sábado, 30 de agosto de 2008

Por quê? (123) Obrigado, Senhor


Cláudio Amaral

É sábado, dia 30 de agosto de 2008.

Fez frio o dia todo em São Paulo, Capital.

Agora, às 18h30, a temperatura está ainda mais baixa.

Na região em que eu circulei pela manhã e à tarde não foi possível ver um único raio solar.

O apartamento que eu escolhi para passar o dia precisou ser iluminado com luz artificial das 10 horas da manhã às 6 horas da tarde, quando vim para minha casa.

Nem a vitória do Corinthians sobre o ABC de Natal por 4 a 0 foi capaz de esquentar o tempo e me animar.

Vendo a casa vazia e tomado pela solidão, peguei um guarda chuva e fui pra rua.

Subi a Gregório Serrão em direção à José de Queirós Aranha, virei à direita e segui rumo a Aclimação.

Estava decidido a conversar com Deus na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, onde, segundo os Amigos Antônio Carlos e Valéria, recentemente houve um casamento inesquecível.

Logo após o Kahn el Khalili, uma das casas de chá mais famosas de São Paulo, mas ainda na Queirós Aranha, avistei uma pessoa andando com dificuldade.

Logo a reconheci, embora nunca tenha falado com ela.

Era uma jovem que caminhava apoiada em duas muletas.

Uma moça bonita, bem vestida, embora em trajes simples.

Andou e parou mais de uma vez em menos de 100 metros.

Estava cansada, com certeza.

O esforço que era obrigada a fazer com os braços para conduzir as muletas e para colocar uma perna na frente da outra, arrastando as duas, era maior do que as suas forças.

Pensei em falar com ela, mas me faltou coragem e desisti.

Apertei o passo, adiantei-me e procurei chegar logo à paróquia onde há cerca de 33 anos mandamos, Sueli e eu, celebrar a missa de sétimo dia do nosso filho Cássio Fernando.

Fiquei frustrado ao ver a igreja fechada e totalmente no escuro.

Nem assim, entretanto, eu desisti de falar com Deus.

E falei:

- Obrigado, Senhor, por ter me dado saúde, pernas e braços fortes; obrigado, Senhor, por ter me permitido nascer numa família saudável; obrigado, Senhor, por ter me possibilitado gerar filhos fisicamente perfeitos; obrigado, Senhor, pela netinha perfeita que ajudastes a colocar no mundo; obrigado, Senhor, por amparar a todos que, infelizmente, não nasceram como eu, minha mulher, meus filhos, nossa Be(bê)atriz; obrigado, Senhor; obrigado, Senhor.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

30/8/2008 22:41:48

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Por quê? (122) Minha parte em dinheiro, por favor


Cláudio Amaral

Um grupo de amigos meus estava revoltado, no meio da semana.

A propósito do dia da categoria à qual eles pertencem, as maiores empresas do setor publicaram páginas e mais páginas nos principais jornais do Brasil para saudar os milhares de profissionais do ramo.

Bem fizeram os patrões e seus prepostos que se limitaram a cumprimentarem os seus subordinados, um a um, por telefone ou pessoalmente.

Melhor ainda agiram aqueles que deram um presente, por mais singelo que tenha sido.

Estes, pelo menos, pareceram mais sinceros, mais honestos.

Por quê?

Porque os grandes empresários do setor em que atuam esses meus amigos se esqueceram ou fizeram que não sabem da situação em que vive a grande maioria dos seus “operadores”, digamos assim.

Sem salário fixo, sem ajuda de custo, sem seguro de vida, sem assistência médica, sem tíquete refeição, sem combustível, sem nada, enfim, 95% da categoria vive na penúria.

Uns tomam dinheiro emprestado das esposas, das namoradas, dos filhos, dos pais, de outros parentes, de vizinhos, de amigos e, não raro, dos poucos colegas de trabalho que estão em melhor situação.

Sim, porque uma pequena minoria, algo em torno de 5%, vende bem e fatura o suficiente para ter uma vida digna.

Os outros 95% vivem de ilusão, de esperança, de fé em Deus, da bondade de outras pessoas.

Por conseqüência, é elevadíssima a rotatividade registrada nas empresas do setor. E no próprio setor, porque, sempre que podem, os desiludidos pulam fora.

O duro é que nem sempre eles podem.

O difícil da questão é que raramente eles têm alternativas.

Tanto que deixaram de ser engenheiros, advogados, professores, arquitetos, administradores de empresas, médicos, dentistas, relações públicas, psicólogos, psicanalistas, jornalistas... para serem..., bem, para atuar nessa área em que estão alguns de meus amigos.

Eles contam que muitos saem de casa bem cedo sem nem mesmo um simples cafezinho.

Nos respectivos locais de trabalho passam o dia à base de café preto e água.

Aqueles que fumam, vivem à base do “se me dão”. Pobres coitados: além do vício tão prejudicial à saúde, não têm como sustentá-lo.

Diante de tudo isso, meus amigos perguntam: não seria melhor e mais produtivo esquecer o oba-oba do dia da categoria e usar o dinheiro das páginas e mais páginas de jornal para a criação de um fundo de apoio dos profissionais da área? Não seria mais inteligente dar-lhes vale transporte, tíquete alimentação, etc.?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

28/8/2008 18:52:30

Por quê? (121) A vida


Cláudio Amaral

A vida é uma sucessão de fatos inexplicáveis.

Quando você acorda feliz, a felicidade te acompanha o dia todo.

Mas, no dia em que você não dorme bem e acorda de mau humor, o dia é sempre dos piores. Nada dá certo.

Quando você está com pressa ou com pouco tempo para fazer algo ou chegar a algum lugar, não se iluda: o tempo nunca será suficiente. Você sempre terminará sua tarefa depois do horário marcado ou chegará atrasado ao local para o qual se dirige.

Mas, se você estiver com tempo de sobra, o tráfego fluirá e você chegará ao seu destino com folga.

Se você está sem dinheiro, endividado, com as contas atrasadas, é líquido e certo: dificilmente alguém aparecerá para te ajudar, emprestar algum ou pagar aquela dívida que tem com você. O gerente do banco? Jamais conte com ele.

