sexta-feira, 30 de maio de 2008

Por quê? (89) A SP-294, a inoperância e a política


Cláudio Amaral

A Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros só está no estado lastimável que vimos durante a viagem de quarta-feira (21) e sábado (24/5/2008) da semana passada, entre Bauru/Marília/Bauru, porque os políticos da região nunca conseguiram se entender com os governadores do Estado.

De Laudo Natel a José Serra, passando por Paulo Maluf, Paulo Egydio Martins, Franco Montoro, Orestes Quércia, Mário Covas, Geraldo Alckmin e Cláudio Lembo, todos os ocupantes do trono do Palácio dos Bandeirantes jamais tiveram a menor boa vontade para com os usuários da SP-294.

Todos esses governadores, assim como os respectivos secretários dos Transportes, receberam insistentes pedidos de melhorias da pista asfaltica da Ribeiro de Barros por parte de gente de Jaú a Panorama, passando por Bauru, Garça, Marília, Tupã, Lucélia, Adamantina, Tupi Paulista e Dracena, entre outros municípios.

Nenhum deles, entretanto, se interessou pelo problema. Nem mesmo o saudoso engenheiro civil Mário Covas, que foi secretário dos Transportes do governador Franco Montoro.

Apesar da insistência de vereadores, prefeitos e presidentes de entidades que existem para defender os interesses da região, nenhum deles – nenhum! – se dignou a fazer uma recuperação de gente grande na SP-294.

Por quê?.

Basicamente, porque faltou uma questão elementar em políticas públicas: vontade política.

Faltou, também, competência por parte dos políticos e lideranças da região, que jamais se uniram em torno da recuperação da Ribeiro de Barros.

Da recuperação e igualmente da duplicação da principal estrada da nossa região.

Faltou mais, ou melhor dizendo, sobrou inoperância por parte de todos os ocupantes de cargos de comando no órgão que deveria responder pelas estradas – todas as estradas – da região: o DER (Departamento Estradas de Rodagem).

Tenho certeza que a Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros seria outra, caso as lideranças políticas da região tivessem unido forças em torno de um piso asfaltico melhor e de mais pistas na SP-294.

Nunca, entretanto, essas lideranças souberam se impor. Nem no gabinete do secretário dos Transportes, na Avenida do Estado, na zona norte da Capital paulista, e muito menos no gabinete do governador, no Palácio dos Bandeirantes, no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo.

Se eles tivessem se unido, feito um dossiê que mostrasse a força política e econômica da região, por exemplo, duvido que a Ribeiro de Barros estaria na situação que está, ou seja, cada vez pior e mais perigosa.

Mas, não. Pelo contrario. Toda vez que eles vão a São Paulo ou que trazem governador e secretários à região, o máximo que fazem é bajular, puxar o saco dos donos do poder central do Estado.

Quantas vezes, os prefeitos, vereadores e deputados estaduais e federais da região mostraram a eles, governadores e secretários, a força política e econômica da nossa região?

Se o fizeram, não foi bem feito. Até porque a nossa principal estrada de rodagem está cada vez pior, mais esburacada, com mais desvios e, por conseqüência, mais perigosa.

Só eu sei a tensão que vivi na manhã de quinta-feira, 29/5/2008, quando Sueli (minha mulher), Cláudia (minha filha), Beatriz (minha netinha) e Dirce (mãe do meu genro) fizeram a viagem de volta de Marília, pelo SP-294.

Sei, de longa data, a motorista cuidadosa que é minha filha. Mas tenho consciência, também, do quão perigosa é a Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros.

Foi por isso que só me tranqüilizei quando soube que elas, e o Honda Fit da minha filha, já estavam na Rodovia Castello Branco.

Torci e rezei como nunca para que as quatro passassem sem problema algum pela SP-294.

Assim como torço e rezo para que todos os usuários do trecho Panorama-Jaú façam sempre boas viagens e cheguem bem aos seus destinos.

Torço e rezo também para que nossos políticos e engenheiros do DER criem vergonha na cara e cuidem melhor da Ribeiro de Barros.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

30/5/2008 13:34:26

terça-feira, 27 de maio de 2008

Por quê? (88) Os caminhos que nos levam a Marília


Cláudio Amaral


Sempre que volto às duas cidades em que nasci, pessoal e profissionalmente, eu me renovo.

Renovo minhas energias, embora elas sejam sempre positivas.

Renovo meu ânimo, minha disposição, minha alegria, minhas amizades.

Enfim, eu me renovo por inteiro.

