terça-feira, 21 de junho de 2016

Por quê? (365) – A cola, a sabatina e a História


Cláudio Amaral

- Colei na sabatina de História.

Está assim. Exatamente assim. Está no alto da página 81 de Clarissa. Portanto, não, não e não. Não fui eu quem colou na sabatina de História. Até porque nunca fui de colar em sabatina e em prova alguma. Sempre fui aluno dedicado, aplicado, sério. Em todos os graus de ensino que cursei. Em todas as escolas que frequentei em Adamantina, em Marília, em São Paulo.

Como se dizia nos meus tempos de escola, sempre fui “caxias”. Ou “CDF”, vulgo “c... de ferro”, como preferirem. Sempre fui estudioso. Sempre estudei muito. Muito mais do que o necessário. E assim sendo nunca tive razão para colar. Nem mesmo nos concursos que prestei ao longo dos meus 66 anos.

Quem colou foi a jovem personagem do livro do consagrado e saudoso escritor Erico Verissimo (1905-1975).

Personagem, no caso, da 48ª. edição de Clarissa, um livro publicado em papel jornal pela Editora Globo (Porto Alegre – Rio de Janeiro), em 1983.

Tem mais: a frase que ela “pronunciou” e Verissimo registrou foi dita dentro de uma Igreja Católica de Porto Alegre (RS), onde Clarissa foi assistir uma missa de domingo quando ela ainda não havia ingressado na adolescência.

Como você, caro e-leitor, pode perceber, nesta curta viagem que faço pelos EUA, estou a ler Verissimo. E não é a primeira vez. Até porque já li quase todas as obras deste que foi um dos mais consagrados escritores brasileiros do Século XX.

E como escrevi no texto anterior – Os pássaros também falam? –, nesta tarde de terça-feira (21/6/2016) minha memória foi despertada pelo fato de que sou apaixonado por História.

Tanto isso é verdade que cursei Licenciatura em História na FMU entre 2013 e 2015. E desde então procuro me especializar em Biografias, um dos ramos mais fascinantes da “Ciência em construção” que é a História (certo minha querida Professora Yara Cristina Gabriel?).

Além de me lembrar de todos os meus Professores e de muitos colegas e muitas coleguinhas do curso de História na FMU, a fala de Clarissa me levou novamente às salas de aulas da Escola Estadual Major Arcy. Lá, naquela escola pública da Aclimação, “o bairro mais agradável de São Paulo”, fiz meu estágio obrigatório – e inesquecível – ao longo de três semestres, em 2014 e 2015.

Estagiei com o apoio de todos os Professores e o irrestrito respaldo da direção. Dos funcionários e dos quase 300 alunos, também. Indistintamente. Mesmo porque fui um dos poucos estagiários que tiveram o privilégio de frequentar a Sala dos Professores e as reuniões – quase todas – de planejamento e avaliação.

Mesmo depois do fim do estágio, faço questão de ir com frequência ao Major Arcy. Seja para acompanhar as aulas de História – principalmente – com o Professor Felippe, de Filosofia com a Professora Laura e o Professor Nilso, de Português com a Professora Marisa, de Artes com a Professora Olga, de Xadrez com o Professor Félix, de Educação Física com o Professor Marcelo, de Matemática com os Professores José Roberto e Elias, de Geografia com o Professor Marcelo, de Ciências e Biologia com o Professor Duran... seja para ver as apresentações musicais e teatrais no pátio, quase sempre sob a coordenação da Professora Ivani... seja para as festas juninas na quadra, organizadas e dirigidas pela Professora Eliane (a Diretora) com o apoio dos Professores Cromancio (Vice-Diretor), Paulo (Coordenador Geral), Sula e Silvia (também coordenadoras).

Foi tão marcante em mim a acolhida e o apoio que sempre tive naquela E. E., onde, por sinal, estudaram meus dois filhos, que acabei por me tornar um Professor-Voluntário do Major Arcy.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


21/06/2016 18:51:23 (pelo horário de Verão da Costa Leste dos EUA, onde estamos uma hora antes do horário de Inverno de Brasília) 

sábado, 18 de junho de 2016

Por quê? (362) – Os pássaros também falam?


Cláudio Amaral

Nos romances os animais falam, escreveu Erico Verissimo no alto da página 37 da 48ª. edição de Clarissa, publicada pela Editora Globo (Porto Alegre – Rio de Janeiro), em 1983.

Intrigado com essa frase, que li perto do meio-dia deste sábado (18/6/2016), na sala de casa, em Ashburn Village, no Estado de Virgínia, aqui nos Estados Unidos da América, fui conferir ao longo dos caminhos que existem por estes lados do Hemisfério Norte.

E qual foi a conclusão a que você chegou?, deve estar perguntando aquele que me lê neste momento, via rede mundial de computadores, em algum lugar do planeta.

A conclusão é: Sim. Os animais falam. E não é apenas nos romances.

Todos os animais?

Acredito que a resposta correta é sim. Mas, com certeza absoluta posso sustentar que pelo menos os pássaros falam.