Agora, se o seu saldo bancário é bom, suas contas todas estiverem em dia, ninguém te dever dinheiro..., tenha certeza: os bancos – e os agiotas, também – correrão atrás de você para oferecer empréstimos e mais empréstimos.

Se você estiver bem empregado, sempre haverá alguém que lhe convidará para mudar de emprego, ganhar mais, ter mais benefícios e vantagens.

Entretanto, se você é mais um dos milhões e milhões de desempregados, trate de ir à luta, de sol a sol, porque ninguém, mas ninguém mesmo, ligará para lhe oferecer um trabalho, por mais humilde que seja.

Se a sua saúde estiver em ordem, nem mesmo uma dor de cabeça você terá.

Basta, no entanto, surgir uma mal estar e pronto: você começará a sentir dores de cabeça, de estômago, de intestino, no peito, nos braços, nas pernas...

Se o seu primeiro livro fizer sucesso, prepare-se: os convites choverão e você terá que estar bem disposto para entrevistas no rádio, na televisão, nos jornais, nas revistas..., para palestras em faculdades, no Rotary, no Lions, nas lojas maçônicas, nas paróquias da sua cidade... E, a partir daí, você pode escrever o que quiser, sem a menor preocupação com as idéias e a qualidade. Tudo fará sucesso.

Agora, se o seu primeiro texto não emocionar, não chamar a atenção, não mobilizar, não for comentado..., esqueça: ele pode ser o melhor de todos os seus textos que nada acontecerá.

Se você estiver bem alimentado, mais e mais convites surgirão para você almoçar e jantar nas casas de amigos e em bons restaurantes.

No entanto, se você estiver com fome e sem dinheiro para comer, ninguém será capaz de oferecer um único sanduíche de mortadela, que seja. Ninguém.

Se o seu seguro (seja ele qual for: de vida, do veículo, do imóvel...) estiver em dia, nada de ruim lhe acontecerá.

Mas, se você atrasar o pagamento um dia que seja, você corre um grande risco de bater o carro, de ter sua casa incendiada e, claro, de morrer e deixar sua família desamparada.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

28/8/2008 14:36:36

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Por quê? (120) Dias difíceis


Cláudio Amaral


Tem dia que é difícil.

Mais difícil do que o mais difícil dos dias.

Pior: às vezes, os dias, sucessivamente, são difíceis.

Comigo, pelo menos, é assim.

E com você, caro e-leitor?

Você já teve uma seqüência de dias difíceis?

O sábado, o domingo e a segunda-feira, por exemplo?

Cada um mais difícil do que o outro?

E o que você fez ou faz, geralmente, diante das dificuldades?

Você é como eu, que vai a busca das razões, dos motivos, das origens de uma seqüência de dias difíceis?

Ou não?

Tem gente, caro e-leitor, que, diante das dificuldades, faz como a avestruz: enfia a cabeça num buraco.

Outros, entram em depressão e se escondem no silêncio da solidão, no escuro do quarto, no calor da cama.

Quem não tem alternativa, mete a cara no trabalho, porque as contas não param de chegar e, diante delas, é preciso trabalhar e pagar.

Por falar em meter a..., você já teve vontade de meter foi a mão na cara de alguém que estava lhe criando dificuldades sem motivo aparente? Não, certamente, porque ser humano civilizado não faz isso. Ou faz?

Certamente, você encontrou uma alternativa mais digna, como, por exemplo, o consolo das palavras do Senhor e o apoio das pessoas mais próximas, mais amigas, amadas.

Mesmo assim, prezado e-leitor, você teve um aceso de raiva e explodiu?

Comigo já aconteceu. Felizmente, foi uma explosão verbal. Violenta, mas verbal. Furiosa, sim, mas verbal.

Você sabia, caro e-leitor, que essa é uma situação típica de quem está infeliz, não agüenta mais fazer – ou tentar fazer – aquilo que não está no sangue, na alma, no coração?

Mas, não se preocupe desnecessariamente, porque o tempo passa e a calma..., a calma volta, lenta e calmamente.

Aparentemente, talvez, mas a calma volta.

Quando? Boa pergunta.

Só Deus sabe, só Ele é Senhor da questão, da razão e da vida.

Ainda bem que temos Ele.

Ainda bem que podemos nos amparar Nele e nos ensinamentos do filho Dele.

Ainda bem que a família e os amigos estão do nosso lado.

Mesmo que eles não possam fazer muito.

O pouco, no caso, representa muito.

De resto, meu caro, fica a fé inabalável na vida, nas nossas forças, na saúde, no amor que temos e que têm por nós.

Como disse o poeta Chico Buarque de Holanda, “apesar de você, amanhã há de ser um novo dia”.

E se não for... “o que será que será...?”

Será como for, com raiva ou amor, com fé ou rancor, com lágrima ou suor, com paz ou com dor, com espinho ou com flor, mas será. Sempre será.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

26/8/2008 12:09:18

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Por quê? (119) Maurren de Ouro


Cláudio Amaral

Maurren, querida: nem todos os brasileiros viram você saltar 7 metros e 4 centímetros nesta manhã (aqui no Brasil) de 22 de agosto de 2008.

A maioria, a grande maioria de nós, estava no trabalho, a caminho do trabalho, voltando do trabalho, caminhando nos nossos parques, tomando o café da manhã, na escola, praticando algum tipo de esporte, conversando com os amigos... fazendo seja lá o que for.

Mas, tenha certeza, querida Maurren, que milhões e milhões de brasileiros estavam, em todos os cantos do País, de olhos fixos na televisão e na pista em que você saltou para a glória: 7 metros e 4 centímetros, um centímetro a mais do que a russa Tatyana Lebedeva (medalha de prata) e 13 centímetros a mais do que a nigeriana Blessing Okagbare (medalha de bronze).

Foi lindo, Maurren.

Foi emocionante, Maurren.

Tão emocionante, Maurren, mas tão emocionante, que o Brasil foi às lágrimas.

Choramos de soluçar, Maurren.

Choramos por você, Maurren.

Choramos pelo Brasil, Maurren.

