quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Por quê? (214) O futuro do Planeta


Cláudio Amaral

Há mais de 60 anos, quando nasci, essa história de futuro do Planeta era coisa sem importância.

Ou melhor: praticamente sem importância.

Hoje, em pleno século 21, esse é o assunto mais importante do momento.

Pois bem: esta semana, na fila do caixa do Pão de Açúcar da loja da Rua Domingos de Moraes, quase esquina com o Largo Ana Rosa, presenciei uma brava discussão a respeito.

O assunto?

Exatamente este, ou seja: o futuro do Planeta.

E cada um tinha um caso para contar.

A moça do caixa falou que as duas sobrinhas só queriam saber qual é o Planeta que elas vão herdar.

Minha mulher contou que Beatriz, filha de Cláudia e Marcio Gouvêa, vive dizendo que é inadmissível (embora ela nunca tenha usado exatamente esta palavra) jogar papel higiênico no vaso sanitário, por exemplo.

Eu também entrei na conversa para falar que Marcela (ou seria a Mariana?), uma das filhas dos meus amigos Mario Evangelista e Mônica Ribeiro, é a maior fiscal do meio ambiente em matéria de economia de água, entre outros temas.

Uma cidadã ao lado quis saber: “Por que é que tem gente que não aceita levar sacolinhas de plástico?”

E no ato minha mulher perguntou: “Você já viu como anda a poluição do Oceano Atlântico?”

Não, ela não havia prestado a atenção.

Como ela, milhões de pessoas ignoram as consequências do uso indiscriminado daquelas sacolas que pensam ser tão úteis.

E assim caminha a humanidade.

Caminha apressadamente para o abismo.

Ou não?

Cada vez que saio às ruas da minha cidade eu fico horrorizado com a sujeita, porque vejo lixo para todos os lados.

Não é por acaso que os cuidados com o meio ambiente estão crescendo cada vez mais, mais e mais.

Mas isto é suficiente para deixarmos um mundo melhor para nossos filhos?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

28/10/2010 18:57:15

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Por quê? (213) O prazer de usar gravata


Cláudio Amaral

Você conhece alguém que tem prazer de usar gravata?

Gravata, camisa (branca, de preferência), um terno bem cortado e costurado, um par de meias e outro de sapatos?

Pergunto porque – sempre que pude – trabalhei assim.

E hoje, voltando da padaria Recanto Doce, aqui do bairro da Aclimação, na zona sul de São Paulo, onde moro, meu olhar foi atraído por um senhor da minha idade (algo em torno de 60 anos).

Ele caminhava em sentido contrário ao meu, na Rua Paula Ney, logo após a feira de terça-feira frequentada por Sueli, minha mulher.

E com isso me fez lembrar dos meus bons tempos de terno e gravata, mais camisa branca, meias e sapatos pretos (ou marrom, sabe-se lá).

Gostava tanto de usar gravata que até quando não era obrigado eu usava.

Na minha primeira apresentação pública, em Bastos, no Interior paulista, por exemplo, quando me coloquei a defender uma tese perante os olhares de centenas de olhinhos puxados de seguidores da Seicho-No-Iê.

A gravata era fininha, de duas tiras, tal qual eu vim a usar na apresentação seguinte, em São Paulo, antes de voltar a me mudar para cá.

Era uma gravata bem diferente das que eu viria a adotar no meu casamento com Sueli, por exemplo.

Na época eu gostava tanto de usar gravata que aproveitava todas as oportunidades que me apareciam.

Só evitava ir aos estádios de futebol de gravata, tal qual faz hoje em dia o treinador Wanderley Luxemburgo.

Assim que troquei a reportagem do Estadão pelo meu primeiro cargo de chefia, na Assessoria de Divulgação do Gabinete do Secretário da Agricultura, passei a usar gravata todo dia útil.

E assim foi ao longo de todos os meus anos até recentemente.

Foram quase 40 anos de trabalho.

Fiquei receoso apenas quando o primeiro-irmão de um presidente da República me encarou julgando que eu era o diretor da sucursal de São Paulo do Correio Braziliense.

Como eu não era o diretor mas apenas o chefe de redação, aquilo me fez repensar o meu traje – aí incluindo a tão comentada gravata.

Mas a dúvida foi passageira.

Logo eu voltei a usar gravata sem receio e fiquei à vontade.

Minha última aparição em traje completo foi no dia 11 de outubro de 2010, por ocasião do casamento da filha de um grande e saudoso amigo, Carlucho Maciel (Eliane com Tiago).

Naquele dia eu me vesti da cabeça aos pés tal qual nos dois principais e mais importantes casamentos a que compareci: o de minha filha Cláudia com Marcio Gouvêa no dia 29/7/2006 e o de meu filho Mauro com Vivian Heinrichs em 30/1/2010.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

19/10/2010 15:25:47

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Por quê? (212) Minha diferença


Cláudio Amaral

O acesso à garagem existente na Rua Gregório Serrão, 51, aqui na Aclimação, tem sido minha diferença desde o dia 17 de dezembro de 2009.

Foi naquele dia que Sueli e eu nos vimos obrigados a deixar o apartamento 71 do edifício de número 555 da Avenida Dr. Epitácio Pessoa, junto ao canal 6, em Santos.

Hoje (15 de setembro de 2010), por exemplo, fiquei três horas sem ter como sair da garagem de casa, que fica exatamente na Rua Gregório Serrão, 51.

O motivo foi a desatenção (ou algo parecido) de um motorista de um Kadet de cor preta.

