segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Por quê? (348) – Vem, vamos embora...


Cláudio Amaral

A aula desta manhã com a Professora Silvia Cristina Lambert Siriani me levou de volta aos anos 1960. À minha infância e parte da juventude que vivi em Adamantina, no Interior paulista. E espero jamais esquecer da primeira vez que fui até o auditório do Prédio 7 da FMU, no quinto andar do edifício de número 97 da Rua Fagundes, na Liberdade, em São Paulo.

Estamos começando a II Semana de História de 2014 no curso de licenciatura, aquele que nos habilitará a ser Professor de História e Historiador, ao mesmo tempo. No meu caso, especificamente, Historiador, pois pretendo continuar a pesquisar e a produzir biografias, como tenho feito há anos.

Pois bem. Nesta primeira aula – mais palestra do que aula –, a Professora Silvia, que nos ministra a disciplina de História do Brasil desde o segundo semestre, nos falou a respeito de um tema que me diz bem de perto e cujo tema foi “Cale-se”! A música, o protesto e a censura durante o regime militar brasileiro.

O público era formado por alunos dos seis semestres de Licenciatura em História da FMU, entre os quais os da minha turma do quarto semestre. O auditório não estava cheio, mas a platéia ouviu atentamente as explicações da nossa Maestra. Até porque a maioria era formada por jovens que não viveram os tempos difíceis da ditadura cívico-militar que começou a 1º. de abril de 1964 e que administrou o Brasil até 1985.

Silvia nos lembrou que as músicas de protestos não foram inventadas pelos compositores e cantores dos tempos posteriores à derrubada de Jango Goulart, pois antes o mesmo havia acontecido nos tempos do barroco por Gregório Matos Guerra, do Império de D. Pedro e da Era Vargas com Alvarenga e Ranchinho, por exemplo.

Segundo ela, em 1964 o Brasil tinha movimentos ativos, que ou foram extintos ou entraram para a clandestinidade. E que em 1968 os festivais usaram a música para dizer o que não era permitido ou do gosto dos militares que ocuparam a Presidência da República e outros postos importantes da Administração Pública Federal. As músicas da época foram mutiladas pela censura e algumas totalmente proibidas, nos disse a Professora Silvia.

Silvia nos falou ainda de gente como Nara Leão, Jair Rodrigues, o grupo Tropicália, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Simone, Maria Bethania, Gal Costa, Tom Jobim, Chico Buarque, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Vanderléia, Taiguara, Milton Nascimento, Elis Regina, Raul Seixas (o mais censurado de todos) e o maior ídolo que tive desde os anos 1960: Geraldo Vandré.

Com a Professora Silvia nós pudemos rememorar, entre outros, os festivais musicais promovidos pelas emissoras de televisão Excelsior, Record e Globo, assim como a música que consagrou Vandré: Pra não dizer que não falei das flores (http://www.letras.com.br/#!geraldo-vandre/pra-nao-dizer-que-nao-falei-das-flores). Segundo ela, essa canção pode ter sido o principal ou um dos princiais motivos da edição do Ato Institucional número 5, o famigerado AI-5, de 13/12/1968.

Não vão chorar, recomendou a todos nós a Professora Silvia Siriani segundos antes de pedir para que o maridão e também Professor André Oliva Teixeira Mendes apertasse o botão “play” da música de Vandré que o imortalizou e quase o levou à morte sob tortura. Mas não teve jeito: chorei, relembrando os meus tempos de locutor da Rádio Brasil de Adamantina, quando me juntava a outros colegas e nos trancávamos na discoteca para ouvir Geraldo cantar:

Vem, vamos embora que esperar não é saber/quem sabe faz a hora não espera acontecer…

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


08/09/2014 19:45:25

domingo, 31 de agosto de 2014

Por quê? (347) – A importância de estudar História

Laurentino Gomes (com microfone) falou na Bienal do Livro, 
tendo ao lado o também Jornalista Jorge Félix

Cláudio Amaral

Jamais pensei que estudar História fosse tão importante. E se tivesse sabido antes, teria procurado voltar aos bancos escolares muito antes de 2013.

Foi naquele ano, precisamente no dia 1º. de fevereiro, que sentei pela primeira vez num banco da FMU, no Campus Liberdade, em São Paulo. E de lá pretendo sair apenas ao término do curso de Licenciatura em História, no final de 2015.

Escolhi História para voltar à faculdade porque gosto da matéria e desde então ouço cada vez mais gente falar que desejava estar fazendo o mesmo. E neste domingo (31/08/2014) minha alegria aumentou – e com isso a certeza de que estou a fazer o curso certo – quando eu e Sueli fomos à Bienal Internacional do Livro, no Parque Anhembi, em São Paulo, para ouvir o Jornalista Laurentino Gomes.

Ele é autor de três livros que já podemos considerar históricos: 1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, 1822 – Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado e 1889 – Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil.

Ouvimos Laurentino – ex-editor executivo da revista Veja – falar dos seus livros e mais, muito mais, porque ele falou principalmente da importância de se estudar História. Para ele, “estudar História é fundamental, é a grande jornada e é a nossa jornada”.

Laurentino nos lembrou que a História tem personagens instigantes e não fica só nos protagonistas públicos, como imperadores e generais. A História – a nossa História – tem também os escravos anônimos de Minas Gerais, por exemplo, que não conhecemos.

Depois de dizer uma frase que meus Professores de História não se cansam de repetir – a História é uma ferramenta de construção de identidades –, Laurentino nos instigou ao dizer: A História da família real, por exemplo, tem caráter pitoresco. E disse mais: a sociedade que estuda História se conhece, porque olha para o seu passado.

Mais do que olhar para o passado, na opinião de Laurentino Gomes, a História tem a ver com o passado, o presente e o futuro. E tem a importante missão de nos preparar para o futuro.

Reforçando a importância da História como “um edifício que jamais acaba”, Laurentino lembrou que nossa História é permeada de rupturas. A primeira aconteceu em 1889, quando tivemos uma ruptura com o fim da Monarquia e o início da República, uma República monárquica, com homens fortes como Getúlio Vargas e os generais pós 1964.

