domingo, 26 de setembro de 2010

Por quê? (209) Dia da Bíblia


Cláudio Amaral

Domingo, 26º do Tempo Comum, Dia Nacional da Bíblia.

Tive uma boa noite, mas Sueli, minha companheira desde 15/7/1969 e com quem estou casado desde 5/9/1971, me veio com uma proposta rara.

Inédita, não. Mas rara:

- Vamos à missa das 11?

“Sim, vamos”, respondi de imediato.

Explicando: desde que voltamos de Santos, na segunda quinzena de dezembro de 2009, temos frequentado a Celebração da Missa da capelinha dos Padres Xaverianos, aqui mesmo na Rua Gregório Serrão, entre as ruas Machado de Assis e a Joaquim Távora, na Aclimação.

Vez por outra, vamos à missa do Convento das Irmãs da Visitação, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana.

Raramente, desde então, frequentamos a Paróquia de Santa Rita de Cássia, na mesma Rua Dona Ignácia Uchoa, onde temos ido desde que mudamos para a Rua Machado de Assis, 165, aqui na Aclimação, há mais de 30 anos.

Neste domingo, entretanto, fomos até lá.

Como fomos no dia 17/9/2010, uma sexta-feira, por ocasião da Missa de 7º Dia em intenção da alma do Padre Gaspar Blanco Ramos, nascido em 30/7/1941 e falecido em 10/9/2010.

Ao chegar, como acontece desde então, demos de cara com o mesmo sacerdote que nos atende há mais de 20 anos: Padre Miguel Lucas.

O mesmo que celebrou a Missa de 7º Dia do Padre Gaspar, aquele com quem morou por 33 anos.

Após a leitura do Evangelho de Lucas, que relata a experiência de um homem rico e um pobre, Padre Miguel Lucas nos lembrou que “hoje é o Dia Nacional da Bíblia”.

E nos fez uma comparação entre a Bíblia e o telefone celular.

Pediu a dois jovens que pegassem uma Bíblia e um aparelho de telefone celular.

Cada uma ficou de um lado dele: o do Bíblia do lado direito; o do celular do lado esquerdo.

E perguntou:

- Já imaginou o que aconteceria se tratássemos a nossa Bíblia do jeito que tratamos o nosso celular?

- E se sempre carregássemos a nossa Bíblia no bolso ou na bolsa?

- E se déssemos uma olhada nela várias vezes ao dia?

- E se voltássemos para apanhá-la quando a esquecemos em casa, no escritório?

- E se a usássemos para enviar mensagens aos nossos amigos?

- E se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela?

- E se a déssemos de presente às crianças?

- E se a usássemos quando viajamos?

- E se lançássemos mão dela em caso de emergência?

Para nossa surpresa, ele nos fez uma série de observações:

- Ao contrário do celular, a Bíblia não fica sem sinal. Ela ‘pega’ em qualquer lugar.

- Não é preciso se preocupar com a falta de crédito porque Jesus já pagou a conta e os créditos não têm fim.

- E o melhor de tudo: não cai a ligação e a carga de bateria é para toda a vida.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

26/9/2010 22:15:58

sábado, 18 de setembro de 2010

Por quê? (208) Adeus, Padre Gaspar


Cláudio Amaral

A ultima vez que me encontrei com ele foi justamente na esquina das ruas Carlos Petit com Vergueiro, ao pé da famosa caixa d’água, na Vila Mariana.

Eu estava visitando um colega corretor de imóveis e ele passava pelo local, que era o plantão de vendas do Edifício UP e hoje funciona a pleno vapor.

Na época, Padre Gaspar Blanco Ramos estava numa espécie de exilo em Ponta Grossa, no Paraná.

Não estava satisfeito, com certeza.

Ou já estava afetado pela doença?

Deveria estar doente, porque na missa de 7º dia de ontem (17/9/2010), desde o púlpito da Paróquia de Santa Rita de Cássia, o atual pároco, Padre Miguel Lucas, disse que Padre Gaspar carregou a cruz da doença por dois anos.

Ambos, segundo Padre Lucas, moraram juntos por 33 anos. Coincidência ou não, essa foi exatamente a idade de Cristo.

