segunda-feira, 20 de julho de 2015

Por quê? (353) – Sérgio Barreira Leitão


Cláudio Amaral

Sinto-me profundamente triste. Mas, sinceramente, deveria estar era muito feliz. Triste porque perdi um grande Amigo. Um dos melhores Amigos que tive nestes meus 65, quase 66 anos de vida. Mas deveria estar feliz porque ele foi chamado para um descanso eterno.

Agora, mesmo que eu não queira, tenho que admitir que Deus deu o devido e merecido descanso a um dos maiores e mais bem sucedidos Jornalistas que conheci e que este Brasil já teve.

Sérgio Leitão, o cearense mais carioca que conheci, era uma pessoa inigualável. Um ser humano como poucos. Um pai aplicado, dedicado e amado por Leslie, Cassius e James.

Conheci Sérgio Leitão aqui em São Paulo. Precisamente, na sala de imprensa que montei no Esporte Clube Pinheiros por ocasião da Federation Cup no Brasil.

Ele foi o único a me pedir licença para instalação de um terminal de telex no local para ter plenas condições de produzir e transmitir, diariamente, durante duas semanas, as notícias e reportagens que fazia a respeito da chamada “Copa Davis das mulheres”.

Leitão trabalhava tanto, mas tanto, que eu dia, ingenuamente, disse a ele: Você é o único carioca que se dedica tanto ao trabalho. E ele me respondeu: Claudinho, eu não sou carioca. Sou cearense.

Além do Português, ele falava, lia e escrevia também em Espanhol e Inglês, ainda que trabalhando para um único canal noticioso: a Reuters, uma das maiores agências de notícias do mundo.

A partir daquele grande evento esportivo, realizado em meados de 1980, nossa amizade só cresceu. E nossos contatos foram cada vez mais frequentes, pessoalmente e por telefone.

Tanto que um dia, depois dele tanto insistir, mandei meus dois filhos, Mauro e Flávio, passar férias junto à família Leitão, no Rio de Janeiro.

Voltamos a nos encontrar no Rio de Janeiro por ocasião de uma das muitas competições de velocidade lá disputada. Inclusive num Grande Prêmio de Fórmula 1 em que, por indicação minha, ele foi contratado pela Marlboro para servir de intérprete numa conferência de imprensa.

Noutras ocasiões Sérgio Leitão me ajudou a atender a conta do Banerj como patrocinador da equipe brasileira que iria – como foi – aos Jogos Olímpicos. E eu o ajudei a divulgar as atividades profissionais de pelo menos três competidores brasileiros de atletismo de alto rendimento.

Certa vez fui chamado a trabalhar para uma editora de jornais dirigidos a estrangeiros que vinham passar curtos períodos no Brasil. Eram publicações em Inglês, Espanhol, Francês, Italiano, Alemão... E como Leitão me dissera que o sonho dele era morar e trabalhar em São Paulo, repassei a responsabilidade a ele. Feliz ou infelizmente, o negócio não deu certo e ele seguiu vivendo no Rio e a curtir as alegrias que só lá ele tinha: as praias e o Flamengo.

Filho de diplomata, Sérgio viveu no exterior quando jovem. E também depois de casado e pai dos três filhos que ele teve e criou com a mulher, Sylvia. Fez da minha residência um porto seguro quando veio a São Paulo para entrevistas no consulado do Canadá, para onde a família se mudou em seguida.

Pouco nos vimos nos últimos anos, mas jamais perdemos o contato. Tanto que sofri muito quando tive notícia de um enorme temporal no Rio de Janeiro, nos anos 1990. Eu estava trabalhando no Tênis Clube de Santos e de lá liguei para ter notícias dele e da família. Soube, então, que ele estava ilhado na sede da Reuters, no centro da capital cariosa, fazendo uma das coisas que ele mais gostava: Jornalismo. Estava ilhado mas bem. Como espero que ele esteja agora, ou seja, desde a noite desta segunda-feira (20/7/2015), descansando junto a Deus, nosso Pai Eterno.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


20/07/2015 23:22:45

terça-feira, 7 de julho de 2015

Por quê? (352) – Ler ou viajar?



Cláudio Amaral

O que é melhor, caro e-leitor: ler ou viajar?

Eu prefiro os dois. Ou melhor: prefiro ter tempo para ler e também para viajar.

Dou preferência para ler bons livros (claro, lógico, evidente...) e, ao mesmo tempo, para viajar por lugares que ainda não conheço.

Mas, como nestas férias, não estou com tempo para viajar tanto quanto gostaria, resolvi meter a cara nos livros.

Entre uma ajuda e outra à minha Sueli, que busca colocar a casa em ordem, procurei todos os livros que ainda não li e fui em frente.

Já li O Quinze, escrito por Rachel de Queiroz e editado pela José Olympio Editora em 2004. É uma obra pertencente à biblioteca da Escola Estadual Major Arcy, onde estou a estagiar, como aluno de Licenciatura em História na FMU.