A partir daí começou um processo de desconstrução de nossos heróis, como D. Pedro e Tiradentes. E seguiu-se uma longa série de mudanças de nomes de ruas. Tudo para apagar o nosso passado monarquista. E então os brasileiros foram chamados à construção coletiva da nossa nova História.

Saindo um pouco das questões históricas, Laurentino falou também de política e criticou aqueles, entre nós, que pregam o voto nulo nas eleições de outubro. Para ele, votar nulo é negar a conquista do passado, é esquecer a luta da sociedade brasileira pelo direito de todos nós exercermos o direito de votar, de irmos às urnas. Temos – segundo ele – que fazer escolhas, por pior que sejam os candidatos. Até porque ele entende que os políticos que estão no poder são, nada mais, nada menos, que uma representação da sociedade brasileira e que para melhorar a qualidade deles temos que começar por nós, individualmente, sendo mais honestos, sinceros e menos individualistas.

Laurentino não gosta de falar por hipóteses, mas fez um exercício e disse: se o Brasil fosse uma Monarquia até hoje, não seria muito diferente, porque os barões seriam os mesmos, ou seja, Renan Calheiros, José Sarney, Paulo Maluf e muitos outros que todos nós criticamos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


31/08/2014 21:55:14

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Por quê? (346) – Didática, a bola da vez.


Cláudio Amaral

No primeiro semestre de História, no início de 2013, me apaixonei por Teoria da História, disciplina que nos era ministrada na FMU pela Professora Yara Gabriel.

No segundo, também em 2013, minha paixão ficou dividida entre Psicologia da Educação e História do Brasil Colonial, uma ensinada pela Professora Denise Canal e outra pela Professora Silvia Siriani.

No terceiro, já neste ano de 2014, me encantei profundamente pela História da Arte e pelas aulas do Professor André Oliva Teixeira Mendes.

Neste quarto semestre, que começamos a estudar no dia 1º de agosto, estou encantado pela disciplina da Professora Bernardete Carbonari: Didática.

Já tivemos – meus colegas e eu – três aulas com ela e, particularmente, senti uma atração especial e crescente pela matéria a cada aula.

Na terceira aula, nesta terça-feira (19/08/2014), o tema principal foi cativante. Na primeira parte, a Professora Bernadete completou as explicações iniciadas na aula anterior, a propósito das leis que nortearam a Educação no Brasil. Em seguida nos explicou como fazer a síntese de um texto, dizendo ser importante, pela ordem, ler a íntegra, contar os parágrafos, marcar as palavras-chave e só depois, se for o caso, grifar o que julgarmos mais importante. Por fim vem a síntese propriamente dita.

E foi o que fizemos, todos os alunos da classe 307 do prédio 7 da Rua Fagundes, na Liberdade, São Paulo, com o texto 1 da nossa apostila, ou seja, com a Introdução ao livro Didática e teorias educacionais, escrito pelo filósofo e escritor Paulo Ghiraldelli Jr.

A síntese de minha autoria, elogiada pela Professora Bernadete Carbonari, ficou assim:

O objetivo principal deste texto (de Introdução à Didática e Teorias Educacionais) é nos explicar o que é didática. E o autor (Paulo Ghiraldelli Jr.) explica com a seguinte definição:
- Didática é a “arte de ensinar” ou “estratégias e técnicas de ensino” ou ainda, mais sofisticadamente, “organização e otimização de processos de ensino-aprendizagem”.
O autor cita o pastor luterano J. A. Comenius, que disse, em 1630, em “Didacta magna”, que didática é a “Arte de ensinar tudo a todos”.
Para Paulo Ghiraldelli Jr., o autor desta “Didática e teorias educacionais”, “uma pessoa com didática é alguém que ‘sabe dar aula’ ou que ‘explica bem um determinado assunto ou, mais sofisticadamente, alguém que, em circunstâncias diversas, ‘sabe organizar e otimizar processos de ensino-aprendizagem”.
Ghiraldelli se dirige diretamente a professores e educadores e destaca, por exemplo:
- O que pretendo é mostra como considero “o campo de saberes necessários àqueles que estudam educação tomado como didática”.
O autor cita outro, Richard Rorty, para explicar que “a verdadeira didática… deve muito à capacidade geral de se dispor para o outro, na troca de olhares e ‘cotejamento’ entre educador e educando”.
Ghiraldelli faz questão de comentar que fez “uma dedicatória genérica”, mas dirigida diretamente “para os professores que amam a liberdade”. E em seguida explica a razão do termo “liberdade”, dando uma cutucada, fazendo uma crítica à “Ditadura Militar”, lembrando com aparente tristeza, que “ainda encontro professores cultuando a ‘ígualdade’” e esquecendo “da liberdade”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


19/08/2014 21:56:02

terça-feira, 29 de julho de 2014

Por quê? (345) – Marília, Chão do Nosso Amor


Cláudio Amaral

São 101 crônicas a respeito das raízes da Capital da Alta Paulista. Textos cuidadosamente divididos em 11 capítulos, pela ordem: 8 em Tradição e Raízes, 7 em Eterno Retorno, 9 em Vivência e Coisas de Nossa Gente, 9 em Segredos de Nossa Fé, 8 em Homens Fazendo a História, 9 em Mulheres Guerreiras, 6 em Saúde de Nosso Povo, 9 em Memórias, 6 em Anos Encantados, 16 em Manifestações Culturais e Sociais e 14 em Travessia rumo ao progresso.

A publicação é de 2003 e foi patrocinada pela Comissão Organizadora dos Registros Históricos da Câmara Municipal e da Cidade de Marília, outrora chamada de Cidade Menina por um de seus filhos mais apaixonados, o Jornalista José Arnaldo, que por mais de 40 anos escreveu a coluna De Antena e Binóculo no diário Correio de Marília.

E a autora (?), deve estar me perguntando o e-eleitor amigo. Afinal, quem é a autora? A autora é uma das mais conhecidas mulheres dentre todas as que vivem em Marília: Rosalina Tanuri. Ou melhor: a respeitada Professora (com P) Rosalina Tanuri, que ainda não conheci pessoalmente, mas de quem muito bem falaram todos que dela me deram referências. Em especial o Amigo Toninho Neto (aposentado do Serviço Público Municipal de Marília) e a Amiga Wilza Matos Teixeira (responsável pela Biblioteca da Câmara Municipal), com quem estive no dia 18/07/2014, por ocasião da mais recente viagem que fiz a Marília.

