quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Por quê? (190) Vida nova


Cláudio Amaral

Foi colocando ordem em toda a minha vida, pessoal e profissional, neste finalzinho de 2009, que encontrei anotações, por exemplo, que nem mais sabia existir.

A entrevista que fiz com meu Amigo e Compadre Carlos Conde, por exemplo, cometida a partir das 18h25 do dia 20/5/2004, em função de um novo livro em gestação: Como e por que surgem os nossos jornais?

Junto a tal manuscrito, que já digitei e a ele mandei, encontrei um outro, de quatro páginas.

O título é Vida nova.

Nelas, ou seja, nas quatro páginas e sob esse título, me identifico em boa parte.

Outras partes, entretanto, desconheço por completo.

O manuscrito está datado, logo no início: 15/5/2004, 14h50.

A primeira frase é um enigma: “A vida nunca mais foi a mesma depois de 40+40”.

A segunda, também nada tem a ver comigo: “Muitos pedidos de entrevistas, todos negados”.

Na terceira, uma certeza, mas ainda assim enigmática: “Ele queria paz, sombra e água fresca”.

Ele? “Ele quem, cara pálida”, como diria meu Amigo Daniel Pereira, jornalista como eu e meu parceiro de tantas jornadas.

E assim segue o manuscrito, que, sim, tem a minha letra:

- Dinheiro? Sim, precisava de dinheiro, mas aquela não era hora de pensar em dinheiro. Era hora de pensar nos 40+40, de tirar lições da experiência, de olhar bem de frente para a família, de curtir a netinha.

Netinha? Mas minha querida e amada netinha, a Be(bê)atriz, só veio a nascer no dia 12/6/2007. E tem mais: em maio de 2004 minha filha Cláudia, a mãe dela, nem era casada.

Essa, entretanto, é uma outra questão. O que interessa, no momento, é decifrar o enigma do manuscrito que acabo de encontrar e que tem a seguinte sequencia:

- Ele queria ter tempo também para fazer as atividades que mais gostava: andar a pé pelo bairro onde morava desde 1971, visitar e conversar com os amigos, viajar de carro.

Nesta parte eu me identifico, sim. E na próxima também:

- Depois, talvez, ele fosse fazer algo que havia descoberto que gostava: ensinar. Ensinar com paciência, porque antes ele dizia que não tinha paciência para ensinar. Especialmente se tivesse que ensinar a mesma tarefa mais de uma vez. Agora, sim, estava disposto.

Nesta próxima, a identificação comigo é maior ainda:

- Queria escrever. Escrever, sim. Dar entrevista, não. Ele sabia bem o que os entrevistadores faziam com os entrevistados.

Tem mais. Mais manuscrito e mais identificação:

- Queria ler. Ler todos os livros que acumulara ao longo dos anos. Até reler alguns, como “Quem ama não adoece”, emprestado pela terapeuta.

Qual terapeuta? No manuscrito ela não está identificada, mas, se for a minha, ela se chama Marta Maria Peretti e neste momento deve estar em férias junto à família, em Presidente Prudente (SP).

- Queria terminar a leitura do livro sobre Barcelona, emprestado pela amiga Lucila (Cano?).

- Queria ler um outro emprestado da terapeuta: “O Romance”, de James A. Michener.

Queria mais, de acordo com o que leio agora no manuscrito de minha autoria:

- Queria sair pelo interior do Brasil ensinando tudo o que aprendera em 36 anos de Jornalismo, desde 1º de maio de 1968, quando fizera a primeira reportagem, em Adamantina (SP).

Essa parte tem tudo a ver comigo: Jornalismo, 1º de maio de 1968, primeira reportagem em Adamantina. Tudo a ver.

Mas, vamos em frente:

- Queria ajudar os amigos a vencer o desemprego, que atingia números fantásticos no Brasil: só em São Paulo, capital, eram mais de dois milhões no início de 2004. E muitos amigos dele estavam sem emprego, apesar das promessas de Lula e de Serra nas eleições de 2002: “Criarei mais de 10 milhões de empregos”.

“Criaremos como, cara pálida?”, perguntaria novamente Daniel Pereira.

Uma outra parte do manuscrito tem tudo a ver comigo, embora não possa garantir que sou eu o personagem da história:

- Queria estudar Teatro, um sonho desde a juventude, quando subiu ao palco do circo que todo ano era montado em frente à casa dele, em Adamantina.

Opa! Essa parte também tem tudo a ver comigo.

A seguinte, entretanto, me deixa em dúvida:

- Recebeu convite para fazer cinema.

Afinal, o convite que recebi em relação a “fazer cinema” se referia a um curta metragem, mais experimental do que profissional.

A próxima parte, então, é sonho puro:

- Escreveu um livro dos 40+40 e ganhou muito dinheiro. Fez muitas doações em segredo. Deu muitas entrevistas, finalmente. Deu conferencias, porque falar em público ele gostava desde jovem, na Seicho-No-Iê, em Adamantina. Viajou muito. O Brasil todo. Ficava horas respondendo perguntas da platéia. Só ia embora quando todos tinham feito perguntas. Dava autógrafos sem pressa, porque achava um desrespeito fazer isso às pressas, impessoalmente. Sempre escrevia o nome do solicitante e uma mensagem diferente, por menor que fosse o papel que lhe era apresentado.

Sonho. Sonho puro.

Por fim, algo que me parece real:

- Ia aos jogos do Corinthians. Insistia em ir, especialmente ao estádio do Pacaembu, porque lá reencontrava os amigos dos tempos de reportagens esportivas pelo Estadão (1970/75).

Diante disso tudo, eu fico a imaginar se não teria sido esse manuscrito uma tentava de misturar a ficção com a realidade.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

31/12/2009 16:27:14

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Por quê? (189) Papai Noel


Cláudio Amaral

Estávamos numa quinta-feira, dia 17/12/2009.

Sueli e eu havíamos subido a Serra do Mar para passar em São Paulo as festas de fim de ano.

Como quinta-feira é dia do rodízio do nosso FIT Honda, embarcamos no Metrô na Ana Rosa e desembarcamos no Alto do Ipiranga, a última (ou seria a primeira?) estação da linha verde.

Ao chegar ao Condomínio Chácara Santa Cruz, na esquina da Rua Assunguí com a Santa Cruz, fomos abordados por um conhecido que havia se vestido de Papai Noel em 2008.

Ele foi direto ao assunto: disse que estava à procura de alguém que quisesse ser o Papai Noel da garotada em 2009.

Disse mais: que eu tinha “o perfil físico ideal”, ou, como diria meu diretor de interpretação Nill de Pádua, nos bons tempos de Oficina de Atores Nilton Travesso, lá pelos idos de 2004, o “physique du rôle” de Papai Noel.

Mesmo sem saber se Gilberto, que se vestira de Papai Noel em 2008, estava a me elogiar ou me depreciar, continuei a ouvi-lo atentamente.

Ele contou que havia tido a ideia no momento exato em que nos viu, a mim e a Sueli, ultrapassar a portaria do condomínio onde vivem minha filha Cláudia, meu genro Márcio Gouvêa e minha netinha Beatriz.

Qual ideia?

A ideia de me convidar para que eu me vestisse de Papai Noel.

Gilberto explicou que gostara da experiência, ano passado, mas estava com um “pequeno problema”: a maioria da garotada já sabia que seria ele o Papai Noel.

Isso quebraria o encanto, segundo ele.

Topei no ato.

Topei sem pensar.

Foi tão rápido, que Gilberto nem acreditou e me perguntou:

- Você topa? Topa mesmo?

Aceitei a missão e daí em diante foi só alegria e diversão.

Com base na experiência do ano passado, Gilberto me deu todas as dicas: me levou para trocar de roupa na sauna (que felizmente não estava funcionando naquele dia), fixou um travesseiro na barriga, ajeitou a barba branca e o chapéu vermelho, me explicou o que fazer com as calças e como manipular o saco de presentes (balas e pirulitos).

Gilberto me orientou inclusive como tratar a garotada quando eu chegasse ao salão da juventude.

- Você pega a criança e coloca no colo, pergunta o nome e o presente que ela pediu ao Papai Noel. Pergunta também se ela se comportou ao longo do ano e se acredita que mereça o que pediu. No fim, enfia a mão direita no saco de balas e pirulitos.

Foi moleza.

O duro foi aguentar o calor que sentia dentro daquela roupa de Papai Noel.

Mas isso não foi o mais difícil.

O mais difícil foi disfarçar o suficiente para que a pequena Beatriz do Amaral Gouvêa, de dois anos e meio completados no dia 12, não descobrisse quem era o Papai Noel.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

21/12/2009 13:12:32

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Por quê? (188) Um texto, por favor


Cláudio Amaral

Há exatos 40 dias eu não escrevo um único texto para este meu blogue.

O último texto que aqui postei foi escrito exatamente às 15:15:58 do dia 20/10/2009.

Nunca mais senti vontade de me abrir com meus possíveis leitores.

E sabe o que é pior: nenhum deles sentiu falta dos meus escritos.

Se sentiu, também, não se manifestou.

Triste, não?

Hoje, último dia do mês de novembro, resolvi olhar para o meu blogue.

Olhei e descobri que o mês de novembro estava no fim e que iria acabar sem que eu houvesse postado um único texto sequer.

Nestes 40 dias eu me dediquei a inúmeras atividades.

Inúmeras ou diversas?

Sei lá.

Sei apenas que cuidei do blogue do meu sogro, o jornalista José Arnaldo: http://josearnaldodeantenaebinoculo.blogspot.com/.

Sei também que me dediquei o mais que pude à pesquisa da vida e da obra do empresário português João Antunes dos Santos.

Sei ainda que empenhei aos estudos da vida nacional por conta de um curso que ganhei de presente da Adesg, a Associação dos Estagiários da Escola Superior de Guerra, via representação em Santos.

No mais?

No mais me dediquei a andar nas praias de Santos, a folhear alguns poucos exemplares de jornais, a ver televisão, a ouvir rádio, a muitos contatos com amigos e conhecidos, a ler e responder minha correspondência eletrônica.

O que mais?

Ah, sim, tem mais: li livros.

Li diariamente.

E isso me deixa satisfeito, alegre, feliz...

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

30/11/2009 14:14:18

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Por quê? (187) Um plano de defesa antiaérea, por favor


Cláudio Amaral

A área brasileira de Pré-Sal só não colocará em funcionamento um plano de defesa antiaérea se não quiser.

O plano está feito e foi apresentado na manhã desta terça-feira, dia 20/10/2009, no auditório da Codesp, a Companhia Docas do Estado de São Paulo, na região portuária de Santos, a Capital da Baixada Santista.

O autor intelectual e apresentador do plano é o general de brigada Nelson Santini Júnior, paulista de Campinas, há 30 anos no Exercito brasileiro e atual comandante da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, sediada no Forte dos Andradas, na Praia do Monduba, no Guarujá, na margem esquerda do Porto de Santos.

O general Santini falou em detalhes sobre o plano que idealizou. E usou o máximo de detalhes possíveis.

