quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Por quê? (314) Salve, 2013.



Cláudio Amaral

O ano que está a acabar foi muito bom. Bom demais. Mas, sinceramente, espero que o Ano-Novo seja ainda melhor. Muito melhor.

O ano de 2012 foi muito bom porque me permitiu visitar novamente a parte da família que vive nos EUA: a Filha Cláudia, o Genro Márcio Gouvêa e os netinhos Beatriz e Murilo.

Fomos eu e minha Sueli Bravos do Amaral e lá ficamos por inesquecíveis 141 dias, ou seja, quase 5 meses.

Naquele período vi todos os jogos do meu TIMÃO, o bão. Às vezes em vídeo-tape, porque a Globo Internacional tem critérios que eu não consigo entender e sempre deu preferências a times de categoria inferior e duvidosa, como os mineiros, sul-rio-grandenses e, em especial, os cariocas. Raramente os paulistas, os melhores do futebol profissional do Brasil, são escolhidos para aparecer ao vivo.

Felizmente, os jogos do Todo-Poderoso TIMÃO na Copa Liberta-As-Dores foram mostrados ao vivo pela www.foxdeportes.com. E aí foi só alegria, porque ganhamos a competição sem perder um jogo sequer.

Depois, quando já estávamos de volta ao Brasil, o TIMÃO ganhou o Mundial de Clubes no Japão, fazendo 1 a 0 tanto contra o Al Ahly (campeão do Egito) como diante do Chelsea (campeão europeu).

Minha alegria estrapolou. Difícil explicar o que aconteceu comigo naquela manhã de domingo, 16 de dezembro de 2012. E nos dias seguintes também. Deus seja louvado.

Mudando de área, tive outras vitórias pessoais marcantes, antes, durante e depois da viagem aos EUA.

Ir para os EUA já representou uma vitória, embora não fosse a primeira vez. Estar lá, então, me proporcionou a alegria de viver novamente na residência da Família Amaral Gouvêa, onde Sueli e eu havíamos estado por 58 dias em 2011, e de conviver com pessoas e pessoinhas queridas, de frequentar o grupo de conversação em Inglês na Biblioteca Pública de Ashburn (Virgínia) por nada menos do que 20 aulas e de conviver com pessoas nativas e de outros 30 países.

De volta ao Brasil tomei uma decisão histórica: voltar aos bancos escolares em 2013. Por conta disso, estudei, prestei vestibular e me matriculei no curso superior de licenciatura em História no Complexo Educacional FMU. Vou frequentar as aulas do período da manhã, num dos prédios que ficam junto à estação São Joaquim do Metrô, ou seja, a três estações de minha residência. Serão seis semestres de muitos estudos, pesquisas, trabalhos em grupos e muita dedicação.

Tenho planos de voltar uma vez mais aos EUA, em 2013.

Tenho planos também de transformar meus estudos em História em pelo menos mais um livro.

Tenho planos, planos e mais planos para 2013, que espero seja um novo ano marcante, maiúsculo e revigorante. Um ano bem melhor e diferente de todos os 63 anos que vivi até aqui.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

26/12/2012 19:23:00 (horário de Verão em Brasília)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Por quê? (313) Perdão, Senhor!



Cláudio Amaral

Hoje, Natal de 2012, é dia de pedir “Perdão, Senhor”.

Perdão, Senhor… pela minha impaciência para com os meus semelhantes.

Perdão, Senhor… pelo meu comportamento indevido no trânsito.

Perdão, Senhor… pelas vezes em que julguei a quem eu não deveria (e não tinha o direito) de julgar.

Perdão, Senhor… por todas as vezes em que eu disse não para as pessoas a quem eu deveria ter dito sim.

Perdão, Senhor… pelas vezes em que tive inveja de pessoas mais inteligentes, mais cultas, mais viajadas, mais ricas e mais poderosas do que eu.

Perdão, Senhor… pelas vezes em que faltei com a devida educação e respeito para com minha companheira de mais de 40 anos, para com meus filhos e minha filha, minhas noras, meu genro, meus netinhos queridos, meus sobrinhos e sobrinhas, meu saudoso irmão e minhas irmãs, minha sogra (que é mais mãe do que sogra), meu saudoso sogro, minha saudosa mãe, meu saudoso pai, meus tios e minhas tias, meus saudosos avós… etc.

Perdão, Senhor… pelas gafes que cometi em relação às minhas Amigas e Amigos.

Perdão, Senhor… se não percebi que estava agindo mal para com meus cunhados, cunhadas, primas e primos, afilhados… etc.

Perdão, Senhor… se algum dia eu fui soberbo em relação às pessoas do meu relacionamento.

Perdão, Senhor… pela minha falta de capacidade para tolerar e perdoar os sãopaulinos, palmeirenses, santistas, flamenguistas, vascainos, tricolores e botafoguenses do Rio de Janeiro, colorados, gremistas, cruzeirenses e atleticanos das Minas Gerais e todos os outros pobres coitados que morrem de inveja do meu TIMÃO, bicampeão mundial de futebol profissional 2012.

Perdão, Senhor… pelos meus pecados capitais.

Perdão, Senhor… pelas críticas impensadas e infundadas que fiz a quem quer que seja.

Perdão, Senhor… pelos pedidos que Lhe fiz quando eu deveria estar apenas a agradecer a tudo de bom que Me deste e Me proporcionaste.

Perdão, Senhor… se o pedido que Lhe faço a seguir não tem o menor fundamento, mas, por favor, Senhor, peça aos meus semelhantes que tenham um pouco – um pouquinho que seja – de paciência com este seu filho e saiba, Senhor, que não tem sido fácil para mim conviver com estes milhões de Irmãos que o Senhor Me deste.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

24/12/2012 16:57:39 (horário de Verão em Brasília)

domingo, 23 de dezembro de 2012

Por quê? (312) Paz no Natal, Senhor!



Cláudio Amaral

Um Amigo de infância, que eu não via há muito tempo – há anos, mais precisamente – fui reencontrar de surpresa na manhã deste domingo. Nos reencontramos no interior da Paróquia Santa Rita de Cássia, na Rua Dona Inácio Uchoa, na Vila Mariana, zona sul da Capital paulista.

Surpresa. Alegria. Abraços. Afinal, a última vez que nos vimos foi em frente da Igreja Matriz de Santo Antonio, na pequena e querida cidade de Adamantina, onde nasci no dia 3 de dezembro de 1949.

- Eu também nasci em Adamantina, ele me disse tão logo relembrei o nosso encontro anterior.

- Nasci e fui batizado em Adamantina, ele me acrescentou.

Eu não soube dizer a ele, naquele exato momento, poucos minutos antes das 11 horas da manhã, onde foi que eu recebi o batismo. Mas certamente foi lá mesmo, em Adamantina e na Matriz de Santo Antonio.

Isto posto, combinamos que assistiriamos a Celebração da Missa lado a lado.

Cumprimentamos o Frei Cristiano Zeferino de Faria, Pároco da Santa Rita de Cássia e o celebrante do horário. Entramos e fomos sentar no primeiro banco.

Frei Cristiano nada falou, mas certamente percebeu a alegria nos nossos rostos; no meu e no do meu Amigo de infância. Era a alegria do reencontro.

A Missa era pelo 4º. (e último) Domingo do Advento, aquele que “coroa a preparação para a celebração do Natal”. Exatamente por isso, explicou o leitor de plantão, o também meu Amigo Antonio Roberto Prates e Silva, “na coroa do Advento se acende a última vela, simbolizando a chama que aqueceu nossos corações em preparação à celebração do nascimento de Jesus”.

Praticamente sem respirar, Prates seguiu na leitura: “Voltados para a encarnação do Verbo e ansiosos por celebrar seu nascimento, façamos desta Eucaristia um verdadeiro culto de ação de graças”.

Foi o que fizemos. Tanto meu Amigo de infância quanto eu. E também os quase 100 fiéis que foram à Santa Rita na antevéspera do Natal.

Lemos os Ritos Iniciais, ouvimos a Primeira Leitura (relativa à Profecia de Miquéias), cantamos o Salmo Responsorial (Iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos para que sejamos salvos!), escutamos a Segunda Leitura (referente à Carta aos Hebreus), fizemos a Aclamação ao Evangelho e em seguida lemos o Evangelho.

Na sequência vieram a Homilia, a Profissão de Fé (Creio em Deus Pai…) e a Oração dos Fiéis (A exemplo de Maria, fazei-nos acolher o Redentor).

