segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Por quê? (335) – Tempo de reflexões


Cláudio Amaral

Estamos de volta ao lugar que sempre nos é agradável. Para mim e para minha Sueli Bravos do Amaral.

Esta é a quarta vez de cada um de nós nos Estados Unidos. Em três oportunidades, viemos juntos.

Embarcamos a 00h35 de hoje (02/12/2013) no Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos (SP). E, via United Airlines, chegamos ao Aeroporto Internacional Washigton Dulles, na capital dos Estados Unidos, às 6h55 desta mesma segunda-feira.

Voamos quase 7.650 quilômetros, o equivalente a 4.750 milhas. Estivemos sobre cidades, matas, rios e as águas do Oceano Atlântico. Subimos a uma altitude de aproximadamente 30.000 pés.

Ao sair do Brasil, a temperatura era de 21 graus centígrados. Ao aterrissar em solo norte-americano, o termômetro marcava menos 4º.

Será a primeira vez que vamos passar as festividades do Natal e do Ano-Novo longe do Brasil, dos filhos Mauro e Flávio, das noras Vivian e Graziella, da Bisa Cidinha (a melhor sogra do mundo) e muito mais, entre Amigas e Amigos. Será também a primeira vez, em muitos anos, que nossa ceia de 24 para 25 de dezembro não acontecerá no apartamento do querido casal Salete e Fernando, na Aclimação, “o bairro mais agradável de São Paulo”.

Mas, sem dúvida, o que nos espera por aqui é um período de dois meses de férias dos mais ricos, aconchegantes e agradáveis.

Ainda não tivemos tempo para rever um dos lugares que mais gostamos: o Lake Ashburn, que fica há cerca de 100 metros de onde estamos hospedados e em torno do qual sempre caminhamos e vez por outra conhecemos brasileiros que também vivem por aqui. Mas, também, o tempo é curto, desde a nossa chegada, para rever a tudo e a todos. E mais: temos mais 60 dias pela frente para revisitar os mais diferentes locais que conhecemos nas visitas anteriores, assim como as pessoas que nos são caras.

Também não tivemos tempo para sentir saudades das pessoas que deixamos no Brasil. Uma certeza, entretanto, nós (ou eu, pelo menos) temos: sentiremos falta de todos os Amigos com quem convivemos intensamente nos últimos tempos.

Aproveitei, pessoalmente, as 6h20 que estive dentro da aeronave da United para rever os últimos acontecimentos da minha vida: os dois semestres que passei dentro das salas de aula da FMU, na Liberdade, em São Paulo; as mais de 70 pessoas com quem tive contatos no curso de Licenciatura em História, entre alunos e professores; os muitos textos que tive de ler, entre livros e apostilas, uns com boa vontade e outros nem tanto, mas sempre com dedicação e afinco; os trabalhos acadêmicos que todos os professores estão a nos ensinar a produzir.

E cheguei a uma conclusão que me agrada muito: a certeza de que a convivência com as pessoas é sempre boa, rica e gratificante. Especialmente quando pude ver a paixão com que meus parceiros de faculdade se dedicam e se empenham com o objetivo de um dia, mais dia, menos dia, estarem aptos a engrossar as fileiras dos professores das centenas de escolas públicas mantidas no Brasil pelos governos municipais, estaduais e federal.

Vi muitos colegas sofrerem nos bancos escolares nestes oito meses do primeiro e do segundo semestres de História na FMU. Uns porque estavam enfrentando pela primeira vez a condição de universitários, outros porque ainda não sabiam como vencer as novidades dos trabalhos acadêmicos e cheios de metodologia científica, outros tantos pela falta de tempo e de dinheiro para cumprir com as obrigações e responsabilidades do nível superior a quem nos dedicamos.

Sofri com todos eles. Com uns mais, outros menos. Mas sofri com as dificuldades de todos. E me alegrei com os resultados finais.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

02/12/2013 15:10:49 (horário de Verão em Brasília)

02/12/2013 12:10:49 (horário de Inverno em Ashburn Village, Virgínia, EUA)

sábado, 9 de novembro de 2013

Por quê? (334) – O erro de Lobato


Cláudio Amaral

Está equivocado quem entendeu pelo título desse texto que Monteiro Lobato (1882-1948) errou. Sim, ele pode ter errado. E deve ter errado muito e muitas vezes. Mas nada que tenha-me afetado, nem me incomodado.

O erro, no caso, está num texto que acabei de recuperar dos meus guardados históricos. Entre eles, no porão da minha casa, aqui na Aclimação, em São Paulo, estava arquivado um quadro que ganhei do Amigo Carlos Haddad.

Trabalhei com Haddad na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, entre 1998 e 2003. Ambos estávamos sob o comando dos Jornalistas Sérgio Kobayashi (Diretor-Presidente) e Carlos Conde (Diretor Vice-Presidente e por consequência o chefe direto de nós dois, ou seja, de Haddad e meu). Haddad era Coordenador Editorial e eu, gerente de Redação e editor responsável pelo Diário Oficial do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) e pela revista mensal D. O. Leitura (comandada pelo Jornalista e Amigo Almyr Gajardoni).

Ao ser demitido da Imprensa Oficial, em abril de 2003, ganhei de Haddad uma gravura em que havia sido impressa a mensagem de Monteiro Lobato: “A luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico. Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis. Mas assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas. Trata-se de um mistério que a ciência ainda não conseguiu decifrar…”

Jamais me esqueci do presente de Haddad e da mensagem de Monteiro Lobato, tido como “um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX”.

Costumo repetir sempre e insistentemente essa ideia – a ideia do erro que se esconde – em conversas com interlocutores das mesmas áreas em que atuo. Falo do tal pensamento de Monteiro Lobato a jornalistas e estudantes de Jornalismo, escritores, historiadores e até para quem não labuta diariamente com as letras, as palavras, as ideias e os pensamentos.

Mas, sabe-se lá por qual razão e em qual momento, o quadro em questão foi parar numa gaveta de um baú que minha Sueli trouxe de Marília, quando nos casamos e mudamos para São Paulo, em setembro de 1971. O presente, neste caso, foi do avô mais querido dela, Nicola Grenci. Ele era italiano da Província de Catanzaro (http://www.provincia.catanzaro.it) e no Brasil teve uma filha, a nossa amada Bisa Cida (Aparecida Grenci Bravos), mãe de Sueli, Salete, Sérgio, Mário, José Cláudio e do saudoso Paulo César.

A família toda sempre gostou muito do Vô Nicola, pela figura bondosa e correta que ele era.

Enfim, estou feliz pelo reencontro com o quadro de Monteiro Lobato, por me lembrar dos Amigos da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Haddad, Kobayashi e Conde, hoje Editor-Chefe n’A Tribuna de Santos), do Vô Nicola, da Bisa Cida…

Só espero que esse texto esteja isento dos sacis a que se refere o autor de obras como O Saci (1921), Fábulas (1922), As aventuras de Hans Staden (1927), Peter Pan (1930), Reinações de Narizinho (1931), Viagem ao céu (1932), Caçadas de Pedrinho e História do mundo para as crianças (1933), Emília no país da gramática (1934), Aritmética da Emília, Geografia de Dona Benta e História das invenções (1935), Dom Quixote das crianças e Memórias de Emília (1936), Serões de Dona Benta, O poço do Visconde e Histórias de Tia Nastácia (1937), O Picapau Amarelo e O minotauro (1939), A reforma da natureza (1941), A chave do tamanho (1942), Os doze trabalhos de Hércules (1944) e Histórias diversas (1947).

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


09/11/2013 17:30:31 (pelo horário de Verão de Brasília)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Por quê? (333) – Professor Lapa, Historiador



Cláudio Amaral

Depois que passamos de 40 anos de vida profissional e estamos prestes a completar 64 anos bem vividos, nossas lembranças são tantas que se torna difícil agradecer a todos aqueles que um dia nos ajudaram a subir um único degrau que seja.