Foi assim no segundo semestre de 2006, quando voltei a Adamantina, onde minha mãe me colocou neste mundo.

Foi assim na quarta, na quinta e na sexta-feira da semana passada, quando estive em Marília, a cidade sede do jornal em que me iniciei como jornalista, há 40 anos. Sim, porque foi no Jornal do Comércio de Marília, editado e dirigido na época pelo Mestre Irigino Camargo que eu vi publicada minha primeira reportagem, feita no dia 1º de maio de 1968.

Mas, confesso, publicamente, que tem algo que me aborrece, me entristece, me contraria nessas minhas viagens de ida e volta a essas duas cidades: o lastimável, o lamentável, o desagradável, o revoltante estado de conservação da Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a SP 294.

Escrevi a respeito há mais de dez anos. Na época, fiz um apelo público ao então governador do Estado, Mário Covas. Falei com ele, pessoalmente, num encontro que tivemos no “Quero Mais”, o comitê que Dona Lilá Covas organizou junto ao Shopping Eldorado, aqui em São Paulo, durante a campanha pela reeleição do melhor chefe do Executivo que nós, paulistas, tivemos em todos os tempos.

Surpreendentemente, de nada adiantou.

Nem mesmo o fato d´eu ter tentado mexer, sem ferir, com os brios dos políticos da região de Garça, Gália, Vera Cruz, Marília, Oriente, Pompéia, Tupã, Osvaldo Cruz, Lucélia, Adamantina, Flórida Paulista, Junqueirópolis, Irapuru, Tupi Paulista, Dracena e Panorama, entre outros municípios.

Nem Covas, nem Geraldo Alckmin, nem Cláudio Lembo conseguiram melhorar as pistas da Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros.

Nem eles, nem os prefeitos, nem os vereadores, nem os deputados estaduais e federais da região foram capazes de nos dar uma estrada decente.

É por isso que vamos bem, muito bem, de São Paulo a Bauru. Depois, como escrevi há mais de dez anos, entramos num outro mundo: o mundo dos buracos, dos desvios, das obras intermináveis.

Em Marília, quando reclamei dessa situação, semana passada, teve gente que me disse, com a maior cara de pau, que “a Ribeiro de Barros está sendo duplicada”.

Sim, é verdade: a Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros está sendo duplicada. Mas, também é verdade que as obras não acabam. Nunca. Jamais.

É para isso que servem os políticos da região?

Se for para isso que eles servem, passem bem, porque nós não precisamos de vocês. De nenhum de vocês.

Foi muito bom voltar a Marília, semana passada, para dar um beijo e um abraço na Dona Cidinha, pelos 80 anos de vida dela, e também rever os amigos, mas teria sido melhor ainda se a Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros estivesse bem conservada.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

27/5/2008 09:24:21

domingo, 25 de maio de 2008

Por quê? (87) As confidências de Xico Giaxa


Cláudio Amaral
Devidamente alertado pelo Amigo Ivan Evangelista, assim que cheguei a Marília, na quarta-feira, 21 de maio de 2008, liguei para o jornalista Francisco Manoel Giaxa com o objetivo de me informar a respeito do lançamento de A quem interessar possa.

Trata-se de um livro de memórias do meu ex-colega de Redação no Jornal do Comércio de Marília.

Liguei para ele e marcamos um encontro para 14h30 do mesmo dia, na sede da Secretaria Municipal de Saúde, na Avenida República, a mesma via pública em que ficava a primeira residência de meus pais em Marília.

Além de meu colega no JC, Xico Giaxa foi contemporâneo de Sueli, minha mulher, no Colégio Estadual Amilcare Mattei. Ele cursava o Cientifico e ela o Normal. Ele queria ser engenheiro e ela professora primária. Ambos, entretanto, acabaram jornalistas. Ele porque fazia jornais estudantis desde o curso primário e ela porque era filha e irmã de jornalistas. Para completar, ela se casou com um jornalista, o felizardo aqui de plantão.

Fomos juntos, Sueli e eu, rever Giaxa na Secretaria que cuida da saúde do povo de Marília. E o encontramos tal qual o vimos pela última vez, há mais de 30 anos.

Um pouco mais gordo”, ele observou. Sim, concordo, mas o cabelo e o bigode são os mesmos: fartos e negros, fato raro num homem de 60 anos.

Depois de algumas poucas reminiscências, até porque eu tinha compromisso com o dentista às 15 horas, ele tirou da primeira gaveta do lado esquerdo da mesa de trabalho um exemplar de A quem interessar possa, devidamente autografado.

