sexta-feira, 23 de março de 2012

Por quê? (279) O passado e o presente: feliz!


Eduardo Martins foi criador e editor do Manual do Estadão


Cláudio Amaral

Sempre fui contra a aposentadoria. Vivia dizendo: “Jamais me aposentarei; afinal, aposentar é assinar o atestado de óbito”. Mentira! Sinto-me tão bem na condição de aposentado! Sinto-me útil. Livre. E feliz!

Por exemplo: por estar aposentado, ontem (22/3/2012) pude fazer pelo menos três boas ações (secretas para a maioria). E me senti útil. Muito útil. Senti emoções que não teria como sentir se estivesse na ativa, com compromissos profissionais de outros tempos.

Admiro quem ainda tem disposição para se manter na ativa. Como o Professor José Antônio Tobias, meu Amigo dos tempos de Marília, nos anos 1960/70, com quem reativei contato nesta semana e que continua à frente da Faculdade Alta Floresta (MT), mesmo estando com 85 anos de idade. Admiro, mas não o invejo.

Se ainda estivesse na ativa, como estive até há dois anos, na Redação d’A Tribuna de Santos, eu não teria tempo (e disposição?) para fazer o que fiz ontem.

Dificilmente teria tempo também para revirar parte do meu passado recente, como fiz hoje pela manhã.

Mas o que eu fiz nesta manhã?

Nesta manhã eu tive tempo (e disposição) para abrir o maleiro do meu guarda-roupa (com a ajuda de Sueli, minha eterna companheira) e revirar o meu passado.

Lá encontrei, por exemplo, diversas fotografias. Da família e dos Amigos. Uma delas mostra o piloto e Amigo Rubens Barrichello ainda criança, sentado num kart e com a marca da minha COMUNIC estampada no capacete. Ele nem deve se lembrar mais disso, pois a foto é de 1985, mas o Rubão, pai dele, se lembra, com certeza. E mais: está provado e comprovado que um dia ele competiu exibindo a marca da COMUNIC.

Dentro de uma das malas que encontrei no maleiro estão, também, cartões pessoais e profissionais. Como dos “Agentes Fifa” que conheci num torneio de equipes de futebol de campo integradas por jogadores sub-20, na Arena Barueri, há três anos.

Encontrei também três CDs que me fizeram relembrar a minha passagem por Franca e pelo diário Comércio da Franca, em 2005/6. Mais: as publicações que os jornalistas Corrêa Neves Júnior, Joelma Ospedal e Sônia Machiavelli me trouxeram da Argentina. Eles lá estiveram em 2005 para acompanhar o Congresso Mundial de Jornais e me deram, entre outros, um CD (Aula de El Mundo – Descubriendo el medio ambiente II) e um livreto que nos ensina “Cómo ganar y cautivar lectores jóvenes” em “50 estrategias editoriales”. São publicações inesquecíveis e intransferíveis.

Tive tempo, ainda, para manusear dois dicionários inseparáveis: o Longman – Dicionário Inglês-Português e Português-Inglês que comprei em 25/10/2003 por indicação de minha filha querida e o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras em 2008, quando me responsabilizei pela mobilização dos jornalistas d’A Tribuna de Santos para implantação da Nova Ortografia.

O mais precioso e valioso documento que encontrei nos meus guardados, nesta manhã, foi, no entanto, um cartão de Natal de 2004. Ele está manuscrito e assinado por um grande e inesquecível Amigo. Um Mestre, que não está mais entre nós, infelizmente: Eduardo Martins, nascido e batizado Eduardo Lopes Martins Filho.

No cartão, datado de 24 de dezembro de 2004, Edu escreveu, carinhosamente: “Cláudio Amaral, amigo de sempre: Um Natal de paz e alegria e muito sucesso em 2005 à frente de O Estado de Mato Grosso do Sul. Abraços afetuoso e saudoso do colega Eduardo Martins”.

Eduardo Martins foi meu segundo Mestre em Jornalismo, trabalhamos na Redação do Estadão e jamais vou me esquecer dele.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


23/3/2012 09:45:08

sexta-feira, 16 de março de 2012

Por quê? (276) Emoções gauchescas e brasileiras



Minha Amiga Whalmir Anna e Marcelinho, afilhado dela

Cláudio Amaral

As emoções e as alegrias insistem em nos surpreender. As tristezas também. Mas todos temos certeza de que é melhor sentir emoções e alegrias inesperadas. Sempre.

E foi isso que me aconteceu na manhã nublada desta sexta-feira (16/3/2012). Fui à feira e em seguida rumei para o Hospital das Bonecas, no Brooklin, zona sul da Capital paulista.