Como se isto não bastasse, também me falaram muito bem de Rosalina Tanuri duas marilienses da minha mais alta consideração: a minha sogra Aparecida Grenci Bravos (a Bisa Cida) e a mulher que divide comigo as alegrias e as tristezas do dia a dia desde 5 de setembro de 1971, Sueli Teresinha Bravos do Amaral.

Professora formada no Curso Normal do Colégio Amilcare Mattei, em Marília, no final dos anos 1960, Sueli me disse nesta manhã fria de São Paulo:

- Rosalina Tanuri foi minha Professora de Geografia em meado dos anos 1960, no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Marília.

Vovó Rosalina, como ela assina na página em que dedica o livro Marília, Chão do Nosso Amor aos netos Bruno e Diego, tem um texto leve, claro e cativante. Suas 101 crônicas são curtas e, portanto, de leitura fácil. Estão sempre repletas de detalhes, muitos detalhes, que nos levam a conhecer as pessoas, muitas delas pioneiras, que fizeram a história e foram responsável pelo progresso de Marília. Ela nos mostra mais do que os pioneiros e as pioneiras: mostra também os lugares, os costumes, os fatos e os principais acontecimentos da vida de uma das cidades mais importantes do Estado de São Paulo e do Brasil.

Trata-se de uma mulher identificada pelo autor do prefácio deste livro, Toshitomo Egashira, como uma pessoa dedicada, carinhosa, paciente e sempre ocupada com a preservação da história local (principalmente) e regional (por consequência).

Como mariliense de coração, jornalista desde 1968 e agora estudante de História na FMU/Campus Liberdade/SP, dediquei-me à leitura de Marília, Chão do Nosso Amor entre 25 e 29/07/2014. E, apesar da minha passagem por Marília ter sido muito rápida para o meu gosto (1969, quando cheguei de Adamantina a 1971, ano em que me transferi para Campinas), nos textos de Rosalina Tanuri me foi possível rever gente e relembrar de lugares, fatos e acontecimentos dos meus tempos como repórter do Jornal do Comércio local e correspondente regional de O Estado de S. Paulo.

Foi uma leitura nostálgica e emocionante, podem crer meus e-eleitores. Tão emocionante quanto a frase final do prefácio de Toshitomo Egashira:

- Rosalina Tanuri, vocé é o ponto de encontro da vida com a vida.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


29/07/2014 13:30:52

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Por quê? (344) – CDF? Sim!


Cláudio Amaral

Fiquei revoltado no domingo (27/07/2014) pela manhã, no páteo da Paróquia Santa Rita de Cássia de Vila Mariana (SP), quando um paroquiano me classificou de CDF.

Depois de algumas gargalhadas (da parte dele e de outros que estavam na mesma roda de conversa mole), ele explicou:

- Você tem coragem de dizer que vai retomar as aulas na FMU em plena sexta-feira?

Disse e gargalhou mais ainda.

Eu? Eu confirmei que sim e ainda expliquei os motivos:

- A FMU marcou o início das aulas para o primeiro dia de agosto e lá estarei (no campus Liberdade), até porque no semestre passado, quando estava nos Estados Unidos, perdi a primeira semana de aulas e depois foi um custo me recuperar.

Mesmo assim, ele, a mulher (que também estuda na FMU, embora em outro curso) e outros paroquianos continuaram a rir na minha cara.

À noite, já em casa e feliz com a vitória do meu Corinthians sobre o rival (mas nunca inimigo) Palmeiras, por 2 a 0, voltei a pensar no assunto e dei razão a aqueles que tiraram um sarro na minha cara:

- Sou e reconheço que sou CDF.

E hoje, segunda-feira (28/07/2014), separando e revendo o material que terei de levar para o início das aulas, na sexta-feira e ao longo da próxima semana, repassei o filme da minha vida e dei a mão à palmatória:

- Sou e sempre fui CDF. Na escola, no trabalho, na vida.

Relembrei minha infância e o início da minha “vida de trabalhador”, aos seis anos de idade, no Sacomã, aqui mesmo em São Paulo, numa sapataria; os estudos no grupo escolar do bairro do Moinho Velho; os anos que passei nas lavanderias em que meu saudoso pai me levava para trabalhar com ele; o primeiro emprego no Foto Linense, em Adamantina (SP); as viagens ao lado do Amigo Ademar Shigueto Hayashi pelas estradas de terra da minha cidade natal, ajudando ele nas vendas de máquinas de costura e receptores de rádio; as mudanças para Marília, Campinas e São Paulo

Em todas essas fases – e nas posteriores também – sempre fui dedicado, sério, compenetrado; sempre procurei me dedicar ao máximo e dar o meu melhor. Foi assim nos meus tempos de Estadão, de Secretaria da Agricultura, de A. A. Comunicações, de COMUNIC, de Correio Brasiliense, de Associação Comercial de São Paulo, de Folha de S. Paulo, de UOL, de Jornal do Brasil, de O Estado de Mato Grosso do Sul, de Comércio da Franca e de A Tribuna de Santos.

Jamais fiz qualquer atividade pela metade. Jamais empurrei sujeira para debaixo do tapete. Jamais me dediquei pela metade aos meus pais, à minha Família, à minha mulher, aos meus filhos e aos meus netos.

Jamais, jamais, jamais. Sou assim e assim continuarei a ser.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


28/07/2014 16:13:40

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Por quê? (343) – Cortez, o livreiro do Brasil.

O TUCA no dia 10/6/2014 e as paredes preservadas após o incêndio de 30 anos passados

Cláudio Amaral

Tive, na manhã desta quinta-feira (03/07/2014), oportunidade de conhecer bem de perto uma das figuras mais interessantes dentre todas as com quem dialoguei pessoalmente nestes meus 64, quase 65 anos de vida: José Xavier Cortez, que a partir de agora, para mim, é “o livreiro do Brasil”.