Sueli, sempre mais rápida do que eu, leu 41 páginas enquanto eu era atendido pelo Dr. Paulo, na Clínica do Dr. Wilson Kleinschmitt, na Avenida Santo Antônio.

Eu só fui ter tempo para folhear o livro de Giaxa neste domingo, 25 de maio de 2008. Li as 102 páginas num sentada só. Comecei no final da manhã, logo após o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1, e terminei exatamente às 14h21.

Li com muita curiosidade, até porque, à medida que o tempo passa, aumenta meu interesse pelas coisas de Marília, a cidade em que me fiz jornalista, me casei com Sueli, nasceram meus dois primeiros filhos... e para onde viajei, desta vez, para participar e ver as comemorações dos 80 anos da mais mariliense de todos os cidadãos nascido na cidade: Aparecida Grenci Bravos, a Dona Cidinha, minha querida sogrinha.

Graças à leitura de cada uma das palavras, das linhas, dos parágrafos e das páginas de A quem interessar possa, graças, enfim, à obra de Xico Giaxa, pude ter conhecimento da origem humilde e da trajetória vitoriosa deste meu ex-companheiro de Jornal do Comércio, de como se deu o ingresso dele no Jornalismo e a passagem do JC para a área pública, a aposentadoria após 40 anos de Serviço Público, o casamento com a Célia, a importância da convivência do casal, da mãe dele, dos pais dela, das três filhas, dos dois genros e dos três netos.

Conheci também a vivência empresarial de Giaxa e as tentativas que ele fez pela política, nem sempre por vontade própria.

Li com tristeza, confesso, mas sem surpresa alguma, como os jornais, as emissoras de rádio, os jornalistas e os radialistas de Marília são tratados e se deixam tratar pelos políticos e ocupantes de cargos públicos.

Foi com tristeza, também, uma tristeza profunda, que soube – em poucos detalhes, é verdade – como se passaram os últimos tempos de vida de meu querido Mestre Irigino Camargo, o primeiro jornalista a acreditar em mim.

Mas, ao mesmo tempo, fiquei feliz ao saber da fé que Giaxa tem em Deus. Ele e, certamente, toda a família dele. E igualmente pela devoção que Xico dedica a Nossa Senhora, de quem também sou devoto e a quem agradeço diariamente tudo o que de bom me tem acontecido na vida.

Por fim, quero deixar meus agradecimentos a Francisco Manoel Giaxa por ter me feito lembrar, pelas páginas de A quem interessar possa, de pessoas que me foram e me são caras, algumas das quais eu não vi e não verei mais, e outras que não vejo há anos, muitos anos: o Mestre Irigino Camargo, de quem me lembrarei sempre com muito carinho, respeito e gratidão, mesmo sabendo que apenas cinco pessoas foram ao enterro do corpo dele; Anselmo Scarano, com quem não tive o privilégio de trabalhar, mas com o qual aprendi muito a respeito do funcionamento dos jornais; Toninho Neto, por meio do qual eu fiquei sabendo, em meados de 1969, da existência da mocinha que dois anos depois viria a se tornar minha esposa e agora, além de mãe dos meus filhos, é avó da minha primeira netinha, a graciosa Beatriz; Luiz Carlos Buscariolo Calegari, outro colega da JC e meu padrinho de casamento; Luiz Carlos Lopes, que me substituiu como correspondente do Estadão em Marília e com o qual eu tinha um encontro nesta viagem a Marília, que acabou não acontecendo; Vanderlei Mariano, que, ao que me consta, Xico, foi para Rondônia, onde vive o meu cunhado Mário Márcio Bravos, o Marinho, e não para o Acre; o gráfico Mingão, do Correio de Marília, que eu não sabia como tinha falecido; os deputados federais Aniz Badra e Diogo Nomura; o deputado estadual Oswaldo Doreto Campanari, que também admiro, não só porque ele operou a catarata de minha mãe; o jornalista Octávio Ceschi e o chefe da Oficina do JC, Armindo Travagim, que era turrão, sim, mas ao mesmo tempo muito competente.

Em A quem interessar possa, Xico, você me fez lembrar que a minha Sueli, tal qual a sua Célia, também trabalhou na Mesbla. E mais: que a festa de meu casamento com a filha de José Arnaldo e Dona Cidinha igualmente foi no Clube dos Viajantes.

Foi muito bom, Giaxa, ler A quem interessar possa.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor de Marília?

25/5/2008 20:06:48

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Por quê? (86) Os 80 anos de Dona Cidinha


Cláudio Amaral

A cidade de Marília vai parar nesta quinta-feira, 22/5/2008.

