terça-feira, 16 de novembro de 2010

Por quê? (216) Preciso me animar


Cláudio Amaral

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa se animar?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa renovar suas forças?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa erguer seu moral?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa descobrir novos caminhos?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa encontrar um novo trabalho?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa encontrar um novo emprego (se é que é isso que você está a precisar)?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa mudar de casa e ou a rua e ou do bairro em que mora?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa trocar de carro?

O que você faz, caro e-leitor, quando está sem dinheiro?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa de novos amigos?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa renovar os seus amigos?

O que você faz, caro e-leitor, quando não consegue sequer olhar para os seus livros?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa renovar o seu prazer pela leitura de jornais e ou revistas?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa deixar de se prostar diante da televisão?

O que você faz, caro e-leitor, quando percebe que está deixando se levar pela emoção excessiva do futebol (ou de outros esportes)?

O que você faz, caro e-leitor, quando está se sensibilizando excessivamente com as emoções de outras pessoas?

O que você faz, caro e-leitor, quando percebe que está perdendo o controle das emoções com outras pessoas?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa recuperar imediatamente o seu eixo (como fez Suplicy certa vez)?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa de ajuda de alguém bem próximo?

O que você faz, caro e-leitor, quando percebe que uma – e apenas uma – pessoa pode te ajudar?

O que você faz, caro e-leitor, quando precisa parar e pensar seriamente em si mesmo, e só em si mesmo?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

16/11/2010 17:36:27

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Por quê? (215) O lixo que incomoda


Cláudio Amaral

Andando a pé pela Capital Paulista, no início desta tarde de segunda-feira (1/11/2010), ao lado do meu genro, o primeiro e único, comentei com ele: “O lixo desta cidade me incomoda”.

Pela reação dele – ou seja, nenhuma – nada o sensibilizou.

Estávamos subindo às margens da linha verde do Metrô, no sentido Imigrantes-Alto do Ipiranga.

Vínhamos da loja da SP-Japan, uma concessionária Honda que fica no lado direito do Riacho do Ipiranga, rumo ao litoral paulista.

Tínhamos ido até lá para levar para revisão o automóvel de minha filha, mãe da Beatriz e do Murilo.

E como meu genro reação nenhuma teve com minha observação a respeito do lixo que tanto incômodo me causa, continuei a pensar no assunto.

Repassei de memória os oito meses que vivi em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, entre agosto de 2004 e março de 2005, quando o prefeito era o italiano que hoje governa do Estado, de nome André Puccinelli (PMDB).

Fiz o mesmo em relação a Franca (SP), onde morei e trabalhei de abril de 2005 e junho de 2006. O prefeito em questão também era do PMDB, Sidnei Franco da Rocha.

Por coincidência, Santos, onde morei de outubro de 2008 a dezembro de 2009, também tem como prefeito um político do PMDB, de nome Tavares Papa.

E daí?

Daí que Campo Grande e Franca eram cidades limpas, bem cuidadas, mas Santos... não.

Santos só não era mais suja do que São Paulo porque é menor.

E eu continuei puxando pela memória.

Puxei tanto, mas tanto, que acabei desenterrando dois amigos muito queridos: Aloísio de Freitas e Carlos Ceneviva.

Ambos tinham fortes ligações com o assunto lixo.

Nenhum dele era lixeiro, não.

Tinham ligações com o assunto porque um jogava o lixo pela janela do carro; o outro, dentro do automóvel, até mandar lavar.

O primeiro morava e trabalhava em São Paulo, Capital. E agia assim porque acreditava que “pagando impostos” tinha o direito de sujar a cidade.

O segundo, na época, também pagava impostos – altíssimos, por sinal – mas morava no Canadá. E no Canadá não se brinca com lixo na rua.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

2/11/2010 15:13:56

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Por quê? (214) O futuro do Planeta


Cláudio Amaral

Há mais de 60 anos, quando nasci, essa história de futuro do Planeta era coisa sem importância.

Ou melhor: praticamente sem importância.

Hoje, em pleno século 21, esse é o assunto mais importante do momento.

Pois bem: esta semana, na fila do caixa do Pão de Açúcar da loja da Rua Domingos de Moraes, quase esquina com o Largo Ana Rosa, presenciei uma brava discussão a respeito.

O assunto?

Exatamente este, ou seja: o futuro do Planeta.

E cada um tinha um caso para contar.

A moça do caixa falou que as duas sobrinhas só queriam saber qual é o Planeta que elas vão herdar.

Minha mulher contou que Beatriz, filha de Cláudia e Marcio Gouvêa, vive dizendo que é inadmissível (embora ela nunca tenha usado exatamente esta palavra) jogar papel higiênico no vaso sanitário, por exemplo.

Eu também entrei na conversa para falar que Marcela (ou seria a Mariana?), uma das filhas dos meus amigos Mario Evangelista e Mônica Ribeiro, é a maior fiscal do meio ambiente em matéria de economia de água, entre outros temas.

Uma cidadã ao lado quis saber: “Por que é que tem gente que não aceita levar sacolinhas de plástico?”

E no ato minha mulher perguntou: “Você já viu como anda a poluição do Oceano Atlântico?”

Não, ela não havia prestado a atenção.

Como ela, milhões de pessoas ignoram as consequências do uso indiscriminado daquelas sacolas que pensam ser tão úteis.

E assim caminha a humanidade.

Caminha apressadamente para o abismo.

Ou não?

Cada vez que saio às ruas da minha cidade eu fico horrorizado com a sujeita, porque vejo lixo para todos os lados.

Não é por acaso que os cuidados com o meio ambiente estão crescendo cada vez mais, mais e mais.

Mas isto é suficiente para deixarmos um mundo melhor para nossos filhos?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

28/10/2010 18:57:15

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Por quê? (213) O prazer de usar gravata


Cláudio Amaral

Você conhece alguém que tem prazer de usar gravata?

Gravata, camisa (branca, de preferência), um terno bem cortado e costurado, um par de meias e outro de sapatos?

Pergunto porque – sempre que pude – trabalhei assim.

E hoje, voltando da padaria Recanto Doce, aqui do bairro da Aclimação, na zona sul de São Paulo, onde moro, meu olhar foi atraído por um senhor da minha idade (algo em torno de 60 anos).

Ele caminhava em sentido contrário ao meu, na Rua Paula Ney, logo após a feira de terça-feira frequentada por Sueli, minha mulher.

E com isso me fez lembrar dos meus bons tempos de terno e gravata, mais camisa branca, meias e sapatos pretos (ou marrom, sabe-se lá).

Gostava tanto de usar gravata que até quando não era obrigado eu usava.

Na minha primeira apresentação pública, em Bastos, no Interior paulista, por exemplo, quando me coloquei a defender uma tese perante os olhares de centenas de olhinhos puxados de seguidores da Seicho-No-Iê.

A gravata era fininha, de duas tiras, tal qual eu vim a usar na apresentação seguinte, em São Paulo, antes de voltar a me mudar para cá.

Era uma gravata bem diferente das que eu viria a adotar no meu casamento com Sueli, por exemplo.

Na época eu gostava tanto de usar gravata que aproveitava todas as oportunidades que me apareciam.

Só evitava ir aos estádios de futebol de gravata, tal qual faz hoje em dia o treinador Wanderley Luxemburgo.

Assim que troquei a reportagem do Estadão pelo meu primeiro cargo de chefia, na Assessoria de Divulgação do Gabinete do Secretário da Agricultura, passei a usar gravata todo dia útil.

E assim foi ao longo de todos os meus anos até recentemente.

Foram quase 40 anos de trabalho.

Fiquei receoso apenas quando o primeiro-irmão de um presidente da República me encarou julgando que eu era o diretor da sucursal de São Paulo do Correio Braziliense.

Como eu não era o diretor mas apenas o chefe de redação, aquilo me fez repensar o meu traje – aí incluindo a tão comentada gravata.

Mas a dúvida foi passageira.

Logo eu voltei a usar gravata sem receio e fiquei à vontade.

Minha última aparição em traje completo foi no dia 11 de outubro de 2010, por ocasião do casamento da filha de um grande e saudoso amigo, Carlucho Maciel (Eliane com Tiago).

Naquele dia eu me vesti da cabeça aos pés tal qual nos dois principais e mais importantes casamentos a que compareci: o de minha filha Cláudia com Marcio Gouvêa no dia 29/7/2006 e o de meu filho Mauro com Vivian Heinrichs em 30/1/2010.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

19/10/2010 15:25:47

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Por quê? (212) Minha diferença


Cláudio Amaral

O acesso à garagem existente na Rua Gregório Serrão, 51, aqui na Aclimação, tem sido minha diferença desde o dia 17 de dezembro de 2009.

Foi naquele dia que Sueli e eu nos vimos obrigados a deixar o apartamento 71 do edifício de número 555 da Avenida Dr. Epitácio Pessoa, junto ao canal 6, em Santos.

Hoje (15 de setembro de 2010), por exemplo, fiquei três horas sem ter como sair da garagem de casa, que fica exatamente na Rua Gregório Serrão, 51.

O motivo foi a desatenção (ou algo parecido) de um motorista de um Kadet de cor preta.

O motorista colocou seu veículo a obstruir quase um metro da porta de entrada da garagem do meu Honda Fit vermelho (como uma Ferrari).

Abri a porta de minha residência, liguei a televisão e ali fiquei à espera dele, o motorista.

Mais de uma hora depois – e contrariando meus princípios – estampei um aviso no para-brisa do automóvel dele.

Almocei na sala, com o prato nas mãos – também contrariando meus costumes.

E nada.

