quarta-feira, 25 de junho de 2008

Por quê? (100) 100 vezes



Cláudio Amaral

100 vezes eu disse sim.

100 vezes eu me recusei a dizer não.

100 vezes eu nasci e 100 vezes me recusei a morrer.

100 vezes eu disse te amo.

100 vezes eu disse te amo para centenas e centenas de pessoas.

100 vezes eu me recusei a dizer te odeio.

100 vezes eu elogiei e centenas e centenas de vezes eu me recusei a ofender alguém.

100 vezes eu enalteci a criatividade, a inteligência, a iniciativa, a coragem, a honestidade, a lisura, a boa vontade de alguém, assim como centenas e centenas de vezes me recusei a jogar na cara de centenas e centenas de meus semelhantes que por centenas e centenas de outros eram chamados de burros, palermas, tapados e centenas e centenas de outros impropérios.

100 vezes eu me levantei, sacudi a poeira e dei a volta por cima e centenas e centenas de vezes ajudei a outros a se levantarem.

100 vezes eu disse muito obrigado a centenas e centenas de pessoas que jamais me pediram por favor.

100 vezes eu escrevi palavras de amor, de carinho, de incentivo, de amparo.

100 vezes eu me livrei da idéia de ajudar a afundar alguém, fosse quem fosse.

100 vezes eu respirei fundo para me livrar de pensamentos negativos em relação a homens e mulheres que não conseguiam pensar positivamente.

100 vezes eu me casei e centenas de vezes eu me casarei novamente.

100 filhos eu quis ter, mas, ainda que meus três filhos valham por mais de 100, centenas e centenas de filhos eu adotei.

100 netos eu quero ter (todos no mínimo tão queridos e amados como Beatriz, na foto com o vovô), 100 netos eu terei, nem que para isso eu tenha que continuar a adotar os filhos e filhas dos amigos, tal qual adotei a pequena, linda e graciosa Sofia, entre outras e outros.

100 sobrinhos eu ainda terei. Sobrinhos, sobrinhas, afilhados e afilhadas.

100 amigos eu já tenho e centenas e centenas de outros – e outras – ainda terei.

100 – ou mais, muito mais – jornais eu já visitei, pessoalmente, um a um, pelo interior paulista e em viagens a outros Estados e paises.

Em 100 lugares eu trabalhei e em centenas e centenas de outros eu ainda oferecerei tudo o que de bom eu tenho para dar nesta vida.

100 anos eu viverei, no mínimo, desde que sejam 100 anos produtivos, ativos, lúcidos e pró-ativos.

100 vezes, 100 anos, 100 vidas, 100 filhos, 100 netos, 100 vezes sim, 100 vezes centenas amigos, 100 vezes 100 vezes 100...

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, 100sível e-leitor?

25/6/2008 10:26:56

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Por quê? (99) A felicidade da figura



Cláudio Amaral

Amanheceu chovendo na Capital paulista, nesta segunda-feira, 23 de junho de 2008.

Mesmo assim, aquela figura no mínimo inusitada, à qual me referi pela primeira vez no dia 9 de janeiro de 2008, uma quarta-feira, pulou cedo da cama, se vestiu com simplicidade, tomou o café da manhã, pegou o guarda chuva e foi para a rua.

Para espanto geral, na família, saiu a pé.

Estava bem agasalhada e protegida do frio e da chuva.

Na mão esquerda, tinha uma sacola de plástico que ganhara no sábado, numa papelaria da Rua Dr. Diogo de Faria, onde comprara 40 envelopes.

Na mão direita, carregava o guarda chuva.

No Metrô Ana Rosa, tomou o rumo do terminal Jabaquara.

Duas estações depois, desceu.

Estava no Shopping Santa Cruz e, como o relógio ainda marcava 8 horas da manhã, todas as lojas permaneciam fechadas.

Abertas, somente as cafeterias e as lanchonetes.

Nenhuma delas, entretanto, chamou a atenção da figura. Ela estava satisfeita com o café da manhã tomado em casa, com a esposa.

Ao sair do Metrô/shopping, tomou o rumo da Rua Loefgreen, em direção ao Parque do Ibirapuera.

Menos de 200 metros depois, a figura no mínimo inusitada foi abordada por uma transeunte, uma mulher jovem – jovem, mas já em idade adulta – com cara de assustada.