Fui levar para conserto um aparelho eletrônico que a família de Cláudia, Márcio, Beatriz e Murilo levou para os Estados Unidos, em agosto do ano passado.

Tive dificuldades para chegar ao local, mas evitei me irritar com o tráfego e para isso usei o rádio do meu Honda Fit.

Comecei ouvindo a Jovem Pan. Em seguida, para variar um pouco, para a Estadão/Espn, depois para a CBN e finalmente para a Bandeirantes. Todas em AM, a banda de minha preferência, sempre.

Na volta, continuei a sintonizar a Bandeirantes e a partir daí comecei a me emocionar. Estava no ar o programa do José Luiz Datena, que entrevistava o cidadão Gaúcho da Fronteira ou Heber Artigas Fróis. Ele nasceu em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, no dia 23 de junho de 1947. É um músico brasileiro e um dos mais conhecidos intérpretes de música regional gaúcha, de acordo com o que encontrei no site http://pt.wikipedia.org/.
Entrevistado com maestria por Datena, o Gaúcho da Fronteira nos brindou com uma pérola, que reproduzo a seguir.

Canto Alegretense

Gaúcho da Fronteira

Não me perguntes onde fica o Alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e violão
Prá quem chega de Rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no Rio Ibirapuitã

Houve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduy

E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer
E nos olhos vou levar o encantamento
Desta terra que eu amei com devoção
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão.

Emocionei-me de imediato e por um motivo especial: lembrei-me de uma grande e querida Amiga: Whalmir Anna Fuchs VonKoenig. A conheci quando ela era editora na Folha da Tarde de Porto Alegre e por conta de uma viagem ao Uruguai. Fiz uma parada na capital gaúcha antes de seguir para Montevideo para acompanhar uma participação do Brasil na Copa Davis de Tênis. Era o início dos anos 1980 e a minha COMUNIC assessorava a Marlboro nos bons tempos em que a seleção brasileira tinha os tenistas Carlos Kirmayr e João Soares, entre outros, sob o comando do também Amigo Paulo Cleto.

Voltei a Porto Alegre outras vezes. Só e na companhia de Sueli Bravos do Amaral. Fomos a trabalho e também a turismo. Sempre acompanhados por Whalmir. E curtimos muito a cultura gaúcha. Especialmente a cultura musical. E numa dessas ocasiões, curtimos musicas como essa do Gaúcho da Fronteira, que está à disposição no site http://letras.terra.com.br/gaucho-da-fronteira/1137630.

Ficamos anos e anos sem contato com a nossa Amiga gaúcha. Mas, graças a Deus, voltamos a encontrá-la pelo Facebook. E queremos continuar em contato com ela. Sempre. E para sempre.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


16/3/2012 12:52:14

segunda-feira, 12 de março de 2012

Por quê? (277) As sábias palavras de Padre Toninho



Moisés com as Tábuas da Lei, por Rembrandt


Cláudio Amaral

Os bons oradores sempre estiveram presentes em minha vida. Em Adamantina, em Marília, em Campo Grande (MS), em Franca, em São Paulo e em Santos.

Por sorte (palavra que minha mulher gosta pouco ou quase nada) ou por merecimento (como prefere minha orientadora psicológica).

Pelo sim, pelo não, o certo que me encontrei com bons oradores tanto na Matriz de Santo Antônio, o padroeiro de minha querida Adamantina, onde nasci, quanto na Paróquia de Santa Rita de Cássia, na Vila Mariana, aqui em São Paulo.

O mesmo se deu, por exemplo, na Igreja que frequentei junto ao Colégio Dom Bosco, em Campo Grande. Eu e Sueli, quando ela também estava na capital do Mato Grosso do Sul. Lá, lembro-me perfeitamente, parecia-me que os padres falavam comigo durante os respectivos sermões. Eu chegava a pensar que eles liam os meus pensamentos e compreendiam os apuros que eu passava nos meus tempos de diretor de Redação do jornal O Estado do Mato Grosso do Sul.

Igualmente na Matriz de Franca (SP), cidade para onde me transferi em seguida. Fiz excelentes amizades com os oradores do local e também algo que eu gosto muito: cantar durante as celebrações.

Na Santa Rita de Cássia, aqui em São Paulo, paróquia que eu e Sueli frequentamos há mais de 30 anos, quem mais nos encantou foi Frei Inocêncio, que recentemente foi transferido para a Igreja de Santo Agostinho, a três quilômetros daqui. Ele sempre nos brindou com sermões claros e esclarecedores. Agora, esperamos o mesmo do Frei Cristiano, que o substituiu a partir de 19/2/2012 e a quem conhecemos pouco.

Bem, mas acredito que escrevi demais até chegar ao motivo principal desta crônica.

A razão que me levou a sentar e escrever estas linhas é a viagem que fizemos a Santos entre sexta-feira e domingo.