Logo após o almoço, o motorista apareceu.

Corri em direção ao portão da área de casa e chamei: “Amigo, amigo...”.

Ele percebeu minha presença, entrou rapidamente no carro, deu partida e acelerou.

Acelerou duas vezes para trás e só na terceira é que conseguiu ir para frente.

Certamente não estava acostumado com o câmbio do Kadet, que tem a primeira marcha para frente e a ré com uma diferença mínima.

Nem mesmo o aviso ele se preocupou em tirar, ou, pelo que imagino, só foi retirar na primeira esquina.

Agora, aqui comigo mesmo, ficou a imaginar o que fazer para evitar que os motoristas (homens e mulher, jovens e idosos) me dêem sossego e me permitam entrar em sair de minha garagem com um mínimo de tranquilidade.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

15/10/2010 17:07:43

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Por quê? (211) Silêncio mortal (2)


Cláudio Amaral

Jamais um texto meu causou tanta polêmica como o anterior, intitulado “Silêncio mortal”.

Nele eu contava três casos e me referia às mortes de um Amigo residente em Curitiba e de um colega morador em São Paulo.

Relatava, também, que está doente uma vizinha aqui da Aclimação, na Capital paulista, que prefere o anonimato.

Referia-me, sobretudo, à reportagem de capa da revista Veja da última semana de abril de 2010, cujo título é “Ajuda para morrer”.

Escrevi sobre o chocante texto de Adriana Dias Lopes, que entrevistou médicos e pacientes.

E terminei com o seguinte parágrafo:

“Cada vez mais eu concordo com os médicos que agem assim, ainda que eu não me sinta encorajado a me isolar, mesmo sabendo que esteja condenado a conviver com uma doença incurável”.

Foi o suficiente para que no mesmo dia eu recebesse telefonemas de amigos e conhecidos me perguntando: qual é a “doença incurável” que me afeta?

Nenhuma!

Felizmente, nenhuma!

Pelo menos que eu saiba.

Depois do segundo telefonema eu resolvi reler meu texto do dia 12/10/2010 e cheguei à conclusão que eles, os meus amigos, têm razão.

Eles têm razão porque o texto dá margem a esse tipo de interpretação.

Eu deveria ter tomado o cuidado de escrever “ainda que não esteja (eu, no caso) sofrendo de uma doença incurável”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

14/10/2010 19:36:22

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Por quê? (210) Silêncio mortal


Cláudio Amaral

Meu Amigo Creso Moraes, residente em Curitiba, sumiu por meses e só no dia da morte dele é que fiquei sabendo que passava os dias dizendo que a vida não tinha mais sentido.

Antônio De Salvo, morador em São Paulo e outro cidadão do meu relacionamento, que nos deixou no mesmo ano (2008), havia ficado recluso por meses e não queria visitas.

Uma vizinha nossa aqui na Aclimação, em São Paulo, cujo nome eu omito porque sei que ela assim prefere, também está vivendo só por opção.

Esses são apenas três de muitos casos que conheço de gente que se isola na doença.

Em geral porque estão em estado terminal, ou seja, com os dias contados, ainda que não saibamos quantos dias a pessoa continuará vivendo.

Ainda em 2008 fui buscar explicações para isso e alguém me disse que as pessoas são assim mesmo: isolam-se para que outros não tomem conhecimento dos seus sofrimentos.

Na última semana de abril de 2010 a Editora Abril fez capa da revista Veja com o tema “Ajuda para morrer”.

Dizia, também na capa, não por acaso impressa na cor negra: “Médicos, pacientes e familiares relatam como enfrentaram o momento em que a vida se tornou apenas o prolongamento da morte”

E anunciava: “O que muda com o novo Código de Ética Médica”.

A revista me chamou a atenção imediatamente.

O motivo era presente: eu acabara de enterrar minha mãe, em Campo Grande, que há anos vivia a me dizer – a mim e à minha irmã Clélia – que não via mais sentido na vida.

Comprei.

Li.

Reli.

Reli em abril e agora, outubro de 2010, exatamente por conta do isolamento da minha vizinha.

O texto assinado por Adriana Dias Lopes é chocante.

Ela ouviu médicos e pacientes.

Um deles, o infectologista Artur Timerman, confessou a Adriana Dias Lopes: “Meu paciente estava em estado avançado do sarcoma de Kaposi (um tumor maligno descrito pelo médico hugaro Moritz Kaposi em 1872, em Viena, na Áustria), câncer comum entre pacientes de aids. Seu corpo estava coberto de úlceras que não cicatrizam e nenhum medicamento aplacava sua dor. Ele me pediu para sedá-lo e deixá-lo ir. Conversamos muito sobre o assunto e, três meses depois, fiz a vontade dele”. E acrescentou: “Orgulho-me de ter respeitado a autonomia de meu paciente”.

Cada vez mais eu concordo com os médicos que agem assim, ainda que eu não me sinta encorajado a me isolar, mesmo sabendo que esteja condenado a conviver com uma doença incurável.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

12/10/2010 16:54:04

domingo, 26 de setembro de 2010

Por quê? (209) Dia da Bíblia


Cláudio Amaral

Domingo, 26º do Tempo Comum, Dia Nacional da Bíblia.

Tive uma boa noite, mas Sueli, minha companheira desde 15/7/1969 e com quem estou casado desde 5/9/1971, me veio com uma proposta rara.

Inédita, não. Mas rara:

- Vamos à missa das 11?

“Sim, vamos”, respondi de imediato.

Explicando: desde que voltamos de Santos, na segunda quinzena de dezembro de 2009, temos frequentado a Celebração da Missa da capelinha dos Padres Xaverianos, aqui mesmo na Rua Gregório Serrão, entre as ruas Machado de Assis e a Joaquim Távora, na Aclimação.

Vez por outra, vamos à missa do Convento das Irmãs da Visitação, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana.

Raramente, desde então, frequentamos a Paróquia de Santa Rita de Cássia, na mesma Rua Dona Ignácia Uchoa, onde temos ido desde que mudamos para a Rua Machado de Assis, 165, aqui na Aclimação, há mais de 30 anos.

Neste domingo, entretanto, fomos até lá.

Como fomos no dia 17/9/2010, uma sexta-feira, por ocasião da Missa de 7º Dia em intenção da alma do Padre Gaspar Blanco Ramos, nascido em 30/7/1941 e falecido em 10/9/2010.

Ao chegar, como acontece desde então, demos de cara com o mesmo sacerdote que nos atende há mais de 20 anos: Padre Miguel Lucas.

O mesmo que celebrou a Missa de 7º Dia do Padre Gaspar, aquele com quem morou por 33 anos.

Após a leitura do Evangelho de Lucas, que relata a experiência de um homem rico e um pobre, Padre Miguel Lucas nos lembrou que “hoje é o Dia Nacional da Bíblia”.

E nos fez uma comparação entre a Bíblia e o telefone celular.

Pediu a dois jovens que pegassem uma Bíblia e um aparelho de telefone celular.

Cada uma ficou de um lado dele: o do Bíblia do lado direito; o do celular do lado esquerdo.

E perguntou:

- Já imaginou o que aconteceria se tratássemos a nossa Bíblia do jeito que tratamos o nosso celular?

- E se sempre carregássemos a nossa Bíblia no bolso ou na bolsa?

- E se déssemos uma olhada nela várias vezes ao dia?

- E se voltássemos para apanhá-la quando a esquecemos em casa, no escritório?

- E se a usássemos para enviar mensagens aos nossos amigos?

- E se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela?

- E se a déssemos de presente às crianças?

- E se a usássemos quando viajamos?

- E se lançássemos mão dela em caso de emergência?

Para nossa surpresa, ele nos fez uma série de observações:

- Ao contrário do celular, a Bíblia não fica sem sinal. Ela ‘pega’ em qualquer lugar.

- Não é preciso se preocupar com a falta de crédito porque Jesus já pagou a conta e os créditos não têm fim.

- E o melhor de tudo: não cai a ligação e a carga de bateria é para toda a vida.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

26/9/2010 22:15:58

sábado, 18 de setembro de 2010

Por quê? (208) Adeus, Padre Gaspar


Cláudio Amaral

A ultima vez que me encontrei com ele foi justamente na esquina das ruas Carlos Petit com Vergueiro, ao pé da famosa caixa d’água, na Vila Mariana.

Eu estava visitando um colega corretor de imóveis e ele passava pelo local, que era o plantão de vendas do Edifício UP e hoje funciona a pleno vapor.

Na época, Padre Gaspar Blanco Ramos estava numa espécie de exilo em Ponta Grossa, no Paraná.

Não estava satisfeito, com certeza.

Ou já estava afetado pela doença?

Deveria estar doente, porque na missa de 7º dia de ontem (17/9/2010), desde o púlpito da Paróquia de Santa Rita de Cássia, o atual pároco, Padre Miguel Lucas, disse que Padre Gaspar carregou a cruz da doença por dois anos.

Ambos, segundo Padre Lucas, moraram juntos por 33 anos. Coincidência ou não, essa foi exatamente a idade de Cristo.

Aos olhos do seu rebanho, Padre Gaspar não era dos mais simpáticos. Mas, os depoimentos que se seguiram após a celebração da missa de sexta-feira, levaram muita gente às lágrimas. E às palmas, também.

Padre Gaspar nascera numa pequena aldeia espanhola em 30/7/1941. Talvez tenha entrado para o seminário porque os pais não reuniam condições de lhe custear os estudos, como tem acontecido com muitos sacerdotes.

Padre Lucas, entretanto, acredita que o importante é a vocação que Padre Gaspar tinha. E sempre teve.

