quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Por quê? (248) Carlos Conde


Cláudio Amaral

Carlos Conde – ou melhor, José Carlos Novoa Conde – é advogado diplomado e jornalista por opção e convicção.

Nascido em Santos a 2 de outubro de 1940, sempre torceu pelo Santos FC, cujo dia a dia acompanhou por anos e anos, em especial na Era Pelé.

Tem uma vantagem a mais: mora junto à Vila Belmiro, a vila mais famosa do mundo. E por isso, nunca perde um jogo do Alvinegro praiano.

Chova ou faça sol, no frio e no calor, lá está Carlos Conde. Em geral, acompanhado de Maria Christina Gomes Saliba, sua companheira inseparável, de Lygia Conde, a filha única e queridíssima, e amigos como Onésio Rodrigues, Luiz Roberto Serrano e Dario Palhares. Mais a prima-irmã Magaly ("somos como irmãos", costuma dizer Conde, que invariavelmente acrescenta: "O marido dela, Antonio de Paula Souza, o Toninho, é corintiano. Contraiu esse vírus na cidade natal, Araraquara, e nunca se livrou dele").

Embora também corintiano desde criancinha, estive ao lado deles sempre que me foi possível.

Ah... Carlos Conde está aposentado, tem idade para ficar em casa na Paz do Senhor, lendo jornais e os livros, que são suas paixões.

Mas está mais ativo do que nunca. Voltou no dia 17 de agosto de 2009 para A Tribuna de Santos, o mais conhecido, mais importante e mais respeitado diário de Santos. E voltou por cima: como Editor-Chefe.

Competente e perfeccionista, mas ao mesmo tempo paciente e astuto, agiu com inteligência rara na volta ao jornal dos Santini. E foi melhorando A Tribuna gradativamente.

Carlos Conde é o profissional certo no lugar certo, pois conhece Santos e a Baixada Santista como poucos.

É uma pessoa que sabe fazer amigos e ser Amigo também como poucos. Amigos que nunca deixam de sê-lo e que ele faz questão de manter – com maestria e inteligência – ao longo da vida.

Conheci Carlos Conde logo que cheguei a São Paulo, vindo de Marília e uma breve passagem por Campinas. Sempre pelo Estadão, na época – início dos anos 1970 – o melhor, mais respeitado e mais temido jornal do País.

Trabalhamos por anos na antiga Redação do 5º andar do prédio de número 28 da Rua Major Quedinho, no centrão da Capital paulista. Eu, porque vinha do Interior, sempre fazia reportagens para a Editoria do Interior, cujo titular por anos foi Carlos Conde.

Tem uma da qual não me esqueço até hoje: o congresso de Tribunais de Contas, que veio a me dar o primeiro prêmio em São Paulo. Por obra e determinação de Carlos Conde, que sempre me deu bons espaços e caprichou nos títulos.

Depois do Interior, em consequência de sua competência, Carlos Conde foi subindo dentro do Estadão, subindo... até chegar a titular da principal editoria do jornal: Nacional.

Dalí, anos depois, foi para Brasília como correspondente diplomático. Nesta função, viajou por 75 países.

Em função de Carlos Conde eu vim a conhecer outros santistas ilustres: Esmeraldo Tarqüinio Filho (advogado e político, filho de um dos maiores políticos de Santos e do Brasil), Osvaldo Martins (que depois foi secretário de Comunicação de Mário Covas, o governador), Ouhydes Fonseca (professor de Jornalismo), Marcos Fonseca (o Marcão), Carlos Monfort (repórter especial da TV Globo, hoje na Globo News) e o saudoso Carlos Manente (que fez escola na TV Tribuna, afiliada em Santos da Rede Globo), entre outros que não me recordo agora. Todos oriundos d’A Tribuna de Santos.

Não por acaso, uma vez que nossa amizade era – e continua a ser – tão grande, Carlos Conde me acompanhou até a porta do ônibus do Expresso de Prata quando embarquei para Marília em função do nascimento daquela menina linda que ele viria a batizar semanas depois, com Maria Ermínia, e que recebeu o nome de Cláudia Márcia do Amaral. A mesma – hoje uma mulher feita – que no dia 19 de agosto de 2011 embarcou com o marido Márcio Gouvêa (transferido da Nextel de São Paulo para a NII de Reston/Virginia/EUA) e os filhos Beatriz (4 anos) e Murilo (1,7 anos) para viver nos Estados Unidos.

Tenho o maior orgulho de ser Compadre e Amigo de Carlos Conde.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

31/8/2011 05:31:35

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Por quê? (247) Mundo bom


Cláudio Amaral

O que eu posso fazer de bom por este mundo que me trata tão bem?

O que eu posso fazer de bom por este mundo que insiste em me tratar tão bem?

Há 61 anos – quase 62, que completarei no dia 3 de dezembro de 2011 – este mundo insiste em me tratar bem.

