domingo, 31 de março de 2013

Por quê? (320) – Levantador de…



Cláudio Amaral

Nunca fui bom para fazer os outros rirem à toa. Nem eu, nem meu Amigo José do Galho Seco. Eu continuo sendo um zero à esquerda nessa matéria, mas ele deu duas sacadas neste Domingo de Páscoa que foram dignas de registros.

A primeira aconteceu no páteo de entrada da Paróquia de Santa Rita de Cássia da Vila Mariana, na Rua Dona Inácia Uchôa, aqui em São Paulo. A Celebração da Missa, presidida pelo Frei Cristiano Zeferino de Faria, havia terminado há menos de dez minutos. Já passava do meio-dia. Pouco, mas passava. E duas amigas conversavam animadamente em frente à sala do dízimo quando José do Galho Seco, que eu havia convidado para comer bacalhau aqui em casa, chegou para minha Sueli e disse:

- Senhora, o bacalhau acabou de ligar.

Diante da cara de espanto da patroa, ele explicou:

- O bacalhau ligou para dizer que não vê a hora de ir para o forno.

Fui uma risadaria geral, o sufiente para Sueli se tocar que estava na hora de encerrar a conversa e tomar o rumo de casa.

Chegamos, lavamos as mãos conforme o ritual que Sueli aprendeu no curso de panificação que ela fez na quinta-feira, no Palácio dos Bandeirantes e fomos para a mesa. Comemos como gente grande, até porque o bacalhau que nos foi oferecido pela comadre Salete, madrinha do nosso caçula, estava mais gostoso do que na Sexta-Feira Santa.

Perto das 4 horas da tarde resolvemos que estava na hora de sair da mesa. Saímos e rumamos para frente da televisão. Eu me ajeitei de um lado do sofá, meu filho Mauro se ajeitou do outro e José do Galho Seco ficou em pé, bem atrás de nós.

O jogo começou e logo o SPFC fez um gol no meu Corinthians. Cleber Machado gritou goooooooooooool e nós ficamos calados. Coisa de corinthiano.

O tempo passa, o tempo voa e nós ali, firmes e fortes, até que o Timão empatou com um chute forte do meio-campista Danilo. Nem assim nós tivemos forças para vibrar, gritar ou coisa que o valha.

Só nos mexemos quando Cleber Machado voltou a levantar a bola para uma cortada magistral do José do Galho Seco. É que o narrador da TV Globo estava recebendo a visita do treinador de voleibol José Roberto Guimarães, corinthiano como nós. E resolveu, o Cleber, saber se o convidado jogava ou havia jogado futebol. Não. E tênis? Nem uma palavra. Aí o Cleber resolveu dar uma de engraçadinho e disse:

- O Zé Roberto foi um levantador de primeira.

José do Galho Seco não perdeu a piada e sacou, de pronto:

- Levantador de copo.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

31/03/2013 19:51:43

quinta-feira, 21 de março de 2013

Por quê? (319) – Leonardo Boff e o Papa Francisco


Cláudio Amaral

Quem sou eu para colocar em dúvida as intenções e a honestidade do novo Papa? Quem sou eu para duvidar do Prêmio Nobel da Paz de 1980, o arquiteto, escultor e ativista de diretos humanos argentino Adolfo Pérez Esquivel? E quem sou eu para não acreditar em Leonardo Boff, um dos mais respeitados e admirados teólogos do mundo?

Fiquei surpreso, sim, com a escolha do Cardeal de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio como o novo Papa. Afinal, sempre deixei claro que também fazia parte da torcida por um Papa do Brasil. Mais do que isso: queria – e queria muito – que o escolhido para suceder Bento XVI fosse o Cardeal da minha cidade, São Paulo, o Arcebispo Odilo Pedro Scherer. Nada mais do que isso. Assim como torci, e torci muito, pelo Cardeal Arcebispo anterior, hoje Emérito, Dom Cláudio Hummes, quando da eleição do Cardeal Joseph Retinziger, em 2005. Torci mesmo sabendo que para escolha de um novo Papa não se torce como eu torço pelo meu glorioso Sport Club Corinthians Paulista.

Como admirador e seguidor constante da Igreja Católica Apostólica Romana, sinto-me cada vez mais admirado e gratificado com a simpatia que vem sendo demonstrada pelo Papa Francisco.

Tenho fé, muita fé, que ele vai dar certo como Papa e viverá tempo suficiente para recuperar o moral e o prestígio da nossa Igreja.

Fiquei preocupado, sim, quando li, vi e ouvi pelos principais meios de comunicação de massa do Brasil que havia suspeitas de envolvimento de Bergoglio com a famigerada e maldita ditadura militar da Argentina.