Tanto que aos 12 anos ele se decidiu pela vida sacerdotal.

Foram mais de 40 anos de vocação por terras brasileiras, em São José do Rio Preto (SP), São Paulo (onde faleceu no dia 10/9/2010) e por último em Ponta Grossa (PR).

Ao longo desse tempo todo ele foi pároco por duas vezes na nossa Paróquia de Santa Rita de Cássia, onde administrava tudo com mãos de ferro.

Tinha, ao mesmo tempo, o dom de impor as mãos e com isso ser o condutor de milagres, que sempre dizia ser feito por Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Uniu casais, construiu obras sociais para creches e escolas profissionalizantes e viveu sempre – como disse Padre Lucas no sermão de sexta-feira à noite, na Paróquia de Santa Rita – “o que Santo Agostinho dizia sobre a necessidade de ajudar os pobres”.

Padre Gaspar chamava a atenção de todos integrantes do seu rebanho pela facilidade com que cantava os versos bíblicos. E na sexta-feira nós todos que lotamos a Santa Rita ficamos sabendo a razão ou pelo menos uma das muitas razões: ele cultuava a música desde que havia se conhecido por gente. Tanto que a missa em sua homenagem, Padre Gaspar, foi encerrada com a execução de sua canção preferida, enviada pela família desde a Espanha:

Escucha hermano lá canción de lá alegria
el canto alegre del que espera um nuevo dia
ven canta, sueña cantando
vive soñando el nuevo sol
en que los hombres volverán a ser hermanos,
ven canta, sueña cantando
vive soñando el nuevo sol
en que los hombres volverán a ser hermanos.

Si en tu camino sólo existe la tristeza
y el llanto amargo de la soledad completa
ven canta, sueña cantando
vive soñando el nuevo sol
en que los hombres volverán a ser hermanos.

Si es que nos encuentras la alegria en esta tierra
buscala hermano más alla de las estrellas
ven canta, sueña cantando
vive soñando el nuevo sol
en que los hombres volverán a ser hermanos.


Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

18/9/2010 14:34:31 (atualizado em 26/9/2010 21:31:52)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Por quê? (207) Choques e mortes


Cláudio Amaral

A sequência de choques de trens contra veículos automotores do início de setembro de 2010 me fez voltar aos tempos de infância.

Eu morava na pequena mas aconchegante cidade de Adamantina, há cerca de 600 quilômetros da Capital paulista, onde hoje vivo há 40 anos.

Era feliz e sabia, ao contrário do que dizem por aí há muitos anos.

Sabia mas queria mais.

E lá pelos lados de Adamantina corriam histórias chocantes a respeito de uma passagem de nível existente entre aquela e a cidade de Lucélia.

Lucélia e a Adamantina eram ligadas (ou melhor seria dizer separadas?) por uma estrada de terra de 7 quilômetros de extensão.

Eu, particularmente, nunca fui a pé de uma cidade a outra, mas quem foi me contou que a terra (ou seria areia?) era quente, tanto durante o dia quanto à noite.

Mais de dia do que de noite.

Bem, mas o fato é que o povo comentava lá pelos lados de Adamantina e Lucélia que muitos anos antes do meu nascimento, que se deu a 3 de dezembro de 1949, uma composição férrea havia se chocado com um ônibus e tirado a vida de muita gente.

Mais, muito mais do que as nove pessoas que morreram quarta-feira passada, dia 9 de setembro de 2010, no centro de Americana, na região de Campinas.

A colisão desta quarta-feira foi tão violenta que deu origem a uma capa chocante n’O Liberal de quinta-feira (9/9/2010), sob o título “TRAGÉDIA DO VCA 141”.

Sob essa manchete o jornal publicou uma imagem do acidente e a seguinte legenda: “M O R T E S N A L I N H A Atingido por trem de carga, ônibus da empresa VCA que fazia a linha Unisal/Jardim Brasil/Zanaga 1 foi partido ao meio e arrastado por cerca de 100 metros”.

VCA, antes que você me pergunte, caro e-leitor, é a sigla da empresa responsável pelo transporte urbano de Americana. E 141 é o número da linha.

Isto posto, é imperioso relatar que na sequência dos fatos outros tantos aconteceram.

Nenhum, entretanto, chegou a superar a violência daquele que eu nunca havia visto.

Portanto, mais do que ver, eu queria saber. Mas nunca soube.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

10/9/2010 16:10:08

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Por quê? (206) Fim de semana especial


Cláudio Amaral

Foi, sem dúvida, um fim de semana especial.

Um fim de semana que começou na sexta-feira, 3/9/2010, quando encerrei uma sequência de quatro dias de trabalho intenso, corridos, sem folga nem descanso.

Um fim de semana que só terminou na manhã desta segunda-feira, 6/9/2010.

Na sexta-feira à noite, desliguei o computador e tirei folga (dele, do trabalho, do Twitter, do correio eletrônico... de tudo).

Peguei o carro, um Honda Fit de cor vermelha como uma Ferrari, e fui buscar Sueli e Dona Cidinha na casa da minha filha, no Alto do Ipiranga.

Pensei em convidar as duas, Sueli e Dona Cidinha, para uma pizza especial, mas “a melhor sogra do mundo” se disse cansada da viagem entre Santos e São Paulo e me pediu para deixá-la no prédio da outra filha, aqui mesmo na Aclimação.

De lá, Sueli e eu nos arriscamos a algo especial: visitar – de surpresa – a pequena Sofia e os pais Marcello Vitorino e Nilva Bianco.

Fomos e nos demos muito bem, porque elas (já que Marcello estava dando aula em Santo André) ficaram felizes com a surpresa e ainda nos convidaram para uma pizza e um bom vinho.

Fomos dormir depois da meia-noite e dormimos o quanto pudemos.

Sueli pulou da cama, me convidou para uma café (especial, claro) e depois saiu para compras pela Vila Mariana e Aclimação.

Na volta, me ligou desde a Rua Paula Ney e combinamos ir até o Shopping Paulista, no Paraíso, para almoçar, ver um filminho e comprar um presente de casamento para ela.

Almoçamos e comemos exatamente no local e a comida que ela queria.

Tentamos “pegar um cinema” mas nenhum filme nos agradou.

Fomos às compras, então, e ela se disse feliz com o presente de 39 anos de vida comum após a troca de alianças, em Marília.

Mas o sábado não terminou aí.

O sábado acabou apenas depois da vitória inesquecível do Corinthians sobre o lanterna Goiás, o mesmo que nos empurrou para a Série B, em 2007: marcamos 5 a 1, fora o baile.

No domingo, mais alegrias nos esperavam: na missa celebrada pelo Missionário Xaveriano Padre Cláudio no Convento das Irmãs da Visitação, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana; no condomínio onde a Família Bravos Philipson tem casa em Bragança Paulista, onde comemoramos mais um aniversário de caçula Bruno e vimos o último jogo do Brasileirão no Maracanã, antes da reforma para a Copa de 2014 (Flamengo 0 X Santos FC 0) e na viagem de volta a São Paulo, via Campinas, onde o Guarani venceu o líder Fluminense por 2 a 1.

Na segunda-feira, para completar, foi só assistir aos gols da rodada de sábado e domingo, marcada por uma série de viradas, pois, além dos resultados de Campinas, tivemos ainda as vitórias do Cruzeiro (3 a 2 sobre o Palmeiras de Felipão, no Pacaembu) e do São Paulo FC (3 a 2 em cima do Atlético Mineiro de Luxemburgo, no Ipatingão).

Assim não há coração que aguente de tanta alegria.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

6/9/2010 14:39:56

sábado, 7 de agosto de 2010

Por quê? (205) Visita especial a Santos


Cláudio Amaral

Falar – ou melhor, escrever – que fiz uma visita especial a Santos é redundância.

Por quê?

Porque desta vez a visita foi realmente especial.

Ou mais do que isso, acredite, caro e-leitor.

Foi, sem dúvida, a mais marcante de todas as visitas que fiz – ou melhor, fizemos, Sueli e eu – às terras descobertas por Martins Afonso de Souza, depois que de lá voltamos, em meados de dezembro de 2009.

Para começar, era um dia especial porque o Santos FC jogaria à noite em Salvador (embora eu seja torcedor do Corinthians e jamais me passou pela cabeça trocar de time).

O time de Pelé iria disputar o jogo final da Copa do Brasil no Barradão contra o Vitória (e disputou, perdeu, mas acabou campeão, porque havia vencido por 2 a 0 na Vila Belmiro, em Santos).

Para prosseguir, fui ter com meu compadre Carlos Conde na residência dele, a alguns passos da “Vila mais famosa do mundo”.

Lá, a mulher dele, Maria Cristina Gomes Saliba, a querida Cris, me deu uma grande notícia e um privilégio: parou de fumar há três meses (depois de mais de 40 anos de tabagismo diário) e pediu para que eu levasse o marido até A Tribuna.

Antes que lá chegássemos, Conde e eu, ele me convidou para conhecer as mudanças que está fazendo no 2º e no 3º andares do edifício mais famoso da Rua João Pessoa (para quem não sabe, se é que algum e-leitor meu ainda desconheça, trabalhei lá por meses, entre 2008 e 2009).

Assim que pisei no 2º andar, colegas e mais colegas de profissão vieram me saudar e me dar demonstrações do quanto ainda sou querido por aqueles lados.

Entre tais colegas, uma em especial: a minha ex-parceira de Editoria-Executiva, Arminda Augusto, que já estava lá quando cheguei e continua depois da minha saída. Foi ela quem fez questão de me mostrar cada mudança feita tanto no 2º quanto no 3º andares.

