domingo, 26 de maio de 2013

Por quê? (324) – A despedida de Neymar



Cláudio Amaral

Se pauteiro eu fosse, hoje… E, se ao invés de pauteiro, eu fosse chefe de reportagem… E, se ao invés de pauteiro ou chefe de reportagem eu fosse editor de esportes ou chefe ou diretor de redação num jornal diário ou numa revista semanal ou numa emissora de rádio ou de televisão… Ou melhor: se estivesse repórter de esportes ou de geral ou especial, isso não importa, o que importa é se repórter eu fosse neste momento de tanta agitação por conta da despedida do craque Neymar, o que eu gostaria de fazer ou o que faria?

Faria, ou melhor, gostaria de fazer – primeiro – uma pesquisa preparatória, daquelas que fiz por vezes durante minhas passagens pelas redações, pela ordem, do Jornal do Comércio e da Rádio Verinha de Marília (SP), do Estadão, do Diário de Notícias do Rio de Janeiro, do Correio Braziliense (DF), do Diário Oficial do Estado de São Paulo, d’O Estado do Mato Grosso do Sul e da TV Morena/Rede Globo (em Campo Grande/MS), do Comércio da Franca (SP) e d’A Tribuna de Santos (SP).

Com base no que conseguisse apurar nessa pesquisa, em seguida prepararia uma pauta especial. Objetivaria fazer uma comparação entre o que está a acontecer com a milionária e bombástica – embora esperada por todos nós – transferência de Neymar, de Santos/SP/Brasil para Barcelona/Catalunia/Espanha.

Iria querer comparar, principalmente, o que está a acontecer com e em torno do principal atleta do futebol brasileiro da atualidade com o que fizeram – ou deixaram fazer – outros jogadores de alto nível, como Neymar.

Procuraria comparar o caminho e as atitudes em torno do outrora chamado “filé de borboleta” – como disse Wanderley Luxemburgo, numa infeliz referência a Neymar para justificar, ou tentar explicar a não escalação do atacante como titular quando da última passagem do treinador pelo Santos FC – e atletas do nível de Casagrande, Sócrates, Júnior, Leonardo, Kaká, Dida, Tafarel, Júlio César, Ronaldo (o tal “Fenômeno”), Luiz Pereira, Luís Fabiano, Roberto Carlos, Careca, Denilson, Raí, Ernanes, Alex, Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Diego, Alexandre Pato, André Santos, Rivaldo, Lúcio e muitos outros, como, por exemplo, o mais recente de todos: Lucas, que trocou São Paulo por Paris.

Compararia, também, as transferências de Carlos Alberto Torres, Falcão e do maior de todos os nossos ídolos: Pelé.

Sincera e honestamente, não me lembro, em detalhes, como foram e o que foi que aconteceu com aqueles craques que despertaram interesse dos maiores times de futebol estrangeiros enquanto jogavam no Brasil.

Mesmo assim estou certo de que daria uma interessante reportagem a comparação entre cada um deles com a estratégia – bem pensada e planejada – de transferência de Neymar.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

26/05/2013 19:25:43

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Por quê? (323) Aposentadoria ou não?



Cláudio Amaral

“A aposentadoria pode gerar prejuízos para a saúde física e mental”, anunciou Sandra Annenberg, apresentadora do Jornal Hoje da TV Globo, no início da tarde desta sexta-feira. E acrescentou: é o que “revelou uma nova pesquisa”.

Imediatamente parei o que estava fazendo no computador e virei-me para a televisão que tenho aqui no meu “Escriptório” residencial ou home office, como dizem os chiques. Afinal, tudo o que se refere a aposentadoria e aposentados me interessa, desde que me aposentei, em 2005.

Estava com 55 anos quando consegui minha aposentadoria. Era novo? Sim e não. Sim porque passei anos e anos dizendo que jamais me aposentaria. E mais: dizia que iria morrer trabalhando, e sem me aposentar. Não, porque comecei a trabalhar aos seis anos de idade, em 1955, quando meu pai passou a me levar com ele para a lavanderia em que era empregado, aqui em São Paulo.

Trabalhei, portanto, dos seis aos 60 anos. Sim porque após obter a aposentadoria junto ao INSS, continuei a prestar serviços regularmente na Redação do jornal diário Comércio da Franca, em Franca, no Interior paulista.

Só me aposentei, de fato e de direito, após a cirurgia do dia 29 de julho de 2011, quando o neuro-cirurgião Diogo Lins extraiu um tumor benigno que havia crescido na minha cabeça, logo abaixo do couro cabeludo.

Uma vez recuperado, decidi que não teria mais emprego formal. O último havia sido na Redação d’A Tribuna, em Santos, onde havia conseguido atingir o ápice da carreira jornalística.

A partir de então só aceitei, eventualmente, algumas missões especiais. Tais como dar conselhos e consultorias. Vez ou outra, escrever um ou outro texto para publicações de Amigas e Amigos.

Até o final do ano passado eu dividi meu tempo de aposentado entre o Brasil e os Estados Unidos, onde passei cinco meses em 2012. E também entre serviços domésticos a pedido da minha Sueli Bravos do Amaral e da nossa filha, que foi morar em Ashburn duas semanas após minha cirurgia.

