sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Por quê? (140) A figura voltou


Cláudio Amaral


Imagine, caro e-leitor, qual foi a primeira pessoa que encontrei ao chegar a São Paulo para as festas de Natal 2008?

Sim... você acertou: aquela figura no mínimo inusitada, à qual me referi pela primeira vez no dia 9 de janeiro de 2008, uma quarta-feira.

Até parece que ela estava a me esperar.

E... olhe que eu fiquei três meses vivendo em Santos, mais precisamente na “Capital da Baixada Santista”.

Pois ela, a figura, me esperou, pacientemente.

Sem dizer “alô”, nem “bom dia”, muito menos “feliz Natal”, ela, a figura, grudou em mim e me seguiu durante os dias 25 e 26 de dezembro de 2008.

No dia do Natal ela não teve chance porque eu fiquei em família de sol a sol.

Mas... hoje, sexta-feira, 26, não teve jeito: ela se escorou em mim novamente e não me largou enquanto eu fiquei perambulando pelas ruas paulistanas.

Acompanhou-me ao Banco Itaú, onde fui pagar uma conta.

Foi e voltou ao meu lado.

Depois do almoço, grudada, foi comigo a três locais onde trabalhei ao longo dos primeiros oito, quase nove meses do ano.

Na Rua Dr. Diogo de Faria, quase esquina da Rua Marselhesa, na Vila Clementino, ela, a figura, entrou comigo na lojinha do Jai, com quem fui me atualizar a respeito dos negócios da região.

- Nada mudou por aqui, Amaral, me disse o companheiro de muitas e muitas conversas.

Na Rua Indiana, no Brooklin, fui rever e abraçar meu amigo Francisco, corretor de imóveis dos bons, e lá estava ela, mais uma vez.

Perguntou mais do que eu.

Parecia conhecer o bom Chico há anos.

Pediu para conhecer o apartamento “descolado”, recém inaugurado.

E eu fui obrigado a intervir e explicar:

- Não é “descolado”. É apartamento decorado.

Viu e gostou, deslumbrada, a figura.

Claro. Ela deve morar numa quitinete no centro velho ou numa casinha da periferia.

- Olha o preconceito, Cláudião, me cobrou minha consciência.

- Perdão, perdão, perdão..., Senhor, pensei comigo mesmo, imaginando estar falando com Deus.

Na Rua Michigan, também no Brooklin, ela, a figura, foi mais discreta perante meu amigo Aramis.

Sentou-se a meu lado e ficou calada.

Ouviu sem intervir na conversa de quem está contando os dias para sair em férias com a mulher, professora municipal, mais os filhos adolescentes.

Terminado o giro, ela, a figura, seguiu comigo até o Largo Anna Rosa, na Vila Mariana, e... sumiu.

Sumiu sem dizer “até logo”, nem “adeus”, muito menos “feliz Ano-Novo”.

Estranha essa “figura no mínimo inusitada”, não?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

26/12/2008 23:24:10

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Por quê? (139) Natal 2008


Cláudio Amaral

Hoje não tem Santos.

Hoje não tem praias.

Hoje não tem concertos ao ar livre, nem no Coliseu, nem no Theatro Guarany.

Hoje não tem caminhada com os pés nas águas do Oceano Atlântico.

Hoje não tem A Tribuna.

Hoje não tem as alegrias da Baixada Santista, nem da “Capital da Baixada Santista”.

Hoje é Natal.

Hoje estou de volta a São Paulo, a cidade onde cheguei há quase 40 anos.

Hoje revejo minha família, minha casa, minha rua, meu bairro, meus Amigos.

Hoje eu volto a digitar e a blogar os textos do meu inesquecível sogro, o jornalista José Padilla Bravos, o Zé Arnaldo, que nos deixou no dia 15 de agosto de 1999.

Hoje é dia de voltar a brincar com a pequena, linda e graciosa Be(bê)atriz, que aos 18 meses de vida está, finalmente, começando a dizer “vovó” e “vovô”.

Hoje é dia de retornar à celebração da Missa na Igreja de Santa Rita de Cássia, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana.

Hoje é dia de rever o Padre Lucas e com ele rezar o “Pai Nosso que está no céu...”.

Hoje é dia de desejar “Feliz Natal” até a quem eu não conheço, nunca vi e jamais verei.

Hoje é dia comer bem, mas moderadamente.

Hoje é dia de um bom vinho.

Hoje é dia de rever o DVD que Renato Teixeira gravou no Ibirapuera, no dia 26 de agosto de 2006, ao lado de dois filhos e dos Amigos Pena Branca, Joana, Xitãozinho e Xororó.

Hoje é dia de escrever sem compromisso.

Hoje é dia de ver “Roberto Carlos Especial” na Rede Globo de Televisão.

Hoje é dia de relembrar quem já nos deixou há pouco e muito tempo.

Hoje é dia de pedir saúde, muita saúde, para a mulher que me gerou e me colocou no mundo há 59 anos.

Hoje é dia de pedir forças às irmãs que cuidam dela.

Hoje é Natal.

Hoje é dia de alegrias, felicidades, emoções fortes.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

25/12/2008 23:12:18

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Por quê? (138) Um privilégio


Cláudio Amaral


Santos é uma cidade de praias.

Praias, praias e mais praias.

Em Santos tem a Praia do Gonzaga, a mais famosa de todas.

Tem a Praia do Embaré, a Praia da Aparecida (bairro em que moramos, Sueli e eu num apartamento, Mônica e Mário Evangelista numa casa de vila, ambos junto ao Canal 6) e tem ainda a Ponta da Praia (onde vive a família Marini: Wilson, Salete e Samuel, também numa casa, térrea, espaçosa e confortável).

Santos tem outras tantas praias.

Tem a Praia do José Menino, a Praia da Pompéia, a Praia do Boqueirão e a Praia do Embaré, não necessariamente nesta ordem.

Mas... Santos tem mais, muito mais do que praias.

Santos tem o Centro Histórico e uma programação cultural de fazer inveja para os grandes centros urbanos do Brasil.

Dentro do Centro Histórico tem, por exemplo, o Teatro Coliseu.

E foi no Coliseu que assisti, na noite de sábado, 20 de dezembro de 2008, uma inesquecível apresentação da Orquestra Sinfônica Municipal.

Sob a batuta do Maestro Luís Gustavo Petri, e a participação do Coral Municipal de Santos, permiti que meus olhos brilhassem, meus ouvidos se encantassem e meu coração pulsasse forte ao som de obras inesquecíveis de Johann Sebastian Bach e Heitor Villa-Lobos, entre outros.

Ainda no Centro Histórico de Santos tem o recém inaugurado Theatro Guarany.

Theatro com h e Guarany com y, porque é assim que ele foi batizado.

Santos tem o Poupatempo, uma das criações mais inteligentes do ex-governador Mário Covas, filho de Santos.

Santos tem a Bolsa do Café, onde se toma o melhor café que eu já bebi. Eu, Marini e Mário Evangelista.

A Santa Casa mais antiga do Brasil e da América do Sul também está em Santos. Firme e forte.

Santos tem, entre muitas outras atrações, o maior jardim público do mundo, segundo o Livro dos Recordes.

Pois foi entre o jardim e as águas do Oceano Atlântico, nas areias da Praia do Gonzaga, que eu e mais de oito mil pessoas (segundo cálculos da Polícia Militar) assistimos na noite de domingo, 21 de dezembro de 2008, outro espetáculo inesquecível: a apresentação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a batuta de John Neschling e com a participação de Mônica Salmaso e o Grupo Pau Brasil.

Inesquecível.

Encantador.

Por tudo isso – e mais, muito mais – é um privilégio viver em Santos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

22/12/2008 23:15:45

sábado, 13 de dezembro de 2008

Por quê? (137) Sou louco por ti...


Cláudio Amaral

Eu seria louco (mais, muito mais do que já sou) se negasse que estou feliz com a contratação de Ronaldão pelo Corinthians.

Estou feliz.

Muito feliz.

Mas... nem sempre foi assim.

Sempre reconheci méritos em Ronaldão.

Nunca, entretanto, aceitei que ele é um fenômeno.

Jamais.

Desde os tempos em que ele começou a brilhar no Cruzeiro, em Belo Horizonte, em 1993/94, eu digo que fenomenal, mesmo, só Pelé.

E assim foi por todos estes mais de 14 anos.

Vibrei, sim, com as jogadas geniais dele no PSV, jogando em gramados da Holanda e da Europa, em 1996; em 1997, no Barcelona, meu time de preferência na Espanha; na Inter de Milão (Itália) e no Real Madrid (Espanha).

E como vibrei com as jogadas e os gols que Ronaldão fez com a camisa da seleção brasileira.

Mas... fenômeno, não.

Contra tudo e contra todos, disse e repito: fenômeno, não.

Pois bem: quando a notícia de que ele iria para o meu Corinthians começou a pipocar na Internet, na manhã de terça-feira, 10 de dezembro de 2008, fiz cara de incrédulo.

Só comecei a acreditar quando o vi no Jornal Nacional.

Mais precisamente, quando Ronaldão disse:

- Vou pro Corinthians fazer parte daquele bando de loucos.

Mesmo assim, confesso, fui dormir sem dar crédito total ao que estava lendo, vendo e ouvindo.

Tanto que larguei tudo o que estava fazendo, na Redação de A Tribuna, em Santos, para acompanhar a apresentação de Ronaldão no Parque São Jorge, em São Paulo.

Não desgrudei os olhos e os ouvidos da transmissão especial que o SporTV fez na manhã de sexta-feira, 12 de dezembro de 2008.

Hoje, 13 de dezembro de 2008, eu posso dizer que acredito que Ronaldão vai jogar no Corinthians.

Ainda assim, desconfiado, vou acompanhar cada passo dele dentro da Fazendinha, até o dia em que ele entrar em campo para valer.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

13/12/2008 12:20:07

Por quê? (136) O marzarzão


Cláudio Amaral

Acordo impreterivelmente às 6 horas da manhã.

Claro... às vezes um pouco antes.

Especialmente depois que meu relógio biológico se acostumou e minha mente assimilou que devo estar na Redação de A Tribuna entre 7h e 8h.

Acordado, esticado, necessidades fisiológicas feitas... vou para a janela da sala do apartamento que me abriga desde 1º de novembro de 2008.

Da janela, que ainda não tem cortina (e nem sei se um dia terá), vejo o mar.

O mar, não!

Vejo o marzarzão, como eu gosto de dizer.

Sinto-me imensamente feliz e tão privilegiado, que meu primeiro ato é fazer o sinal da cruz e agradecer:

- Obrigado, Senhor, por me permitir estar aqui.

- Obrigado, Senhor, por me permitir chegar até aqui.

Repito estas duas frases no meu ritual matutino junto ao mar.

Sim... porque todo dia (todo dia, não; quase todo dia), caminho algo em torno de 120 metros, rumo ao marzarzão, tiro os chinelos, ando sobre a areia até as águas do Oceano Atlântico e... com os pés molhados, repito...

- Obrigado, Senhor, por me permitir estar aqui.

- Obrigado, Senhor, por me permitir chegar até aqui.

Ato contínuo, rezo o Pai Nosso, três vezes a Ave Maria, lavo os pés num dos chuveiros públicos e caminho de volta ao apartamento 71 do Edifício Bambuí, na Rua Epitácio Pessoa, 555, praticamente na esquina do Canal 6.