O 2º andar já está praticamente pronto.

O 3º encontra-se em obras e mais dois ou três meses se passarão até que fique pronto e em condições de ser ocupado.

Para não cometer injustiças, não vou me meter a citar um a um cada colega que comigo veio falar para saber as novidades, naquela quarta-feira, 4/8/2010.

Posso dizer, entretanto, que os pouco mais de 60 minutos que lá passei, a partir das 14h30, aproximadamente, me encheram de orgulho. Afinal, eu não sabia que ainda sou tão querido na Redação d’A Tribuna.

Para completar, quando cheguei ao apartamento de Dona Cidinha, a melhor sogra do mundo, dei de cara com meu cunhado preferido: Mário Márcio Bravos. Ele vive há anos, muitos anos, em Porto Velho (Rondônia). Eu o havia visto pela vez mais recente no dia (22/5/2008) do aniversário de 80 anos exatamente da Biza Cida, a mãe dele, em Marília.

Foi ou não uma visita especial essa de quarta-feira (4/8/2010) a Santos?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

7/8/2010 10:25:15

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Por quê? (204) O Repórter


Cláudio Amaral

Aproveitei as férias de julho e o friozinho do Outono aqui no Hemisfério Sul para colocar parte da minha leitura em dia.

Entre os muitos livros que me passaram pelas mãos esteve “A Vida de um Jornal”.

Esta obra faz parte da minha coleção de publicações especializadas em Jornalismo e foi escrita nos Estados Unidos por Alvin Silverman, então “Chefe do Escritório de Washington do Plain Dealer, de Cleveland, um dos mais influentes diários da América”.

A primeira edição brasileira saiu aqui em junho de 1965 pela Editôra (era assim que se escrevia na época, com acento circunflexo) Lidador, cuja matriz estava sediada no Rio de Janeiro.

Em meio às perguntas que você pode vir a me fazer, imaginei:

- Por que ler uma obra cujo título é “A Vida de um Jornal”?

- Por que ler um livro publicado há 45 anos?

- Por que “perder tempo” com uma publicação vinda dos Estados Unidos?

- Por que, enfim, dedicar tempo precioso a saber detalhes a respeito do “Jornal Moderno” que está totalmente superado?

Inconscientemente, fiz-me (bonito, não?) todas essas e outras perguntas antes de começar a ler “A Vida de um Jornal”.

Mas foi só inconscientemente, porque, se tivesse feito uma, pelo menos uma pergunta do gênero antes..., eu não teria nem sequer iniciado a leitura.

Ainda bem, porque entre os 12 textos que encontrei em “A Vida de um Jornal” existe um que me agradou muito e me levou a escrever esse texto: “O Repórter”.

Trata-se de um texto que pretendo ler periodicamente, assim como recomendar aos leitores do blogue “Aos Estudantes de Jornalismo” http://aosestudantesdejornalismo.blogspot.com/.

É por isso que reproduzo a seguir, exatamente nos termos em que foi publicado em junho de 1965, aquelas que considero as principais frases do capítulo “O Repórter”:

- Uma das lendas da imprensa americana diz que o jornal é tão forte quanto seu quadro de repórteres. Isto é verdadeiro até certo ponto. Êsses profissionais indubitàvelmente constituem o ponto forte da organização. Mentalmente ágeis e observadores exatos, espera-se que apresentem aos leitores fatos comprovados e não boatos vagos e opiniões inçadas de preconceitos.

- O repórter pode cometer um êrro gramatical e êle será corrigido na redação. Se o fotógrafo erra, todavia, a foto que poderia ter contado o fato melhor do que centenas de palavras perde-se para sempre. Se consegue a foto, nas piores circunstâncias de multidões e condições do tempo, um pequenino êrro na câmara escura pode destruir-lhe todos os esforços.

- Ainda assim, os repórteres são indubitavelmente os glamorosos do mundo jornalístico. Na Europa, a palavra “repórter” não encerra significado muito importante. Lá, o que conta é “jornalista”. Nos Estados Unidos, o indivíduo que chama a si mesmo de “jornalista” torna-se imediatamente suspeito, e é considerado um semiprofissional, na melhor das hipóteses, e um tolo pomposo, na pior. (Uma velha definição americana de jornalista diz que êste é a pessoa que vive tomando dinheiro emprestado dos repórteres.)

- Graças à ficção e ao cinema, o repórter é figura muito mais glamorosa fora da redação e da profissão. Os repórteres dos grandes diários americanos recebem salários que variam de 75 a 300 dólares por uma semana de cinco dias, oito horas diárias – dependendo da experiência, capacidade e condições financeiras do empregador. Essa soma representa freqüentemente menos dinheiro, por trabalho mais árduo, do que a ganha por membros do quadro editorial e comercial, cujas identidades são geralmente desconhecidas do público.

- Os chefes de redação há muito puseram-se de acôrdo sôbre, pelo menos, um dos atributos mais necessários ao bom repórter. Dizem que êle deve possuir um excelente “par de pernas”. Na gíria da imprensa, essa expressão significa a disposição de deixar a escrivaninha, o telefone e o escritório confortável e dirigir-se à cena da reportagem e conversar face a face com os indivíduos envolvidos no acontecimento. Em suma, significa o desejo de levantar-se, sair, mover-se. Não há dúvida também que uma curiosidade insaciável é necessária ao jornalista. Isto requer mais do que uma mente indagadora. Exige a ardente compulsão de saber, a disposição de fazer perguntas difíceis a fim de descobrir não sòmente os fatos em tôrno de questões importantes, mas também o que parecem detalhes triviais.

- O bom repórter deve ter a honestidade intelectual do membro sério de qualquer profissão. Alguns chamam a essa honestidade de objetividade – a capacidade de perceber os dois lados de um assunto e de evitar tornar-se pessoalmente envolvido. É isto, mas também honestidade de espírito. É o tipo de temperamento que não reage ao insulto com a ira ou à ira com o insulto. O repórter deve recordar constantemente que êle é um desinteressado cronista de fatos. Como tal, deve esforçar-se para proporcionar um relato completo, exato e sem preconceitos do acontecimento. O bom repórter interessa-se tanto pelos elos ausentes da trama como por aquilo que já comprovou como fato. A fim de conseguir um relato completo, por conseguinte, deve fazer perguntas, algumas vêzes hábil e diplomàticamente, e sempre inquisidoramente. Uma vez que o jornal diário constitui a história dos acontecimentos mundiais em determinado dia, o repórter deve conhecer tanto quanto possível o mundo em que vive. Necessita de tanta educação e informações explicativas quantas possa obter. Acima de tudo, deve cultivar numerosos amigos e conhecidos, pois a sua mais importante fonte de notícias é aquilo que lhe dizem. Os conhecidos, por conseguinte, são vitais para seu êxito.

- Provàvelmente todos os jovens que têm facilidade para escrever, possuem imaginação e transbordam do desejo de aventuras imaginaram-se algum dia na posição do repórter. Sendo tão acesa a concorrência por êsse lugar, de que modo pode o jovem converter o sonho em realidade?

- A cobertura do “setor policial” constitui o jardim-de-infância para a maioria dos repórteres. Fazendo a cobertura das delegacias, o jovem aprende a identificar fatos e utilizá-los. Começa por aprender o que são fatos – e não opiniões e meias-verdades. Pouco a pouco, desenvolve personalidade, responsabilidade e técnica. E, o que talvez seja a mais rude das lições, aprende que coisa complexa, e freqüentemente desagradável, é a própria vida. Trabalhando nas delegacias, o “foca” enfrenta rotina e trabalho maçante no esfôrço para conseguir pequenos itens de notícia. Aprende algo sôbre prostitutas, ladrões, assassinos e toxicômanos. Aprende a extrair com lisonja informação de um taciturno policial ou bombeiro, a persuadir parentes abatidos pela dor a emprestar fotografias ou revelar detalhes sôbre as vidas de pessoas queridas que foram mortos ou feridas. Através dessas olhadas de relance à vida, o “foca” gradualmente domina a técnica e a rotina da coleta de notícias. Aprenda a pesquisar o livro de ocorrências na delegacia, o controlar diligências determinadas pelo escritório dos detectives, a observar e conferir tôdas as chamadas policiais e a “fazer a praça” – telefonando a uma lista selecionada de hospitais, ao necrotério, à cadeia, à polícia suburbana e aos quartéis de bombeiros.

- Aprende êle que a regra número um do bom repórter é sempre suspeitar o pior. Isto talvez pareça uma atitude cínica, mas os repórteres policiais deparam-se tão freqüentemente com a fraqueza humana que aprendem a esperá-la. Aprende ainda que a maioria das pessoas gosta de manter sua vida privada e que aquêles que parecem ansiosos para aparecer nos jornais freqüentemente têm motivos ulteriores. Reciprocamente, aprende que quando alguém tenta suprimir uma notícia sem razão legítima deve redobrar seus esforços para descobrir por quê. Convertendo-se cada vez mais em juiz da natureza humana, suspeita logo quando a pessoa oculta a verdade. Torna-se diplomata, dotado de senso de humor, e homem compassivo que trata os inferiores intelectuais ou sociais como sêres humanos. Ainda assim, jamais se envolve emocionalmente com êles e jamais esquece que são, principalmente, fontes potenciais de notícias.

- Indubitàvelmente, a lição mais importante que o jovem repórter pode aprender no seu treinamento inicial é o á-bê-cê do trabalho jornalístico, o “quem”, o “quê”, o “onde”, o “como”, e o “por quê” da notícia. O repórter principiante, tendo-se tornado sensível ao “por quê”, aprende também que dêle se espera que responda apenas às perguntas provocadas pela notícia, e não que as comente. A sua missão é de imparcialidade.