Choramos pela sua família, em São Carlos, Maurren.

Choramos pela pequena Sophia, sua filha com o piloto Antonio Pizzonia, Maurren.

Choramos por todos aqueles que acreditaram em você, Maurren.

Choramos porque sempre acreditamos que você não havia se dopado, Maurren.

Choramos por acreditar que você não mereceu a suspensão de 2003, Maurren.

Choramos pela sua decisão de voltar a competir, em 2006, Maurren.

Choramos pela sua determinação, Maurren.

Choramos pela garra que você teve ao longo de toda a sua vida, Maurren.

Choramos pela competência que você demonstrou em todas as competições que disputou, Maurren.

Choramos pela alegria de saber que você nasceu em São Carlos, Maurren, no Estado de São Paulo, no Interior paulista, de onde saiu o nosso outro Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, o também caipira César Cielo, nascido em Santa Bárbara D’Oeste.

O Brasil chorou o dia todo por você, Maurren.

Choramos tanto, Maurren, mas tanto, que até nos esquecemos o fiasco dos meninos do futebol, que ao invés do Ouro nos trouxeram medalha de bronze.

Choramos tanto, Maurren, que até nos esquecemos da luta, garra, determinação... das nossas Meninas de Ouro, que no dia anterior caíram em pé diante dos Estados Unidos e nos trouxeram Medalha de Prata.

Choramos, choramos, choramos... por você, Maurren.

Choramos um choro gostoso e fruto de uma emoção profunda, Maurren.

Foi muito bom ver você, Maureen Higa Maggi, ganhar, comemorar e depois receber a Medalha de Ouro.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

22/8/2008 11:15:38

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Por quê? (118) Carta aberta ao povo de Adamantina


Cláudio Amaral


Fui chamado de doido, louco... e outras impropriedades quando anunciei que iria a Adamantina ao volante do meu Honda Fit.

- São 600 quilômetros, me disseram.

- Você vai dirigir por oito horas, acrescentaram.

- Vá de ônibus, dormindo, como você fez tantas vezes, recomendaram.

Mas eu fui e voltei de carro, dirigindo, como eu queria.

Não me arrependo.

Sai quando eu quis, passei pelos lugares que desejava rever, parei onde melhor me convinha e cheguei com luz do dia.

Na volta, fiz o mesmo, sem ter que dar satisfação, sem enfrentar fila, sem a obrigação de cumprir horários.

A estrada realmente está melhor. Bem melhor.

Perfeita? Não. Tive que fazer duas paradas obrigatórias, nas proximidades de Garça e de Lucélia. Na ida e na volta. Ambas por conta de obras na SP-294.

Tudo indica, entretanto, que na próxima viagem isso não acontecerá mais.

Em Adamantina, só alegria. Ou melhor: quase tudo foi alegria.

Digo quase tudo porque algumas pessoas que eu gostaria de rever, não revi. Ou porque elas já não estão mais entre nós, como o ex-goleiro Zé Pintor, ou porque não as encontrei, como o ex-prefeito Gildomar Pax Pedroso, amigo de meu pai.

Em compensação, revi gente como o Professor Fernando Chagas Fraga, os jornalistas e radialistas Jonas Bonassa (o Sabiá) e José Mário Toffoli, o amigo Claudemir Strabelli.

Conheci, finalmente, a Carolina Silva e o Sérgio Vanderlei, editores, respectivamente, do Jornal da Cidade e do Jornal Impacto. Até então só nos conhecíamos via Internet.

Fiz novos amigos, também. E nem poderia ser de outra forma. A começar pelo pessoal da FAI, as Faculdades Adamantinenses Integradas: o diretor-geral Roldão Simione e as professoras Ana Luísa Antunes Dias (coordenadora do Departamento de Comunicação Social), Lilian Pacchioni Pereira de Sousa e Márcia Molina Fonseca (coordenadora de Comunicação Institucional).

Senti de perto que a cordialidade, a gentileza, a hospitalidade continuam sendo os pontos fortes do povo adamantinense.

Por quê?

Porque fui bem recebido e atendido com presteza e atenção tanto no Villa Verde Hotel (ex-Grande Hotel), no Instituto Educacional, no Foto do Mauro, no Palácio do Sorvete, nas rádios Brasil, Jóia e Cultura, no Restaurante Ipê, no Jornal da Cidade e no Impacto, no Sucão (ao lado da Igreja Matriz de Santo Antônio), na banca do Carlito, na Câmara de Vereadores e na Biblioteca Municipal.

Foi muito bom voltar a Adamantina.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?


21/8/2008 15:37:21

Por quê? (117) Meninas de Ouro


Cláudio Amaral

Elas jogam muito.

Elas jogam bem, muito bem.

Elas são corajosas.

Elas são guerreiras.

Elas têm fibra, fibra da boa.

Elas são determinadas.

Elas têm técnica.

Elas têm habilidade.

Elas têm fé, muita fé.

Elas acreditam nelas.

Elas sabem enfrentar e vencer as adversidades.

Elas provaram que futebol não é “coisa de homem”, apenas.

Elas são patriotas.

Elas sentem um amor incomum pelo Brasil.

Elas são solidárias entre si.

Elas são disciplinadas.

Elas praticam a humildade.

Elas reconhecem que o dinheiro não é o mais importante.

Elas sabem vencer.

E quando não vencem, elas sabem erguer a cabeça e olhar para frente, confiantes no futuro.

Elas nos fazem sentir orgulho de sermos brasileiros.

Elas são de ouro, ainda que levem no peito medalhas de prata.

Elas são as nossas meninas de ouro.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

21/8/2008 13:53:28

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Por quê? (116) Uma noite inesquecível


Cláudio Amaral

Se mais exemplares tivesse trazido, mais eu teria autografado na inesquecível noite desta terça-feira, 19 de agosto de 2008.

A noite de autógrafo aconteceu no auditório da Biblioteca Municipal de Adamantina, no centro da cidade.

Antes dos autógrafos, tive oportunidade de conversar com quase todos os 130 alunos do curso de Comunicação da FAI (Faculdades Adamantinenses Integradas).