Desde o dia 23 de maio de 2011, então – quando fiquei sabendo das origens de meus desequilíbrios físicos (que começaram em Santos, quando eu trabalhava na Redação d’A Tribuna) e de minhas falhas de memória (que se revelaram quando entrei em depressão, já de volta a São Paulo e por consequência da traumática demissão do jornal diário de Santos), este mundo tem sido sempre bom para comigo.

Foi bom também ao orientar-me rumo a um novo plano de saúde (para quem ainda não sabe, digo que no final de 2010 troquei o Bradesco Saúde pelo Prevent Senior, mais adequado aos nossos ganhos, de Sueli e meus).

Isso não é tudo, não.

No Prevent Senior, conhecemos a figura incrível do Dr. Gentil Silva, que veio a se tornar nosso geriatra.

Na sequência das bondades deste mundo vieram a descoberta do tumor no cérebro e todas as providências do nosso médico (obrigado, Senhor; obrigado, Dr. Gentil; obrigado, Sueli).

A força material e espiritual dos familiares (minha esposa Sueli, minha cunhada e comadre Salete, Dona Cidinha, que, mais do que minha sogra, é minha mãe, e minha filha Cláudia, entre tantos) e dos Amigos de sempre também foi decisiva.

E, claro, não poderiam faltar a competência e a fé de profissionais como o neurocirurgia Dr. Diogo Lins e a equipe dele.

Graças a Deus e as mãos santas destes médicos minha cirurgia “foi um sucesso” (como me disseram ainda no dia 29 de julho de 2011, no Hospital Sancta Maggiore/Paraíso/SP) e minha recuperação tem sido inacreditavelmente positiva.

Na fé cristã, que nunca me faltou, tenho recebido o apoio dos padres agostinianos (Obrigado, Padre Miguel Lucas) e xaverianos (Obrigado padres Serra, Mario e principalmente Cláudio, que celebrou com maestria a Santa Missa desta manhã, na capela do Convento das Irmãs da Visitação, na Vila Mariana/SP).

Por tudo isso, e muito mais, que não estou a me lembrar agora, é que digo que estou em dívida – tremenda dívida – com este mundo bom que insiste em me tratar tão bem.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

30/8/2011 09:24:05

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Por quê? (246) Felicidade renovada


Cláudio Amaral

Sempre – ou pelo menos desde que me conheço por gente – fui uma pessoa feliz.

Meus familiares e Amigos sabem bem disso.

Eles sabem o valor que dou para a vida, para eles e para todos que sempre procuraram me ajudar, me ver feliz.

Ainda que eu não mereça, estou sempre procurando valorizar aquilo que recebo da vida e, em resumo, de Deus Pai Todo Poderoso.

Minha felicidade é tão grande que procurei agradecer a cada profissional da Prevent Senior (o plano de saúde que Sueli e eu temos desde o final do ano passado), do Hospital Sancta Maggiore/Paraíso/SP (onde fui operado no dia 29 de julho de 2011), a cada parente e a cada Amigo que me telefonou ou me escreveu ou veio me visitar antes e após a cirurgia.

Tudo – imagino – se completou nesta quinta-feira, dia 25 de agosto de 2011, com a visita que fiz ao Dr. Gentil Silva, na Prevent Senior da Rua São Carlos do Pinhal, proximidades da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, no Bairro da Bela Vista, aqui em São Paulo.

Tentei falar com Dr. Gentil logo que voltei para casa, no dia 31 de julho de 2011.

Queria contar a ele que havia feito a cirurgia recomendada. Mas, por telefone, me informaram que Dr. Gentil estava em férias.

Programei-me e estive lá ontem, mas logo que cheguei ao 3º andar do prédio da Prevent Senior, a atenciosa Priscila me disse que ele só voltaria nesta quinta-feira.

Pedi a ela e Priscila falou com a Dra. Thais Marangom, que gentilmente me deu uma receita para a compra do Cloridrato de Sertralina 50mg que havia acabado no dia 23 e que eu precisava tomar ontem, sem falta.

Procurei dormir bem e acordar cedinho nesta quinta-feira. Antes das 8 horas da manhã estava sentado junto à porta do consultório do Dr. Gentil Silva.

Logo que Priscila o avisou, ele abriu a porta, me chamou e me atendeu com um largo sorriso.

Contei, então, que havia me submetido à cirurgia recomendada por ele. No ato, Dr. Gentil examinou meu couro cabeludo, elogiou a evolução da cicatriz e me perguntou qual o neurocirurgião que havia me operado.

Falei a ele e elogiei a competência do Dr. Diogo Lins. Referi-me, também, ao Dr. Franz Onishi, que me visitou três vezes durante minha internação e que foi o autor da minha liberação para voltar para casa.

Em seguida, Dr. Gentil me deu todas as receitas que vou precisar para a compra dos remédios que me acompanharão na viagem aos Estados Unidos, a partir do próximo dia 18 e provavelmente até o dia 15 de dezembro deste ano.