- Por essa altura, êle começa também a aprender a fazer amigos e, através dêles, a ouvir, a memorizar detalhes, a fazer as perguntas oportunas, apresentar sem preconceitos as respostas, a entrelaçar fios aparentemente isolados, a ser persistente sem ser agressivo, e a ser diplomata sem ser servil.

- Se aprende êsses rudimentos, está pronto para o que o jornal considera as grandes missões de reportagem.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

14/7/2010 10:53:29

terça-feira, 13 de julho de 2010

Por quê? (203) Boa vontade


Cláudio Amaral

“Pequena Cinderela” nem sempre teve boa vontade para a ir à escola, mas hoje foi demais.

Vovó ligou do caminho, antes de cruzar a Avenida Lins de Vasconcelos, rumo ao Metrô Alto do Ipiranga, e – acredite se quiser – ela atendeu com visível boa vontade.

Disse que já estava pronta.

Estava vestida, penteada... só não falou que estava descalça e sem agasalho.

Omitiu também que faltava escovar os dentes... mas tudo isso era detalhe de somenos (palavra que ela ainda desconhece, mas que está no meio da segunda coluna da página 1196 do Dicionário Escola da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras e Companhia Editora Nacional em 2008).

A boa vontade era tanta, mas tanta, que ela até perguntou do “titio-padrinho”. E deu gargalhada diante da resposta da vovó.

Quando, entretanto, vovó e vovô chegaram ao apê em que ela mora com papai, mamãe e irmãozinho, ao invés de pular do sofá de uma só vez e correr para apertar o botão do elevador, como ele gosta de fazer, a “Pequena Cinderela” estava sentada e a assistir a um DVD que mais parecia o canal 45 da Net.

Vovô-motorista foi buscá-la porque papai tinha aula de aperfeiçoamento da língua inglesa e mamãe havia agendado compromisso para logo cedinho.

Vovó, “minha querida vovó”, estava ali porque se comprometera a ficar de babá do “Pequeno Príncipe”, como, de resto, fazia quase todo dia.

E ela, que está em férias mas nem tanto, hoje deveria estar de boa vontade, muita boa vontade, porque era “dia de balé”, e ela gosta muito de balé.

Mas... não.

Para começar, recusou a saudação do vovô, dizendo:

- É “bom dia” e só, vovô. Nada de “amor”.

O vovô havia dito a ela:

- Bom dia, meu amor.

Ela aceitara o “bom dia”, mas recusara o “meu amor”. Como, alias, fizera outras tantas vezes.

O jeito foi vovó convidá-la para a higiene bucal:

- Vamos escovar os dentes, “Princesa”?

Ao terminar, ela entregou a escova ao vovô, que deu mais umas esfregadinhas. Nos dentes da frente, pelo menos.

A partir daí, foi uma árdua batalha até entrar no elevador.

De nada adiantou dizer que ela poderia apertar o botão de pausa e seguir a assistir o DVD ao voltar da escolinha, que hoje era dia de balé, que ela tinha as unhas feitas na véspera pela Carmem, em casa dos avós.

Nada de nada.

A “Pequena Cinderela” só saiu correndo rumo ao elevador quando ouviu o barulho do “sobe-e-desce”.

Saiu correndo do apê e correndo entrou no elevador.

Apertou o botão “2-S” e ficou na expectativa da chegada ao piso em que o vovô havia estacionado o “carro vermelho” de que tanto ela gosta.

Nem assim ela se animou a entrar na “Ferrari do vovô”.

Queria, porque queria, ir...

- ...no carrão do papai (que é grande e preto).

Mesmo assim, foi no Honda Fit do vovô.

Ela, o “Pequeno Príncipe” e a vovó. E o vovô-motorista, claro.

Só ao longo do percurso entre a Chácara Santa Cruz e a Avenida Bosque da Saúde ela abriu o jogo e explicou a razão da falta de vontade de ir à escolinha, hoje:

- É que o Pedro Henrique é muito chato, vovó.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

13/7/2010 17:22:37

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Por quê? (202) Afonso Dias


Cláudio Amaral

Certa vez, e lá se vão muitos anos, Sueli e eu estávamos hospedados na confortável residência de Anita e Luiz Augusto Michelazzo, em Ribeirão Preto (SP).

Confortável e ampla, a residência deles, que na época ficava ao lado da Cava do Bosque, praticamente no centro de “Rébis”, como eles chamam Ribeirão Preto.

Papo vai, papo vem, eu com ele e elas entre elas, eu disse a ele:

- Sempre que venho a Ribeirão Preto vou visitar meu Amigo Afonso Dias.

Na sequência, Mic retrucou:

- Dessa vez, só se você conseguir alcançá-lo num outro plano.

Fiquei branco, com certeza.

Desconhecia por completo a passagem de Afonso Dias deste mundo para um outro, que, dizem, é bem melhor (e, ainda que seja, eu ainda prefiro este em que estamos).

Afonso Dias, para quem não conheceu, era jornalista e funcionário público.

Como jornalista, trabalhou em incontáveis revistas, diários e semanários.

Como funcionário público, dava expediente na Dira, a Divisão Regional Agrícola de Ribeirão Preto, subordinada à Cati, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral.

Nos conhecemos por conta da minha passagem pela Assessoria de Imprensa da Secretaria da Agricultura do Governo do Estado de São Paulo, por 18 meses, entre 1974 e 1976.

Ficamos Amigos para sempre, ou pelo menos enquanto ele esteve vivo.

Afonso Dias era um caipira exemplar: vestia-se, morava e vivia bem mas com simplicidade.

Era competente e dedicado, o Afonso Dias.

Nossa última carta, que acabo de localizar em meus guardados, é datada do tempo em que ainda não havia correspondência eletrônica:

Ribeirão Preto, 03/Março/1993.

Meu caro amigo Cláudio.

Saudações fraternas

É com o coração dilacerado e os olhos lacrimejantes que lhe escrevo esta carta. Estou vivendo terrível solidão, apesar da companhia sempre querida dos meus filhos.

No último dia 15 de fevereiro, Deus decidiu levar para o Seu Reino àquela que foi minha esposa por 40 anos, àquela mãe extremada e avó amada pelos seus netos. Sua enfermidade foi efêmera: durou apenas 41 dias. Assim, comecei o 1993 tumultuado e com uma tristeza inconsolável.

Recebi sua estimada e sempre aguardada carta, desejando-me feliz ano novo, mas os acontecimentos impediram-me de respondê-la de imediato, pelo que me excuso.

A Paula telefonou-me dando-me conta de ter-se avistado com você em São Paulo. Ela mostrou-se bastante impressionada com a atenção que lhe deu. Agradeço-lhe por mais esse seu interesse, em nome de nossa inabalável amizade.

Quanto aos jornais, a coisa ainda não se engrenou. Tudo está como antes no quartel de Abrantes.

Lembranças a todos os seus familiares e aos amigos da nossa sempre querida COMUNIC.

Um abração do

sempre amigo Afonso

Espero que Deus Todo Poderoso o tenha recebido de braços abertos, Amigo Afonso Dias.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

9/7/2010 15:40:51

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Por quê? (201) Parque da Aclimação


Cláudio Amaral

Sempre tive identificação pessoal e próxima com os nossos parques públicos.

Sempre.

Se me lembro bem, as praias de Santos foram as únicas que me distanciaram dos nossos parques.

Em Adamantina, cidade onde nasci, na falta de parques, eu procurava as praças públicas. Especialmente a praça onde hoje (8/6/2010) funciona a Secretaria de Cultura e a Biblioteca Municipal.

Ainda em Adamantina, eu frequentava sempre a praça que fica em frente à estação ferroviária. Até porque era lá que eu ia para encomendar as transmissões das minhas primeiras notícias para a Rádio Bandeirantes de São Paulo.

Em Marília, em Campinas, em São Paulo, em Campo Grande e em Franca, cidades onde vivi e trabalhei nos últimos 60 anos, 7 meses e cinco dias, sempre procurei conhecer e frequentar os nossos parques públicos.

As praças também.

Lembro-me bem dos parques e praças de Brasília, Curitiba, Porto Alegre..., que frequentei quase todas as vezes que lá estive.

Aqui em São Paulo o primeiro parque que conheci de perto e em detalhes foi aquela ampla área existente em torno do Museu do Ipiranga. Eu ia lá todas as tardes de domingo quando voltei para a Capital paulista por conta do meu trabalho para o Estadão. Ia com minha avó materna, Durvalina. Até porque o jornal não circulava às segundas-feiras.

É exatamente daquele período meu primeiro contato com o parque público que mais me identifico nos últimos quase 40 anos: o Parque da Aclimação.

De carona com um motorista do Estadão que morava no ABC Paulista, eu fazia o trajeto entre as ruas Major Quedinho, no Centro, e a Cisplatina, no Ipiranga, sempre passando pela lateral do Parque da Aclimação.

Era noite, sempre à noite, mas eu logo tomei gosto e fiquei encantado com o verde do Parque da Aclimação.

E um dia, ainda à noite, eu disse ao motorista do Estadão:

- Quando eu me casar e tiver filhos, vou querer criá-los aqui, no Parque da Aclimação.

Disse e fiz.

Sem esforço algum, fiz com que Sueli e meus filhos passassem a gostar do Parque da Aclimação. E como eles, muitos e muitos amigos.