Feito isto, nada mais poderá impedir que o meu dia seja repleto de alegria.

Nada mais.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

13/12/2008 11:57:50

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Por quê? (135) 59 anos de vida (e molecagens)


Cláudio Amaral

A felicidade que estou a viver em Santos me fez voltar aos tempos de infância, neste 3 de dezembro de 2008.

Voltei aos tempos em que era menino pequeno, lá em Adamantina.

Entre as molecagens que fiz... ah, ah, ah... foi acordar a Sueli cantando... parabéns a você...

Ela não acreditou, saltou da cama, pulou no meu pescoço e disse:

- Seu moleque. Quem tem que cantar parabéns sou eu.

Gostei da brincadeira, que saiu de improviso, e a repeti ao longo de todo o dia.

A cada pessoa que vinha falar comigo, fosse qual fosse o assunto, eu dirigia uma brincadeira ligada ao meu aniversário.

Um colega que desceu do terceiro para o segundo andar da Redação d’A Tribuna de Santos e me pediu desculpas, antes mesmo de falar bom dia... eu disse:

- Você não veio falar comigo antes porque não queria me dar parabéns.

Tudo para que ele também soubesse do meu aniversário.

E assim foi o dia todo.

Passei o dia, neste 3 de dezembro, cantando parabéns a você...

Cantando e rindo daqueles que se diziam surpresos ao saber do meu aniversário.

Diverti-me muito.

E assim foi em casa (o apartamento em que estou morando há um mês, junto ao Canal 6, no bairro Aparecida) e no jornal A Tribuna (onde trabalho desde 1º de outubro).

Diverti-me muito às custas dos meus amigos e colegas de trabalho.

Mas... o que mais me levou a sentir felicidade no dia em que completei 59 anos de vida e entrei no ano em que viverei meus 60º ano de vida... foi um presente que ganhei logo após o almoço.

Fomos almoçar no Mauá, um pequeno restaurante localizado numa das esquinas da Praça Mauá, no centro de Santos.

Fui com Wilson Marini, Mário Evangelista, Salete e Samuel Marini.

Ao sair do Mauá, Salete disse que desejava me dar um presente:

- Uma viagem no bonde turístico de Santos.

Fomos: ela, eu e Samuel, filho dela com Wilson Marini.

No meio do caminho, o bondinho empacou.

- Furou o pneu, eu disse, sorrindo.

Logo voltamos a andar e a viagem terminou novamente na Praça Mauá.

Uma delicia.

Uma viagem tão gostosa quanto os salgados e doces que comemos à noite, no nosso apê, onde Sueli passou o dia preparando uma festa inesquecível.

Uma festa para poucos, mas inesquecível.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

5/12/2008 00:12:51

domingo, 23 de novembro de 2008

Por quê? (134) O presente que leva ao passado


Cláudio Amaral

O presente sempre nos leva a pensar no futuro.

Mas nos leva, também, a relembrar o passado.

E é para o passado que eu me volto hoje, às 15h33 deste domingo ensolarado aqui pelos lados da região central de Santos.

Fui caminhar junto ao mar pela manhã bem cedo com Sueli e a mãe dela, Dona Cidinha.

E junto ao mar eu fiquei a pensar:

- Como eu gostaria de ter o meu pai vivo para contar a ele que estou trabalhando e vivendo em Santos.

- Como seria bom ter vivo também o meu sogro.

- Como eu queria ver vivo o meu grande Amigo Caluchão, e com ele caminhar pelas areias de Santos.

Meu pai porque já no início dos anos 1970 ele me repreendeu porque, depois de trocar Marília por Campinas, por conta de uma transferência promovida pelo Estadão, aceitei uma mudança para São Paulo.

Já naquela época, ou seja, há quase 40 anos, ‘seu’ Lazinho me dizia que São Paulo era uma cidade grande demais, violenta e perigosa.

Ele queria, portanto, que eu continuasse no Interior paulista e lá viesse a criar os filhos que tivesse com Sueli, com quem me casei em 5 de setembro de 1971, em Marília.

Meu sogro porque o sonho do ‘seu’ Zeca era passar os últimos anos em Santos, onde ele tinha amigos, parentes e conhecidos.

Meu Amigo Carluchão porque ele vinha por aqui com freqüência para cuidar dos pais e numa das praias de Santos, junto ao Canal 1, morreu no dia 10 de abril de 2008.

Tenho certeza de que os três iriam ficar felizes vendo a mim e a Sueli num amplo apartamento da Rua Epitácio Pessoa, junto ao Canal 6, no Bairro Aparecida, em Santos.

O Sr. Lázaro Alves do Amaral, que morreu em Marília, em 1985, por conta da falência do sistema coronário, ficaria alegre por saber que o filho jornalista passa a maior parte dos dias numa cidade menos barulhenta, menos congestionada, menos violenta e menos perigosa.

O Sr. José (Arnaldo) Padilla Bravos, jornalista como eu, que faleceu também em Marília e igualmente por problemas cardíacos, em 15 de agosto de 1999, porque teria mais um motivo para se transferir para a “Capital da Baixada Santista” com Dona Cidinha.

O caríssimo Carlos Maciel da Silva, formado em Jornalismo e em Economia, porque poderia falar mais de perto comigo e com a Sueli.

Hoje, como não estão mais conosco – fisicamente, pelo menos – só posso falar com eles em pensamento e em especial durante minhas orações.

E é nos momentos de reflexões que eu conto a eles o quanto estou feliz em Santos. Pessoal e profissionalmente. Eu (que vivo Santos 24 horas por dia) e Sueli, Cláudia, Márcio Gouvêa e Be(bê)atriz, que estão comigo sempre que podem.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

23/11/2008 16:13:25

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Por quê? (133) Jamais te esquecerei


Cláudio Amaral


Tudo o que estou a viver em Santos é inesquecível.

Cada dia é inesquecível.

Desde o dia 29 de setembro de 2008 tem sido assim.

Inesquecível.

Cada pauta que eu faço para a reportagem d’A Tribuna de Santos é inesquecível.

Cada orientação que eu passo durante as reuniões de pautas... é inesquecível.

Cada conversa reservada que tenho com um dos mais de 30 repórteres... é inesquecível.

Cada reunião de edição é... inesquecível.

Cada edição do jornal que recebo às 6 horas da manhã, em minha nova moradia, na Rua Epitácio Pessoa, no bairro Aparecida, ao lado do Canal 6... é inesquecível.

A recepção, seguida de almoço, que tivemos (o Editor-Chefe Wilson Marini, o Gerente Comercial e de Marketing Márcio Delfim Leite Soares e eu), no Centro de Treinamento do Santos FC, no dia 15 de outubro de 2008, jamais será esquecida.

O almoço em que Marini falou com maestria a cerca de 100 rotarianos, no dia 22 de outubro de 2008, no Mendes Plaza, é inesquecível.

Os jantares preparados por Mário Evangelista, Editor-Executivo do Expresso, o jornal popular do Sistema A Tribuna, são para serem lembrados para sempre.

As nossas caminhadas pelas praias, à noite, são e serão sempre inesquecíveis.

Os fins de semana em que Cláudia, Márcio Gouvêa e Be(bê)atriz se juntam a mim e à vovó Sueli... são inesquecíveis.

Nenhum dentre todos os fins de semana que vivemos até hoje, 9 de novembro de 2008, supera este segundo fim de semana de novembro de 2008.

Com certeza, outros fins de semana melhores virão.

Com certeza absoluta.

Mas, nenhum deles dará a mim e à vovó Sueli, à mamãe Cláudia e ao papai Márcio Gouvêa a imensa alegria de ver e ouvir Be(bê)atriz dizer para minha filha algo bem parecido com “mamãe”.

Foi assim durante a viagem entre São Paulo e Santos, dentro de nossa nova residência, nas ruas e nas praias da “Capital da Baixada Santista”.

Sim, Be(bê)atriz foi à praia, estranhou a areia seca, pisou sem receio na areia molhada, se deixou molhar pelas águas do Oceano Atlântico e pulou as ondas do mar conduzida pelas mãos firmes do papai Márcio.

Foi muito bom ver tudo isso de perto e registrar cada uma das imagens na memória do cérebro que tenho dentro da minha cabeça.

Foi muito bom e... inesquecível.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

9/11/2008 17:51:09

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Por quê (132) Só vendo para crer


Cláudio Amaral

A noite de ontem, quarta-feira, 5 de novembro de 2008, vai ficar para sempre na minha memória.

A pedido do Editor-Chefe d’A Tribuna de Santos, Wilson Marini, fui representar a Redação na entrega do Prêmio Comunidade em Ação 2008.

De cara, fiquei impressionado com a imponência do Teatro Coliseu, no centro de Santos.

Disse-me o empresário Paulo Eduardo Cordeiro da Silva, o Paulinho, que conheci no saguão do Coliseu, que o local havia sido recuperado após mais de dez anos de obras.

Valeram os esforços e o dinheiro investido, público e privado.

Guardadas as devidas proporções, o Coliseu me fez lembrar alguns dos melhores e mais famosos teatros da Europa. Até mesmo o Colón, de Buenos Aires, Argentina.

Inaugurado em 1909, o Coliseu funcionou até 1980. Foi tombado em 1989 e em seguida passou a figurar no programa municipal de revitalização do Centro Histórico da “Capital da Baixada Santista”.

Por ali passou, em tempos históricos e entre outros, um dos maiores conferencistas brasileiros: Ruy Barbosa.

E na noite de ontem, quando lá fui pela primeira vez, tive o privilégio de assistir dois acontecimentos inesquecíveis, ao lado de Flávia e Renata Santini (diretoras d’A Tribuna), Márcio Delfim Leite Soares (Gerente Comercial e de Marketing d’A Tribuna), Cláudia Duarte (editora da AT Revista), Carlos Teixeira Filho, o Cacá, (vice-prefeito eleito de Santos) e Fernando Salgado (Gerente Comercial da TV Tribuna), todos na foto acima: a apresentação da Orquestra Sinfônica Heliópolis e a entrega do Prêmio Comunidade em Ação 2008.

Heliópolis, na divisa de São Paulo, Capital, com o ABC Paulista, faz parte da minha infância. Brinquei ali, de calças curtas, quando aquele local, ao invés de uma grande favela, era povoado por campos de futebol.

Foi por isso que me emocionei ao ouvir músicas como O Guarani, de Carlos Gomes, tocada pelos jovens bem encaminhados pelo Instituto Baccarelli. E também quando eles interpretaram o hino do grandioso Sport Club Corinthians Paulista, em plena terra do Santos FC.

A premiação dos ganhadores do Comunidade em Ação 2008 (Projeto Remangue, Núcleo Gleba de Comunicação, ONG Casa Crescer e Brilhar e Associação Beneficente Maria da Paz) também me emocionou e, inclusive, me fez ir às lágrimas, porque as entidades ganhadoras são formadas por gente humilde, simples, dedicadas e aplicadas.

Gente que cuida de gente.

Gente que cuida de gente com amor e fé em Deus.

Gente das quais espero me lembrar para sempre.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia (1º/10/2008) em que entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

06/11/2008 17:40:05

Por quê (132) Só vendo para crer



Cláudio Amaral

A noite de ontem, quarta-feira, 5 de novembro de 2008, vai ficar para sempre na minha memória.

