sexta-feira, 27 de julho de 2012

Por quê? (296) Um ano de vida nova



Cláudio Amaral

Minhas Amigas e meus Amigos, todos, conhecem bem o que se passou comigo no dia 29 de julho de 2011. Portanto, neste 29 de julho de 2012, sinto-me completando um ano de vida. Um ano de vida nova.

Tenho, na verdade, 62 anos. Seis decênios mais dois anos de vida, com um acréscimo de sete meses e 26 dias. Para simplificar eu diria 62 anos, sete meses e 26 dias.

Mas sinto-me como tendo nascido há apenas um ano, no Hospital Sancta Maggiore, no bairro do Paraíso, em São Paulo, pela mãos do Dr. Diogo Lins e equipe.

Dr. Diogo não é obstetra, aquele tipo de profissional médico que tira o bebê do útero da mamãe. Não. Ele é neuro-cirurgião. É o autor de um corte que abriu meu couro cabeludo de um lado a outro. Começou atrás da orelha esquerda e foi até quase a minha testa, do lado direito. Para costurá-lo foram necessários 30 pontos (ou um a mais ou um a menos).

Desde então sou o maior fã do Dr. Diogo Lins. Moço, ainda, estatura quase igual à minha (eu tenho 1,66 metros), forte como eu (ou um pouquinho mais do que eu), pele morena, o neuro-cirurgião que me operou é de uma competência sem igual.

Fiquei na mesa de operação sob os cuidados dele e equipe por duas horas. Eu estava anestesiado, mas imagino que o Dr. Diogo trabalhou na minha cabeça das 9 às 11 horas da manhã daquela sexta-feira. E quando ele me deixou aos cuidados da equipe encarregada dos últimos detalhes (inclusive os pontos), saiu da sala e foi dizer à minha Sueli e à irmã dela, minha comadre Salete Philipson: “A cirurgia foi um sucesso”.

O alívio foi geral. As duas estavam ansiosas, para dizer o mínimo. Meus filhos (Flávio, Mauro e Cláudia) se apresentavam apreensivos. Principalmente a filha, que estava completando cinco anos de casamento com Márcio Gouvêa e deveria ter viajado naquele dia, exatamente, para os Estados Unidos, de onde escrevo estas linhas. O genro embarcou, pois havia sido transferido da empresa em que trabalhava em São Paulo para a matriz em Reston, na região de Washington DC, mas Cláudia e os filhos (e nossos netinhos) Beatriz e Murilo ficaram em casa, dando apoio moral (principalmente) e material para mim e Sueli.

Assim foi até que eu estivesse recuperado, quase totalmente recuperado, pois ainda carecia de autorização para dirigir (e só fui autorizado pelo Dr. Diogo oito meses depois, porque ele achava que ainda havia risco de uma convulsão no trânsito, enquanto eu estivesse ao volante).

Felizmente, tudo saiu a contento. Nunca senti nada de diferente enquanto comandava meu possante Honda Fit pelas ruas de São Paulo e quando ia e voltava de Santos. Ficaram, fisicamente, apenas meia dúzia de buracos na cabeça. Buracos rasos, é bom que se diga. Buracos que na maioria estão encobertos pelo couro cabeludo, graças a Deus.

Tirando isso, os buracos, quem não soube da minha cirurgia nada de anormal observa em mim. Hoje, é bom que se diga, porque antes só eu não percebia que estava com dificuldade de me lembrar até dos fatos mais recentes e que aconteceram na minha frente, na minha cara e sob os meus olhos. Eu apresentava também dificuldade para raciocinar e para expor meus pensamentos. Meu equilíbrio estava igualmente afetado desde os tempos em que trabalhava na Redação d’A Tribuna de Santos.

Tudo começou a ser esclarecido na presença de um outro médico muito competente: o Dr. Gentil Silva, que, tal como o Dr. Diogo Lins e muitos outros, me atendem há cerca de dois anos pelo Prevent Senior.

Alertado por Sueli, minha sócia em tudo que fiz de bom há 42 anos, desde que nos conhecemos em Marília, Dr. Gentil pediu exames cujos resultados indicaram que havia um tumor de seis centímetros no alto da minha cabeça, logo abaixo do couro cabeludo. Ele recomendou que fossemos procurar um neuro e enfatizou: “Um neuro-cirurgião”.