O evento fez parte do 9º Ci.com, o Ciclo de Palestras de Comunicação Social organizado pela professora Ana Luísa Antunes Dias (na foto, ao meu lado), mestre e coordenadora do Departamento de Comunicação Social da FAI.

Minha participação foi antecedida pela palestra do publicitário Denis Fornari, gerente de Marketing da Colormaq, indústria de máquinas de lavar roupas sediada em Araçatuba. Ele falou a respeito da atuação do “Publicitário no Interior” e tenho certeza de que a trajetória deste profissional nascido em Andradina, formado em Ribeirão Preto e hoje residente em Birigui será referência para muitos alunos da FAI.

Tivemos, Denis e eu, a honra de sermos apresentados à platéia pelo diretor-geral da FAI, professor doutor Roldão Simione, um mariliense radicado em Adamantina há quase 60 anos.

Ambos, Denis e eu, procuramos mostrar aos alunos de Comunicação Social da FAI http://www.fai.com.br/ que é possível sair de uma cidade pequena, como Adamantina, Lucélia, Osvaldo Cruz, Flórida Paulista, Mariápolis, entre outras, para vencer, pessoal e profissionalmente, em centros urbanos maiores.

Mas é possível, igualmente, se formar em faculdades como as FAI, em Adamantina, e prestar bons serviços à sociedade por aqui mesmo. Basta levar os estudos a sério.

A propósito, fiquei feliz com a seriedade com a qual a maioria dos alunos da Comunicação Social da FAI encararam o 9º Ci.com, que segue até sexta-feira.

Fiquei feliz, também, e honrado, com as presenças à minha apresentação de adamantinenses como o radialista e jornalista José Mário Toffoli. Ele é o profissional mais antigo em atividade no rádio e no jornalismo da cidade. É co-proprietário das rádios Brasil e Jóia, ao lado do meu amigo Jonas Bonassa, o Sabiá. E tem um detalhe interessante: Zé Mário não envelhece e não engorda.

Feliz, também, me deixou a presença do amigo Claudemir Strabelli, que estava acompanhado do filho Bruno.

Por fim, um agradecimento especial a todos os professores da FAI que me prestigiaram. E o faço nas pessoas das professoras Lilian Pacchioni Pereira de Sousa e Marcia Regina Molina Martins da Fonseca.

Hoje, 20 de agosto de 2008, antes de arrumar as malas e colocar os pés na estrada, rumo a São Paulo, quero deixar claro, aqui, que foi muito bom lançar em Adamantina, na noite de 19 de agosto de 2008, a segunda edição, revista e ampliada, do livro digital “Meus escritos de memória”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

20/8/2008 07:49:32

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Por quê? (115) Revendo outros adamantinenses



Cláudio Amaral

O Professor Fernando Chagas Fraga não foi a única pessoa que revi e com quem conversei nesta viagem a Adamantina.

Além dele e do amigo e radialista Jonas Bonassa, o Sabiá, um na segunda-feira à noite e outro na manhã de terça-feira, eu reencontrei, por exemplo, o Claudemir Strabelli (na foto com o filho).

Quem?

O Strabelli, adamantinense que fui conhecer em São Paulo, pelas mãos do Amigo Daniel Pereira, ambos ex-funcionários da Agência Estado.

Claudemir Stravelli se casou em Adamantina com a catarinense Maria Utzig, nascida em Lages.

Sueli e eu estivemos no casamento deles, no dia 11 de julho de 1987. Viemos por eles e também porque eu queria rever Adamantina e mostrar minha cidade para a minha mulher.

Foi a primeira vez que realizei meu sonho de adolescente: me hospedar no Grande Hotel, que já tinha sido rebatizado de Villa Verde.

Não pudemos ficar no melhor apartamento, como eu sonhara. Até porque a suíte principal estava reservada para os noivos, Claudemir e Maria.

Pois bem: na manhã desta terça-feira, 19 de agosto de 2008, 21 anos depois daquele casamento, Strabelli voltou ao Villa Verde. Veio para nos revermos.

Havia me ouvido pelas ondas da Rádio Brasil AM, no programa do Sabiá, segunda-feira à noite.

Sentamos no salão principal do Villa Verde, tomamos água (até porque estava muito quente para o café) e ele começou a me falar da vida. Disse que Maria se foi em outubro de 1995, vítima de uma doença incurável, quando estava gerente numa loja de um dos maiores shopping da Capital paulista; que há 12 anos ele voltou para Adamantina com Francine e Bruno; que a filha tem 19 anos, cursa o segundo ano de Matemática na FAI e secretaria o Padre Nelson Bernardino, pároco da Matriz de Santo Antônio; que o filho está com 17 anos e vai se formar no Colegial Técnico em Informática.

Até 2001, Strabelli teve uma lanchonete, mas passou o negócio em frente e hoje se dedica basicamente à mãe e aos filhos. Gostaria, sim, de voltar para São Paulo, mas prefere a vida tranqüila de Adamantina.

Bom homem, o Strabelli. Um homem com jeito de bom filho, bom pai e, certamente, um bom Amigo.

Foi muito bom rever o Amigo Claudemir Strabelli em Adamantina.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

19/8/2008 18:35:52

Por quê? (114) Revendo os adamantinenses




Cláudio Amaral

Acordei cedo. Cedinho. E não voltei a dormir.

A cama de casal que me deram no apartamento 202 do Hotel Villa Verde até que era agradável, mas eu não voltei a dormir. Juro que não.

Por quê?

Simples: eu estava com fome e tinha muito o que ver lá fora, nas ruas, alamedas e avenidas de Adamantina. Da minha Adamantina. Afinal, há quase 40 anos que eu não vinha aqui com tempo. Pelo menos com o tempo que eu tenho agora.

Tomei meu café da manhã (farto, por sinal) e coloquei os pés na estrada.

Na estrada é modo de dizer. Modo de caipira falar que saiu pra ver as ruas e a gente da cidade.

Fui ver, primeiro, o que restou da antiga estação ferroviária. Lá, vi o jardim japonês da minha infância, mas não vi o trem. A estação está desativada, ou melhor, virou um centro de convivência e um local de exame de candidatos a motoristas e motociclistas. Tinha muito deles por lá. Carros e motos, também.