Comecei a trabalhar com seis anos de idade e passei a exercer a profissão de Jornalista no dia 1º. de maio de 1968, graças a boa-vontade de Hirigino Camargo, diretor responsável pelo Jornal do Comércio de Marília (SP) e meu primeiro Mestre.

Em seguida, e também por obra dele, fui proposto e aceito como correspondente do Estadão na Cidade Símbolo de Amor e Liberdade (Marília, claro). E foi lá, igualmente, que vim a conhecer um jovem professor e historiador em começo de carreira.

Lembro-me até hoje, 43 anos passados, da aventura que foi entrevistar José Roberto do Amaral Lapa, que em 1970 estava ligado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília.

O Professor Lapa, como era chamado por todos – entre alunos, amigos, funcionários e outros professores da FFCL-M – era o coordenador de um seminário sobre História. E lá fui eu, num prédio amplo e bem reformado, que ficava logo após o Yara Clube de Marília.

Conversamos por horas, numa tarde de um dia qualquer de meio de semana. Voltei para a redação, apressado e preocupado com o encerramento da edição do dia seguinte do JC, que Mestre Irigino sempre deixava nas minhas mãos, apesar da pouca experiência (mal sabia eu que, antes de a máquina plana ser posta para rodar os exemplares do dia seguinte, ele, o chefe, lia cada linha de cada notícia).

Encerrada a edição do único diário mariliense que circulava em duas cores (preto e vermelho sobre o papel branco/amarelado), minha missão era produzir e transmitir meus textos para o Estadão, onde outro Mestre, Eduardo Martins, Editor de Interior, esperava pelas minhas reportagens previamente pautadas até 22 horas.

Escrevi bastante naquele dia. Ou pelo menos mais do que o normal. Peguei o telefone, pedi para a telefonista Roseli (amiga de longa data da minha então namorada) que me ligasse para o 256-3133 em São Paulo, chamei pelo Geraldo, um dos mais rápidos datilógrafos das cabines, e ditei palavra por palavra, vírgula por vírgula, pontos e parágrafos. Eu ditava e ele dizia: “Mais rápido, mais rápido…”.

Anos depois, quando eu já havia sido transferido para a sede, em São Paulo, com breve passagem por Campinas, voltei a me encontrar com o Professor Amaral Lapa na sede do Estadão. Entre apertos de mãos e abraços saudosos, levei-o até a Redação do 5º. andar da Rua Major Quedinho, 28, no centro da Capital paulista. E lá o apresentei a Eduardo Martins. Disse que aquele era o Professor de História que entrevistei em Marília e, depois dos detalhes que achei necessários, Edu, então meu Chefe de Reportagem falou:

- Por causa de vocês dois eu levei uma bronca sem tamanho do Dr. Julinho (Júlio de Mesquita Neto) no mesmo dia em que a reportagem foi publicada. E o tempo só não fechou para o meu lado porque você, Cláudio, tinha detalhado a pauta que me mandou na véspera (via Raul Martins Bastos, o chefe dos correspondentes). Só assim consegui convencer o nosso Diretor Responsável que o Professor Amaral Lapa era um historiador de renome e que estava em Marília de passagem.

Demos muitas risadas e o Professor se foi. E foi para sempre. Jamais voltei a vê-lo. E só fui ter lembranças dele, concretamente, neste ano, quando ingressei no curso de Licenciatura em História na FMU. Isto porque o nome dele sempre aparecia nas citações bibliográficas de uma ou outra apostila preparada pelos meus mestres de agora.

No dia 22/10/2013, terça-feira desta semana, depois de muitas ameaças, entrei no Google e digitei: Amaral Lapa. E logo veio um número infindável de arquivos. Entrei num dos sites recomendados (http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com.br/2009/06/efemeride-jose-roberto-do-amaral-lapa.html) e dei de cara com recortes de notícias a respeito dele. Todas do Correio Popular e do Diário do Povo de Campinas, edições do ano 2000. E só assim tive um novo contato com o Professor Lapa. E só então fiquei sabendo que ele se foi – e desta vez para sempre – no dia 19/6/2000.

Amaral Lapa estava aposentado como Professor da Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas. Pelo que lá está escrito, ele foi de uma vez, de infarto, aos 70 anos. E mais: foi velado e sepultado em meio a muito carinho, respeito e admiração de alunos, orientandos, professores e familiares.

Embora triste, agradecido estou – e sempre estarei – ao Professor José Roberto do Amaral Lapa. Professor e Historiador, como eu pretendo ser daqui a alguns poucos anos de FMU.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


23/10/2013 19:15:49 (pelo horário de Verão no Brasil)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Por quê? (332) – Aos Mestres com carinho e gratidão


Cláudio Amaral

Neste Dia do Professor, lembro-me que meus primeiros Mestres foram meus pais: Wanda e Lázaro Alves do Amaral. Eles não tiveram o privilégio de me ensinar o beabá, as primeiras letras, as palavras elementares, mas foram os responsáveis por algo muito mais importante: me deram a vida e mostraram-me como vivê-la, com dignidade, honestidade e respeito ao próximo, principalmente. A partir disso, tudo foi mais fácil nestes meus quase 64 anos.

Foi guiado e orientado pelos meus pais que comecei a trabalhar aos seis anos de idade e assim fui até os 60. Sempre com muita dedicação, aplicação e responsabilidade.

Também aos seis anos conheci minha primeira Professora, Dona Esther, num grupo escolar estadual do bairro Moinho Velho, em São Paulo. Depois, com a volta da família para minha cidade natal, Adamantina, no Interior paulista, passei a frequentar o 1º. Grupo Escolar local. Em seguida, o Ateneu Bento da Silva, o Instituto Educacional e o Colégio Helen Keller, onde completei o Ginasial.

De mudança para Marilia e com emprego fixo no Jornal do Comércio, frequentei o Colégio Cristo Rei. Mas foi com Irigino Camargo, meu primeiro Mestre em Jornalismo, que  mais aprendi.

Em Campinas, para onde fui transferido pelo Estadão, não tive tempo para conhecer novos bancos escolares, nem outros Professores. Mesmo assim, aprendi muito com Mestre Mário Erbolato.

Só quando o Estadão me trouxe para São Paulo é que voltei a ter contato com os Mestres. O saudoso Eduardo Martins, meu ex-Editor de Interior e na época (1971), chefe de Reportagem, foi quem mais me ensinou no Jornalismo. Ele era um cidadão educado, mas firme. Sabia ensinar e se impor. Sem grosseria, nem agressividade. Era autoridade sem ser autoritário.

Tive outros Mestres ao longo da carreira profissional, mas me recordo sem esforço algum de Emerson Araújo (que me ensinou Matemática e Física no Instituto Monitor de São Paulo), de Edmar Torres Júnior (que me desvendou os segredos da calculadora científica) e de Carlos Alberto Di Franco (diretor do Master em Jornalismo para Editores, no IICS – Instituto Internacional de Comunicação Social, onde fiz meu Mestrado em Jornalismo, em 2003).

Foi também no IICS que conheci Mestres e Colegas dos quais jamais me esquecerei. E o mesmo vem acontecendo agora, dez anos depois, na FMU/Liberdade/SP, onde busco minha licenciatura em História desde 1º./2/2013. Lá tenho o prazer de conviver com os Professores André Oliva Teixeira Mendes, Edson Violim Júnior, Yara Cristina Gabriel, Leandro de Proença Lopes, Flávio Luís Rodrigues, Osvaldo Cleber Cecheti, Denise Canal, Silvia Cristina Lambert Siriani, Carlos Vismara e Maria Cecília Martinez.

Mas não é apenas nos bancos escolares e nas redações que me deparei com Mestres inesquecíveis. É na vida, principalmente. É em casa, também. Na casa dos meus pais, dos meus avós, do meu sogro e da minha sogra, da minha própria família (ao lado de Sueli, Professora por formação) e ainda na convivência com os Amigos (tantos que seria impossível citar cada um). Aos meus filhos, igualmente, devo muitos aprendizados.