A primeira vez que vi Cortez ao vivo foi no auditório do TUCA, o Teatro da Universidade Católica de São Paulo. Era noite de 10 de junho de 2014 e eu estava lá por conta de uma palestra e do lançamento do livro Educação, Escola e Docência: novos tempos, novas atitudes.

O Professor Mario Sergio Cortella era o palestrante e o autor do livro. Mas quem providenciara (e bancava) tudo era a Cortez Editora. E nada mais justo que o diretor-presidente da empresa fizesse a apresentação do evento.

Pois bem: de repente, do nada, um senhor de pouco mais de 70 anos de idade, estatura baixa, forte sotaque nordestino, subiu ao palco e começou a falar. E, mesmo sem ser apresentado e nem se apresentar à platéia, contou a nós todos, centenas de pessoas, a razão de as paredes do TUCA terem sido mantidas tal qual ficaram após o incêndio de 30 anos passados. Ainda que o imóvel tivesse sido reformado tão logo a ditadura pós-1964 permitira.

Na sequência veio uma outra pessoa. Um homem alto, corpulento, voz forte e que dispensava apresentação. Todos nós sabíamos que ele era o Professor Cortella e qual era a razão da presença dele no local.

Antes, entretanto, de fazer a tão esperada palestra e nos apresentar o conteúdo do livro em lançamento, Cortella falou do pequeno grande homem que o antecedera no palco: José Xavier Cortez, que há mais de 50 anos saira do sertão do Rio Grande do Norte para arriscar a vida em São Paulo. E que vencera em terras paulistanas. Primeiro lavando carros e depois vendendo livros nos corredores da PUC para pagar o curso superior de Economia. Agora, família constiuída e formada, homem vitorioso e empresário bem-sucedido, Cortez alí estava para defender “a cultura da paz” com o objetivo de “evitar a violência” entre os seres humanos. E principalmente entre as crianças.

Cortez me impressionou tanto que imediatamente após chegar em casa, naquela noite, escrevi a ele e pedi um encontro. Queria conhecer de perto aquela figura e suas histórias de vida.

Foi o que fizemos na manhã desta quinta-feira, entre 10h30 e 11h45, na sala simplissima da presidência que ele ocupa na Cortez Editora. Ele falou em detalhes da vida toda, da mulher (Potira), das três filhas (Mara, Marcia e Miriam), dos pais (Mizael e Alice), dos irmãos, dos amigos, das festas, da dança (especialmente o forró, o ritmo preferido dele), da admiração pelo Barão de Mauá e de tudo (ou quase tudo) que ele mais gosta. Incluindo os livros, claro.

Falou e perguntou. Gostou de saber que Flávio Luís Rodrigues, autor de “Vozes do Mar – O movimento dos marinheiros e o golpe de 64”, editado pela Cortez, é meu Professor de História na FMU. E repetiu que tem preferência por autores nacionais, cujos livros oferece às empresas estrangeiras em todas as feiras no exterior, por entender o Brasil tem muito mais a oferecer do que a importar.

Por fim, Cortez me explicou a paixão que tem pelo Brasil e pela transmissão das experiências próprias em todo tipo de escola, da pública à particular, nos bairros pobres e ricos. Disse que foi por isso que criou o projeto “Rodas de Conversa”, que objetiva difundir “A leitura, o livro e o editor”.

Esse, certamente, será o maior “gol de placa” que José Xavier Cortez fará em todo a vida.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


03/07/2014 22:16:51

domingo, 15 de junho de 2014

Por quê? (342) – O fuzilamento de Marc Bloch

 Marc Bloch, o historiador

Cláudio Amaral

Hoje, 16 de junho, é dia de lembrarmos a morte, por fuzilamento, de um dos mais ilustres historiadores: Marc Bloch. 

Nascido a seis de julho de 1886 em Lyon, na França, Marc Léopold Benjamin Bloch (http://pt.wikipedia.org/wiki/Marc_Bloch) foi um dos mais notórios historiadores do século passado e do mundo em todos os tempos, um dos fundadores da renomada Escola dos Annales (http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_dos_Annales) e nem por isso deixou de ter um fim triste, muito triste: foi fuzilado a 16 de junho de 1944, na localidade francesa de Saint-Didier-de-Formans (http://pt.wikipedia.org/wiki/Saint-Didier-de-Formans), depois de ter sido aprisionado por nazistas que lutavam na Segunda Guerra Mundial (1939-1945 – http://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Mundial), o mesmo conflito em que lutou meu saudoso sogro, José Padilla Bravos (http://josearnaldodeantenaebinoculo.blogspot.com.br).

Apesar da trajetória gloriosa que teve Marc Bloch e da minha militância na imprensa por mais de 40 anos, só vim a tomar conhecimento da existência dele em 2013. Foi quando ingressei na FMU/SP para cursar Licenciatura em História e me preparar para a carreira de historiador.

E quem me apresentou a Marc Bloch foram meus Mestres Flávio Luís Rodrigues e André Oliva Teixeira Mendes.
Titular da disciplina de Historiografia, no segundo semestre do curso, o Professor André encomendou a mim e a todos os meus colegas um trabalho individual a respeito do livro Apologia da História ou o Ofício de Historiador. E é esse texto que disponibilizo agora a todos os meus e-leitores:

Quem foi Marc Bloch, autor de Apologia da História?
Marc Bloch é mais do que um historiador. É “um historiador francês notório”, “um dos fundadores da Escola dos Annales” (1929), “o maior medievalista de todos os tempos” e “o maior historiador do século XX”, segundo seus parceiros, admiradores e seguidores de diferentes partes do mundo. E Apologia da História ou o Ofício de Historiador, livro publicado pela primeira vez cinco anos após a morte do autor e editado no Brasil a partir de 2001, tem uma característica especial, que o faz destacar das demais obras dele: foi escrito (ou melhor, manuscrito) nas piores condições em que um escritor pode se encontrar; foi escrito na prisão e, por isso, sem que ele tivesse acesso a qualquer fontes de consulta, a não ser a própria memória.
Felizmente, os manuscritos de Marc Bloch foram localizados, recuperados graças aos esforços e a boa vontade do filho Étienne Bloch (1921-2009) e em seguida editados. Só assim foi possível o acesso a esta obra póstuma deste homem que nasceu em Lyon no dia 6 de julho de 1886, foi registrado como Marc Léopold Benjamin Bloch e morto a 16 de junho de 1944, em Saint-Didier-de-Formans.
A morte de Marc Bloch se deu por fuzilamento, por nazistas envolvidos na Segunda Guerra Mundial (conflito militar global e o mais letal da história da humanidade). Eles (os nazistas) não concordavam com as ideias do filho de Gustave Bloch, professor de História Antiga, que deve ter influenciado na carreira do filho e o levou à Escola Normal Superior de Paris, depois em Berlim e em Leipzig. Em seguida, Marc Bloch foi bolsista da Fundação Thiers, em Paris, entre 1909 e 1912; participou tanto da Primeira (1914 a 1918) quanto da Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945); e, ainda em vida, publicou, entre outros, Os reis taumaturgos (1924) e A sociedade feudal (1939). Após sua morte foram publicado pelo menos três livros: A estranha derrota (1946), Introdução à história (1949) e Apologia da História (1949).
Depois de 1949, o livro Apologia da História foi reeditado outras vezes. Em 1993, 1997, 2001 e 2012, quando, além do prefácio do também consagrado historiador Jacques Le Goff, a edição brasileira da obra de Marc Bloch foi enriquecida com a apresentação de Lilia Moritz Schwarcz (doutora em Antropologia Social pela USP).
Traduzida da edição francesa por André Telles (tradutor pela Universidade de Nancy, França) e publicada por Jorge Zahar Editor, a edição que temos em mãos nos apresenta uma vantagem a mais: a grafia atualizada respeitando o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em vigor – oficialmente – desde 1º. de janeiro de 2009. Tem cinco capítulos: I – A história, os homens e o tempo; II – A observação histórica; III – A crítica; IV – A análise histórica e V – (Sem título).
No primeiro capítulo (p. 51) encontramos cinco subdivisões: 1. A escolha do historiador (p. 51), 2. A história e os homens (p. 52), 3. O tempo histórico (p. 55), 4. O ídolo das origens (p. 56) e 5. Passado e “presente” (p. 60). Aqui (Capítulo I) o autor situa a história no tempo: “A palavra história é uma palavra antiquíssima: [tão antiga que às vezes nos cansamos dela. Raramente, é verdade, chegou-se a querer riscá-la completamente do vocabulário.]” (p. 51). Aproveita para lançar uma censura severa à busca desesperada pela origem dos fatos:
Não deixa de ser menos verdade que, face à imensa e confusa realidade, o historiador é necessariamente levado a nela recortar o ponto de aplicação particular de suas ferramentas; em consequência, a nela fazer uma escolha que, muito claramente, não é a mesma que o biólogo, por exemplo; que será propriamente uma escolha de historiador. Este é um autêntico problema de ação. Ele nos acompanhará ao longo de todo o nosso estudo. (p. 52).
No segundo capítulo (p. 69) o autor nos apresenta três observações históricas: 1. [Características gerais da observação histórica] (p. 69), 2. Os testemunhos (p. 76) e 3. A transmissão dos testemunhos (82). Além de um estudo da observação histórica por intermédio dos testemunhos, Bloch faz referências à sua transmissão:
Reunir os documentos que estima necessários é uma das tarefas mais difíceis do historiador. De fato ele não conseguiria realizá-la sem a ajuda de guias diversos: inventários de arquivos ou de bibliotecas, catálogos de museus, repertórios bibliográficos de toda sorte. (p. 82).
No terceiro capítulo (p. 89) lemos: 1. Esboço de uma história do método crítico (p. 89), 2. Em busca da mentira e do erro (p. 96) e 3. Tentativa de uma lógica do método crítico (p. 109). Numa dessas subdivisões o autor faz um alerta contra erros e mentiras que podem se tornar verdades: “A maioria dos escritos assinados com um nome suposto mente com certeza também pelo conteúdo” (p. 96). Em seguida, dá um exemplo: “Um pretenso diploma de Carlos Magno revela-se, ao exame, como forjado dois ou três séculos mais tarde?” (p. 96 e 97). E detalha: “Pode-se apostar mesmo que as generosidades com as quais qualifica a honra ao imperador foram igualmente inventadas” (p. 97). Mas isso poderia ser previsto? Não, porque “certos atos foram fabricados com o único fim de repetir as disposições de peças perfeitamente autênticas, que haviam sido perdidas” (p. 97).
No quarto capítulo (p. 125) Bloch aperta o cerco sobre “A análise histórica” em quatro subdivisões: 1. Julgar ou comprender? (p. 125) 2. Da diversidade dos fatos humanos à unidade de consciência (p. 128), 3. A nomenclatura (p. 135) e 4. (Sem título) (p. 147). E, fazendo um paralelo entre o juiz e o historiador, o autor discute o que a história deve fazer: julgar ou compreender?
No quinto e último capítulo, também sem título (p. 155), apenas esboçado, Marc Bloch investiga as causas dos fatos históricos, com um ataque contundente ao positivismo:
Em vão o positivismo pretendeu eliminar da ciência a ideia de causa. Querendo ou não, todo físico, todo biólogo pensa através de “por quê?” e de “porque”. Os historiadores não podem escapar a essa lei comum do espírito. Alguns, como Michelet (Jules Michelet, filósofo e historiador francês nascido em 1798 e falecido em 1874), encadeiam tudo num grande “movimento vital”, em lugar de explicar de forma lógica; outros exibem seu aparelho de induções e de hispóteses; em todos o vínculo genético está presente. (p. 155).
Apologia da História é nada mais nada menos que o produto de um momento histórico. Como diz Jacques Le Goff (também historiador, francês, medievalista e autor de biografias como a de São Luís), Apologia da História é mais do que um testamento. É um “livro acabado” e “é um ato completo de história”.
Apologia da História (publicado em 2001) poderia ter sido muito mais do que isso tudo. Para isso, entretanto, Marc Bloch precisaria viver mais – e viver até quando suas forças físicas e mentais permitissem – e não fuzilado, como foi por aqueles que tiveram a crueldade de tirar-lhe a vida, a vontade de viver e de lutar. E mais do que isso: teve a coragem de defender suas ideias e ideais. Bloch precisaria mais: estar livre para pensar e expor suas ideias. Necessitaria também ter condições de pesquisar livremente, para escrever com segurança, para ensinar sem paredes e barreiras. Mas não foi isso que o nazismo reservou a ele – e a nós, que nos vimos privados da capacidade que ele tinha de usar sua inteligência e conhecimentos a respeito do mundo e da política que se vivia na primeira metade do século XX.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

15/06/2014 21:47:28

terça-feira, 6 de maio de 2014

Por quê? (341) – Noite feliz


Cláudio Amaral

Há tempos não participava de um evento público da importância do Prêmio Personalidade da Comunicação 2014. Mas, na noite desta terça-feira (06/05/2014), atendi ao convite dos Amigos Eduardo Ribeiro e Marco Rossi, e fui assistir à homenagem que eles e a Telefônica Vivo prestaram – com justiça – à Jornalista Miriam Leitão.