Ao encerrar o atendimento – para mim super especial – Dr. Gentil deu mais uma prova do seu espírito humanitário: deu-me um abraço inesquecível e repetiu mais uma vez que estava muito feliz.

Assim que me despedi de Priscila, na recepção, fiz o caminho de volta, novamente pela escadaria do prédio.

Liguei para Sueli, que está em Santos, tendo aulas com a querida Ana, na Casinha de Retalhos, e tomei o rumo de casa, na Aclimação.

Vim para casa com a felicidade renovada.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

25/8/2011 10:04:53

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Por quê? (245) Vamos cantar?

Cláudio Amaral

Logo que comecei a frequentar as missas da Igreja Católica Apostólica Romana, por obra e graça de Sueli, descobri uma vantagem: cantar.

Gosto de cantar desde criança. Desde os tempos em que minha irmã Cleide cantava no coral de Adamantina e chegou a gravar um disco. Um discão de vinil, daqueles que não existem mais.

Tentei entrar no coral da minha cidade natal. Minha irmã até tentou me ajudar, mas não foi possível e eu fiquei frustrado por anos a fio.

Até que, já em Marília, em 1969, conheci Sueli e com ela fui à Celebração da Missa na Igreja de São Bento.

Logo depois eu descobri que poderia cantar à vontade, no meio da multidão. Poderia cantar e até desafinar, porque em meio a aquele povo todo ninguém iria perceber.

Agora, soltar a voz, mesmo, como eu gosto, só vim a fazer em São Paulo, aonde Sueli e eu viemos morar após o casamento, no dia 5 de setembro de 1971.

E na primeira oportunidade que tive, entrei num coral. Foi no coral da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, empresa pública em que exerci a Gerência de Redação por cinco anos e 45 dias, entre 1998 e 2003.

Foi o máximo. Ou pelo menos eu me senti o máximo, ao lado de Júlio Pucci (Gerente da Gráfica) e Leonor Taioli (Gerente do RH), entre muitos outros. Sei que ambos estão aposentados, nossos contatos são raros, mas os dois continuam morando no meu coração e tendo o meu respeito, pessoal e profissionalmente. Tal qual o Maestro Mauro Bonagura, que nos ensinou tudo o que lhe foi possível.

Do coral da Imprensa Oficial eu guardo ótimas lembranças.

Uma, por exemplo, do dia em que cantamos na inauguração da Gráfica-Escola, onde seriam formados futuros gráficos, na Zona Leste de São Paulo. Todos os aprendizes eram jovens oriundos das camadas mais humildes da população paulistana, uma vitória de dois grandes amigos: o presidente Sérgio Kobayashi e o diretor Industrial, Carlos Nicolaewsky.

Outra, quando nós todos andamos por todas as salas da empresa, uniformizados e cantando. Sentimo-nos cheios de orgulho e, no caso particular, só deixei aquele coral no dia em que a Imprensa Oficial me dispensou.

Mas, voltando ao fato de cantar na Igreja, lembro que uma das minhas músicas preferidas me acompanha desde os tempos em que frequentava a Sé Catedral Imaculada Conceição de Franca, nos anos 2005 e 2006, ao lado de Sueli Amaral e de Arnon Gomes, hoje repórter especial da Folha da Região de Araçatuba.

Trata-se de um “Canto de Respostas”, cujo refrão é:

Sou bom pastor, ovelhas guardarei. Não tenho outro ofício, nem terei. Quantas vidas eu tiver, eu lhes darei.

Jamais me esqueço também de um “Canto de Apresentação das Oferendas”, que tem o seguinte refrão:

A tua ternura, Senhor, vem me abraçar. E a tua bondade infinita, me perdoar. Vou ser o teu seguidor, e te dar o meu coração, eu quero sentir o calor de tuas mãos.

Tem mais, muito mais, músicas que me agradam quando estou a cantar na Igreja. Tem um “Canto de Entrada”, por exemplo:

Me chamaste para caminha na vida contigo. Decidi para sempre seguir-te, não voltar atrás. Me puseste uma brasa no peito e uma flecha na alma, é difícil agora viver sem lembrar-me de Ti.

O refrão desta música também é inesquecível:

Te amarei, Senhor. Te amarei, Senhor. Eu só encontro a paz e a alegria bem perto de ti.

Quanto maior a Igreja, a capela, mais à vontade eu fico para cantar.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

23/8/2011 14:27:11

domingo, 21 de agosto de 2011

Por quê? (244) Fora, censura!!!

Cláudio Amaral

A censura, quando atinge a nós, pessoalmente, é algo tão marcante, que fica difícil nos livrarmos dela por completo.

De tempos em tempos, algo nos faz lembrar de quando e como fomos censurados.

No sábado, 20 de agosto de 2011, por exemplo, conversamos – o fotógrafo e Amigo Marcello Vitorino e eu, na volta de uma visita à exposição que ele montou na Caixa Econômica Federal, na Praça da Sé – a respeito de um amigo meu de infância, dos tempos de Adamantina (SP), que nos censurava no Estadão.