Ocupei-me da forma que mais me deu prazeres. Arrumei camas, lavei banheiros, varri, tirei pó, cortei grama, dirigi para meu genro, minha filha, meus netinhos queridos e também para Sueli e minha sogra.

Fiz mais: li e escrevi muito. Li jornais, revistas e livros, muitos livros. Escrevi crônicas (como esta), recados e comentários publicados na Internet. Ouvi rádio e vi TV. Visitei Amigas e Amigos. Assisti palestras e conferências.

Até que no final do ano passado cheguei à conclusão de que precisava fazer algo a mais. E fiz vestibular, passei e me matriculei no curso de Licenciatura em Historia, na FMU. É lá que estou assistindo aulas desde o dia 1º. de fevereiro de 2013. De segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 11h30.

Ou seja: não é por falta do que fazer que vou figurar nas estatísticas do centro de estudos do Institute of Economics Affairs (IEA) de Londres, que descobriu e anunciou nesta semana que “a aposentadoria leva a um drástico declínio da saúde no médio e longo prazos”.

De acordo com o que ouvi da boca de Sandra Annemberg no Jornal Hoje, “segundo a IEA, a pesquisa sugere que as pessoas devem trabalhar por mais tempo por razões de saúde e também financeiras”.

Concordo com o que diz respeito à questão financeira. Até porque o aposentado brasileiro vive na penúria. E o meu caso não seria excessão. Mas vou insistir até quando for possível e tocar em frente todas as minhas atuais atividades. Meus planos e sonhos, igualmente.

Quero viver muito, ainda, e sem estresse, sem compromissos desnecessários. Desejo me divertir ao máximo com minhas atividades – intelectuais ou não –, minha família, meus netinhos, meus livros, meus estudos, minhas viagens nacionais e internacionais. Ah!: com Amigas e Amigos, também.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

17/05/2013 14:40:44

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Por quê? (322) – Triste Dia das Mães



Cláudio Amaral

Longe de mim pedir colo, beijinho na testa e carinho para quem quer que seja. Mas eu seria desonesto – até para comigo mesmo – se escrevesse que terei um Dia das Mães feliz. Não. Tenho certeza absoluta que este será o mais triste de todos os dias das mães que vivi nestes meus 63 anos, 5 meses e 9 dias.

Afinal, minha Sueli está a cerca de 6.000 quilômetros daqui. Exatamente em Ashburn Village, na Virgínia, nos Estados Unidos, de onde me chama todo dia, duas ou três vezes por dia. Ela, sim, feliz com a companhia da filha querida, do genro e, principalmente, dos netinhos Beatriz (prestes a completar 6 anos) e Murilo (que fez três anos no início de janeiro).

Mãe, verdadeiramente, também não tenho mais. Dona Wanda Guido do Amaral, a mulher que me gerou, se foi há anos. Exatamente em 2010 e o corpo dela está sepultado em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Lá está porque foi naquela cidade que viveu seus últimos dias, enferma e sofrendo muito, apesar da atenção que tinha da filha mais velha, Cleide, dos netos e bisnetos. A última vez que a vi foi a 9 de agosto de 2009, quando fui embarcá-la em Viracopos, Campinas, rumo à última etapa da vida, com vida. Na companhia dela seguiu minha irmã caçula, Clélia.

Das outras mães, todas adotadas por mim, só estão vivas a Dona Aparecida Grenci Bravos (a melhor sogra do mundo), a Tia Terezinha, irmã de Dona Wanda, e a Tia Dulce, esposa do saudoso Tio Walter Guido. Uma vive mais em Santos do que em São Paulo e lá que está a passar férias. As outras duas moram aqui em São Paulo, mas certamente darão prioridade aos filhos e netos.

Outras mães adotadas eu tive. Mas nenhuma está mais entre nós. A principal foi minha avó Durvalina, com quem morei nos meus primeiros meses de Estadão, vindo do Interior paulista. Ela morava no Ipiranga. Exatamente na Rua Cisplantina, onde me acolheu desde que eu era criança pequena. Deu-me acolhida, carinho, comida e conselhos, muitos conselhos.

Dona Zezé, esposa do meu primeiro Mestre em Jornalismo, o saudoso Irigino Camargo, é outra mãe de quem sempre me lembro. Agora, por exemplo. Lembro com tristeza porque ambos se foram sem que eu tivesse notícia.

Na crônica de 10 de maio de 2008, escrevi uma frase que faço questão de repetir aqui: Por todas elas (Dona Wanda, Tia Zinha, Tia Dulce, Vó Durvalina, Dona Zezé, Sueli... e Dona Cidinha, minha sogra, claro, lógico, evidente...), que eu digo sempre e repito agora: todo dia é Dia das Mães. Estejam elas aqui ou não, fisicamente ou apenas em espírito, a poucos ou a muitos quilômetros, eu as amarei sempre, para sempre, eternamente. E a elas eu me apegarei sempre que me sentir só e carente, como neste Dia das Mães de 2013.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.

10/05/2013 17:01:05