Com todos eles foi possível aprender. Mais com alguns, menos com outros, mas cada um me deu bons e inesquecíveis exemplos, ensinamentos e lições.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


14/10/2013 23:24:11

domingo, 4 de agosto de 2013

Por quê? (331) – Uma breve história do mundo


Cláudio Amaral

Embora a quantidade de textos para ler (e estudar) só vá crescer a partir de agora, porque, afinal, recomeçaram as aulas do curso de Licenciatura em História na FMU/campus Liberdade/SP, aventurei-me a reiniciar a leitura da famosa obra de Geoffrey Norman Blainey.

Trata-se de um livro que ganhei dos meus Amigos Fernanda Dabori e Laerte Júnior, no dia 24/7/2011. Às vésperas, portanto, da maior cirurgia a que fui submetido, cinco dias depois, no Hospital Sancta Maggiori, no Paraíso, aqui em São Paulo, pelas mãos santas do neuro-cirurgião Diogo Lins.

Recuperei a publicação de Blainey na tarde de sábado (3/8/2013), na minha biblioteca, durante conversa com o Amigo Wilson Marini. Ele e Salete Marini, também nossa Amiga querida, vieram tomar um café e comer um bolinho. Aproveitamos para colocar a conversa em dia. Os três e minha amada Sueli. Foi, enfim, um verdadeiro festival de troca de paninhos, caderninhos, informações, bebidas e comidas (todas saudáveis).

Bem, mais voltando ao tema principal desta crônica, lembro que o australiano Geoffrey Blainey é historiador, escritor e professor com passagem por universidades de Harvard (EUA) e Melbourne (Austrália). Tornou-se famoso ao escrever o livro A Short History of the World (no Brasil, Uma breve história do mundo) e também A Short History of the Twentieth Century (no Brasil, Uma breve história do século XX).

De acordo com informações que consegui na Internet, Blainey é “proeminente em círculos acadêmicos como um comentarista político conservadorista”. Blainey – acrescenta um texto que li sobre ele – “nasceu em Melbourne e foi criado em uma série de cidades de condados de Victoria, antes de frequentar o Wesley College e a Universidade de Melbourne”.

Continuando: “Enquanto ainda frequentava a universidade, foi editor de Farrago, o jornal da União dos Estudantes da Universidade de Melbourne”. Depois, “foi nomeado para ensinar na Universidade de Melbourne em 1962, tornando-se professor de História Econômica em 1968, professor de História em 1977 e então reitor da Faculdade de Artes de Melbourne em 1982. De 1994 a 1998, Blainey foi o Chanceler fundador da Universidade de Ballarat”.

Ao longo da vida, “Geoffrey Blainey foi premiado com o New York International Britannica Award pelo seu excelente trabalho na disseminação do conhecimento em favor da humanidade". Recebeu ainda “as honras da Companhia da Ordem da Austrália, no Dia da Austrália” e no ano seguinte foi premiado com a Medalha Centenária.

Este que estou recomençando a ler é um dos 32 livros que Blainey escreveu e um bestseller na Inglatera e nos Estados Unidos, segundo a Editora Fundamento Educacional. A mesma fonte informa que o autor em questão “é um brilhante historiador, reconhecido pela forma elegante e envolvente de expor temas complexos”.

Isso, entretanto, não é tudo o que fiquei sabendo a respeito de Geoffrey Blainey. Ele foi mais: “Foi membro de diversas comissões de relações internacionais”, de acordo com o que encontrei em www.editorafundamento.com.br.

Na última capa de Uma breve história do mundo leio que seguir com os olhos os textos de Blainey “é como ver a paisagem pela janela de um trem em movimento”. E mais: “O autor faz (nesta obra) um balanço da fantástica saga da humanidade, magistralmente compilada desde seus primórdios até os frenéticos dias em que vivemos”.

“Sem jamais perder o foco”, acrescenta a apresentação de Uma breve história do mundo, “Blainey vai mais além” e “descreve a geografia das civilizações e analisa o legado de seus povos”.

Quando li pela primeira vez este livro de Blainey, entre 24/7 e 17/8/2011, eu já me interessava por temas da História, do Brasil e do mundo. Não imaginava, entretanto, que viesse a frequentar um curso universitário que me levasse a ser candidato a historiador. É isso que acontece agora, em 2013. E desde já posso garantir que minha visão é outra.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


04/08/2013 20:57:37

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Por quê? (330) – Novas emoções


Cláudio Amaral

Novas emoções, sim. E desta vez, nesta manhã de sexta-feira, 26/07/2013, não foi apenas o Papa Francisco que me emocionou com as aparições públicas que fez. Ele também me provocou novos momentos emocionantes com, por exemplo, o Angelus que rezou no Rio de Janeiro, em público e pela televisão (Rede Globo e Rede Vida, pelo menos). Mas não foi só o Santo Padre.

Além do Papa, me amocionei assistindo o programa Encontros com Fátima Bernardes: http://tvg.globo.com/programas/encontro-com-fatima-bernardes/. Primeiro por conta da entrevista da lindíssima atriz Paloma Bernardi, que, às lágrimas, contou que é católica fervorosa e praticante, que acredita em Deus, em Jesus Cristo e no Papa Francisco. Depois com a surpresa que a apresentadora fez a ela ao chamar ao palco a avó Marlene. Ambas dançaram alegre e descontraidamente.

De quebra, Fátima nos brindou ainda com outros números musicais, com destaque para a cantora paraibana Roberta Miranda, nascida em João Pessoa: http://www.robertamiranda.com.br/. Ela, guerreira, interpretou, magnificamente, A Majestade, O Sabiá, de sua autoria, tendo ao lado uma jovem seguidora, talentosa, bonita e também simpática.

Essa apresentação me conduziu de volta ao musical que vi na noite de terça-feira, 23/7/2013, no Sesc Vila Mariana, aqui em São Paulo. Um espetáculo que me fez retroceder no tempo algo em torno de 50 anos, ou seja, aos meus dias de menino pequeno em Adamantina (SP). Com músicas da saudosa dupla Cascatinha e Inhana (http://letras.mus.br/cascatinha-e-inhana/), como Índia, Meu Primeiro Amor e Colcha de Retalho, interpretadas pela banda liderada pela vocalista Sarah Abreu e pelo violeiro/cantor Wilson Teixeira (https://soundcloud.com/wilson-teixeira/wilson-teixeira-sarah-abreu) e integrada também pelos músicos Vinícius Bini (baixo), Thadeu Romano (acordeom) e Ricardo Kabelo (violão).

Foi uma noite inesquecível. Tanto porque me fez lembrar de saudosas canções do meu passado, quanto porque me motivou a cantar – desde a platéia – com dupla Sarah (de Varginha, MG) e Wilson (de Avaré, SP). E mais: me levou a fazer contato com a dupla pelo Facebook dela (https://www.facebook.com/sarah.abreu1?fref=ts) e dele (https://www.facebook.com/wilsonteixeiraoficial?fref=ts). Ambos foram atenciosos para comigo.

É impossível, para mim, lembrar de Cascatinha e Inhana sem recordar que a dupla era formada por Francisco dos Santos e Ana Eufrosina da Silva, ambos paulistas como eu. Ele nascido em Araraquara a 20/4/1919 e falecido em São José do Rio Preto a 14/3/1996. Ela em Araras a 28/3/1923 e São Paulo a 11/6/1981. Como marido e mulher desde 1941, formaram uma das principais duplas sertanejas do Brasil, com quem estiver cara a cara por vezes na minha cidade natal, Adamantina. Foi lá que tive contato e passei a gostar de canções como Índia (de 1952 e criada por J. Flores e M. Guerrero, com versão de José Fortuna) e Meu Primeiro Amor (também de 1952 e de autoria de H. Gimenez com versão de José Fortuna e Pinheirinho Jr.) e Colcha de Retalhos (composta em 1959 por Raul Torres). E não por acaso, em circos que se instalavam num terreno enorme existente bem em frente de minha casa e onde atuei como locutor do serviço de alto-falantes e coadjuvante no palco. Cascatinha e Ihana se apresentaram preferencialmente nos circos Estrela D’Alva (pelo qual excursionaram pelo Interior paulista) e Imperial (onde atuaram por cinco anos). Foram fixos também nas rádios América e Record de São Paulo. Gravaram 30 discos e cantaram ainda em teatros e televisão.