E não será apenas por conta do feriado de Corpus Christi, não.

Marília, a “cidade menina”, como dizia José Arnaldo, colunista do Correio de Marília por mais de 40 anos seguidos, vai parar por conta do aniversário de Dona Cidinha.

Aparecida Grenci Bravos vai completar 80 anos de vida.

Neta dos italianos Francisco Grenci e Mariângela Parisi por parte de pai e Giro Lotitto e Maria Antônio Dinoia por parte de mãe, Dona Cidinha nasceu da união de outros dois italianos: Nicola Grenci e Anunciata Lotitto, ambos falecidos e sepultados no Cemitério da Saudade, em Marília.

Dona Cidinha nasceu a 22 de maio de 1928, ou seja, mais de dez meses antes da criação oficial do município de Marília, que se deu no dia 4 de abril de 1929, por iniciativa de Bento de Abreu Sampaio Vidal.

Ela foi a primeira menina registrada no “Registro Civil das Pessoas Naturais deste Distrito, Município e Comarca de Marília”. Ou seja: Dona Cidinha é a mais mariliense de todos os marilienses.

Com raríssimas exceções, ela sempre viveu em Marília. E jamais perdeu os vínculos com a cidade, as amigas e os parentes. Mesmo quando, recém casada com José Arnaldo, ela teve que se mudar com ele para Araçatuba. Nem quando o casal resolveu viver em São Paulo por dois anos.

Dona Cidinha e José Arnaldo, nascido José Padilla Bravos, filho do espanhol Manoel Braos Morales, o vô Maneco, com a mineira Josefa Padilla, casaram-se no dia 23 de dezembro de 1947, na Paróquia de Santo Antônio, em Marília.

Da união de ambos nasceram seis filhos, pela ordem: José Cláudio, Sueli, Paulo César (falecido dia 6 de janeiro de 2008, em São Paulo), Mário Márcio, Sérgio Luiz e Salete.

Além dos seis filhos, Dona Cidinha tem o carinho e o amor de 18 netos e sete bisnetos. Afora as noras e os genros.

A maioria deles, mais um número incontável de parentes e amigos, vão deixar de lado os afazeres pessoais e profissionais, nesta quinta-feira, para abraçar Dona Cidinha e para ela cantar o “Parabéns a você”.

Portanto, se você, caro e-leitor, mora em Marília e ficará na cidade neste dia de Corpus Christi, evite passar pela Rua 21 de Abril, porque o pedaço onde ela vive há decênios certamente ficará congestionado por gente que desejará saudar a aniversariante do dia.

Afinal, Dona Cidinha é uma das cidadãs mais conhecidas de Marília. Mais que isso: ela é uma das pessoas mais queridas da cidade.

Por quê?

Não só pelo fato dela viver aqui os quase 80 anos de vida que está a completar, mas pela facilidade com que ela se relaciona com as pessoas, sejam elas vizinhas, parceiras de orações, colegas de viagens pelo Brasil afora, amigas e ou parentes.

Solidária como ela só, Dona Cidinha está e sempre esteve pronta para ajudar a todos, indistintamente. Espiritual e até materialmente. Com atos, gestos e palavras. Especialmente com palavras amigas e positivas.

Não há, em Marília, no Brasil e no mundo, quem a conhece e não a admire. Mas, se houver, que se declare. E quem duvidar que dê uma passadinha pela casa de Dona Cidinha, na 21 de Abril, neste sagrado dia de Corpus Christi.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor de Marília?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é genro de Dona Cidinha desde 5 de setembro de 1971, jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional e criador do Blogue do Cláudio Amaral.

19/5/2008 15:41:58

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Por quê? (85) Rumo a Marília


Cláudio Amaral

No momento em que eu e a família nos preparamos para mais uma viagem a Marília, a minha primeira de 2008, eis que chega pelos Correios um exemplar do Jornal da Fundação.

Trata-se do “Órgão informativo da Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha, mantenedora do Centro Universitário Eurípides de Marília – Univem”.

A remessa, com certeza, me foi feita por iniciativa do Amigo Ivan Evangelista Júnior, que aparece no expediente como responsável pela “Organização Geral”.

Curioso, e com tempo de sobra, felizmente, fui conferir o conteúdo e as ilustrações da publicação, datada de abril e que leva o número 123 – Ano XIII.

Coincidência – ou não? – a manchete “Vento a favor” e o enunciado principal da capa logo me chamaram a atenção: “Confira como a formação contínua, espírito de liderança e responsabilidade social formam o tripé que o mercado de trabalho tanto valoriza e que aponta o caminho da realização profissional. Alunos e ex-alunos falam de suas experiências e contam como estão galgando os degraus da carreira”.