Por obra e graça de Deus fomos levados à clínica do Dr. Diogo Lins, na Mooca. E lá, analisando os resultados dos exames, ele nos disse no ato: “É caso de cirurgia e com urgência”. Tanto que imediatamente ele acessou o sistema de agendamento do Prevent Senior e marcou a tal cirurgia para a manhã de 29 de julho de 2011.

Apresentei-me no Hospital Sancta Maggiore, na Rua Maestro Cardim, no Paraíso, às 5h45. Fiz todos os procedimentos burocráticos, fui encaminhado a um apartamento e avisado que seria chamado para o centro cirurgico às 11 horas. Sempre tendo ao lado a minha Sueli. Ela estava apreensiva; eu, aparentemente tranquilo, apegado à minha fé em Deus. Às 9 horas veio o aviso de que eu deveria me deixar ser levado para a mesa. Lá, uma anestesista me deu um medicamento me que fez apagar em minutos. Só acordei horas depois, já na UTI.

Dr. Diogo havia me dito, antes da operação, que eu passaria três dias na Unidade de Terapia Intensiva e mais dois dias no apartamento. Eu e Sueli, apenas. Fiquei somente 20 horas na UTI, de sexta-feira para sábado, e uma noite no apê. No domingo, ao acordar, tomei banho, vi a corrida da Fórmula 1 em companhia do meu Amigo Antonio Carlos Turra e logo em seguida chegou o Dr. Franz Onishi, integrante da equipe do Dr. Diogo. Assim que ele terminou de me examinar, perguntei: “Não tenho pressa, Dr., porque o importante é sair com saúde. Mas, o Sr. poderia me dizer quando terei alta?” E ele, com a maior tranquilidade, me respondeu: “Em 15 minutos. Tão logo eu preencha alguns papéis”.

Ainda tive tempo de almoçar e em seguida tomei o rumo de casa. Eu, Sueli e minha querida irmãzinha Clélia, a caçula. Em nosso lar fomos recepcionados pela Cláudia, Beatriz, Murilo, Mauro, Vivian e Flávio. Foi uma alegria inenarrável, embora eu ainda estivesse me sentindo feio, com a cabeça toda enfaixada. Mas dias depois estava tudo normal, novamente.

Minha recuperação total foi surpreendente, segundo médicos e familiares. Graças a Deus, aos Drs. Diogo e Gentil, aos médicos e enfermeiras+enfermeiros da UTI e do centro de recuperação do Hospital Sancta Maggiore e mais uma centena de profissionais, Amigas, Amigos e familiares que me acompanharam e me apoiaram antes, durante e após a operação.

Entre todos foi marcante para mim as atitudes de um Amigo do Interior de São Paulo agora vivendo há anos em Brasília: Décio Miranda. Logo ele que este mês passou por delicada cirurgia em torno do coração. Felizmente, ele já recebeu alta do Hospital Santa Helena do DF e voltou para casa e para o convívio da família.

Sem esse povo todo minha recuperação teria sido muito, muito, muito mais difícil. Física e mentalmente.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

27/07/2012 18:37:56 (horário de Brasília)
27/07/2012 17:37:56  (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Por quê? (295) Camilo Mortágua, por Josué Guimarães


A obra e o autor, Camilo Mortágua e Josué Guimarães

Cláudio Amaral

Apaixonante é. Isso, como leitor, posso garantir que é. Realista? Garantir eu não posso, mas tudo leva a crer que sim, que é um romance realista. Ainda que seja um romance. Mas, prepare-se, caro e-leitor, porque Camilo Mortágua, escrito por Josué Guimarães nos anos 1970, pode te deixar como deixou a mim: frustrado.

Fiquei e estou frustrado porque queria mais. Algo mais que talvez apenas a apaixonante história da Família Mortágua não conseguiu me dar. Ou que o jornalista, escritor e político Josué Guimarães não pode ou não quis dar a nós todos, os seus leitores.

Encontrei o livro Camilo Mortágua no Sebo da Praia, no bairro do Paraíso, em São Paulo. É um lugar onde sempre vou porque fica perto de casa, na Aclimação. Uma loja pela qual sempre passo quando vou ao consultório do Dentista Eduardo Cayres, ao Shopping Paulista, ao Hospital Alemão Osvaldo Cruz e ao prédio do IICS, o Instituto Internacional de Ciências Sociais, que frequentei por todo o ano de 2003, no Master em Jornalismo para Editores, e onde volto todo ano.