Isso – a censura – aconteceu na primeira metade dos anos 1970. E eu só soube da atividade dele porque nos encontramos, casualmente, numa viagem de ônibus urbano, aqui em São Paulo.

Vitorino ainda me perguntou, no sábado, se ele censurava com convicção e eu disse acreditar que não. Falei que acreditava que ele, o meu amigo de infância, censurava por obrigação profissional, uma vez que era funcionário da Polícia Federal.

Neste domingo, 21 de agosto de 2011, o assunto voltou à minha mente por conta do Padre Mario, celebrante da Missa das 8h da manhã na Capela do Convento da Ordem da Visitação de Santa Maria, na Rua Inácia Uchoa, aqui na Vila Mariana.

Padre Mario nos contou, durante o sermão, que quando prestava serviços nas Paulinas, recebia páginas e mais páginas com o carimbo de “censurado” vindas da Polícia Federal.

E nos explicou a razão: eram páginas que falavam da dedicação de Maria aos pobres, aos humildes, aos rejeitados.

Para Ela, segundo Padre Mario, todos eram filhos de Deus, todos eram iguais. Ou seja: não havia motivo para ignorar nossos irmãos, ainda que eles fossem miseráveis.

Mas, a Polícia Federal e a divisão de censura não pensavam assim e proibiam todas as citações a respeito.

Tal qual meu amigo de infância faziam conosco – com meus colegas de Estadão e comigo – nas páginas daquele que na época (década de 1970) era reconhecidamente o maior jornal do País.

Nós, do Estadão, pelo menos tínhamos como denunciar e protestar contra as notícias e os artigos censurados. Como? Publicando versos de Camões.

O Jornal da Tarde, irmão mais novo do nosso Estadão, também era censurado e colocava no lugar receitas as mais estapafúrdias.

Todos ou quase todos os leitores percebiam.

Padre Mario nos contou também que todas as páginas com o carimbo de “censurado” eram guardadas nas Paulinas.

As minhas reportagens censuradas também eram arquivadas por mim, embora a cúpula do Estadão pedisse que não fizéssemos isso.

Mas eu retirava do mural da Redação as cópias das minhas censuradas, trazia para casa e mostrava para Sueli, que sempre foi católica fervorosa.

Um dia nós observamos o seguinte: quase 100% das minhas reportagens censuradas eram feitas em entrevistas – coletivas, na maioria, mas exclusivas também – com o Cardeal Metropolitano da época, Dom Paulo Evaristo Arns.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

21/8/2011 11:23:50

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Por quê? (243) Sofrendo por antecipação


Cláudio Amaral

Desde que me conheço por gente, ouço dizer que não devemos sofrer por antecipação.

Afinal de contas, aquilo que nos aflige pode nem vir a se confirmar. E se não se confirmar, ficamos com um sofrimento desnecessário.

Mesmo sabendo disso, estou sofrendo. Há semanas. Cada vez mais. E não é por conta da cirurgia a que me submeti no cérebro.

O motivo do meu sofrimento é a mudança da Família Amaral Gouvêa para os Estados Unidos.

A filha Cláudia (a primeira), o genro Márcio e os netinhos Beatriz e Murilo, os unidos até agora, embarcam nesta sexta-feira, uma hora da madrugada.

Márcio Gouvêa já está a trabalhar por lá desde o dia 1º de agosto de 2011. Voltou para São Paulo no dia 13 (sábado passado), trabalhou aqui todos os dias e embarca levando – além da mulher e filhos – a Bisa Cida, 83 anos.

Aparecida Grenci Bravos, a Bisa Cida, é uma das pessoas mais queridas da família. Aceito a viagem sem pestanejar e vai ficar nos Estados Unidos em torno de um mês.

Ela e a Família Amaral Gouvêa vão de São Paulo para Washington.

Inicialmente, vão se instalar por alguns poucos dias em Reston (que me faz lembrar de James Reston, ex-colaborador do New York Times e, por consequência, do Estadão, exatamente na minha época (1969/1975).
Sempre no Estado da Virginia, ainda em agosto eles vão se instalar em definitivo (tanto quanto possível, até porque nada é definitivo) em Ashburn.

Márcio, Cláudia e meus netos queridos estão indo para lá por conta da transferência dele para a NII, a holding da Nextel.

Nós – Sueli e eu – temos passagens compradas para ir ao encontro deles no dia 18 de setembro de 2011. E deveremos voltar – todos – para as comemorações do Natal no apartamento novo de Salete e Fernando Riemma Philipson.

Ou seja: vamos ficar um mês – exatamente – sem ver Beatriz e Murilo, os netinhos que sempre vimos praticamente todos os dias.

Beatriz desde 12 de junho de 2007.

Murilo desde 6 de janeiro de 2010.