Firmes como rochas e com a maior fé que nos foi possível, entramos na Liturgia Eucarística, incluindo a apresentação das Oferendas, a Oração sobre as Oferendas e a Oração Eucarística.

No Rito da Comunhão, “obedientes à palavra do Salvador e formados por seu divino ensinamento”, ousamos dizer a oração que o Senhor nos ensinou: “Pai-nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso Reino (Senhor), seja feita a vossa vontade (Senhor) assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje (Senhor); perdoai-nos as nossas ofensas (Senhor), assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido (Senhor), e não nos deixeis cair em tentação (Senhor), mas livrai-nos do mal”.

Após a Comunhão, que recebemos do próprio Frei Cristiano, meu Amigo de infância e eu cantamos a plenos pulmões: “O Senhor fez por mim maravilhas, santo é seu nome, santo é o seu nome!

Feita a Oração após a Comunhão, Frei Cristiano nos pediu um minuto de paciência para homenagear três dos mais ativos paroquianos que estão de mudança de São Paulo e disse nos esperar novamente para a Missa do Galo, às 20 horas desta segunda-feira, e também para a Missa de Natal, às 11 ou às 18 horas de terça-feira.

De resto, só mesmo fazendo a Benção de Despedida (Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo) e cantando o Canto Final: “O Senhor fez em mim (em nós, disse-me o meu Amigo de infância) maravilhas. Santo é o seu nome”.

Na porta de saída da Igreja, meu Amigo de infância fez-me um último alerta: “No Rito da Comunhão você (eu, no caso) disse: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo. E eu (ele, no caso), coloquei tudo no plural, exatamente como acredito que deva ser: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e seremos todos salvos”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

23/12/2012 16:02:54 (horário de Verão em Brasília)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Por quê? (311) – SÃO PAULO EM 2040



Cláudio Amaral

Na sala, a televisão deu a notícia e ela, na cozinha, desdenhou. Também na cozinha, ele fez cara de sério, como quase sempre. O casal era assim: ela duvidava de tudo e ele acreditava em quase tudo. Ela nunca acreditara nas promessas do PT e saia logo criticando. Ele tinha por princípio acreditar para depois criticar ou aplaudir, conforme o caso.

Eles sempre votaram na oposição situada mais ao centro. Primeiro, no MDB, o Movimento Democrático Brasileiro de Ulisses Guimarães, Tacredo Neves, Franco Montoro, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso. Depois, no PMDB. E nos últimos tempos no PSDB, o Partido da Social Democracia Brasileira, desde que Montoro, Covas e FHC resolveram romper com os antigos parceiros, deixando de lado e à própria sorte gente como Orestes Quércia, Michel Temer e outros.

Nas últimas eleições municipais, aquelas que elegeram prefeito um filiado ao PT e derrotaram o candidato do PSDB, eles ainda votaram no mesmo concorrente, José Serra. Mas para ele tudo indica que foi a última vez.

Ela já havia se revoltado com o apoio que o ex-presidente Lula e a atual presidente Dilma Roussef deram a Fernando Haddad desde a escolha do ex-ministro da Educação para concorrer a prefeito de São Paulo. Ficou mais revoltada ainda quando a eleição se consumou. Não se conforma até hoje com o fato de o povo paulistano ter elegido um candidato do Partido dos Trabalhadores.

Ele, não. Como há tempos deixou de acreditar em Serra, saiu dizendo que foi melhor assim. E disse mais: que a população da Capital paulista só vai ter a ganhar com a escolha de um político jovem, cheio de garra e vontade de acertar.

Agora, então, que ele ouviu que a Prefeitura de São Paulo está planejando a cidade para 2040, ficou mais otimista ainda. Mesmo sabendo que daqui a 28 anos estará com 90 anos, se vivo estiver.

Ele sempre defendeu a tese de que cada cidade deveria ter uma “Comissão do Futuro”. Ou seja, uma equipe dedicada exclusivamente a pensar na cidade que nossos moradores – crianças, jovens, adultos e idosos – terão daqui a pelo menos dez anos.

Vinte anos? Vinte e oito anos? Melhor ainda. E se possível for, essa comissão que agora se anuncia deve se dedicar a pensar, ao mesmo tempo, na São Paulo de 2050.

Só assim, na opinião dele, será possível deixar para os netos de todos nós – Beatriz e Murilo, inclusive, que estão com 5 para 6 e com 2 para 3 anos – uma cidade menos desumana, menos insegura, menos selvagem, menos suja, menos poluída, menos congestionada, menos individualista, menos indisciplinada.

É nisso que ele acredita. E ela também, com absoluta certeza.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

19/11/2012 15:45:23  (horário de Brasília)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Por quê? (310) – De pai para filho (e vice-versa)



Cláudio Amaral

Filmes memoráveis e inesquecíveis. Filmes históricos. Filmes que representam lições de vida. Assim costumam ser os filmes biográficos. Assim são filmes como Dois Filhos de Francisco e Gonzaga – De Pai para Filho.

Fiquei emocionado e chorei (e muito) ao ver essas duas películas nacionais, ambas dirigidas por Breno Silveira: Dois Filhos de Francisco em Franca (SP), em fins de 2005, quando eu trabalhava para o diário Comércio da Franca, e Gonzaga – De Pai para Filho no início da noite de quinta-feira (15 de novembro de 2012). Em ambos eu estava ao lado da minha Sueli Bravos do Amaral, mas não posso falar por ela; só por mim.

Dois Filhos de Francisco me emocionou muito porque a história de Zezé Di Camargo e Luciano tem tudo a ver com a minha, especialmente na chegada a São Paulo. Eles vindo de Goiás e eu de Adamantina, no Interior paulista. Passamos, tanto eles quanto eu, por dificuldades que não esqueceremos jamais e que passaram, passam e passarão milhões de brasileiros.

Gonzaga – De Pai para Filho me tocou fundo pelas marcantes divergências entre Gonzagão, o chamado Rei do Baião, com o filho dele, Gonzaguinha. Eles passaram a maior parte da vida distantes, um longe do outro e cada um tendo uma visão da vida. Tudo por conta da música e dos shows que fizeram pelo País.

Luiz Gonzaga do Nascimento, o Gonzagão, nasceu em Exu, no sertão pernambucano, a 13 de dezembro de 1912 e faleceu em Recife, a capital daquele Estado, a 2 de agosto de 1989. Foi sanfoneiro, cantor e compositor dos mais populares no Brasil e era conhecido como o Rei do Baião. No Exército, que serviu por dez anos, se destacou como corneteiro e se orgulhava de jamais ter dado um tiro sequer.

Luiz Gonzaga do Nascimento Junior , o Gonzaguinha, nasceu no Rio de Janeiro a 22 de setembro de 1945 e faleceu em desastre de automóvel em Renascença, no Paraná, a 29 de abril de 1991. Antes, se tornou “doutor” (em Economia), como queria o pai, mas foi famoso como cantor e compositor. Idealizou e criou o Movimento Artístico Universitário (MAU).

Um, Gonzagão, foi obrigado a prestar serviços aos militares de plantão após a ditadura de 1964. O outro, Gonzaguinha, fez tudo o que lhe foi possível para combater e difamar o regime comandado por Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Figueiredo e outros tantos.

O mais marcante, entretanto, não foi isso. O que mais marcou as vidas de Gonzagão e Gonzaguinha, como se viu na vida real e no filme Gonzaga – De Pai para Filho, foram as desavenças e desencontros de ambos e entre os dois.

Vistos de fora, nas telas dos cinemas (como vimos na sala 9 do Cinemark do Shopping Santa Cruz, em São Paulo), tais desavenças e desencontros parecem absurdos, desnecessários, descabíveis. Mas foram reais. Tão reais como as muitas histórias de vida que acontecem desde sempre em lares e em ruas do Brasil todo.

Quantos mais famosos os personagens da vida pública, no Brasil e no mundo, maiores os conflitos entre seres humanos, homens e mulheres, pais (e mães) e filhos (e filhas), irmãos e irmãs, avôs e avós, chefes e chefiados, professores e alunos, etc.

Aqui, entretanto, os alvos são os pais e filhos. Como Gonzagão e Gonzaguinha. Pais (e mães) que geram filhos para dar-lhes amor, carinho, ensinamentos, educação, proteção e principalmente bons exemplos. Jamais para abandoná-los, mesmo que – como fez Luiz Gonzaga com Luiz Gonzaga Júnior – dando-lhes todos os bens materiais possíveis e imagináveis.

