terça-feira, 29 de setembro de 2009

Por quê? (185) Mais um ano, por favor


Cláudio Amaral

Hoje, 29 de setembro de 2009, é mais um dia especial para mim.

Daqueles dias que serão difíceis de esquecer.

Para mim e, espero, para dois grandes amigos que estão comigo em Santos.

Viemos, os três, há exatamente um ano, pelo mesmo motivo: trabalhar na Redação do maior e mais importante grupo de comunicação de Santos e da Baixada Santista.

Meu chefe e eu, na Redação de A Tribuna.

Nosso outro Amigo, na Redação do Expresso Popular, mas sob a mesma chefia.

Wilson Marini, o chefe, foi convidado e nos convidou.

A mim, como Editor-Executivo de A Tribuna.

Mário Evangelista, como Editor-Executivo do Expresso Popular.

Viemos e, tão logo foi possível, trouxemos as respectivas famílias.

Para nossa alegria, fizemos um grupo familiar unido e amigo.

O grupo cresceu ao longo do tempo, mas o núcleo inicial permanece unido e amigo.

Alugamos casas (Marini e Evangelista) e apartamento (no meu caso) na mesma região de Santos: Mário e eu, na Aparecida, junto ao Canal 6; Marini, na Ponta da Praia, próximo ao Canal 7.

Os almoços, os jantares, os cafés, as festas, enfim, passaram a ser de todos: Mônica, Marcela, Mariana, Helô (pelo lado de Mário, o “Gatão”), Sueli, Cláudia, Márcio Gouvêa, Beatriz, Mauro (pelo meu), Salete, Samuel, Nadia e Glauco (pelos Marini).

Foram festas e mais festas (com direito à passagem de ano na praia), porque cada encontro era uma festa, um acontecimento.

Corporativamente, o grupo se desfez, por um tempo.

Primeiro, porque eu fui dispensado pela diretoria e deixei de fazer parte da Redação de A Tribuna no dia 17/6/2009.

Depois, porque Marini também teve o mesmo destino, dia 14/8/2009.

Mário Evangelista, felizmente, continua comandando a Redação do Expresso Popular e o faz com dedicação e competência. E segue também sendo nosso vizinho e Amigo, mais Amigo do que nunca. Ele, Mônica, Marcela, Mariana, Helô...

“O futuro a Deus pertence”, como disse certa vez algum filósofo que a história não registrou com precisão (nem no Google).

O certo, entretanto, é que eu e Sueli estamos a fazer todas as “mágicas” possíveis e imagináveis para continuar em Santos. E cá ficaremos até quando nos for possível. Se possível, até o fim da vida. Com a graça de Deus e o apoio de todos os nossos. Inclusive Dona Cidinha, a melhor sogra do mundo, que também se mudou para Santos, em definitivo, em julho.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

29/9/2009 11:03:00

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Por quê? (184) Uma vírgula, por favor


Cláudio Amaral

Desconheço o dia – ou melhor, o momento – em que fui apresentado à vírgula.

Imagino ter sido logo após minha apresentação às palavras e vice-versa.

Teria sido, então, no máximo aos 5 anos de idade, porque eu sou amigo das letras desde bem pequeno.

Das letras, maiúsculas e minúsculas, e, por consequência, dos pontos, das vírgulas, dos hífens, dos travessões, dos parágrafos.

Dos lápis e das canetas, também.

Até com caneta tinteiro eu convivi.

Lembro-me bem dos tinteiros da marca Parker, por exemplo.

E quem é que não se lembra?

Talvez, só aqueles que ainda não chegaram aos 50 anos de idade.

Bem, mas o assunto, hoje, é a vírgula.

A vírgula que é um sinal gráfico dos mais discutidos, debatidos, analisados e... combatidos – porque não.

Li um livro, certa vez, que não tinha uma única vírgula e no qual, no fim, o autor colocou centenas delas e recomendou que cada um fizesse o uso que preferisse.

Hoje, exatamente nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2009, encontrei algo parecido.

Lendo O Leitor Apaixonado – Prazeres à luz do abajur, escrito por Ruy Castro, organizado por Heloisa Seixas e editado pela Companhia Das Letras, me deparei com a seguinte frase:

- Não descansarei enquanto não sepultar a última vírgula do mundo.