São incontáveis as manhãs, as tardes e os dias inteiros que passamos, Sueli e eu, com os filhos no Parque da Aclimação.

São incontáveis as caminhadas que já fizemos pelas pistas do Parque da Aclimação.

O Parque da Aclimação tem um astral indescritível.

A temperatura, no Parque da Aclimação, varia de 1 a 2 graus para menos, segundo o colega Geraldo Nunes, repórter aéreo da Rádio Eldorado. Ou seja: nada mais agradável do que estar no Parque da Aclimação, caminhar pelo Parque da Aclimação, ler um livro no Parque da Aclimação, estar com os filhos no Parque da Aclimação.

Mas hoje, ao abrir o Estadão, o meu Estadão, vejo lá: querem mudar o nome do Parque da Aclimação.

Só pode ser coisa de quem não tem o que fazer.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br reside na Aclimação desde que se casou com Sueli, no dia 5/9/1971. É jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

8/7/2010 15:42:00

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Por quê? (200) Ave, Conde!


Cláudio Amaral

Se entre nós estivesse, o Mestre Juarez Bahia (nascido em Cachoeira, na Bahia, a 18 de novembro de 1930, e falecido no Rio de Janeiro, em janeiro de 1998) certamente estaria a aplaudir de pé e, de preferência, no segundo piso do prédio d’A Tribuna, na Rua João Pessoa, 129, em Santos.

Mas, como ele nos deixou há mais de dez anos, alguém tem que aplaudir por ele a seu fiel seguidor e inseparável amigo Carlos Conde.

Humildemente, como sempre foi do meu feitio, faço questão de ser esse alguém.

O motivo?

Pouco mais de dez meses após assumir o mais alto e importante cargo existente na Redação d’A Tribuna, o atual Editor-Chefe anuncia a recriação do extinto segundo posto de Editor-Executivo do jornal e o terceiro existente no organograma de A Tribuna de Santos Jornal e Editora Ltda.

A criação desse posto, é importante relembrar, foi criado na virada de setembro para outubro de 2008, quando da posse no cargo de Editor-Chefe do antecessor de Carlos Conde, meu também amigo Wilson Marini.

Marini pediu à cúpula d’A Tribuna uma estrutura que contemplasse o tripé clássico de uma redação num jornal do porte daquele: Editor-Chefe e dois Editores-Executivos.

Como Editor-Chefe assumia ele, Wilson Marini, que vinha do mesmo posto no O Diário do Norte do Paraná, sediado em Maringá. E com a autoridade que a Família Santini lhe havia conferido, confirmara – com toda razão – a Editora-Executiva Arminda Augusto, há mais de dez anos na empresa, e dois novos Editores-Executivos: Mario Evangelista (baseado em Campinas e que assumiu como Executivo do tablóide Expresso Popular) e este escrevinhador que vos escreve.

Fizemos o melhor que nos foi possível, com absoluta certeza.

Combatemos o bom combate, sempre que nos foi possível.

Até o dia em que a cúpula da organização decidiu que tinha motivos para eliminar os cargos e salários mais altos da Redação.

Consequentemente, fui um dos cortados e, com profunda dor no coração, tive que deixar A Tribuna no dia 17 de junho de 2009.

Ainda tentei me manter em Santos e na Baixada Santista. Eu e Sueli, minha fiel companheira há cerca de 40 anos. Mas isso não foi possível, por questões financeiras e por coerência, apesar dos quatro meses de “frilas” que me foi transferido pelo amigo e compadre Carlos Conde, entre setembro e dezembro de 2009.

Conde, justiça seja feita, ainda tentou me levar para trabalhar num clube de futebol que nunca foi minha primeira opção, embora tenha cores alvinegras e seja a maior paixão futebolística dele. Tentou mas infelizmente não conseguiu.

Paralelamente – e com o comportamento típico do repórter que acompanhou o dia a dia do Itamaraty por 12 anos a serviço do Estadão, em Brasília – trabalhou com total discrição e a maior reserva até o dia em que pode anunciar de público a recriação do cargo de Editor-Executivo, o segundo no organograma da Redação de A Tribuna e o terceiro na estrutura da empresa.

E, como não poderia deixar de ser, fez a escolha com base no principal critério que Mestre Juarez Bahia lhe ensinou ao longo dos anos em que trabalharam juntos na mesma Redação de A Tribuna: o da qualidade.

Assim sendo, só posso desejar sorte, muita sorte, a Dario Palhares, que assume neste 1º de julho de 2010 o lugar que foi meu. E, ao mesmo tempo, deixar claro, de público, que aprendi a admirar Dario graças ao amigo comum Carlos Conde, em meio aos quais (Conde de um lado, Dario do outro) fui por vezes aos jogos do Santos FC, na Vila Belmiro, em Santos. A nos acompanhar, sempre, a mulher de Conde, a querida amiga Maria Cristina Gomes Saliba.

Por fim, até porque esse texto está a ficar longo, é preciso informar e afirmar: o Jornalismo lhe deve essa, Carlos Conde. Mais essa. E os jornalistas, todos, também.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

30/6/2010 19:21:50

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Por quê? (199) 16 de junho


Cláudio Amaral

Perdi o sono nesta noite, de 15 para 16 de junho de 2010.

E não foi por conta da sofrível apresentação do Brasil frente à Coréia do Norte, ontem, no primeiro jogo do nosso selecionado na Copa do Mundo da África do Sul.

Nem porque estamos no 167º dia do ano e só nos restam 198 dias para o fim do ano.

Muito menos porque o Estádio Jornalista Mário Filho, o famoso Maracanã, no Rio de Janeiro, estava comemorando 60 anos, construído que foi para a Copa do Mundo de 1950 de triste lembrança.

Também não foi porque me lembrei – embora tenha me lembrado – do Levante de Soweto, ocorrido em 1976 e registrado na Wikipédia como “um dos mais sangrentos episódios de rebelião negra desde o início da década de 60, desencadeado pela repressão policial à passeata de 10 mil estudantes, que protestavam contra a inferioridade das ‘escolas negras’ na África do Sul”.

O palmeirense Edson Rossi, meu Amigo, jornalista como eu e companheiro de mestrado em 2003, em São Paulo, pela Universidade de Navarra, Espanha, diria que perdi o sono por estar preocupado com a volta de Felipão ao Palmeiras (afinal, foi sob o comando de Luiz Felipe Scolari que o “Porcão” chegou ao título inédito da Copa Libertadores da América ao vencer o Deportivo Cali por 2 a 1 no tempo normal e por 4 a 3 nos pênaltis, no dia 16 de junho de 1999).

Não foi por isso nem porque nesta data fazem aniversários os futebolistas Paulo César Lima (o ‘Caju’, nascido no mesmo ano em que eu nasci) e Luiz Guilherme da Conceição Silva (o Muriqui, nascido na cidade do mesmo nome, no Rio de Janeiro; ele disputou o Brasileirão de 2009 pelo time catarinense do Avaí e se apresentou contra o Santos FC num dos jogos que vi ao lado do casal Carlos Conde e Maria Cristina Gomes Saliba, na Vila Belmiro, em Santos).

Muito menos perdi o sono nesta madrugada porque teria adivinhado que o selecionado do Chile quebraria um tabu de 48 anos ao vencer o de Honduras por 1 a 0, ainda pela manhã, na Copa da África do Sul (a última vitória dos chilenos em Copa do Mundo foi, segundo ‘tuitada’ do meu Amigo Vinicius Araujo, em 16 de junho de 1962, por 1 a 0 sobre a Iugoslávia, no Chile).

Eu não tinha capacidade para prever, também, que a favoritíssima seleção da Espanha, a famosa ‘Fúria’, iria perder para a até então considerada fraca Suíça igualmente por 1 a 0.

Nada disso me fez perder o sono nesta madrugada.

Nada disso.

O que me fez perder o sono, de verdade, foi o que aconteceu na sala do Editor-Chefe do maior e mais respeitado (ou seria “temido”?) diário da Baixada Santista (ou seria “Paulista”?), no final da tarde do dia 16 de junho de 2009.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

16/6/2010 15:05:16

terça-feira, 1 de junho de 2010

Por quê? (198) Rejeição ou ciúme?


Cláudio Amaral

Minha netinha está a me dar sinais de rejeição.

A mim, especificamente.

Porque a vovó ela idolatra, faz reverências, dá inegáveis sinais de apreço, de carinho, de amor.

Mas não é isso que me desagrada.

Pelo contrário.

Quanto mais ela amar minha mulher, mais feliz eu ficarei.

Afinal, isso é demonstração de reconhecimento por tudo que a vovó fez e faz por ela.

Fez, faz e fará, certamente.

Reconhecimento que também espero que ela tenha do “pequeno príncipe”, nascido a 6 de janeiro de 2010.

O que me desagrada, me contraria, me aborrece... é a possível rejeição da “Bebê”.

Até porque ela sempre foi carinhosa para comigo.

Sempre me tratou com o maior carinho.

Ela sempre me dispensou atenção e... amor (?).

Não. Eu não diria amor, não.

Mesmo porque eu e minha mulher temos conversado esporadicamente a respeito de amor e concluído que ela, a “Bebê”, ainda não deve ter noção de amor.

Embora ela esteja às vésperas de completar 3 anos de idade, no dia dos namorados (12/6/2010).

A propósito, recorro a uma mensagem que acabei de receber de um “correspondente” e que revela algo muito interessante:

- Minha filha não cumprimenta “direito” o avô dela, mas pula no colo da avó. Meu pai diz que ela precisa cumprimentar os mais velhos. Eu digo: “Se vira, conquista ela”.