Foi, sem dúvida, a dupla que mais marcou minha memória musical, ainda que eu admire também Tonico e Tinoco, Chitãozinho e Xororó, entre outros.

Pelo que vi na platéia em que estava no Sesc Vila Mariana, os admiradores de Castinha e Inhana estão envelhecendo e rareando. Por isso, torço para que Sarah Abreu e Wilson Teixeira tenham cada vez mais sucesso nas apresentações como aquela do dia 23/7/2013.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


26/07/2013 15:34:59

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Por quê? (329) – Saudades e emoções


Cláudio Amaral

Na solidão do meu lar, doce lar, e em meio ao frio, muito frio, que faz em São Paulo nestes dias finais de julho de 2013, ou pelo menos aqui pelos lados da minha querida Aclimação, fico a pensar, cá comigo e com meus botões: como é bom ter capacidade e condições de sentir saudades e emoções.

Saudades da minha Sueli, que foi até a nossa Marília com a querida Bisa Cida (Aparecida Grenci Bravos), na segunda-feira, pela hora do almoço. E que, três noites depois, está na estrada, voltando para nossa casa, em companhia da mamãe Cidinha e a bordo do automóvel da Amiga Vera.

Saudades, também, da filha, do genro e dos dois netinhos queridos que na quarta-feira da semana passada se foram para o Rio de Janeiro e agora estão se deliciando nas praias e no calor da ilha de Paquetá, onde vivem os paes e parentes de Márcio Gouvêa.

Saudades, ainda, do filho que se mudou no final de junho para o apartamento que arrumou para viver com o Amor da vida dele. E pelos quais torcemos como nunca, desejando sempre muitas felicidades para o novo casal.

Emoções? Sim, tenho sentido emoções fortes – fortíssimas – toda vez que o Papa Francisco aparece nas telas dos meus aparelhos de televisão. Ora no televisor da sala, ora no do quarto ou no meu “escriptório”, onde neste momento batuco as pretinhas do meu computador. Ora na TV Globo, ora via Globo News, ora na Bandeirantes ou na TV Cultura. Ora nas emissoras católicas, como a Rede Vida ou Canção Nova ou Rede Aparecida.

Emoções que têm surpreendido até a mim mesmo, por mais católico que eu seja e saiba disso. Por mais simpatia que sinta pelo ex-Cardeal de Buenos Aires, eleito Papa ainda este ano.

Emoções provocadas, sei, pela humildade do Papa Francisco; pela simplicidade dele; pelo despojamento que ele tem pregado e praticado; pelo Amor que ele tem demonstrado – em gestos e palavras – em relação a Jesus Cristo e à Mãe Maria, representada entre nós, os brasileiros, na figura de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Padroeira do Brasil.

São essas saudades e tais emoções que me animam e me fazem sentir vivo nos momentos em que mais me sinto sozinho.

Essas saudades e emoções… Saudades de Sueli, Cláudia, Márcio, Beatriz, Murilo, Flávio, Graziella  Emoções provocadas pelo Papa Francisco, especialmente agora que está a peregrinar e a pregar pelas terras brasileiras e a demonstrar o respeito mais profundo por todos nós, católicos ou não, cristãos ou não, crentes de todas as seitas ou religiões. Ou seja, ele tem demonstrado que respeita e admira a todos os seres humanos, sejamos homens ou mulheres, pequenos ou grandes, jovens ou idosos. Ele, o Papa Francisco, tem demonstrado respeitar inclusive as nossas autoridades (ainda que pensemos que elas não façam por merecer).

É por causa dessas saudades e emoções que sigo acreditando que vale a pena viver e a acreditar em Deus, em Cristo e na Humanidade.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


25/07/2013 16:59:26

domingo, 23 de junho de 2013

Por quê? (328) – Movimento cidadão


Cláudio Amaral

Dos mais lindos, emocionantes, legítimos, justos, verdadeiros, vibrantes e sensacionais o movimento que levou às ruas do Brasil mais de um milhão de pessoas nos últimos dias. Especialmente aqueles cidadãos que foram reivindicar pacífica e ordeiramente.

Mas eu, confesso, não fui. E os motivos são muitos. Inúmeros. E não é porque me sinta velho nos meus 63 anos bem vividos. Não. Estou forte e bem-disposto. Tão ou mais do que nos tempos em que engrossei as fileiras dos movimentos pelas Diretas já e pelo impedimento do presidente collorido.

Primeiro porque estava em provas no curso de História da FMU/Liberdade/SP e minha prioridade era estudar o suficiente para não ficar de exame. Em vão, porque, por mais que tenha estudado, precisei enfrentar dois exames entre as sete disciplinas do primeiro semestre.

Segundo porque fiquei em dúvida se estava preparado, verdadeiramente, para defender os mais elementares direitos dos cidadãos que vivem no Brasil.

Na dúvida, parei e pensei: que cidadão sou eu? Tenho certidão de nascimento? Sim. Carteira de identidade? Sim. Carteira de Trabalho? Sim. Registro profissional como Jornalista? Sim. Já fui condenado pela Justiça alguma vez? Não. Tenho a ficha limpa, politicamente? Sim. Residência fixa? Sim. Certidão de casamento? Sim. Registrei, criei e eduquei corretamente os meus três filhos? Creio que sim.

Sim, oito vezes sim. E apenas uma vez não. Ufa!

Mas e daí? Isso é tudo que eu preciso para me considerar ou ser considerado um cidadão, verdadeiramente?

Tenho cá minhas dúvidas. E parei e pensei em mais algumas questões importantes: 1) como cidadão, eu cumpro todas as leis de trânsito ou costumo passar no farol vermelho, vez ou outra, quando estou a dirigir meu Honda Fit ou caminhando? 2) sou solidário com as crianças, os jovens, os adultos e os idosos quando vejo um desses cidadãos em dificuldade nas ruas do meu bairro, da minha cidade, do meu País ou fora daqui? 3) costumo parar meu automóvel em local impróprio, como, por exemplo, a porta da garagem do meu vizinho ou de quem quer que seja, conhecendo ou não o meu semelhante que paga impostos como eu? 4) ah… pago sempre em dia as minhas contas ou deliberadamente faço pouco caso para com aqueles a quem devo? 5) pego na mão grande os objetos que não me pertencem, tais como jornais, revistas, livros, discos, aparelhos eletrônicos ou mesmo alimentos, roupas e brinquedos? 6) respeito as faixas de pedestres?

Na dúvida, preferi ficar em casa ou na escola, estudando e me dedicando a aquilo que era minha prioridade número 1 nas últimas semanas. E mais: decidi que só irei às ruas quando tiver plena certeza de que sou um cidadão na verdadeira acepção da palavra.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


23/06/2013 19:34:06

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Por quê? (326) – Diálogo amoroso



Cláudio Amaral

 - Viagem maravilhosa. Falta você.

Essa foi, entre muitas, a frase mais marcante que ela me disse e ou escreveu desde que nos conhecemos, no dia 15 de julho de 1969, em Marília.

Estava eu trabalhando, feliz da vida, na Redação do Jornal do Comércio de Marília.

Ela estava em viagem de turismo pelo interior do Paraná. Ela a turma de formandas do Normal da escola em que estudava.

E num dos muitos dias em que ficamos separados, fisicamente, chegou o telegrama dela com esta frase que nem eu, nem ela, nos esquecemos:

- Viagem maravilhosa. Falta você.

Eu fazia falta a ela e ela a mim.

Havia pouco tempo que nos encontramos pela primeira vez. Foi dentro do Cine Pedutti, na Cidade Símbolo de Amor e Liberdade.

Foi amor à primeira vista, com certeza.

- Foi?

Sim, Amor. Foi amor à primeira vista.

Depois daquela primeira vez vieram outras. Muitas outras.

Veio o noivado, minha transferência de Marília para Campinas, a convite do Estadão.