Sim. Os pássaros falam. Ou pelo menos essa é a impressão que tenho ao longo das minhas caminhadas diárias em torno do lago artificial que costumo frequentar nesta minha pequena ausência do Brasil, a segunda neste ano.

Estamos em Ashburn pela sétima vez em cinco anos. Desde a manhã de terça-feira, 07/06/2016, depois de um conturbado voo entre o Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, em Cumbica, bairro do município paulista de Guarulhos, e o Washington Dulles, na capital dos EUA.

Viemos, Sueli e eu, para participar do nono aniversário da netinha Beatriz, nascida no Brasil, em 2009, e que aqui vive com os pais e o irmãozinho Murilo, 6 anos e meio, há quase cinco anos.

Uma das primeiras atitudes que tomamos foi fazer uma caminhada em torno do lago existente nas proximidades. Um lago artificial que conhecemos desde que aqui chegamos pela primeira vez, no segundo semestre de 2011. Foi logo que o neurocirurgião Diogo Lins me liberou da fase de recuperação da cirurgia à qual fui submetido para extração de um tumor na cabeça, abaixo do couro cabeludo.

Já estivemos por essas bandas do Hemisfério Norte em todas as estações do ano. E enfrentamos todo tipo de temperatura, da mais fria à mais quente.

Os animais também. Conhecemos todos os tipos que são comuns por essas terras. Inclusive os mais diferentes para gente como nós: os esquilos, por exemplo, que não são comuns no Hemisfério Sul.

Entre os mais corriqueiros vemos sempre os patos, os gatos, os cachorros, as tartarugas e muitas aves. Muitas. Muitas das quais são citadas por Verissimo pai no romance Clarissa, escrito em 1933 e que figura como segunda obra de uma lista de mais de 40 produzidas pelo viajante apaixonado (como lemos na Pequena Biografia do Autor). Tão viajante que passou, inclusive, pelos EUA e em Washington DC foi diretor do Departamento de Assuntos Culturais da OEA, a Organização dos Estados Americanos por três anos a partir de 1953.

Mas, a impressão que temos é que os pássaros daqui também são diferentes dos nossos.

Onde moramos, no bairro paulistano da Aclimação, as aves também são comuns e entre elas imperam as maritacas, que têm entre suas principais características o barulho.

Vemos ainda outros tipos, especialmente aqueles que frequentam nossa jabuticabeira e insistem em bicar as jabuticabas antes mesmo que possamos desfrutar delas.

Mas, bairrismo à parte, aqui nos EUA os pássaros parecem mais alegres, mais ousados, mais dóceis e familiares (embora em momento algum eu tenha conseguido uma boa imagem deles ou de um deles, o que certamente frustrará Amigos como o mariliense Ivan Evangelista Jr.).

Aqui eles voam como se nos desafiassem e como se convivessem mais perigosamente com os desafios da natureza. Sempre a nos fazer lembrar dos perigos que vivemos a bordo do Boeing da United Airlines que nos transportou ao longo das 6.000 milhas que separam São Paulo de Washington DC.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


18/06/2016 12:23:27  em Ashburn, Virgínia, EUA
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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Por quê? (363) – E assim caminha a Humanidade


Cláudio Amaral

Brasília, DF. Estádio Mané Garrincha. 16/6/2016. Final de noite. Fluminense 1 X Corinthians 0. Foi mais uma derrota do meu TIMÃO. A segunda em quatro dias. Outra partida que perdemos por 1 a 0.

E por que fomos derrotados?

Porque o time adversário fez gol e nós não. Simples assim. Como aconteceu na partida anterior, domingo passado (12/6/2016), na arena do Palmeiras, em São Paulo.

Não foi culpa do árbitro nem de seus auxiliares. Não podemos culpar ninguém. Nem mesmo os nossos atletas. Nem o treinador, Fábio Carille, o substituto interino de Tite, que agora vai dirigir a seleção brasileira.

Assim, em resumo, eu escreveria a abertura de minha reportagem se numa redação estivesse. Fosse no Estadão (onde trabalhei de 1969 a 1975) ou no UOL (1994 a 1997) ou no Correio Braziliense (1990 a 1992) ou n’O Estado de Mato Grosso do Sul (onde estive por seis meses como Diretor de Redação, em 2004 e 2005, em Campo Grande) ou no Comércio da Franca (Franca, SP, 2005 e 2006) ou, finalmente, n’A Tribuna de Santos (2008 e 2009).

Na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (1998 a 2003), não. Lá eu não escrevia sobre esportes. Muito menos a respeito de futebol. Lá eu fui Gerente de Redação de 15 edições do Diário Oficial dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, quase todas diárias. Comandei quase 120 jornalistas, incluindo aqueles que editavam a revista D. O. Leitura, sob o comando firme e competente de Almyr Gajardoni.

Foram anos maravilhosos. Inesquecíveis. Anos que, infelizmente, não voltam mais.