Estaria aí o segredo da questão?

Pelo que conversei ontem (31/5/2010) com minha mulher, sim e não.

Na viagem que fizemos entre a casa dela, no Alto do Ipiranga, e a nossa, na Aclimação, minha mulher explicou que “Bebê” mudou completamente de humor (ou algo assim) quando desligamos os telefones e a vovó disse à netinha:

- O vovô está vindo aqui para me buscar.

É por isso – ou seja: pela mudança de comportamento – que minha mulher acredita que ela, a “Bebê”, nada tenha de diferente em relação a mim.

Tudo não passa, na opinião da vovó, de “ciúmes”.

Ou seria medo?

Medo de perder as regalias que a vovó tem dado a ela desde os primeiros dias de vida, como carinho, atenção, comidinha na boca, banhos, passeios, presentes, etc.

Medo de perder a companhia da vovó, enfim.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

1/6/2010 16:41:25

sábado, 22 de maio de 2010

Por quê? (197) Ser avô


Cláudio Amaral

No segundo semestre de 2008, ávido por aperfeiçoar cada vez mais meu desempenho profissional, pedi que um Amigo analisasse o meu rendimento.

E ele não teve dúvida: disse exatamente aquilo que eu jamais havia percebido.

- Você fala demais de sua netinha.

Quarta-feira passada, dia 19/5/2010, em Santos, um outro grande Amigo, me observou:

- Ser avô deve ser muito bom.

Hoje, 22/5/2010, assistindo a uma entrevista do repórter Ednei Silvestre com Lya Luft, ouvi a escritora do Rio Grande do Sul falar com orgulho indisfarçável dos sete netos que os três filhos lhe deram.

Confesso que a observação do Amigo de 2008 teve impacto imediato.

Tanto que diminui imediatamente minhas referências à netinha querida, que eu sempre chamei de Be(bê)atriz.

Na frente do Amigo em questão, pelo menos, eu me controlei o mais que pude.

Mas o controle não foi tão rigoroso, assim, admito.

Até porque, se tivesse sido, meu Amigo de Santos não teria sido levado a fazer a observação que fez e que repito aqui:

- Ser avô deve ser muito bom.

E ele disse isso porque, certamente, ficou bem impressionado com as informações que eu passei a propósito de Beatriz do Amaral Gouvêa, filha de minha filha Cláudia e do meu genro Márcio Gouvêa.

Informações involuntárias, espero.

Informações motivadas pelas alegrias que Be(bê)atriz me proporciona.

A mim e à vovó Sueli, a quem a pequena Be(bê)atriz dá todas as provas de admiração, apreço, carinho, amor.

Pior que isso – pior ou melhor? – é que no dia 6 de janeiro deste ano Cláudia e Márcio nos deram mais um netinho: Murilo do Amaral Gouvêa.

Murilo é um garoto que se destaca principalmente pelo sorriso.

É o chamado “garoto sorriso”, como diz vovó Sueli.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

22/5/2010 19:09:52

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Por quê? (196) Dúvida cruel


Cláudio Amaral

Sempre disse não ter medo da morte.

Sempre.

Mas... será que falo a verdade... ou falo apenas da boca pra fora?

Essa dúvida cruel me perseguiu quase que a semana toda, neste final de março e começo de abril de 2010.

Nos primeiros dias, porque tive que tomar contato com relatos a respeito de problemas sérios em relação à saúde.

Li, por exemplo, o relato de um cidadão que havia sido informado por um médico que estava com um tipo inédito de câncer.

Fiquei abalado, deprimido, arrasado.

E pensei: “Será que eu teria forças para reagir como ele, enfrentar a doença e buscar a cura como ele fez?

No dia seguinte, outro baque: a notícia da morte do jornalista Engel Paschoal, com quem convivemos, Sueli e eu, por longos anos.

Fiquei novamente abalado, deprimido, arrasado.

E, tomando como exemplo o caso do cidadão que havia descoberto ser portador de câncer raro, procurei não me entregar.

Pelo contrário: tomei coragem, dei um tempo no texto que estava a fazer e fui até o velório da Beneficência Portuguesa, no bairro do Paraíso, em São Paulo.

Fui me despedir de Engel e aproveitei para dar um abraço saudoso na mulher que fez companhia a ele ao longo dos últimos anos, 24 horas por dia: Lucila Cano, amiga das mais queridas.

Engel também foi levado por um câncer.

Um câncer na próstata.

Um câncer que o consumiu lentamente, mas jamais o impediu de trabalhar.

Nem mesmo no último dia de vida dele, quando pediu a Lucila que o ajudasse a cumprir o compromisso semanal que tinha com o UOL e jornais diários.

Foi a ela que ele ditou seus últimos textos.

E foi ela quem me contou, pessoalmente, em frente ao caixão estacionado no velório da Beneficência Portuguesa de São Paulo, que ele se foi da forma que todos nós – ou quase todos – gostaríamos de passar deste mundo para o outro: dormindo.

A morte de Engel me fez lembrar de um outro grande Amigo: Carlucho Maciel, Amigo comum a nós todos – Engel, Lucila, Sueli e eu – e que nos deixou no dia 10/4/2008.

Carlucho também se foi repentinamente, enquanto caminhava numa das praias de Santos, junto ao Canal 1.

Foi, imagino, também sem sofrimento, pois tivera um enfarto fulminante em consequência dos muitos cigarros que fumava todo dia.

E como eu não tivera condições físicas para acompanhar o velório de Carlucho, evitei o quanto pude que o fato se repetisse em relação a Engel Paschoal.

Fiz de tudo o que me foi possível e fui me despedir dele, no velório da Beneficência Portuguesa, em São Paulo.

Ao sepultamento não me foi possível comparecer, até porque o corpo foi levado para o cemitério de Urupês, no interior paulista, onde Engel nasceu.

Ainda assim eu continuo com minha dúvida cruel em relação à morte: tenho ou não medo dela?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

2/4/2010 10:53:35

quarta-feira, 10 de março de 2010

Por quê? (195) Bravos sanitaristas


Cláudio Amaral

Desde dezembro de 2009, quando Sueli e eu voltamos a viver na nossa residência da Aclimação, em São Paulo, tenho ficado de olhos bem abertos sobre os caminhões que recolhem lixo aqui na nossa rua.

Para isso, tenho visão privilegiada a partir da janela do nosso escritório, no piso superior do sobrado que ocupamos desde 1980.

E por vezes fiquei impressionado com a eficiência (ou seria eficácia?) dos coletores de lixo, mais conhecidos como lixeiros.

A propósito: nos Estados Unidos os lixeiros não admitem essa classificação profissional; exigem serem chamados de “sanitaristas”.

Mais do que lixeiros, os nossos coletores são, verdadeiramente, sanitaristas.

Afinal, não houve um dia sequer, desde meados de dezembro, que eles tenham feito o serviço porco que nós conhecíamos quando aqui vivíamos, ou seja, antes d’eu ser convidado a trabalhar na Redação d’A Tribuna, em Santos, como Editor-Executivo.

Antes, era comum os coletores – verdadeiros lixeiros – recolherem o lixo por cima e deixar rastros na frente de todas as residências da nossa rua.

Da nossa e das ruas da vizinhança.

Creio que nas demais ruas do bairro acontecia igual.

Hoje, não.

Hoje, especificamente, quando fiquei atento ao trabalho dos coletores, eles foram novamente impecáveis.

Foram perfeitos sanitaristas.

Recolheram todos os saquinhos, sacolas e caixas que continham os objetos que imaginamos serem apropriados para reciclagem, tal qual nos ensinou o Amigo Eduardo Nunomura nos anos 1990, quando ele trabalhava conosco num outro imóvel, de natureza comercial, na Rua Machado de Assis, também na Aclimação.

Rastros de lixo? Nenhum.

A lixeira do prédio da esquina das ruas Machado de Assis e Gregório Serrão, onde colocamos o lixo, ficou impecavelmente limpa.

Tanto que eu me animei a dizer aos três coletores – sanitaristas, melhor dizendo – um “obrigado” bem grande e forte.

Tudo bem que só um deles ouviu e retribuiu com um aceno de mão, tal era a força do motor do caminhão que passava por aqui.

Ainda assim valeu a pena. Ou seja, me senti recompensado pelo “obrigado” que bradei por volta das 11 horas da manhã desta quarta-feira, dia 10 de março de 2010, a partir da janela do meu escritório, em direção aos sanitaristas que por aqui passaram.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

10/3/2010 12:11:39

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Por quê? (194) Ao vivo?


Cláudio Amaral

Fiquei surpreso com a presença de Ana Maria Braga no Pacaembu, quarta-feira, dia 24/2/2010, durante a estreia do meu Corinthians na edição deste ano de centenário na Taça Liberta(minhas)dores.

Ela sempre se declarou palmeirense e por conta disso tem rivalizado com o principal parceiro do programa Mais você, nas manhãs de segunda a sexta-feira, na Rede Globo de Televisão.

Afinal, Louro José, o parceiro, é conrintianíssimo, apesar de ser uma imitação de papagaio e que, pelo fato de a ave original ser verde, seja mais representativa do Palmeiras.

O jogo Corinthians 2 X Racing do Uruguai 1 terminou à meia-noite, na virada de quarta para quinta-feira.

Por conta disso, pensei, no ato: “Como a Ana Maria vai fazer o programa da manhã de quinta-feira, ao vivo, a partir das 8h15 da madrugada?”

Solitário, imaginei: “A não ser que o programa esteja previamente gravado”.