Fui e não me arrependi. Fui e iria mais quantas vezes fosse convidado.

Fui e aproveitei para me sentir novamente em meio a Amigos e Jornalistas, o que não fazia desde que passei a frequentar – pela quinta vez – o ambiente acadêmico e as aulas de História na FMU/Campus Liberdade/SP, desde o início de 2013.

Disse e repito: fui ao Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, e aproveitei para rever e matar a saudade de inúmeros Amigos. Entre eles, e além dos dois já citados, Sérgio Kobayashi (meu Presidente na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo entre 1998 e 2003, no Governo de Mário Covas), Audálio Dantas, J. J. Fornes, Decio Paes Manso e Thales Toffoli (diretores do Maxpress), Alexandre Martins (meu repórter nos bons tempos de Correio Brasiliense) e Paulo Vieira Lima.

Foi uma noite realmente feliz, porque, em pé, no auditório principal do Rebouças, incontáveis filmes me passaram pela cabeça, enquanto Miriam Leitão era homenageada por cerca de 400 pessoas.

·       O filme dos meus tempos de curso no Batalhão do Exército, em São Vicente, onde cantávamos o Hino Nacional do Brasil antes do início de cada aula.
·       O filme dos cinco anos e 45 dias em que trabalhei ao lado – e sob o comando – de Sérgio Kobayashi e Carlos Conde, na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
·       O filme dos tristes anos de chumbo após o golpe civil e militar de 1964 e até 1985, durante os quais Miriam Leitão foi presa ainda grávida do primeiro filho porque lutava nas ruas e em passeatas pela redemocratização do Brasil.
·       O filme da campanha pelas Diretas Já no Vale do Anhangabaú, em que ambos estivemos (ela e eu, em meio a dezenas de milhares de pessoas que lá foram para ouvir gente do porte de Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Mário Covas…).
·       O filme das lembranças dos tempos em que a homenageada fazia as primeiras entrevistas para a televisão com aquele que foi sem nunca ter sido nosso primeiro presidente civil na Presidência da República, Tancredo Neves.
·       O filme dos meus netinhos, Beatriz e Murilo, no momento em que Miriam Leitão homenageou os quatro netos que ela tem e nos quais pensa toda vez que imagina o futuro do Brasil.
·       O filme das emoções, alegrias e tristezas que vivi e senti nas ruas de São Paulo, em campanha para eleger o saudoso Mário Covas quando ele foi candidato a deputado federal, a senador, a presidente da República e a governador paulista.
·       O filme (ou filmes?) das últimas campanhas eleitorais, que me deixaram tão descrentes na nossa classe política e que para a próxima, como comentei com Sérgio Kobayashi, só irei votar porque ele me lembrou que ainda nos resta uma esperança: o deputado Bruno Covas, o único que não nos deixa perder a fé nos políticos do futuro. Aquele futuro em que Miriam Leitão tanto acredita – como disse ontem à noite – ao pensar nos quatro netinhos que os dois filhos deram a ela.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


06/05/2014 22:54:58

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Por quê? (340) – O Patriarca está em casa




Cláudio Amaral

Minha biblioteca está temporariamente mais rica. Temporariamente porque os cinco livros que aqui entraram na tarde desta quarta-feira, 23/4/2014, não são meus. São do meu Amigo e Compadre Carlos Conde, Editor-chefe do diário A Tribuna de Santos.

São todos ligados à figura do Patriarca da Independência do Brasil, José Bonifácio de Andrada e Silva (foto), que tem sido figura constante nas minhas aulas de Brasil Colonial, na FMU/Campus Liberdade/SP, com a Professora Silvia Cristina Lambert Siriani.

Por conta disso, e como estou me preparando para ser Historiador, além de Jornalista, resolvi buscar informações as mais detalhadas possíveis sobre a vida de José Bonifácio.

Sabendo que ele nasceu em Santos, onde trabalhei por um bom tempo, fui consultar quem também é nascido lá e para a Capital da Baixada voltou depois de rodar o mundo a serviço de grandes jornais. Entre eles, O Estado de S. Paulo, onde nos conhecemos nos anos 1970.

Carlos Conde respondeu de imediato minha consulta a respeito de José Bonifácio e para mim separou cinco dos melhores livros que tem a respeito daquele que foi braço forte de D. Pedro I quando da Proclamação da Independência do Brasil.

Menos de 24 horas após ser comunicado por telefone que os livros estavam à minha disposição, lá fui eu, de Metrô, para o bairro paulistano de Perdizes, na zona oeste da capital paulista.

Lygia Conde, a filha do meu Amigo e Compadre, mora num local privilegiado, ao lado da PUC, na Rua João Ramalho. E foi lá que peguei estes cinco livros:

1)   José Bonifácio e a unidade nacional, de autoria de Therezinha de Castro, geógrafa do Instituto Brasileiro de Geografia e professora de Geo-História da Faculdade de Humanidades Pedro II e de História do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. A obra é da Record e de 1972.

2)   José Bonifácio e a História dos Fundadores do Brasil, por Octávio Tarquínio de Sousa (1889-1959), historiador também formado em Direito. Esta publicação saiu em 1988 pela Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo (USP).

3)   José Bonifácio de Andrada e Silva – Projetos para o Brasil, sob a organização de Miriam Dolhnikoff, pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e autora do Atlas de História do Brasil (1993). A obra foi editada pela Companhia das Letras em 1998.