O melhor seria que filmes como Gonzaga – De Pai para Filho não fossem necessários. Mas já que casos como esse existem e são necessários, que eles sirvam de exemplo para nos ensinar a ser pais (e mães) melhores, mais compreensivos, mais pacientes, mais amorosos, mais didáticos, mais, mais e mais. Com mais diálogos e sem nunca, entretanto, nos fazer capazes de criar e educar inadequadamente os nossos filhos e filhas. Afinal, é conversando que a gente se entende. Gente de bem, especialmente. Gente que ama e respeita os seus semelhantes acima de tudo e de todos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

16/11/2012 15:15:18  (horário de Brasília)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Por quê? (309) – Viajando nos livros (4)



O Petróleo foi editado nos EUA em 1990 e no Brasil em abril de 1993

Cláudio Amaral

O Petróleo – Uma história da ganância, dinheiro e poder é mais uma obra valiosa que encontrei neste primeiros dias de outubro de 2012, quando me ocupei da reorganização da minha biblioteca particular.

Escrito por Daniel Howard Yergin, “uma das principais autoridades mundiais em negócios petrolíferos”, este livro não me custou um tostão sequer. Chegou às minhas mãos por acaso, num sábado qualquer de 2009, em Santos.

Eu era Editor-Executivo do jornal A Tribuna e morava na Avenida Dr. Epitácio Pessoa, quase no Canal 6. Exatamente em frente ao prédio em que eu residia com minha Sueli Bravos do Amaral, foram morar os Amigos Mario Evangelista (meu colega de jornal) e Mônica Ribeiro (a mulher dele, ambos pais das lindas Mariana e Marcela).

Em visita a eles, numa manhã ensolarada, me vi frente a frente com uma pilha de livros que estavam sendo descartados por Mario. Comecei a examinar um a um e perguntei ao Gatão se ele não queria mais aquele exemplar de O Petróleo – Uma história da ganância, dinheiro e poder.

Diante da acertiva do Amigo e Editor-Executivo do jornal Expresso Popular, levei para casa o volume de 932 páginas editadas pela Scritta Editorial. Ganhei assim um dos três mil exemplares impressos a partir de filmes entregues à Gráfica Círculo às dez horas do dia 19 de março de 1993.

O início da leitura não foi imediato. Demorei pelo menos um ano para abrir as primeiras páginas e quando comecei a me encantar com O Petróleo – Uma história da ganância, dinheiro e poder eu já estava de volta a São Paulo e à minha residência na Aclimação, “o bairro mais agradável da Capital paulista”.

Antes, entretanto, de decidir voltar para casa, fiz uma visita à refinaria de petróleo que a Petrobrás possui em Cubatão, município localizado entre Santos e São Paulo.

Foi lá, em Cubatão, que vim a conhecer Carlos Henrique Quarello, responsável pela recepção a mim e aos meus colegas que fomos conhecer a refinaria da Petrobrás. E naquela ocasião fiquei sabendo que ele dava aulas sobre Geopolítica de Petróleo na Unisanta, em Santos. Ele me disse mais: que tinha O Petróleo como principal fonte de consulta. E que o exemplar que usava era emprestado e precisava ser devolvido.

Diante dessa informação, tomei uma decisão: disse a Quarello que o livro seria dele assim que eu terminasse a leitura, o que não aconteceu até hoje. Cheguei até a página 247 e parei, especialmente por conta da cirurgia a que fui submetido no dia 29 de julho de 2011 e que quase me levou desta vida terrestre. E por causa, também, do interesse que o livro despertou em mim.

Mais do que interesse, O Petróleo, de Daniel Yergin, me fascina por conta da riqueza de detalhes e dos magnatas envolvidos. Gente como Winston Churchill, Saddam Hussein, Adolf Hitler, Benito Mussolini, Joseph Stalin, Dwight Eisenhower, xá Reza Pahlavi, Henry Kissinger, George Bush e John D. Rockefeller, entre outros.

Gente e nações como os Estados Unidos, URSS-Rússia, Japão, México, Venezuela, Alemanha, Kuait, Arábia Saudita, China, Grã-Bretanha, Argélia, Nigéria, Iraque e Líbia, entre outras.

Nações e companhias como Standard Oil Company, South Improvement Company, Standard Oil Trust, Royal Dutch, Shell, Sun, Texaco, Gulf, British Petroleum, Anglo-Persiun Oil Company, Turkish Petroleum Company, Exxon, Mobil e Chevron, entre outras.

Companhias e entidades como a Comunidade Econômica Européia, OPEP, Agência Internacional de Energia e Organização das Nações Unidas.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

17/10/2012 17:48:21 (horário de Brasília)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Por quê? (308) – Viajando nos livros (3)



Adriana Moreira (segunda da esquerda para a direita) em Portugal, em 2003

Cláudio Amaral

Almyr Gajardoni, Carlos Brickmann, Sérgio Leitão, Carmo Chagas e Adriana Moreira. Esses foram cinco dos muitos Amigos que reencontrei na reorganização da minha biblioteca pessoal, nestes primeiros dias de outubro de 2012. Todos são Jornalistas.

O Jornalista Almyr Gajardoni foi meu colega de Redação na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, onde fomos comandados por dois Amigos: Carlos Conde e Sérgio Kobayashi. O primeiro era vice-presidente. O segundo, diretor-presidente. Ambos nos deram todo apoio necessário ao bom desempenho das nossas funções e à produção e edição de 15 diários oficial, de segunda-feira a sábado, mais a revista D. O. Leitura, entre outras publicações.

Reencontrei Almyr Gajardoni pelo livro que ele editou em 2002, durante o nosso período de trabalho na Imprensa Oficial: Idiotas & Demagogos – Pequeno Manual de Instruções da Democracia. Com apresentação do Jornalista Alberto Dines e prefácio do Jornalista e Advogado D’Alembert Jaccoud (http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,aos-75-morre-jornalista-dalembert-jaccoud,377460,0.htm), esta obra de Gajardoni nos apresenta detalhes da política brasileira a partir de 1955, e até o início dos anos 2000. Nascido em Birigui, Almyr conviveu por muitos anos com o apelido identico, especialmente nas redações da Folha de S. Paulo e da Veja. Era olhar para ele e se lembrar de Birigui. Como foi bom conviver com Almyr por quase cinco anos na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Reencontrei Carlos Brickmann pela obra A vida é um palanque – Os segredos da comunicação política, através da qual ele procura passar sua experiência a candidatos a cargos eletivos e respectivos assessores. Ele foi o repórter da Diretas Já na Folha de S. Paulo, quando o povo brasileiro reivindicava eleições presidenciais diretas no Brasil (1983 e 1984). Depois assessorou políticos como Paulo Maluf e em seguida criou a própria empresa: http://www.brickmann.com.br.

Reencontrei Sérgio Leitão pelo livro Maracanã: da tragédia à glória (2000), prefaciado por ninguém menos que o Jornalista Renato Mauricio Prado. Leitão é reconhecidamente “um grande contador de histórias” e foi um repórter sem igual, tanto no Brazil Herald quanto n’O Globo, no Jornal do Brasil, na The Associated Press e na Agência Reuters, onde o conheci. Lembro-me bem de quando nos conhecemos, na sala de imprensa que eu havia montado e gerenciava no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, por conta do Federation Cup, o maior torneio de tênis feminino profissional. Fiquei tão impressionado com a disposição de Leitão para o trabalho – pois ele escrevia sem parar em Português, Inglês e Espanhol – que, ingenuamente, disse a ele: “Nunca conheci um carioca que trabalhasse tanto”. E ele, pacientemente, me devolveu: “Eu não sou carioca; moro no Rio de Janeiro, mas sou cearense”. Rimos a mais não poder e quase rolamos no chão.

Reencontrei Carmo Chagas por meio de Vesgo – A longa jornada de um cão à procura de sua dona, que nos detalha “a aventura de um cachorro que desafia a nossa imaginação” ao percorrer os caminhos “de São Paulo a uma fazenda em Minas Gerais, à procura de sua dona”. A obra é de 1999, quando Carmo já havia tralhado no Jornal da Tarde, na Veja, na Playboy e na revista Afinal. Eu já o conhecia, mas só viemos a nos encontrar, pessoalmente, na assessoria da presidência da Associação Comercial de São Paulo, onde estive entre 2002 e 2004. Carmo era responsável pela redação dos artigos que viriam a ser assinados pelo presidente da ACSP e eu praticamente babava sobre cada texto dele, que tinha clareza, frases curtas e sequência quase musical.