Sueli, vovó querida e disputada por ambos, imagina que passa rápido. E que nós vamos tirar de letra, até por conta das ligações que poderemos fazer pela Internet.

Eu, da minha parte, penso que não vai ser fácil.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

18/8/2011 10:58:34

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Por quê? (242) Vivendo no Exterior


Cláudio Amaral

Desde que Sueli e eu falamos pela primeira vez em ter filhos, no segundo semestre de 1969, lá em Marília, penso no quanto seria bom ter um deles vivendo no Exterior.

De preferência, num país do primeiro mundo.

Penso na Inglaterra, na França, no Japão, na Alemanha, na Itália, na Espanha, no Canadá... e, claro, nos Estados Unidos.

Imagino a importância de conhecer Londres e em estudar inglês em Oxford.

Como seria bom ir a Tóquio, Kioto e outras cidades do Japão.

Paris, então, é um sonho indescritível. E, uma vez em Paris, aproveitar para ver Lion, por exemplo, entre outras cidades.

Que tal aproveitar para rever Roma, Madri e Barcelona (afinal, Barça é um encanto de cidade)?

No Canadá, aproveitaria para conhecer de perto o quanto é gratificante pagar imposto sem revolta, porque o governo devolve tudo (e mais um pouco) em benefícios aos contribuintes.

Nos Estados Unidos? Ah... tem tanta coisa boa e interessante, tanta cidade civilizada e tantos lugares históricos, que fica até difícil citar.

Na Alemanha? Antes de ir para o país de Angela Merkel eu pediria dicas para o Amigo Ricardo Kotscho, que já viveu por lá.

Acredite, se quiser, caríssimo e-leitor: meu sonho está se realizando.

Graças à família de minha primeira filha, Cláudia Márcia do Amaral Gouvêa, vamos rever os Estados Unidos.

Graças principalmente ao marido dela, Márcio Gouvêa, que acaba de ser transferido da Nextel, no Brasil, para a NII, em Washington.

Ele começou a trabalhar por lá no dia 1º de agosto de 2011, voltou ao Brasil no sábado, 13 de agosto de 2011.

Márcio Gouvêa tem trabalhado todos os dias – inclusive no mesmo sábado (12) e no sábado (13) aqui em São Paulo.

E nesta sexta-feira (19), à uma hora da madrugada, a família toda embarca para os Estados Unidos: Márcio, Cláudia, Beatriz, Murilo e Bisa Cida (Aparecida Grenci Bravos), que aos 83 anos de idade vai pela primeira vez aos Estados Unidos.

Nós – Sueli e eu – estamos com passagens aéreas compradas para o dia 18 de setembro de 2011. E por lá ficaremos até 30 de novembro, aproximadamente, quando voltaremos com Cláudia, Beatriz e Murilo.

Voltaremos para o Natal. Felizes da vida, com certeza.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

17/8/2011 09:04:23

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Por quê? (241) O valor de um sorriso


Cláudio Amaral

De alguns anos para cá, faço questão de cumprimentar meus semelhantes.

Todos e em todas as oportunidades.

Sejam eles crianças, pré-adolescentes, adolescentes, adultos ou idosos.

Sejam eles do sexo masculino ou feminino.

Bom dia, boa tarde, boa noite.

Só depende do período do dia.

Pois bem: hoje, 15 de agosto de 2011, fui à Celebração da Missa pelo décimo dia consecutivo.

Fui porque tenho me sentido cada vez melhor dentro da capela do Convento da Ordem da Visitação de Santa Maria, na Rua Ignácia Uchoa, aqui na Vila Mariana, em São Paulo.

Trata-se de uma Ordem criada por Santa Joana de Chantal (1572-1641). Por ela e por São Francisco de Sales, mestre e orientador de Santa Joana.

Ao sair da capela, atravessei a rua e tomei o rumo de casa, na Rua Gregório Serrão, na Aclimação.

Ainda na Rua Ignácia Uchoa, mas antes de chegar à Rua Vergueiro, passei por uma senhora e disse:

- Bom dia.

Ela não só respondeu à minha saudação como acrescentou:

- Como é bom receber um sorriso logo cedo. Especialmente para quem, como eu, tem mais de 19 anos.

Irresistível.

Parei, olhei para ela e fiquei ali parado, sem palavras.

Em seguida, segui em frente, rumo à minha casa e à minha família.

Estava recompensado.

Mais que isso: estava emocionado.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

15/8/2011 12:02:08

domingo, 14 de agosto de 2011

Por quê? (240) Dia da Família


Cláudio Amaral

Para mim, este segundo domingo de agosto sempre foi o Dia dos Pais.

Mas, para minha surpresa, fiquei sabendo que é mais do que isso. É mais do que Dia dos Pais. É o Dia da Família.

Quem me abriu os olhos – e mais do que isso, a mente – para o Dia da Família foi o Padre Mario.

Padre Mario foi quem celebrou oito das novas missas que acompanhei diariamente na capela do Convento das Irmãs da Visitação, na Rua Dona Ignácia Uchoa, aqui na Vila Mariana, em São Paulo.