A pedido do Editor-Chefe d’A Tribuna de Santos, Wilson Marini, fui representar a Redação na entrega do Prêmio Comunicação em Ação 2008.

De cara, fiquei impressionado com a imponência do Teatro Coliseu, no centro de Santos.

Disse-me o empresário Paulo Eduardo Cordeiro da Silva, o Paulinho, que conheci no saguão do Coliseu, que o local havia sido recuperado após mais de dez anos de obras.

Valeram os esforços e o dinheiro investido, público e privado.

Guardadas as devidas proporções, o Coliseu me fez lembrar alguns dos melhores e mais famosos teatros da Europa. Até mesmo o Colón, de Buenos Aires, Argentina.

Inaugurado em 1909, o Coliseu funcionou até 1980. Foi tombado em 1989 e em seguida passou a figurar no programa municipal de revitalização do Centro Histórico da “Capital da Baixada Santista”.

Por ali passou, em tempos históricos e entre outros, um dos maiores conferencistas brasileiros: Ruy Barbosa.

E na noite de ontem, quando lá fui pela primeira vez, tive o privilégio de assistir dois acontecimentos inesquecíveis, ao lado de Flávia e Renata Santini (diretoras d’A Tribuna), Márcio Delfim Leite Soares (Gerente Comercial e de Marketing d’A Tribuna), Cláudia Duarte (editora da AT Revista), Carlos Teixeira Filho, o Cacá, (vice-prefeito eleito de Santos) e Fernando Salgado (Gerente Comercial da TV Tribuna): a apresentação da Orquestra Sinfônica Heliópolis e a entrega do Prêmio Comunidade em Ação 2008.

Heliópolis, na divisa de São Paulo, Capital, com o ABC Paulista, faz parte da minha infância. Brinquei ali, de calças curtas, quando aquele local, ao invés de uma grande favela, era povoado por campos de futebol.

Foi por isso que me emocionei ao ouvir músicas como O Guarani, de Carlos Gomes, tocada pelos jovens bem encaminhados pelo Instituto Baccarelli. E também quando eles interpretaram o hino do grandioso Sport Club Corinthians Paulista, em plena terra do Santos FC.

A premiação dos ganhadores do Comunidade em Ação 2008 (Projeto Remangue, Núcleo Gleba de Comunicação, ONG Casa Crescer e Brilhar e Associação Beneficente Maria da Paz) também me emocionou e, inclusive, me fez ir às lágrimas, porque as entidades ganhadoras são formadas por gente humilde, simples, dedicadas e aplicadas.

Gente que cuida de gente.

Gente que cuida de gente com amor e fé em Deus.

Gente das quais espero me lembrar para sempre.


Por quê?


Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?


(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia (1º/10/2008) em que entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.


06/11/2008 17:40:05

domingo, 19 de outubro de 2008

Por quê? (131) Como chove nesta terra à beira mar


Cláudio Amaral


Santos é uma ilha como todas as ilhas?

É!!!

Não, não é!!!

Uma ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados: norte, sul, leste e oeste.

Santos é assim?

É!!!

Não, não é!!!

Além de água por todos os lados, Santos tem um porém.

E o porém de Santos é a quantidade de água que vem de outro lado.

Qual?

O lado superior da vida: o céu, as nuvens.

Como chove nesta terra à beira mar.

Chove há dias em Santos.

Chove fraco.

Chove médio.

Chove forte.

Mas..., parar de chover, que é bom, não pára.

Parar de chover, que é bom, é modo de dizer.

Todos nós precisamos de chuva.

Todos os seres vivos precisam de chuva.

Seres humanos, racionais ou não.

Seres vegetais, também.

Todos nós precisamos de chuva.

Não há, portanto, razão para reclamarmos da chuva que chove em Santos dias e dias seguidos.

Por conta disso, a chuva deste sábado, 18 de outubro de 2008, meu 19º dia seguido em Santos, não me impediu de sair do Gonzaga Flat Service para andar pela cidade.

Nem a mim, nem a Sueli.

Saímos inicialmente de carro.

De Fit Honda, especificamente.

Mas... a maior parte da nossa longa caminhada foi a pé.

Nossa missão era bem clara: encontrar um imóvel para morar em Santos.

Uma casa ou um apartamento.

Andamos por imobiliárias, ruas, avenidas, vielas e vilas,

Caminhamos pelo asfalto e sobre paralelepípedos.

Pelas ruas, literalmente, mas também pelas calçadas, que não são lá muito boas.

Fomos em dupla e em quarteto: Sueli, eu, compadre Carlos Conde e Cristina Saliba, a mulher dele.

Andamos pela Conselheiro Nebias e adjacências, pelo Gonzaga, Boqueirão, Vila Belmiro (“a vila mais famosa do mundo”, como dizem os santistas) e por fim pelo Marapé.

Vimos apartamentos e casas, novos e usados, pouco e muito usados, imóveis bons e não tão bons.

Todos, sem exceção, como preços irreais. Elevadamente irreais.

- É o efeito Petrobrás, disse um corretor.

- É o efeito Pré-Sal, acrescentou um outro profissional do mundo dos imóveis.

- Seja lá o que for, não vale desanimar, advertiu um colega d’A Tribuna de Santos.

- Desanimar, jamais, garanti a ele.

- Deus há de nos prover mais uma vez, profetizou Sueli, minha companheira há quase 40 anos.

- Sim, concordei. E repeti: Deus há de nos prover e de nos socorrer com uma moradia digna, de propriedade de um cidadão digno e honesto, o suficiente para nos cobrar um aluguel igualmente digno e honesto.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia (1º/10/2008) em que entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

19/10/2008 01:01:57

sábado, 18 de outubro de 2008

Por quê? (130) Ainda bem que...


Cláudio Amaral


Ainda bem que eu criei coragem e aproveitei a noite de quinta-feira, 16 de outubro de 2008.

E como aproveitei.

Deixei a Redação d’A Tribuna de Santos por volta das 8 horas da noite, vim direto para o Gonzaga Flat Service, me troquei e fui... para a praia.

Sim, para a praia.

Não, eu não fui dar um mergulho nas águas salgadas do Oceano Atlântico. Não.

Fui andar pelas praias de Santos.

A noite estava ótima para uma boa caminhada.

Eram 10h05 da noite quando deixei o Gonzaga Flat e rumei para a praia mais próxima, aqui no Gonzaga mesmo.

Mas... não fui direto para a praia.

Entrei na avenida da orla a partir da Rua Jorge Tibiriçá.

Tomei o caminho da direita, em direção a São Vicente.

Passei pela Avenida Ana Costa, uma das mais conhecidas de Santos.

Entrei rapidamente no Hotel Atlântico, pedi informações sobre diárias, mas não consegui saber o que desejava.

- Só amanhã, com a Flávia, me disse a atendente.

- Então, tá; amanhã eu ligo para a Flávia, respondi.

Disse “boa noite” e segui meu caminho.

Meia hora depois... atravessei a avenida, dei meia volta e... comecei a retornar ao meu ponto de partida.

Andei sem pressa até a Avenida Conselheiro Nebias, virei à esquerda duas vezes e voltei ao Gonzaga Flat por dentro, olhando prédio por prédio, na esperança de encontrar apartamento para alugar.

Doce ilusão.

Fui sair na Praça da Independência, a mais famosa de Santos, palco de grandes comemorações políticas e esportivas.

Encerrei minha caminhada uma hora e meia depois do início.

Estava feliz.

Tomei banho e cai na cama, porque o meu Bulova marcava meia noite e 20 minutos.

Dormi feliz. Muito feliz. Mais feliz do que o normal nestes meus 18 dias de Santos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia (1º/10/2008) em que entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

18/10/2008 01:31:35

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Por quê? (129) O Sol veio e se foi, como a brisa do mar


Cláudio Amaral

De repente, não mais que de repente, o Sol apareceu no céu de Santos.

Apareceu e reinou.

Reinou soberano.

Foram três dias de calor.

Três dias claros.

Claros e alegres.

Tão alegres, mas tão alegres, que tive receio de saudar o Astro Rei.

Receio de espantá-lo, de perdê-lo de vista, de não mais vê-lo por aqui.

Pois não é que hoje, quarta-feira, 15º dia do mês de outubro de 2008, antes que eu percebesse, voltou a chover em Santos.

Só percebi que a chuva voltara quando olhei pelas janelas da Redação d’A Tribuna, na Rua João Pessoa, em pleno centro da capital da Baixada.

Logo hoje que eu pretendia caminhar pelas praias santistas.

Logo hoje que eu havia combinado uma calma e longa caminhada ao lado dos Amigos Wilson Marini e Mário Evangelista.

Iríamos colocar os pés na areia logo após o fechamento da capa do jornal mais importante e influente do Litoral Paulista.

Iríamos lá pelas 11 horas da noite, quando o Editor-Chefe d’A Tribuna e o Editor-Executivo do Expresso Popular costumam chegar ao Gonzaga Flat Service.

Andaríamos e falaríamos das coisas do dia.

Do dia de hoje e do dia de amanhã.

Certamente, falaríamos do próximo fim de semana, quando Mário e eu estaremos de folga.

Mas, não deu.

A chuva não deixou.

O máximo que consegui foi acompanhar Marini até a Ponta da Praia, onde ele vai morar com a mulher e os filhos.

Vimos a casa, a rua e o bairro que em breve receberá a família Marini.

Fomos pela João Pessoa, Senador Feijó, Afonso Pena.

Sempre debaixo de chuva.

Voltamos pelo cais, em meio a caminhões e contêineres.

Rodamos sobre asfalto e paralelepípedos.

Sempre debaixo de chuva.

Sempre torcendo para que chova tudo o que tem de chover durante esta noite, para que amanhã, quinta-feira, o Sol volte a reinar sobre Santos, a Baixada e as nossas cabeças.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia (1º/10/2008) em que entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

15/10/2008 23:52:51

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Por quê? (128) Cadê o Sol, Santos?


Cláudio Amaral

Pela primeira vez, em uma semana, eu não precisei usar o guarda chuva em Santos.

Nem o velho, que trouxe de São Paulo no meu Honda Fit cor de Ferrari, nem o novo, que comprei numa barraquinha da Rua João Pessoa, nas proximidades do prédio d’A Tribuna.

O velho está na Redação.

O novo, aqui no apartamento 92 do Gonzaga Flat Service.

Ele, o guarda chuva novo, dormiu aberto sobre o Fit, na garagem do Flat, porque estava encharcado, na noite de ontem, 8 de outubro de 2008.

Cheguei a abri-lo na manhã desta quinta-feira, dia 9, ao sair do Fit, no estacionamento da Gráfica A Tribuna.

Logo, entretanto, um motorista e um fotógrafo do jornal me convidaram para entrar no carro da empresa e nele fazer o trajeto até o prédio da Redação.

Um trajeto pequeno, de “exatos 772 passos”, segundo Arminda Augusto, minha mais nova Amiga.

Logo depois do início de minha jornada diária de trabalho na Redação d’A Tribuna, parou de chover e não choveu mais em Santos.

No meio da manhã, fui até o Banco Itaú e voltei a pé.

No começo da tarde, fomos, Mário Evangelista e eu, almoçar no Orgânico e tomar café no Museu da Bolsa do Café.

Ele aproveitou para passar na Caixa e no Banco Itaú.

Tudo a pé.

Tudo sem guarda chuva.