Sim, Amor: veio o casamento, sim.

Exatamente, Amor: vieram os filhos. Os quatro filhos, dos quais, graças à vontade de Deus, três estão conosco até hoje, firmes e fortes.

Sim, Amor: vieram os casamentos da filha, do filho do meio e agora está a chegar o do caçula.

Claro, Amor: vieram os netos, também. A querida, amada e carinhosa Beatriz, que está completando 6 anos de vida exatamente hoje. E o querido, amado e agitado Murilo, que já está com mais de 3 anos.

Exatamente, Amor: e nós continuamos juntos, sempre juntos, sem jamais termos pensado em separação.

Lembro-me, sim, Paixão: você nunca me mandou dormir no sofé. Jamais.

É por tudo isso que eu te amo. Mais, mais e mais. Cada vez mais. Mesmo estando você a 10.000 quilômetros de casa.

Sabe por que, Cariño? Porque você faz a diferença na minha vida.

Afinal, só você seria capaz de se lembrar do longinquo 1969 e me enviar de novo a tal frase inesquecível:

- Viagem maravilhosa. Falta você.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

12/06/2013 14:17:37

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Por quê? (326) – Em busca de um tema



Cláudio Amaral

Meu relógio marcava 14h18 quando terminei de cumprir meu último compromisso profissional deste dia 10.

Sai, então, do banco onde fui a pedido de um cliente muito especial, mais Amigo do que cliente, e rumei para o Shopping Pátio Paulista, a menos de 200 metros dali.

Entrei e caminhei andar por andar. Tal qual se não conhecesse o lugar. E, como não poderia deixar de ser, acabei na Livraria Saraiva, uma das maiores e melhores que conheço.

Parei logo após a entrada e pensei: Afinal, o que estou fazendo aqui?

Em segundos cheguei à resposta: Estou em busca de um tema.

Sim. Queria um assunto para esta minha crônica.

Em seguida, passei a vasculhar com os olhos e as mãos as centenas, talvez milhares, de títulos espalhados pelas prateleiras e bancadas todas.

O primeiro a chamar minha atenção foi um livro de Ivan Martins: “Alguém especial – Crônicas de amor, sexo & outras fatalidades”. Na apresentação estava escrito: “Leitura obrigatória para homens sensíveis e mulheres espevitadas – ou seria o contrário?”.

Nem cheguei a abrir a obra, porque logo meu olhar foi desviado para duas jovens bem jovens que se acariciavam e se beijavam com afeto. Pensei estar enganado e também na possibilidade de uma delas ser “um jovem”, mas logo imaginei: “Por que não? Isso está cada vez mais comum”. E segui em frente, não sem antes acompanhar com os olhos o caminhar de ambas.

Parei na banca de ofertas especiais para o Dia dos Namorados e fiquei a admirar obras como “A Parada da Ilusão”, de João do Rio; “Stela me Abriu a Porta”, de Marques Rabelo; “Amor”, da encantadora e competente Clarice Lispector; “História de Amor em Cartas”, do inesquecível poeta Carlos Drummond de Andrade; “Emanuel”, da inconfundível Lygia Fagundes Telles; “História de Gente e Anjos”, de Lya Luft, de quem sou fã ardoroso; “Amor é Prosa, Sexo é Poesia”, de Arnaldo Jabor, que sempre nos tratou com deferência, a mim e à minha Sueli Bravos do Amaral.

Minha próxima parada foi frente ao “Almanaque das Confederações do Mundo Inteiro”. Esta obra apresenta ao torcedor brasileiro os escudos das 209 confederações filiadas à Fifa e fichas das seleções nas Copas do Mundo e nas Copas das Confederações. E mais: o calendário dos jogos que começam dia 15 no Brasil. Fantástico.

Passei também, mas nem perdi meu precioso tempo, pela “história proibida” dos desgastados “tons de cinza”, tão criticados pelos meus professores de História na FMU. E fui me demorar com obras (em filmes) do peso e da riqueza de “As Máquinas da II Guerra Mundial – Os Nazistas”, contra os quais meu saudoso sogro tanto se empenhou na Itália, como integrante da Força Expedicionária Brasileira; “Os Ditadores do século 20”, da Rio Negro; “Hitler e os nazistas” e “Marcha para Vitória a Caminho de Berlim”, ambos da Focus Filmes.

Nem tive tempo para passar pelos eletrônicos, nem pela papelaria, pois me encantei com mais uma obra do meu cronista preferido: Ignácio de Loyola Brandão, que leio sempre nas páginas do Caderno 2 do Estadão. Lá soube que ele está com uma obra nova, na categoria Literatura Nacional/Biografias e Memórias: “Carlos Wizard – Sonhos Não Têm Limites”. Quase comprei, mas, na dúvida, peguei o catálogo de ofertas e voltei para casa, onde, com calma, pretendo escolher minhas novas aquisições. Desde, é claro, que consiga tirar da cabeça o amor e o carinho das duas jovens que vi na Saraiva.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

10/06/2013 18:23:24

domingo, 9 de junho de 2013

Por quê? (325) – Diálogo imaginário



Cláudio Amaral

O Parque da Aclimação esteve cheio nesta manhã de sábado. Mais ainda nestas primeiras horas de domingo.

- E você viu algum conhecido por lá?

Caras conhecidas vi algumas, mas ninguém de quem me lembrasse o nome.

- Tinha mais homens ou mulheres?

Homens? Mulheres? Não sei te precisar. Sei, sim, que tinha muitos animais.

- Animais? Qual tipo de animais?

Cachorros. Cães de ambos os sexos.

- Pequenos, médios ou grandes?

Cães de todos os tamanhos, várias cores e diversas raças.

- E as mulheres? Eram novas, bonitas, elegantes?

Todos os tipos de mulheres. E de homens, também. Tinha até umas bem ajeitadinhas, bonitinhas, graciosas.

- E você, claro, olhou para todas?

Sim e não.

- Como assim? Olhou ou não olhou?

Olhei para todas quantas me foram possíveis. Mas confesso que a maioria era formada por pessoinhas com muito menos idade das minhas sobrinhas.

- Então vamos mudar de conversa porque esse diálogo imaginário está ficando estranho.

Que nada. Diálogo imaginário é para isso mesmo. Para soltar a imaginação, viajar no tempo e no espaço.

- Que nada digo eu. Cabeça de homem quando se vê livre, solto na vida e sem compromisso é um perigo.

E só a cabeça de homem é que tem poder para imaginar coisas?

- Não. Claro que não.

Então não me vem com essa conversa machista de mulher mandona.

- O que? Conversa machista? Mulher mandona?

Sim, sim e sim.

- Não, não e não.

Por que não?

Ah... e você ainda pergunta por que?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

09/06/2013 22:23:01

domingo, 26 de maio de 2013

Por quê? (324) – A despedida de Neymar



Cláudio Amaral

Se pauteiro eu fosse, hoje… E, se ao invés de pauteiro, eu fosse chefe de reportagem… E, se ao invés de pauteiro ou chefe de reportagem eu fosse editor de esportes ou chefe ou diretor de redação num jornal diário ou numa revista semanal ou numa emissora de rádio ou de televisão… Ou melhor: se estivesse repórter de esportes ou de geral ou especial, isso não importa, o que importa é se repórter eu fosse neste momento de tanta agitação por conta da despedida do craque Neymar, o que eu gostaria de fazer ou o que faria?

Faria, ou melhor, gostaria de fazer – primeiro – uma pesquisa preparatória, daquelas que fiz por vezes durante minhas passagens pelas redações, pela ordem, do Jornal do Comércio e da Rádio Verinha de Marília (SP), do Estadão, do Diário de Notícias do Rio de Janeiro, do Correio Braziliense (DF), do Diário Oficial do Estado de São Paulo, d’O Estado do Mato Grosso do Sul e da TV Morena/Rede Globo (em Campo Grande/MS), do Comércio da Franca (SP) e d’A Tribuna de Santos (SP).