Está na página 197, em meio ao texto intitulado Gertrude Stein – O búfalo da Rive Gauche.

Ruy Castro se refere a uma escritora que, segundo ele, agitou Paris de 1903 a 1939.

Mais do que uma escritora, Gertrude Stein é apresentada no referido texto como uma agitadora cultural.

Ela teria descoberto e apresentado ao mundo gente como Picasso, Matisse, Cézanne, entre muitos outros que a visitavam no sobrado de número 27 da rue de Fleurus, em Paris.

Mas, esses são detalhes que você deverá procurar no livro de Ruy Castro que estou a ler nestas manhãs de inverno, no aconchegante apartamento que divido com Sueli, no bairro da Aparecida, junto ao Canal 6, em Santos.

No apartamento, nas praias santistas, nas salas de espera, nas filas de bancos e, porque não, nos ônibus da Viação Piracicabana que me levam daqui para o Centro Histórico, quase todos os dias, ora o circular 004, ora o 019 (aquele que passar primeiro pelo ponto em que eu me coloco no rumo do bairro para a cidade).

O que importa, nesta crônica, é a vírgula.

A vírgula que, segundo Ruy Castro, incomodava Gertrudes Stein a ponto dele, Ruy, observar:

- Gertrudes parecia ter algo pessoal contra vírgulas.

Observar e acrescentar:

- Seu romance de mil páginas, The making of Americans, não tinha uma única vírgula, nem para remédio.

Diante do argumento de que “as vírgulas eram importantes como pausas, para permitir ao leitor respirar”, Gertrudes “não se convenceu”, segundo Ruy Castro e disparou:

- Quem tem de saber quando respirar é o leitor.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

18/9/2009 11:29:48

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Por quê? (183) Dois Amigos, dois Irmãos

Cláudio Amaral

Rui Viotti nos deixou há menos de dez dias, no dia 7/9/2009.

Ramão Gomes Portão se foi há mais de 22 anos, no dia 12/3/1987.

Ambos, entretanto, estiveram presentes na minha vida, nesta terça-feira, 15/9/2009.

Primeiro, chegou-me uma mensagem de Sueli Amaral de Novais.

Em seguida veio uma mensagem de Rui Gebara Portão.

As duas me foram enviadas em agradecimento aos textos que escrevi a respeito dos meus Amigos Rui Viotti e Ramão Gomes Portão.

A respeito e em homenagem a eles, que conheci nas minhas andanças jornalísticas pelas ruas de São Paulo.

Assinando Sueli Amaral, a “amiga e ex-funcionária de Rui” (Viotti) me deu um susto, porque a única Sueli Amaral que eu conhecia até então era minha companheira há 40 anos (completados no dia 15 de julho de 2009) e esposa há 38 anos (comemorados no dia 5 de setembro de 2009).

Sueli queria “agradecer a matéria do seu blog sobre este excepcional profissional e acima de tudo excelente pessoa, de caráter reto e íntegro como infelizmente é raro se encontrar hoje em dia”.

E ela escreveu mais: “Tenho a sensação que a forma em que foram feitos homens como ele se perdeu”.

Agradeceu também por eu ter me lembrado de Rui Viotti “de forma tão carinhosa e reconhecida, pois neste país de memória curta tendemos a esquecer os grandes homens e seus grandes feitos”.

Depois de dizer que eu fui “uma boa exceção”, Sueli desabafou: “Minha maior tristeza foi acompanhar o ostracismo e descaso sofrido pelo Rui no final de sua carreira”.

Rui Gebara Portão foi menos contundente, talvez porque o pai, meu Amigo Ramão Gomes Portão, nos deixou há mais tempo: “Foi com imensa satisfação que soube por amigos, após busca pelo Google, (a respeito de) uma matéria redigida por ti, (e publicada) em teu blog, a respeito de meu pai”.

Para o filho de Ramão, que é advogado atuante em São Paulo há dez anos, “depois desses anos todos foi uma matéria clara, sem sensacionalismo, sem pesar no sentimentalismo”.

Rui Gebara Portão nasceu da união de Ramão com Anissa, a quem ele chamava, carinhosamente, de ‘Turca’. Rui tem 34 anos de idade e o irmão mais velho, Rodrigo, que é formado em Propaganda e Marketing, está com 36.