À noite, depois do expediente, caminhei do Flat até a Praça da Independência.

Ida e volta a pé.

Sem guarda chuva.

A previsão do tempo indica que vai fazer Sol no fim de semana, no Litoral Paulista.

Tanto que meu genro, Márcio Gouvêa, minha filha Cláudia e Sueli, minha mulher, estão prometendo vir a Santos no início da noite desta sexta-feira para passar o fim de semana comigo.

Eles virão e trarão Be(bê)atriz, a menininha mais linda e mais fofa do mundo.

Não vejo a hora da chegada deles.

Imagine você, caro e-leitor, a expectativa que me domina nestas horas que antecedem a chegada deles a Santos.

Estamos sem nos ver há dez dias.

De resto, entretanto, é só felicidade.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia (1º/10/2008) em que entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

9/10/2008 22:56:56

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Por quê? (127) Aqui estou eu, Santos


Cláudio Amaral

Com a devida licença dos meus amigos santistas, especialmente o compadre Carlos Conde, desci a Serra do Mar no dia 29 de setembro de 2008.

Vim de São Paulo a convite do meu Amigo Wilson Marini, jornalista como eu e novo Editor-chefe do jornal A Tribuna de Santos.

Viemos em três jornalistas: Marini, que estava no Diário de Maringá (PR), Mário Evangelista, direto de A Notícia de Ribeirão Preto, e eu.

Marini nos escolheu como editores executivos.

Eu, na Redação d’A Tribuna, em dupla com a também editora executiva Arminda Augusto.

Mário Evangelista, no Expresso Popular, o tablóide do Sistema A Tribuna de Comunicação, que administra também a TV Tribuna, integrante da Rede Globo de Televisão.

Estamos todos instalados no Gonzaga Flat Service, no bairro do Gonzaga.

Mário Evangelista e eu, sem a família, por enquanto.

Wilson Marini trouxe a esposa, Salete, jornalista como nós.

Fomos muito bem recebidos por todos n’A Tribuna e no Expresso Popular.

Dos seguranças, na portaria, ao presidente e diretores, passando pelas recepcionistas, ascensoristas, secretárias, estagiários, repórteres, fotógrafos, pauteiros e editores.

Fomos muito bem recebidos em todos os setores da empresa: Redação, Administração, Comercial, Marketing, Circulação, Gráfica.

No primeiro sábado, 4 de outubro de 2008, fui rever a Vila Belmiro e o time do Santos FC, que venceu o Atlético Paranaense por 4 a 0.

À praia?

Sim, fui à praia logo na primeira semana.

Caminhei, molhei os pés nas águas do Oceano Atlântico e... só.

Por quê?

Porque chove há uma semana.

Chove e faz frio.

Portanto, minha vida, por enquanto, tem sido do hotel para o jornal e do jornal para o hotel.

De resto, só felicidade.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia (1º/10/2008) em que entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

8/10/2008 23:02:21

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Por quê? (126) Adeus, Lourenço Diaféria


Cláudio Amaral

Perdi mais um Amigo.

Lourenço Diaféria (foto), o cronista de São Paulo, nos deixou na noite de terça-feira, dia 16 de setembro de 2008.

Fizemos parte da turma que heroicamente elegeu Emir Nogueira presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo.

Ficamos anos sem nos ver, nem nos falar, depois da morte de Emir Nogueira em pleno exercício do mandato.

Fui reapresentado a ele em meados dos anos 1980 pelo também Amigo e jornalista Daniel Pereira.

Daniel, o “Sogrão”, foi buscar Diaféria na Secretaria Estadual da Fazenda, onde ele era funcionário de carreira.

Fizemos uma proposta e ele aceitou na hora.

Aceitou e cumpriu plena e integralmente, do primeiro ao último dia.

Diaféria escrevia três crônicas por semana e nós, Daniel Pereira e eu, comercializávamos os textos de autoria dele junto a jornais e revistas de todo o Brasil, via COMUNIC Comunicadores Associados.

As crônicas de Diaféria eram tão interessantes que os mensageiros da COMUNIC disputavam, quase a tapas, o privilégio de ir até a casa dele, o cronista, na Lapa.

Na volta, o mensageiro vinha lendo e se deliciando com as histórias contadas por Diaféria.

Eram crônicas do cotidiano, a respeito de gente simples.

Aliás, simplicidade era uma das principais características de Lourenço Diaféria.

Esse era o segredo do sucesso que ele fez por todos os veículos pelos quais passou: Folha da Manhã, Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, Diário Popular, Diário do Grande ABC, rádios Excelsior, Gazeta, Record e Bandeirantes, e, por fim, TV Globo.

Diaféria escrevia com facilidade. Era rápido e engraçado.

Jamais fez uma crônica ofensiva a quem-quer-que seja.

Nem mesmo quando escreveu uma crônica de exaltação ao heroísmo do bombeiro que pulou a grade que cercava uma fera para salvar uma vida humana.

Quem entendeu que Herói. Morto. Nós., publicada na edição de 1º de setembro de 1977 da Folha de S. Paulo, era ofensiva às Forças Armadas não tinha inteligência suficiente para entender as crônicas de Lourenço Diaféria.

Crônicas que exaltavam e respeitavam os seres humanos, os brasileiros, gente simples, gente do povo.

Crônicas como esta, que fazemos questão de republicar:

Herói. Morto. Nós.

Lourenço Diaféria

Não me venham com besteiras de dizer que herói não existe. Passei metade do dia imaginando uma palavra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Sílvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado pelos bichos. O garoto está salvo. O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra. Que nome devo dar a esse homem? Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói. Se não morreu na guerra, se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor. Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações. Para mim, o herói -como o santo- é aquele que vive sua vida até as últimas consequências. O herói redime a humanidade à deriva. Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatro filhos e sua mulher. Acabaria capitão, major. Está morto. Um belíssimo sargento morto. E todavia. Todavia eu digo, com todas as letras: prefiro esse sargento herói ao duque de Caxias. O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel -onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer- oxidou-se no coração do povo. O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar. O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo. Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos. No instante em que o sargento -apesar do grito de perigo e de alerta de sua mulher- salta no fosso das simpáticas e ferozes ariranhas, para salvar da morte o garoto que não era seu, ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos. Esse sargento não é do grupo do cambalacho. Esse sargento não pensou se, para ser honesto para consigo mesmo, um cidadão deve ser civil ou militar. Duvido, e faço pouco, que esse pobre sargento morto fez revoluções de bar, na base do uísque e da farolagem, e duvido que em algum instante ele imaginou que apareceria na primeira página dos jornais. É apenas um homem que -como disse quando pressentiu as suas últimas quarenta e oito horas, quando pressentiu o roteiro de sua última viagem- não podia permanecer insensível diante de uma criança sem defesa. O povo prefere esses heróis: de carne e sangue. Mas, como sempre, o herói é reconhecido depois, muito depois. Tarde demais. É isso, sargento: nestes tempos cruéis e embotados, a gente não teve o instante de te reconhecer entre o povo. A gente não distinguiu teu rosto na multidão. Éramos irmãos, e só descobrimos isso agora, quando o sangue verte, e quanto te enterramos. O herói e o santo é o que derrama seu sangue. Esse é o preço que deles cobramos. Podíamos ter estendido nossas mãos e te arrancando do fosso das ariranhas -como você tirou o menino de catorze anos- mas queríamos que alguém fizesse o gesto de solidariedade em nosso lugar. Sempre é assim: o herói e o santo é o que estende as mãos. E este é o nosso grande remorso: o de fazer as coisas urgentes e inadiáveis -tarde demais.

Nunca é tarde demais para reconhecer os valores do ser humano, do cronista e do cidadão Lourenço Diaféria, um verdadeiro herói. Herói vivo. Vivo para sempre. Pois quem tem a sensibilidade demonstrada por Diaféria jamais morre.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

17/9/2008 23:24:25

domingo, 14 de setembro de 2008

Por quê? (125) Nostalgia e Joel Silveira


Cláudio Amaral

Passa do meio-dia.

O dia está tão carrancudo quanto amanheceu.

Sol? Nem pensar.

Calor? De jeito algum.

Ao contrário, faz frio.

Frio de agasalhos leves, mas frio.

Já choveu, mas foi tão pouco que não há mais sinais de chuva no asfalto.

Sinto uma profunda nostalgia.

Algo estranho toma conta do meu peito nesta metade de domingo, 14 de setembro de 2008.

Há anos, muitos anos, hoje, se dia útil fosse, seria data de pagamento da prestação de meu apartamento na Rua Machado de Assis, 165, quase esquina da Rua Gregório Serrão, na Vila Mariana, divisa com a Aclimação.

Mas, isso foi há muito tempo.

O apartamento foi totalmente pago com uso do meu FGTS e anos depois, uma vez vendido, usei o dinheiro para pagar um terço de um sobrado que ainda é meu – ou melhor, da minha família – na mesma Rua Machado de Assis.

Estou só, ou melhor, estamos eu e Deus, como quase todos os sábados e domingos dos últimos dez meses, num apartamento grande e vazio da Rua Dr. Diogo de Faria com a Rua Marselhesa.

O frio e a cor cinza que tomam conta deste dia, pós Corinthians 1 X Grêmio Barueri 0, me dizem que ficarei só, ou melhor, eu e Deus, o dia todo.

Nem vontade de ligar a mini-tv que trouxe comigo, de casa, eu tive.

O radinho de pinhas? Também não saiu da pasta de couro que me acompanha há cinco anos.

O único objeto que empunhei e manuseei hoje, depois que aqui cheguei, foi um livro.

Estou a ler Joel Silveira.

Estou, não; estava a ler até que senti vontade e comecei a escrever.

Lia A feijoada que derrubou o governo, apresentado na última capa como o livro que traz perfiz, reportagens e artigos sobre a política do Brasil e do mundo, pelo repórter a quem Assis Chateaubriand apelidou de “víbora” e classificou como “um dos homens mais perigosos deste país”.

Até o dia 15/8/2007, Joel Silveira foi o maior repórter vivo que o Brasil teve.

Agora, só nos resta admirar, ler e reler, ver e rever as reportagens de José Hamilton Ribeiro, que, felizmente, ainda está vivo, bem vivo, e reportando para nós que temos privilégio de vê-lo quase todos os dias pela Rede Globo de Televisão. Ele é repórter especial do Globo Rural.

Sim, ainda temos grandes e bons repórteres em atividade. Clóvis Rossi e Ricardo Kotsch são dois deles. Dois que me ensinaram muito no início de minha carreira como repórter, em princípios dos anos 1970, quando cheguei a São Paulo pelo Estadão.

Mas, ainda assim, Joel Silveira nos faz falta. Muita falta.

Ainda bem que hoje eu estou com tempo de sobra para ler e reler Joel Silveira (Lagarto, Sergipe, 23/9/1918 + Rio de Janeiro, 15/8/2007). Para ler e reler Joel Silveira e também para curtir a nostalgia que me domina neste domingo frio e cinzento.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

14/9/2008 17:23:47

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Por quê? (124) Entre livros












Cláudio Amaral

Se eu pudesse, pararia de trabalhar agora, não assumiria mais um único compromisso profissional e viveria só para a família e os livros.

Talvez, mais para os livros do que para a família. Afinal, todos os seres humanos que vivem à minha volta têm vida própria.