Tenho a impressão, sem muita certeza, de que havia lido este livro na minha época de colegial, lá pelos anos 1970. Mas, em minhas visitas ao Professor Félix Rogério Moreira Tomitan, responsável pela biblioteca do Major Arcy, peguei e folheei O Quinze.

Vendo o meu interesse, meu Amigo Félix me disse: “Leve e leia. Devolva-me quando puder”. Não pensei duas vezes. Até porque O Quinze foi o romance de estreia de Raquel de Queiroz, em 1930, quando se dispôs a retratar a grande seca de 1915.

Mais não vou contar para não estragar a sua leitura, caro e-leitor. Digo apenas que vale a pena você fazer o que fiz nos primeiros dias deste mês de julho, o primeiro das minhas férias de meio do ano.

Sem perder tempo, emendei outras duas leituras: Vinho & Guerra e O Senhor Embaixador. Sim, duas de uma vez.

Vinho & Guerra é uma obra escrita pela dupla de Jornalistas Don e Petie Kladstrup após três anos de pesquisa e entrevistas com testemunhas que sobreviveram aos terríveis fatos registrados em cinco grandes regiões viníferas francesas durante a Segunda Guerra Mundial: Borgonha, Bordeaux, Champagne, Alsácia e Vale do Loire.

O Senhor Embaixador é de autoria do saudoso e consagrado escritor brasileiro Erico Verissimo (1905-1975). Foi editada em 1965 e o exemplar que tenho em mãos é a terceira edição impressa pelo Círculo do Livro em 1975. A narrativa retrata o mundo diplomático e se desenvolve ao mesmo tempo em Washington DC e na fictícia República de Sacramento.

Estou particularmente encantado com essas duas obras.

Com Vinho & Guerra porque sou um apreciador incondicional da bebida dos deuses, como dizem Amigos meus. E também porque fiquei sabendo, por exemplo, que os nazistas comandados por Hitler tentaram, mas não conseguiram acabar com o “maior tesouro da França”. Graças, especialmente, à tenacidade de inúmeras famílias de vinicultores franceses.

Com O Senhor Embaixador porque Verissimo tinha uma narrativa sem igual e uma criatividade profunda e inigualável. Ao mesmo tempo porque descreve alguns lugares que tive o privilégio de conhecer nas minhas visitas à capital dos EUA em 1974, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015. Incluindo o Rio Potomac.

E depois que terminar a leitura dessas duas obras? Em seguida pretendo me aprofundar na leitura de alguns textos do meu quinto semestre de História. Desejo também dedicar os dias que ainda tiver, antes de 3 de agosto, quando recomeçam minhas aulas na FMU e meu estágio no Major Arcy, para ler outros dos mais de 30 livros que ainda não li.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

07/07/2015 21:23:18

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Por quê? (351) – Jornal do Mundo


Cláudio Amaral
 
Você, caro e-leitor, já ouviu falar do Jornal do Mundo?

Alguma vez, ainda que fortuitamente, você teve um exemplar do Jornal do Mundo em mãos?

Pelo sim, pelo não, considero-me um privilegiado. E explico a razão: ganhei um exemplar do Jornal do Mundo do meu Amigo e companheiro de muitas jornadas Wilson Marini.

Ele é Jornalista, como eu. Trabalhou no Estadão, como eu. Labutou na imprensa de Campinas, como eu. E tem mais: é considerado um especialista – como poucos – em jornais regionais. Afinal, comandou com êxito equipes de redação em Araçatuba, Maringá e Santos. Entre uma e outra, defendeu tese na Faculdade Casper Libero, em São Paulo, a respeito do Jornalismo Regional.

Quando foi para Santos, para chefiar a redação do jornal A Tribuna, Marini me convidou e fomos. Foi conosco outro Jornalista da maior competência: Mário Evangelista, caipira de Piracicaba. Tão competente que é, Gatão, como nós o chamamos, ficou e continua em Santos, comandando a redação do diário Expresso Popular, filhote de A Tribuna.

Mas, voltando ao assunto principal desta crônica, Marini me presenteou com o Jornal do Mundo porque sabe que estou a estudar História na FMU/Liberdade/SP. E porque entende que esta publicação pode me ser útil. Como, aliás, tem sido desde o dia 15 de maio de 2015, quando fomos – Sueli e eu – à casa dos Amigos Salete e Wilson para a festa de aniversário do jovem Samuel Marini.

Jornal do Mundo foi editado em 1961, em São Paulo, pelo Ibrasa (Instituição Brasileira de Difusão Cultural S. A.). E a edição que ganhei é a 3ª, de 1968. Apresenta, em formato e característica de jornal, fatos histórico desde 3000 a.C. a 1967, muitos dos quais estudamos – eu e meus colegas da turma da manhã na FMU –, a partir de 1º. de fevereiro de 2013, com quase todos nossos Professores do curso de Licenciatura em História. Entre eles, Flávio Luis Rodrigues e André Oliva Teixeira Mendes.