Fui conferir, claro, lógico e evidente. Por curiosidade e interesse jornalístico.

Conferi e gostei, Ivan.

Por quê?

1º) Tem gente na capa. Pelo menos 14 pessoas são retratadas na “portada”, como dizem os espanhóis, argentinos e outros usuários da língua de Cervantes. E gente sempre chama a nossa atenção. A minha, em especial, porque eu sempre disse aos meus fotógrafos, quando os tinha, nos jornais em que ocupei postos de comando: “Fotografia com gente e fotografia com vida”.

2º) “Vento a favor”, como anuncia a manchete e os ‘bigodes’ das páginas 2 a 9, é uma expressão positiva e atraente.

3º) Quase 100 por cento das pessoas retratadas no Jornal da Fundação estão sorrindo. E sorriso demonstra alegria, felicidade, sucesso, ou seja, estar de bem com a vida. E como é bom estar de bem com a vida e ver que as pessoas que nos cercam também estão.

4º) Pela leitura do Jornal da Fundação eu fiquei sabendo, por exemplo, que a Jacto não é mais aquela empresa de máquinas agrícolas que eu conheci quando lá estive, em Pompéia, em 1969, como repórter do Jornal do Comércio de Marília e correspondente regional de O Estado de S. Paulo, pelas mãos do Amigo José Maria Jorge Sebastião, engenheiro agrônomo de renome, especialista na cultura do café e ex-diretor do IBC, o extinto Instituto Brasileiro do Café. “Hoje, (a Jacto) é um gigante do ramo de máquinas agrícolas e líder em áreas como a de pulverizadores”, revela o jornal mensal da Fundação Eurípides.

5º) Os textos, ah! os textos. Como é bom ler bons textos. E no geral os textos do Jornal da Fundação estão muito bem cuidado. Quem dera todos os jornais – pequenos, médios e grandes, diários, semanários e mensários – tivessem o mesmo cuidado com os textos.

Só me resta, portanto, como admirador do bom Jornalismo, dar os parabéns ao pessoal da Fundação, do Univem, do Jornal da Fundação e ao Amigo Ivan Evangelista Júnior.

Parabéns e até breve, em Marília.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

14/5/2008 13:09:39

terça-feira, 13 de maio de 2008

Por quê? (84) Dono de nada


Cláudio Amaral

“Quem pensa que é dono de tudo, na verdade, não é dono de nada”.

A frase me foi dita nesta manhã de terça-feira, 13, mais uma manhã fria, em São Paulo.

Tão fria, mas tão fria, que eu quase imitei um famoso treinador de futebol, que no domingo à tarde foi trabalhar, em Curitiba, sem tirar a calça comprida do pijama com o qual dormiu.

Mas, como Curitiba é uma coisa e São Paulo é outra, tirei o pijama por volta das 7 horas da manhã, sob um frio de 9 graus centígrados, vesti o uniforme de trabalho e encarei mais um dia de frio.

Um dia que promete ser longo, e frio.

Longo porque hoje tem jogo do Corinthians, que vai enfrentar o São Caetano, em Ribeirão Preto, uma das cidades mais quentes do território paulista (será que faz frio, também, hoje, em Rébis, terra dos meus Amigos Guto e família Piñol?).

O jogo faz parte da Copa do Brasil, cujo campeão terá direito a disputar a Copa Libertadores de 2009, tal qual o Fluminense está fazendo neste 2008, por ter sido o melhor na competição de 2007.

Certamente, será um jogo difícil. Mais para o Corinthians do que para o São Caetano, que nem torcida tem. Ou melhor: tem bem menos torcedores do que o Timão e quase nenhum compromisso com os raros admiradores do Azulão do ABC Paulista.

Com frio ou sem frio, lá estarei, bem em frente à televisão da sala de minha casa, na Aclimação, pronto para o que der e vier. Eu e meu filho Mauro, tão ou mais corintiano do que eu.

Bem agasalhados, suco de laranja numa mão e pipoca ou amendoim na outra, vamos torcer para que o tempo esquente e a alta temperatura nos leve a muitas alegrias.

Afinal, não somos donos de nada. Nem mesmo do nosso nariz, que também está frio – ou melhor, gelado – e não pára de escorrer.

Por conta disso – do frio e do nariz escorrendo – não fui ao Pacaembu no sábado passado, apesar daquele ser o meu estádio preferido, dele estar todinho reformado e recuperado e lá ter acontecido a estréia do Corinthians no Brasileirão da Segunda Divisão.