Mas, felizmente, tive a paciência e a calma suficientes para esperar que gente de respeito se manifestasse e afastassem de mim as calúnias que alguns poucos levantaram contra o jesuíta que o Conclave de Roma elegeu como Papa e como o primeiro Pontifice do continente sulamericano.

Adolfo Pérez Esquivel foi um deles, mas quem me deixou absolutamente tranquilo, e em definitivo, foi um dos intelectuais que mais admiro: Leonardo Boff.

Sou leitor dos artigos de Boff e, dos mais de 60 livros que ele escreveu, já li pelo menos dez. Li, reli mais de um e, todos que foram possível colecionar, guardo com carinho e atenção na minha bibliotéca pessoal. Portanto, assim que soube que ele estaria no centro do Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, na noite de segunda-feira, dia 18 de março de 2013, programei-me para vê-lo. E vi do começo ao fim. E mais uma vez não me decepcionei.

Boff, o Leonardo – que tem um irmão teólogo como ele, Cláudio – só teve elogios ao comportamento do Cardeal Bertoglio e ao Papa Francisco. Isso me tranquilizou.

Leonardo Boff elogiou o comportamento e a vida simples que Bergoglio sempre levou e a opção pelos pobres que ele prometeu manter ao longo de todo o Papado iniciado no domingo passado, dia 17 de março de 2013. Falou ainda do caráter do novo Papa e declarou acreditar que estava inaugurado o terceiro milênio, ou seja, “um estilo novo para honrar o seu inspirador, São Francisco de Assis”.

Boff disse acreditar, também, no propósito declarado por Francisco, de viver “um evangelho que nasce de baixo” e com “elementos muito significativos”.

Sério e complenetrado, Boff disse, ainda durante o Roda Viva da TV Cultura, ter certeza de que Bergoglio, como Papa Francisco, simboliza a renovação da esperança de um novo tempo. E é nesse novo tempo que também estou acreditando. E é por esse novo tempo que tenho elevado minhas preces aos céus, a Deus nosso Divino Pai Eterno. Com fé. Muita fé.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

21/03/2013 19:32:48

domingo, 17 de março de 2013

Por quê? (318) – O Papa Francisco



Cláudio Amaral

Resisti o quanto pude a escrever a respeito do Papa Francisco ou o “papa argentino”, como disseram de cara os brasileiros que não gostam de – ou que têm resistência a – cidadãos nascidos e criados na Argentina. Mas agora não posso deixar de registrar a escolha de Dom Jorge Mario Bergoglio como o sucessor de Bento XVI.

Não há mais como negar que o Arcebispo de Buenos Aires até o dia 13 de março de 2013 tem qualidades para ser Papa. É simples no trato (embora eu nunca tenha estado com ele), demonstra simpatia (atributo que o anterior não demonstrava), despojamento, simplicidade e despreendimento.

Sim, está claro que Bento XVI não era nada disso. Eu mesmo torci clara e abertamente pela escolha de Dom Cláudio Hummes em 2005, quando balhava na Redação do Comércio da Franca, naquela cidade do Interior paulista.

Mas, uma virtude ninguém pode negar a Bento XVI: ele teve a grandeza, a humildade e a coragem de reconhecer que não tinha mais forças, nem disposição para continuar Papa. E disse com todas as letras e palavras que havia chegado a hora de dar vez a alguém mais jovem e mais disposto a comandar a Igreja Católica Apostólica Romana. E renunciou. E deixou o cargo no dia 28 de fevereiro de 2013.

Hoje, domingo, 17.3.2013, ainda de pijama, postado à frente da televisão e a assistir o Angelus, fiquei a pensar em silêncio e com emoção, tendo a minha Sueli ao lado, no sofá da sala da nossa residência: como seria se o escolhido não tivesse sido ele, o Cardeal Jorge Mario Bergoglio?

Se não, vejamos: como Papa, ele é o primeiro jesuita, o primeiro sul-americano, o primeiro representante de todas as Américas e o primeiro pontífice não-europeu em 1.200 anos.

E mais: Dom Jorge Mario Bergoglio ficou famoso na Argentina por dar a atenção prioritariamente aos pobres e aos mais humildes dos seres humanos, católicos ou não; por dar preferência ao transporte público; por morar com simplicidade e por nunca se curvar e ou se aliar aos poderosos de plantão, especialmente os comandantes dos tempos da ditadura e os anti-democratas de agora.

Fico aqui a imaginar com que cara e estômago a presidente Cristina Kirchner assinou a carta enviada ao Papa Francisco logo após a escolha dele, em Roma. E com que disposição ela irá encará-lo na cerimonia de posse nesta terça-feira (19.3.2013), no Vaticano. Vai precisar de muita coragem.