Além de Padre Mario, segundo Sueli, Padre Cláudio também chamou esse Dia dos Pais em Dia da Família.

Afinal, tanto Padre Mario quanto Padre Cláudio, são da mesma congregação: a Ordem dos Xaverianos. E ambos são responsáveis pelas celebrações tanto nas Irmãs da Visitação quanto na capela dos Xaverianos, aqui mesmo na Rua Gregório Serrão.

Senti-me sensibilizado ao saber que – mais do que Dia dos Pais – hoje é Dia da Família.

Mesmo porque a família, para mim e para Sueli, tem significado especial. Muito especial.

Tanto que no folheto da missa deste 20º Domingo do Tempo Comum, que trouxe comigo do Convento das Irmãs da Visitação, está publicado: “Vocação para a vida da família”.

Está publicado também: “A salvação é um dom universal que Deus oferece a todos. Nesse sentido, o tema vocacional deste domingo, com destaque para a vida em família, salientando em especial a vocação dos pais, nos mostra a importância da família em todos os povos e culturas. Rezemos, em especial, pela família brasileira, que enfrenta tantos obstáculos na sobrevivência, na segurança e na concepção cultural que lhe é imposta, tirando-lhe a autoridade e banalizando seu papel".

Concordo. Até porque a vida está cada vez mais banal e a família perde a autoridade a cada dia que passa.

Entretanto, eu – ou melhor, minha família – não pode reclamar. Ou não temos do que reclamar.

Tudo tem dado certo – muito certo – para nós. Para Sueli, para mim, para Cláudia, Márcio, Beatriz e Murilo, para Flávio, para Mauro e para Vivian.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

14/8/2011 11:38:57

sábado, 13 de agosto de 2011

Por quê? (239) O centro das atenções


Cláudio Amaral

Hoje, sábado, 13 de agosto de 2011, completei oito dias de ida diária ao Convento das Irmãs da Visitação, na Rua Ignácia Uchoa, na Vila Mariana, em São Paulo.

Ou seja: fui à Celebração da Missa todos os dias que me foram possíveis após a cirurgia em que o Dr. Diogo Lins retirou por completo, no Hospital Sancta Maggiore do Paraíso/SP, o tumor que se alojava no meu cérebro e me incomodava há dois anos.

De oito, em seis ocasiões fui sozinho. Ou melhor: eu e Deus.

Numa oportunidade, sexta-feira, dia 12, dia consagrado a Santa Joana de Chantal, Sueli foi comigo e em seguida passamos na feira da região.

Hoje, além de Sueli, tivemos uma companhia especial, muito especial: a netinha Beatriz do Amaral Gouvêa.

Foi ela quem pediu para nos acompanhar. E nós concordamos no ato.

Beatriz tem apenas 4 anos, completados no dia 12 de junho de 2011, o dia dos namorados.

Mas, apesar da pouca idade, não raro ela nos acompanha à Celebração da Missa da Ordem dos Xaverianos, aqui mesmo na Rua Gregório Serrão.

Em geral, comporta-se com educação. Educação surpreendente para uma menina da idade dela.

No caminho, peguei três flores para Beatriz. Ela descartou duas, porque não gostou. E levou uma, a primeira.

Na Igreja, foi com a vovó Sueli até a sacristia e Padre Mario, o celebrante, anunciou que iria chamar Beatriz para entregar a florzinha a ele, que a deixaria no altar.

Fez isso. Durante o ofertório, levou a florzinha e a entregou ao Padre Mario. E a flor passou em torno de meia hora no altar.

Ao final da celebração, Padre Mario a chamou novamente, deu a florzinha a Beatriz e pediu que ela a entregasse ao tio que estava sendo operado naquele instante.

Lamento (lamento?), mas não resisti. Fui às lagrimas. Especialmente pelo comportamento de Beatriz, mas também porque me lembrei que estávamos, com aquele gesto, devolvendo uma pequena, pequenina, parcela do muito que Salete fez por mim ao longo de semanas, em função da minha cirurgia.

Resumindo: Beatriz foi o centro das atenções.

E além do centro das atenções, fez a alegria do vovô e da vovó. Uma alegria que estamos, Sueli e eu, curtindo ao máximo, porque à uma hora do dia 19 de agosto de 2011 ela embarca com os pais, Márcio e Cláudia, mais o irmãozinho Murilo para tempo indeterminado na Virginia, nos Estados Unidos.

O que vai ser de nós dois, os avós, e dos tios e padrinhos Mauro e Flávio, não sabemos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

13/8/2011 11:21:17

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Por quê? (238) Maria Salete


Cláudio Amaral

Muita gente rezou por mim desde o dia 23 de maio de 2011, data em que o Dr. Gentil Silva disse que eu precisaria passar por uma cirurgia no cérebro.