Passei pelo Sebo da Praia na tarde de 4 de maio de 2012, ou seja, tres dias antes de embarcar para Ashburn Village, Virgínia, EUA, localidade em que estamos, Sueli e eu, desde o dia 8 daquele mês.

Uma banca que eu já conhecia estava novamente colocada na calçada, em frente ao Sebo da Praia, e atraiu minha atenção. Parei e comecei a buscar novidades, ainda que ali estivessem apenas livros antigos, editados há muitos anos. E apenas uma publicação me interessou: Camilo Mostágua, de Josué Guimarães, nascido em São Jeronimo (RS) a 7 de janeiro de 1921 e falecido em Porto Alegre a 23 de março de 1986.

Comprei, paguei (R$ 7,00) e, como sempre tenho muitos livros para ler, trouxe na bagagem para os Estados Unidos. E aqui comecei a ler a 19 de maio e terminei a 14 de julho de 2012.

Demorei tanto tempo – se é que quase dois meses é muito tempo para ler uma obra como Camilo Mortágua – porque foram nada menos que 499 páginas e também porque neste tempo dei prioridade máxima aos meus estudos de Inglês e Espanhol (que continuam, porque, além de estudar horas e mais horas em casa, passei a frequentar as duas aulas semanais na Ashburn Library).

Para a minha Amiga Whalmir Anna, Jornalista em Porto Alegre, Josué Guimarães “foi o escritor gaúcho mais importante depois de Érico Veríssimo”. Ela lembra que teve “o privilégio de tê-lo como paraninfo em minha formatura” e que “foi cursando a Faculdade que meus olhos encontraram as palavras dele”. Whalmir relembra que “suas obras recém tinham sido lançadas, década de 70, e ele era o autor da moda, especialmente A Ferro e Fogo I (Tempo de Solidão) e A Ferro e Fogo II (Tempo de Guerra)”.

Segundo Whalmir, “os livros tratam da colonização alemã. Uma família de imigrantes vivendo seus sonhos, desencantos e misérias. Em linguagem clara, mostra ‘os de fora’ tentando indentificar-se com o Rio Grande de Sul e suas questões políticas diante do seus particulares como trabalho, saudade, conquistas, privações, desespero e poucas alegrias. São romances de muita emoção e realismo diante da solidão na terra estranha, desconhecida”.

Agora, quase 20 horas (de Brasília) de 23 de julho de 2012, ponho-me a pensar: como é bom ter uma Amiga como Whalmir Anna, que gosta de ler, aprecia livros bons e conhece bem a Josué Guimarães, que, ainda de acordo com ela, “usou de vários pseudônimos, entre eles, o de D. Xicote, com o qual ironizava a política da época. Depois, por um tempo, ele mesmo financiou um jornal com esse nome. Na década de 1970 trabalhou na Caldas Júnior, onde, entre várias funções, foi correspondente internacional. Engajado na política, era sensível aos mais necessitados. Gostava de crianças e demonstrava inconformidade com a violência, com a injustiça. Democrata e, mesmo sendo perseguido pela ditadura, conseguia demonstrar ternura quando falava”.

Em Camilo Mostágua, segundo críticas que li antes e após a leitura desta obra, Josué Guimarães nos dá um painel inédito de sua ficção, contando de maneira apaixonante a decadência de uma família de pecuaristas da fronteira gaúcha, com todas as suas misérias e grandezas. A história de Camilo Mortágua – uma velha e apascentada idéia do autor – reproduz, de certa forma, o drama de dezenas de famílias gaúchas que, baseando seus rendimentos na exploração de rebanhos na fronteira, levaram suas vidas luxuosas na capital do Estado, num fausto que fez época e que, com o passar do tempo, terminou por arruiná-las.

