domingo, 31 de agosto de 2014

Por quê? (347) – A importância de estudar História

Laurentino Gomes (com microfone) falou na Bienal do Livro, 
tendo ao lado o também Jornalista Jorge Félix

Cláudio Amaral

Jamais pensei que estudar História fosse tão importante. E se tivesse sabido antes, teria procurado voltar aos bancos escolares muito antes de 2013.

Foi naquele ano, precisamente no dia 1º. de fevereiro, que sentei pela primeira vez num banco da FMU, no Campus Liberdade, em São Paulo. E de lá pretendo sair apenas ao término do curso de Licenciatura em História, no final de 2015.

Escolhi História para voltar à faculdade porque gosto da matéria e desde então ouço cada vez mais gente falar que desejava estar fazendo o mesmo. E neste domingo (31/08/2014) minha alegria aumentou – e com isso a certeza de que estou a fazer o curso certo – quando eu e Sueli fomos à Bienal Internacional do Livro, no Parque Anhembi, em São Paulo, para ouvir o Jornalista Laurentino Gomes.

Ele é autor de três livros que já podemos considerar históricos: 1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, 1822 – Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado e 1889 – Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil.

Ouvimos Laurentino – ex-editor executivo da revista Veja – falar dos seus livros e mais, muito mais, porque ele falou principalmente da importância de se estudar História. Para ele, “estudar História é fundamental, é a grande jornada e é a nossa jornada”.

Laurentino nos lembrou que a História tem personagens instigantes e não fica só nos protagonistas públicos, como imperadores e generais. A História – a nossa História – tem também os escravos anônimos de Minas Gerais, por exemplo, que não conhecemos.

Depois de dizer uma frase que meus Professores de História não se cansam de repetir – a História é uma ferramenta de construção de identidades –, Laurentino nos instigou ao dizer: A História da família real, por exemplo, tem caráter pitoresco. E disse mais: a sociedade que estuda História se conhece, porque olha para o seu passado.

Mais do que olhar para o passado, na opinião de Laurentino Gomes, a História tem a ver com o passado, o presente e o futuro. E tem a importante missão de nos preparar para o futuro.

Reforçando a importância da História como “um edifício que jamais acaba”, Laurentino lembrou que nossa História é permeada de rupturas. A primeira aconteceu em 1889, quando tivemos uma ruptura com o fim da Monarquia e o início da República, uma República monárquica, com homens fortes como Getúlio Vargas e os generais pós 1964.

A partir daí começou um processo de desconstrução de nossos heróis, como D. Pedro e Tiradentes. E seguiu-se uma longa série de mudanças de nomes de ruas. Tudo para apagar o nosso passado monarquista. E então os brasileiros foram chamados à construção coletiva da nossa nova História.

Saindo um pouco das questões históricas, Laurentino falou também de política e criticou aqueles, entre nós, que pregam o voto nulo nas eleições de outubro. Para ele, votar nulo é negar a conquista do passado, é esquecer a luta da sociedade brasileira pelo direito de todos nós exercermos o direito de votar, de irmos às urnas. Temos – segundo ele – que fazer escolhas, por pior que sejam os candidatos. Até porque ele entende que os políticos que estão no poder são, nada mais, nada menos, que uma representação da sociedade brasileira e que para melhorar a qualidade deles temos que começar por nós, individualmente, sendo mais honestos, sinceros e menos individualistas.

Laurentino não gosta de falar por hipóteses, mas fez um exercício e disse: se o Brasil fosse uma Monarquia até hoje, não seria muito diferente, porque os barões seriam os mesmos, ou seja, Renan Calheiros, José Sarney, Paulo Maluf e muitos outros que todos nós criticamos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


31/08/2014 21:55:14

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Por quê? (346) – Didática, a bola da vez.


Cláudio Amaral

No primeiro semestre de História, no início de 2013, me apaixonei por Teoria da História, disciplina que nos era ministrada na FMU pela Professora Yara Gabriel.

No segundo, também em 2013, minha paixão ficou dividida entre Psicologia da Educação e História do Brasil Colonial, uma ensinada pela Professora Denise Canal e outra pela Professora Silvia Siriani.

No terceiro, já neste ano de 2014, me encantei profundamente pela História da Arte e pelas aulas do Professor André Oliva Teixeira Mendes.

Neste quarto semestre, que começamos a estudar no dia 1º de agosto, estou encantado pela disciplina da Professora Bernardete Carbonari: Didática.

Já tivemos – meus colegas e eu – três aulas com ela e, particularmente, senti uma atração especial e crescente pela matéria a cada aula.

Na terceira aula, nesta terça-feira (19/08/2014), o tema principal foi cativante. Na primeira parte, a Professora Bernadete completou as explicações iniciadas na aula anterior, a propósito das leis que nortearam a Educação no Brasil. Em seguida nos explicou como fazer a síntese de um texto, dizendo ser importante, pela ordem, ler a íntegra, contar os parágrafos, marcar as palavras-chave e só depois, se for o caso, grifar o que julgarmos mais importante. Por fim vem a síntese propriamente dita.

E foi o que fizemos, todos os alunos da classe 307 do prédio 7 da Rua Fagundes, na Liberdade, São Paulo, com o texto 1 da nossa apostila, ou seja, com a Introdução ao livro Didática e teorias educacionais, escrito pelo filósofo e escritor Paulo Ghiraldelli Jr.

A síntese de minha autoria, elogiada pela Professora Bernadete Carbonari, ficou assim:

O objetivo principal deste texto (de Introdução à Didática e Teorias Educacionais) é nos explicar o que é didática. E o autor (Paulo Ghiraldelli Jr.) explica com a seguinte definição:
- Didática é a “arte de ensinar” ou “estratégias e técnicas de ensino” ou ainda, mais sofisticadamente, “organização e otimização de processos de ensino-aprendizagem”.
O autor cita o pastor luterano J. A. Comenius, que disse, em 1630, em “Didacta magna”, que didática é a “Arte de ensinar tudo a todos”.
Para Paulo Ghiraldelli Jr., o autor desta “Didática e teorias educacionais”, “uma pessoa com didática é alguém que ‘sabe dar aula’ ou que ‘explica bem um determinado assunto ou, mais sofisticadamente, alguém que, em circunstâncias diversas, ‘sabe organizar e otimizar processos de ensino-aprendizagem”.
Ghiraldelli se dirige diretamente a professores e educadores e destaca, por exemplo:
- O que pretendo é mostra como considero “o campo de saberes necessários àqueles que estudam educação tomado como didática”.
O autor cita outro, Richard Rorty, para explicar que “a verdadeira didática… deve muito à capacidade geral de se dispor para o outro, na troca de olhares e ‘cotejamento’ entre educador e educando”.
Ghiraldelli faz questão de comentar que fez “uma dedicatória genérica”, mas dirigida diretamente “para os professores que amam a liberdade”. E em seguida explica a razão do termo “liberdade”, dando uma cutucada, fazendo uma crítica à “Ditadura Militar”, lembrando com aparente tristeza, que “ainda encontro professores cultuando a ‘ígualdade’” e esquecendo “da liberdade”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


19/08/2014 21:56:02