Ou melhor: o sermão que ouvimos da boca de um dos párocos que mais admiramos desde fins de 2008, quando fomos para a Baixada paulista: o Padre Toninho.

Até às 8h30 de domingo, quando assistíamos a celebração da Missa no Sagrado Coração de Jesus, no bairro da Aparecida, eu – pelo menos eu – tinha conhecimento de que os Mandamentos de Deus eram dez. Apenas e tão somente dez.

Entretanto, ao iniciar o sermão, Padre Toninho nos perguntou:

- Quem sabe quantos são os Mandamentos de Deus?

E todos – ou quase todos nós – respondemos, sem pensar duas vezes:

- Dez.

Estávamos enganados. Totalmente enganados, segundo Padre Toninho.

E ele nos explicou que no Antigo Testamento os Mandamentos eram 613. Sim, seiscentos e treze, entre Mandamentos positivos (mais de 240) e Mandamentos negativos (mais de 360).

Quando ficou patente que ninguém seria capaz de decorar os tais 613, disse Padre Toninho no sermão da primeira Missa de domingo, os Mandamentos foram reduzidos para dez: 1º) Amar a Deus sobre todas as coisas; 2º) Não usar o nome de Deus em vão; 3º) Guardar domingos e festas de guarda; 4º) Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores); 5º) Não matarás; 6º) Guardar castidade nas palavras e nas obras; 7º) Não roube (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo); 8º) Não levantar falsos testemunhos; 9º) Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos; 10º) Não cobiçar as coisas do outro.

Ainda bem que Padre Toninho não nos pediu para recordarmos de improviso os Dez Mandamentos, porque seria difícil. Por isso, certamente, os dez acabaram sendo reduzidos para dois: “Ame a Deus sobre todas as coisas” e “Ame ao seu próximo como a ti mesmo”. E finalmente para apenas um: “O Amor deve prevalecer sobre todas as coisas”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

Em tempo: quem pretende saber mais a respeito do tema deve buscar em http://pt.wikipedia.org/wiki/613_mandamentos.

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


12/3/2012 17:55:27

sábado, 3 de março de 2012

Por quê? (276) Se Prefeito de São Paulo eu fosse...




Cláudio Amaral

Passava um minuto das dez horas da manhã deste sábado nublado na Capital paulista.

Eu descia a Rua Joaquim Távora e estava a chegar na esquina com a Rua Humberto I (Primo ou Primeiro, como você quiser), na Vila Mariana.

Ia a caminho da feira livre instalada junto ao Instituto Biológico.

E naquele local (Joaquim Távora proximidades da Humberto I), ouvi dois garis conversando a respeito da limpeza que faziam nas sarjetas em frente ao prédio de luxo.

Eram uma mulher e um homem.

E a mulher disse ao homem, enquanto ambos lutavam contra a sujeira que teimava em não sair debaixo das rodas dos automóveis ali estacionados:

- Se prefeito eu fosse, pagava para os motoristas desses carros pararem longe das calçadas.

Certamente ela e seu parceiro de varrição queriam ter mais liberdade para ir e vir com as respectivas vassouras. E isso os automóveis não permitiam.

Ato continuo eu me lembrei – e quase falei aos dois – que a Prefeitura, seja de onde for, não tem obrigação alguma de custear estacionamento para quem quer que seja.

E mais: se assim fosse, quem pagaria pelo privilégio dado pela Prefeitura de São Paulo seria ela e ele, os garis. Nós também e todos os demais contribuintes.

O Prefeito, também, porque ele tão contribuinte quanto cada um de nós, embora seja um dos principais privilegiados entre todos os habitantes paulistanos, paulistas e brasileiros.

O ideal, prezados garis, seria que no Brasil a população – incluindo motoristas, transeuntes e habitantes locais – fosse um pouquinho, só um pouquinho mais educados.

Até onde sei e vi em minhas muitas viagens pelo mundo afora, o Brasil é um dos poucos e raros países em que a população joga lixo nas ruas.

Lixo e muito mais.

Imagino que outros países sul-americanos que visitei nos meus 62 anos de vida também sejam assim, também, mas garanto que não vi lixo nas ruas da Argentina (onde conheci Buenos Aires e Baia Blanca), Paraguai e Uruguai.

Uma coisa, entretanto, eu posso garantir: São Paulo, onde vivo há mais de 40 anos, é a cidade que mais tem lixo nas ruas. Muito mais do que todas as outras zonas urbanas que tive como conhecer.

São Paulo, caros garis, tem mais lixo do que eu vi nos meus 18 meses em Santos. E o povo que aqui vive é tão indisciplinado quanto os santistas.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


3/3/2012 14:33:33