Camilo Mortágua representa a culminância de uma trajetória e, ao mesmo tempo, o retrospecto dos resultados alcançados. A incorporação do trajeto histórico do Estado coincide com a evolução da intriga, sobretudo com a biografia do herói que dá nome à obra. Nascido ao final do século 19, o protagonista vem a falecer na primeira semana de abril de 1964. Com isto, o autor introduz no fluxo narrativa 70 anos da história sul-rio-grandense. E também que a família Mortágua, indiferente, passe ao largo dos fenômenos externos, emergem ao fundo as notícias relativas às guerras européias, revoluções brasileiras, o suicídio de Getúlio Vargas, enfim, os fatos mais marcantes do século 20, misturados a trivialidades domésticas, mudanças nas modas, novos costumes, por exemplo.

Assim sendo, se a história não é o eixo que suporta o transcurso dos acontecimentos, ali está, e sua fusão a fatos miúdos do cotidiano, porém igualmente relevantes segundo o modo de vida dos Mortágua, reforça a evidência de que o alheamento crescente desses significa seu paulatino deslocamento dos poderes econômico e social.

O romance se enxerta à temática da decadência. Camilo Mortágua, o protagonista, revê a história de sua vida ao ir ao cinema. Na tela, em vez de Cleópatra, a Rainha de César, o filme mostra a trajetória da decadência da família de Camilo. Eis o recurso narrativo utilizado pelo escritor.

A história se passa em Porto Alegre, recuperando o bairro da Azenha, a Avenida Independência, o Parque Farroupilha, a Avenida Osvaldo Aranha, a Avenida João Pessoa, a Faculdade de Direito, a Santa Casa de Misericórdia e a Igreja da Conceição, entre outros locais.

Apesar da riqueza de detalhes e da facilidade com que Josué Guimarães escrevia seus romances, eu, particularmente, fiquei com a certeza de que esperava mais a respeito dos destinos de personagens como Mocinha (a namorada da adolescência que o procurou desesperadamente depois da morte do pai dela), Leonor (a esposa que o traiu sem motivos aparentes) e o próprio Camilo Mortágua (morto depois de velho e dentro do cinema). E o casarão da Avenida Independência, virou um espigão ou não?

Queria mais. Eu queria muito mais. E por isso me sinto frustrado.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

23/07/2012 20:10:10 (horário de Brasília)
23/07/2012 19:10:10 (de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Por quê? (294) Only English


Cláudio Amaral

Na ansia de voltar ao Brasil entendendo e falando uma terceira língua melhor do que quando cheguei a Ashburn Village, na Virgínia, Estados Unidos, fui conhecer o ESOL Conversation Groups.

Trata-se de um grupo informal de conversação para pessoas não nascidas no EUA e que desejam praticar o idioma do Presidente Barach Obama.

A participação não exigiu nenhuma inscrição prévia. Peguei o folheto de divulgação pela manhã e à noite estava integrado a grupo de pessoas que eu nunca havia visto na vida.

Éramos 10 pessoas, entre homens e mulheres: um polonês e uma polonesa, um koreano, um iraniano, uma peruana, uma russa, uma indiana, uma chinesa, um brasileiro (eu, no caso) e o professor Bob (Robert) Eland, voluntário da Ashburn Library.

A Ashburn Library é um instituição oficial vinculada à administração estatal do condado local, o Loudoun County.

A primeira reunião aconteceu na noite desta terça-feira, 17 de julho de 2012. E foi a mais informal possível.

Mesmo sabendo da informalidade do encontro, preparei-me da melhor forma que me foi permitido. E imaginando o que me poderia ser perguntado na ocasião, reli os principais pontos da história do Brasil, principalmente o passado e o presente.

Pensei de antemão: vai que me perguntam onde fica o Brasil, qual é nossa população, qual a extensão territorial, quanto habitantes temos por quilômetro quadrado, quando deu-se a descoberta do nosso País, quem foi o povo que nos descobriu, qual o valor do nosso Produto Interno Bruto (PIB para os brasileiros e PPC para o povo que fala o Inglês), qual a língua falada no Brasil?

Pensei mais: e se quiserem saber qual é a posição do Brasil em relação ao nosso continente e a América do Sul, se como país somos maiores ou menores do que a Argentina e o Chile, qual é o clima no Brasil, quais as maiores cidades brasileiras, quantos municípios existem no nosso território e quantos são os nossos Estados?

Na expectativa de ter resposta para qualquer pergunta (um exagero, segundo minha filha), lembrei-me de ter na ponta da língua qual é o nome da nossa moeda. Sim, porque depois de mais de dois meses fazendo contas e compras apenas em dólar, poderia me faltar a denominação do nosso rico realzinho.