De lá, passei no Jornal da Cidade, mas a Carolina, minha contato, não estava. Deixei recado, cartão de visita e segui em frente.

Na Avenida Rio Branco, a principal da cidade, revi a Casa Ganha Pouco, os locais onde funcionaram a loja de eletrodomésticos e o Foto Linense. Trabalhei em ambos.

Na Avenida Santo Antônio, bela e formosa, de braços abertos para mim, a Igreja Matriz. Entrei, claro. Deliciei-me com o cheiro de madeira nova dos bancos e fiz minha oração. Pedi saúde para mim, minha família, meus amigos e todos os adamantinenses, daqui e do mundo.

Como a minha máquina fotográfica deixara de funcionar ainda na antiga estação de trem, procurei uma loja que me vendesse baterias novas. Encontrei no Foto do Mauro, na Rua Deputado Salles Filho, quase esquina com a Avenida Rio Branco. Pertinho do Hotel Villa Verde e da Casas Pernambucanas.

A Aline, uma pequena, jovens e delicada figura, me atendeu com a maior atenção, me indicou as baterias que eu deveria comprar e fez mais: me emprestou um par delas que me permitiu fotografar o dia todo, até 16 horas, quando lá voltei para buscar os dois jogos, o usado e o novo, devidamente recarregados. Valeu, Aline. Deus lhe pague.

Feliz da vida, fiz uma pausa no hotel, tomei um copo de suco de laranja com graviola, peguei um exemplar da nova edição de “Meus escritos de memória” e fui em direção ao escritório do professor e advogado Fernando Chagas Fraga (na foto de minha autoria), na Alameda Capitão José Antônio de Oliveira, logo abaixo da Avenida Adhemar de Barros. Não passava das 9 horas, mas ele lá estava, firme e forte, trabalhando num processo judicial.

O papo foi muito interessante. Cheio de lembranças agradáveis. Desde os tempos em que eu morava aqui.

Professor Fernando, como eu sempre o chamei, me contou, por exemplo, que foi co-proprietário do Instituto Educacional, onde eu estudei; diretor por 5 anos do Instituto Helen Keller, no qual completei o ginasial, em 1968; formou-se em Direito em 1972, na faculdade de Tupã, aqui perto; foi vereador por quatro legislatura, ou seja, 16 anos; exerceu a presidência da Câmara de Vereadores por três vezes e ocupou o cargo de prefeito por ano e meio.

Hoje? Hoje, ou melhor, há 35 anos o Professor Fernando Chagas Fraga advoga. Aos 73 anos de idade, ainda filiado ao Partido Popular (PP), ele não quer mais saber de política. Nem da política municipal.

Dei um exemplar de “Meus escritos de memória” a ele, em primeira mão, tirei uma foto, nos despedimos calorosamente e segui em frente.

Como foi bom rever e conversar novamente com o meu inesquecível e querido Professor Fernando Chagas Fraga nesta viagem a Adamantina.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

19/8/2008 18:04:44

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Por quê? (113) Recordações adamantinenses


Cláudio Amaral

Ainda não vi tudo o que me propus a ver.

Também, pudera, estou na cidade há apenas 4 horas.

Cheguei às 18h30 e agora são 22h30.

Foram 9 horas de viagem entre a minha casa, no bairro da Aclimação, em São Paulo, e o Hotel Villa Verde, em Adamantina.

Rodei mais de 600 quilômetros com apenas três paradas para reforçar o tanque de álcool do meu automóvel e o meu estômago.

Em Adamantina, fiz a ficha exigida pelo hotel no menor tempo que me foi possível e tomei, rapidamente, o rumo da Rádio Brasil, onde trabalhei há 40 anos.

No ar estava o meu Amigo e proprietário da emissora Jonas Bonassa, o Sabiá.

Não nos víamos há 39 anos e meio. Desde que daqui sai para trabalhar no Jornal do Comércio de Marília.

Na época, Sabiá estava começando na profissão de radialista.

Ele me recebeu com euforia, me levou para uma conversa a dois na sala da presidência e depois me conduziu ao estúdio.

Tivemos um dialogo rápido aos microfones e, no ar, ele me intimou a conceder uma entrevista na Rádio Jóia, também de propriedade de Sabiá, às 11h30 desta terça-feira.

De volta ao hotel, às 19h30, tomei banho, me troquei, vi meu correio eletrônico e fui às ruas.

Estava ansioso por rever a minha cidade.

Em frente ao Villa Verde, na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Deputado Salles Filho, continua, mais rainha do que nunca, a Casas Pernambucanas.

Abaixo da Salles Filho, mas ainda na Rio Branco, a mesma revistaria e livraria de sempre, a do Carlito, onde comprei um exemplar da primeira edição da revista Veja, no fim dos anos 1960.

Na esquina de baixo, ouvi vozes no primeiro piso do prédio da Prefeitura, subi e dei de cara com a sessão semanal da Câmara Municipal.

Sem que nada me atraísse, deixei o local em não mais do que 15 minutos.

Dali fui conferir o que restou de alguns lugares marcantes dos meus tempos de menino e adolescente por terras adamantinenses.

A casa onde funcionava a telefônica local continua lá, agora abrigando a Casa do Papai Noel. Não pude entrar, mas deu para ver que o imóvel continua preservado.

Também não pude entrar na ex-residência da minha família, na Alameda Armando de Salles Oliveira, mas revi com satisfação e nostalgia o quarteirão onde morei por anos, brinquei e joguei futebol.

Entrar eu entrei no prédio do Instituto Educacional (foto), na Alameda Santa Cruz, esquina com a Rua General Isidoro, onde estudei os primeiros anos do ginasial. A escola está diferente, mas ativa. Além de cursos do ensino do Primeiro e Segundo graus, forma técnicos em Açúcar e Álcool, Meio Ambiente, Segurança do Trabalho, Prótese Dentária, Nutrição e Dietética, Enfermagem e Enfermagem do Trabalho.