Falou das 9h17 às 11h02 para um auditório totalmente lotado, e atento.

Santini elogiou o presidente Lula e o ministro da Defesa, Nelson Jobim: “Estamos caminhando em 5 anos os 50 que caminhamos para trás”. Mas também não deixou de dar alfinetada em ambos: “O plano está pronto. Só falta a vontade e a decisão políticas”.

A vontade política, no caso, será necessária para decidir pela implantação do plano e fazer um investimento de 620 milhões de dólares exatamente na defesa antiaérea idealizada por Santini: 500 milhões de dólares na compra de 5 baterias antiaéreas de médio alcance; 60 milhões de dólares em 12 baterias de baixo alcance e 36 radares da marca Saber.

Com esse investimento, o comandante da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea acredita que o Brasil terá logística para defender o Pré-Sal por dez anos.

Ao longo desse tempo, diz Santini, será preciso fazer apenas a manutenção de homens, sistemas e equipamentos.

Teremos, assim, uma área protegida de 160 mil quilômetros quadrados – a área da Bacia de Santos –, ou seja, 200 quilômetros de largura por 800 quilômetros de comprimento, de Santa Catarina ao Espírito Santo.

Essa área incluirá, por exemplo, os dois maiores poços de extração de petróleo da Bacia de Santos: Tupi e Iara.

O general Santini espera ser autorizado a instalar em cada plataforma, em Tupi e em Iara, quatro soldados munidos de lançadores de mísseis.

O esquema se repetiria em cada uma das 11 refinarias da Petrobras em funcionamento em território nacional, onde também seriam implantados quatro soldados com lançadores de mísseis e radares suficientes para cobrir 36 quilômetros quadrados (de cada refinaria).

Usando como outro exemplo a cidade de Santos, Santini garantiu ao público que foi ouvi-lo na sede administrativa do Porto de Santos que seis soldados e as respectivas baterias antiaéreas defendem o município.

Reconheceu que isso ainda não é tudo o que o Brasil precisa e defendeu a necessidade de uma união: “Sem as forças do Exercito, da Marinha, da Aeronáutica não faremos defesa antiaérea”.

Nem assim, entretanto, as forças armadas estarão completas, na opinião do general Santini: “Precisamos sempre da Polícia Militar, por exemplo, porque a PM tem efetivos treinados e armados para o combate, como tem acontecido no Rio de Janeiro”.

Santini usou o caso recente do Rio de Janeiro, onde um helicóptero foi abatido por milícia de traficantes, para mostrar o clima que imagina ser possível em torno do Pré-Sal.

Ele lembrou que o Brasil caminha firme para um lugar de destaque entre os maiores produtores de petróleo e gás do mundo. Disse também que a água é cada vez mais escassa no nosso planeta. E que, paralelamente, o governo brasileiro luta por um posto definitivo no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Diante de tudo isso, alguém acredita que o Brasil ficará livre de ataques terroristas internacionais?”, indagou Santini. E acrescentou: “Por que ficaríamos, se todos os países com lugares garantidos no Conselho de Segurança da ONU sofrem ataques terroristas?”

Antes mesmo que alguém dissesse que 620 milhões de dólares é muito dinheiro e que o plano antiaéreo do Pré-Sal não será necessário, Santini se adiantou: “Estou pedindo apenas 0,4% do valor agregado dos dólares investidos na exploração do petróleo do Brasil” e “cumprindo com a minha obrigação de comandante da Brigada Antiaérea: mostrar o que é defesa antiaérea”.

Usando uma frase de efeito que tem repetido seguidamente entre amigos, Santini disse: “Santos não será a primeira área do Brasil a ser destruída; será a primeira a ser defendida”.

E por fim lançou mão da Bíblia, como também faz sempre que pode: “Se você quer a paz, prepare-se para a guerra”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

20/10/2009 15:15:58

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Por quê? (186) Um novo livro, por favor


Cláudio Amaral

Há quatro dias, muito a contragosto, conclui a leitura do livro de Ruy Castro, organizado por Heloisa Seixas e chamado O Leitor Apaixonado – prazeres à luz do abajur.

Era sábado, dia 3 de outubro de 2009, exatamente a data de mais um aniversario de Sueli, a primeira e única.

Foram, contados, um a um, exatos 30 dias de “prazeres à luz”, 30 dias em que me senti exatamente como o título da obra: um “leitor apaixonado”.

Por vezes, à luz do dia, embora os dias de Inverno, aqui em Santos, tenham sido pouco claros e os dias de Primavera menos ainda.

Por vezes, à luz elétrica, no escritório, na sala, no quarto e, na maior parte do tempo, no banheiro, onde a leitura corre solta e o tempo parece não passar.

Foi um dos raros livros em que eu avançava na leitura pedindo para recuar.

Um livro que Ruy Castro e Heloisa Seixas, ambos jornalistas e escritores, marido e mulher, deveriam tomar como exemplo de obra obrigatória.

Heloisa nos disse durante a “Tarrafa Literária”, no dia 4 de setembro de 2009, no Theatro Guarany, um dos templos da história cultural de Santos, que Ruy foi contra a publicação de O Leitor Apaixonado.

Mas, como sempre acontece com os homens diante da insistência das mulheres, ela acabou vencendo a batalha e o livro está aí, à disposição de todos os leitores apaixonados do Brasil e demais paises de língua portuguesa.

Comecei a leitura no mesmo dia em que ele, o autor, me fez uma dedicatória que lembra nossos sofrimentos durante a série de espetáculos batizados de “Chega de Saudade” e que rodou, pela ordem, o Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília.

Sofremos com a escassez de dinheiro e a abundância de desorganização, mas nos alegramos com a oportunidade rara de ver nos palcos tanta gente boa e talentosa: Zimbo Trio, Pery Ribeiro, Carlinhos Lyra, Claudette Soares, Luiz Eça..., sempre sob o comando da dupla Ronaldo Bôscoli e Luiz Carlos Miéli.

Pelas páginas de O Leitor Apaixonado – prazeres à luz do abajur me foi possível conhecer mais detalhes a respeito da Semana de Arte Moderna de 1922, a Ipanema de 1920, as noites da Lapa, como aprender “ingrês” com Millôr Fernandes e Pedro Carolino, três brasileiros (Nelson Rodrigues, Carlos Heitor Cony e Paulo Francis) e um jornal (o Correio da Manhã), a turma do Algonquin, as capas das revistas New Yorker e Esquire e muito, muito mais.

Em O Leitor Apaixonado – prazeres à luz do abajur tem até aula para “aspirante a biografo”, posição em que me coloco há anos, muitos anos.

Agora, terminada a leitura desta obra de Ruy Castro, me vejo numa situação incômoda e inédita: apegado a esse volume de papel impresso em formato de livro; apegado de tal forma que não quero, de jeito algum, dispor dele em favor de amigos e colegas que o desejam tanto ou mais do que eu.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

7/10/2009 10:35:35

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Por quê? (185) Mais um ano, por favor


Cláudio Amaral

Hoje, 29 de setembro de 2009, é mais um dia especial para mim.

Daqueles dias que serão difíceis de esquecer.

Para mim e, espero, para dois grandes amigos que estão comigo em Santos.

Viemos, os três, há exatamente um ano, pelo mesmo motivo: trabalhar na Redação do maior e mais importante grupo de comunicação de Santos e da Baixada Santista.

Meu chefe e eu, na Redação de A Tribuna.

Nosso outro Amigo, na Redação do Expresso Popular, mas sob a mesma chefia.

Wilson Marini, o chefe, foi convidado e nos convidou.

A mim, como Editor-Executivo de A Tribuna.

Mário Evangelista, como Editor-Executivo do Expresso Popular.

Viemos e, tão logo foi possível, trouxemos as respectivas famílias.

Para nossa alegria, fizemos um grupo familiar unido e amigo.

O grupo cresceu ao longo do tempo, mas o núcleo inicial permanece unido e amigo.

Alugamos casas (Marini e Evangelista) e apartamento (no meu caso) na mesma região de Santos: Mário e eu, na Aparecida, junto ao Canal 6; Marini, na Ponta da Praia, próximo ao Canal 7.

Os almoços, os jantares, os cafés, as festas, enfim, passaram a ser de todos: Mônica, Marcela, Mariana, Helô (pelo lado de Mário, o “Gatão”), Sueli, Cláudia, Márcio Gouvêa, Beatriz, Mauro (pelo meu), Salete, Samuel, Nadia e Glauco (pelos Marini).

Foram festas e mais festas (com direito à passagem de ano na praia), porque cada encontro era uma festa, um acontecimento.

Corporativamente, o grupo se desfez, por um tempo.

Primeiro, porque eu fui dispensado pela diretoria e deixei de fazer parte da Redação de A Tribuna no dia 17/6/2009.

Depois, porque Marini também teve o mesmo destino, dia 14/8/2009.

Mário Evangelista, felizmente, continua comandando a Redação do Expresso Popular e o faz com dedicação e competência. E segue também sendo nosso vizinho e Amigo, mais Amigo do que nunca. Ele, Mônica, Marcela, Mariana, Helô...

“O futuro a Deus pertence”, como disse certa vez algum filósofo que a história não registrou com precisão (nem no Google).

O certo, entretanto, é que eu e Sueli estamos a fazer todas as “mágicas” possíveis e imagináveis para continuar em Santos. E cá ficaremos até quando nos for possível. Se possível, até o fim da vida. Com a graça de Deus e o apoio de todos os nossos. Inclusive Dona Cidinha, a melhor sogra do mundo, que também se mudou para Santos, em definitivo, em julho.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

29/9/2009 11:03:00

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Por quê? (184) Uma vírgula, por favor


Cláudio Amaral

Desconheço o dia – ou melhor, o momento – em que fui apresentado à vírgula.

Imagino ter sido logo após minha apresentação às palavras e vice-versa.

Teria sido, então, no máximo aos 5 anos de idade, porque eu sou amigo das letras desde bem pequeno.

Das letras, maiúsculas e minúsculas, e, por consequência, dos pontos, das vírgulas, dos hífens, dos travessões, dos parágrafos.

Dos lápis e das canetas, também.

Até com caneta tinteiro eu convivi.

Lembro-me bem dos tinteiros da marca Parker, por exemplo.

E quem é que não se lembra?

Talvez, só aqueles que ainda não chegaram aos 50 anos de idade.

Bem, mas o assunto, hoje, é a vírgula.

A vírgula que é um sinal gráfico dos mais discutidos, debatidos, analisados e... combatidos – porque não.

Li um livro, certa vez, que não tinha uma única vírgula e no qual, no fim, o autor colocou centenas delas e recomendou que cada um fizesse o uso que preferisse.

Hoje, exatamente nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2009, encontrei algo parecido.

Lendo O Leitor Apaixonado – Prazeres à luz do abajur, escrito por Ruy Castro, organizado por Heloisa Seixas e editado pela Companhia Das Letras, me deparei com a seguinte frase:

- Não descansarei enquanto não sepultar a última vírgula do mundo.

Está na página 197, em meio ao texto intitulado Gertrude Stein – O búfalo da Rive Gauche.