Foi quase na esquina da Loefgreen com a Rua Machado Bittencourt.

- O senhor poderia me dizer onde fica a Rua Padre Machado?, perguntou a mulher.

De pronto, a figura disse sim.

Em seguida, olhou direto nos olhos daquela que ela, a figura, iria definir no ato seguinte como “perdida”.

Além de perdida, ou talvez exatamente por conta disso, a mulher se mostrava assustada.

- Ela está procurando a Rua Padre Machado, foi erroneamente encaminhada para a Machado Bittencourt e, por conseqüência, deve estar atrasada para o primeiro dia de trabalho num apartamento qualquer.

Assim que se livrou desse pensamento, a figura explicou para a “perdida e assustada” como ela chegaria à Rua Padre Machado.

Explicou e repetiu. E, pelo jeito, foi clara. A tal ponto, que a mulher sorriu, agradeceu e seguiu o caminho dela.

Ao sorrir, a “perdida” mostrou dentes branquíssimos, aparentemente perfeitos, lindos. Dentes típicos dos seres humanos da raça negra. Dentes de fazer inveja para qualquer branquelo, pardo ou amarelo.

Ato contínuo, a figura seguiu o respectivo caminho, rumo ao objetivo que perseguia: o Hospital São Paulo.

Ela, a figura, havia sido encarregada de entregar em torno de 60 envelopes naquele local. Todos estavam devidamente endereçados e eram dirigidos a uma elite de professores doutores especializados em oncologia, patologia, epidemiologia hospitalar, vigilância epidemiológica, prevenção e controle de infecção hospitalar, avaliação e controle ambiental, infecções em UTI, em transplante de órgãos sólidos, em unidades de internação e pediátricas, anestesiologia, psiquiatria, oncologia, farmácia, enfermagem, cirurgias plástica, torácica, vascular e outras tantas. Todas absolutamente desconhecidas pela figura.

Nem por isso – o desconhecimento total dos citados assuntos – ela, a figura, deixou de se empenhar na missão de fazer cada um daqueles envelopes chegar às mãos dos destinatários.

No protocolo, na Rua Botucatu, 740, a figura, humildemente, pediu ajuda a duas senhoras.

A humildade era tanta, que ambas dedicaram mais de meia hora ao mensageiro, ou melhor, à figura que ali estava.

Ficaram com mais da metade dos envelopes e orientaram a figura a se dirigir à Rua Pedro de Toledo, 715, de onde ela foi encaminhada para a Rua Napoleão de Barros, também 715.

Em 65 minutos a missão estava cumprida, ou seja, todos os envelopes entregues nas devidas portarias do HSP.

Certa de que nada mais tinha nem poderia fazer para que a correspondência atingisse os destinatários, a figura abriu novamente o guarda chuva, rumou da Napoleão de Barros até a Borges Lagoa, subiu até o Metrô Santa Cruz e de lá tomou o caminho de volta.

Voltou feliz, embora uma pouco cansada da caminhada ladeira acima pela Borges Lagoa.

- A felicidade compensa o cansaço, pensou ela, a figura.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, nobre e inteligente e-leitor?

23/6/2008 18:41:20

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Por quê? (98) Qual é a sua meta?


Cláudio Amaral

Desde que me conheço por gente eu tenho uma meta.

Pelo menos uma.

E você? Qual é a sua meta?

Aprendi a trabalhar com meta por pura intuição?

Sabe aquela coisa de “o que você quer ser quando crescer?”

Pois foi assim que eu descobri que é preciso ter meta. Sempre.

Foi por isso que me chamou a atenção a afirmativa do treinador da seleção brasileira de basquete feminino, classificada no fim de semana passado para as Olimpíadas de Pequim.

Paulo Bassul, o comandante da equipe que garantiu a presença do Brasil no basquete feminino em Pequim, disse ao Estadão, em Madri, na Espanha, que não tem meta para as Olimpíadas deste ano.

Inacreditável!

Acredito que tão logo reflita a respeito do que falou, Bassul mudará de idéia e imediatamente estabelecerá uma meta para as meninas do Brasil.

Ser medalha de ouro em Pequim é uma meta.

Real? Irreal? Visionária? Impossível?