No caminho de volta ao hotel, revi o local onde era a rodoviária, hoje um centro espírita; a Casa Andes, que pertencia a uma família japonesa com quem convivi na Seicho-No-Iê e que me pareceu abandonada; tomei sorvete de milho no Palácio do Sorvete, cujo dono me garantiu que tudo ali é preparado pela família dele, artesanalmente; a rua em que ficava a Prefeitura, de cujo prédio não sobrou o menor vestígio.

Por fim, passei pelo que restou do Cine Santo Antônio. Lá eu vi os melhores filmes da minha adolescência e senti as emoções típicas de uma formatura ginasial.

Foi triste ver quase nada restou do Cine Santo Antônio dos meus tempos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

18/8/2008 23:11:25

domingo, 10 de agosto de 2008

Por quê? (112) Dia dos Pais


Cláudio Amaral

Vou à garagem para colocar o guarda chuva dentro do carro e dou de cara com um Philips antigo.

Imediatamente, lembro-me do meu pai.

Não por acaso, é Dia dos Pais, 10 de agosto de 2008.

Era nesse Philips que meu pai ouvia as notícias de São Paulo, do Brasil e do mundo.

Fabricado na Holanda, ele ainda tem carcaça de plástico duro (Bakelite) e válvulas, muitas válvulas.

Uma delas está queimada há anos, muitos anos. E com isso eu não posso mais ouvir a Bandeirantes, a emissora de rádio preferida do meu pai.

Desde 1958, pelo menos, quando meu pai, minha mãe, minhas duas irmãs, meu irmão e eu mudamos de volta de São Paulo para Adamantina, onde nasci, que ele, meu pai, usava o hoje velho Philips holandês para ouvir a Rádio Bandeirantes e através dela as notícias do dia.

Ele ouvia Vicente Leporace, Enzo de Almeida Passos, Moraes Sarmento, Salomão Ésper, Pedro Luis, Mário Moraes, Edson Leite, José Paulo de Andrade, Fiori Giglioti... e muitos outros grandes nomes do rádio-jornalismo brasileiro.

Cresci ouvindo essa gente falando o dia todo aos meus ouvidos, enquanto passava roupas – calças, principalmente – na Lavanderia Adamantina.

Certa vez o Philips caiu ao chão e caixa de plástico, embora duro, se quebrou.

Felizmente, foi só a caixa. A parte elétrica, inclusive as válvulas, continuou a funcionar normalmente.

Enquanto meu pai não conseguiu uma caixa igual, ouvíamos a Bandeirantes – sempre em ondas curtas de 49 metros – no esqueleto do Philips.

Anos depois, quando eu já estava casado e morava em apartamento próprio com Sueli e Cláudia, nossa primeira filha, na Rua Machado de Assis, na Vila Mariana, em São Paulo, chegou de Marília uma caixa de papelão.

- É o seu presente de aniversário enviado por seu pai, me disse Sueli.

Abri e dei de cara com o velho Philips remoçado.

Meu pai havia conseguido um caixa de plástico igualzinha à original. Não era nova, mas brilhava.

Usei o velho Philips holandês o quanto ele me permitiu.

Ouvia as emissoras locais, inclusive a Bandeirantes, em AM. As rádios de outras localidades, como a Globo do Rio de Janeiro, eu escutava em ondas curtas.

Quando eu e a família nos mudamos para a casa assobradada onde vivemos há mais de 30 anos, na Rua Gregório Serrão, armei uma antena de cinco metros, de um canto ao outro do quintal, o mais alto possível.

Coloquei o Philips no escritório, um quartinho localizado após o quintal, e lá ficava, sempre que tinha tempo livre, a escutar emissoras da Argentina, da Europa e dos Estados Unidos.

Quando ele deixava de funcionar, eu o levava a um técnico que morava e trabalhava a cerca de 200 metros de minha residência.

Um dia, infelizmente, o senhor rádio-técnico levou um choque forte, enquanto consertava um aparelho elétrico, e morreu.

Nunca mais eu encontrei quem trocasse as válvulas queimadas do velho Philips.

Hoje, Dia dos Pais, ele, o Philips holandês, é peça de museu. Repousa tranqüilo na garagem. E serve apenas para me fazer lembrar do meu pai, Lázaro Alves do Amaral, que nos deixou em 1985.

Como eu tenho saudades do meu pai.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

10/8/2008 22:22:31

sábado, 9 de agosto de 2008

Por quê? (111) Rumo a Adamantina


Cláudio Amaral

A viagem está devidamente planejada.

Sairei de São Paulo na manhã do dia 18 e voltarei no fim da tarde do dia 20.

Será a primeira vez que viajarei à minha cidade a convite.

Irei a convite do secretário municipal de Cultura da Prefeitura de Adamantina, jornalista Acácio Rocha.

Formalizado no dia 29 de julho pela professora Ana Luísa Antunes Dias, o convite inclui uma participação especial no 9ºCI.COM - Ciclo de Palestras de Comunicação Social.

A professora Ana Luísa é coordenadora do Departamento de Comunicação Social da FAI - Faculdades Adamantinenses Integradas.

Minha participação, segundo ela, será das 21h às 22h30 do dia 19.

Durante esse tempo, eu falarei com os estudantes de Comunicação Social da FAI e terei oportunidade de lançar a segunda edição de “Meus escritos de memória”.

A primeira edição ficou pronta no final de novembro e foi apresentada ao público exatamente no dia 3 de dezembro de 2006, data do meu 57º aniversário.

Foi a primeira vez que eu me atrevi a publicar um conjunto de textos de minha autoria em formato de livro.

Um livro diferente, pois foi editado em CD.

A edição foi do meu Amigo e parceiro Marcello Vitorino, fotojornalista de primeira grandeza.

Vitorino fez a segunda edição, também, que me foi entregue por ele na tarde desta sexta-feira, 8/8/2008, em tempo de uma revisão geral, reprodução e preparação final para a viagem do dia 18.

Nessa fase final eu conto com a colaboração de Sueli Amaral, minha sócia em tudo o que eu fiz de bom desde o dia 15 de julho de 1969.

Em “Meus escritos de memória” eu relato minhas lembranças dos tempos de menino pequeno em Adamantina, Marília e São Paulo.