Assim como o meu Corinthians de antigamente não tem volta.

Sim, poderemos ser novamente campeões do Brasileirão, como fomos outras vezes. Inclusive em 2015. Assim como poderemos voltar a ser campeões do Paulistão, da Copa Libertadores da América e também do Mundial de Clubes, que ganhamos em 2000 e em 2012, para desespero dos “anti” Corinthianos.

Poderemos até ter treinadores melhores e mais competentes. Como foram, por exemplo, Osvaldo Brandão, Vanderlei Luxemburgo, Osvaldo de Oliveira, Carlos Alberto Parreira, Mano Menezes e Tite, o maior de todos, o humano, o líder, o inesquecível.

Mas, agora, pelo menos, vamos ter que amargar um bom período de “vacas magras”. Uma “entressafra” dura e penosa. Vamos ter que nos contentar com partidas como as que tivemos contra o “arqui adversário” Palmeiras (para não dizer “inimigo”, uma palavra que não me agrada) e o Fluminense.

Vamos ter que nos contentar com jogos ruins, medíocres, abaixo da crítica.

O consolo – para nós Corinthianos, pelo menos – é que o nosso TIMÃO sempre joga com raça, com garra, com determinação e com atletas que estão acostumados a lutar por lugares nos selecionados nacionais. Assim como os nossos treinadores. Sempre.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


17/06/2016 11:40:56 (em Ashburn, Virgínia, EUA)

terça-feira, 14 de junho de 2016

Por quê? (362) – Fomos todos roubados?


Cláudio Amaral

Basta a seleção brasileira de futebol ser eliminada de uma competição – seja ela importante ou não – para as reclamações crescerem.

Assim foi a partir do momento em que o narrador da Univision anunciou que o árbitro de Peru 1 X Brasil 0 apitou o final do jogo da noite deste domingo (12/6/2016), aqui nos Estados Unidos.

Até parece que a partida de futebol e o mundo estavam se acabando, que nosso planeta não tem pelo menos outro problema mais grave e complicado (como inúmeras guerras – na Síria, por exemplo – e atentados como o da boate em Orlando, também aqui nos EUA, onde cerca de 50 pessoas morreram vítima de um louco).

Sim, porque imediatamente passamos a ouvir gritos de “Fora Dunga. Fora Dunga. Fora Dunga”.

É sabido que os problemas da seleção brasileira de futebol não se acabarão com a troca do treinador. Como não acabaram quando da substituição de Felipão por Dunga, logo após o 7 a 1 que o Brasil tomou da Alemanha, na Copa do Mundo de 2014.

Parece difícil entender que fomos todos roubados? Ou melhor: que somos sempre roubados, dentro e fora dos campos de jogo, nos balcões de negócios, nas mesas de bares e restaurantes, nos ônibus, no metrô, nas ruas, nos cinemas, nos teatros, nos estádios de futebol e em qualquer aglomeração humana, por exemplo?

É difícil aceitar que somos todos roubados desde que o Brasil foi “descoberto” (ou passou a ser explorado) pelos europeus chegados de Portugal, em 1500 e depois em 1808, quando a Família Real foi obrigada a fugir da fúria de Napoleão Bonaparte?

Seria melhor aceitar que a Família Real Portuguesa é a maior responsável pelos nossos desajustes de todos os tipos – ou não é?

Ou isso é consequência dos desajustes de caráter do ser humano em geral?

Pelo sim, pelo não, sabemos todos que ninguém está satisfeito apenas e tão somente com o que tem. Todos – ou quase todos – nós queremos mais. Mais dinheiro, mais poder e mais coisas e bens materiais. Tudo gerado pelo mundo selvagem e capitalista em que vivemos.

Se o ser humano fosse menos egoísta e mais solidário, o mundo seria melhor. Ou não?

Será que se o ser humano ficasse contente – ou menos insatisfeitos – com o que tem (ou temos?), seriam menores as desavenças na política, na economia, no poder municipal, na esfera estadual e ou a nível federal? Será?

Com gente mais cordata, mais feliz e mais satisfeita com o que tem (ou temos?) teríamos evitado os intermináveis “Fora Dilma”, “Fora Lula”, “Fora Temer”, “Fora Cunha”, “Fora Renan”, “Fora Alckmin”, “Fora Haddad”, “Fora Moro”, “Fora imprensa golpista” e assim por diante? E mais: evitaríamos as desavenças, os desencontros e as lutas corporais entre torcedores do meu Corinthians, do SPFC, do Palmeiras, do SantosFC, do Flamengo, do Fluminense, do Atlético e do Cruzeiro de Minas Gerais, dos colorados e dos tricolores do Rio Grande do Sul, por exemplo?

Ou isso é próprio e inerente ao ser humano, no Brasil e no mundo, no futebol e na política?

A intolerância está em todas as partes e cresce assustadoramente, todo dia, dia após dia, apesar dos constantes apelos em prol da Paz e da Misericórdia pronunciados por líderes como o Papa Francisco, entre outros.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?


(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).