Com base no que conseguisse apurar nessa pesquisa, em seguida prepararia uma pauta especial. Objetivaria fazer uma comparação entre o que está a acontecer com a milionária e bombástica – embora esperada por todos nós – transferência de Neymar, de Santos/SP/Brasil para Barcelona/Catalunia/Espanha.

Iria querer comparar, principalmente, o que está a acontecer com e em torno do principal atleta do futebol brasileiro da atualidade com o que fizeram – ou deixaram fazer – outros jogadores de alto nível, como Neymar.

Procuraria comparar o caminho e as atitudes em torno do outrora chamado “filé de borboleta” – como disse Wanderley Luxemburgo, numa infeliz referência a Neymar para justificar, ou tentar explicar a não escalação do atacante como titular quando da última passagem do treinador pelo Santos FC – e atletas do nível de Casagrande, Sócrates, Júnior, Leonardo, Kaká, Dida, Tafarel, Júlio César, Ronaldo (o tal “Fenômeno”), Luiz Pereira, Luís Fabiano, Roberto Carlos, Careca, Denilson, Raí, Ernanes, Alex, Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Diego, Alexandre Pato, André Santos, Rivaldo, Lúcio e muitos outros, como, por exemplo, o mais recente de todos: Lucas, que trocou São Paulo por Paris.

Compararia, também, as transferências de Carlos Alberto Torres, Falcão e do maior de todos os nossos ídolos: Pelé.

Sincera e honestamente, não me lembro, em detalhes, como foram e o que foi que aconteceu com aqueles craques que despertaram interesse dos maiores times de futebol estrangeiros enquanto jogavam no Brasil.

Mesmo assim estou certo de que daria uma interessante reportagem a comparação entre cada um deles com a estratégia – bem pensada e planejada – de transferência de Neymar.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

26/05/2013 19:25:43

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Por quê? (323) Aposentadoria ou não?



Cláudio Amaral

“A aposentadoria pode gerar prejuízos para a saúde física e mental”, anunciou Sandra Annenberg, apresentadora do Jornal Hoje da TV Globo, no início da tarde desta sexta-feira. E acrescentou: é o que “revelou uma nova pesquisa”.

Imediatamente parei o que estava fazendo no computador e virei-me para a televisão que tenho aqui no meu “Escriptório” residencial ou home office, como dizem os chiques. Afinal, tudo o que se refere a aposentadoria e aposentados me interessa, desde que me aposentei, em 2005.

Estava com 55 anos quando consegui minha aposentadoria. Era novo? Sim e não. Sim porque passei anos e anos dizendo que jamais me aposentaria. E mais: dizia que iria morrer trabalhando, e sem me aposentar. Não, porque comecei a trabalhar aos seis anos de idade, em 1955, quando meu pai passou a me levar com ele para a lavanderia em que era empregado, aqui em São Paulo.

Trabalhei, portanto, dos seis aos 60 anos. Sim porque após obter a aposentadoria junto ao INSS, continuei a prestar serviços regularmente na Redação do jornal diário Comércio da Franca, em Franca, no Interior paulista.

Só me aposentei, de fato e de direito, após a cirurgia do dia 29 de julho de 2011, quando o neuro-cirurgião Diogo Lins extraiu um tumor benigno que havia crescido na minha cabeça, logo abaixo do couro cabeludo.

Uma vez recuperado, decidi que não teria mais emprego formal. O último havia sido na Redação d’A Tribuna, em Santos, onde havia conseguido atingir o ápice da carreira jornalística.

A partir de então só aceitei, eventualmente, algumas missões especiais. Tais como dar conselhos e consultorias. Vez ou outra, escrever um ou outro texto para publicações de Amigas e Amigos.

Até o final do ano passado eu dividi meu tempo de aposentado entre o Brasil e os Estados Unidos, onde passei cinco meses em 2012. E também entre serviços domésticos a pedido da minha Sueli Bravos do Amaral e da nossa filha, que foi morar em Ashburn duas semanas após minha cirurgia.

Ocupei-me da forma que mais me deu prazeres. Arrumei camas, lavei banheiros, varri, tirei pó, cortei grama, dirigi para meu genro, minha filha, meus netinhos queridos e também para Sueli e minha sogra.

Fiz mais: li e escrevi muito. Li jornais, revistas e livros, muitos livros. Escrevi crônicas (como esta), recados e comentários publicados na Internet. Ouvi rádio e vi TV. Visitei Amigas e Amigos. Assisti palestras e conferências.

Até que no final do ano passado cheguei à conclusão de que precisava fazer algo a mais. E fiz vestibular, passei e me matriculei no curso de Licenciatura em Historia, na FMU. É lá que estou assistindo aulas desde o dia 1º. de fevereiro de 2013. De segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 11h30.

Ou seja: não é por falta do que fazer que vou figurar nas estatísticas do centro de estudos do Institute of Economics Affairs (IEA) de Londres, que descobriu e anunciou nesta semana que “a aposentadoria leva a um drástico declínio da saúde no médio e longo prazos”.

De acordo com o que ouvi da boca de Sandra Annemberg no Jornal Hoje, “segundo a IEA, a pesquisa sugere que as pessoas devem trabalhar por mais tempo por razões de saúde e também financeiras”.

Concordo com o que diz respeito à questão financeira. Até porque o aposentado brasileiro vive na penúria. E o meu caso não seria excessão. Mas vou insistir até quando for possível e tocar em frente todas as minhas atuais atividades. Meus planos e sonhos, igualmente.

Quero viver muito, ainda, e sem estresse, sem compromissos desnecessários. Desejo me divertir ao máximo com minhas atividades – intelectuais ou não –, minha família, meus netinhos, meus livros, meus estudos, minhas viagens nacionais e internacionais. Ah!: com Amigas e Amigos, também.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

17/05/2013 14:40:44

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Por quê? (322) – Triste Dia das Mães



Cláudio Amaral

Longe de mim pedir colo, beijinho na testa e carinho para quem quer que seja. Mas eu seria desonesto – até para comigo mesmo – se escrevesse que terei um Dia das Mães feliz. Não. Tenho certeza absoluta que este será o mais triste de todos os dias das mães que vivi nestes meus 63 anos, 5 meses e 9 dias.

Afinal, minha Sueli está a cerca de 6.000 quilômetros daqui. Exatamente em Ashburn Village, na Virgínia, nos Estados Unidos, de onde me chama todo dia, duas ou três vezes por dia. Ela, sim, feliz com a companhia da filha querida, do genro e, principalmente, dos netinhos Beatriz (prestes a completar 6 anos) e Murilo (que fez três anos no início de janeiro).

Mãe, verdadeiramente, também não tenho mais. Dona Wanda Guido do Amaral, a mulher que me gerou, se foi há anos. Exatamente em 2010 e o corpo dela está sepultado em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Lá está porque foi naquela cidade que viveu seus últimos dias, enferma e sofrendo muito, apesar da atenção que tinha da filha mais velha, Cleide, dos netos e bisnetos. A última vez que a vi foi a 9 de agosto de 2009, quando fui embarcá-la em Viracopos, Campinas, rumo à última etapa da vida, com vida. Na companhia dela seguiu minha irmã caçula, Clélia.

Das outras mães, todas adotadas por mim, só estão vivas a Dona Aparecida Grenci Bravos (a melhor sogra do mundo), a Tia Terezinha, irmã de Dona Wanda, e a Tia Dulce, esposa do saudoso Tio Walter Guido. Uma vive mais em Santos do que em São Paulo e lá que está a passar férias. As outras duas moram aqui em São Paulo, mas certamente darão prioridade aos filhos e netos.

Outras mães adotadas eu tive. Mas nenhuma está mais entre nós. A principal foi minha avó Durvalina, com quem morei nos meus primeiros meses de Estadão, vindo do Interior paulista. Ela morava no Ipiranga. Exatamente na Rua Cisplantina, onde me acolheu desde que eu era criança pequena. Deu-me acolhida, carinho, comida e conselhos, muitos conselhos.

Dona Zezé, esposa do meu primeiro Mestre em Jornalismo, o saudoso Irigino Camargo, é outra mãe de quem sempre me lembro. Agora, por exemplo. Lembro com tristeza porque ambos se foram sem que eu tivesse notícia.