Morei e vivi por duas vezes em cada uma dessas cidades.

Lembro-me em detalhes os fatos mais importantes de minha vida em cada uma delas.

É isso, portanto, que divido com quem já me deu e também com aqueles que vierem a me dar o privilégio de ler minhas memórias.

Aos estudantes de Jornalismo, especificamente, lembro o início de minha carreira, a partir da primeira reportagem, no dia 1º de maio de 1968, em Adamantina.

Falarei com eles em pormenores na minha participação no 9ºCI.COM - Ciclo de Palestras de Comunicação Social.

Mas, sinceramente, pretendo muito mais dessa viagem.

Pretendo rever tanto lugares quantos me forem possíveis: as escolas em que estudei (o 1º Grupo Escolar, o Instituto Educacional, o Atheneu Bento da Silva, o Instituto Helen Keller), a casa em que morei, a rua em que joguei futebol, o Estádio Municipal Antônio Goulart Marmo, os cinemas, os clubes, a sede da Seicho-No-Iê, a Matriz de Santo Antonio... ou pelo menos o que sobrou de cada uma deles.

Desejo conhecer e rever pessoas: o Acácio, a Ana Luísa, o Sabiá e o pessoal da Rádio Brasil (onde trabalhei), o professor Celso Alves Lima (que conheceu meu pai), o Chico Toffoli (que me enviou informações preciosas e que enriqueceram meus textos a respeito de Adamantina), o prefeito Kiko Micheloni, vereadores, a Carolina Galdino da Silva e o pessoal do Jornal da Cidade, o meu querido e inesquecível professor Fernando Chagas Fraga, o Sérgio Vanderlei e os colegas do Jornal Impacto e quem mais estiver vivo, morando na cidade e se lembrar de mim e dos meus tempos de menino e adolescente.

Se me for possível, darei uma passada rápida pelas cidades da região: Lucélia, Osvaldo Cruz e Tupã.

Estou muito feliz e ansioso por esta viagem.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

8/8/2008 18:57:24 e 9/8/2008 09:14:25

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Por quê? (110) Dia do futebol




Cláudio Amaral

Acordei com duas preocupações na cabeça: a situação da menininha que conheci dia desses na Rua Domingos de Moraes e minha próxima viagem a Adamantina.

Ela, a menininha, tem a idade de minha netinha: 13 meses. Mas, infelizmente, leva uma vida completamente diversa da minha Be(bê)atriz, que tem quase tudo (família, amor, roupas, comidas, carinho, casa, brinquedos...), ao contrário da outra, que quase nada tem, embora me pareça feliz, graças, acredito, à sua santa ingenuidade e pureza.

Minha próxima viagem à cidade onde nasci acontecerá daqui a 12 dias e eu já me vejo emocionado, imaginando o momento em que estiver saindo da Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros e entrando em Adamantina.

Imediatamente, entretanto, meus pensamentos se voltaram para um outro assunto importante, para mim, pelo menos: o futebol.

Fui dormir sem saber os resultados dos jogos de ontem à noite pelo Brasileirão 2008.

Quando desliguei a televisão, dominado pelo sono, Fluminense e SPFC estavam nos vestiários do Maracanã e o placar marcava 0 a 0. Na Vila Belmiro, o Santos FC vencia o Coritiba por 2 a 1 e havia saído da zona de perigo, finalmente.

Antes de abrir o Estadão e me atualizar a respeito desses dois jogos, liguei a TV e vi a magra mas importante vitória do Brasil sobre a Bélgica por 1 a 0, gol do valente Hernanes (foto), pela primeira rodada das Olimpíadas de Pequim.

Terminado o jogo de estréia do time de Dunga (e de nós todos, brasileiros), abri o Estadão e levei um susto: SPFC e Santos FC perderam ontem à noite, e de virada, ambos.

Fiquei, então, a imaginar a situação dos meus amigos que torcem para esses dois times.

Os são-paulinos, tudo bem, porque o time do Morumbi ainda está no G-4, o grupo daquelas equipes que têm chance de disputar a Copa Libertadores em 2009. De quebra, viram um atleta do tricolor paulista marcar o gol da vitória da seleção olímpica na China.

Infelizmente, entretanto, os santistas, como meu compadre Carlos Conde, minha irmã Clélia e meus sobrinhos Cristiano e Luciano, estão, com certeza, de cabeças inchadas.

Por quê?

Porque não há meio de o Santos FC se acertar, encontrar o caminho da vitória e sair da zona do rebaixamento.

Isso é preocupante, muito preocupante.

De quebra, o técnico Cuca pediu demissão e a incompetente diretoria do Santos FC aceitou.

Por mais corintiano que eu seja, lamento a situação do time que deu anos e anos de alegrias para o futebol brasileiro, tantas foram as vitórias que Pelé e companhia conseguiram no exterior.

Sei o quanto é difícil encarar uma queda para a segunda divisão e não gostaria que o Santos FC passasse por isso.

Nem o Santos FC, nem Fluminense, nem o Vasco (que também perdeu feio, novamente, na noite de ontem), nem o Atlético Mineiro.

Time grande, na minha opinião, tem que disputar o Brasileirão, a Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Disputar a segundona, como faz o Corinthians neste ano, por mais alegria que as vitórias e a liderança nos dão, é para clubes sem tradição.

Não quero, portanto, nem imaginar o quanto ainda vão sofrer meus amigos que torcem pelo Peixe. E, do fundo do coração, por mais estranho que possa parecer, vou continuar a torcer para que o Santos FC – e o Fluminense e o Vasco, também – se recuperem e se mantenham na primeira divisão.

Para o bem deles – clubes e torcedores, especialmente os meus amigos santistas, tricolores e vascainos –, do futebol brasileiro e de todos nós que gostamos de futebol.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

7/8/2008 09:42:40

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Por quê? (109) Você tem idéia?



Cláudio Amaral

Você tem idéia, caro e-leitor, da emoção que um ser humano, brasileiro da classe média, sente ao sair de casa na primeira hora da manhã de um sábado, com destino a um dos melhores e mais famosos autódromos do mundo?