Por fim, entre mais de 200 livros e revistas que separei, limpei e cadastrei nos últimos dias, após voltar de uma viagem inesquecível de quase cinco meses aos Estados Unidos, reencontrei-me com a querida e saudosa Jornalista Adriana Moreira. E isso se deu através da dedicatória que ele me fez para mim – e para minha querida Sueli Bravos do Amaral – numa das primeiras páginas de Arruando pelo Recife – por ruas, pontes, praias e sítios históricos, de Leonardo Dantas Silva (2000). Era dezembro de 2001 e meu aniversário seria no dia 3, às vésperas de mais uma viagem à capital de Pernambuco, onde Drika vivia. E ela escreveu naquele livro, seis anos antes de vir a falecer, inexplicavelmente, em Petrolina: “Lembranças da encantadora cidade e lar da tua mais querida, adorada, inteligente, modesta… amiga. Parabéns. Adriana Moreira”. Ela, lamentavelmente, morreu de “enfarto fulminante” no início de abril de 2007 e até os dias atuais nós, os Amigos, sentimos um grande vazio no peito.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

11/10/2012 00:49:53  (horário de Brasília)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Por quê? (307) – Viajando nos livros (2)



Cláudio Amaral

Revendo e reorganizando minha biblioteca pessoal, nestes primeiros dias de outubro de 2012, contei mais de duas centenas de livros. São publicações selecionadas entre milhares de obras que li desde que aprendi a dominar as letras e as palavras, no início dos anos 1950. Mas tenho uma muito especial. Uma relíquia que não manipulava há tempos, muito tempo: Marilia – Monografia pelo Professor Glycerio Póvoas, que me foi dada pelo Amigo Toninho Netto.

No dia 26 de outubro de 1970, quando eu estava por completar dois anos em Marília, Toninho Netto me fez a seguinte dedicatória: “Ao meu Amigo Cláudio Amaral, uma recordação do Setor de Relações Públicas da P. M. M.”

Marilia – Monografia pelo Professor Glycerio Póvoas é uma obra datada de 1947, ou seja, foi editada dois anos antes do meu nascimento (3 de dezembro de 1949, em Adamantina). Tem 187 páginas – mais quatro capas e contra-capas – e foi um trabalho financiado pelo Serviço de Estatistica da Prefeitura de Marília.

A maioria das páginas é de textos e números, mas nelas estão fotos também. Fotos de 1919 (matagal e casas), 1923 (primeira derrubada de mato realizada no Patrimônio “Alto Cafezal” naquele ano) e “A Estrada de Ferro Paulista rompendo o espigão rumo à Marília”. Tem fotos também de 1945 (panoramica mostrando casas e alguns prédios) e de pessoas importantes: de Galdino Alfredo de Almeida, fundador do Patrimônio Vila Barbosa; pai e filho Pereira da Silva, fundadores do Patrimônio “Alto Cafesal”; do Predio do Forum, do Posto de Puericultura, de parte da fachada do Ginasio do Estado, da Estação da Rádio Patrulha e da Represa do Norte.

Outras fotos mostram o chamado Stand Pipe (tubo vertical), situado à Rua São Luiz, o ponto mais alto da cidade, com capacidade para 150.000 litros de água, e destinado à distribuição aos domicilios; a Represa do Norte, a bomba colocada na represa da Cascata, a Estação de Tratamento, uma vista parcial do Jardim da Praça Maria Isabel, a fonte e a piscina do Parque Infantil.

A publicação Marilia – Monografia pelo Professor Glycerio Póvoas tem mapa, ainda, como o do Municipio de Marilia, muito bem feito, impresso a cores. Bonito, se considerarmos que foi publicado há 65 anos.

Na sequência podemos ver “A Torre”, um “Monolito na Serra da Formosa”. Vemos ainda imagens da Estrada de Ocauçú, duas fotos mostrando vistas do Rio do Peixe e o “Salto dos Anjos” no Corrego dos Anjos com 40 metros de altura. A Fazenda Bom Jesus, de Angelo Montolar Buill, e uma vista parcial do “magnífico cafesal”, outra da lavoura de algodão na Fazenda Santa Emilia, de propriedade de Fernando Vilela.

A “Fiação de Sêda Brasil”, que viria a ser tema de inúmeras crônicas do Jornalista José Arnaldo no Correio de Marília, também aparece em foto de Marilia – Monografia pelo Professor Glycerio Póvoas. Assim como duas imagens do trecho de pavimentação a paralelepipedo na estrada da Serra de Casa Grande.

Utilizado por mim quando repórter do Jornal do Comércio de Marília, em duas edições especiais que fiz a propósito dos aniversários da Capital da Alta Paulista, este livro relembra a criação do Distrito de Paz de Marília, em 22 de dezembro de 1926 (Lei 2.161) e as razões da escolha do nome Marília. A propósito, o fundador Bento de Abreu Sampaio Vidal confirmou o que sabemos: “Partindo para a Europa, lembro-me bem que, uma tarde de sol antes do estreito de Gilbraltar, procurei um livro na bibliotéca do (navio) Giulio Cesare e o primeiro que vi foi o de Marília de Dirceu, o famoso poema de Tomaz Antonio Gonzaga”. E Sampaio Vidal segue explicando: “No mesmo momento, lembrei-me que seria Marília o nome da nova cidade, pois, nenhum outro, começando começando por M, seria tão sonante e tão nosso. De bordo mesmo, escrevi uma carta ao dr. Adolfo Pinto, que em minha volta aplaudiu entusiasticamente a nova ideia”.

Outro fato de destaque que encontrei em Marilia – Monografia pelo Professor Glycerio Póvoas é a Lei 2.320, de 24 de dezembro de 1928, em que o presidente do Estado, Julio Prestes de Albuquerque, criou o Município de Marilia na comarca de Piratininga. Destaco ainda a homenagem que o Professor Glycerio Póvas fez “aos abnegados e heróicos membros da Comissão Geográfica: engenheiros Olavo Humel, Gentil Assis de Moura, Julio Bierremback de Lima, Mario Airosa, Guilherme Wendel, médicos Otaviano Ferreira da Costa, Abilio Sampaio e botânico Gustavo Edwell, que, arrostando todos os perigos e sacrifícios, percorreram e estudaram os vales dos rios Peixe e Feio em 1905, realizando uma epopéia de trabalho na história do expansionismo paulista”.

Póvoas lembra também o “dinâmico e honrado Prefeito Municipal de Marília, senhor João Neves Camargo, que me estimulou a levar avante esta modesta e desvaliosa publicação”. E dá destaque “à epopéia do café”, porque Marília “surgiu sob a influência irresistível da ambicionada rubiácea e também como consequência da expansão ferroviária do Estado”. Foi o café “principalmente, que arrastou para estas paragens a coragem sem par e a energia dos modernos bandeirantes”.

Em Marilia – Monografia pelo Professor Glycerio Póvoas o autor destaca ainda que “primeiras ruas foram rasgadas obedecendo ao trabalho do engenheiro Francisco Schmidt, retificado posteriormente por Jorge Streit e Leandro Matiazzo”. E que “numa febre estonteante, caminhões, automóveis, carretas e charretes procedentes de todos os pontos cruzam as estradas em demanda do povoado, levando-lhe novos habitantes”.

Mas, afinal, quem foi o Professor Glicerio Póvoas(?), me perguntei quando terminei de folhear o livro que ganhei do Amigo Toninho Neto. E logo fui ao Google, onde encontrei que ele nasceu em Cuiabá, no Mato Grosso, a 3 de maio de 1895. E que aos 43 anos, ou seja, em 1938, era diretor de Contabilidade da Prefeitura Municipal de Marília.

“Em 1940”, relata um documento que encontrei no Google, “dada a sua capacidade, é nomeado Diretor do Ginásio Municipal, ocupando outros cargos até deixar o serviço público para se dedicar à Escola de Comércio de sua propriedade, que transformou em Ginásio Dr. Fernando de Magalhães, já cessada a sociedade com o Professor Antonio Camargo de Almeida Prado”.

Citando Paulo Corrêa de Lara, membro da Comissão de Registros Históricos, uma das fontes que consultei para escrever esse texto registra que “as escolas do Professor Glycerio Póvoas passaram por várias fases e proprietários, estando hoje transformada na Universidade de Marília”.

