, o Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília.
Sofremos com a escassez de dinheiro e a abundância de desorganização, mas nos alegramos com a oportunidade rara de ver nos palcos tanta gente boa e talentosa: Zimbo Trio, Pery Ribeiro, Carlinhos Lyra, Claudette Soares, Luiz Eça..., sempre sob o comando da dupla Ronaldo Bôscoli e Luiz Carlos Miéli.
Pelas páginas de O Leitor Apaixonado – prazeres à luz do abajur me foi possível conhecer mais detalhes a respeito da Semana de Arte Moderna de 1922, a Ipanema de 1920, as noites da Lapa, como aprender “ingrês” com Millôr Fernandes e Pedro Carolino, três brasileiros (Nelson Rodrigues, Carlos Heitor Cony e Paulo Francis) e um jornal (o Correio da Manhã), a turma do Algonquin, as capas das revistas New Yorker e Esquire e muito, muito mais.
Em O Leitor Apaixonado – prazeres à luz do abajur tem até aula para “aspirante a biografo”, posição em que me coloco há anos, muitos anos.
Agora, terminada a leitura desta obra de Ruy Castro, me vejo numa situação incômoda e inédita: apegado a esse volume de papel impresso em formato de livro; apegado de tal forma que não quero, de jeito algum, dispor dele em favor de amigos e colegas que o desejam tanto ou mais do que eu.
Por quê?
Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?
(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.
7/10/2009 10:35:35
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Por quê? (185) Mais um ano, por favor
Cláudio Amaral
Hoje, 29 de setembro de 2009, é mais um dia especial para mim.
Daqueles dias que serão difíceis de esquecer.
Para mim e, espero, para dois grandes amigos que estão comigo em Santos.
Viemos, os três, há exatamente um ano, pelo mesmo motivo: trabalhar na Redação do maior e mais importante grupo de comunicação de Santos e da Baixada Santista.
Meu chefe e eu, na Redação de A Tribuna.
Nosso outro Amigo, na Redação do Expresso Popular, mas sob a mesma chefia.
Wilson Marini, o chefe, foi convidado e nos convidou.
A mim, como Editor-Executivo de A Tribuna.
Mário Evangelista, como Editor-Executivo do Expresso Popular.
Viemos e, tão logo foi possível, trouxemos as respectivas famílias.
Para nossa alegria, fizemos um grupo familiar unido e amigo.
O grupo cresceu ao longo do tempo, mas o núcleo inicial permanece unido e amigo.
Alugamos casas (Marini e Evangelista) e apartamento (no meu caso) na mesma região de Santos: Mário e eu, na Aparecida, junto ao Canal 6; Marini, na Ponta da Praia, próximo ao Canal 7.
Os almoços, os jantares, os cafés, as festas, enfim, passaram a ser de todos: Mônica, Marcela, Mariana, Helô (pelo lado de Mário, o “Gatão”), Sueli, Cláudia, Márcio Gouvêa, Beatriz, Mauro (pelo meu), Salete, Samuel, Nadia e Glauco (pelos Marini).
Foram festas e mais festas (com direito à passagem de ano na praia), porque cada encontro era uma festa, um acontecimento.
Corporativamente, o grupo se desfez, por um tempo.
Primeiro, porque eu fui dispensado pela diretoria e deixei de fazer parte da Redação de A Tribuna no dia 17/6/2009.
Depois, porque Marini também teve o mesmo destino, dia 14/8/2009.
Mário Evangelista, felizmente, continua comandando a Redação do Expresso Popular e o faz com dedicação e competência. E segue também sendo nosso vizinho e Amigo, mais Amigo do que nunca. Ele, Mônica, Marcela, Mariana, Helô...
“O futuro a Deus pertence”, como disse certa vez algum filósofo que a história não registrou com precisão (nem no Google).
O certo, entretanto, é que eu e Sueli estamos a fazer todas as “mágicas” possíveis e imagináveis para continuar em Santos. E cá ficaremos até quando nos for possível. Se possível, até o fim da vida. Com a graça de Deus e o apoio de todos os nossos. Inclusive Dona Cidinha, a melhor sogra do mundo, que também se mudou para Santos, em definitivo, em julho.
Por quê?
Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?
(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.
29/9/2009 11:03:00
Assinar:
Postagens (Atom)