Sabe você, caro leitor, quantas destas perguntas me foram feitas? Acertou quem respondeu nem uma sequer. Exatamente: nenhuma.

Meus parceiros de grupo sequer me questionaram a respeito do Rio Amazonas, nem sobre a Floresta Amazônica. E muito menos quiseram saber da riqueza da nossa diversidade biológica e se no Brasil só macacos, tigres, onças e índios.

Falamos das nossas comidas e restaurantes preferidos nos EUA, dos centros de compras que mais visitamos, de passeios aos museus e outros pontos turísticos de Washington DC. E também de esportes: futebol americano (que é bem diferente do que o brasileiro), basquete, rugbi, vôlei, cricket, tênis e outros mais, incluindo as corridas de automóveis.

E eu, claro, fiz questão de falar do futebol brasileiro. De imediato, o professor Bob exclamou: “Pelé!”. Sim, eu disse a ele, o atleta do século. E ele fez cara de espanto.

Aproveitando a deixa, falei da minha maior paixão futebolística, o Sport Club Corinthians Paulista, o glorioso Timão, o mais novo Campeão da América. Estufei o peito e falei. Falei mesmo.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

17/07/2012 22:59:11 em Ashburn Village, Virgínia, EUA

17/07/2012 23:59:11em Brasília

sábado, 14 de julho de 2012

Por quê? (293) Como foi a sexta-feira 13?


Cláudio Amaral

Minha sexta-feira 13 foi das melhores que já vivi nestes meus 62 anos e 7 meses e 10 dias. E a sua, caro e-leitor?

Para começar, acordei mais uma vez aqui em Ashburn Village, Virgínia, EUA, onde chegamos, Sueli e eu, no dia 8 de maio de 2012.

Acordei tendo ao meu lado a pequena princesa Beatriz do Amaral Gouvêa, que foi mais uma vez para a nossa cama no meio da madrugada.

Dormi deliciosamente até 8h30, horário de Washington DC e da Costa Leste da América do Norte, que tem o privilégio de ser banhada pelo Oceano Atlântico, o mesmo em que não nos cansamos de nos banharmos nas praias agradáveis de Santos, no Litoral paulista.

Tomei um desejum delicioso, como sempre, embora tenha preferido não tomar café. Servi-me apenas de uma mistura de aveia com frutas. Ao invés de leite, como a maioria faz, preferi água quente. É como gosto e faço toda manhã, desde a última semana de junho, quando descobri que o tal mix é vendido no Giant, aqui pertinho.

A seguir, higiene bucal e computador, para não perder o costume. E uma vez iniciado o sistema informático, tratei logo de pagar – sem a menor dificuldade, graças a Deus – minha conta mensal de cartão de crédito. Ufa!

Conta paga e mensagens lidas no correio eletrônico, no Facebook e no Twitter, minhas redes sociais preferidas, fui com o pequeno príncipe Murilo ao encontro de Beatriz e da vovó Sueli, que há pouco haviam saído para uma caminhada no Lake Ashburn, também aqui do lado.

Infelizmente, não tive condições de andar muito, por conta de uma pequena ferida no pé direito. Voltei logo e só à tarde, depois de uma soneca inusual, saimos novamente, Sueli e eu, para uma nova caminhada, desta vez para valer.

Foi uma caminhada por ruas, avenidas e vielas bem diferentes das diárias. Ao invés de tomarmos o rumo do Lake, onde existe uma pista na qual caminhamos diariamente, fomos ao contrário, rumando sempre à direita: na Donnington Court, na Ringold, na Fincastle e na Ashburn Village. Passamos pelo Ashburn Center e entramos na Gloucester. Passamos novamente pela Ringold e fomos em frente até o Lake. Contornamos até chegar em casa, de novo. Sueli ficou ali e eu fui dar a tradicional volta em torno do Lake.

Quando cheguei em casa, uma hora e 15 minutos depois que dali saimos, minha filha e meu netinho estavam prontos para ir até o Sports Pavillon, onde o genro estava a praticar tênis de quadra com dois amigos e colegas de trabalho.