Numa das primeiras páginas é possível ler: JORNAL DO MUNDO é adaptação da obra News of the World, de Sylvan Hoffman, assistido por Hartley Gratton e com o concurso de Della M. Hoffman, Arnold B. Romney, Louis Calnek, Robert M. Hoffman. Ilustrações de International News Photos e documentos devidos à cortesia de Metropolitan Museum of Art. Fotografias adicionais de Keystone, Intercontinental, Associeted Press Photo, Folha de S. Paulo.

A tradução é de Flora Castanho Ferreira, a adaptação e atualização são de Moacyr C. Corrêa e Cícero A. Vieira, os mapas e desenhos de Nelson Coletti. O copyright é de 1953 by Prentice-Hall, Inc.

Na capa, abaixo de um globo terrestre, lemos que o Jornal do Mundo nos leva Do homem das cavernas à era do espaço, nos apresenta A história do mundo em seu jornal e, numa Atualização especial referente ao Brasil, publica 54 números (ou edições), mais de 1500 artigos e mais de 800 ilustrações.

Para os editores, o Jornal do Mundo leva os leitores num largo passeio pela História do mundo. Passeio sem dúvida agradável, divertido, porém sério. Os fatos são verídicos, nada se torceu. Bem se pode dizer que este livro sui generis é uma verdadeira História sem lágrimas e... sem bocejos!

No último parágrafo do texto de apresentação, os editores nos convidam: E agora, arranje uma cômoda poltrona ou uma cadeira de balanço e comece a ler. E em seguida nos alertam: É muito provável que não se disponha tão cedo a parar (de ler), pois a História sob forma de jornal é outra coisa!

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

03/07/2015 22:43:02

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Por quê? (350) – Uma escola pública diferenciada


Cláudio Amaral

As escolas públicas foram boas? Sim, na minha época, anos 1950 e 1960, elas foram mais do que isso; eram excelentes. E depois disso? Os anos passaram e a qualidade foi caindo, caindo, caindo... e hoje, julho de 2015, é rara a escola pública de qualidade. Seja municipal ou estadual. Isto é público e notório. Até porque os problemas dos nossos estabelecimentos de ensino – e da Educação como um todo – estão na cara para todos vermos.

Tive oportunidade de conhecer e comparar as escolas brasileiras com as dos Estados Unidos da América nos últimos quatro anos, período em que meus netinhos foram – com os pais – viver nas proximidades da capital estadunidense, Washington DC. Conheci tanto escolas públicas como particulares, pois Beatriz e Murilo foram primeiro estudar na particular Hope (http://www.hopepreschool.org) e depois na pública Ashburn Elementar School (http://www.loudoun.k12.va.us/ashburn). E também estive em universidades que cobram algo em torno de 8.000 dólares por semestre. É muito dinheiro? Sim, mas um dinheiro merecido.

Aqui em São Paulo conheço e frequento uma faculdade particular: a FMU (www.fmu.br), onde curso Licenciatura em História desde fevereiro de 2013. E, nos últimos dois semestres, visito quase todo dia uma escola pública: a E. E. Major Arcy, na qual faço estágio de observação nas aulas de História do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, todas ministradas pelo Professor Felippe Antonio Bentivoglio Silva.

Da FMU só tenho elogios aos Professores e ao curso, nota 4 no MEC. E críticas e mais críticas às instalações em geral, péssimas desde o início do meu curso.

Do Major Arcy, igualmente: só elogios aos 15 Professores e aos responsáveis pela gestão (a diretora, Professora Eliane Dantas de Oliveira Sganzerla, uma profissional dedicada e sempre presente, que conhece cada um dos 270 alunos pelos respectivos nomes; o Vice-Diretor, Professor Cromancio Bastos Mendes, e o Coordenador Geral, Professor Paulo Almeida Soares).

As instalações? Bem, as instalações físicas do Major Arcy ainda deixam muito a desejar, mas estão melhorando dia a dia, pois a escola passa por reformas desde os primeiros meses de 2015.

Os alunos? São jovens, alguns ainda crianças; outros, pré-adolescentes e ou adolescentes; todos cheios de energia; muitos, cheios de alegria, de boa-vontade e dispostos a vencer na vida. Em geral, são criativos acima da média. Poucos, garanto, não querem nada com a vida; pelo menos por enquanto. E eu sempre digo a todos eles: esperem até sair do Major para a vida fora da escola pública, seja no ensino superior, seja no mercado de trabalho.

Foi no Major Arcy que iniciei, em 2014, meu estágio como futuro licenciado em História. Iniciei contrariado, confesso, porque desde o início das aulas na FMU declarei que não estou a estudar para dar aulas como Professor de História. Quero escrever sobre fatos e acontecimentos da nossa História. Biografias, particularmente. Juntando minha formação como Jornalista Profissional e Historiador (uma profissão ainda não regulamentada). Mas, aos poucos, bem aos poucos, fui pegando gosto por aquele estabelecimento de ensino público (o Major Arcy). E neste primeiro semestre de 2015, quando completei 220 horas de estágio no Ensino Fundamental (das 200 horas obrigatórias) e mais 110 horas no Ensino Médio, passei a gostar mais ainda.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor? (Está bem. Vou te contar, mas na próxima crônica, porque para esta o espaço acabou).

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


01/07/2015 09:19:23