Sim, eles precisam de mim e eu deles. Mas, verdade seja dita, eles carecem cada vez menos de mim. Felizmente.

Tenho cada vez mais certeza de que eu seria mais feliz se pudesse me dedicar quase que em tempo integral aos livros.

Livros feitos de papel, é importante que se diga.

Senti isso intensamente durante as poucas horas que passei dentro da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, localizado na confluência da Avenida Paulista com a Alameda Santos e as ruas Augusta e Padre João Manuel.

Isso aconteceu na manhã de quarta-feira, 3 de setembro de 2008.

Sueli precisava fazer contatos no Consulado da Itália e eu fui com ela, porque estava de folga no trabalho.

Fui mas nem cheguei a entrar no prédio da representação diplomática italiana. Preferi ir aos livros na Cultura.

Só não passei o dia todo na mega livraria de Pedro Herz porque uma ligação telefônica da Sra. Olga me fez tomar o Metrô de volta para a Vila Mariana às 11h05.

Mas, valeu.

A paz dominou o meu ser enquanto eu estive entre milhares e milhares de livros em português, espanhol, inglês, alemão, francês e não sei quantos outros idiomas.

Senti vontade de comprar pelo menos cinco deles.

De cara, revi A Trajetória do ‘seu’ Frias (Rio de Janeiro, 5 de agosto de 1912 + São Paulo, 29 de abril de 2007), meu ex-patrão, escrita pelo jornalista Engel Paschoal; passei por obras inesquecíveis de Gabriel Garcia Marques, como Cien anõs de soledad, que li na época em que estudava espanhol no Colégio Miguel de Cervantes, no bairro do Morumbi, aqui em São Paulo; lembrei com tristeza de Sérgio Vieira de Mello (Rio de Janeiro, 15 de março de 1948 + Bagdá, 19 de Agosto de 2003), que, segundo a escritora norte-americana Samantha Power, foi um dos mais corajosos e carismáticos diplomatas dos nossos tempos; passeei com prazer por obras de Clarice Lipector (Chechelnyk, Ucrânia, 10 de dezembro de 1920 + Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977).

Ao colocar os olhos sobre a biografia que Samantha Power escreveu a respeito de Sérgio Vieira de Mello, pensei em comprá-la porque desejo conhecer a fundo, tanto quanto possível, a vida e obra de um dos brasileiros mais conhecidos e elogiados nos meios políticos e diplomáticos em todo o mundo. E também porque um dos meus filhos é leitor incansável de biografias.

Mas, confesso, quem mais chamou a atenção foi Clarice Lispector (foto).

Folheei duas obras dela: Minhas queridas e Entrevistas.

A primeira eu conheço há meses e sempre me deixou curioso por se tratar de uma coleção de 120 cartas inéditas escritas por Clarice para as irmãs, Tania Kaufmann e Elisa Lispector, entre 1940 e 1957.

A respeito da segunda eu não tenho lembranças. Entrevistas me tocou de perto por se tratar de diálogos que a escritora e jornalista publicou entre maio de 1968 e outubro de 1969 na revista Manchete e em fins de 1976 em Fatos e Fotos - Gente. Entre os interlocutores dela figuram Chico Buarque de Holanda, Vinicius de Moraes, Nelson Rodrigues, Oscar Niemeyer e Ferreira Gullar.

Quero ler uma a uma. Tanto as cartas publicadas em Minhas queridas, quanto as Entrevistas.

Para isso, entretanto, vou ter que voltar à Livraria Cultura, porque, infelizmente, sai de lá às pressas, na manhã de quarta-feira, sem ter comprado um único livro.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

4/9/2008 13:09:05

sábado, 30 de agosto de 2008

Por quê? (123) Obrigado, Senhor


Cláudio Amaral

É sábado, dia 30 de agosto de 2008.

Fez frio o dia todo em São Paulo, Capital.

Agora, às 18h30, a temperatura está ainda mais baixa.

Na região em que eu circulei pela manhã e à tarde não foi possível ver um único raio solar.

O apartamento que eu escolhi para passar o dia precisou ser iluminado com luz artificial das 10 horas da manhã às 6 horas da tarde, quando vim para minha casa.

Nem a vitória do Corinthians sobre o ABC de Natal por 4 a 0 foi capaz de esquentar o tempo e me animar.

Vendo a casa vazia e tomado pela solidão, peguei um guarda chuva e fui pra rua.

Subi a Gregório Serrão em direção à José de Queirós Aranha, virei à direita e segui rumo a Aclimação.

Estava decidido a conversar com Deus na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, onde, segundo os Amigos Antônio Carlos e Valéria, recentemente houve um casamento inesquecível.

Logo após o Kahn el Khalili, uma das casas de chá mais famosas de São Paulo, mas ainda na Queirós Aranha, avistei uma pessoa andando com dificuldade.

Logo a reconheci, embora nunca tenha falado com ela.

Era uma jovem que caminhava apoiada em duas muletas.

Uma moça bonita, bem vestida, embora em trajes simples.

Andou e parou mais de uma vez em menos de 100 metros.

Estava cansada, com certeza.

O esforço que era obrigada a fazer com os braços para conduzir as muletas e para colocar uma perna na frente da outra, arrastando as duas, era maior do que as suas forças.

Pensei em falar com ela, mas me faltou coragem e desisti.

Apertei o passo, adiantei-me e procurei chegar logo à paróquia onde há cerca de 33 anos mandamos, Sueli e eu, celebrar a missa de sétimo dia do nosso filho Cássio Fernando.

Fiquei frustrado ao ver a igreja fechada e totalmente no escuro.

Nem assim, entretanto, eu desisti de falar com Deus.

E falei:

- Obrigado, Senhor, por ter me dado saúde, pernas e braços fortes; obrigado, Senhor, por ter me permitido nascer numa família saudável; obrigado, Senhor, por ter me possibilitado gerar filhos fisicamente perfeitos; obrigado, Senhor, pela netinha perfeita que ajudastes a colocar no mundo; obrigado, Senhor, por amparar a todos que, infelizmente, não nasceram como eu, minha mulher, meus filhos, nossa Be(bê)atriz; obrigado, Senhor; obrigado, Senhor.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

30/8/2008 22:41:48

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Por quê? (122) Minha parte em dinheiro, por favor


Cláudio Amaral

Um grupo de amigos meus estava revoltado, no meio da semana.

A propósito do dia da categoria à qual eles pertencem, as maiores empresas do setor publicaram páginas e mais páginas nos principais jornais do Brasil para saudar os milhares de profissionais do ramo.

Bem fizeram os patrões e seus prepostos que se limitaram a cumprimentarem os seus subordinados, um a um, por telefone ou pessoalmente.

Melhor ainda agiram aqueles que deram um presente, por mais singelo que tenha sido.

Estes, pelo menos, pareceram mais sinceros, mais honestos.

Por quê?

Porque os grandes empresários do setor em que atuam esses meus amigos se esqueceram ou fizeram que não sabem da situação em que vive a grande maioria dos seus “operadores”, digamos assim.

Sem salário fixo, sem ajuda de custo, sem seguro de vida, sem assistência médica, sem tíquete refeição, sem combustível, sem nada, enfim, 95% da categoria vive na penúria.

Uns tomam dinheiro emprestado das esposas, das namoradas, dos filhos, dos pais, de outros parentes, de vizinhos, de amigos e, não raro, dos poucos colegas de trabalho que estão em melhor situação.

Sim, porque uma pequena minoria, algo em torno de 5%, vende bem e fatura o suficiente para ter uma vida digna.

Os outros 95% vivem de ilusão, de esperança, de fé em Deus, da bondade de outras pessoas.

Por conseqüência, é elevadíssima a rotatividade registrada nas empresas do setor. E no próprio setor, porque, sempre que podem, os desiludidos pulam fora.

O duro é que nem sempre eles podem.

O difícil da questão é que raramente eles têm alternativas.

Tanto que deixaram de ser engenheiros, advogados, professores, arquitetos, administradores de empresas, médicos, dentistas, relações públicas, psicólogos, psicanalistas, jornalistas... para serem..., bem, para atuar nessa área em que estão alguns de meus amigos.

Eles contam que muitos saem de casa bem cedo sem nem mesmo um simples cafezinho.

Nos respectivos locais de trabalho passam o dia à base de café preto e água.

Aqueles que fumam, vivem à base do “se me dão”. Pobres coitados: além do vício tão prejudicial à saúde, não têm como sustentá-lo.

Diante de tudo isso, meus amigos perguntam: não seria melhor e mais produtivo esquecer o oba-oba do dia da categoria e usar o dinheiro das páginas e mais páginas de jornal para a criação de um fundo de apoio dos profissionais da área? Não seria mais inteligente dar-lhes vale transporte, tíquete alimentação, etc.?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

28/8/2008 18:52:30

Por quê? (121) A vida


Cláudio Amaral

A vida é uma sucessão de fatos inexplicáveis.

Quando você acorda feliz, a felicidade te acompanha o dia todo.

Mas, no dia em que você não dorme bem e acorda de mau humor, o dia é sempre dos piores. Nada dá certo.

Quando você está com pressa ou com pouco tempo para fazer algo ou chegar a algum lugar, não se iluda: o tempo nunca será suficiente. Você sempre terminará sua tarefa depois do horário marcado ou chegará atrasado ao local para o qual se dirige.

Mas, se você estiver com tempo de sobra, o tráfego fluirá e você chegará ao seu destino com folga.

Se você está sem dinheiro, endividado, com as contas atrasadas, é líquido e certo: dificilmente alguém aparecerá para te ajudar, emprestar algum ou pagar aquela dívida que tem com você. O gerente do banco? Jamais conte com ele.

Agora, se o seu saldo bancário é bom, suas contas todas estiverem em dia, ninguém te dever dinheiro..., tenha certeza: os bancos – e os agiotas, também – correrão atrás de você para oferecer empréstimos e mais empréstimos.

Se você estiver bem empregado, sempre haverá alguém que lhe convidará para mudar de emprego, ganhar mais, ter mais benefícios e vantagens.

Entretanto, se você é mais um dos milhões e milhões de desempregados, trate de ir à luta, de sol a sol, porque ninguém, mas ninguém mesmo, ligará para lhe oferecer um trabalho, por mais humilde que seja.

Se a sua saúde estiver em ordem, nem mesmo uma dor de cabeça você terá.

Basta, no entanto, surgir uma mal estar e pronto: você começará a sentir dores de cabeça, de estômago, de intestino, no peito, nos braços, nas pernas...

Se o seu primeiro livro fizer sucesso, prepare-se: os convites choverão e você terá que estar bem disposto para entrevistas no rádio, na televisão, nos jornais, nas revistas..., para palestras em faculdades, no Rotary, no Lions, nas lojas maçônicas, nas paróquias da sua cidade... E, a partir daí, você pode escrever o que quiser, sem a menor preocupação com as idéias e a qualidade. Tudo fará sucesso.

Agora, se o seu primeiro texto não emocionar, não chamar a atenção, não mobilizar, não for comentado..., esqueça: ele pode ser o melhor de todos os seus textos que nada acontecerá.

Se você estiver bem alimentado, mais e mais convites surgirão para você almoçar e jantar nas casas de amigos e em bons restaurantes.

No entanto, se você estiver com fome e sem dinheiro para comer, ninguém será capaz de oferecer um único sanduíche de mortadela, que seja. Ninguém.