Ruy Castro se refere a uma escritora que, segundo ele, agitou Paris de 1903 a 1939.

Mais do que uma escritora, Gertrude Stein é apresentada no referido texto como uma agitadora cultural.

Ela teria descoberto e apresentado ao mundo gente como Picasso, Matisse, Cézanne, entre muitos outros que a visitavam no sobrado de número 27 da rue de Fleurus, em Paris.

Mas, esses são detalhes que você deverá procurar no livro de Ruy Castro que estou a ler nestas manhãs de inverno, no aconchegante apartamento que divido com Sueli, no bairro da Aparecida, junto ao Canal 6, em Santos.

No apartamento, nas praias santistas, nas salas de espera, nas filas de bancos e, porque não, nos ônibus da Viação Piracicabana que me levam daqui para o Centro Histórico, quase todos os dias, ora o circular 004, ora o 019 (aquele que passar primeiro pelo ponto em que eu me coloco no rumo do bairro para a cidade).

O que importa, nesta crônica, é a vírgula.

A vírgula que, segundo Ruy Castro, incomodava Gertrudes Stein a ponto dele, Ruy, observar:

- Gertrudes parecia ter algo pessoal contra vírgulas.

Observar e acrescentar:

- Seu romance de mil páginas, The making of Americans, não tinha uma única vírgula, nem para remédio.

Diante do argumento de que “as vírgulas eram importantes como pausas, para permitir ao leitor respirar”, Gertrudes “não se convenceu”, segundo Ruy Castro e disparou:

- Quem tem de saber quando respirar é o leitor.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

18/9/2009 11:29:48

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Por quê? (183) Dois Amigos, dois Irmãos

Cláudio Amaral

Rui Viotti nos deixou há menos de dez dias, no dia 7/9/2009.

Ramão Gomes Portão se foi há mais de 22 anos, no dia 12/3/1987.

Ambos, entretanto, estiveram presentes na minha vida, nesta terça-feira, 15/9/2009.

Primeiro, chegou-me uma mensagem de Sueli Amaral de Novais.

Em seguida veio uma mensagem de Rui Gebara Portão.

As duas me foram enviadas em agradecimento aos textos que escrevi a respeito dos meus Amigos Rui Viotti e Ramão Gomes Portão.

A respeito e em homenagem a eles, que conheci nas minhas andanças jornalísticas pelas ruas de São Paulo.

Assinando Sueli Amaral, a “amiga e ex-funcionária de Rui” (Viotti) me deu um susto, porque a única Sueli Amaral que eu conhecia até então era minha companheira há 40 anos (completados no dia 15 de julho de 2009) e esposa há 38 anos (comemorados no dia 5 de setembro de 2009).

Sueli queria “agradecer a matéria do seu blog sobre este excepcional profissional e acima de tudo excelente pessoa, de caráter reto e íntegro como infelizmente é raro se encontrar hoje em dia”.

E ela escreveu mais: “Tenho a sensação que a forma em que foram feitos homens como ele se perdeu”.

Agradeceu também por eu ter me lembrado de Rui Viotti “de forma tão carinhosa e reconhecida, pois neste país de memória curta tendemos a esquecer os grandes homens e seus grandes feitos”.

Depois de dizer que eu fui “uma boa exceção”, Sueli desabafou: “Minha maior tristeza foi acompanhar o ostracismo e descaso sofrido pelo Rui no final de sua carreira”.

Rui Gebara Portão foi menos contundente, talvez porque o pai, meu Amigo Ramão Gomes Portão, nos deixou há mais tempo: “Foi com imensa satisfação que soube por amigos, após busca pelo Google, (a respeito de) uma matéria redigida por ti, (e publicada) em teu blog, a respeito de meu pai”.

Para o filho de Ramão, que é advogado atuante em São Paulo há dez anos, “depois desses anos todos foi uma matéria clara, sem sensacionalismo, sem pesar no sentimentalismo”.

Rui Gebara Portão nasceu da união de Ramão com Anissa, a quem ele chamava, carinhosamente, de ‘Turca’. Rui tem 34 anos de idade e o irmão mais velho, Rodrigo, que é formado em Propaganda e Marketing, está com 36.

No fim da mensagem, Rui me levou às lágrimas ao escrever: “Grato por todas as palavras e considerações que os anos não apagaram de sua memória”.

Agradecido estou eu, Rui Gebara Portão e Sueli Amaral de Novais.

Estou agradecido a vocês e a Deus, por ter me permitido conhecer e conviver com os jornalistas Ramão Gomes Portão e Rui Viotti.

Dois Amigos.

Dois Irmãos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

16/9/2009 00:28:34

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Por quê? (182) Aguenta, coração!!!


Cláudio Amaral

Confesso que não sei a razão, mas a verdade é que não dei a devida importância ao Grande Prêmio de Monza, na Itália, disputado neste domingo.

Tanto não me importei quando deveria, que no sábado quase não vi as tomadas de tempos para a largada do domingo.

Mais ouvi do que vi.

Estava em São Paulo, na residência que hoje é mais dos meus filhos Flávio e Mauro do que minha e da Sueli, que vivemos em Santos há quase um ano.

E, sentado na cabeceira da mesa da sala, bem em frente ao meu computador portátil, que sobe e desce a Serra do Mar comigo, dei mais importância às mensagens do correio eletrônico do que às informações e comentários de Galvão Bueno, Reginaldo Leme, Luciano Burti e Mariana Becker, assim como às imagens transmitidas pela TV Globo.

Fato raro, porque desde que me conheço por gente – e como jornalista – que eu acompanho a Fórmula 1 pela televisão.

Pela TV e, sempre que possível, pessoalmente, seja em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, seja em Interlagos, em São Paulo.

A verdade, entretanto, era que neste sábado eu estava mais ligado à Internet do que à Fórmula 1.

No domingo, não foi diferente.

Preferi ir à Celebração da Missa das 8 horas da manhã, na Capela das Irmãs da Visitação, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana, mesmo sabendo que poderia perder a largada da Fórmula 1.

E perdi.

Só não perdi a oportunidade de me lembrar de Rubens Barrichello quando faltavam alguns segundos para a largada.

Lembrei-me dele e de pedir, mentalmente:

- Senhor, preteja o Rubinho, que neste instante está fazendo a volta de apresentação e pronto para a largada em Monza.

Quando eu consegui ligar o rádio do meu Honda Fit, em frente à Capela, a largada já havia sido dada.

Ouvi, então, Téo José, o narrador da Rádio Jovem Pan, dizer:

- Rubinho largou bem.

Aí eu me animei.

Fiquei mais animado quando ele, Téo, acrescentou:

- Além de largar bem, Rubinho ganhou uma posição.

Fui rapidamente para casa, liguei a televisão e vi a corrida até o fim.

Primeiro, com atenção.

Depois, com apreensão, porque Rubinho assumira a ponta, fizera a única parada no boxe da Brown GP com sucesso e voltara em primeiro.

Era uma situação inacreditável para quem viu tantas mancadas e até sacanagens em relação ao piloto que acompanho desde os oito anos de idade (dele).

Quando Rubinho recebeu a bandeirada final... eu não agüentei: chorei como uma criança.

Chorei e falei para Sueli, ao meu lado:

- É a segunda vitória dele no ano e agora ele está realmente na disputa pelo título.

Sueli lembrou-se de imediato dos pais de Rubinho e eu, ato contínuo, disse:

- Vou enviar um e-mail para o Rubão.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

14/9/2009 10:38:02

domingo, 13 de setembro de 2009

Por quê? (182) Aguenta, coração!!!

Aos fãs e aos críticos do piloto brasileiro Rubens Barrichello: como meu coração corintiano não para de bater forte, muito forte, ainda não estou em condições de produzir o texto de hoje a respeito da fantástica vitória de Rubinho no GP de Monza, Itália, neste domingo.

Aguardem, por favor.

Cláudio Amaral

sábado, 12 de setembro de 2009

Por quê? (181) Erro nada humano


Cláudio Amaral

Entrar em território alheio sem autorização nunca foi bom.

No caso, foi um erro fatal.

Mais que isso, eu diria: foi um erro nada humano.

Afinal, o território era (ou é?) privado, além de alheio.

Tudo bem, ele, no caso, poderia não saber disso.

Ele poderia desconhecer que estava entrando em área privada, indevida.

Mas, tão logo percebeu que estava sendo seguido – mais que isso, perseguido – ele deveria ter optado por abandonar aquele espaço privado e voltar para o território público que até então houvera ocupado.

Não o fez.

Não o fez e pagou caro por essa opção.

Foi seguido.

Foi perseguido.

Ficou acuado.

Escondeu-se.

Escondeu-se tanto quanto possível.

Escondeu-se o mais que pôde, eu diria.

Mas, quando o dia amanheceu, os donos da área – privada, repito – pediram reforço.

E não foi um reforço qualquer, não.

Os homens do reforço chegaram e foram à caça dele, o intruso, no caso.

Fizeram tudo o que podiam e sabiam, mas o invasor se fez de morto.

Quando foi descoberto, na undécima hora, fugiu novamente.

Fugiu e a caçada recomeçou.

Foi uma caçada árdua, estafante, mas ele estava em desvantagem.

Mesmo assim, não se entregou facilmente.

Deu trabalho. Muito trabalho aos seus caçadores, homens experientes e bem treinados.

No fim de horas, quando todos estavam pensando em desistir, ele, o invasor, a caça, foi localizado novamente.

Localizado e definitivamente encurralado.

Aí não teve saída: foi abatido.

Foi abatido com muito custo, é importante que se diga.

Lutou o quanto conseguiu, mas foi abatido.

Gritou, esperneou, tentou escapar, mas foi mortalmente atingido.

E assim, no final da manhã desta sexta-feira, o pequeno camundongo foi posto para fora da casa que invadiu sabe-se lá quando.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

12/9/2009 10:43:42

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Por quê? (180) Outro homem


Cláudio Amaral

A partir de hoje eu sou outro homem.

Sou ou estou?

Isso não interessa.

Ser ou estar é puro detalhe, no meu caso.

Ser ou estar é puro detalhe para mim, hoje, pontual e precisamente.

O importante é que sou (ou estou) outro homem.

Sou (ou estou) mais feliz.

Estou mais alegre.

Sinto-me mais animado.

Encontro-me mais entusiasmado. Muito mais.

Enfim, estou mais, muito mais de bem com a vida e comigo mesmo.

E minha vida começou a mudar exatamente às 11h26.

Foi quando recebi uma mensagem via correio eletrônico.

Respondi positivamente às 11h32.

Em seguida, precisamente às 11h51, recebi uma ligação telefônica de São Paulo, exatamente de um escritório localizado na Zona Norte.

Era a confirmação da boa notícia que me chegara pela Internet e a premiação por um trabalho que me ocupara por 35 horas ao longo de todo o mês de agosto.

Essa, entretanto, não seria a única boa notícia do dia.

Tinha mais.

Às 15 horas, no Centro Histórico de Santos, minha vida mudaria ainda mais.