No fim da mensagem, Rui me levou às lágrimas ao escrever: “Grato por todas as palavras e considerações que os anos não apagaram de sua memória”.

Agradecido estou eu, Rui Gebara Portão e Sueli Amaral de Novais.

Estou agradecido a vocês e a Deus, por ter me permitido conhecer e conviver com os jornalistas Ramão Gomes Portão e Rui Viotti.

Dois Amigos.

Dois Irmãos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

16/9/2009 00:28:34

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Por quê? (182) Aguenta, coração!!!


Cláudio Amaral

Confesso que não sei a razão, mas a verdade é que não dei a devida importância ao Grande Prêmio de Monza, na Itália, disputado neste domingo.

Tanto não me importei quando deveria, que no sábado quase não vi as tomadas de tempos para a largada do domingo.

Mais ouvi do que vi.

Estava em São Paulo, na residência que hoje é mais dos meus filhos Flávio e Mauro do que minha e da Sueli, que vivemos em Santos há quase um ano.

E, sentado na cabeceira da mesa da sala, bem em frente ao meu computador portátil, que sobe e desce a Serra do Mar comigo, dei mais importância às mensagens do correio eletrônico do que às informações e comentários de Galvão Bueno, Reginaldo Leme, Luciano Burti e Mariana Becker, assim como às imagens transmitidas pela TV Globo.

Fato raro, porque desde que me conheço por gente – e como jornalista – que eu acompanho a Fórmula 1 pela televisão.

Pela TV e, sempre que possível, pessoalmente, seja em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, seja em Interlagos, em São Paulo.

A verdade, entretanto, era que neste sábado eu estava mais ligado à Internet do que à Fórmula 1.

No domingo, não foi diferente.

Preferi ir à Celebração da Missa das 8 horas da manhã, na Capela das Irmãs da Visitação, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana, mesmo sabendo que poderia perder a largada da Fórmula 1.

E perdi.

Só não perdi a oportunidade de me lembrar de Rubens Barrichello quando faltavam alguns segundos para a largada.

Lembrei-me dele e de pedir, mentalmente:

- Senhor, preteja o Rubinho, que neste instante está fazendo a volta de apresentação e pronto para a largada em Monza.

Quando eu consegui ligar o rádio do meu Honda Fit, em frente à Capela, a largada já havia sido dada.

Ouvi, então, Téo José, o narrador da Rádio Jovem Pan, dizer:

- Rubinho largou bem.

Aí eu me animei.

Fiquei mais animado quando ele, Téo, acrescentou:

- Além de largar bem, Rubinho ganhou uma posição.

Fui rapidamente para casa, liguei a televisão e vi a corrida até o fim.

Primeiro, com atenção.

Depois, com apreensão, porque Rubinho assumira a ponta, fizera a única parada no boxe da Brown GP com sucesso e voltara em primeiro.

Era uma situação inacreditável para quem viu tantas mancadas e até sacanagens em relação ao piloto que acompanho desde os oito anos de idade (dele).

Quando Rubinho recebeu a bandeirada final... eu não agüentei: chorei como uma criança.

Chorei e falei para Sueli, ao meu lado:

- É a segunda vitória dele no ano e agora ele está realmente na disputa pelo título.

Sueli lembrou-se de imediato dos pais de Rubinho e eu, ato contínuo, disse:

- Vou enviar um e-mail para o Rubão.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

14/9/2009 10:38:02

domingo, 13 de setembro de 2009

Por quê? (182) Aguenta, coração!!!

Aos fãs e aos críticos do piloto brasileiro Rubens Barrichello: como meu coração corintiano não para de bater forte, muito forte, ainda não estou em condições de produzir o texto de hoje a respeito da fantástica vitória de Rubinho no GP de Monza, Itália, neste domingo.

Aguardem, por favor.

Cláudio Amaral

sábado, 12 de setembro de 2009

Por quê? (181) Erro nada humano


Cláudio Amaral

Entrar em território alheio sem autorização nunca foi bom.

No caso, foi um erro fatal.

Mais que isso, eu diria: foi um erro nada humano.

Afinal, o território era (ou é?) privado, além de alheio.

Tudo bem, ele, no caso, poderia não saber disso.