Se o seu seguro (seja ele qual for: de vida, do veículo, do imóvel...) estiver em dia, nada de ruim lhe acontecerá.

Mas, se você atrasar o pagamento um dia que seja, você corre um grande risco de bater o carro, de ter sua casa incendiada e, claro, de morrer e deixar sua família desamparada.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

28/8/2008 14:36:36

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Por quê? (120) Dias difíceis


Cláudio Amaral


Tem dia que é difícil.

Mais difícil do que o mais difícil dos dias.

Pior: às vezes, os dias, sucessivamente, são difíceis.

Comigo, pelo menos, é assim.

E com você, caro e-leitor?

Você já teve uma seqüência de dias difíceis?

O sábado, o domingo e a segunda-feira, por exemplo?

Cada um mais difícil do que o outro?

E o que você fez ou faz, geralmente, diante das dificuldades?

Você é como eu, que vai a busca das razões, dos motivos, das origens de uma seqüência de dias difíceis?

Ou não?

Tem gente, caro e-leitor, que, diante das dificuldades, faz como a avestruz: enfia a cabeça num buraco.

Outros, entram em depressão e se escondem no silêncio da solidão, no escuro do quarto, no calor da cama.

Quem não tem alternativa, mete a cara no trabalho, porque as contas não param de chegar e, diante delas, é preciso trabalhar e pagar.

Por falar em meter a..., você já teve vontade de meter foi a mão na cara de alguém que estava lhe criando dificuldades sem motivo aparente? Não, certamente, porque ser humano civilizado não faz isso. Ou faz?

Certamente, você encontrou uma alternativa mais digna, como, por exemplo, o consolo das palavras do Senhor e o apoio das pessoas mais próximas, mais amigas, amadas.

Mesmo assim, prezado e-leitor, você teve um aceso de raiva e explodiu?

Comigo já aconteceu. Felizmente, foi uma explosão verbal. Violenta, mas verbal. Furiosa, sim, mas verbal.

Você sabia, caro e-leitor, que essa é uma situação típica de quem está infeliz, não agüenta mais fazer – ou tentar fazer – aquilo que não está no sangue, na alma, no coração?

Mas, não se preocupe desnecessariamente, porque o tempo passa e a calma..., a calma volta, lenta e calmamente.

Aparentemente, talvez, mas a calma volta.

Quando? Boa pergunta.

Só Deus sabe, só Ele é Senhor da questão, da razão e da vida.

Ainda bem que temos Ele.

Ainda bem que podemos nos amparar Nele e nos ensinamentos do filho Dele.

Ainda bem que a família e os amigos estão do nosso lado.

Mesmo que eles não possam fazer muito.

O pouco, no caso, representa muito.

De resto, meu caro, fica a fé inabalável na vida, nas nossas forças, na saúde, no amor que temos e que têm por nós.

Como disse o poeta Chico Buarque de Holanda, “apesar de você, amanhã há de ser um novo dia”.

E se não for... “o que será que será...?”

Será como for, com raiva ou amor, com fé ou rancor, com lágrima ou suor, com paz ou com dor, com espinho ou com flor, mas será. Sempre será.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

26/8/2008 12:09:18

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Por quê? (119) Maurren de Ouro


Cláudio Amaral

Maurren, querida: nem todos os brasileiros viram você saltar 7 metros e 4 centímetros nesta manhã (aqui no Brasil) de 22 de agosto de 2008.

A maioria, a grande maioria de nós, estava no trabalho, a caminho do trabalho, voltando do trabalho, caminhando nos nossos parques, tomando o café da manhã, na escola, praticando algum tipo de esporte, conversando com os amigos... fazendo seja lá o que for.

Mas, tenha certeza, querida Maurren, que milhões e milhões de brasileiros estavam, em todos os cantos do País, de olhos fixos na televisão e na pista em que você saltou para a glória: 7 metros e 4 centímetros, um centímetro a mais do que a russa Tatyana Lebedeva (medalha de prata) e 13 centímetros a mais do que a nigeriana Blessing Okagbare (medalha de bronze).

Foi lindo, Maurren.

Foi emocionante, Maurren.

Tão emocionante, Maurren, mas tão emocionante, que o Brasil foi às lágrimas.

Choramos de soluçar, Maurren.

Choramos por você, Maurren.

Choramos pelo Brasil, Maurren.

Choramos pela sua família, em São Carlos, Maurren.

Choramos pela pequena Sophia, sua filha com o piloto Antonio Pizzonia, Maurren.

Choramos por todos aqueles que acreditaram em você, Maurren.

Choramos porque sempre acreditamos que você não havia se dopado, Maurren.

Choramos por acreditar que você não mereceu a suspensão de 2003, Maurren.

Choramos pela sua decisão de voltar a competir, em 2006, Maurren.

Choramos pela sua determinação, Maurren.

Choramos pela garra que você teve ao longo de toda a sua vida, Maurren.

Choramos pela competência que você demonstrou em todas as competições que disputou, Maurren.

Choramos pela alegria de saber que você nasceu em São Carlos, Maurren, no Estado de São Paulo, no Interior paulista, de onde saiu o nosso outro Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, o também caipira César Cielo, nascido em Santa Bárbara D’Oeste.

O Brasil chorou o dia todo por você, Maurren.

Choramos tanto, Maurren, mas tanto, que até nos esquecemos o fiasco dos meninos do futebol, que ao invés do Ouro nos trouxeram medalha de bronze.

Choramos tanto, Maurren, que até nos esquecemos da luta, garra, determinação... das nossas Meninas de Ouro, que no dia anterior caíram em pé diante dos Estados Unidos e nos trouxeram Medalha de Prata.

Choramos, choramos, choramos... por você, Maurren.

Choramos um choro gostoso e fruto de uma emoção profunda, Maurren.

Foi muito bom ver você, Maureen Higa Maggi, ganhar, comemorar e depois receber a Medalha de Ouro.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

22/8/2008 11:15:38

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Por quê? (118) Carta aberta ao povo de Adamantina


Cláudio Amaral


Fui chamado de doido, louco... e outras impropriedades quando anunciei que iria a Adamantina ao volante do meu Honda Fit.

- São 600 quilômetros, me disseram.

- Você vai dirigir por oito horas, acrescentaram.

- Vá de ônibus, dormindo, como você fez tantas vezes, recomendaram.

Mas eu fui e voltei de carro, dirigindo, como eu queria.

Não me arrependo.

Sai quando eu quis, passei pelos lugares que desejava rever, parei onde melhor me convinha e cheguei com luz do dia.

Na volta, fiz o mesmo, sem ter que dar satisfação, sem enfrentar fila, sem a obrigação de cumprir horários.

A estrada realmente está melhor. Bem melhor.

Perfeita? Não. Tive que fazer duas paradas obrigatórias, nas proximidades de Garça e de Lucélia. Na ida e na volta. Ambas por conta de obras na SP-294.

Tudo indica, entretanto, que na próxima viagem isso não acontecerá mais.

Em Adamantina, só alegria. Ou melhor: quase tudo foi alegria.

Digo quase tudo porque algumas pessoas que eu gostaria de rever, não revi. Ou porque elas já não estão mais entre nós, como o ex-goleiro Zé Pintor, ou porque não as encontrei, como o ex-prefeito Gildomar Pax Pedroso, amigo de meu pai.

Em compensação, revi gente como o Professor Fernando Chagas Fraga, os jornalistas e radialistas Jonas Bonassa (o Sabiá) e José Mário Toffoli, o amigo Claudemir Strabelli.

Conheci, finalmente, a Carolina Silva e o Sérgio Vanderlei, editores, respectivamente, do Jornal da Cidade e do Jornal Impacto. Até então só nos conhecíamos via Internet.

Fiz novos amigos, também. E nem poderia ser de outra forma. A começar pelo pessoal da FAI, as Faculdades Adamantinenses Integradas: o diretor-geral Roldão Simione e as professoras Ana Luísa Antunes Dias (coordenadora do Departamento de Comunicação Social), Lilian Pacchioni Pereira de Sousa e Márcia Molina Fonseca (coordenadora de Comunicação Institucional).

Senti de perto que a cordialidade, a gentileza, a hospitalidade continuam sendo os pontos fortes do povo adamantinense.

Por quê?

Porque fui bem recebido e atendido com presteza e atenção tanto no Villa Verde Hotel (ex-Grande Hotel), no Instituto Educacional, no Foto do Mauro, no Palácio do Sorvete, nas rádios Brasil, Jóia e Cultura, no Restaurante Ipê, no Jornal da Cidade e no Impacto, no Sucão (ao lado da Igreja Matriz de Santo Antônio), na banca do Carlito, na Câmara de Vereadores e na Biblioteca Municipal.

Foi muito bom voltar a Adamantina.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?


21/8/2008 15:37:21

Por quê? (117) Meninas de Ouro


Cláudio Amaral

Elas jogam muito.

Elas jogam bem, muito bem.

Elas são corajosas.

Elas são guerreiras.

Elas têm fibra, fibra da boa.

Elas são determinadas.

Elas têm técnica.

Elas têm habilidade.

Elas têm fé, muita fé.

Elas acreditam nelas.

Elas sabem enfrentar e vencer as adversidades.

Elas provaram que futebol não é “coisa de homem”, apenas.

Elas são patriotas.

Elas sentem um amor incomum pelo Brasil.

Elas são solidárias entre si.

Elas são disciplinadas.

Elas praticam a humildade.

Elas reconhecem que o dinheiro não é o mais importante.

Elas sabem vencer.

E quando não vencem, elas sabem erguer a cabeça e olhar para frente, confiantes no futuro.

Elas nos fazem sentir orgulho de sermos brasileiros.

Elas são de ouro, ainda que levem no peito medalhas de prata.

Elas são as nossas meninas de ouro.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

21/8/2008 13:53:28

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Por quê? (116) Uma noite inesquecível


Cláudio Amaral

Se mais exemplares tivesse trazido, mais eu teria autografado na inesquecível noite desta terça-feira, 19 de agosto de 2008.

A noite de autógrafo aconteceu no auditório da Biblioteca Municipal de Adamantina, no centro da cidade.

Antes dos autógrafos, tive oportunidade de conversar com quase todos os 130 alunos do curso de Comunicação da FAI (Faculdades Adamantinenses Integradas).

O evento fez parte do 9º Ci.com, o Ciclo de Palestras de Comunicação Social organizado pela professora Ana Luísa Antunes Dias (na foto, ao meu lado), mestre e coordenadora do Departamento de Comunicação Social da FAI.

Minha participação foi antecedida pela palestra do publicitário Denis Fornari, gerente de Marketing da Colormaq, indústria de máquinas de lavar roupas sediada em Araçatuba. Ele falou a respeito da atuação do “Publicitário no Interior” e tenho certeza de que a trajetória deste profissional nascido em Andradina, formado em Ribeirão Preto e hoje residente em Birigui será referência para muitos alunos da FAI.

Tivemos, Denis e eu, a honra de sermos apresentados à platéia pelo diretor-geral da FAI, professor doutor Roldão Simione, um mariliense radicado em Adamantina há quase 60 anos.

Ambos, Denis e eu, procuramos mostrar aos alunos de Comunicação Social da FAI http://www.fai.com.br/ que é possível sair de uma cidade pequena, como Adamantina, Lucélia, Osvaldo Cruz, Flórida Paulista, Mariápolis, entre outras, para vencer, pessoal e profissionalmente, em centros urbanos maiores.