Paulo Corrêa de Lara registra ainda que o Professor Glycerio Póvoas viveu até 17 de janeiro de 1963, ou seja, seis anos da minha chegada a Marília.

Isto posto fico pensando cá comigo, no aconchego do meu lar e após ver pela televisão o empate por 2 a 2 no jogo entre Barcelona (de Messi) e Real Madri (de Cristiano Ronaldo), disputado na Capital da Catalunia, que foi muito bom ter revisado minha biblioteca pessoal, onde encontrei o presente que ganhei de Toninho Netto há quase 42 anos, em 26 de outubro de 1970.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

09/10/2012 00:04:24  (horário de Brasília)

sábado, 6 de outubro de 2012

Por quê? (306) – Viajando nos livros (1)



Cláudio Amaral

Livros, livros e mais livros. Estou cercado pelos meus livros. São livros de Jornalismo, principalmente. Mas tenho igualmente romances e mais romances. Biografias, também. E livros de História? Sim, também publicações a respeito da nossa História.

Ah… tenho livros escritos por brasileiros e estrangeiros. Livros em Português, Espanhol e… até em Inglês (que eu trouxe na viagem de quase cinco meses que fiz pelos Estados Unidos).

Entre os nativos do Brasil possuo obras de escritores famosos e outros nem tanto: Jorge Amado, Pery Cotta, Gilberto Dimenstein, Alzira Alves de Abreu, Moacy Cirne, Eduardo Velozo Fuccia (meu colega na Redação d’A Tribuna de Santos), Eduardo Martins (o melhor chefe que tive no Estadão), Gilberto Lorenzon (Amigo desde os tempos em que eu editava a revista A Verdade), Clóvis Rossi (que conheci no Estadão e com quem trabalhei depois na Folha de S.Paulo), Ricardo Kotscho (outro dos tempos do Estadão), Samuel Wainer, Carlos Guilherme Mota, Maria Helena Capelato, Ramão Gomes Portão (Amigo de Fé e saudoso companheiro no Estadão), Ricardo Jordão Magalhães (que muito me ensinou num curso em 2009, em São Paulo), Juarez Bahia (Mestre e Amigo saudoso que brilhou no Jornal do Brasil dos anos 1970), Marlene dos Santos (Amiga inesquecível), Gabriel Perissé, Lima Barreto, João Guimarães Rosa, Carmo Chagas, José Maria Mayrink, Luiz Adolfo Pinheiro (meu diretor no Correio Braziliense), Leonardo Dantas Silva (que trouxe de volta à minha mente a saudosa Jornalista Adriana Moreira) e Melhem Adas, entre muitos outros.

Os estrangeiros? Entre os escritores internacionais que estão na minha biblioteca pessoal tenho o peruano Mario Vargas Llosa (o preferido), o colombiano Gabriel García Marquez, Osho, o iraniano Omar Khayyam, entre outros.

A maioria destas publicações foram adquiridas em livrarias e em sebos, porque sou um frequentador inveterado das lojas de livros antigos (velhos, não; antigos, sim).

Todos eles, sem exceção, passaram pelas minhas mãos nestes primeiros dias de outubro de 2012, quando me dediquei a tirar o pó e a rever minha coleção de livros especiais.

Peguei um por um, espanei e troquei todos de patreleiras. Do escritório para a garagem, sem demérito algum. Até porque agora na garagem, bem em frente ao meu poderoso Honda Fit vermelho (como a Ferrari que era dirigida por Rubens Barrichello nas corridas de Fórmula 1), meus livros estão mais protegidos das interpéries e mais fácil de serem consultados.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

06/10/2012 15:51:38 (horário de Brasília)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Por quê? (305) – Respeito, alegria e boa vontade.



Cláudio Amaral

Voltei ao Brasil há uma semana. Vim apreensivo. Temia pelas diferenças de comportamento que iria encontrar aqui depois de quase cinco meses num país de Primeiro Mundo e numa região absolutamente civilizada e onde o povo é no mínimo disciplinado. Mas vejo que meus temores eram infundados.

Para quem ainda desconhece, informo que estava nos Estados Unidos. E que por lá fiquei de 8 de maio a 24 de setembro de 2012.

Fiquei precisamente na Virgínia, o primeiro Estado do país de Barack Obama, Martin Luther King, da Família Kennedy, dos Rockfeller, de Frank Sinatra e de um dos meus maiores ídolos no campo profissional em que atuo desde 1º. de maio de 1968: o Jornalista Gay Talese.

Baseado em Ashburn Village, a 15 minutos do Aeroporto Internacional de Washington DC e a 40 minutos da capital daquele país, visitei toda a região e mais a famosa Virgínia Beach, na costa leste, banhada pelo nosso Oceano Atlântico, o mesmo que banha a costa brasileira.

Eu só, não. Eu, minha Sueli, Bisa Cida (Aparecida Grenci Bravos, viúva do Jornalista José Arnaldo, meu saudoso sogro), meu genro e Amigo Márcio Gouvêa, minha filha Cláudia e meus netinhos Beatriz e Murilo.

Já havia estado lá – na casa da filha, do genro e dos netinhos – por 58 dias do ano passado. E desta vez só reforcei as diferenças que eles experimentam diariamente. Em casa, na vizinhança, nas ruas, nas escolas, nas bibliotecas públicas, nos centros de compras, nos restaurantes e lanchonetes. Enfim, em contato com os nativos e gente do mundo todo que por lá vivem ou fazem turismo ou estudam.

As diferenças saltam aos olhos. Especialmente aos olhos de quem, como nós, vive em países como os do Hemisfério Sul.

Voltei para o Brasil, portanto, preocupado com o tráfego de veículos motorizados, com os congestionamentos de São Paulo, com o lixo nas nossas ruas e principalmente com a falta de educação do nosso povo.

Mas, felizmente, tenho visto que muitas coisas mudaram por aqui.

Os políticos, infelizmente, pouco – ou quase nada – mudaram. Os administradores públicos, que também fazem parte da classe política, também não.

Tenho, entretanto, que concordar que fui surpreendentemente bem atendido em quase todos os lugares em que estive, aqui, desde o dia 25 de setembro de 2012, quando desembarquei com Sueli e Márcio no Aeroporto Internacional Governador Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos.

Sinto que tudo – ou quase tudo – tem melhorado em nosso País, embora ainda falte muito para chegarmos aos níveis do Primeiro Mundo.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

03/10/2012 15:32:57  (horário de Brasília)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Por quê? (304) – Até 2013, com a graça de Deus.


Cláudio Amaral

Estamos a caminho do Aeroporto Internacional Dulles, em Washington DC, capital dos EUA. Minha Sueli, nosso genro e Amigo Márcio Gouvêa (marido da nossa Cláudia e ambos pais dos nossos netinhos Beatriz e Murilo) e eu. Temos voo direto para o Aeroporto Internacional Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos.

Irei – sim, pelo menos eu – com o coração nas mãos e cheio de vontade de voltar logo.

Amei tudo o que fiz aqui em Asburn Village desde 8 de maio de 2012.

Aqui frequentei o ESOL Conversation Groups na Ashburn Library, destinado a visitantes estrangeiros e interessados em praticar uma segunda língua, o Inglês.

Aqui pude praticar a condução de veículo automático, que no Brasil havia dirigido apenas uma vez.

Aqui aprendi a pilotar com o uso de GPS, sistema que nunca usei na minha terra.

Aqui voltei a andar de bicicleta e pela primeira vez conduzi uma com marchas.

Aqui conheci gente diferente, entre estadonidentes, espanhóis, mexicanos, peruanos, poloneses, coreanos do sul, indianos, bolivianos, colombianos, argentinos, italianos, iranianos, russos, chineses e brasileiros, muitos brasileiros.

Aqui voltei a caminha diariamente pelas margens do Lake Ashburn.

Daqui vi meu Corinthians ser campeão pela primeira vez da Copa Liberta-As-Dores.

Aqui aprendi a limpar a casa e a cortar a grama.

Daqui fui por vezes a Washington DC para visitar museus e mais museus.

Aqui comprei um computador novo (que uso para escrever essas mal traçadas linhas), roupas e chinelo.

Daqui fui conhecer a vizinhança, principalmente Reston.

Aqui convivi de perto, muito perto, com a parte da família que para cá veio há pouco mais de um ano.