Ele poderia desconhecer que estava entrando em área privada, indevida.

Mas, tão logo percebeu que estava sendo seguido – mais que isso, perseguido – ele deveria ter optado por abandonar aquele espaço privado e voltar para o território público que até então houvera ocupado.

Não o fez.

Não o fez e pagou caro por essa opção.

Foi seguido.

Foi perseguido.

Ficou acuado.

Escondeu-se.

Escondeu-se tanto quanto possível.

Escondeu-se o mais que pôde, eu diria.

Mas, quando o dia amanheceu, os donos da área – privada, repito – pediram reforço.

E não foi um reforço qualquer, não.

Os homens do reforço chegaram e foram à caça dele, o intruso, no caso.

Fizeram tudo o que podiam e sabiam, mas o invasor se fez de morto.

Quando foi descoberto, na undécima hora, fugiu novamente.

Fugiu e a caçada recomeçou.

Foi uma caçada árdua, estafante, mas ele estava em desvantagem.

Mesmo assim, não se entregou facilmente.

Deu trabalho. Muito trabalho aos seus caçadores, homens experientes e bem treinados.

No fim de horas, quando todos estavam pensando em desistir, ele, o invasor, a caça, foi localizado novamente.

Localizado e definitivamente encurralado.

Aí não teve saída: foi abatido.

Foi abatido com muito custo, é importante que se diga.

Lutou o quanto conseguiu, mas foi abatido.

Gritou, esperneou, tentou escapar, mas foi mortalmente atingido.

E assim, no final da manhã desta sexta-feira, o pequeno camundongo foi posto para fora da casa que invadiu sabe-se lá quando.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

12/9/2009 10:43:42

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Por quê? (180) Outro homem


Cláudio Amaral

A partir de hoje eu sou outro homem.

Sou ou estou?

Isso não interessa.

Ser ou estar é puro detalhe, no meu caso.

Ser ou estar é puro detalhe para mim, hoje, pontual e precisamente.

O importante é que sou (ou estou) outro homem.

Sou (ou estou) mais feliz.

Estou mais alegre.

Sinto-me mais animado.

Encontro-me mais entusiasmado. Muito mais.

Enfim, estou mais, muito mais de bem com a vida e comigo mesmo.

E minha vida começou a mudar exatamente às 11h26.

Foi quando recebi uma mensagem via correio eletrônico.

Respondi positivamente às 11h32.

Em seguida, precisamente às 11h51, recebi uma ligação telefônica de São Paulo, exatamente de um escritório localizado na Zona Norte.

Era a confirmação da boa notícia que me chegara pela Internet e a premiação por um trabalho que me ocupara por 35 horas ao longo de todo o mês de agosto.

Essa, entretanto, não seria a única boa notícia do dia.

Tinha mais.

Às 15 horas, no Centro Histórico de Santos, minha vida mudaria ainda mais.

Pelos próximos meses, e até o final do ano, terei muito trabalho.

Profissionalmente, pelo menos.

E como o profissional e o pessoal estão sempre intimamente ligados, outras alegrias me virão.

Outras notícias me farão feliz.

Mais feliz.

Sempre mais feliz, com a graça de Deus e o apoio da minha família e dos meus Amigos.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

9/9/2009 18:46:35

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Por quê? (179) Adeus, Rui Viotti


Cláudio Amaral

Sou daqueles jornalistas que têm uma dívida eterna para com Rui Villara Viotti, o Rui Viotti (foto) do rádio e da televisão, falecido no dia 7 de setembro deste ano de 2009, prestes a completar 80 anos de idade.

Ele nasceu em 26 de setembro de 1929.

Eu, em 3 de dezembro de 1949, ou seja, mais de 20 anos depois.

Ele nasceu em Caxambu, Minas Gerais, cidade que ainda não conheço.

Eu, em Adamantina, no interior paulista, localidade que ele pode até ter conhecido, tantas foram as andanças que fez pelo Brasil e o mundo.

No ano em que eu nasci, ele era locutor profissional há cinco anos e já estava no Rio de Janeiro a participar de um concurso promovido pela Rádio Tupi para a escolha do substituto de Ary Barroso, o mais famoso narrador esportivo da época.