Você tem idéia do que é – e como é – voltar ao Autódromo de Interlagos (imagem acima) depois de mais de 14 anos?

Você tem idéia de quantos filmes passam pela cabeça de um cidadão enquanto ele faz o trajeto entre o bairro em que vive, próximo à região central da Capital paulista, e o Autódromo de Interlagos?

Você tem idéia de quão emocionantes são todos esses filmes?

Você tem idéia do que o cidadão brasileiro sente ao enfiar a mão direita no bolso e tirar uma nota de R$ 50,00 para pagar R$ 30,00 pelo estacionamento do veículo que o levou a Interlagos?

Você tem idéia do que é voltar a Interlagos pela primeira vez depois de 1º de maio de 1994?

Você tem idéia de como se sente o brasileiro que vai a Interlagos sabendo que não encontrará por lá o cidadão Ayrton Senna da Silva?

Você tem idéia da emoção que passa pelo cérebro e arrepia o corpo todo de uma pessoa que foi a Interlagos por mais de uma centena de vezes e volta a colocar os pés por lá depois de mais de 14 anos?

Você tem idéia do que é sentir o ronco forte dos motores dos veículos que disputam o Campeonato Brasileiro de Stock Car de 2008?

Você tem idéia do quanto tremem as arquibancadas de Interlagos no exato momento da largada de 20 carros da Copa Nextel de Stock Car?

Você tem idéia do que é constatar que mais de 14 anos se passaram desde a última ida a Interlagos e ainda estão por lá, competindo, pilotos como Ingo Hoffmann?

Você tem idéia do que passa pela cabeça de “um rapaz latino-americano... vindo interior” quando ele fica sabendo que Paulão Gomes e Chico Serra não competem mais, mas que os descendentes deles estão lá, competindo e vencendo?

Você tem idéia do que é ir a Interlagos como cidadão comum para quem já lá esteve por mais de uma centena de vezes como credenciado com liberdade para ir e vir por onde desejar em todas as provas, inclusive as de Fórmula 1?

Você tem idéia do que é olhar para a pista de Interlagos e lembrar que ali já competiram pilotos da categoria de Alan Prost, Nick Lauda, Nigel Mansel, Nelson Piquet, Michel Schummacher, Rubens Barrichello, Felipe Massa, entre muitos outros, mas principalmente Ayrton Senna da Silva?

Você tem idéia do que é pisar o chão por onde passaram três integrantes do clã Fittipaldi (Emerson, Wilsinho e Christian), todos descendentes da figura impar que é o barão Wilson Fittipaldi, pioneiro nas transmissões de competições automobilísticas pela Rádio Panamericana, a Jovem Pan?

Você faz idéia do que é rever, ainda que de longe, o outrora “menino da selva” Antônio Pizzonia, que brilhou no Kartódromo Schincariol, em Itu, para depois ganhar o mundo a bordo de um Fórmula 1?

Você faz idéia do que é voltar ao Autódromo de Interlagos e ali não ver mais, além de Ayrton Senna da Silva, também o jornalista que mais entendia de automobilismo de competição e mais conhecia os pilotos brasileiros, o saudoso e inesquecível Cecílio Favoretto?

Você faz idéia de tudo isso?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

4/8/2008 12:40:25

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Por quê? (108) Vivo bem, mas...




Cláudio Amaral (foto de Tiago Brandão, Prêmio Esso de 2007 pelo jornal Comércio da Franca)

Eu vivo bem, em São Paulo.

Estou aqui há mais de 37 anos.

Se eu somar os outros anos que aqui vivi, na infância, tenho mais de 40 anos de terras paulistanas.

Moro num bairro agradável, a Aclimação.

Mais parece uma pequena cidade do Interior paulista, ainda que o meu bairro esteja bem próximo à região central desta Capital.

Daqui eu vou bem para qualquer lugar da cidade, seja de ônibus, de Metrô ou de carro.

Conheço bem os horários de pico e os evito, tanto quanto possível.

Resido numa casa boa, muito boa. Ampla e segura.

Minha rua, a Gregório Serrão, é tranqüila. Por ela não passa ônibus, e isso faz a diferença, em São Paulo.

Com uma caminhada de 300 metros, aproximadamente, eu estou no Metrô Ana Rosa. De lá, posso ir para todas as zonas da cidade.

Se quiser, e precisar, tenho ônibus com fartura para as demais regiões paulistanas.

Para completar, eu e minha família estamos exatamente entre dois parques: o da Aclimação, o meu preferido, e o do Ibirapuera.

Posso caminhar até o parque que eu preferir, e lá fazer os exercícios que a idade exige.

Mesmo assim, eu fico com inveja dos amigos do Interior paulista.

Inveja positiva, é verdade. No bom sentido. Até porque estou careca de saber que inveja, inveja mesmo, faz mal à saudade e, se bobear, mata.

Fiquei com inveja do Ivan Evangelista, por exemplo.

Por quê?

Porque ontem pela manhã recebi um correio eletrônico em que ele conta as aventuras e desventuras das férias de julho.

E, com o maior bom humor e disposição, ele me contava em detalhes o gás que acumulou para enfrentar o segundo semestre de 2008.

Ivan, para quem não sabe, ou não se lembra, vive em Marília, a 460 quilômetros da Capital paulista, é especialista em marketing e desempenha funções importantes junto ao Univem, o Centro Universitário Eurípides de Marília, mantido pela Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha.

Nas horas vagas, ela fotografa.

E como são belas as fotos do Ivan Evangelista.

Dele e do pessoal que com ele faz parte do Fotoclube de Marília, uma entidade que reúne fotógrafos daquela cidade.

Respondi no ato ao correio eletrônico do Ivan, ontem pela manhã. E disse a ele, sem constrangimento, o quanto eu gostaria de estar em Marília, vivendo com a qualidade de vida que ele e milhares de marilienses têm.

Paralelamente, Ivan, eu ficaria muito feliz se pudesse ensinar no Univem, passando aos futuros comunicadores as experiências que eu tenho vivido desde que fiz minha primeira reportagem, no dia 1º de maio de 1968, lá pelos lados da minha querida Adamantina.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

1/8/2008 18:38:02