Isso é ele, Paulo Bassul, quem sabe.

Mas, uma meta, pelo menos uma, ele deve e precisa ter.

Sêneca (Lucius Aneus Sêneca, nascido em Córdoba, na Espanha, no ano de 4 a.C) disse, certa vez, que “o comandante que não tem um destino definido jamais chegará a lugar algum”.

Disse mais: “Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe pra onde ir”.

É dele também a seguinte frase: “A vida, sem uma meta, é completamente vazia”.

Minha primeira grande meta, uma meta marcante em minha vida, eu estabeleci ainda em Adamantina, minha cidade natal, em 1968.

- Quero ter lugar na Redação do maior jornal diário do Brasil, o Estadão, na Rua Major Quedinho, 28, 5º andar, no centro de São Paulo.

Foi assim que eu falei aos meus amigos de ginásio, em frente ao Cine Santo Antônio, minutos após o fim da solenidade de formatura dos estudantes do Instituto Educacional Helen Keller.

Minha meta era tão firme e minha disposição tão forte, mas tão forte, que seis meses depois eu já estava trabalhando para o Estadão como correspondente em Marília e em 28 meses, ou seja, em maio de 1971, eu conquistei o direito de ser repórter do jornal da família Mesquita em São Paulo.

Outras metas vieram em seguida.

Muitas eu consegui atingir, mas outras tantas se perderam pelo caminho.

Entretanto, eu sempre tive minhas metas.

Umas pessoais, outras profissionais.

E por isso não consigo entender o fato de Paulo Bassul ter dito que não tem meta para a equipe vencedora que ele vai continuar dirigindo nas Olimpíadas de Pequim.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, nobre e inteligente e-leitor?

18/6/2008 12:27:48

domingo, 15 de junho de 2008

Por quê? (97) A volta da figura


Cláudio Amaral

Domingo é dia de descanso, não é mesmo?

Para as pessoas normais, pelo menos.

Pois bem: para essas pessoas, domingo é dia de levantar mais tarde, tomar o café da manhã e ler o jornal de pijama, de tomar banho demorado, de sair para caminhar (só ou muito bem acompanhado), de levar as crianças ao parque, de almoçar fora com a família, de ir ao estádio de futebol ou ao ginásio do Ibirapuera (onde hoje, por exemplo, jogam as seleções masculinas de vôlei que querem uma vaga nos Jogos Olímpicos de Pequim), de tomar sorvete, de ver Faustão ou Gugu (ou os dois) e a seleção brasileira de futebol contra o Paraguai na TV... enfim, domingo é um dia especial.

Foi por conta disso tudo que aquela figura no mínimo inusitada, à qual já me referi em três crônicas, saiu de casa pouco antes das 9 horas da manhã deste domingo, 15 de junho de 2008, para assistir à celebração da Missa na Paróquia de Santa Rita de Cássia, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana.

Com a fé renovada, em seguida, ela, a figura no mínimo inusitada, saiu a caminhar sem rumo.

Afinal, é domingo.

Da Rua Dona Ignácia Uchoa, a figura andou até a Rua Vergueiro e, virando à esquerda, passou pela estação Vila Mariana do Metrô.

Sem a menor vontade de entrar no Metrô, ela, a figura, atingiu a Rua Domingos de Moraes, cruzou a Sena Madureira e entrou à direita na Rua Dr. Diogo de Faria.

Na esquina com a Rua Marselhesa, ou seja, 450 metros depois, entrou na famosa Confeitaria Duomo e foi conferir o café e o pão de queijo.

- Uma delicia, disse a figura à senhora que operava o caixa.

Na calçada, e antes de se decidir se continuaria descendo a Diogo ou entraria na Marselhesa, rumo à Rua Borges Lagoa ou à Sena Madureira, a figura teve a atenção chamada para um homem que se agitava no segundo andar do Edifício Maison Chambertin, do outro lado da esquina, em diagonal.

O vento era forte e o senhor em questão tentava prender duas faixas que anunciavam que ali tinha apartamento para vender e que havia “Corretores de plantão”.

- É um dos tais “Corretores de plantão”, pensou a figura.

Era. Mas era o único, porque “Corretores de plantão” não passava de força de expressão.