Aqui fui muito, muito, muito feliz.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

24/09/2012 18:04:18 (horário de Brasília)

24/09/2012 17:04:18 (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Por quê? (303) – Only English (final)


Professor John (ao centro, de camisa azul) e a turma do ESOL de 20/9/2012 na Ashburn Library

Cláudio Amaral

Quatro noites antes de pegar o rumo de casa, novamente, encerrei minha participação numa das experiências mais ricas dos meus 62 anos, 8 meses e 17 dias: a frequência nas últimas 20 aulas do ESOL Conversation Groups, na Ashburn Library, uma das unidades da www.library.loudoun.gov, o departamento de bibliotecas públicas do governo do condado de Loudon, Virgínia, EUA.

Tive três Mestres nesta experiência inédita: Bob Eland, Laura e John, todos voluntários na Ashburn Library.

O objetivo do grupo é promover uma conversação informal para pessoas não nascidas nos EUA e querem praticar a língua inglesa como um segundo idioma.

Bob, um senhor peso-pesado, nos animou nas conversas de terça-feira à noite, em geral das 19h às 20h. Nas poucas vezes que ele esteve impedido de comparecer foi substituido pela jovem Laura, formada em Biologia em nível superior.

John, um senhor alto e bem conservado fisicamente, foi o responsável pelas conversas de quinta-feira pela manhã, como neste dia 20 de setembro de 2012. Ele sempre esteve conosco a partir das 10h. Muito bem organizado, trouxe-nos toda vez um plano de aula. E o cumpriu integralmente, ainda que para isso fosse obrigado a dar uma hora e meia ou mais de aula.

Durante as 20 aulas que frequentei, convivi com gente da Irlanda, Índia (o maior grupo de interessados), Coréia do Sul, México, Taiwan, China, Afeganistão, Bolívia, Peru, Argentina, Espanha, Turkmenistão (Leste Europeu), Turquia, Vietnan, Alemanha, Iran, Colômbia (como a jovem Carolina, que me pediu para ensinar Português a ela) e Polônia (os jovens Ilona e Lukas, com quem troquei mensagens pelo correio eletrônico).

Do Brasil, apenas eu e a jovem Beatriz, que compareceu a apenas duas aulas e pouco conversou comigo, infelizmente.

Com Bob as conversas raramente tinham temas. Eram levadas ao sabor dos ventos, descontraidamente. Laura nos apertava nas pronúncias e na aula de 18 de setembro de 2012 fez mais: insistiu em nos explicar os significados, também. Sempre em Inglês. Com John tudo era diferente: ele sempre tinha temas para debater conosco e isso ocupava a primeira parte das conversações. Na segunda, eles nos apresentavam definições de adjetivos, advérbios, verbos e substantivos.
Fora das conversações em grupos sempre tivemos liberdade para consultar todo o acervo da Ashburn Library: livros, revistas, CDs e DVDs, dicionários e jornais editados nos EUA. Um acervo riquíssimo. Para adultos e crianças. Os pequenos têm ainda contação de histórias ao vivo. Todos podem se cadastrar junto à biblioteca e levar para casa o que a eles interessar, por empréstimo e gratuitamente. Ou então fazer seus estudos e suas consultas lá mesmo, inclusive pela Internet.

Por tudo isso, garanto que vou sentir saudades da Ashburn Library.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

21/09/2012 00:32:40 (horário de Brasília)

20/09/2012 23:32:40 (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

domingo, 16 de setembro de 2012

Por quê? (302) – De volta à realidade brasileira



Cláudio Amaral

Jamais fiquei fora de casa por tanto tempo. Nunca aproveitei tão bem uma viagem como esta que fizemos, minha Sueli e eu, tanto a nível nacional quanto internacional. Até porque Ashburn é uma localidade planejada, muito bem arborizada, bem administrada e está numa região – London County – das mais agradáveis dos EUA e do mundo.

Saimos de casa, na Aclimação, São Paulo, Brasil, na noite de sete de maio de 2012. E chegamos aos Estados Unidos na manhã do dia seguinte. No Aeroporto Internacional de Washington (Washington Dulles, que tem esse nome em homenagem ao ex-secretário de Estado John Foster Dulles – 1888/1959),  fomos recebidos por Márcio Gouvêa e pela pequena Beatriz, que nos levaram para Ashburn Village, no mesmo Estado da Virgínia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Virginia), onde estamos até hoje na companhia também da filha Cláudia e o pequeno Murilo.

A região nós já conheciamos porque aqui estivemos por 58 dias em 2011, de 19 de setembro a 16 de novembro.

Desconheciamos, porém, a disciplina do povo da Virgínia. Em geral, as pessoas se cumprimentam sempre que se cruzam em público e não jogam lixo nas ruas, nem nas estradas. Os motoristas dão a preferência aos pedestres e aos ciclistas. O tráfego de veículos tem regras claras e as faixas de rodagens extras, tanto à esquerda quanto à direita, facilitam o trânsito. Assim sendo, colisão é uma raridade em Ashburn e nos demais municípios do condado de Loudoun entre os carros, quase todos automáticos e bem conservados.

Tem mais: as vias públicas são limpas e bem sinalizadas, tudo é muito bem planejado e isso dispensa, por exemplo, varredores de rua. A coleta de lixo é feita durante o dia, porque assim o barulho dos caminhões não atrapalha o nosso sono. E os resíduos descartados pelos moradores são divididos em três tipos: orgânicos, recicláveis e vegetais (grama cortada no quintal de casa, folhas e galhos que caem das árvores, por exemplo).

Os funcionários públicos e os órgãos governamentais sabem bem quais são as suas obrigações. E as cumprem corretamente.

Chama a atenção de todos, na Virgínia, o fato de ninguém ter medo de violência. Nas grandes cidades, como Nova Iorque e Washington DC, por exemplo, as coisas são diferentes e todos nós precisamos ter mais cuidados com as nossas posses (dinheiro, cartão de crédito, documentos, etc.) e propriedades. Mas por aqui ninguém pega e se apossa daquilo que não é seu. Nem mesmo a correspondência e os pacotes que a UPS, a FedEx e outros entregadores deixam nas portas das residências.

Biblioteca pública na Virgínia é biblioteca pública mesmo. Tanto que jamais tive restrições na Ashburn Library, mesmo não sendo cidadão dos Estados Unidos e não tendo documento de identificação (Social Securit) emitido pelo poder público local. Participei do ESOL Conversation Groups sem ter que pagar absolutamente nada. Foram 20 participações inesquecíveis, com gente vinda do México, Irã, Espanha, China, Japão, Coréia do Sul, Polônia, Argentina, Peru, Colômbia, India, Bolívia, Rússia, Alemanha, Taiwan e até do Turquenistão (http://pt.wikipedia.org/wiki/Turquemenistão). Além disso tive direito de tomar emprestado e trazer para casa todos os livros, CDs e DVDs que me interessaram. Sempre gratuitamente.

Andarilho sem límites, deitei e rolei em Ashburn. Fui todo dia ao lago existente a menos de 100 metros de casa. Eu e Sueli. E voltamos a pedalar, também, como não fazia desde a infância, quando ajudava meu pai a coletar roupas para lavar na Lavanderia Adamantina, no Interior de São Paulo. Pedalei pelo menos por 20 minutos por dia. E uma vez por semana, nos últimos 40 dias, pedalamos por horas e ao longo de até 30 quilômetros por vez da W&OD (http://www.wodfriends.org/trail.html). Chegamos – minha Sueli, Márcio Gouvêa e os dois netinhos – a cometer a ousadia de ir até o centro de Reston (1833 Fountain Drive) e voltar após uma pausa rápida para o almoço no agradabilíssimo La Madeleine  (http://www.lamadeleine.com/).

Com a segurança que nos dá o povo, as autoridades, os veículos, as ruas e as estradas da Virgínia fomos a praticamente todas as localidades da região: Leesburg, Sterling, Herndon, Reston, Manassas, entre outras. Fomos também conhecer as lindas praias de Virgínia Beach e os parques, museus e um dos principais teatros de Washington DC.

Aqui eu dirigi pela primeira vez no Exterior, no dia 9 de novembro de 2011. E muito mais agora, em 2012, graças às gentilezas da filha e do genro. Até tirei uma carteira internacional de motorista, via Internet, que eu havia tentado sem sucesso junto ao Detran de São Paulo. Esse documento me custou algo em torno de 70 dólares, vale por três anos e me dá o direito de dirigir em quase todos os países do mundo, ou seja, naquelas nações que estão ligadas à ONU.