Pelos próximos meses, e até o final do ano, terei muito trabalho.

Profissionalmente, pelo menos.

E como o profissional e o pessoal estão sempre intimamente ligados, outras alegrias me virão.

Outras notícias me farão feliz.

Mais feliz.

Sempre mais feliz, com a graça de Deus e o apoio da minha família e dos meus Amigos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

9/9/2009 18:46:35

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Por quê? (179) Adeus, Rui Viotti


Cláudio Amaral

Sou daqueles jornalistas que têm uma dívida eterna para com Rui Villara Viotti, o Rui Viotti (foto) do rádio e da televisão, falecido no dia 7 de setembro deste ano de 2009, prestes a completar 80 anos de idade.

Ele nasceu em 26 de setembro de 1929.

Eu, em 3 de dezembro de 1949, ou seja, mais de 20 anos depois.

Ele nasceu em Caxambu, Minas Gerais, cidade que ainda não conheço.

Eu, em Adamantina, no interior paulista, localidade que ele pode até ter conhecido, tantas foram as andanças que fez pelo Brasil e o mundo.

No ano em que eu nasci, ele era locutor profissional há cinco anos e já estava no Rio de Janeiro a participar de um concurso promovido pela Rádio Tupi para a escolha do substituto de Ary Barroso, o mais famoso narrador esportivo da época.

De lá para cá, Mestre Rui Viotti fez de tudo no rádio.

No Rio de Janeiro e depois em São Paulo, onde nos conhecemos.

Mas não foi no rádio que eu fui conhecer Rui Viotti, que trabalhou na Tupi, na Nacional e na Tamoio.

Fui ter com Rui Viotti na televisão.

Na TV Bandeirantes, precisamente, na época em que a emissora da Família Saad tinha a programação de domingo totalmente tomada pelas transmissões e promoções esportivas.

O comando era de Luciano do Valle, mais conhecido como o “Luciano do Vôlei”.

O cérebro de tudo, entretanto, era o Mestre Rui Viotti.

Na época em que nos conhecemos, Rui Viotti já era um senhor, sério, experiente e respeitável; havia trabalhado na primeira emissora de TV do Brasil, a Tupi (simultaneamente com a Rádio Tupi), na TV Rio e na TV Globo.

Eu era um principiante perto da grandeza de Rui Viotti, que substituiu profissionais do porte de Ary Barroso (nas transmissões esportivas das tardes de domingo, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro) e Julio De Lamare (no comando do Jornalismo Esportivo da Rede Globo, em 1973, a convite de Walter Clark, quando o titular faleceu no trágico acidente aéreo do aeroporto de Orly, na França).

Rui Viotti participou das transmissões esportivas de todas as copas do mundo de futebol, desde 1950, narrando jogos ou na retaguarda. Mas a narração mais marcante que ele fez foi quando Gustavo Küerten venceu pela primeira vez o Grand Slam de Roland Garros, na França, em 1997.

Bem antes disso, entretanto, em 1985, nossas carreiras se cruzaram e ele, sempre gentil e prestativo, me ensinou tudo e mais um pouco a respeito dos bastidores da televisão e das minúcias do tênis.

O fato mais marcante – e portanto inesquecível para mim – de nosso trabalho conjunto, se deu na pista de atletismo do Complexo Poliesportivo do Ibirapuera, em São Paulo.

Uma jovem – e linda – repórter da TV Gazeta me pediu para falar com “alguém da organização” do evento que eu ajudava a divulgar, e não tive dúvida: levei a moça até o Mestre Rui Viotti.

Ele, como sempre fazia com todos nós, a tratou da melhor maneira possível, deu todas as explicações e por fim aceitou gravar uma sonora para a televisão.

Terminado o trabalho, e antes de agradecer as gentilezas todas de Rui Viotti, ela disse:

- Como o senhor fala bem.

E emendou:

- O senhor nunca teve medo do microfone, nem da câmera de televisão?

E ele, humildemente, respondeu que “não”.

Poderia ter dito que ganhava a vida empunhando microfones e encarando câmeras de televisão desde os 15 anos, ou seja, há 40 anos, mas preferiu poupar a foquinha de um constrangimento desnecessário.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

8/9/2009 20:03:16

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Por quê? (178) Literatura esportiva?


Cláudio Amaral

Por que a literatura brasileira ainda não tem um livro de peso a respeito do futebol, mesmo sendo esse o “esporte das multidões” no País?

Nem do futebol, quatro vezes campeão mundial entre seleções adultas profissionais e que nos deu o “Atleta do Século” (Pelé).

Nem do tênis profissional, que já nos deu competidores de renome internacional como Maria Esther Bueno, Thomaz Koch e Gustavo Küerten.

Nem do automobilismo, que só na Fórmula 1 soma 100 vitórias em grandes prêmios e fez campeões mundiais como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna.

Nem no vôlei, nem no basquete, nem no judô, nem na natação, nem no atletismo, nem na ginástica..., nem..., nem...

A falta de um livro de peso em linguagem literária a respeito de qualquer esporte disputado em larga escala no Brasil e com repercussão mundial foi o principal tema da sessão das 16 horas desta segunda-feira, Dia da Independência Nacional, no 1º Encontro Internacional de Escritores em Santos, a chamada “Tarrafa Literária”.

Na mediação do debate esteve um jornalista “santista nascido em São Paulo” e que está novamente radicado na Capital paulista, Vladir Lemos, apresentador do Cartão Verde da TV Cultura.

Ao lado direito dele, Xico Sá, cearense de Cariri, cidade do sul daquele Estado, torcedor do Santos FC, do Icasa de Juazeiro do Norte (CE) e do Sport Club de Recife (PE). Jornalista e cronista da Folha de S. Paulo.

Ao lado esquerdo, Matthew Shirts – ou Mateus, como diz Xico –, também do sul, mas do sul da Califórnia (EUA), que tinha tudo para ser palmeirense (tal qual a família que o recebeu em intercambio em 1976, em Dourados, na época Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul), mas optou por torcer pelo Sport Club Corinthians Paulista. Jornalista, ex-editor na Folha de S. Paulo, ele é editor da revista National Geographic no Brasil e cronista do Estadão.

Depois de mais de duas horas de análises, opiniões, ilações, informações, perguntas, repostas e alguns palavrões (duas vezes “merda”, por exemplo), sempre pronunciados por Xico Sá, a conclusão é que ninguém, nem jornalista, nem cronista, nem escritor conseguiu ainda descobrir como escrever um grande romance tendo como tema o futebol.

Ainda que, como disse Vladir Lemos, titular do http://blogdovladir.blogspot.com/, apenas nos primeiros oito meses de 2009 tenham sido editados no Brasil 58 livros a respeito de temas esportivos.

A esperança é que 2010 será o ano da Copa do Mundo da África do Sul e do centenário do Corinthians.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

7/9/2009 22:41:26

domingo, 6 de setembro de 2009

Por quê? (177) Lembranças


Cláudio Amaral

O ex-chanceler Celso Lafer e o jornalista Itaborahy Martins afloraram na minha mente por ocasião das apresentações que os jornalistas e escritores Ruy Castro e Heloisa Seixas (http://heloisaseixas.blogspot.com/) fizeram na sexta-feira, no Theatro Guarany, em Santos.

Eu estava na segunda fila da platéia quando Heloisa Seixas concluiu a primeira participação dela no 1º Encontro Internacional de Escritores em Santos, a “Tarrafa Literária”, na tarde do dia 4 de setembro de 2009.

De imediato, o mediador Ricardo Kotscho, titular do Balaio do Kotscho (http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho), disse, com propriedade:

- Heloisa Seixas não só escreve bem, como fala bem. Se essa explanação foi gravada, basta copiar e editar.

Olhei para o relógio colocado no meu pulso esquerdo e que eu havia ganhado de Sueli, quando ela voltou da Itália, em março.

Ele, o relógio, marcava 16h52 e de imediato me veio à mente a figura do jurista do professor e ex-ministro da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores do governo brasileiro Celso Lafer (http://pt.wikipedia.org/wiki/Celso_Lafer).

Pensei nele e no professor de português que nos deu aulas na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, na Rua da Mooca, zona leste da Capital paulista, em meados de 1998:

- Raras são as pessoas que escrevem e falam bem. E Celso Lafer é uma delas.

“Celso Lafer e Heloisa Seixas”, pensei enquanto fazia anotações na agenda que havia levado comigo ao Theatro Guarany, na primeira sexta-feira deste mês de setembro.

Nem meia hora se passou e Ruy Castro, sentado à direita de Ricardo Kotscho, enfatizou que os livros, no Brasil, “custam barato” e podem ser encontrados com facilidades em centenas de sebos existentes pelo País afora.

Na sequência, o autor de Chega de Saudade fez uma confidência surpreendente:

- Certa vez, dentro de um sebo do Rio de Janeiro, a mulher de um poderoso ex-dirigente da Rede Globo de Televisão, olhou para todos os lados e exclamou: “Aqui só tem velharia”.

Prontamente, lembrei-me do jornalista Itaborahy Martins, um dos meus mentores na Redação do Estadão, entre 1971 e 1975.

Ao saber que eu havia sido escalado pelo Mestre Eduardo Martins para uma viagem a Roma, na Itália, ele se aproximou de mim e cochichou:

- Vê se ao voltar não chega falando como um colega que me disse não ter gostado da capital italiana porque lá é tudo velho.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

6/9/2009 00:22:09

sábado, 5 de setembro de 2009

Por quê? (176) Em nome da palavra impressa


Cláudio Amaral

Eu nunca fiz diferença entre as palavras.

Para mim, palavra é palavra, seja impressa ou falada.

E tem mais: sempre fiz questão de escrever e falar corretamente. Ou, como queira, da maneira mais correta possível, porque, afinal, ninguém é perfeito.

Mas, eles fazem questão. Ou pelo menos ele, Ruy Castro, faz.

E fez, publicamente, sexta-feira, ao lado dos jornalistas e escritores Ricardo Kotscho e Heloisa Seixas, desde o palco do Theatro Guarany, em Santos, por ocasião do 1º Encontro Internacional de Escritores, batizado de “Tarrafa Literária”.

Ruy Castro tem uma história linda e apaixonante em relação às palavras.

Ele, entretanto, fez questão de nos dizer, por exemplo, que a palavra impressa avaliza a notícia.

Disse mais: ouvida através do rádio, a palavra entra por um ouvido e sai pelo outro; pela televisão? hum... a televisão, segundo Ruy Castro, “diz tanta porcaria”.

Nas palavras de Heloisa Seixas – jornalista, tradutora e escritora, mulher de Ruy há 20 anos – Castro se identificou com os livros ainda pequeno, numa casa que tinha muitos jornais e revistas, mas poucos ou nenhum livro.

Logo ele começou a ler e a colecionar livros. E até hoje cuida, organiza, restaura e se encanta com os livros.

Nas palavras de Ruy, ele ganhou o primeiro livro aos cinco anos e hoje, aos 61 anos, nunca passou um dia sem ler.