De lá para cá, Mestre Rui Viotti fez de tudo no rádio.

No Rio de Janeiro e depois em São Paulo, onde nos conhecemos.

Mas não foi no rádio que eu fui conhecer Rui Viotti, que trabalhou na Tupi, na Nacional e na Tamoio.

Fui ter com Rui Viotti na televisão.

Na TV Bandeirantes, precisamente, na época em que a emissora da Família Saad tinha a programação de domingo totalmente tomada pelas transmissões e promoções esportivas.

O comando era de Luciano do Valle, mais conhecido como o “Luciano do Vôlei”.

O cérebro de tudo, entretanto, era o Mestre Rui Viotti.

Na época em que nos conhecemos, Rui Viotti já era um senhor, sério, experiente e respeitável; havia trabalhado na primeira emissora de TV do Brasil, a Tupi (simultaneamente com a Rádio Tupi), na TV Rio e na TV Globo.

Eu era um principiante perto da grandeza de Rui Viotti, que substituiu profissionais do porte de Ary Barroso (nas transmissões esportivas das tardes de domingo, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro) e Julio De Lamare (no comando do Jornalismo Esportivo da Rede Globo, em 1973, a convite de Walter Clark, quando o titular faleceu no trágico acidente aéreo do aeroporto de Orly, na França).

Rui Viotti participou das transmissões esportivas de todas as copas do mundo de futebol, desde 1950, narrando jogos ou na retaguarda. Mas a narração mais marcante que ele fez foi quando Gustavo Küerten venceu pela primeira vez o Grand Slam de Roland Garros, na França, em 1997.

Bem antes disso, entretanto, em 1985, nossas carreiras se cruzaram e ele, sempre gentil e prestativo, me ensinou tudo e mais um pouco a respeito dos bastidores da televisão e das minúcias do tênis.

O fato mais marcante – e portanto inesquecível para mim – de nosso trabalho conjunto, se deu na pista de atletismo do Complexo Poliesportivo do Ibirapuera, em São Paulo.

Uma jovem – e linda – repórter da TV Gazeta me pediu para falar com “alguém da organização” do evento que eu ajudava a divulgar, e não tive dúvida: levei a moça até o Mestre Rui Viotti.

Ele, como sempre fazia com todos nós, a tratou da melhor maneira possível, deu todas as explicações e por fim aceitou gravar uma sonora para a televisão.

Terminado o trabalho, e antes de agradecer as gentilezas todas de Rui Viotti, ela disse:

- Como o senhor fala bem.

E emendou:

- O senhor nunca teve medo do microfone, nem da câmera de televisão?

E ele, humildemente, respondeu que “não”.

Poderia ter dito que ganhava a vida empunhando microfones e encarando câmeras de televisão desde os 15 anos, ou seja, há 40 anos, mas preferiu poupar a foquinha de um constrangimento desnecessário.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

8/9/2009 20:03:16

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Por quê? (178) Literatura esportiva?


Cláudio Amaral

Por que a literatura brasileira ainda não tem um livro de peso a respeito do futebol, mesmo sendo esse o “esporte das multidões” no País?

Nem do futebol, quatro vezes campeão mundial entre seleções adultas profissionais e que nos deu o “Atleta do Século” (Pelé).

Nem do tênis profissional, que já nos deu competidores de renome internacional como Maria Esther Bueno, Thomaz Koch e Gustavo Küerten.

Nem do automobilismo, que só na Fórmula 1 soma 100 vitórias em grandes prêmios e fez campeões mundiais como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna.

Nem no vôlei, nem no basquete, nem no judô, nem na natação, nem no atletismo, nem na ginástica..., nem..., nem...

A falta de um livro de peso em linguagem literária a respeito de qualquer esporte disputado em larga escala no Brasil e com repercussão mundial foi o principal tema da sessão das 16 horas desta segunda-feira, Dia da Independência Nacional, no 1º Encontro Internacional de Escritores em Santos, a chamada “Tarrafa Literária”.

Na mediação do debate esteve um jornalista “santista nascido em São Paulo” e que está novamente radicado na Capital paulista, Vladir Lemos, apresentador do Cartão Verde da TV Cultura.