Sem mais o que fazer, a figura no mínimo inusitada parou ali mesmo e ficou a observar o espetáculo protagonizado por aquele senhor.

Ele entrava e saia do apartamento do segundo andar. Ora tinha as mãos ocupadas por uma tesoura pequena, ora tentava amarrar uma das pontas das faixas com cordas ou adesivo largo.

A operação era trabalhosa, difícil, exatamente porque o vento insistia em atrapalhar a vida do corretor.

- Ninguém aparece para ajudar?, indagou-se a figura, sem ter com quem falar.

Vinte e sete minutos depois que ali estava, parada, na esquina das ruas Dr. Diogo de Faria e Marselhesa, ela, a figura, viu que as faixas estavam firmes, ou pelo menos as mais firmes que o homem podia deixar.

Viu também que o homem entrou e não mais surgiu na sacada do apartamento à venda.

Estava, portanto, encerrado o espetáculo e era chegada a hora de seguir em frente.

E foi o que a figura no mínimo inusitada fez, atravessando a Marselhesa e seguindo pela Diogo, rumo ao Parque do Ibirapuera.

No caminho, depois de passar em frente ao Instituto do Cego administrado por Dorina Nowill, a deficiente visual mais famosa e admirada do Brasil, a figura ficou a imaginar a vida que levava aquele “corretor de plantão”.

- Teria ele família: mulher, filhos, netos?

- Seria ele um solitário, que, não tendo com quem conviver, decidira se dedicar à corretagem de imóveis?

- Ou seria ele, o corretor, um aposentado, que, sem ter um rendimento suficiente para se manter, tivera que se sujeitar a ficar de plantão num imóvel como aquele, e, pior, ter que enfrentar a fúria do vento para fixar as faixas que chamariam clientes para o plantão?

Pelo sim, pelo não, a figura seguiu em frente, rumo ao Ibirapuera.

Foi em dúvida, cheia de perguntas e nenhuma resposta.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, nobre e inteligente e-leitor?

15/6/2008 12:13:51

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Por quê? (96) Vamos acordar e agir, pessoal?


Cláudio Amaral

A minha veia política está pulsando tanto, mas tanto, que às vezes tenho a impressão de que vai saltar do corpo.

Por quê?

É fácil explicar: quando criei esta série de artigos, prometi para mim mesmo que não escreveria de política.

Nada de política.

A respeito de política eu escrevia para Jornal de Debates, o portal do Paulo Markun, hoje presidente da Fundação Padre Anchieta, responsável pela Rádio e Televisão Cultura.

Desde então, ou seja, dia 4 de outubro de 2007, tenho conseguido evitar temas que me levem a fazer críticas e análises de políticos.

Mas, hoje, meu caro e-leitor, vou quebrar meu juramento.

Por quê?

Porque não consigo suportar tanta incompetência, tanta falta de inteligência (para não dizer burrice, porque fico irritado quando ouço esta palavra: burrice, burro, etc.).

Pois bem: que os nossos políticos são incompetentes e pouco inteligentes, não me resta a menor dúvida.

Nem para mim, nem para você, com certeza.

Ou você conhece algum político competente e inteligente?

Se conhecer, me avise.

Mande-me nome, partido e outras informações básicas.

A incompetência e falta de inteligência dos nossos políticos está provada no caso da recriação da CPMF, agora CSS, a tal Contribuição Social para a Saúde.

Não é a única, entretanto, porque temos também a incompetência e falta de inteligência dos empresários que, comandados por entidades como a poderosa Fiesp, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, tentam evitar que a CSS seja aprovada no Senado.

Para mim, pelo menos, é fácil, muito fácil, convencer os nossos políticos a votar contra a CSS: basta dizer que eles não terão mais as verbas polpudas que sempre tiveram graças à generosidade de quem dirige as maiores e principais empresas brasileiras e estrangeiras instaladas no País.

Tenho certeza absoluta que os senadores que irão votar a CSS colocarão um ponto final na questão.

Tal qual fizeram quando derrubaram a CPMF de triste memória.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, nobre e inteligente e-leitor?

13/6/2008 12:19:20

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Por quê? (95) Sonhei de novo, mas não foi com a tragédia...


Cláudio Amaral

Nem mesmo a inesperada, indigesta e inesquecível tragédia da Ilha do Retiro (Sport 2 X Corinthians 0) me tirou o sono.