Mas é possível, igualmente, se formar em faculdades como as FAI, em Adamantina, e prestar bons serviços à sociedade por aqui mesmo. Basta levar os estudos a sério.

A propósito, fiquei feliz com a seriedade com a qual a maioria dos alunos da Comunicação Social da FAI encararam o 9º Ci.com, que segue até sexta-feira.

Fiquei feliz, também, e honrado, com as presenças à minha apresentação de adamantinenses como o radialista e jornalista José Mário Toffoli. Ele é o profissional mais antigo em atividade no rádio e no jornalismo da cidade. É co-proprietário das rádios Brasil e Jóia, ao lado do meu amigo Jonas Bonassa, o Sabiá. E tem um detalhe interessante: Zé Mário não envelhece e não engorda.

Feliz, também, me deixou a presença do amigo Claudemir Strabelli, que estava acompanhado do filho Bruno.

Por fim, um agradecimento especial a todos os professores da FAI que me prestigiaram. E o faço nas pessoas das professoras Lilian Pacchioni Pereira de Sousa e Marcia Regina Molina Martins da Fonseca.

Hoje, 20 de agosto de 2008, antes de arrumar as malas e colocar os pés na estrada, rumo a São Paulo, quero deixar claro, aqui, que foi muito bom lançar em Adamantina, na noite de 19 de agosto de 2008, a segunda edição, revista e ampliada, do livro digital “Meus escritos de memória”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

20/8/2008 07:49:32

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Por quê? (115) Revendo outros adamantinenses



Cláudio Amaral

O Professor Fernando Chagas Fraga não foi a única pessoa que revi e com quem conversei nesta viagem a Adamantina.

Além dele e do amigo e radialista Jonas Bonassa, o Sabiá, um na segunda-feira à noite e outro na manhã de terça-feira, eu reencontrei, por exemplo, o Claudemir Strabelli (na foto com o filho).

Quem?

O Strabelli, adamantinense que fui conhecer em São Paulo, pelas mãos do Amigo Daniel Pereira, ambos ex-funcionários da Agência Estado.

Claudemir Stravelli se casou em Adamantina com a catarinense Maria Utzig, nascida em Lages.

Sueli e eu estivemos no casamento deles, no dia 11 de julho de 1987. Viemos por eles e também porque eu queria rever Adamantina e mostrar minha cidade para a minha mulher.

Foi a primeira vez que realizei meu sonho de adolescente: me hospedar no Grande Hotel, que já tinha sido rebatizado de Villa Verde.

Não pudemos ficar no melhor apartamento, como eu sonhara. Até porque a suíte principal estava reservada para os noivos, Claudemir e Maria.

Pois bem: na manhã desta terça-feira, 19 de agosto de 2008, 21 anos depois daquele casamento, Strabelli voltou ao Villa Verde. Veio para nos revermos.

Havia me ouvido pelas ondas da Rádio Brasil AM, no programa do Sabiá, segunda-feira à noite.

Sentamos no salão principal do Villa Verde, tomamos água (até porque estava muito quente para o café) e ele começou a me falar da vida. Disse que Maria se foi em outubro de 1995, vítima de uma doença incurável, quando estava gerente numa loja de um dos maiores shopping da Capital paulista; que há 12 anos ele voltou para Adamantina com Francine e Bruno; que a filha tem 19 anos, cursa o segundo ano de Matemática na FAI e secretaria o Padre Nelson Bernardino, pároco da Matriz de Santo Antônio; que o filho está com 17 anos e vai se formar no Colegial Técnico em Informática.

Até 2001, Strabelli teve uma lanchonete, mas passou o negócio em frente e hoje se dedica basicamente à mãe e aos filhos. Gostaria, sim, de voltar para São Paulo, mas prefere a vida tranqüila de Adamantina.

Bom homem, o Strabelli. Um homem com jeito de bom filho, bom pai e, certamente, um bom Amigo.

Foi muito bom rever o Amigo Claudemir Strabelli em Adamantina.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

19/8/2008 18:35:52

Por quê? (114) Revendo os adamantinenses




Cláudio Amaral

Acordei cedo. Cedinho. E não voltei a dormir.

A cama de casal que me deram no apartamento 202 do Hotel Villa Verde até que era agradável, mas eu não voltei a dormir. Juro que não.

Por quê?

Simples: eu estava com fome e tinha muito o que ver lá fora, nas ruas, alamedas e avenidas de Adamantina. Da minha Adamantina. Afinal, há quase 40 anos que eu não vinha aqui com tempo. Pelo menos com o tempo que eu tenho agora.

Tomei meu café da manhã (farto, por sinal) e coloquei os pés na estrada.

Na estrada é modo de dizer. Modo de caipira falar que saiu pra ver as ruas e a gente da cidade.

Fui ver, primeiro, o que restou da antiga estação ferroviária. Lá, vi o jardim japonês da minha infância, mas não vi o trem. A estação está desativada, ou melhor, virou um centro de convivência e um local de exame de candidatos a motoristas e motociclistas. Tinha muito deles por lá. Carros e motos, também.

De lá, passei no Jornal da Cidade, mas a Carolina, minha contato, não estava. Deixei recado, cartão de visita e segui em frente.

Na Avenida Rio Branco, a principal da cidade, revi a Casa Ganha Pouco, os locais onde funcionaram a loja de eletrodomésticos e o Foto Linense. Trabalhei em ambos.

Na Avenida Santo Antônio, bela e formosa, de braços abertos para mim, a Igreja Matriz. Entrei, claro. Deliciei-me com o cheiro de madeira nova dos bancos e fiz minha oração. Pedi saúde para mim, minha família, meus amigos e todos os adamantinenses, daqui e do mundo.

Como a minha máquina fotográfica deixara de funcionar ainda na antiga estação de trem, procurei uma loja que me vendesse baterias novas. Encontrei no Foto do Mauro, na Rua Deputado Salles Filho, quase esquina com a Avenida Rio Branco. Pertinho do Hotel Villa Verde e da Casas Pernambucanas.

A Aline, uma pequena, jovens e delicada figura, me atendeu com a maior atenção, me indicou as baterias que eu deveria comprar e fez mais: me emprestou um par delas que me permitiu fotografar o dia todo, até 16 horas, quando lá voltei para buscar os dois jogos, o usado e o novo, devidamente recarregados. Valeu, Aline. Deus lhe pague.

Feliz da vida, fiz uma pausa no hotel, tomei um copo de suco de laranja com graviola, peguei um exemplar da nova edição de “Meus escritos de memória” e fui em direção ao escritório do professor e advogado Fernando Chagas Fraga (na foto de minha autoria), na Alameda Capitão José Antônio de Oliveira, logo abaixo da Avenida Adhemar de Barros. Não passava das 9 horas, mas ele lá estava, firme e forte, trabalhando num processo judicial.

O papo foi muito interessante. Cheio de lembranças agradáveis. Desde os tempos em que eu morava aqui.

Professor Fernando, como eu sempre o chamei, me contou, por exemplo, que foi co-proprietário do Instituto Educacional, onde eu estudei; diretor por 5 anos do Instituto Helen Keller, no qual completei o ginasial, em 1968; formou-se em Direito em 1972, na faculdade de Tupã, aqui perto; foi vereador por quatro legislatura, ou seja, 16 anos; exerceu a presidência da Câmara de Vereadores por três vezes e ocupou o cargo de prefeito por ano e meio.

Hoje? Hoje, ou melhor, há 35 anos o Professor Fernando Chagas Fraga advoga. Aos 73 anos de idade, ainda filiado ao Partido Popular (PP), ele não quer mais saber de política. Nem da política municipal.

Dei um exemplar de “Meus escritos de memória” a ele, em primeira mão, tirei uma foto, nos despedimos calorosamente e segui em frente.

Como foi bom rever e conversar novamente com o meu inesquecível e querido Professor Fernando Chagas Fraga nesta viagem a Adamantina.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

19/8/2008 18:04:44

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Por quê? (113) Recordações adamantinenses


Cláudio Amaral

Ainda não vi tudo o que me propus a ver.

Também, pudera, estou na cidade há apenas 4 horas.

Cheguei às 18h30 e agora são 22h30.

Foram 9 horas de viagem entre a minha casa, no bairro da Aclimação, em São Paulo, e o Hotel Villa Verde, em Adamantina.

Rodei mais de 600 quilômetros com apenas três paradas para reforçar o tanque de álcool do meu automóvel e o meu estômago.

Em Adamantina, fiz a ficha exigida pelo hotel no menor tempo que me foi possível e tomei, rapidamente, o rumo da Rádio Brasil, onde trabalhei há 40 anos.

No ar estava o meu Amigo e proprietário da emissora Jonas Bonassa, o Sabiá.

Não nos víamos há 39 anos e meio. Desde que daqui sai para trabalhar no Jornal do Comércio de Marília.

Na época, Sabiá estava começando na profissão de radialista.

Ele me recebeu com euforia, me levou para uma conversa a dois na sala da presidência e depois me conduziu ao estúdio.

Tivemos um dialogo rápido aos microfones e, no ar, ele me intimou a conceder uma entrevista na Rádio Jóia, também de propriedade de Sabiá, às 11h30 desta terça-feira.

De volta ao hotel, às 19h30, tomei banho, me troquei, vi meu correio eletrônico e fui às ruas.

Estava ansioso por rever a minha cidade.

Em frente ao Villa Verde, na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Deputado Salles Filho, continua, mais rainha do que nunca, a Casas Pernambucanas.

Abaixo da Salles Filho, mas ainda na Rio Branco, a mesma revistaria e livraria de sempre, a do Carlito, onde comprei um exemplar da primeira edição da revista Veja, no fim dos anos 1960.

Na esquina de baixo, ouvi vozes no primeiro piso do prédio da Prefeitura, subi e dei de cara com a sessão semanal da Câmara Municipal.

Sem que nada me atraísse, deixei o local em não mais do que 15 minutos.

Dali fui conferir o que restou de alguns lugares marcantes dos meus tempos de menino e adolescente por terras adamantinenses.

A casa onde funcionava a telefônica local continua lá, agora abrigando a Casa do Papai Noel. Não pude entrar, mas deu para ver que o imóvel continua preservado.

Também não pude entrar na ex-residência da minha família, na Alameda Armando de Salles Oliveira, mas revi com satisfação e nostalgia o quarteirão onde morei por anos, brinquei e joguei futebol.

Entrar eu entrei no prédio do Instituto Educacional (foto), na Alameda Santa Cruz, esquina com a Rua General Isidoro, onde estudei os primeiros anos do ginasial. A escola está diferente, mas ativa. Além de cursos do ensino do Primeiro e Segundo graus, forma técnicos em Açúcar e Álcool, Meio Ambiente, Segurança do Trabalho, Prótese Dentária, Nutrição e Dietética, Enfermagem e Enfermagem do Trabalho.

No caminho de volta ao hotel, revi o local onde era a rodoviária, hoje um centro espírita; a Casa Andes, que pertencia a uma família japonesa com quem convivi na Seicho-No-Iê e que me pareceu abandonada; tomei sorvete de milho no Palácio do Sorvete, cujo dono me garantiu que tudo ali é preparado pela família dele, artesanalmente; a rua em que ficava a Prefeitura, de cujo prédio não sobrou o menor vestígio.