Isto, entretanto, são coisas menores para as circunstâncias atuais. O que importa, de verdade, é que acredito piamente que somos todos uns privilegiado – Sueli e eu, inclusive – por podermos viver esses momentos e ver como os meios de comunicação de massa estão a tratar esses primeiros dias de papado de Francisco: com respeito, primeiramente.

Seria melhor, ou pelo menos diferente, se o escolhido tivesse sido o meu preferido, o Cardeal-Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer? E se, ao invés de Ratzinger, o eleito, em 2005, fosse Dom Cláudio Hummes?

Ninguém sabe e jamais saberá.

O importante, hoje, domingo, Dia do Senhor, é que estamos avistando um futuro promissor para a nossa Igreja Católica Apostólica Romana. E creio, sem medo de errar, que a partir de agora as nossas paróquias receberão cada vez mais fiéis. A Santa Rita de Cássia da Vila Mariana, aqui na Capital paulista, por exemplo, que há um ano vem sendo revigorada pela equipe do Frei Cristiano Zeferino de Faria.

Tenho certeza, ainda, que por conta da escolha e do comportamento do Papa Francisco muitos católicos adormecidos se verão motivados a despertar e a voltar à ativa. Muitos. Muitos e muitos. Não estou seguro de que a multidão de católicos crescerá – tal qual cresceu a torcida do meu Corinthians após as conquistas mais recentes –, mas é certo, para mim, que os católicos ativos estarão visíveis a partir de hoje em todas as paróquias do mundo.

E agradeço a Deus, nosso Divino Pai Eterno, a graça de nos permitir – a mim e à minha Sueli, inclusive – o privilégio de estarmos aqui, são e salvos, para ver o papado de Francisco.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

17/03/2013 12:53:56

quinta-feira, 7 de março de 2013

Por quê? (317) Ingenuidade ou má-fé?



Cláudio Amaral

Ingenuidade minha? Má-fé dos interessados (no caso, os seguidores de Hugo Chaves)? Falta de coragem de assumir a respectiva incompetência? Ou seria paranóia de comunistas, socialistas e inimigos declarados do país mais poderoso do planeta Terra, como a “esquerda festiva”?

Pelo sim, pelo não, a verdade é que os “irmãos” e os “filhos” do ex-presidente da Venezuela atribuiram aos inimigos da pátria – no caso, a pátria bolivariana – o cancêr que o levou para junto de Deus no dia 5 de março de 2013.

Após boas gargalhadas, parei e pensei: será que, em meio aos desvaneios de Nicolás Maduro e outros chavistas convictos, eles poderão vir a ter razão?

Gargalhei e depois pensei: um dia, quem sabe, talvez.

Sim, porque agora que estou sendo preparado para pensar com a cabeça de historiador – se é que um dia eu virei a sê-lo –, coloquei minha dúvida a alguns dos meus Professores da FMU, onde curso Licenciatura em História desde o dia 1 de fevereiro de 2013.

Sei que muitos dos meus Amigos e colegas poderão rir de mim. Poderão ainda achar que estou ficando louco e até mesmo que já estou louco. Outros dirão, como diz um dos meus Professores, que eu fumei e ou cherei (logo eu que não fumo e não cheiro absolutamente nada; nem hoje, nem nunca).

A verdade, caros e-leitores, é que resolvi dar aos chavistas, comunistas, socialistas e outros membros da “esquerda festiva” o direito da dúvida.

Assim como dou a outros dos meus semelhantes o direito de duvidar que o homem um dia chegou à Lua. Sim, porque, assim como muitos acreditam que foram os poderosos do Hemisfério Norte quem mandou inocular o vírus do câncer em Hugo Chaves, tem muita gente que diz ser uma farsa essa “história” de que um dia Neil Armistrong e companhia pisaram no solo lunar.

Considerando que – de acordo com o que já aprendi dos meus Mestres em História – ninguém é dono da verdade, muito menos o historiador, prefiro esperar o tempo passar até que os arquivos secretos oficiais sejam abertos ao mundo e venham a provar quem está com a razão.

Quanto tempo isso demorará? Quem sou eu para saber. Talvez 100 anos. Ou mais.

O certo é que um dia a verdade virá à tona e ao conhecimento do mundo. Pelo sim ou pelo não. E aí saberemos com quem está a razão. Tanto no caso de Hugo Chavez quanto em relação à viagem do homem à Lua.

Afinal, a Humanidade está repleta de exemplos de equívocos históricos, todos derrubados com o passar do tempo. Equívocos como aquele que levou homens e mulheres a acreditarem por séculos que a Terra – e não o Sol – era o centro do universo.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP.

07/03/2013 18:22:45 (pelo horário de Brasília)