Foi também por conta do frio e do nariz escorrendo que ainda não tive disposição para conhecer a mais nova atração turística da minha querida e amada São Paulo da garoa: a Ponte Estaiada, sobre o leito e a Marginal do Rio Pinheiros, na zona sul desta capital.

Estas duas obras – a reforma do Pacaembu e a construção da Ponte Estaiada – foram feitas com o nosso dinheiro, ou seja, daqueles que contribuem diariamente com os cofres dos governos do Estado e da cidade de São Paulo.

Nem por isso, entretanto, somos donos delas. Nem de uma, nem de outra. Até porque, como disse meu interlocutor desta manhã fria... “quem pensa que é dono de tudo, na verdade, não é dono de nada”.

E eu, como você, somos, quando muito, filhos do Dono.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, filho de Deus?

13/5/2008 13:01:31

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Por quê? (83) Vãobora, vãobora?


Cláudio Amaral

Ela voltou. Feliz. Sorridente. Cantante. Sarrista.

Apesar do frio de menos de dez graus registrado na manhã desta segunda-feira, 12/5/2008, na velha e querida São Paulo da garoa, aquela figura no mínimo inusitada, à qual me referi pela primeira vez na crônica do dia 9/1/2008, reapareceu com tudo.

Acordou cedo, cedinho, e ainda de pijama, desceu para a parte térrea da casa em que vive, na Aclimação, abriu a porta, pegou o Estadão e o folheou inteirinho. Tal qual havia feito na noite anterior com as edições de sábado e domingo.

Em seguida, deu uma geral na cozinha, colocou a água para ferver (na chaleira, para o café; na leiteira, para as mamadeiras da netinha), arrumou a mesa para a primeira refeição do dia e saiu correndo quando a filha chegou com a figurinha mais amada da família.

Estava feliz, a figura. E tinha motivos, muitos motivos.

A vitória do Timão, no sábado à tarde, na reabertura do Estádio Municipal Dr. Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, por 3 a 2 sobre o CRB, de Alagoas, era um desses motivos.

Ainda que o Corinthians esteja na segunda divisão do Campeonato Brasileiro, pela primeira vez, a figura estava feliz. Afinal, vitória é vitória, seja qual for a divisão do campeonato.

As surras que os adversários (SPFC, Palmeiras e Santos FC) tomaram no sábado e no domingo também alegraram a figura no mínimo inusitada.

Alegraram tanto, que ela, a figura, saiu de casa ora assobiando, ora cantando.

No caminho até a padaria, zoou com o pasteleiro da esquina: “E aí, Brejão? Cadê o campeão?”

Brejão é palmeirense e viveu semanas de alegria com o desempenho do Porcão no Paulistão 2008. Especialmente com o 5 a 0 sobre a Ponte Preta, no jogo final da competição.

Na Dengosa, a padaria mais próxima da casa da figura, entrou tirando o sarro no Carlão, o caixa, torcedor do time de bambis do Morumbi: “Fala, palmeirense”.

Diante de um outro peso pesado do estabelecimento instalado na esquina das ruas Queirós Aranha e Topázio, já no balcão, mais gozação: “Pão de banha? Não. Banha chega a que eu carrego aqui” (e bateu na barriga, que já foi maior, bem maior).

Tal qual no caminho de ida, a figura no mínimo inusitada voltou para casa distribuindo sorrisos. Ora cantava (vãobora, vãobora, tá na hora, vãobora...), ora assobiava a música tema do jornalístico matinal da Rádio Jovem Pan.

As pessoas que trafegavam pela Rua Dr. José de Queirós Aranha olhavam para a figura e certamente nada entendiam.

Umas faziam caras de espanto. Outras, sonolentas, nem tanto. Mas todas sentiam a presença daquela figura alegre de uma manhã friorenta.

Na esquina da Rua Gregório Serrão, nova gozação com o palmeirense: “Os jogadores do Porcão perderam o caminho do gol, Brejão?”.

Nem assim o cidadão de Mato Grosso do Sul, que veio fazer a vida na Capital paulista, perdeu a esportiva, e respondeu, também com humor: “É tática”.

“Tática?”, emendou a figura. “E desde quando perder é tática, Brejão?”

Sorrindo e cantando (vãobora, vãobora, tá na hora, vãobora...), a figura foi em frente, na certeza de que um novo dia, um novo e grande dia, surgia nos horizontes paulistanos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, meu caro e-leitor?