Aos olhos do seu rebanho, Padre Gaspar não era dos mais simpáticos. Mas, os depoimentos que se seguiram após a celebração da missa de sexta-feira, levaram muita gente às lágrimas. E às palmas, também.

Padre Gaspar nascera numa pequena aldeia espanhola em 30/7/1941. Talvez tenha entrado para o seminário porque os pais não reuniam condições de lhe custear os estudos, como tem acontecido com muitos sacerdotes.

Padre Lucas, entretanto, acredita que o importante é a vocação que Padre Gaspar tinha. E sempre teve.

Tanto que aos 12 anos ele se decidiu pela vida sacerdotal.

Foram mais de 40 anos de vocação por terras brasileiras, em São José do Rio Preto (SP), São Paulo (onde faleceu no dia 10/9/2010) e por último em Ponta Grossa (PR).

Ao longo desse tempo todo ele foi pároco por duas vezes na nossa Paróquia de Santa Rita de Cássia, onde administrava tudo com mãos de ferro.

Tinha, ao mesmo tempo, o dom de impor as mãos e com isso ser o condutor de milagres, que sempre dizia ser feito por Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Uniu casais, construiu obras sociais para creches e escolas profissionalizantes e viveu sempre – como disse Padre Lucas no sermão de sexta-feira à noite, na Paróquia de Santa Rita – “o que Santo Agostinho dizia sobre a necessidade de ajudar os pobres”.

Padre Gaspar chamava a atenção de todos integrantes do seu rebanho pela facilidade com que cantava os versos bíblicos. E na sexta-feira nós todos que lotamos a Santa Rita ficamos sabendo a razão ou pelo menos uma das muitas razões: ele cultuava a música desde que havia se conhecido por gente. Tanto que a missa em sua homenagem, Padre Gaspar, foi encerrada com a execução de sua canção preferida, enviada pela família desde a Espanha:

Escucha hermano lá canción de lá alegria
el canto alegre del que espera um nuevo dia
ven canta, sueña cantando
vive soñando el nuevo sol
en que los hombres volverán a ser hermanos,
ven canta, sueña cantando
vive soñando el nuevo sol
en que los hombres volverán a ser hermanos.

Si en tu camino sólo existe la tristeza
y el llanto amargo de la soledad completa
ven canta, sueña cantando
vive soñando el nuevo sol
en que los hombres volverán a ser hermanos.

Si es que nos encuentras la alegria en esta tierra
buscala hermano más alla de las estrellas
ven canta, sueña cantando
vive soñando el nuevo sol
en que los hombres volverán a ser hermanos.


Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

18/9/2010 14:34:31 (atualizado em 26/9/2010 21:31:52)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Por quê? (207) Choques e mortes


Cláudio Amaral

A sequência de choques de trens contra veículos automotores do início de setembro de 2010 me fez voltar aos tempos de infância.

Eu morava na pequena mas aconchegante cidade de Adamantina, há cerca de 600 quilômetros da Capital paulista, onde hoje vivo há 40 anos.

Era feliz e sabia, ao contrário do que dizem por aí há muitos anos.

Sabia mas queria mais.

E lá pelos lados de Adamantina corriam histórias chocantes a respeito de uma passagem de nível existente entre aquela e a cidade de Lucélia.

Lucélia e a Adamantina eram ligadas (ou melhor seria dizer separadas?) por uma estrada de terra de 7 quilômetros de extensão.

Eu, particularmente, nunca fui a pé de uma cidade a outra, mas quem foi me contou que a terra (ou seria areia?) era quente, tanto durante o dia quanto à noite.

Mais de dia do que de noite.

Bem, mas o fato é que o povo comentava lá pelos lados de Adamantina e Lucélia que muitos anos antes do meu nascimento, que se deu a 3 de dezembro de 1949, uma composição férrea havia se chocado com um ônibus e tirado a vida de muita gente.

Mais, muito mais do que as nove pessoas que morreram quarta-feira passada, dia 9 de setembro de 2010, no centro de Americana, na região de Campinas.