4)   Construção da nação e escravidão no pensamento de José Bonifácio – 1783-1823, de Ana Rosa Cloclet da Silva, historiadora pela Universidade Estadual de Campinas. Trata-se de um livro editado pela Editora da Unicamp em 1999.

5)   José Bonifácio, primeiro Chanceler do Brasil, por João Alfredo dos Anjos, formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, diplomata pelo Instituto Rio Branco e historiador pela Universidade Federal de Pernambuco. Esta obra foi editada em 2008 pela Fundação Alexandre de Gusmão.

Agora só me resta esperar pelo fim do terceiro semestre de Licenciatura em História na FMU para ter tempo de me dedicar à leitura de tais obras.

Será uma leitura das mais prazerosas, com certeza. E produtiva, também, com mais certeza ainda.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


24/04/2014 00:07:50

sábado, 19 de abril de 2014

Por quê? (339) – A alegria de morar aqui…


Cláudio Amaral

Morar bem é um privilégio. Um privilégio que poucos podem dizer que têm. E eu sou um deles. Eu, minha Sueli, nossos filhos… Nossos netos, também, por que não?

Vivo dizendo – sim, vivo dizendo, por que não admitir? – que gostaria de viver num apartamento. De preferência, num apê dos menores. Um apê tipo daquele que morei a partir do início de setembro de 1971, quando Sueli e eu nos casamos.

Nosso primeiro apartamento ficava num prédio situado quase no final da Rua Nicolau de Souza Queiroz, na Aclimação. Era minúsculo. Não passava de 40 metros quadrados e nem garagem tinha.

Mas, também, se não tínhamos carro, por que iríamos querer garagem.

Na época – setembro de 1971, repito – eu me deslocava pela manhã até a Rua Major Quedinho, no centro velho de São Paulo, e de lá voltava, tarde da noite, usando os ônibus elétricos da CMTC. Eram os famosos “chifrudos”, assim apelidados porque tinham dois mastros saindo da parte traseira e ligando os motores à rede aérea de energia elétrica.

E a aqueles que perguntavam do meu carro eu respondia: Carro? Para quê eu quero carro, se posso ir e vir com a vantagem de ter motorista – no caso, condutor – particular?

Era muito divertido apreciar a cara de espanto dos meus colegas de reportagens, fossem eles do Estadão, onde eu trabalhava, ou de qualquer outro jornal ou rádio ou televisão. Site, não, porque naquela época não havia Internet.

Da Rua Nicolau de Souza Queiroz a família, que já havia crescido, se mudou para uma moradia própria na Rua Machado de Assis, ainda na Aclimação. E de lá, anos depois, viemos para nossa atual moradia, na Rua Gregório Serrão.

Moramos inicialmente de aluguel, mas logo compramos a casa. Uma moradia ampla, com três pavimentos e acomodações para todos: o casal e os três filhos.

E a aqueles que perguntam pelo meu endereço, explico, invariavelmente: vivo na Aclimação, uma pequena cidade do interior, nas proximidades do centro da maior cidade do País.

Digo isso e por dentro, sem que eles percebam, dou risadas – ou melhor, gargalhadas –, imaginando a inveja que sentem. E hoje, exatamente hoje, dia 19 de abril de 2014, penso que sentiriam – ou sentirão? – inveja maior ainda. Afinal, fui acordado por um passarinho, logo cedo, cedinho.

Meu relógio de cabeceira não marcava nem seis horas da manhã quando tal figurinha se alojou do lado de fora da minha janela e se pôs a cantar. Minha alegria foi indescritível. Nem abrir a janela eu tive coragem. Não queria espantá-lo. Não desejava incomodá-lo.

Horas depois, quando passava das 15h30, terminei a leitura do Estadão do dia, me levantei, afastei a cadeira da mesa da sala e olhei pela janela. E lá estavam dois passarinhos. Haviam se acomodados no muro que separa minha casa do prédio ao lado, o “espigão” construído na esquina das ruas Gregório Serrão e Machado de Assis. Nem me mexi. Nem abri a boca. Agradeci a Deus – mentalmente – pelo privilégio de morar aqui, de estar vivo, com saúde e de poder apreciar o dia maravilhoso que faz hoje.

Por fim, fiz um pedido, desta vez de viva voz: queria que eles, os dois, viessem até a soleira da janela da sala. E, sem medo, até porque sou do Bem e da Paz, viessem cantar prá mim. Do mesmo jeito que um deles, seja lá qual for, cantou pela manhã, na janela do meu quarto.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


19/04/2014 16:23:46

domingo, 6 de abril de 2014

Por quê? (338) – José Arnaldo 92


Cláudio Amaral

Se vivo estivesse, o Jornalista e Pracinha José Padilla Bravos, o José Arnaldo, estaria a completar neste 7 de abril de 2014 exatos 92 anos.

Sim, não se trata de uma idade cheia. Algo como 50, 80 ou 100 anos.

Mas, por que seria preciso uma data cheia para falarmos de alguém que nos provoca tantas saudades como José Arnaldo?

E por que, você, caro e-leitor, pensa que estou a escrever a respeito do pai da minha Sueli, ou seja, do meu sogro, marido de Dona Cidinha por mais de 50 anos?

É simples: escrevo porque entendo que ele merece e pela simples razão de que precisa ser lembrado sempre.

Especialmente agora quando a cidade que ele mais amou, Marília, acaba de completar 85 anos de emancipação política e administrativa.

Exatamente: José Arnaldo teria neste sete de abril de 2014 sete anos a mais do que a querida “Cidade Menina”, como ele gostava de escrever a respeito de Marília.

E como ele gostava de escrever bem de Marília.

E como ele ficava nervoso, raivoso, quando alguém criticava Marília.

Ele, José Arnaldo, podia falar criticar Marília. Outra pessoa, não. Fosse quem fosse.

José Arnaldo criticou – e muito – os políticos de Marília. Muitos políticos. “Meteu o pau”, como ele dizia, em vereadores, prefeitos e deputados.