Nem a capacidade de sonhar.

Nem o sono, nem a capacidade de sonhar, nem o bom humor.

Fui dormir triste, sim, é verdade.

Por quê?

Porque acreditava no Timão e na possibilidade de os comandados de Mano Menezes se aproveitarem da vantagem que fizeram no Morumbi (3 a 1) e trazer para São Paulo o título de campeão da Copa do Brasil pela terceira vez (ainda que sem o direito de gritar “tri-campeão”).

Ainda assim, ou seja, triste com a derrota imposta pelo Leão do Norte ao meu Timão, sempre Timão, dormi a noite inteira.

Dormi bem e sonhei, novamente.

Sonhei ter encontrado o corintianissimo Juca Kfouri num evento em que os convidados eram jornalistas, como ele e eu, mas também escritores, políticos, intelectuais, etc.

Foi um encontro casual, bem diferente daquele que tivemos certa vez, na sede da Rede Globo de Televisão, na Praça Marechal Deodoro, no centro velho da Capital paulista.

Naquela época, e lá se vão muitos anos, Juca era comentarista esportivo da Globo e o nosso encontro estava previamente agendado.

Desta vez, não.

No sonho da noite passada, nossa conversa foi tão casual quanto aquelas que tínhamos quando fazíamos campanha pela eleição de Emir Nogueira para a presidência do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

Tão logo nos encontramos, noite passada, Juca Kfouri me convidou para conhecer a nova Redação que ele comanda na Editora Abril, num prédio moderníssimo junto à Marginal do Rio Pinheiros, na zona oeste.

Convite aceito, conversamos longamente sobre o Jornalismo, a política, o Timão e os outros times, todos.

Horas depois, peguei meu Honda Fit, vermelho como uma Ferrari, e vim para casa.

Ao chegar em casa, e depois de guardar o possante na garagem, estranhei os pneus.

Eles pareciam mais finos.

Olhei bem e conclui, espantado: trocaram os Pirelli colocados pela Honda por pneus sem marca e, pior, de bicicleta.

Assustado, olhei para a cor do veículo e conclui que não era o vermelho Ferrari. E mais: o carro não era o Honda Fit que havia comprado, mas, acreditem, uma Belina da Ford com motor 1.0.

Entrei em pânico.

Felizmente, acordei em seguida.

Acordei aliviado.

Respirei fundo, me vesti, tomei um suculento café da manhã com a Sueli (até porque hoje é dia dos namorados) e fui dar umas voltas pela vizinhança.

Queria ver as caras dos palmeirenses, são-paulinos, santistas, flamenguistas e... também dos torcedores do Sport Club do Recife.

Vi e ri muito.

Especialmente, na cara do Brejão, o pasteleiro da esquina das ruas Gregório Serrão com a José de Queiroz Aranha, aqui na Aclimação, quase Vila Mariana.

- Estou com gosto ruim na boca, Brejão, disse ao moço que veio do Mato Grosso do Sul para ganhar a vida vendendo pasteis em São Paulo.

- Estou com gosto de porcos tristes, acrescentei, em referência ao dia em que o Palmeiras perdeu a final da Copa Toyota, em Tóquio, no Japão.

Falei e rimos. Rimos muito. Gargalhamos, até. Brejão, eu e o Sr. Ferrari, morador da Gregório Serrao (como eu) e conselheiro do Corinthians.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, palmeirense?

12/6/2008 11:12:25

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Por quê? (94) Dormi e sonhei


Cláudio Amaral

Dormi e sonhei como poucas vezes havia sonhado.

Sonhei tanto e tão intensamente, que foi difícil acordar nesta manhã de domingo, 8 de junho de 2008.

O despertador do meu telefone celular tocou exatamente às 7 horas da manhã, como todo dia ele faz.

Tentei espreguiçar e não consegui.

Fiz um esforço enorme para alcançar o aparelho, mas estava difícil.

O braço direito doía e se recusava a esticar.

Não esticava nem sequer para alcançar o celular, pousado sobre o criado-mudo em que guardo objetos pessoais de vestir, como meias, cuecas, pijamas. Relógios e canetas, também.

Logo senti que havia dormido sobre o braço direito.

Com dificuldade, levantei-me e sentei na cama.