A colisão desta quarta-feira foi tão violenta que deu origem a uma capa chocante n’O Liberal de quinta-feira (9/9/2010), sob o título “TRAGÉDIA DO VCA 141”.

Sob essa manchete o jornal publicou uma imagem do acidente e a seguinte legenda: “M O R T E S N A L I N H A Atingido por trem de carga, ônibus da empresa VCA que fazia a linha Unisal/Jardim Brasil/Zanaga 1 foi partido ao meio e arrastado por cerca de 100 metros”.

VCA, antes que você me pergunte, caro e-leitor, é a sigla da empresa responsável pelo transporte urbano de Americana. E 141 é o número da linha.

Isto posto, é imperioso relatar que na sequência dos fatos outros tantos aconteceram.

Nenhum, entretanto, chegou a superar a violência daquele que eu nunca havia visto.

Portanto, mais do que ver, eu queria saber. Mas nunca soube.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

10/9/2010 16:10:08

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Por quê? (206) Fim de semana especial


Cláudio Amaral

Foi, sem dúvida, um fim de semana especial.

Um fim de semana que começou na sexta-feira, 3/9/2010, quando encerrei uma sequência de quatro dias de trabalho intenso, corridos, sem folga nem descanso.

Um fim de semana que só terminou na manhã desta segunda-feira, 6/9/2010.

Na sexta-feira à noite, desliguei o computador e tirei folga (dele, do trabalho, do Twitter, do correio eletrônico... de tudo).

Peguei o carro, um Honda Fit de cor vermelha como uma Ferrari, e fui buscar Sueli e Dona Cidinha na casa da minha filha, no Alto do Ipiranga.

Pensei em convidar as duas, Sueli e Dona Cidinha, para uma pizza especial, mas “a melhor sogra do mundo” se disse cansada da viagem entre Santos e São Paulo e me pediu para deixá-la no prédio da outra filha, aqui mesmo na Aclimação.

De lá, Sueli e eu nos arriscamos a algo especial: visitar – de surpresa – a pequena Sofia e os pais Marcello Vitorino e Nilva Bianco.

Fomos e nos demos muito bem, porque elas (já que Marcello estava dando aula em Santo André) ficaram felizes com a surpresa e ainda nos convidaram para uma pizza e um bom vinho.

Fomos dormir depois da meia-noite e dormimos o quanto pudemos.

Sueli pulou da cama, me convidou para uma café (especial, claro) e depois saiu para compras pela Vila Mariana e Aclimação.

Na volta, me ligou desde a Rua Paula Ney e combinamos ir até o Shopping Paulista, no Paraíso, para almoçar, ver um filminho e comprar um presente de casamento para ela.

Almoçamos e comemos exatamente no local e a comida que ela queria.

Tentamos “pegar um cinema” mas nenhum filme nos agradou.

Fomos às compras, então, e ela se disse feliz com o presente de 39 anos de vida comum após a troca de alianças, em Marília.

Mas o sábado não terminou aí.

O sábado acabou apenas depois da vitória inesquecível do Corinthians sobre o lanterna Goiás, o mesmo que nos empurrou para a Série B, em 2007: marcamos 5 a 1, fora o baile.

No domingo, mais alegrias nos esperavam: na missa celebrada pelo Missionário Xaveriano Padre Cláudio no Convento das Irmãs da Visitação, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana; no condomínio onde a Família Bravos Philipson tem casa em Bragança Paulista, onde comemoramos mais um aniversário de caçula Bruno e vimos o último jogo do Brasileirão no Maracanã, antes da reforma para a Copa de 2014 (Flamengo 0 X Santos FC 0) e na viagem de volta a São Paulo, via Campinas, onde o Guarani venceu o líder Fluminense por 2 a 1.

Na segunda-feira, para completar, foi só assistir aos gols da rodada de sábado e domingo, marcada por uma série de viradas, pois, além dos resultados de Campinas, tivemos ainda as vitórias do Cruzeiro (3 a 2 sobre o Palmeiras de Felipão, no Pacaembu) e do São Paulo FC (3 a 2 em cima do Atlético Mineiro de Luxemburgo, no Ipatingão).

Assim não há coração que aguente de tanta alegria.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

6/9/2010 14:39:56