Sem perda de tempo, fui com eles. E ai, sem que eu esperasse, aconteceu o melhor do dia. O melhor da malfadada sexta-feira 13: depois de meia hora – ou talvez 40 minutos, assistindo Márcio praticar com Paul (do Peru) e Vicente (da Venezuela), o genro me chamou para praticar. Logo eu que há pelo menos 15 anos não pegava numa raquete, embora tenha duas em casa, em São Paulo, ambas ganhas de tenistas profissionais: uma da querida Cláudia Monteiro (que deve estar a viver nos EUA, mas não sei onde) e outra do Amigo Ivan Kley (que trocou Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, pelo Balneário de Camboriu, em Santa Catarina).

Pratiquei e gostei. Gostei muito. Até esqueci da bursite (inflamação das bolsas serosas das articulações) que me tortura desde o começo do ano, exatamente no braço direito, aquele que uso para manejar a raquete de tênis.

Saquei, rebati as bolas que Márcio me mandou na direita e na esquerda, no alto e por baixo. As primeiras foram para aquecimento e algumas rebatidas sairam com defeitos, é claro e normal. Mas depois meus movimentos começaram a entrar no ritmo e gostei mais ainda. Vi e confirmei que posso voltar a praticar tênis. Vi e confirmei com alegria e felicidade.

Voltei para casa repetindo, mentalmente: Santa Sexta-feira 13, Santa Sexta-feira 13…

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

13/07/2012 23:04:20  (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)
14/07/2012 00:04:20 (horário de Brasília)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Por quê? (292) Profissão: injustiçado


Cláudio Amaral

Fiquei a me perguntar, de ontem para hoje, aqui no Verão de Ashburn Village, na Virgínia, EUA: se não fosse Jornalista, qual a profissão gostaria de ter? E você, caro e-leitor, está satisfeito com sua ocupação profissional ou preferia de ter escolhido outra?

Tenho um grande Amigo, dos tempos de juventude, recuperado recentemente, graças a Internet, que me dizia, lá pelos lados de Adamantina, na segunda metade dos anos 1960: “Precisamos nos definir, profissionalmente, até os 30 anos de idade”.

Ademar Shigueto Hayashi, esse meu Amigo, dificilmente vai se lembrar disso, mas eu não esqueço. Ao contrário: lembro-me dele sempre que o assunto profissão vem à minha mente ou que o tema surge numa conversa. E agradeço a Deus por ter colocado no meu caminho um sujeito tão inteligente como ele, que atualmente é empresário bem-sucedido, com atuação no Brasil e no Japão, a partir de Barra do Piraí, no Estado do Rio de Janeiro.

Antes que alguém me pergunte, deixo claro que estou feliz como Jornalista e não trocaria de profissão nunca, aconteça o que acontecer.

Mesmo assim, é imperioso lembrar – ou revelar? – que durante meus quatro anos de estudos de Espanhol, no Instituto Cervantes, em São Paulo, me peguei dizendo para a classe de 22 alunos que gostaria de ter sido músico e que meu instrumento preferido seria o Violão. Seria, porque tentei por vezes e nunca consegui aprender a manipular o objeto dominado com maestria por gente como Dilermando Reis (Ele nasceu em Guaratinguetá, Estado de São Paulo, em 22 de Setembro de 1916 e faleceu no Rio de Janeiro em 2 de Janeiro de 1977. Foi violonista e compositor, professor de música do então presidente Juscelino Kubitschek. Gravou discos de sucesso, sendo o chorinho o seu estilo musical. Trabalhou na Rádio Clube do Brasil e na Rádio Nacional do Rio de Janeiro).

Lembro-me também que já fui aprendiz de sapateiro, no Sacomã, em São Paulo. Tentei ser, igualmente, tintureiro – a profissão de meu saudoso pai, Lázaro Alves do Amaral – lá mesmo e em Adamantina. Depois fiz uma tentativa frustrada de ser vendedor ao lado do mesmo Hayashi e na sequência enveredei pela fotografia, no Foto Linense, onde conheci o Jornal do Comércio de Marília.

Antes de assumir a responsabilidade de escrever para o JC, a convite do Jornalista Irigino Camargo, meu primeiro Mestre no Jornalismo, e seguir para sempre esta profissão, passei pela Rádio Brasil de Adamantina, hoje comandada com competência pelo Amigo Sabiá.