O motorista colocou seu veículo a obstruir quase um metro da porta de entrada da garagem do meu Honda Fit vermelho (como uma Ferrari).

Abri a porta de minha residência, liguei a televisão e ali fiquei à espera dele, o motorista.

Mais de uma hora depois – e contrariando meus princípios – estampei um aviso no para-brisa do automóvel dele.

Almocei na sala, com o prato nas mãos – também contrariando meus costumes.

E nada.

Logo após o almoço, o motorista apareceu.

Corri em direção ao portão da área de casa e chamei: “Amigo, amigo...”.

Ele percebeu minha presença, entrou rapidamente no carro, deu partida e acelerou.

Acelerou duas vezes para trás e só na terceira é que conseguiu ir para frente.

Certamente não estava acostumado com o câmbio do Kadet, que tem a primeira marcha para frente e a ré com uma diferença mínima.

Nem mesmo o aviso ele se preocupou em tirar, ou, pelo que imagino, só foi retirar na primeira esquina.

Agora, aqui comigo mesmo, ficou a imaginar o que fazer para evitar que os motoristas (homens e mulher, jovens e idosos) me dêem sossego e me permitam entrar em sair de minha garagem com um mínimo de tranquilidade.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

15/10/2010 17:07:43

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Por quê? (211) Silêncio mortal (2)


Cláudio Amaral

Jamais um texto meu causou tanta polêmica como o anterior, intitulado “Silêncio mortal”.

Nele eu contava três casos e me referia às mortes de um Amigo residente em Curitiba e de um colega morador em São Paulo.

Relatava, também, que está doente uma vizinha aqui da Aclimação, na Capital paulista, que prefere o anonimato.

Referia-me, sobretudo, à reportagem de capa da revista Veja da última semana de abril de 2010, cujo título é “Ajuda para morrer”.

Escrevi sobre o chocante texto de Adriana Dias Lopes, que entrevistou médicos e pacientes.

E terminei com o seguinte parágrafo:

“Cada vez mais eu concordo com os médicos que agem assim, ainda que eu não me sinta encorajado a me isolar, mesmo sabendo que esteja condenado a conviver com uma doença incurável”.

Foi o suficiente para que no mesmo dia eu recebesse telefonemas de amigos e conhecidos me perguntando: qual é a “doença incurável” que me afeta?

Nenhuma!

Felizmente, nenhuma!

Pelo menos que eu saiba.

Depois do segundo telefonema eu resolvi reler meu texto do dia 12/10/2010 e cheguei à conclusão que eles, os meus amigos, têm razão.

Eles têm razão porque o texto dá margem a esse tipo de interpretação.

Eu deveria ter tomado o cuidado de escrever “ainda que não esteja (eu, no caso) sofrendo de uma doença incurável”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

14/10/2010 19:36:22

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Por quê? (210) Silêncio mortal


Cláudio Amaral

Meu Amigo Creso Moraes, residente em Curitiba, sumiu por meses e só no dia da morte dele é que fiquei sabendo que passava os dias dizendo que a vida não tinha mais sentido.

Antônio De Salvo, morador em São Paulo e outro cidadão do meu relacionamento, que nos deixou no mesmo ano (2008), havia ficado recluso por meses e não queria visitas.

Uma vizinha nossa aqui na Aclimação, em São Paulo, cujo nome eu omito porque sei que ela assim prefere, também está vivendo só por opção.

Esses são apenas três de muitos casos que conheço de gente que se isola na doença.

Em geral porque estão em estado terminal, ou seja, com os dias contados, ainda que não saibamos quantos dias a pessoa continuará vivendo.

Ainda em 2008 fui buscar explicações para isso e alguém me disse que as pessoas são assim mesmo: isolam-se para que outros não tomem conhecimento dos seus sofrimentos.

Na última semana de abril de 2010 a Editora Abril fez capa da revista Veja com o tema “Ajuda para morrer”.

Dizia, também na capa, não por acaso impressa na cor negra: “Médicos, pacientes e familiares relatam como enfrentaram o momento em que a vida se tornou apenas o prolongamento da morte”

E anunciava: “O que muda com o novo Código de Ética Médica”.

A revista me chamou a atenção imediatamente.

O motivo era presente: eu acabara de enterrar minha mãe, em Campo Grande, que há anos vivia a me dizer – a mim e à minha irmã Clélia – que não via mais sentido na vida.

Comprei.

Li.

Reli.

Reli em abril e agora, outubro de 2010, exatamente por conta do isolamento da minha vizinha.

O texto assinado por Adriana Dias Lopes é chocante.

Ela ouviu médicos e pacientes.

Um deles, o infectologista Artur Timerman, confessou a Adriana Dias Lopes: “Meu paciente estava em estado avançado do sarcoma de Kaposi (um tumor maligno descrito pelo médico hugaro Moritz Kaposi em 1872, em Viena, na Áustria), câncer comum entre pacientes de aids. Seu corpo estava coberto de úlceras que não cicatrizam e nenhum medicamento aplacava sua dor. Ele me pediu para sedá-lo e deixá-lo ir. Conversamos muito sobre o assunto e, três meses depois, fiz a vontade dele”. E acrescentou: “Orgulho-me de ter respeitado a autonomia de meu paciente”.

Cada vez mais eu concordo com os médicos que agem assim, ainda que eu não me sinta encorajado a me isolar, mesmo sabendo que esteja condenado a conviver com uma doença incurável.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968.

12/10/2010 16:54:04