Pelo sim, pelo não, fiz questão de levantar cedo, assistir a parte final do Bom Dia, o Radar SP (apesar da ausência de Flávia Freire) e a abertura do Mais você.

Fiquei mais em dúvida do que estava na noite anterior, quando a Globo me mostrou que estavam no Pacaembu, além de Ana Maria Braga, a primeira-dama do País, Mariza Letícia, a corintianíssima Hortência, rainha do basquete brasileiro, e Marta, a melhor jogadora de futebol feminino do mundo e que, apesar de sua recente passagem pelo time de sereias da Vila, o Santos FC, vestia a camisa do Timão.

Nada indicava que o programa estava sendo transmitido ao vivo. Nem que havia sido gravado.

Mas como Ana Maria conseguiria sair do Pacaembu, em São Paulo, depois da meia-noite e estar em forma para o programa ao vivo, no Rio de Janeiro, menos de oito horas depois?

Sinceramente, não imagino como.

Nem com o uso de uma operação especial, incluindo o uso de helicópteros em São Paulo e no Rio de Janeiro, e avião entre as capitais dos paulistas e dos fluminenses.

Hoje, sexta-feira, dia 26/2/2010, pego o Estadão, minha primeira leitura do dia entre os impressos, e leio no Caderno 2, página D10, sobre a assinatura de Keila Jimenez (keila.jimenez@grupoestado.com.br):

“Curioso ver Klara Castanho, a Rafaela de Viver a Vida, de manhã bem cedo, ao vivo, dando entrevista ao Mais Você de ontem. Justamente ela, que a mãe só libera para entrevistas por e-mail – como foi com o Estadão –, para não perder aula (a menina estuda de manhã) nem deixar de brincar”.

Conclusão: agora, sim, que minha dúvida cresceu. Afinal, o Mais Você de ontem foi ao vivo ou estava previamente gravado?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

26/2/2010 11:33:17

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Por quê? (193) O Twitter e a minha produção literária


Cláudio Amaral

Mário Evangelista, o “Gatão”, exímio cozinheiro e competente Editor-Executivo do Expresso Popular de Santos, rebate de frente minha crônica anterior: Produção literária em baixa, postada no dia 20/2/2010.

- Claudião, querido. Não, não creio que sua adesão no twitter tenha derrubado sua produção literária. Tenho visto seus textos no microblog como isso mesmo: microcontos, microcrônicas. Se somar todos eles – tenho certeza – verá que produziu um texto literário partido em pequenas peças, formando um mosaico maravilhoso. Beijos.

Se eu não conhecesse o marido de Mônica como conheço, fruto do relacionamento que temos desde que ele trabalhava no Correio Popular de Campinas, onde ela também trabalhou, me recusaria a tornar pública a mensagem que ele me mandou às 19h34 de domingo (21/2/2010).

“Gatão” é jornalista, culto, criativo, mas, antes de tudo, um típico “italiano”, ou seja, quando ele gosta de alguém, gosta mesmo, por completo. Mas, também, quando tem restrições, pessoais ou profissionais, ele sempre deixa isso bem claro, na cara.

A senha é o beijo. Se ele te beija, pode ter certeza de que gosta de você. Se não beija, ainda falta algo. Algo que tampouco poderá haver.

Nos conhecemos na metade dos anos 1990, eu fazendo o meio-campo entre algumas redações dos principais diários do Brasil e ele na função de Editor-Executivo do Correio Popular de Campinas.

“Gatão” era o braço direito de um outro grande amigo, Roberto Godoy, o Betão, que eu conhecera nos seis meses em que passei pela sucursal de Campinas do Estadão.

E foi como braço direito de um outro grande amigo, Wilson Marini, que nos reencontramos no saguão do Gonzaga Flat, em Santos.

Ali vivemos os três por um mês por conta de A Tribuna.

No segundo mês de Santos, maravilhados com a beleza das praias que o Oceano Atlântico nos proporciona ao longo da orla da Capital da Baixada Santista, nos mudamos com as respectivas famílias para a região dos canais 6 e 7.

Moramos e vivemos por mais de um ano, entre novembro de 2008 e dezembro de 2009, a menos de 100 metros uma família da outra junto ao Canal 6.

Do lado esquerdo da Avenida Dr. Epitácio Pessoa, no edifício de número 555, ocupamos – Sueli, eu e Dona Cidinha – um amplo apartamento localizado no sétimo andar.

Do lado direito, numa vila charmosa, bem na esquina com a Avenida Coronel Montenegro, a casa de número 31 é ocupada até hoje por Mário, Mônica e a filha Marcela (porque a primeira, Mariana, vive e trabalha em São Paulo).

Nossa convivência – “Gatão”, Marini e eu – foi diária por praticamente nove meses.

Foi tempo mais do que suficiente para nos conhecermos bem, sabermos dos gostos de cada um, promovermos o estreitamento das amizades entre as nossas mulheres e filhos.

Tudo isso por conta dos inúmeros encontros no café da manhã do hotel, nos almoços feitos em geral nos restaurantes vegetarianos do Centro Histórico de Santos, nos finais de tardes da Bolsa do Café, nas caminhadas pelas ruas centrais e, principalmente, nas praias.

Pena que tudo isso esteja temporariamente interrompido.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

22/2/2010 11:06:52

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Por quê? (192) Produção literária em baixa


Cláudio Amaral


Relutei muito a aderir ao Twitter e agora fico a imaginar a razão.

Certeza absoluta eu ainda não tenho, mas tudo indica que minha adesão ao Twitter afetou diretamente minha produção literária.

Em tempo: se é, claro, que podemos chamar de produção literária todos os textos que tenho publicado aqui e em outros meios de comunicação.

O certo é que minha chamada produção literária caiu quase a zero.

Se não vejamos: em 2008, produzi e publiquei 140 textos, além de reeditar um livro que chamei de Meus escritos de memória.

Em 2009, foram apenas 51 textos, quase um terço da produção do ano anterior.

As razões são, basicamente, duas: porque até 17 de junho estive dedicado de corpo e alma à Redação de A Tribuna de Santos e depois – em setembro, outubro, novembro e dezembro – porque entrei de cabeça na pesquisa da vida e obra do empresário português João Antunes dos Santos, cuja biografia será escrita pelo meu compadre e Amigo Carlos Conde.

Em 2010, quando estamos no 51º dia (31 de janeiro e 20 de fevereiro), minha produção literária se resume a um texto, o anterior, escrito na fila de espera do Aeroporto de Congonhas e editado no Hotel Gloria, em Blumenau (SC).

No mais, limitei-me a produzir textos de no máximo 140 caracteres e a publicá-los no Twitter.

Tudo porque em meados de dezembro cedi aos apelos dos Amigos Mário Evangelista e Wilson Marini.

Mário “Gatão”, Editor-Executivo do Expresso Popular, em Santos, foi quem me registrou no Twitter ainda quando eu estava na Redação d’A Tribuna.

Marini insistiu algo como seis meses depois, quando ele já havia trocado A Tribuna pela sucursal paulistana da APJ, a Associação Paulista de Jornais.

Diante da insistência de ambos, lá fui eu, novamente de corpo e alma, como tudo o que faço nesta vida.

Arrependido?

Não. Não estou arrependido.

Tenho feito textos ótimos para o Twitter e reencontrado muitos amigos e conhecidos no sistema.

Só lamento que isso tenha derrubado minha produção literária.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

20/2/2010 15:11:39

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Por quê? (191) Desilusão pessoal


Cláudio Amaral

Estou no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Meu relógio de pulso – que Sueli me deu ao voltar da Itália, em fevereiro de 2009 – marca 10h53 do dia 29/1/2010.

Entro na loja da Laselva e busco jornais.

Vejo a capa do Valor Econômico e depois a da Folha de S. Paulo, que, curioso, pego para ver o nome da mulher que dialoga com o presidente Lula, enquanto a comitiva em torno dele caminha por algo que me parece a pista do mesmo aeroporto.

Após ver, uma a uma, as capas de todos os jornais disponíveis e de me deter por instantes n’O Globo, ainda hoje o melhor jornal do Brasil, parto para a bancada de livros.

Foi nesse momento que recebi a abordagem de uma loira de cabelos amarrados atrás, tipo rabo de cavalo.

Alguns poucos centímetros mais alta do que eu, ela me perguntou:

- Você conhece a promoção da loja?

E como eu disse que não, ela me passou uma ficha plastificada e acrescentou:

- Você escolhe duas revistas que costuma comprar na banca e elas serão entregues em sua residência com taxa reduzida.

Sem mais nem menos, neste exato instante eu respondi que há meses deixei de ler revistas.

E sem que a loira me perguntasse, emendei:

“Trata-se de uma desilusão pessoal, você me entende?”

Se ela entendeu ou não, fiquei sem saber.

Sei apenas que ela não aproveitou a deixa espontânea que lhe dei para seguir com a conversa.

No lugar dela eu teria indagado a respeito da minha tal “desilusão pessoal”.

Teria perguntado do que se trata essa “desilusão pessoal”.

Qual o tamanho e ou a profundidade dessa “desilusão pessoal”?

O que essa “desilusão pessoal” tem a ver com as revistas que ela queria mandar para a minha residência?

Agora, às 11h27, enquanto escrevo, fico a pensar:

“Será que ela, a loira, se sentiu constrangida diante da minha afirmação e resolveu recuar?”

“Ou será que para ela a minha tal ‘desilusão pessoal’ soou como algo muito íntimo, a ponto dela não querer se envolver nos meus problemas?”

Pelo sim, pelo não, aqui estou a meditar e a me questionar a respeito da falta de iniciativa da loira da loja.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

29/1/2010 11:32:09