Peguei o celular, desliguei e fui com ele para o banheiro.

Por que eu levei o celular para o banheiro?

Não sei.

No banheiro, com iluminação natural e artificial, vi marcas que comprovavam que eu havia dormido sobre o braço direito.

Relaxei e comecei a lembrar de detalhes do sonho, interrompido pelo alarme do celular.

Sonhei com um grupo de três jornalistas, que chamarei de Jô, Dê e Will.

Eu estava em Marília, num dos jornais locais e dialogava com Jô. Ele me falava de Dê, uma jovem de Franca, que hoje deve ter 26 para 27 anos.

Jô me contava que havia contratado Dê e que, ao se mudar para Marília, ela havia levado Will.

Ele, Will, entretanto, não trabalhava no mesmo jornal.

- Ele faz trabalhos esporádicos para o Estadão.

Ouvi essa frase de Jô e logo me lembrei que eu havia trabalhado como correspondente do Estadão, em Marília, por dois anos.

Jô também tinha sido repórter do Estadão em Marília, não sei se eventual ou fixo.

O sonho seguia e se mostrava meio estranho, confuso.

Nas minhas lembranças, pelo menos.

Sim, porque eu procurava localizar as reportagens de Dê no jornal de Marília e não conseguia.

Mexia em pacotes e mais pacotes de jornais e nada.

Todos me pareciam antigos, muito antigos.

Tinham a cara do velho Correio de Marília, onde trabalharam Anselmo Scarano e José Arnaldo, meu sogro, ambos falecidos. E também José Cláudio Bravos (meu cunhado) e Sueli (minha mulher).

Quando eu estava a ponto de desistir da busca intensa que fazia aos textos assinados por Dê... eis que o alarme do despertador do meu celular me acordou.

- E agora?, pensei, já me preparando para deixar o banheiro.

- E agora, volto para a cama e tento dar seqüência ao sonho e à minha busca, ou toco a vida em frente?

Não sei. Eis uma dúvida cruel. Tanto não sei que agora, quando alguém me avisa que foi dada a largada para o Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1, fico a pensar o que me teria levado a sonhar com Jô, Dê e Will.

Seria saudade? Se for saudade, de quem ou do quê seria? Da Redação? Dos colegas de Redação?

Não sei. Sinceramente, não sei.

Sonhar é bom, mas invariavelmente nos deixa em dúvida, cheios de dúvidas.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

8/6/2008 14:10:44

domingo, 8 de junho de 2008

Por quê? (93) Dormi ao volante


Cláudio Amaral

Como é bom dormir. Muito bom. Bom mesmo.

É sempre bom dormir.

Por quê?

Porque dormindo a gente descansa, sonha, viaja, navega, voa.

Porque dormindo a gente revê pessoas, visita e ou revisita lugares, relembra passagens agradáveis.

Porque dormindo a gente tem chance de dialogar com pessoas que estão distantes e também com aqueles que já se foram desta vida.

Dormindo, enfim, temos oportunidade de fazer o que não fazemos acordados. Seja por falta de oportunidade ou de coragem.

Dormi e durmo em qualquer lugar.

Basta encostar... e eu durmo.

Disse, em crônica recente, que já dormi e durmo muito bem em bancos de rodoviárias e aeroportos, em poltronas de ônibus e aviões.

Dormi até em banco de jardim. Sim: até em banco de jardim eu já dormi. E não foi deitado, não. Dormi sentado.

Dormir em pé? Hum... isso eu não me lembro. Creio que dormir em pé, não.

Agora, dormir ao volante?!

Essa experiência, confesso, eu nunca havia experimentado.

Nunca, mesmo. Jamais!

Mas, como tudo tem uma primeira vez... eu dormi ao volante.

Dormi sem ter tempo de me lembrar de uma frase que vi, li e repeti muitas e muitas vezes quando criança: “Quem dorme no volante, acorda no céu”.

Acredite! É serio: eu dormi ao volante.

Foi na sexta-feira, 6 de junho de 2008.

Sei que dormir ao volante é daquelas coisas que não se justificam. Sei muito bem.

Mas, o que eu posso fazer?

Eu dormi ao volante e pronto!

Como foi? Onde foi?

Eu conto. Já que você quer saber, e insiste em saber detalhes, eu conto.