Na próxima vinda para cá, preferencialmente em 2013, queremos ir a Nova Iorque (que conheci nos anos 1970) e às vinícolas da Virgínia. No mínimo. Quero ainda comprar uma bicicleta bem equipada e um aparelho que me garanta acesso às emissoras de televisão do Brasil, pois desta vez usei uma bike emprestada e a sitonia das TVs foi bem limitada.

Enquanto isso, a situação geral no nosso querido Brasil nos preocupa cada vez mais. Certamente, chegando a São Paulo no próximo dia 25 vamos encontrar tráfego pesado e congestionados, semanas e semanas sem chuva, motoristas sem disciplina alguma e a maioria do povo querendo sempre tirar vantagens sobre os semelhantes.

Isso tudo sem falarmos dos impostos e taxas elevados cobrados pelos governos da União, dos Estados e dos municípios, dos políticos de Brasília – no Executivo e no Legislativo – e dos índices sempre crescentes da criminalidade. E não adianta reclamar. Temos que voltar e ponto final. Voltar e ser feliz. O mais feliz possível.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

16/09/2012 21:54:51 (horário de Brasília)
16/09/2012 20:54:51  (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Por quê? (301) – Desde 1971

Eu e minha Sueli estamos casados desde 5 de setembro de 1971

Cláudio Amaral

Cinco de setembro é uma data especial para minha Sueli e para mim também. Neste dia, em 1971, nos casamos na Capela do Colégio Sagrado Coração de Jesus, na Rua Pernambuco, em Marília, Interior do Estado de São Paulo. Desde então nunca mais nos separamos. Brigas? Sim, tivemos poucas. Mas podes crer: foram bem poucas. E nada que nos obrigasse a dormir separado e a ficar sem nos falar.

Em 15 de julho de 1971, dia em que nos conhecemos, eu era – taxativamente – um caipira de Adamantina, também no Interior paulista. Filho de tintureiro e dona de casa, só não era mais xucro, rude, bronco, porque botara na cabeça que iria ser Jornalista. Sim, Jornalista com J (maiúsculo). E por conta disso lia muito: jornais (ainda que de dias passados), revistas e livros. Ouvia rádio o dia todo.

Sueli era moça esclarecida. Bem mais do que eu. Estudava no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em frente a casa dela, na Avenida Nelson Spiellman. Tinha uma educação rígida, por conta da formação militar do Jornalista José Arnaldo, pracinha na Segunda Guerra Mundial e que escrevia no Correio de Marília e, ao mesmo tempo, era funcionário público na Caixa Econômica Estadual.

Dois Amigos, muito Amigos, foram responsáveis por nosso encontro: Antonio Augusto Neto Filho e José Cláudio Bravos. Eu acabara de chegar a Marília, no dia 6 de janeiro de 1969, e Toninho, Relações Públicas da Prefeitura Municipal, promovia mensalmente uma rodada de pizza na casa dele e da esposa, Marilena. Fui convidado e compareci com o também Amigo Francisco Manuel Giaxa, repórter do Jornal do Comércio, diário mariliense que havia me levado de Adamantina para Marília.

Terminada a festança, e como éramos todos duros, prontos, sem dinheiro, Toninho nos ofereceu uma carona. Foi de casa em casa, deixando um aqui, outro alí. E quando parou para deixar o Zé Cláudio, que ainda era solteiro, virou para mim e disse: “É aqui que mora a grandona”.

Dias depois, exatamente a 15 de julho de 1971, eu vim a saber que a “grandona” não passava de uma baixinha, magrinha… e se chamava Sueli. Era a irmã do Zé Cláudio, na época repórter do Correio de Marília. Soube disso porque eu de um lado e o Zé do outro fomos à mesma sessão do mesmo cinema: às 20 horas, no Cine Pedutti.

Eu estava só, mas ele, não. Ele, acompanhado de uma…, não, de duas moças, que num determinado momento, antes que o filme começasse, sairam para… sei lá fazer o quê. E eu, embora tímido, respirei fundo e fui falar com o Zé.

Lembro-me até hoje o que disse a ele: “O Zé… você com duas e eu sem nenhuma?” Ele pediu que ficasse lá junto dele e prometeu-me apresentar a irmã, porque a outra era namorada do próprio.

Assim que elas voltaram… “Sueli, esse é o meu amigo Cláudio; Cláudio, essa é minha irmã Sueli. E essa é Lúcia, minha namorada”.

Encantado daqui, prazer dali… nos sentamos para assistir o filme, uma produção do Japão que estava para começar. E quem foi que assistiu a película? Eu e ela, não. Conversamos o tempo todo, a ponto de sermos chamados a atenção pelos vizinhos.

Saímos dali e fomos até a Avenida Nelson Spielmann, onde deixei Sueli no portão, a pedido dela, “porque meu pai é bravo até no nome”.

No dia seguinte, como manda o figurino, procurei na lista o número do telefone dela, pelo nome do pai, e liguei. Eu estava na Redação do JC. Nossa conversa foi rapidíssima e não chegou a ser concluída. Fiquei sabendo depois que ela havia passado mal enquanto falava comigo e desmaiado sobre uma travessa de bacalhoada. “Emoção”, perguntei a ela no próximo encontro. “Não, de jeito algum”, me garantiu.

Pelo sim, pelo não, nunca mais nos desgrudamos. Namoramos pessoalmente até o dia em que fui transferido pelo Estadão para a Sucursal de Campinas, em fins de 1970. A partir de então nossos contatos foram por carta. Os telefonemas eram raros e as visitas a Marília aconteciam apenas a cada duas semanas. Eu ia e voltava de trem.

Por isso, apressamos o casamento. Nossos padrinhos foram o Jornalista Irigino Camargo e Dona Zezé, Toninho Neto e Marilena, Flávio Adauto e Zenaide, Luiz Carlos Calegari e a esposa. Isso da minha parte. Ela escolheu os casais José Cláudio e Lúcia Helena, Regina e Marçal Bissolli, Alcindo Braos Padilha e Edwiges, Anselmo Scarano e esposa.

A festa, grande festa, foi no Clube dos Viajantes e às 16 horas já estávamos dentro do ônibus do Expresso de Prata que nos levou de volta a São Paulo.

Fomos morar num “apertamento” de apenas 40 metros quadrados na Rua Dr. Nicolau de Souza Queirós, na Aclimação. Era lá que nos encondíamos quando nasceu Cláudia Márcia do Amaral, hoje casada com Márcio Gouvêa, pais da princesa Beatriz e do pequeno príncipe Murilo. É na casa deles que estamos aqui em Ashburn, Virgínia, EUA, desde 8 de maio.

Quando vieram os meninos – Cássio, nascido a 19 de dezembro de 1974, falecido com 11 dias, em Marília, Mauro e Flávio – já estavamos em outros endereços.

Todos eles foram criados com dificuldades, mas sempre com muito amor. E nós, os pais, temos muito orgulho da educação que tivemos dos pais dela – o saudoso José Arnaldo e a querida Aparecida Grenci Bravos, hoje com 84 anos – e também dos meus: Lázaro Alves do Amaral e Wanda Guido do Amaral, ambos falecidos. Foram eles que nos fizeram pessoas corretas, honestas, respeitosas, carinhosas e cheias de Amor. Religiosas, também.  

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

04/09/2012 18:30:19 (horário de Brasília)
04/09/2012 18:30:19  (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Por quê? (300) Mudança de estação

No outono as árvores ficam amareladas e liberam suas folhas

Cláudio Amaral

O tempo já está a mudar aqui em Ashburn, Virgínia, nos Estados Unidos. Mudando do Verão para o Outono, embora, oficialmente, a nova estação tenha data de chegada marcada para o dia 21 de setembro.

Quando aqui chegamos, minha Sueli e eu, no dia 8 de maio de 2012, este lado dos EUA – e em geral todo o Hemisfério Norte – estava em plena Primavera, a estação das flores, que começou no dia 21 de março e foi até o dia 20 de junho.

Foi um Verão dos mais quentes. As temperaturas passaram dos 40 graus centígrados. Por vezes chegaram aos 45.

Por consequência, tivemos tempestades fortíssimas. Poucas mas fortes, com chuvas e ventos que danificaram muitas árvores aqui pelos lados de Ashburn Village, onde estamos hospedados. Inclusive uma árvore linda que existia no quintal de nossa residência temporária e que caiu na noite de 29 de junho de 2012.