Ele dá tanta importância à palavra impressa, que não tem dúvida em afirmar que o livro já nasceu “veículo perfeito”.

O livro é barato e pode ser lido em qualquer lugar, segundo Ruy: no banheiro, no ônibus, no trem, no táxi, no avião, na cama, no sofá...

O livro também pode ser guardado em tudo quanto é lugar e de qualquer jeito, lembrou Ruy Castro numa conversa descontraída e informal com uma platéia que poderia ter o triplo de ouvintes, tal é a capacidade do Theatro Guarany.

Isso, entretanto, certamente não o incomodou. Nem a ele, nem a Heloisa, nem a Ricardo Kotscho, o mediador, porque lá estavam pessoas interessadas e atentas.

Ruy calçava uma meia que estampava o distintivo do Flamengo e fez questão de mostrá-lo a Kotscho, que vestia uma camisa com o brasão do SPFC.

A platéia riu das preferências futebolísticas dos dois, mas estava interessada, mesmo, nas idéias literárias de ambos. E de Heloisa Seixas, também, autora de Pente de Vênus, A porta, Diário de Perséfone, Através do Vidro, Pérolas absolutas, Uma ilha chamada livro (Contos mínimos – sobre ler, escrever e contar, que ela fez a gentileza de autografar para mim, ainda no Theatro Guarany), Sete vidas e Mal de Alzheimer, O lugar escuro.

Para sorte nossa, Ruy usou seus conhecimentos sobre a palavra para nos falar das biografias que produziu, do trabalho dele como biógrafo e confessou que mostra cada capítulo para Helô, assim que o conclui.

Por fim, nos brindou com duas frases inesquecíveis:

- A palavra é um assunto inesgotável.

- É preciso entender os mistérios da palavra.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

5/9/2009 13:35:43

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Por quê? (175) Em nome dos livros


Cláudio Amaral


Hoje, sexta-feira, a primeira de setembro de 2009, foi dia de rever um Amigo, de reencontrar um conhecido e de conhecer uma jornalista, tradutora e escritora que o consagrado Carlos Heitor Cony chamou de “uma das maiores revelações literárias dos últimos anos”.

O Amigo: Ricardo Kotscho.

O conhecido: Ruy Castro.

A revelação: Heloisa Seixas.

Fui encontrar os três reunidos em torno do 1º Encontro Internacional de Escritores em Santos.

Batizado de “Tarrafa Literária”, o evento acontece no histórico Theatro Guarany, bem no centro de Santos.

Precisamente, na Praça dos Andradas, 100, bem no Centro Histórico de Santos.

Por lá vão passar, até segunda-feira, dia 7 de setembro, além dos citados, gente do gabarito de Jeremy Mercer (França), Milton Hatoum, André Laurentino, José Roberto Torero, Jorge Caldeira, Laurentino Gomes, Zuenir Ventura, Theo Roos, Marcia Tiburi, Mona Dorf, Matthew Shirts, Xico Sá, Vladir Lemos, Amyr Klink, Tim Winton e Arthur Depieve.

Ricardo Kotscho eu conheci em 1971, na velha Redação do Estadão, na Rua Major Quedinho, 28, 5º andar. Eu era um projeto de repórter, recém chegado do Interior paulista. Ele, um dos editores de esportes ao lado de Clóvis Rossi e Luiz Carlos Ramos. Todos sob o comando de Ludemberg Teixeira de Góes.

Depois do Estadão, Ricardinho trabalhou, entre outros, na Folha de S. Paulo, no Jornal do Brasil, nas campanhas presidenciais de Lula e com ele nos dois primeiros anos (2003/4) de Palácio do Planalto.

Sempre como “contador de histórias”, como ele gosta de dizer.

E é contando histórias que ele vive desde que deixou Lula e Brasília.

Tem um blogue (http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho), produz uma reportagem por mês para a revista Brasileiros e escreve livros.

Ruy Castro foi meu parceiro na série de espetáculos que ajudei a divulgar nos anos 1990, que levava o nome de um dos livros mais famosos que ele escreveu (Chega de Saudade) e que exibimos no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília.

Heloisa Seixas é mulher de Ruy Castro há 20 anos e autora de livros como Pente de Vênus, A porta, Diário de Perséfone, Através do Vidro, Pérolas absolutas, Uma ilha chamada livro (Contos mínimos – sobre ler, escrever e contar), Sete vidas e Mal de Alzheimer, O lugar escuro.

Os três – Ricardo Kotscho, Ruy Castro e Heloisa Seixas – têm em comum o jornalismo e uma paixão pública e confessa pelos livros.

Mais que isso: pela palavra escrita, pela palavra impressa.

E por que essa paixão pela palavra impressa?

Isso eu explico no próximo texto.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

4/9/2009 22:02:39

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Por quê? (174) Uma pipoca, por favor


Cláudio Amaral

No final do ano passado, trafegando pela avenida da praia, em Santos, senti uma vontade louca de comer pipoca.

Era outubro.

Meados do mês.

Eu estava ao volante do meu Honda Fit, vermelho como uma Ferrari.

Ao meu lado, no banco do passageiro, eu levava o Amigo Mário Evangelista, jornalista como eu.

Comentei, no ato, em voz alta:

- Mário, estou com vontade de comer pipoca.

E ele, para minha surpresa, respondeu:

- Eu também.

Como a vontade era mútua, Mário e eu decidimos buscar um carrinho de pipoca.

Combinamos, então, que eu diminuiria a velocidade do carro e ele procuraria um pipoqueiro.

Não demorou muito e Mário gritou:

- Olha lá. Lá tem um pipoqueiro.

Ele, o pipoqueiro, tinha o carrinho estacionado na esquina da avenida da praia com a Rua da Paz.

Mário pediu que eu parasse o carro e desceu.

Antes, entretanto, combinamos que ele compraria dois saquinhos enquanto eu dava a volta no quarteirão e voltaria para pegá-lo.

Dito e feito.

Voltamos para o Gonzaga Flat, onde vivemos os primeiros 30 dias de Santos e nos deliciamos com a pipoca.

Passados dez, quase 11 meses, Mário e eu relembramos o ocorrido na manhã desta quarta-feira, 2 de setembro de 2009.

Estávamos na sala da casa em que ele mora com a mulher, a filha e a cunhada: Mônica, Marcela e Helô, pela ordem.

Eu havia ido até lá – uma casa grande, na vila existente na esquina das avenidas Epitácio Pessoa e Coronel Montenegro, junto ao Canal 6 – para ver Mário e Mônica, corintiana como eu.

Fui e levei um bom pedaço de bolo preparado pela Dona Cidinha, minha sogra.

Eu vestia a camisa do Timão, que à noite jogaria com o Santos FC e venceria por 2 a 1.

Mário tomou a iniciativa de relembrar nossa aventura em torno da vontade de comer pipoca.

Relembrou e contou em detalhes para Mônica.

Estávamos os três sentados nos sofás da sala e rimos muito.

Rimos muito.

Rimos muito relembrando os bons tempos da pipoca.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

3/9/2009 01:56:58

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Por quê? (173) Em nome da música


Cláudio Amaral

O apartamento em que moro com Sueli, minha eterna namorada, é ótimo; o nosso bairro é agradável e além de tudo tem o nome da minha querida sogra, Aparecida, mas... Santos tem muito mais a nos oferecer.

A Capital da Baixada Santista tem muito mais a nos oferecer aqui na Aparecida, na vizinha Ponta da Praia, no Boqueirão, no Embaré, no glamoroso Gonzaga, na famosa Vila Belmiro... enfim... por todas as partes, em Santos, encontramos atrações dignas das nossas atenções.

Os teatros de Santos, por exemplo, que aos poucos vão sendo recuperados graças às parcerias do poder público municipal com a iniciativa privada, representam algo que deve ser observado e curtido pela população local e regional.

Pois foi num deles, o Coliseu, que Sueli e eu fomos novamente, na noite desta terça-feira, 1º de setembro de 2009, para assistir as apresentações de duas corporações musicais de primeira.

Uma nós já conhecíamos: a Orquestra Sinfônica Municipal de Santos.

A outra, não: a Banda de Música da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea.

Assistimos a duas exibições de encher os olhos, de agradar os ouvidos e de mexer com todos os nossos músculos e sentimentos.

Depois do Hino Nacional, que sempre reaviva nosso patriotismo, a Sinfônica santista nos brindou com a Sinfonia da Ópera O Guarani, de Carlos Gomes.

Foi a primeira vez que ouvi essa obra – a Sinfonia da Ópera O Guarani – na íntegra. Ouvi e gostei. Sueli, também.

Na sequência, os músicos comandados pelo maestro Luís Gustavo Petri, regente titular, nos ofereceram cinco obras lindíssimas de Heitor Villa-Lobos.

Para nos dar um fôlego, ainda que isso não fosse necessário, a organização do Concerto Comemorativo à Semana da Pátria, fez um intervalo de 15 minutos.

Foi mais para que a Sinfônica de Santos desse lugar à Banda da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, integrada por 36 militares e regida pelo subtenente mestre de música Cláudio Roberto Faria.

Dez músicas foram nos oferecidas pela Banda. Uma após a outra. Sem intervalo algum.

Destaques? Sim, tivemos três momentos mágicos, pela ordem: a Canção do Expedicionário, que tem letra de Guilherme de Almeida e música de Spartaco Rossi; os hinos das Forças Armadas e o Hino da Independência, em que Evaristo da Veiga escreveu sobre a música de Dom Pedro I.

No fim da noite e como a platéia pediu mais, fomos todos surpreendidos com uma ordem inesperada do general Nelson Santini Filho, comandante da 1ª Brigada.

Ele se levantou do lugar em que estava, no fundo e no alto da platéia, ao lado direito da esposa Maria Cristina Beraldo Santini, colocou as duas mãos na boca e bradou com voz alta e forte, para que todos ouvíssemos:

- O comando autoriza mais música.

A platéia aplaudiu, logicamente.

Aplaudiu e cantou ao som da Banda da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

2/9/2009 01:35:58

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Por quê? (172) Dez meses


Cláudio Amaral

Hoje, exatamente hoje, dia 1º de setembro de 2009, completam-se dez meses que Sueli e eu ocupamos o apartamento de número 71 do edifício localizado na Avenida Epitácio Pessoa, 555, em Santos.

Estamos no bairro da Aparecida, a 30 metros da Avenida Coronel Montenegro, que tem ao centro o Canal 6 da Capital da Baixada Santista.

Temos uma vista lindíssima do Oceano Atlântico a partir das janelas da sala e de dois dos nossos três dormitórios.

E não poderia ser diferente porque estamos a exatos 742 passos contados, um a um, da areia da praia da Aparecida.

Essa é a distância – 742 passos – que somos “obrigados” a percorrer diariamente entre a porta do nosso apartamento e a areia, logo após atravessarmos a Avenida Bartolomeu de Gusmão, a chamada “avenida da orla santista”.

Sueli foi quem escolheu esse apartamento e negociou o aluguel e todas as condições com o proprietário, o Sr. Nelson Fabretti, que na época morava em Santo André, no ABC paulista.