Voltava eu de um dia inteiro de trabalho. Ia do trabalho para casa. Havia acordado cedo, feito ginástica, tomado banho e me trocado (claro) para estar no local do trabalho às 9 horas da manhã.

E no trabalho fiquei por dez horas seguidas.

Um trabalho sem emoção, diga-se, a bem da verdade.

Sai da Rua Michigan ao volante do meu possante, entrei à direita na segunda rua (cujo nome não me lembro) e fui até a Rua Padre Antônio. Virei novamente à direita e segui até a Avenida Santo Amaro. Entrei à esquerda e... o tráfego de veículos parou. Parou por completo.

Como eu vi que os carros demorariam a andar, puxei o breque de mão e relaxei.

Foi a conta.

Relaxei e... quando vi... ah, ah, ah... só quando eu abri os olhos, alertado pelas buzinas dos carros de trás, é que eu vi que havia dormido ao volante.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

8/6/2008 13:14:24

sábado, 7 de junho de 2008

Por quê? (92) Saudades de Adriana

Cláudio Amaral

Esteja onde estiver, ela deve estar feliz. Muito feliz.

O motivo?

Simples: ela consegue manter unidos tanto a família quanto os amigos.

Uma prova?

A prova – mais uma – foi o jantar de quinta-feira, 5 de junho de 2008, quando nos reunimos na praça de alimentação do Shopping Higienópolis, na região central de São Paulo, para falar dela.

Falar, simplesmente, é pouco. Muito pouco.

Nos reunimos para nos rever, nos conhecer, lembrar, relembrar, sorrir e... chorar, ou para ser mais exato, segurar, reter, engolir o choro.

De São Paulo, Sueli e eu, Álvaro (o irmão) e Taciana (a cunhada).

Do Recife, Ana Lúcia (a mãe), Neto (o pai), Andréia (a irmã) e Rafaela (a tia).

Nós dois, representando os amigos.

Eles todos, a família.

Uma família falante, alegre, risonha, divertidíssima.

Uma família amiga. Cada vez mais amiga.

Uma família que faz questão de manter vivas as lembranças, as peraltices, as estripulias, mas também a determinação de uma jovem que deveria estar e continuar entre nós, mas que, como disse Plauto (254 – 184 a.C.), citado no folheto que ajudou a lembrar o primeiro ano de morte dela: “Aqueles a quem os deuses estimam, morrem jovens”.

Morrem, vírgula.

Sim, porque ela não morreu e jamais morrerá.

Por quê?

Porque nós estamos aqui para mantê-la viva. Sempre viva.

Nós, os amigos, a família, os admiradores, os professores, os alunos, os colegas de infância, de escola, de trabalho, de farra, os chefes, os chefiados... todos nós.

Gente do Brasil e de Portugal, onde ela estudou.

Esteja onde você estiver, Adriana Gomes Moreira (24/2/1975 + 31/3/2007), você estará sempre viva entre nós, nas nossas memórias, nas nossas lembranças, nas nossas conversas, nas nossas mensagens.

Nossas lembranças, conversas e mensagens de carinho e de amor, muito amor.

Por quê?

Porque para nós, querida e amada Amiga Drika, você foi, em vida, e continua sendo uma prova de que Deus existe, Deus é Amor e de que Deus estará sempre ao nosso lado.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

7/6/2008 19:18:32

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Por quê? (91) Meu joelho dói


Cláudio Amaral

Eu, que sempre durmo bem, dormi mal nesta noite de segunda para terça-feira, 3 de junho de 2008.

Logo eu, que, seja onde for, encosto e durmo.

Durmo no sofá de casa vendo televisão, no banco do ônibus do Expresso de Prata entre São Paulo e Marília, no banco do ônibus da Cometa entre Franca e São Paulo, no banco do ônibus da Motta entre São Paulo e Campo Grande, nas poltronas dos aviões que já me levaram pelo Brasil e pelo mundo, e sempre me trouxeram de volta à Capital paulista, no bancos mais desconfortáveis de rodoviárias e aeroportos, etc.

Pois é: logo eu, que encosto e durmo, dormi mal na noite passada.

E, pior do que isso, acordei com dor.

- Meu joelho dói.