Por fim, passei pelo que restou do Cine Santo Antônio. Lá eu vi os melhores filmes da minha adolescência e senti as emoções típicas de uma formatura ginasial.

Foi triste ver quase nada restou do Cine Santo Antônio dos meus tempos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

18/8/2008 23:11:25

domingo, 10 de agosto de 2008

Por quê? (112) Dia dos Pais


Cláudio Amaral

Vou à garagem para colocar o guarda chuva dentro do carro e dou de cara com um Philips antigo.

Imediatamente, lembro-me do meu pai.

Não por acaso, é Dia dos Pais, 10 de agosto de 2008.

Era nesse Philips que meu pai ouvia as notícias de São Paulo, do Brasil e do mundo.

Fabricado na Holanda, ele ainda tem carcaça de plástico duro (Bakelite) e válvulas, muitas válvulas.

Uma delas está queimada há anos, muitos anos. E com isso eu não posso mais ouvir a Bandeirantes, a emissora de rádio preferida do meu pai.

Desde 1958, pelo menos, quando meu pai, minha mãe, minhas duas irmãs, meu irmão e eu mudamos de volta de São Paulo para Adamantina, onde nasci, que ele, meu pai, usava o hoje velho Philips holandês para ouvir a Rádio Bandeirantes e através dela as notícias do dia.

Ele ouvia Vicente Leporace, Enzo de Almeida Passos, Moraes Sarmento, Salomão Ésper, Pedro Luis, Mário Moraes, Edson Leite, José Paulo de Andrade, Fiori Giglioti... e muitos outros grandes nomes do rádio-jornalismo brasileiro.

Cresci ouvindo essa gente falando o dia todo aos meus ouvidos, enquanto passava roupas – calças, principalmente – na Lavanderia Adamantina.

Certa vez o Philips caiu ao chão e caixa de plástico, embora duro, se quebrou.

Felizmente, foi só a caixa. A parte elétrica, inclusive as válvulas, continuou a funcionar normalmente.

Enquanto meu pai não conseguiu uma caixa igual, ouvíamos a Bandeirantes – sempre em ondas curtas de 49 metros – no esqueleto do Philips.

Anos depois, quando eu já estava casado e morava em apartamento próprio com Sueli e Cláudia, nossa primeira filha, na Rua Machado de Assis, na Vila Mariana, em São Paulo, chegou de Marília uma caixa de papelão.

- É o seu presente de aniversário enviado por seu pai, me disse Sueli.

Abri e dei de cara com o velho Philips remoçado.

Meu pai havia conseguido um caixa de plástico igualzinha à original. Não era nova, mas brilhava.

Usei o velho Philips holandês o quanto ele me permitiu.

Ouvia as emissoras locais, inclusive a Bandeirantes, em AM. As rádios de outras localidades, como a Globo do Rio de Janeiro, eu escutava em ondas curtas.

Quando eu e a família nos mudamos para a casa assobradada onde vivemos há mais de 30 anos, na Rua Gregório Serrão, armei uma antena de cinco metros, de um canto ao outro do quintal, o mais alto possível.

Coloquei o Philips no escritório, um quartinho localizado após o quintal, e lá ficava, sempre que tinha tempo livre, a escutar emissoras da Argentina, da Europa e dos Estados Unidos.

Quando ele deixava de funcionar, eu o levava a um técnico que morava e trabalhava a cerca de 200 metros de minha residência.

Um dia, infelizmente, o senhor rádio-técnico levou um choque forte, enquanto consertava um aparelho elétrico, e morreu.

Nunca mais eu encontrei quem trocasse as válvulas queimadas do velho Philips.

Hoje, Dia dos Pais, ele, o Philips holandês, é peça de museu. Repousa tranqüilo na garagem. E serve apenas para me fazer lembrar do meu pai, Lázaro Alves do Amaral, que nos deixou em 1985.

Como eu tenho saudades do meu pai.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

10/8/2008 22:22:31

sábado, 9 de agosto de 2008

Por quê? (111) Rumo a Adamantina


Cláudio Amaral

A viagem está devidamente planejada.

Sairei de São Paulo na manhã do dia 18 e voltarei no fim da tarde do dia 20.

Será a primeira vez que viajarei à minha cidade a convite.

Irei a convite do secretário municipal de Cultura da Prefeitura de Adamantina, jornalista Acácio Rocha.

Formalizado no dia 29 de julho pela professora Ana Luísa Antunes Dias, o convite inclui uma participação especial no 9ºCI.COM - Ciclo de Palestras de Comunicação Social.

A professora Ana Luísa é coordenadora do Departamento de Comunicação Social da FAI - Faculdades Adamantinenses Integradas.

Minha participação, segundo ela, será das 21h às 22h30 do dia 19.

Durante esse tempo, eu falarei com os estudantes de Comunicação Social da FAI e terei oportunidade de lançar a segunda edição de “Meus escritos de memória”.

A primeira edição ficou pronta no final de novembro e foi apresentada ao público exatamente no dia 3 de dezembro de 2006, data do meu 57º aniversário.

Foi a primeira vez que eu me atrevi a publicar um conjunto de textos de minha autoria em formato de livro.

Um livro diferente, pois foi editado em CD.

A edição foi do meu Amigo e parceiro Marcello Vitorino, fotojornalista de primeira grandeza.

Vitorino fez a segunda edição, também, que me foi entregue por ele na tarde desta sexta-feira, 8/8/2008, em tempo de uma revisão geral, reprodução e preparação final para a viagem do dia 18.

Nessa fase final eu conto com a colaboração de Sueli Amaral, minha sócia em tudo o que eu fiz de bom desde o dia 15 de julho de 1969.

Em “Meus escritos de memória” eu relato minhas lembranças dos tempos de menino pequeno em Adamantina, Marília e São Paulo.

Morei e vivi por duas vezes em cada uma dessas cidades.

Lembro-me em detalhes os fatos mais importantes de minha vida em cada uma delas.

É isso, portanto, que divido com quem já me deu e também com aqueles que vierem a me dar o privilégio de ler minhas memórias.

Aos estudantes de Jornalismo, especificamente, lembro o início de minha carreira, a partir da primeira reportagem, no dia 1º de maio de 1968, em Adamantina.

Falarei com eles em pormenores na minha participação no 9ºCI.COM - Ciclo de Palestras de Comunicação Social.

Mas, sinceramente, pretendo muito mais dessa viagem.

Pretendo rever tanto lugares quantos me forem possíveis: as escolas em que estudei (o 1º Grupo Escolar, o Instituto Educacional, o Atheneu Bento da Silva, o Instituto Helen Keller), a casa em que morei, a rua em que joguei futebol, o Estádio Municipal Antônio Goulart Marmo, os cinemas, os clubes, a sede da Seicho-No-Iê, a Matriz de Santo Antonio... ou pelo menos o que sobrou de cada uma deles.

Desejo conhecer e rever pessoas: o Acácio, a Ana Luísa, o Sabiá e o pessoal da Rádio Brasil (onde trabalhei), o professor Celso Alves Lima (que conheceu meu pai), o Chico Toffoli (que me enviou informações preciosas e que enriqueceram meus textos a respeito de Adamantina), o prefeito Kiko Micheloni, vereadores, a Carolina Galdino da Silva e o pessoal do Jornal da Cidade, o meu querido e inesquecível professor Fernando Chagas Fraga, o Sérgio Vanderlei e os colegas do Jornal Impacto e quem mais estiver vivo, morando na cidade e se lembrar de mim e dos meus tempos de menino e adolescente.

Se me for possível, darei uma passada rápida pelas cidades da região: Lucélia, Osvaldo Cruz e Tupã.

Estou muito feliz e ansioso por esta viagem.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

8/8/2008 18:57:24 e 9/8/2008 09:14:25

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Por quê? (110) Dia do futebol




Cláudio Amaral

Acordei com duas preocupações na cabeça: a situação da menininha que conheci dia desses na Rua Domingos de Moraes e minha próxima viagem a Adamantina.

Ela, a menininha, tem a idade de minha netinha: 13 meses. Mas, infelizmente, leva uma vida completamente diversa da minha Be(bê)atriz, que tem quase tudo (família, amor, roupas, comidas, carinho, casa, brinquedos...), ao contrário da outra, que quase nada tem, embora me pareça feliz, graças, acredito, à sua santa ingenuidade e pureza.

Minha próxima viagem à cidade onde nasci acontecerá daqui a 12 dias e eu já me vejo emocionado, imaginando o momento em que estiver saindo da Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros e entrando em Adamantina.

Imediatamente, entretanto, meus pensamentos se voltaram para um outro assunto importante, para mim, pelo menos: o futebol.

Fui dormir sem saber os resultados dos jogos de ontem à noite pelo Brasileirão 2008.

Quando desliguei a televisão, dominado pelo sono, Fluminense e SPFC estavam nos vestiários do Maracanã e o placar marcava 0 a 0. Na Vila Belmiro, o Santos FC vencia o Coritiba por 2 a 1 e havia saído da zona de perigo, finalmente.

Antes de abrir o Estadão e me atualizar a respeito desses dois jogos, liguei a TV e vi a magra mas importante vitória do Brasil sobre a Bélgica por 1 a 0, gol do valente Hernanes (foto), pela primeira rodada das Olimpíadas de Pequim.

Terminado o jogo de estréia do time de Dunga (e de nós todos, brasileiros), abri o Estadão e levei um susto: SPFC e Santos FC perderam ontem à noite, e de virada, ambos.

Fiquei, então, a imaginar a situação dos meus amigos que torcem para esses dois times.

Os são-paulinos, tudo bem, porque o time do Morumbi ainda está no G-4, o grupo daquelas equipes que têm chance de disputar a Copa Libertadores em 2009. De quebra, viram um atleta do tricolor paulista marcar o gol da vitória da seleção olímpica na China.

Infelizmente, entretanto, os santistas, como meu compadre Carlos Conde, minha irmã Clélia e meus sobrinhos Cristiano e Luciano, estão, com certeza, de cabeças inchadas.

Por quê?

Porque não há meio de o Santos FC se acertar, encontrar o caminho da vitória e sair da zona do rebaixamento.

Isso é preocupante, muito preocupante.

De quebra, o técnico Cuca pediu demissão e a incompetente diretoria do Santos FC aceitou.

Por mais corintiano que eu seja, lamento a situação do time que deu anos e anos de alegrias para o futebol brasileiro, tantas foram as vitórias que Pelé e companhia conseguiram no exterior.

Sei o quanto é difícil encarar uma queda para a segunda divisão e não gostaria que o Santos FC passasse por isso.

Nem o Santos FC, nem Fluminense, nem o Vasco (que também perdeu feio, novamente, na noite de ontem), nem o Atlético Mineiro.

Time grande, na minha opinião, tem que disputar o Brasileirão, a Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Disputar a segundona, como faz o Corinthians neste ano, por mais alegria que as vitórias e a liderança nos dão, é para clubes sem tradição.

Não quero, portanto, nem imaginar o quanto ainda vão sofrer meus amigos que torcem pelo Peixe. E, do fundo do coração, por mais estranho que possa parecer, vou continuar a torcer para que o Santos FC – e o Fluminense e o Vasco, também – se recuperem e se mantenham na primeira divisão.

Para o bem deles – clubes e torcedores, especialmente os meus amigos santistas, tricolores e vascainos –, do futebol brasileiro e de todos nós que gostamos de futebol.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

7/8/2008 09:42:40