O Sr. Nelson não está mais entre nós, infelizmente. E desde junho nós nos entendemos com a viúva, Sra. Filomena.

Ficamos tristes, muito tristes, com o falecimento do Sr. Nelson. Mandamos até celebrar missa de sétimo dia em intenção da alma dele, mas nem por isso perdemos o gosto pelo apartamento que ele nos confiou.

Nem pelo apartamento, nem pelo bairro Aparecida, nem por Santos.

Até porque o apartamento é espaçoso o suficiente para recebemos quase todo fim de semana e feriados prolongados pessoas queridas como a filha Cláudia, o genro Márcio e nossa princesa Beatriz.

Dona Cidinha, a mãe de Sueli, também está aqui conosco desde as primeiras semanas. Desde que aqui morava o Amigo Mário Evangelista, jornalista como eu e companheiro de tantas e tantas jornadas, que hoje – com a mulher Mônica e a filha Marcela – habita uma casa grande e confortável do condomínio localizado bem em frente ao nosso prédio.

Inicialmente, Dona Cidinha ficou conosco. Mas, depois que teve certeza de que queria trocar Marília, no interior paulista, por Santos, aqui no litoral, alugou um apartamento só para ela, o 63, que fica um andar abaixo, no mesmo prédio.

E é assim que nós vamos vivendo nossa nova vida, desde que deixamos a casa da Aclimação, em São Paulo, quase que integralmente para os filhos Flávio e Mauro: caminhando na praia, fazendo nossas orações com os pés nas águas do Oceano Atlântico, frequentando as salas de ginástica e de leitura, o teatro e o restaurante do Sesc (o único de Santos), assistindo brilhantes apresentações de nossas orquestras na Praia do Gonzaga (Osesp) e no Coliseu (Sinfônica Municipal), participando das celebrações na Catedral e nas paróquias da região (especialmente no Sagrado Coração de Jesus), almoçando e jantando com os amigos de Santos e de São Paulo.

Tendo sempre como base o apartamento 71.

O apartamento de onde a pequena e querida Beatriz aprendeu a admirar o “marzarzão” e a ver com alegria sem igual os “navisãos”, como ela diz.

Sempre.

Há exatos dez meses.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

1/9/2009 00:11:48

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Por quê? (171) O valor da leitura


Cláudio Amaral

Quando comecei a aprender a ler e a escrever, criança pequena lá em Adamantina (SP), não tinha ideia do quanto a leitura me seria importante.

Hoje, prestes a completar 60 anos de idade, continuo a valorizar a leitura e cada vez a valorizo mais.

Sem possuir o domínio que tenho da leitura – em português, claro – eu não seria capaz de ter lido centenas e centenas de livros.

Livros que ainda tenho comigo, como quase todos de Machado de Assis.

Livros que me foram emprestados e que devolvi, por respeito aos seus donos e a outras pessoas a quem eles, os livros, pudessem ser cedidos, ainda que por tempo determinado.

Livros que ainda estão me esperando, aqui em Santos e lá em São Paulo, onde está a maioria de todos quantos consegui acumular.

Mas não são apenas os livros que me deliciam e me encantam, a ponto d’eu valorizar a minha capacidade de ler e ler muito.

As revistas, também.

Os jornais, então, nem te falo, caro e-leitor.

E essa conversa toda – que parece “conversa fiada”, mas não é – vem à tona a propósito dos diários que tive oportunidade de ler nesta sexta-feira, a última de agosto de 2009.

Fui ao Sesc de Santos, aqui na Aparecida, logo após o almoço e li três jornais.

Comecei com A Tribuna, passei pelo Estadão e terminei na Folha de S. Paulo.

Três jornais onde trabalhei e para os quais dei o melhor de mim (e Deus sabe que estou a falar, ou melhor, a escrever a verdade).

Na Tribuna de hoje eu revi a maioria dos repórteres com quem convivi por oito meses e 16 dias, entre outubro de 2008 e junho de 2009.

Gente da melhor qualidade, com a maior garra, empenho, dedicação e determinação.

No Estadão, me deliciei com a crônica de Ignácio de Loyola Brandão, o meu cronista preferido entre todos os que escrevem em português.

Caipira de Araraquara, embora seja cidadão do mundo, Loyola escreve fácil, simples e conta as histórias que todos gostam de ler.

Loyola é um craque, um jornalista e escritor que usa sempre palavras acessíveis a todos nós.

Outros dois jornalistas me agradaram muito nas páginas do Estadão de hoje: Antero Greco e Reginaldo Leme, que – não por acaso, até porque nada é por acaso – foram meus colegas de reportagens lá mesmo no jornal da Família Mesquita.

Na Folha... ah... essa Folha de S. Paulo... sempre com pautas e reportagens ditas e tidas como diferentes, só me chamou a atenção, mesmo, de verdade, o repórter especial Clovis Rossi, meu ex-chefe no... Estadão.

Depois que li esses três jornais e coloquei os respectivos exemplares nos devidos lugares, como sempre faço, deixei a sala de leitura do Sesc-Santos mais feliz do que nela havia entrado. Muito mais feliz.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

28/8/2009 21:38:50

Por quê? (170) Santos, uma benção!


Cláudio Amaral

Mudar para Santos me foi uma benção.

Uma benção que, sinceramente, não sei se mereço.

Mas, penso que, se Deus me deu essa oportunidade, é porque fiz jus.

É porque mereci.

Ou será que Ele está apostando em mim, mais uma vez?

Ou estaria Ele me testando?

Pelo sim, pelo não, sinto-me num paraíso, estando em Santos.

E não é só pelas praias que tenho à minha frente, aqui em Santos.

Não é, também, só pelos raios solares que nos banham – como ontem e hoje, por exemplo – aqui em Santos.

Nem pelas chuvas, que são frequentes e refrescam a temperatura em quase toda a Baixada Santista.

Não é, igualmente, apenas pela vista que tenho do Oceano Atlântico (“o marzarzão, vovô”, como diz a pequena e querida Beatriz, olhando a partir da janela da sala do apartamento que estamos, Sueli e eu, a ocupar na Aparecida, quase Ponta da Praia).

Nem o brilho que vejo nos olhos dela, a pequena Beatriz, quando vê um “naviozão” passar pelo “marzarzão”, rumo ao cais do Porto de Santos ou a alto-mar, me faz achar que é o principal desta benção que é estar em Santos.

Seria, então, a nova lua-de-mel que estou a viver com Sueli, após 40 anos de vida em comum?

Seriam as férias que o jornal me obrigou a tirar?

Não.

Não é exatamente isso.

É isso, também, mas não somente isso.

É tudo isso e mais, muito mais.

O que é, então?

Com certeza, absoluta certeza, é a alegria gerada pelos Amigos.

Sim, porque eu nunca me senti tão cercado de Amigos.

Aqui, em Santos, eu tive oportunidade de rever Amigos.

Tive, ainda, a alegria de fazer novos e bons Amigos.

Muitos Amigos.

Muitos e bons Amigos.

Amigos sinceros, cordiais, prestativos, solidários, preocupados e ocupados comigo.

Amigos.

Simplesmente... Amigos.

Amigos que terei para sempre e que levarei para sempre, esteja onde estivermos, eles e eu.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

28/8/2009 09:32:35

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Por quê? (169) Santos para não santistas


Cláudio Amaral

Para fazer jus ao que ouvi de um Amigo santista, na semana passada...

- Você escreve a respeito de Santos como se aqui houvesse nascido...

...me dispus a fazer uma caminhada especial na manhã desta segunda-feira.

O dia não estava dos mais claros.

Antes, entretanto, que escurecesse mais, fui à luta.

Primeiro, tomei um bom café da manhã na Padaria Cristo Redentor, na esquina da Avenida Epitácio Pessoa com a Rua Trabulsi, na Ponta Praia.

Depois, fui em direção a avenida da orla santista e, ao invés de virar à esquerda e seguir rumo à balsa que liga Santos com Guarujá, tomei o caminho contrário.

Passei pelos canais 6, 5, 4, 3, 2 e 1.

Fui até a divisa de Santos com São Vicente, mas, antes de cruzar a linha divisória entre as duas cidades, fiz algumas incursões.

No Canal 2, por exemplo, andei rumo à Vila Belmiro, aonde vou sempre que me disponho a visitar o casal de Amigos Cristina Saliba e Carlos Conde e ou aos jogos do Santos FC, no “Alçapão”.

Desta vez, entretanto, descobri um novo caminho rumo à “Vila mais famosa do mundo”, como gostam de dizer os santistas fanáticos pelo time de Pelé.

No 1, visualizei um canal bem mais largo do que os demais.

Constatei, também, que existe um outro canal, que eu não conhecia e que deságua no 1.

Ainda junto ao Canal 1, localizei a tão comentada Pensão Caiçara, da qual me falou por vezes o advogado e jornalista Eduardo Velozo Fuccia, autor do livro “Reportagem Policial - Um jornalismo peculiar”.

Indo em direção a São Vicente, passei por um outro local muito comentado por Velozo: o Universo Palace, cenário de casos famosos.

Na volta – não sem antes tomar um café na Padaria José Menino, na esquina da avenida da orla com a Avenida Santa Catarina, bem em frente ao Parque Municipal Roberto Mario Santini – parei por cerca de dez minutos diante das placas que nos dão informações a respeito dos canais de Santos.

Lá fiquei sabendo que os canais de Santos (http://www.canaisdesantos.com.br) foram idealizados pelo pai da engenharia sanitária no Brasil, Francisco Rodrigues Saturnino de Brito (http://pt.wikipedia.org/wiki/Saturnino_de_Brito).

Inaugurados a partir de 1907, os canais ajudaram a sanear a hoje Capital da Baixada Santista, porque, após o início da drenagem superficial do solo, a epidemia de febre amarela deixou de gerar mortes e foi declarada extinta.

Na época, os comandantes e as companhias de navegação evitavam atracar seus navios no Porto de Santos, hoje o maior do País e do continente, para que seus tripulantes não ficassem doentes.

Por consequência, Saturnino de Brito é venerado em Santos e, imagino, em mais de 50 municípios (53, precisamente) em que trabalhou como engenheiro sanitarista.

Vi mais, claro.

Vi muito mais.

Até porque andei das 9 às 14 horas nesta segunda-feira.

Andei e consegui resistir a tentação de embarcar num ônibus urbano, na volta de São Vicente para a Ponta da Praia.

Só não resisti à tentação de comer uma tortinha de banana no McDonalds da Aparecida, onde estou instalado há dez meses.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

24/8/2009 16:00:25

domingo, 23 de agosto de 2009

Por quê? (168) Acelera, Rubinho!!!


Cláudio Amaral

Exatamente às 9h41 deste domingo chuvoso, aqui em Santos, meu filho caçula me chamou pelo celular para dizer:

- Um dia, pai, alguém tinha que errar a favor do Rubinho.

Flávio Murilo do Amaral, meu filho caçula, estava em São Paulo e não acreditava no que via ao vivo, pela TV Globo, direto de Valencia, na Espanha.