Fez campanha contra todos que trabalhavam sem levar em consideração os interesses de Marília. Especialmente no caso dos eleitores que votavam em candidatos de fora, fossem eles concorrentes à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ou pretendentes a uma cadeira no Congresso Nacional, em Brasília.

José Arnaldo queria todos os marilienses votando em candidatos locais. Estes nem precisavam ter nascidos em Marília, como ele não veio ao mundo em território mariliense, mas tinham, obrigatoriamente, que ter uma vida pública inteiramente dedicada aos interesses da “Capital da Alta Paulista”, outra expressão preferida por ele.

E José Arnaldo tanto fez que conseguiu ver políticos de Marília tanto no Palácio 9 de Julho, em São Paulo, como no Congresso Nacional, em Brasília. Entre eles, os Amigos Diogo Nomura, Aniz Badra e Oswaldo Doretto Campanari, que representaram Marília tanto na Capital paulista quanto na Capital Federal.

José Arnaldo tinha cara de bravo. Era visto por muitos como carrancudo e sem senso de humor.

Mas os Amigos dele – eu, como genro – podemos garantir que não era sempre assim. Ele sabia ser sorridente, contar causos e piadas. Sabia mais: escrevia como poucos. E escrevia muito bem.

José Arnaldo tinha um carinho especial pela esposa Cidinha (agora com quase 86 anos) e pelos filhos, todos os filhos, mas especialmente pelas “meninas”, como ele gostava de se referir às duas filhas: Sueli e Salete.

Ele morreu cedo. Ou bem mais cedo do que nós todos gostaríamos. Nos deixou a 15 de agosto de 1999, aos 77 anos, após ter escrito por mais de 40 anos em defesa de Marília e dos interesses locais nas páginas do Correio de Marília.

Costumo dizer – e escrever, sempre que tenho oportunidade – que José Arnaldo foi “o mais mariliense de todos os marilienses”. E mais: tenho provas e mais provas de que ele foi, além de um bairrista, um brasileiro como poucos. Muito poucos.

José Arnaldo conheceu todos os 16 netos, mas ao nos deixar tinha apenas um bisneto: o Rafael, filho do André Guilherme, que havia nascido também num dia 7 de abril, em 1997. Infelizmente, ele não não teve o privilégio de conhecer outros nove bisnetos: Laura (filha de Rogério e Cilene, que vivem em Orlando, na Flórida, EUA), José (da Paula e do José, que vivem em Barueiri/SP), Gabriel e Mayara (da Betânia, que vive em Brasília), Anderson (da Maíra, que vive em Chicago, nos EUA), Laura (filha do Bruno, que vive em SP), Bruna (da Thaís e Marcos, que também vivem em SP),  Beatriz e Murilo (da Cláudia e do Márcio, que vivem em Ashburn Village, Virgínia, EUA).

Imagino, cá comigo, o quanto José Arnaldo se divertiria e daria risadas e mais risadas diante das brincadeiras dos bisnetos. Posso garantir que ele daria até gargalhadas. Muitas gargalhadas.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


06/04/2014 10:33:44

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Por quê? (336) – Nada como tudo…


Cláudio Amaral

“Nada como tudo em matéria de principalmente”, dizia, na nossa adolescência, minha hoje duplamente comadre Maria Erminia Santiago Rocha Molica. Duplamente porque ela é madrinha de minha filha e eu e minha mulher batizamos o único filho dela, o irriquieto Rafael.

Mas, porque me lembrei disso hoje (algum dia de janeiro de 1996), tantos anos depois?

Tantos quanto um quarto de século.

Sim, pelo menos 25 anos, porque a primeira vez que ouvi esta frase foi em 1969. Ou teria sido em 1970?

Ao certo, mesmo, não sei. Sei apenas que naquela época éramos todos solteiros e que ainda morávamos em Marília (SP).

Lembrei dessa frase por causa de um fato acontecido na semana passada (janeiro de 1996), numa loja da Varig aqui do meu bairro, a Vila Mariana, quando uma amiga foi retirar uma passagem para ir de São Paulo ao Rio de Janeiro e voltar de lá para cá.

A ordem de emissão do bilhete, o chamado PTA, não foi localizada na hora. Disseram que a passagem havia sido retirada na noite anterior, no Aeroporto de Congonhas – o que não era verdade e disto eu fui testemunha.

Mandaram, então, que a cliente voltasse mais tarde ou aguardasse um telefonema da atendente da Varig.

Antes, entretanto, que ela chegasse ao seu local de trabalho, a atendente ligou, disse que havia localizado o tal PTA e que minha amiga poderia voltar até a loja para retirar a passagem.

Quando me contaram este caso eu imediatamente me lembrei da frase da comadre Maria Erminia, que hoje está casada com o compadre Elias e mora em Santos: “Nada como tudo em matéria de principalmente”.

Lembrei dessa frase e de duas outras companhias aéreas, concorrentes da Varig: a TAM (na época presidida pelo comandante Rolim Adolfo Amaro) e a Scandinavian Air Lines.

Lembrei-me da TAM e imaginei que jamais esta empresa faria o que fez a Varig.

A TAM até poderia, imagino, não localizar o PTA de um cliente, como ocorreu com a Varig. No entanto, jamais diria que minha amiga deveria voltar à loja para retirar o bilhete que fora buscar anteriormente.

A TAM, tenho certeza, mandaria um funcionário levar a passagem onde fosse necessário e pediria disculpas pelo incômodo.

A Scandinavian, imagino, faria o mesmo.

Por quê?

Porque estas duas companhias têm fama de levar os respectivos clientes a sério e de tratá-los como eles merecem e devem ser tratados.

Têm fama e merecem a fama que têm.

A TAM, a Scandinavian e inúmeras outras empresas que aprenderam que hoje não basta ter o melhor preço, o melhor produto, a loja mais bonita, os funcionários mais bem treinados, a operação mais eficiente, as máquinas mais bem programadas e a propaganda mais objetivo e clara do mercado.

É preciso, também, ter e oferecer algo mais a cada cliente.

Exatamente como a TAM e a Scandinavian, por exemplo.

Ou seja: é preciso ter e oferecer nada mais do que “tudo em matéria de principalmente”, como dizia a comadre Maria Erminia.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


26/02/2014 17:46:20