Na crônica de 10 de maio de 2008, escrevi uma frase que faço questão de repetir aqui: Por todas elas (Dona Wanda, Tia Zinha, Tia Dulce, Vó Durvalina, Dona Zezé, Sueli... e Dona Cidinha, minha sogra, claro, lógico, evidente...), que eu digo sempre e repito agora: todo dia é Dia das Mães. Estejam elas aqui ou não, fisicamente ou apenas em espírito, a poucos ou a muitos quilômetros, eu as amarei sempre, para sempre, eternamente. E a elas eu me apegarei sempre que me sentir só e carente, como neste Dia das Mães de 2013.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

10/05/2013 17:01:05

sábado, 13 de abril de 2013

Por quê? (321) – Uma decisão feliz



Cláudio Amaral

Bendita a hora em que decidi ocupar meu tempo livre com o curso de Licenciatura em História na FMU. Sim, está sendo difícil, muito difícil, mas a culpa é minha. Apenas e tão somente minha. E tem um motivo especial e pessoal: levo a sério, muito a sério, tudo aquilo que decido fazer. Por consequência, sofro. Sofro mais do que qualquer outro ser humano. Antes, durante e, não raro, depois, também.

Mas está valendo a pena? Sim, está. E está por um motivo claro, lógico, palpável, simples e evidente: estudar História me faz feliz e me ajuda a superar os eventuais sofrimentos.

Na verdade, dormir cedo, levantar cedinho – ou seja, por volta das 6h30 – e sair de casa às 7h30 para estar na 12B da FMI, na Liberdade, em São Paulo, antes das 8h, me motiva. Até mesmo quando não posso ir cedo para a cama, como nas quartas-feiras de jogos do meu Corinthians, que invariavelmente terminam por volta da meia-noite.

Quase sempre volto para casa cansado. E os motivos são vários: o mais evidente de todos é que meus professores – cinco homens e uma mulher, a querida Yara Cristina Gabriel, que nos ensina Teoria da História – são loucos acima da média. Cada um tem um estilo, mas todos são agitados, veementes, irônicos e, ao que me parece, masoquistas o sufiente para gostarem de dar aulas.

Sim, eu sei que devo ser quase tão masoquista quanto eles. E por uma razão muito simples: ter coragem de escrever tudo isso dos meus professores não é normal. Até porque dependo de cada um deles nas notas que precisarei tirar para passar deste primeiro para o segundo semestre.

Entretanto, nada disso é motivo para estar aqui a escrever essas mal traçadas linhas. O que me levou a tomar a iniciativa de redigir essa crônica foi a alegria que senti hoje (sábado, 13.4.2013) e exatamente em função do curso de História que estou a frequentar desde o dia 1º. de fevereiro.

Acordei e me levantei um pouco mais tarde do que o normal. Afinal, hoje estou “de folga” da FMU e dos loucos dos meus mestres. No entanto, estava decidido a enfrentar a Avenida Paulista em busca de pelo menos um livro que conheci esta semana, exatamente na FMU: Ferramentas para o pesquisador iniciante, de autoria de Jocelyn Létourneau, professor de História na Universidade Laval, no Canadá.

Inicialmente, pensava em ir até a Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, na esquina da Paulista com a Rua Augusta. Uma consulta ao site da loja me deixou assustado com o preço do livro. Por consequência, resolvi pesquisar nos sites de sebos, aquelas maravilhosas lojas que vendem objetos usados: de livros a gibis, incluindo CDs, LPs, DVDs e vídeos.

Feito isso, encomendei o livro de Ferramentas no www.sebodomessias.com.br, tido como o “melhor site da América Latina”. E lá fui para retirar o meu objeto de desejo na Praça João Mendes, entre as estações Liberdade e Praça da Sé. E qual não foi minha satisfação ao constatar que a obra de Jocelyn Létourneau estava novinha em folha. Tão nova, acredito, quando o exemplar usado nas nossas aulas pelo Professor Flávio Luís Rodrigues, que nos ensina Leitura e Produção de Textos (neste caso, especificamente, porque no mesmo dia, às quintas-feiras, ele nos dá aula de Alta Idade Média).

Antes e depois dessa maravilhosa aquisição livristica, pratiquei minha curiosidade junto às muitas prateleiras do Messias. E não é que acabei encontrando uma outra preciosidade? Sim, encontrei – e comprei, meio que no impulso – uma coleção rara de três volumes da História da vida privada, “dirigida por Philippe Ariès e Georges Duby”. O volume I cobre “Do Império Romano ao ano mil”, o 2 vai “Da Europa feudal à Renascença” e o 3 nos conta a história “Da Renascença ao Século das Luzes”.

Voltei para casa carregado e feliz. Mas agora, enquanto escrevo, descobri que mais alegre ficarei quando conseguir a coleção completa, que inclui mais dois volumes: o 4, “Da Revolução Francesa à Primeira Guerra Mundial” e o 5, “Da Primeira Guerra Mundial aos nossos dias”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

13/04/2013 19:03:53

domingo, 31 de março de 2013

Por quê? (320) – Levantador de…



Cláudio Amaral

Nunca fui bom para fazer os outros rirem à toa. Nem eu, nem meu Amigo José do Galho Seco. Eu continuo sendo um zero à esquerda nessa matéria, mas ele deu duas sacadas neste Domingo de Páscoa que foram dignas de registros.

A primeira aconteceu no páteo de entrada da Paróquia de Santa Rita de Cássia da Vila Mariana, na Rua Dona Inácia Uchôa, aqui em São Paulo. A Celebração da Missa, presidida pelo Frei Cristiano Zeferino de Faria, havia terminado há menos de dez minutos. Já passava do meio-dia. Pouco, mas passava. E duas amigas conversavam animadamente em frente à sala do dízimo quando José do Galho Seco, que eu havia convidado para comer bacalhau aqui em casa, chegou para minha Sueli e disse:

- Senhora, o bacalhau acabou de ligar.

Diante da cara de espanto da patroa, ele explicou:

- O bacalhau ligou para dizer que não vê a hora de ir para o forno.

Fui uma risadaria geral, o sufiente para Sueli se tocar que estava na hora de encerrar a conversa e tomar o rumo de casa.

Chegamos, lavamos as mãos conforme o ritual que Sueli aprendeu no curso de panificação que ela fez na quinta-feira, no Palácio dos Bandeirantes e fomos para a mesa. Comemos como gente grande, até porque o bacalhau que nos foi oferecido pela comadre Salete, madrinha do nosso caçula, estava mais gostoso do que na Sexta-Feira Santa.

Perto das 4 horas da tarde resolvemos que estava na hora de sair da mesa. Saímos e rumamos para frente da televisão. Eu me ajeitei de um lado do sofá, meu filho Mauro se ajeitou do outro e José do Galho Seco ficou em pé, bem atrás de nós.

O jogo começou e logo o SPFC fez um gol no meu Corinthians. Cleber Machado gritou goooooooooooool e nós ficamos calados. Coisa de corinthiano.

O tempo passa, o tempo voa e nós ali, firmes e fortes, até que o Timão empatou com um chute forte do meio-campista Danilo. Nem assim nós tivemos forças para vibrar, gritar ou coisa que o valha.

Só nos mexemos quando Cleber Machado voltou a levantar a bola para uma cortada magistral do José do Galho Seco. É que o narrador da TV Globo estava recebendo a visita do treinador de voleibol José Roberto Guimarães, corinthiano como nós. E resolveu, o Cleber, saber se o convidado jogava ou havia jogado futebol. Não. E tênis? Nem uma palavra. Aí o Cleber resolveu dar uma de engraçadinho e disse:

- O Zé Roberto foi um levantador de primeira.