Ele queria saber do pai, que acompanhou de perto, bem pertinho, quase todos os GPs de Fórmula 1 disputados no Brasil, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, ora a serviço do Estadão, ora pelo Correio Braziliense, se era verdade o que via pela televisão.

Sim. Era verdade, sim.

Mas poucos acreditavam no que estava acontecendo.

Rubens Barrichello, o nosso querido Rubinho, havia largado em terceiro no grid do Grande Prêmio de Valencia, passara para a segunda colocação após a primeira parada do líder e atual campeão mundial Lewis Hamilton (McLaren/Inglaterra) e atrás de Heikke Kovalainen (McLaren/Finlândia), que havia saído em segundo.

Flávio e todos nós, os fãs de Rubinho, cansamos de ver a Ferrari, a Honda e a Brown cometerem erros contra o nosso piloto preferido na Fórmula 1 e sofremos muito na virada do ano (2008/9) diante da possibilidade de o condutor mais experiente abandonar a categoria antes do tempo.

Todos nós queríamos ver Rubinho campeão mundial e nunca nos conformamos com a preferência que a Ferrari sempre deu ao alemão.

Queríamos, também, ver como ele se comportaria na Ferrari após a aposentadoria de Michael Schumacher, mas Rubinho preferiu trocar de equipe antes que o alemão se fosse das pistas.

E aí ficou a sensação de que tudo acontecia contra ele, que ele era um “pé frio”, um azarado.

Difícil aceitar, mas assim pensa – ou pensava? – a grande maioria.

É difícil para alguém que acompanha Rubinho desde as primeiras corridas de kart, quando ele ganhava dez a cada dez provas disputadas pelo paulista e pelo brasileiro.

É difícil aceitar a idéia de “pé frio”, azarado, resmungão, reclamão... em relação a um piloto cujo pai (apoiado por todos os familiares mais próximos) nunca desistiu e sempre procurou criar as condições mínimas para que ele lutasse para um dia chegar à Fórmula 1.

Não é por acaso que Rubens Barrichello foi duas vezes vice-campeão mundial de Fórmula 1.

Não é por acaso que Rubens Barrichello foi o primeiro piloto brasileiro a correr pela Ferrari.

Não é por acaso que Rubens Barrichello venceu neste domingo o seu décimo GP de Fórmula 1.

Não é por acaso que Rubens Barrichello conquistou neste domingo o centésimo GP para o Brasil.

Não é por acaso que nós continuamos a acreditar em Rubens Barrichello.

Não é por acaso que nós acompanhamos todos os GPs de Fórmula 1, torcemos por Rubinho e vibramos com cada pontinho que ele conquista nas pistas por onde passa o circo da F1.

Como nada é por acaso, não foi por acaso, também, que a equipe McLaren errou no pit-stop de Hamilton e que a falha dos mecânicos da equipe do atual campeão acabou sendo bem aproveitada pelo único brasileiro que correu neste domingo nas ruas de Valencia.

Nada é por acaso.

Nada é por acaso.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

23/8/2009 19:01:20

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Por quê? (167) Santos e os Objetivos do Milênio


Cláudio Amaral

Ninguém pode acusar as cabeças pensantes de Santos de não estarem de olhos voltados para o futuro.

Sejam elas do setor público, da iniciativa privada ou do terceiro setor.

A prova disso foi exposta clara e publicamente no final da tarde desta segunda-feira, no Salão Nobre Prefeito Esmeraldo Tarquínio, no Palácio José Bonifácio, onde funciona a sede da Prefeitura de Santos.

Lá estiveram, por cerca de uma hora, toda a cúpula da administração pública municipal, seis parlamentares com mandatos junto à Câmara de Vereadores e 50 representantes de organizações comunitárias da Capital da Baixada Santista.

Entre elas, o comandante e autoridade máxima da cidade, o engenheiro e prefeito João Paulo Tavares Papa, mais o vice-prefeito Carlos Teixeira Filho (também secretário da Assistência Social) e quase todo o secretariado municipal.

Representando o setor empresarial estava Ronaldo de Souza Forte, um dos mais atuantes da Baixada Santista, diretor Regional Titular do Centro das Indústrias (Ciesp) e presidente da Santos-Arbitral (Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem de Santos).

A missão de todos era das mais nobres: a posse do Comitê Municipal para Políticas de Referência e Otimização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, o chamado Comitê Pró-ODM.

E quais são esses tais ODMs?

Quem nos explicou foi o secretário municipal de Governo, Márcio Antônio Rodrigues de Lara, com base nos oito objetivos assumidos como compromisso por 189 países reunidos pela ONU (Organização das Nações Unidas):

· Erradicar a pobreza extrema e a fome;
· Atingir o ensino primário universal;
· Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia da mulher;
· Reduzir a mortalidade infantil;
· Melhorar a saúde materna;
· Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças;
· Garantir a sustentabilidade ambiental;
· Estabelecer uma parceria global para o desenvolvimento.

Esses objetivos serão perseguidos com base nos índices de desenvolvimento reunidos por técnicos de todas as áreas no Perfil dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de Santos.

Esse documento básico foi elaborado por uma comissão liderada pelo cientista político Sérgio Andrade, representante da Agência Pública, a Agência de Análise e Cooperação em Políticas Públicas.

Com muito trabalho e determinação, o Comitê Municipal para Políticas de Referência e Otimização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio deverá apontar ações e soluções que colocarão Santos, em 2015, numa posição de destaque em matéria de políticas públicas.

Uma posição que servirá de exemplo para todos os municípios do Brasil e do mundo.

E mais: fará com seja cada vez melhor e mais agradável viver numa cidade que já é das mais acolhedoras do território paulista e do Brasil.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

18/8/2009 17:12:45

domingo, 16 de agosto de 2009

Por quê? (166) Dance, Santos! Dance!


Cláudio Amaral


Santos, a cidade mais importante do litoral paulista, tem uma dívida para com Niterói, no Estado do Rio de Janeiro.

Uma dívida impagável.

A população de Santos para com os habitantes de Niterói.

A dívida é resultado de uma apresentação impagável que o Ballet da Cidade de Niterói nos ofereceu na noite de sexta-feira, no palco do Sesc, no bairro Aparecida.

Tínhamos, Sueli e eu, comprado ingressos para a apresentação deste domingo, 16/8/2009, a partir das 16 horas.

Mas trocamos as entradas em cima da hora, no sábado, logo após a missa que marcou a passagem do décimo aniversário da morte do nosso saudoso José Arnaldo, o jornalista, herói da Segunda Guerra Mundial, nascido José Padilla Bravos.

Trocamos e não nos arrependemos.

Foi uma noite diferente.

Não pelo teatro.

Nem pela dança.

Foi diferente por tudo: pelo teatro, pela dança, pela companhia e... pela homenagem a Pixinguinha.

Sim, a apresentação do corpo de baile de Niterói – ou melhor, da Companhia de Ballet da Cidade de Niterói – representou um tributo a Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, nascido no Rio de Janeiro a 23 de abril de 1897 e falecido lá mesmo a 17 de fevereiro de 1973.

Ouvimos, no Teatro do Sesc, em Santos, exatas 16 músicas de Pixinguinha.

Todas deles, mas nem todas exclusivamente dele.

Os arranjos, como nos explicaram após a apresentação, não são exclusivos, mas representam aquilo que melhor se adaptou aos padrões estabelecidos pelo coreógrafo Rodrigo Negri.

Nos figurinos, Cássio Brasil procurou dar liberdade de movimentação aos dançarinos.

Entre eles, a metade, pelo menos, é formada por dançarinos de origem.

Na outra parte, entretanto, existem fisioterapeutas, farmacêutica, uma formada em História, pais e mães.

Todos, obrigatoriamente, são contratados com base na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e dão seis horas por dia ao Ballet da Cidade de Niterói.

Apresentam-se pelo Brasil afora e até no Exterior.

Fazem movimentos indescritíveis para um leigo no assunto, como eu, mas que encheram os olhos de todos nós que estivemos no Teatro do Sesc-Santos.

Tanto que os aplausos foram fortes e seguidos.

Os elogios, também. E de viva voz, porque o diretor e os bailarinos nos chamaram para uma conversa pública ao término da apresentação. E foi aí que ficamos sabendo de tudo, ou quase tudo o que se passa com o elenco.

Alias, se pudéssemos, voltaríamos neste domingo à noite.

Mas domingo é dia de futebol e não de teatro, dança, balé...

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

A propósito: aos interessados em mais informações a respeito de Pixinguinha, Niterói e do Ballet da Cidade de Niterói, recomendamos consultar a enciclopédia livre Wikipédia: http://pt.wikipedia.org.

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

16/8/2009 15:18:15

domingo, 9 de agosto de 2009

Por quê? (165) Mamãe, mamãe, mamãe...


Cláudio Amaral

Exatamente neste domingo, o Dia dos Pais de 2009, eu me dediquei integralmente à minha mãe.

Até porque não tenho pai desde 1985, quando o senhor Lázaro Alves do Amaral, o ‘seu’ Lazinho, nos deixou, vítima de insuficiência cardíaca, em Marília.

Acordei cedinho, peguei meu Honda Fit e às 7h30 estava a sair do prédio em que vivo com Sueli, em Santos, rumo a São Paulo.

Subi a Serra do Mar e fui direto ao endereço de minha irmã caçula, no Ipiranga.

Como havia combinado com meu sobrinho Gustavo Moreno, que agora está mais palmeirense do que nunca, cheguei lá minutos, poucos minutos após 9 horas da manhã.

Clélia, a caçulinha, me aguardava.

Ela, os filhos Gustavo e Luciano, torcedor do Santos FC, e mulher dele, Thaís.

Os dois, mais jovens e fortes do que eu, desceram Dona Wanda usando uma cadeira de rodas, colocaram ela e as bagagens no carro e fomos, os três – minhas mãe e irmã, mais eu – rumo ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas.

Foi de lá que saiu para Campo Grande o avião da Azul, a mais nova companhia aérea do Brasil.

Minha mãe poderia ter ido no ônibus da Azul de São Paulo a Viracopos, mas foi comigo e minha irmã. Primeiro, porque é minha mãe; segundo, porque tem quase 80 anos; terceiro, porque é usuária de cadeira de rodas.

Dona Wanda vive há anos, muitos e muitos anos, na casa de minha irmã Clélia, mas agora foi passar uma temporada – anos, talvez – com a primeira filha, na capital do Mato Grosso do Sul.

Cleide vive lá ao lado dos filhos Douglas, Diógenes e Débora. Tem a cercá-la, também, as noras, o genro e netos.

Sentiu-se, portanto, no direito e na obrigação de ter a mãe, idosa e a exigir cuidados especiais, sob a guarda dela.

Na hora do embarque, contamos, os três (Dona Wanda, Clélia e eu) com a extrema dedicação de Elton, funcionário exemplar do Aeroporto de Viracopos.

Jovem e bem mais forte do que eu, ele pegou minha mãe no colo, exatamente como havia feito meu sobrinho Gustavo, a retirou de dentro do meu Fit e a colocou na mesma cadeira de rodas.