Isto posto, fico a imaginar que você, caro e-leitor, deva estar se perguntando: por que cargas d’água este sujeito – ou seja, eu – está a tratar desse assunto? E explico: estou revoltado com o tratamento que está sendo dado aos goleiros do futebol brasileiro. Principalmente ao Júlio César, arqueiro do meu Corinthians, clube que acaba de conquistar a Copa Libertadores das Américas.

Gosto de futebol como poucos. E desde menino pequeno lá em Adamantina, onde nasci. Torço pelo Timão desde não sei quando e não foi por influência de meu pai, que era mais novohorizontino do que ninguém, exatamente por ter nascido em Novo Horizonte, no Interior paulista. E tenho uma especial predileção pelos goleiros, talvez por ter sido um deles quando pequeno, defendendo equipes de futebol de salão em Adamantina e em Marília.

Acompanhei e torci por quase todos os melhores goleiros que passaram pelo futebol brasileiro nos últimos 50 anos, pelo menos. A começar do inesquecível Zé Pintor, do Guarani da minha cidade, passando por Gilmar dos Santos Neves, Cabeção, Picasso, Waldir Joaquim de Moraes, Wilson e Valdir Perez (ambos da Ponte Preta de Campinas), Zetti, Leão, Ronaldo (do meu Corinthians), pelo baiano Dida (que brilhou no Cruzeiro, no Timão, no Milan e hoje brilha na Portuguesa de Desportos, em São Paulo), Cláudio Taffarel, Felipe (do Corinthians e do Flamengo), o inigualavél ‘são’ Marcos (do Palmeiras) e também Rogério Ceni (do SPFC).

Perdoem-me se esqueci alguém. Meu Compadre e Amigo Carlos Conde, Editor-chefe n’A Tribuna de Santos e torcedor fanático do SantosFC, incluiria Rodolfo Rodriguez, argentino que jogou no Peixe por anos. Mas quero deixar claro que sempre fui fã da ideia de ter Júlio César no gol do Corinthians. Primeiro porque ele surgiu na base do Timão. Depois, porque tem estatura e invergadura de goleiro. Fui contra a substituição dele por Cássio, que nos primeiros jogos provou que eu estava sendo irracional e agora me convence mais ainda, porque ele foi um dos principais responsáveis pela conquista da Libertadores de 2012.

Mesmo assim, sigo torcendo por Júlio César. Como torci nos jogos com o Palmeiras (2 a 1 para o Corinthians, no Brasileirão de 2012) e com o Sport (1 a 1, na Ilha do Retiro, domingo passado, no Recife). Tenho esperança de que ele ainda vá voltar a ser titular do meu Timão, porque imagino que em breve aparecerão propostas do exterior por Cássio, tal é o sucesso dele com o uniforme amarelo que vem usando.

Nem assim, entretanto, tenho esperança de que Júlio César se livrará dos “corneteiros” que o criticam após supostas falhas como a de domingo, no Recife. Ele sofre e continuará sofrendo com as más línguas que também não pouparam goleiros do porte dos inesquecíveis Manga (que defendeu o Botafogo e a seleção brasileira) e Raul Plasman (ex-Cruzeiro, Flamengo e Brasil). Afinal, ele escolheu essa profissão e certamente não quererá trocá-la.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

09/07/2012 20:08:44 (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)


09/07/2012 20:08:44 (horário de Brasília)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Por quê? (291) We are the champions!!!


Cláudio Amaral

Se para você é estranho, mais ainda é para mim. Estou há dois meses sem me comunicar com meus e-leitores que me prestigiam por meio deste blogue. A última vez foi na véspera do início da viagem que Sueli e eu fizemos do Brasil para os Estados Unidos, onde chegamos no dia 8 de maio de 2012.

Desde então só me comunico com meus interlocutores por intermédio do Facebook e do Twitter, as duas redes sociais que mais uso, tanto no Brasil quando nos Estados Unidos.

Estes sim sabem da minha vida como ninguém. São 131 no Twitter e 215 no Facebook.

Certo dia, há mais de um ano, comentei com o Amigo Mário Evangelista, Editor-Executivo do diário Expresso Popular, de Santos, que imaginava estar sendo prejudicado pelas redes sociais. E expliquei que minha produção dita “literária” havia caído muito depois que aumentei minha presença no Twitter e no Facebook.