Na ocasião, registrei na minha página do Facebook: “Ventos de 128 quilômetros por hora atingiram Loudoun, Cascades e Sterling no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, na noite de sexta-feira, 29, por 45 minutos. A tempestade interrompeu o fornecimento de energia elétrica a cerca de meio milhão de residências, escritórios, centros comerciais, hospitais e escolas da região em torno da Capital, Washington DC”.

Igualmente, em São Paulo, onde vivemos há mais de 40 anos, o Inverno também foi rigoroso. Já não é mais e graças a Deus voltou a chover na Paulicéia na madrugada deste 28 de agosto de 2012, após 40 dias de estiagem.

Quando retornarmos ao Brasil, no dia 25 de setembro de 2012, chegaremos em plena Primavera, que tem início marcado para 23 de setembro.

Esperamos que a paisagem esteja parecida com a qual vimos quando aqui chegamos: muitas flores, muitos pássaros e um clima agradável.

Afinal, em países como o Brasil, em que prevalece o clima temperado, no Inverno as plantas ficam ociosas, na Primavera elas voltam a crescer, no Verão os vegeatais de médio e grande portes crescem e no Outono ficam amarelados e liberam suas folhas (como já começa a acontecer por aqui, nos EUA).

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

28/08/2012 14:13:25 (horário de Brasília)
28/08/2012 13:13:25 (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)

sábado, 18 de agosto de 2012

Por quê? (299) Carteira de Habilitação Internacional


Meus documentos: CHI, Passaporte e CNH (por Sueli Amaral)

Cláudio Amaral

Alegria, alegria, alegria: acabo de receber aqui em Ashburn Village, Virgínia, EUA, a minha Carteira de Habilitação Internacional. É o documento que me faltava para continuar dirigindo por todas as vias públicas daqui, onde Sueli e eu estamos desde o dia 8 de maio de 2012.

Tentei tirar a mesma CHI no Brasil antes de vir para os EUA, mas o Departamento de Trânsito (Detran) do Governo do Estado de São Paulo ignorou solenemente meu pedido de informação. Eu queria a relação dos países em que valia a Carteira Internacional oferecida por aquele órgão estatal, porque, se não valesse nos EUA, eu não teria razão para pedir a emissão da CI. Até hoje não recebi resposta.

Vim sabendo que poderia dirigir com a mesma CNH do Brasil por apenas três meses, ou seja, até 8 de agosto de 2012. E assim fiz, graças às gentilezas da filha e do marido dela, que, entre outras bondades, me empretaram o carro e facilitaram o estudo das leis e sinais de tráfego dos EUA.

Primeiro eu estudei o Virginia Driver’s Manual e depois fiz tantos testes quantos me foram possíveis via Internet no site do DMV, o departamento de trânsito da Virgínia. Acertei quase todas as questões em todos os testes que o tempo me permitiu fazer. Só então eu fui para as ruas e avenidas bem conservadas e sinalizadas deste Estado.

Ainda assim fiquei com a ideia fixa de tirar o International Drive’s Document. Fiz diversas consultar a respeito e meu genro me deu o empurrão definitivo na noite de domingo, dia 12 de agosto de 2012. Ele fez uma consulta via Internet (Google, talvez) e me avisou que havia um site destinado especificamente para isso.

Fiz o mesmo na manhã do dia seguinte e preenchi todos os dados necessários. Tirei uma foto da minha CNH e a anexei no site da Inter-Drive Services LLC, com uma foto e minha assinatura. Concordei em pagar quase 70 dólares pelo serviço e a CHI chegou por volta do meio-dia deste sábado, aqui na residência em que estamos hospedados, minha Sueli e eu.

Válida em 189 países, graças ao convênio que a empresa em questão tem com a Organização das Nações Unidas (ONU), a CHI é uma tradução oficial da minha CNH em 11 idiomas: Inglês, Espanhol, Português, Russo, Alemão, Árabe, Japonês, Chinês, Italiano, Sueco e Francês.

Na carta que acompanhou a minha CHI, a Inter-Drive me avisou que o documento tem como finalidade “ultrapassar as barreiras de comunicação que possam existir quando um motorista encontra-se dirigindo em um país estrangeiro”. Esclareceu ainda que a Carteira Internacional está baseada “no acordo das Nações Unidas de Tráfico de Rotas, que permite um motorista utilizar o documento pelo período de um ano no mesmo país”. Outro esclarecimento: “… de acordo com a Convenção de Viena, a CHI não é válida por mais de três anos ou até a data de vencimento da CNH, o que ocorrer primeiro”. Assim sendo, terei que validar minha CHI em agosto de 2013 porque minha CNH valerá até 29 de outubro de 2015.

A Inter-Drive me fez mais um alerta: “Para utilizar o documento adequadamente, você precisa ter sempre em mãos a CNH e a CHI”. A última recomendação é igualmente importante: “Recomendamos ao motorista fazer uma pesquisa a respeito das leis de trânsito do país no qual deseja dirigir, já que estes regulamentos variam de acordo com o país e ou cidade”.

Isto posto, estou habilitado a continuar a dirigir por esta região da Virgínia (Ashburn, Sterling, Herndon, Fairfax, Leesburg, Manasas, Reston, Arlington…) e ainda fazer as viagens que pretendemos até Nova Iorque e a Washigton DC, a capital dos EUA.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

18/08/2012 14:14:20 (horário de Ashburn Village, Virgínia, EUA)
18/08/2012 15:14:20 (horário de Brasília)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Por quê? (298) Only English-8



Cláudio Amaral

Essa crônica da série Only English ganhou vida própria porque hoje, quinta-feira, dia 9 de agosto de 2012, fiz algo de especial, inusitado. Algo que me deixou feliz, mas muito feliz.

Antes que você, caro e-leitor, perca a paciência de tão curioso, te explico: fiz uma longa caminhada. Uma caminhada de nada menos que 53 minutos entre a Library Ashburn e a residência em que estamos hospedados, minha Sueli e eu, em Ashburn Village, Virgínia, EUA.

O caminho de ida até a Ashburn Library, na décima visita que fiz à biblioteca pública de Ashburn, foi fácil. Minha filha me levou no carro dela, automático e com GPS de fábrica, como quase 100% dos veículos que rodam aqui pela Virgínia.

Quando ela me deixou na Hay Road, disse que não se preocupasse comigo, pois tinha planos de voltar andando. E foi o que fiz após mais de uma hora e meia de aula no ESOL Conversation Groups, que comecei a frequentar no dia 17 de julho de 2012.

Escolhi o caminho mais distante, porque ao longo do mais curto existem obras de construção de um novo condomínio e, pior, não dispomos de local apropriado para pedestres. Pelo mais comprido, sim, a segurança é total.

Na hora e meia de aula com o Professor John, um dos voluntários que prestam serviços sem remuneração na Ashburn Labriry, praticamos conversação a respeito dos dois mais recentes assassinatos em massa verificados nos EUA e discutimos da onde vem a culpa (ou culpas) por fatos do gênero. A maioria acredita que em casos como esses a Constituição é muito liberal e, portanto, a maior responsável.

Em seguida, o Professor John nos fez raciocinar e falar a respeito de 13 sub-temas da Língua Inglêsa: in mint condition, give someone the creeps, can, in the buff, slip one’s mind, turn beet red, stay on one’s good side, in the long run, dough, work out, drop in on someone, pop by somewhere e decadent.

Numa delas o Professor John me escalou para formar uma frase e eu respire fundo e mandei: I work out every day. Para minha surpresa, ele saiu com essa: Good. Very good. Aí foi a minha vez de ficar com as bochechas coradas (turn beet red ou blush).

Depois de me despedir do grupo formado por uma iraniana, uma peruana, uma sul-coreana, uma salvadorenha, uma polonesa e um polonês, uma espanhola de Barcelona e um casal de indianos, deixei a Ashburn Library às 11h50 e, ao invés de seguir pela esquerda na Hay Road, fui pela direita. Caminhei por cinco minutos até a Claiborne e depois por 30 minutos até a Glaucester. Lá virei à esquerda e andei por mais 12 minutos até a Fincastle. Mais três minutos e eu estava na Ringold. Três minutos mais e estava em casa. Ou melhor, na residência da minha filha, do meu genro e dos meus queridos netinhos (Beatriz, de 5 anos e quase dois meses, e Murilo, 2 anos e sete meses), em Ashburn Village.

Cheguei suado, mas não estava cansado. Estava, sim, feliz. Muito feliz.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

09/08/2012 15:16:38 (horário de Ashburn, Virgínia, EUA)
09/08/2012 16:16:38 (horário de Brasília)