Em seguida, ele nos levou ao balcão de checagem e depois ao portão de embarque. Negou-se a aceitar recompensa pelo trabalho, disse que havia feito aquilo “por gosto e dedicação ao próximo” e se foi. Não sem antes desejar “boa viagem” às minhas mãe e irmã.

Comovidos, minha irmã e eu, agradecemos da melhor forma que sabemos:

- Deus lhe pague, Elton.

No portão de embarque, finalmente, tive uma grande decepção: a funcionária do aeroporto não me deixou acompanhar minha mãe até o momento final do embarque.

Educadamente, eu ainda disse a ela: “Você tem mãe, não é mesmo?” E como ela confirmou que sim, eu insisti: “Então você deve saber o que estou sentido agora, tendo que me despedir dela aqui, não é assim?”

Ela fez que sim como a cabeça e me desmontou ao dizer, encabulada:

- O senhor precisa entender que eu não tenho autoridade para deixá-lo passar daqui.

O que eu poderia fazer diante de tão exemplar funcionária?

Nada. Absolutamente nada.

Despedi ali mesmo de minhas mãe e irmã, desejei boa viagem a ambas e peguei o caminho de volta para Santos. Nada mais. E fiz a viagem de volta pedindo a Deus que cuide delas e que me permita voltar a ver minha mãe com saúde.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

9/8/2009 21:45:33

sábado, 8 de agosto de 2009

Por quê? (164) Sem peça de reposição


Cláudio Amaral

Certa vez, algo em torno de 1996, uma profissional de Recursos Humanos que me entrevistava para decidir se me contrataria ou não para trabalhar na empresa a que ela servia, me perguntou:

- Por que você quer mudar de emprego?

E eu, ingenuamente, respondi: porque meu diretor é uma pessoa complicada, muito difícil.

E ela, a profissional de RH, quebrou minhas pernas ao me dizer, de pronto, na cara e na lata:

- Todos os seres humanos são complicados.

Diante da minha cara de interrogação, ela emendou:

- Imagine você se todos nós fossemos descomplicados, previsíveis?

E enquanto eu fazia o que ela havia me pedido, ou seja, imaginava seis bilhões de pessoas agindo sempre dentro da mesma lógica e do mesmo comportamento, ela, novamente ela, disparou:

- O mundo seria a maior chatice. Monotonia total.

Deixei o prédio em que funcionava a Reuters, a maior agência de informações do mundo, na região da Praça da Sé, bem no centro financeiro de São Paulo, e voltei com o rabo entre as pernas, pensativo, para a Rua Barão de Limeira e para o edifício 425, onde até hoje funciona boa parte das atividades do Grupo Folha de S. Paulo.

Voltei e fiquei a imaginar que eu merecia um chefe melhor, um diretor menos desequilibrado e mais pragmático. Mais eficiente, também.

Mas, como ele era bem relacionado com o chefe dos chefes, conclui que era mais fácil eu me adaptar a ele do que ele a mim.

Ou seja: ou eu me acertava com ele, ou deveria continuar a procurar outro emprego.

E foi o que eu fiz, indo para o Jornal do Brasil, onde, mesmo tendo um salário 50% maior, quebrei a cara mais cedo do que imaginava.

Tudo isso me veio à mente no meio da tarde deste sábado e a propósito de um comentário que ouvi na Rádio Jovem Pan, em função da morte, na manhã de hoje, de um dos maiores comediantes da atualidade, o português Raul Solnado:

- Ele se foi sem deixar peça de reposição.

E aí eu fiquei a me perguntar: e ele deveria ter deixado peça de reposição?

Imaginei o que seria de nós se todos deixássemos peças de reposição. Um ser humano para ocupar o lugar de cada ser humano que deixasse essa vida terrena.

Como seria a peça de reposição de Raul Solnado? E de Pelé? E de Sarney? E de Lula? E de Collor? Como seria...

Será que a partir daí o ser humano deixaria de ser complicado e imprevisível?

Ou seria exatamente como é hoje e desde o início da Humanidade?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

8/8/2009 23:55:08

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Por quê? (163) Um café, por favor


Cláudio Amaral

Além da chuva, o frio também nos deu uma trégua, aqui pelos lados de Santos e da Baixada Santista.

A quinta-feira amanheceu com previsão de “dia ensolarado” e aos poucos os raios solares foram tomando conta de tudo.

Por isso, mas mais ainda por conta de um compromisso importante, acordei às 6h10, me espreguicei e, antes que me levantasse, tive uma grande alegria.

Uma voz infantil, vinda de cerca de um metro de distância, indicando um sorriso angelical, disparou em minha direção:

- Bom dia, vovô?

Era Beatriz, a netinha que pedimos a Deus, Sueli e eu.

A filha de nossa filha Cláudia, e de Márcio Gouvêa, está a passar a semana por aqui porque a escolinha também pediu férias e que mamães e papais mantivessem os filhos em casa por conta da gripe suína.

Alegria, alegria, alegria.

Nosso apartamento é só alegria, porque Beatriz do Amaral Gouvêa nos enche de alegria pela manhã, à tarde e à noite.

De vez em quando, ela fica com sono e dá uns chiliques. Mas, nada que a vovó não consiga controlar.

Bem, mas voltando ao meu compromisso importante, não demorei a ir às ruas e avenidas de Santos.

Não sem antes, é claro, um gostoso “vai com Deus, vovô”, seguido de um “boa sorte, nono”, porque a “vovó Su”, como ela diz, a ensinou palavras em italiano.

E lá fui eu para um encontro profissional mas amigável com duas pessoas que agora figuram na minha lista de “profissionais respeitáveis”: o advogado e empresário Ronaldo de Souza Forte e o seu jovem e inseparável braço direito Daniel Figueiredo Quaresma, também advogado e respectivamente presidente e diretor Operacional da Santos-Arbitral.

Aproveitando que estava novamente no Centro Histórico de Santos, mais precisamente na Rua XV de Novembro, tomei o rumo da Bolsa e do Museu do Café, em cuja cafeteria sorvi uma xícara da mais apreciada bebida genuinamente nacional.

Fiz mais: enquanto esperava que o café me fosse servido por um atendente caprichoso e eficiente, durante o tempo em que apreciei o sabor da bebida e por pelo menos os 20 minutos seguintes, ou seja, até que paguei a conta, mergulhei na leitura de um livro que, salvo melhor juízo, lerei por outras tantas e incontáveis vezes: “Quebra tudo! Foi para isso que eu vim! E você?”.

A obra foi escrita por Ricardo Jordão Magalhães, um cidadão que se diz “um Revolucionário com mais de 15 anos de atuação na indústria de tecnologia” e se apresenta como “fundador e presidente da BizRevolution”, empresa que pode ser conhecida em detalhes no site http://www.bizrevolution.com.br/.

Animado com o conteúdo de “O manifesto: Quebra tudo! Foi para isso que eu vim! E você?”, que abre o livro e que eu havia lido dentro do ônibus da Circular 04, que me levou do bairro Aparecida, junto ao Canal 6, à Praça Mauá, embalei e li mais cinco textos de “A convocação: de funcionário para revolucionário”: “Para os que têm mais e menos de trinta anos”, “Não interessa se vai levar dez anos, eu vou fazer!”, “Eu quero ouvi-lo daqui a alguns anos”, “Se for preciso, vá contra a empresa” e “Eu não conheço nenhum impedimento”.

Foram 41 de um total de 191 páginas, que espero devorar ao longo de todo o tempo que tiver disponível de hoje para amanhã, quando estarei em São Paulo para conhecer as empresas de um companheiro do curso que frequentamos no dia 28/7/2009 e que nos foi ministrado exatamente pelo autor do livro que promete nos ajudar a quebrar tudo, ainda que a mensagem de Ricardo Jordão Magalhães não seja “uma chamada à destruição, à violência ou à desordem”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

6/8/2009 15:00:03

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Por quê? (162) Em 30 anos!!!


Cláudio Amaral

O frio continua, mas a chuva deu uma trégua, finalmente.

Em Santos, pelo menos.

Pois nem o frio me meteu medo neste início de semana, a primeira do mês de agosto de 2009.

Tanto que, ainda em férias, coloquei roupa boa, capaz de impressionar aos mais exigentes, e fui para as ruas, literalmente, nestas segunda e terça-feiras.

Fui disposto e voltei animado.

Saí de casa (apartamento, na verdade), aqui junto ao Canal 6, no bairro da Aparecida quase Ponta da Praia, por volta da uma hora da tarde de segunda-feira e só voltei depois das 10 e meia da noite.

E em todo esse tempo só fiz gastar solas de sapatos. Ou seja: fiz todos os trajetos andando, caminhando e sem pegar nenhum ônibus sequer. Carro? Nem pensar.

O clima estava ameno, convidativo, tanto de dia quanto de noite.

Fui cheio de vontade e retornei repleto de entusiasmo.

A razão (melhor seria escrever... as razões) foi tudo o que vi e ouvi tanto na Associação de Engenheiros e Arquitetos quanto no Instituto Histórico e Geográfico, ambos em Santos.

No IHG-Santos, vi uma belíssima homenagem a Bartolomeu de Gusmão, o “padre voador”, tido e havido como inventor do balão a ar quente há nada menos que 300 anos.

Na AEAS, presenciei um debate de mais de cinco horas seguidas, sem intervalo algum, a respeito da ligação que o governo do Estado de São Paulo está prometendo, mais uma vez, para facilitar o tráfego entre Santos e o Guarujá, passando pelo maior porto do Brasil e um dos maiores do mundo.

Sob o tema “Túnel, ponte ou ambos? É hora de debater a questão”, vimos e ouvimos – perto de duas centenas de pessoas, entre engenheiros, arquitetos, políticos de quase todos os partidos e municípios da Baixada Santista, jornalistas e outros interessados – apresentações técnicas apuradíssimas de especialistas em pontes e túneis escavados e submersos.

Ouvimos os argumentos e vimos as transparências de gente entendida nos assuntos em debate e muito bem preparadas para o evento.

Mas, quem mais me impressionou – e, espero, a todos os presentes, senão a maioria – foi o professor da Escola Politécnica da USP e presidente do sindicato da empresas de consultoria em Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), José Roberto Bernasconi.

E o motivo é simples, ou não tão simples assim: ele defendeu com a maior veemência possível um planejamento estratégico para os próximos 30 anos – sim, trinta anos!!! – de vida das cidades, dos municípios e das pessoas fixadas e que venham a se fixar na Baixada Santista. Incluindo, segundo Bernasconi, o Litoral Sul e o Litoral Norte.

Só assim, nos disse Bernasconi, teremos condições de aproveitar – e bem – as vantagens que estão nos sendo oferecidas, por exemplo, pela chegada a Santos e adjacências da Petrobrás e de empresas parceiras e associadas em função da exploração do Pré-Sal na Bacia de Santos.

Isso é ou não é suficiente para nos deixar animados, entusiasmados, vibrando... e querendo ficar aqui para sempre, ou pelo menos por tantos anos quantos Deus nos permitir?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

4/8/2009 12:17:57