José do Galho Seco não perdeu a piada e sacou, de pronto:

- Levantador de copo.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

31/03/2013 19:51:43

quinta-feira, 21 de março de 2013

Por quê? (319) – Leonardo Boff e o Papa Francisco


Cláudio Amaral

Quem sou eu para colocar em dúvida as intenções e a honestidade do novo Papa? Quem sou eu para duvidar do Prêmio Nobel da Paz de 1980, o arquiteto, escultor e ativista de diretos humanos argentino Adolfo Pérez Esquivel? E quem sou eu para não acreditar em Leonardo Boff, um dos mais respeitados e admirados teólogos do mundo?

Fiquei surpreso, sim, com a escolha do Cardeal de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio como o novo Papa. Afinal, sempre deixei claro que também fazia parte da torcida por um Papa do Brasil. Mais do que isso: queria – e queria muito – que o escolhido para suceder Bento XVI fosse o Cardeal da minha cidade, São Paulo, o Arcebispo Odilo Pedro Scherer. Nada mais do que isso. Assim como torci, e torci muito, pelo Cardeal Arcebispo anterior, hoje Emérito, Dom Cláudio Hummes, quando da eleição do Cardeal Joseph Retinziger, em 2005. Torci mesmo sabendo que para escolha de um novo Papa não se torce como eu torço pelo meu glorioso Sport Club Corinthians Paulista.

Como admirador e seguidor constante da Igreja Católica Apostólica Romana, sinto-me cada vez mais admirado e gratificado com a simpatia que vem sendo demonstrada pelo Papa Francisco.

Tenho fé, muita fé, que ele vai dar certo como Papa e viverá tempo suficiente para recuperar o moral e o prestígio da nossa Igreja.

Fiquei preocupado, sim, quando li, vi e ouvi pelos principais meios de comunicação de massa do Brasil que havia suspeitas de envolvimento de Bergoglio com a famigerada e maldita ditadura militar da Argentina.

Mas, felizmente, tive a paciência e a calma suficientes para esperar que gente de respeito se manifestasse e afastassem de mim as calúnias que alguns poucos levantaram contra o jesuíta que o Conclave de Roma elegeu como Papa e como o primeiro Pontifice do continente sulamericano.

Adolfo Pérez Esquivel foi um deles, mas quem me deixou absolutamente tranquilo, e em definitivo, foi um dos intelectuais que mais admiro: Leonardo Boff.

Sou leitor dos artigos de Boff e, dos mais de 60 livros que ele escreveu, já li pelo menos dez. Li, reli mais de um e, todos que foram possível colecionar, guardo com carinho e atenção na minha bibliotéca pessoal. Portanto, assim que soube que ele estaria no centro do Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, na noite de segunda-feira, dia 18 de março de 2013, programei-me para vê-lo. E vi do começo ao fim. E mais uma vez não me decepcionei.

Boff, o Leonardo – que tem um irmão teólogo como ele, Cláudio – só teve elogios ao comportamento do Cardeal Bertoglio e ao Papa Francisco. Isso me tranquilizou.

Leonardo Boff elogiou o comportamento e a vida simples que Bergoglio sempre levou e a opção pelos pobres que ele prometeu manter ao longo de todo o Papado iniciado no domingo passado, dia 17 de março de 2013. Falou ainda do caráter do novo Papa e declarou acreditar que estava inaugurado o terceiro milênio, ou seja, “um estilo novo para honrar o seu inspirador, São Francisco de Assis”.

Boff disse acreditar, também, no propósito declarado por Francisco, de viver “um evangelho que nasce de baixo” e com “elementos muito significativos”.

Sério e complenetrado, Boff disse, ainda durante o Roda Viva da TV Cultura, ter certeza de que Bergoglio, como Papa Francisco, simboliza a renovação da esperança de um novo tempo. E é nesse novo tempo que também estou acreditando. E é por esse novo tempo que tenho elevado minhas preces aos céus, a Deus nosso Divino Pai Eterno. Com fé. Muita fé.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

21/03/2013 19:32:48

domingo, 17 de março de 2013

Por quê? (318) – O Papa Francisco



Cláudio Amaral

Resisti o quanto pude a escrever a respeito do Papa Francisco ou o “papa argentino”, como disseram de cara os brasileiros que não gostam de – ou que têm resistência a – cidadãos nascidos e criados na Argentina. Mas agora não posso deixar de registrar a escolha de Dom Jorge Mario Bergoglio como o sucessor de Bento XVI.

Não há mais como negar que o Arcebispo de Buenos Aires até o dia 13 de março de 2013 tem qualidades para ser Papa. É simples no trato (embora eu nunca tenha estado com ele), demonstra simpatia (atributo que o anterior não demonstrava), despojamento, simplicidade e despreendimento.

Sim, está claro que Bento XVI não era nada disso. Eu mesmo torci clara e abertamente pela escolha de Dom Cláudio Hummes em 2005, quando balhava na Redação do Comércio da Franca, naquela cidade do Interior paulista.

Mas, uma virtude ninguém pode negar a Bento XVI: ele teve a grandeza, a humildade e a coragem de reconhecer que não tinha mais forças, nem disposição para continuar Papa. E disse com todas as letras e palavras que havia chegado a hora de dar vez a alguém mais jovem e mais disposto a comandar a Igreja Católica Apostólica Romana. E renunciou. E deixou o cargo no dia 28 de fevereiro de 2013.

Hoje, domingo, 17.3.2013, ainda de pijama, postado à frente da televisão e a assistir o Angelus, fiquei a pensar em silêncio e com emoção, tendo a minha Sueli ao lado, no sofá da sala da nossa residência: como seria se o escolhido não tivesse sido ele, o Cardeal Jorge Mario Bergoglio?

Se não, vejamos: como Papa, ele é o primeiro jesuita, o primeiro sul-americano, o primeiro representante de todas as Américas e o primeiro pontífice não-europeu em 1.200 anos.

E mais: Dom Jorge Mario Bergoglio ficou famoso na Argentina por dar a atenção prioritariamente aos pobres e aos mais humildes dos seres humanos, católicos ou não; por dar preferência ao transporte público; por morar com simplicidade e por nunca se curvar e ou se aliar aos poderosos de plantão, especialmente os comandantes dos tempos da ditadura e os anti-democratas de agora.

Fico aqui a imaginar com que cara e estômago a presidente Cristina Kirchner assinou a carta enviada ao Papa Francisco logo após a escolha dele, em Roma. E com que disposição ela irá encará-lo na cerimonia de posse nesta terça-feira (19.3.2013), no Vaticano. Vai precisar de muita coragem.

Isto, entretanto, são coisas menores para as circunstâncias atuais. O que importa, de verdade, é que acredito piamente que somos todos uns privilegiado – Sueli e eu, inclusive – por podermos viver esses momentos e ver como os meios de comunicação de massa estão a tratar esses primeiros dias de papado de Francisco: com respeito, primeiramente.

Seria melhor, ou pelo menos diferente, se o escolhido tivesse sido o meu preferido, o Cardeal-Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer? E se, ao invés de Ratzinger, o eleito, em 2005, fosse Dom Cláudio Hummes?

Ninguém sabe e jamais saberá.

O importante, hoje, domingo, Dia do Senhor, é que estamos avistando um futuro promissor para a nossa Igreja Católica Apostólica Romana. E creio, sem medo de errar, que a partir de agora as nossas paróquias receberão cada vez mais fiéis. A Santa Rita de Cássia da Vila Mariana, aqui na Capital paulista, por exemplo, que há um ano vem sendo revigorada pela equipe do Frei Cristiano Zeferino de Faria.

Tenho certeza, ainda, que por conta da escolha e do comportamento do Papa Francisco muitos católicos adormecidos se verão motivados a despertar e a voltar à ativa. Muitos. Muitos e muitos. Não estou seguro de que a multidão de católicos crescerá – tal qual cresceu a torcida do meu Corinthians após as conquistas mais recentes –, mas é certo, para mim, que os católicos ativos estarão visíveis a partir de hoje em todas as paróquias do mundo.

E agradeço a Deus, nosso Divino Pai Eterno, a graça de nos permitir – a mim e à minha Sueli, inclusive – o privilégio de estarmos aqui, são e salvos, para ver o papado de Francisco.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

17/03/2013 12:53:56