12/5/2008 09:35:55

sábado, 10 de maio de 2008

Por quê? (82) Duas mães?


Cláudio Amaral

É comum ouvirmos ou até dizermos que “mãe é uma só porque ninguém agüentaria duas”.

Mentira!

Isso é argumento de cara de pau, de gozador, no mínimo, e, talvez, de quem não tem coração ou não teve a felicidade de possuir uma mãe de verdade.

Eu tenho mais de uma mãe e sei bem o quanto isso é bom.

Sim... Dona Wanda, aquela que me gerou, me colocou no mundo, me alimentou, me deu amor e carinho nos primeiros anos de minha vida é, como eu disse e repeti muitas e muitas vezes, “a primeira e única”.

Mentira!

Balela!

A verdade, e isso eu não posso negar, é que Dona Wanda foi a primeira, mas a única... jamais!

Nunca!

Ao longo de minha longa e rica vida, uma vida mais rica do que longa, eu tive, e tenho, muitas mães.

A primeira, sim, de fato, sem dúvida, foi – e é – Dona Wanda, que, graças a Deus, continua viva. Não tão bem de saúde quanto eu gostaria, mas viva e me reconhecendo e dizendo meu nome, meu primeiro nome, toda vez que vou vê-la na casa de minha irmãzinha, a caçula, lá pelos lados do Ipiranga, aqui em São Paulo.

Depois dela – ou melhor, paralelamente a ela – eu sempre tive uma segunda mãe, que eu chamo de Tia Zinha: a minha queridíssima Tia Terezinha, que também segue viva, graças a Deus.

A Tia Dulce (do saudoso Tio Walter) também foi uma mãe pra mim. E continua viva, graças a Deus.

Ainda jovem, e quando eu mudei de Adamantina para Marília, tive uma outra mãe: a Dona Zezé, mulher do meu querido Mestre Irigino Camargo.

Em Campinas, a cidade onde eu morei depois de Marília? Não. Em Campinas, não. Lá eu não tive mãe alguma. Até porque fiquei apenas seis meses na “Terra das Andorinhas”.

Quando fui transferido pelo Estadão de Campinas para São Paulo acabei indo morar na casa de uma outra mãe inesquecível: a Vó Durvalina, mãe da minha mãe e da Tia Zinha.

Em seguida, casei-me (em Marília) e passei a morar com a mãe das mães: minha querida, inseparável e incomparável Sueli, mãe da Cláudia (que está vivendo o primeiro Dia das Mães dela, graças à Beatriz, que ela e o Márcio colocaram no mundo, com a graça de Deus, no dia 12 de junho de 2007), do Cássio (que Deus levou para junto dele aos 11 dias), do Mauro e do Flávio. Sueli é mais, muito mais do que esposa e companheira, parceira e sócia... é, realmente, a mãezona. Muito mais agora, ou há meses, quando cuida diariamente da pequena e adorada Be(bê)atriz.

Por todas elas (Dona Wanda, Tia Zinha, Tia Dulce, Vó Durvalina, Dona Zezé, Sueli... e Dona Cidinha, minha sogra, claro, lógico, evidente...), que eu digo sempre e repito agora: todo dia é Dia das Mães.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que, seu filho de uma boa mãe?

10/5/2008 13:55:13

terça-feira, 6 de maio de 2008

Por quê? (81) Isabella?


Cláudio Amaral


Sou avesso a sensacionalismo.

Jamais me vi na posição de editor de Polícia de jornal sem compromisso com a seriedade e, por conseqüência, de casos polêmicos e ou crimes hediondos como o da pequena Isabella.

Sei deste caso por cima, superficialmente.

Fico arrepiado diante da hipótese de que foi o pai quem a matou ou pelo menos contribuiu para o fim trágico que a garota teve, aqui em São Paulo.

Como pai, tio e avô de meninas lindas, meigas, carinhosas, amáveis e amadas, algumas já mulheres, outras ainda pequenas, como Be(bê)atriz, Laura e Sofia, fico arrepiado cada vez que sou lembrado que Isabella foi estrangulada e jogada de um prédio de apartamentos.

Como pode o ser humano ser tão insensível a ponto de maltratar e até matar um semelhante inocente e indefeso?

Por tudo isso, me nego a ver e a ler o noticiário a respeito de Isabella.

Recuso-me, inclusive, a aceitar o tratamento que os jornais, as revistas, as emissoras de rádio e de televisão dão a este rumoroso caso.