Ele disse isso após examinar as radiografias que havia pedido que eu fizesse no Hospital Sancta Maggiore do Paraíso, aqui em São Paulo.

Disse mais: que eu ficasse tranquilo – e Sueli também – porque o tumor que ali aparecia era benigno.

Isso me tranquilizou. Mas a mim, apenas.

Ao chegar em casa, na Aclimação, Sueli imediatamente recebeu telefonema da irmã, Maria Salete Bravos Philipson.

Ambas se falam todos os dias, esteja Salete em São Paulo (onde tem apartamento) ou em Bragança Paulista (onde tem casa em condomínio fechado).

Salete é uma pessoa especial desde pequena. Tanto que Sueli e eu demos o nosso caçula Flávio para ela e Fernando batizar.

Sueli e eu começamos a namorar em julho de 1969 e Salete desde então facilitava a vida de nós dois, em Marília, a 460 quilômetros de São Paulo.

Cresceu, veio morar conosco, em São Paulo.

Ficamos felizes, fizemos festa de recepção e tudo o mais que ela tinha direito.

Foi Salete quem descobriu a casa em que vivemos há mais de 30 anos e onde ela também morou.

Dividia o quarto com nossa primeira filha, Cláudia. E nos ajudava a cuidar dela. Cuidava como se Cláudia fosse a irmãzinha dela.

Morava aqui quando conheceu Fernando Riemma Philipson. Casou com ele no dia 23 de outubro de 1982, na Igreja de Santo Agostinho, aqui em São Paulo, em cujo colégio foi professora por muitos anos. E sabemos que ambos vivem felizes. Ambos tiveram dois filhos lindos, sobrinhos queridos, carinhosos e atenciosos conosco: Paula e Bruno.

Salete é religiosa, vai à Celebração da Missa todo domingo e sempre que pode acompanha a novena do Pai Eterno.

Pois foi ao Pai Eterno que Salete pediu por mim. Todo dia. Desde 23 de maio de 2011.

Salete esteve ao lado de Sueli, no Hospital Sancta Maggiore do Paraíso durante todo o tempo em que estive no centro cirúrgico, em mãos da equipe comandada pelo Dr. Diogo Lins, o neurocirurgião que me operou e retirou da minha cabeça o tumor que me incomodava.

Não é o caso, mas eu bem que gostaria de poder dizer a ela: Santa Salete, que Deus lhe pague por tudo.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?


(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


12/8/2011 13:30:36

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Por quê? (237) Bagunça e alegria


Cláudio Amaral

Desde o dia 29 de julho de 2011 minha casa – ou melhor, a casa ocupada por mim, Sueli, Flávio, Mauro e Vivian – há quase 40 anos, está bagunçada.

Bagunçada, mas... cheia de alegria, felicidade, de alto astral.

Foi que exatamente naquele dia que minha filha querida, Cláudia Márcia do Amaral Gouvêa, a primeira, veio morar aqui por três semanas com os filhos dela e netos meus e da Sueli: Beatriz (4 anos) e Murilo (um ano e sete meses).

Veio porque, em função da transferência do marido, Márcio Gouvêa, para os Estados Unidos, os três (Cláudia, Beatriz e Murilo), que deveriam ter ido também naquela data, ficaram por decisão do casal.

Fui voto vencido na permanência deles no Brasil.

Tanto quanto possível, eu estava tranquilo em relação à minha cirurgia para extração de um tumor de seis centímetros no cérebro. Acreditava no Dr. Gentil Silva, geriatra que atende a mim e a Sueli: ele havia nos garantido que o tumor era benigno. Como, alias, se confirmou na biopsia pedida pelo Dr. Diogo Lins, o neurocirurgião que me operou.

Mas Cláudia fez questão absoluta de ficar para acompanhar de perto a cirurgia do pai aqui presente.

E aí se instalou a bagunça na residência da família Amaral, na Aclimação.

E com a bagunça, veio também a alegria.

A alegria, a felicidade, o alto astral.

A correria, as roupas espalhadas pelo escritório – que acabou virando quarto de dormir dos três, graças à generosidade do titio-padrinho Flávio, o nosso caçula.

Além do escritório, a bagunça toma conta também da nossa sala, onde tem roupas e brinquedos por todos os cantos.

Tem também alegria, muita alegria.

Tem ainda móveis e utensílios novos, que vieram do apartamento de Cláudia e Márcio, Beatriz e Murilo.

Hoje, só quem está aqui sabe a alegria que é conviver 24 horas por dia com os três.

Ou melhor: 24 horas por dia é modo de dizer, porque pelo menos ao longo de 6 a 8 horas da madrugada eles dormem profundamente.

Eles, no caso, são Beatriz e Murilo, uma vez que mamãe Cláudia não tem sossego. Nem mesmo quando eles estão dormindo.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?


(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


11/8/2011 20:03:20

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Por quê? (236) O mundo mudou de cor?


Cláudio Amaral

O título desta crônica leva uma interrogação, mas eu tenho certeza absoluta de que o mundo mudou de cor.