Foi o que eu disse assim que sentei na cama em que dormi na noite passada, no apartamento 611 do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, no Bairro do Paraíso, aqui em São Paulo.

Por quê?

Por que o quê?

Por que eu dormi mal ou por que eu dormi no hospital?

Dormi no hospital porque os médicos decidiram que Sueli, minha mulher, deveria ficar por aqui e passar por uma série de exames.

Dormi mal porque estranhei a cama.

- Mas eu nunca fui de estranhar cama alguma.

É verdade, mas estranhei.

Além de estranhar a cama, acordei com dor.

Ou será que acordei com dor porque estranhei a cama?

Não sei.

Sei apenas que estranhei a cama e acordei com dor.

Sueli, felizmente, dormiu bem.

Não tão bem quanto teria dormido na nossa cama, em casa.

Ela sempre reclama quando dorme fora de casa, comigo ou sem eu.

Desta vez, entretanto, quase não reclamou.

A reclamação ficou por minha conta.

Logo eu que não sou de reclamar (muito).

- Ai, meu joelho dói.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

5/6/2008 19:15:35

domingo, 1 de junho de 2008

Por quê? (90) Cá entre nós


Cláudio Amaral

Hoje, domingo, 1º de junho de 2008, um dia frio e chuvoso aqui pelos lados da Vila Mariana (onde estou a trabalhar) e da Aclimação (bairro em que moro há quase 40 anos), quero dedicar essa crônica a um Amigo.

Não por acaso, um Amigo que, como eu, torce pelo grande e glorioso Sport Club Corinthians Paulista.

Um Amigo com A.

Um Amigo do peito.

Um Amigo daqueles em quem eu posso confiar de verdade. Eu e você, também, porque ele é confiável em todos os sentidos, jeitos e situações.

Cá entre nós, eu o conheci no início de uma nova fase da minha vida. Minha e dele.

Cumprimos um processo seletivo juntos. Ele e eu estávamos no mesmo grupo e, por conta disso, passamos por uma mesma dinâmica. Ele quase desistiu, mas felizmente não o fez.

Meses depois me contou que não desistiu por causa da minha determinação de ir em frente, enfrentar o desconhecido, conhecer atividades novas e pessoas totalmente estranhas aos nossos meios e atividades profissionais.

Que bom, Cá entre nós, que ele não desistiu, porque ao longo do processo, que já nos ocupou por um ano e meio, ele me deu força e estímulo para também não desistir.

Trabalhamos na mesma empresa por nove, quase dez meses. Saímos e estreitamos ainda mais nossa Amizade.

Desde então, temos atuado cada vez mais próximos um do outro. Ou seja, temos nos conhecido mais e mais. E, por conseqüência, sinto-me cada vez mais orgulhoso de tê-lo como Amigo.

Disse e repito: Cá entre nós, temos muitas características e pensamentos em comum, mas, ao mesmo tempo, somos muito diferentes.

O importante, entretanto, é que encontrei um Amigo que tem os mesmos princípios de honestidade, de caráter e de conduta.

Acredite se quiser, caro e-leitor, mas ele segue à risca os preceitos básicos que todos nós deveríamos seguir em matéria de solidariedade humana e cumprimento de leis e regras de bom comportamento.

Você quer um exemplo? Pois bem: ele não admite quebrar regras de trânsito e, Cá entre nós, fica contrariado, muito contrariado, quando vê um motorista avançar a faixa de pedestre. Avançar um farol vermelho, então, para ele é imperdoável. Até o farol amarelo ele faz questão de respeitar.

Trair a pessoa amada? “Jamais, Amaral! Jamais”, ele me disse certa vez.

Bom profissional eu sei que ele é e garanto. Bom caráter, também. Solidário, idem. E, por conseqüência, não tenho a menor dúvida de que ele é bom pai e bom marido, embora tenha presenciado raras vezes o relacionamento dele com os filhos e a esposa.

Por tudo isso, e muito mais, quero registrar, publicamente, que conhecer essa figura humana que hoje chamo de Amigo foi, Cá entre nós, um privilégio que Deus me deu.

Parabéns, Amigo. E, Cá entre nós, espero que você viva mais 58 anos e que continue sempre assim, porque viver assim, como você vive, é como todos nós deveríamos viver.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caríssimo e-leitor?

1/6/2008 13:10:02