Sim, eu sei, pelo que ouço aqui e ali, que tudo leva a crer que o pai e a madrasta são os responsáveis por este crime hediondo. Mas, cá comigo, essa hipótese absurda só será verdadeira se e quando o casal admitir que matou Isabella.

E como dificilmente eles admitirão...

Caso como o de Isabella nos mostra uma realidade dura, difícil, cruel, desumana, irracional, irresponsável...

Casos como o de Isabella nos leva a questões difíceis de encarar e de responder:

- por que as pessoas se casam, têm filhos e depois os maltratam e chegam até a abandoná-los ao invés de dar-lhes amor, educação, bons exemplos?

- por que ainda existem pais que mimam, sustentam, amparam exageradamente e jamais dão liberdade a seus filhos para eles possam ser homens e mulheres independentes e cidadãos exemplares?

- por que o nosso planeta ainda é povoado por gente que coloca gente no mundo e depois lhes tiram a vida?

- por que o ser humano é tão desumano?

Tive infância e adolescência difíceis, materialmente falando, mas jamais me faltou amor, bons exemplos e boa educação, em casa e nas escolas pelas quais passei, embora sempre tenha estudado em estabelecimentos públicos.

Talvez, ou melhor, certamente por isso me choca tanto os maus tratos que vejo diariamente, de parte a parte, entre pessoas que deveriam ser bem tratadas, ou pelo menos encaradas com respeito.

Vejo, com tristeza, diante de casos como o de Isabella, que ao invés de evoluir e se humanizar, a Humanidade se embrutece e fica cada vez mais desumana.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que, caríssimo e-leitor?

5/5/2008 17:53:47

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Por quê? (80) “Fenômeno”?

Cláudio Amaral

Um Amigo, com A, me questionou na manhã fria desta segunda-feira, 5/5/2008, por telefone, a respeito da entrevista que Ronaldo, o dito “Fenômeno”, concedeu à fenomenal Patrícia Poeta, repórter e apresentadora do Fantástico, o principal programa dominical da Rede Globo e da televisão brasileira.

Sem pensar, respondi:

- Não vi e tenho certeza de que nada perdi.

Pensando melhor, horas depois eu admiti pra mim mesmo que havia perdido, sim.

E perdi muito.

Perdi de agradar meus olhos com a beleza de Patrícia Poeta, de admirar a competência dela como jornalista e de analisar o desempenho da substituta de Glória Maria como entrevistadora.

Conclusão: perdi muito.

Mas, ganhei, também. E ganhei muito, com certeza, porque me livrei de encarar uma figura estranha, certamente falsa, autora de uma atitude recente no mínimo desprezível.

Dei de cara com Ronaldo pela primeira vez quando ele jogava no Cruzeiro, o principal time de futebol de Minas Gerais.

Já naquela época ele era chamado de “Fenômeno”.

- Fenômeno?, perguntei a um de meus filhos, aquele que gosta de futebol tanto ou mais do que eu.

E ele, meu filho, confirmou: “Sim, paizão, ele é um fenômeno”.

Com todo respeito que meu filho em questão me merece, discordei dele. Discordei naquela e em todas as ocasiões que se seguiram, anos a fio. Discordei inclusive quando o tal “Fenômeno” fez jogadas extraordinárias em jogos que disputou com a camisa da seleção brasileira.

Por quê?

Porque, na minha opinião, o Brasil e o mundo têm jogadores de futebol – e seres humanos – muito melhores do que Ronaldo Nazário. Dentro e fora de campo.

Citá-los, nominalmente, seria chover no molhado, mas, jogador por jogador, na atualidade, prefiro me postar ao lado de Kaká, por exemplo. E mesmo assim, o craque do Milan e da seleção brasileira, formado no SPFC, nunca foi unanimidade. Nem dentro, nem fora de campo.

Quem acompanha futebol, ainda que à distância, sabe que Kaká nunca foi bem aceito pela torcida do tricolor paulista e, vaiado seguidamente, acabou sendo vendido por muito menos do que valia. E hoje, mesmo tendo sido eleito o melhor do mundo pela Fifa, por direito e por justiça, segue sendo discriminado por conta das ligações que tem com os bispos da Igreja Renascer, a tal do que propaga por todo o mundo que “Deus é fiel”, como se nós, pobres mortais, não soubéssemos.

Portanto, se nem Kaká, que tem comportamento exemplar dentro e fora de campo, é um fenômeno, o que dizer de Ronaldo Nazário?

Fenômeno, com certeza, ele não é.

Não é, nunca foi, nem será.

Por quê?

Ah... e você ainda me pergunta por que, meu caro e-leitor?

5/5/2008 17:49:59