Qual é a nova cor?

Azul, talvez, por ser a minha cor preferida.

Rosa, quem sabe, por ser a cor preferida de Beatriz, minha netinha querida.

Verde, sim, porque não, essa que é a cor da nossa bandeira.

Branco, outra cor importante do pavilhão nacional.

Pode ser amarelo, também. Pode sim.

Seja qual for – azul, rosa, verde, branco ou amarelo –, a nova cor do mundo tem tudo a ver com o meu estado de espírito.

A nova cor do mundo está ligada de perto, bem de perto, com o estado da minha alma.

Afinal, muita coisa mudou para mim depois do dia 29 de julho de 2011.

Mudou a forma como eu vejo as pessoas, que, hoje, para mim são mais gentis, mais dedicadas, mais aplicadas e dispostas a serem mais competentes.

Por exemplo: os técnicos em enfermagem, os enfermeiros e os médicos que me atenderam no Hospital Sancta Maggiore, na Rua Maestro Cardim, no Paraíso, aqui em São Paulo, foram de uma dedicação e de uma gentileza que eu jamais havia visto nestes meus 61 anos de vida.

Foi por isso que passei a olhar para eles com outros olhos, embora os meus fossem os mesmos destas mais de seis décadas de vida.

Foi por isso – e muito mais – que passei a enxergar neles o azul ou talvez o rosa ou verde ou branco ou então o amarelo ou ainda todas elas juntas. Algo bem psicodélico.

Para mim é inadmissível passar por alguém, seja quem for, sem dizer “bom dia”. Mas não um bom dia qualquer e sim um bom dia do fundo da alma.

O mesmo acontece em relação a quem trabalha na feira livre do meu bairro, a Aclimação, onde estive na terça-feira em companhia de Sueli e Beatriz, minha netinha.

Acontece ainda com os profissionais das farmácias, padarias, supermercados e empórios da minha região.

Esses são alguns exemplos que tenho cá comigo para sustentar que o mundo mudou de cor.

Mudou e foi recente, bem recente.

E a nova cor do mundo não precisa, necessariamente, ser o azul, rosa, verde, branco ou amarelo.

A nova cor do mundo pode ser qualquer outra, desde que seja uma cor viva, alegre. Uma cor para levantar o astral e para modificar completamente o estado de espírito e da alma. Meu e de todas as pessoas que me são caras.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?


(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


9/8/2011 23:43:38

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Por quê? (235) Tia Zinha


Cláudio Amaral

Tia Zinha veio me visitar no início da noite deste primeiro domingo de agosto de 2011.

Vieram ela e o filho Beto, ambos Gasparetto.

Ela vive na Rua Itaboraí, no bairro da Saúde, aqui em São Paulo. Ele, próximo a São Judas.

Tia Terezinha é casada com Tio Renato e ambos têm mais três filhos: Renatinho, que vive em Porto Alegre; Reinaldinho, que mora em Miami, nos Estados Unidos; e Patrícia, que reside na Chácara Santo Antônio, também na capital paulista.

Irmã mais nova de minha mãe, Wanda Guido do Amaral, falecida ano passado, em Campo Grande (MS), e do Tio Walter, também falecido, Tia Zinha é como uma mãe para mim.

Uma mãe que me dá atenção de mãe. Ou mais que isso.

Falou comigo – ou com Sueli – todos os dias desta minha fase. Desde o pré-operatório, incluindo os três dias em que estive no Hospital Sancta Maggiore, no Paraíso, por conta do Prevent Senior.

Ao longo de longas conversas telefônicas, Tia Zinha sempre lembrou que me tem como um filho. A mim e ao meu irmão Clówis, falecido há dois anos, numa rodovia de Minas Gerais.

A mim porque desde o dia em que nasci – 3 de dezembro de 1949, em Adamantina, no interior paulista – Tia Zinha sente algo especial.

Tão especial que pegou o primeiro trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e foi de São Paulo a Adamantina para me ver. E veja bem: este percurso tem no mínimo 600 quilômetros e na época durava mais de dez horas, seguramente.

Além disso, nos anos em que minha família e eu moramos em São Paulo pela primeira vez, no fim da década de 1950, passava todas as férias, duas vezes por ano, na casa dela.

Na visita que me fez neste domingo, Tia Zinha se lembrou de tudo isso. Tudo e mais um pouco.

Lembrou também que está prestes a completar 80 anos e que Tio Renato já fez 82.

Foram quase duas horas de conversa. Altos papos. Conversa de gente que se respeita. De gente que se ama.

Entre uma lembrança e outra, Tia Zinha repetia que está com “a cabeça ruim”.

Ah! Como se fosse preciso estar com “a cabeça boa” para dizer “eu te amo como um filho”.

Ah! Como se fosse preciso estar com “a cabeça boa” para ter a generosidade de me presentear com uma correntinha de ouro.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?


(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.


8/8/2011 00:02:24