“Gatão”, como é chamado por mim e desde antes pelo Amigo Wilson Marini, discordou. Disse que se eu reunisse todas as postagens do Twitter e do Facebook teria, certamente, dezenas de crônicas.

Parei, pensei e acabei por dar razão a ele, jornalista como eu, Amigo de fé e Irmão camarada.

Antes das redes sociais, entretanto, eu me divertia – e muito – escrevendo crônicas, nas quais faço relatos do meu dia a dia, observações a respeito de pessoas e de fatos que me dizem respeito bem de perto. Aproveito, também, para homenagear Amigos queridos. E Amigas, também.

Não raro, paro, penso e agradeço a Deus por me permitir ser como eu sou, por já ter vivido mais de 62 anos (e meio) e, sempre, por ter me permitido chegar até aqui (onde eu estiver no momento): em casa, em São Paulo; no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, no bairro paulistano do Pacaembu; na Paróquia Santa Rita de Cássia, na Vila Mariana; na residência de um ou outro Amigo; numa biblioteca ou num cinema ou num teatro; na casa da filha, do genro e dos netinhos queridos aqui em Ashburn Village ou ainda dentro da St. Thereza Catholic Church, onde assistimos a Missa dominical desde que aqui chegamos.

Isso tudo também figura nas minhas mensagens diárias, seja pelo Twitter ou pelo Facebook ou nas cada vez mais raras mensagens de correio eletrônico ou nas crônicas que aqui publico.

Quem tem contato comigo, frequentemente, sabe que sou torcedor fanático do TIMÃO, que faço parte da Torcida do Bem e não torço contra ninguém – nunca, que amo minha família, que sou Amigo dos meus Amigos – e das Amigas, também, que adoro estar aqui na Virgínia, nos Estados Unidos. E mais: que me dedico com afinco aos estudos relacionados aos idiomas Inglês e Espanhol, especialmente nos meses que estou a passar no Condado de Loudoun, nas proximidades de Washington DC.

Sabe, igualmente, que sou grato – e serei eternamente, aos meus Amigos e Amigas que dirigiram suas orações a mim nas fases pré e pós à minha cirurgia na cabeça, em julho do ano passado. E que por essa minha característica sou o primeiro – ou um dos primeiros, a estender as mãos a todos a quem eu quero bem.

Nestes dias, por exemplo, mesmo a oito mil quilômetros de distância, tenho pedido a Deus quanto posso – e mereço, pelo Amigão Décio Miranda. Ele mora em Brasília e no mês passado foi internado no Hospital Santa Helena para uma cirurgia realizada no dia 5 de julho de 2012 (ontem, portanto) para implantação de duas pontes de safena.

Tenho notícias dele diariamente graças à gentileza da filha Eliane e não vejo a hora dela me dizer que Décio Miranda saiu da UTI, que está passando bem, que saiu do hospital e voltou para casa, etc.

Conheci Décio Miranda quando cheguei a São Paulo, em 1971, como repórter do Estadão. Ele era da equipe que assessova a Presidência da Nestlè e logo se tornou minha fonte para assuntos de leite, a principal matéria-prima daquela companhia. Tornou-se meu Amigo, também, e passamos a nos frequentar, ele na minha casa, eu no apartamento dele.

Anos depois ele foi transferido para Brasília e nem assim perdemos contato. Na época da minha cirurgia, por exemplo, ele me ligava quase que diariamente. E quando não conseguia falar comingo, falava com minha Sueli.

Queria estar fazendo o mesmo com Décio Miranda, mas, como uma longa distância nos separa, nossos contatos têm sido por correio eletrônico e pelo Skype. Sempre por intermédio da filha Eliane, que me dá notícia dele e da esposa Hebe.

Ah, tem mais uma questão importante, neste caso: Décio é torcedor do Palmeiras, arqui-rival do meu TIMÃO. E como está hospitalizado, nem deve saber que o Corinthians finalmente foi campeão da Taça Libertadores da América. Ou seja, vou ter que esperar dias ou talvez semanas para cantar para ele aquela famosa canção que diz “We are the champions… we are the campions…”

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

06/07/2012 15:12:24 (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)


06/07/2012 16:12:24 (horário de Brasília)