Ao lado direito dele, Xico Sá, cearense de Cariri, cidade do sul daquele Estado, torcedor do Santos FC, do Icasa de Juazeiro do Norte (CE) e do Sport Club de Recife (PE). Jornalista e cronista da Folha de S. Paulo.

Ao lado esquerdo, Matthew Shirts – ou Mateus, como diz Xico –, também do sul, mas do sul da Califórnia (EUA), que tinha tudo para ser palmeirense (tal qual a família que o recebeu em intercambio em 1976, em Dourados, na época Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul), mas optou por torcer pelo Sport Club Corinthians Paulista. Jornalista, ex-editor na Folha de S. Paulo, ele é editor da revista National Geographic no Brasil e cronista do Estadão.

Depois de mais de duas horas de análises, opiniões, ilações, informações, perguntas, repostas e alguns palavrões (duas vezes “merda”, por exemplo), sempre pronunciados por Xico Sá, a conclusão é que ninguém, nem jornalista, nem cronista, nem escritor conseguiu ainda descobrir como escrever um grande romance tendo como tema o futebol.

Ainda que, como disse Vladir Lemos, titular do http://blogdovladir.blogspot.com/, apenas nos primeiros oito meses de 2009 tenham sido editados no Brasil 58 livros a respeito de temas esportivos.

A esperança é que 2010 será o ano da Copa do Mundo da África do Sul e do centenário do Corinthians.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

7/9/2009 22:41:26

domingo, 6 de setembro de 2009

Por quê? (177) Lembranças


Cláudio Amaral

O ex-chanceler Celso Lafer e o jornalista Itaborahy Martins afloraram na minha mente por ocasião das apresentações que os jornalistas e escritores Ruy Castro e Heloisa Seixas (http://heloisaseixas.blogspot.com/) fizeram na sexta-feira, no Theatro Guarany, em Santos.

Eu estava na segunda fila da platéia quando Heloisa Seixas concluiu a primeira participação dela no 1º Encontro Internacional de Escritores em Santos, a “Tarrafa Literária”, na tarde do dia 4 de setembro de 2009.

De imediato, o mediador Ricardo Kotscho, titular do Balaio do Kotscho (http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho), disse, com propriedade:

- Heloisa Seixas não só escreve bem, como fala bem. Se essa explanação foi gravada, basta copiar e editar.

Olhei para o relógio colocado no meu pulso esquerdo e que eu havia ganhado de Sueli, quando ela voltou da Itália, em março.

Ele, o relógio, marcava 16h52 e de imediato me veio à mente a figura do jurista do professor e ex-ministro da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores do governo brasileiro Celso Lafer (http://pt.wikipedia.org/wiki/Celso_Lafer).

Pensei nele e no professor de português que nos deu aulas na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, na Rua da Mooca, zona leste da Capital paulista, em meados de 1998:

- Raras são as pessoas que escrevem e falam bem. E Celso Lafer é uma delas.

“Celso Lafer e Heloisa Seixas”, pensei enquanto fazia anotações na agenda que havia levado comigo ao Theatro Guarany, na primeira sexta-feira deste mês de setembro.

Nem meia hora se passou e Ruy Castro, sentado à direita de Ricardo Kotscho, enfatizou que os livros, no Brasil, “custam barato” e podem ser encontrados com facilidades em centenas de sebos existentes pelo País afora.

Na sequência, o autor de Chega de Saudade fez uma confidência surpreendente:

- Certa vez, dentro de um sebo do Rio de Janeiro, a mulher de um poderoso ex-dirigente da Rede Globo de Televisão, olhou para todos os lados e exclamou: “Aqui só tem velharia”.

Prontamente, lembrei-me do jornalista Itaborahy Martins, um dos meus mentores na Redação do Estadão, entre 1971 e 1975.

Ao saber que eu havia sido escalado pelo Mestre Eduardo Martins para uma viagem a Roma, na Itália, ele se aproximou de mim e cochichou:

- Vê se ao voltar não chega falando como um colega que me disse não ter gostado da capital italiana porque lá é tudo velho.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

6/9/2009 00:22:09

sábado, 5 de setembro de 2009

Por quê? (176) Em nome da palavra impressa


Cláudio Amaral

Eu nunca fiz diferença entre as palavras.

Para mim, palavra é palavra, seja impressa ou falada.

E tem mais: sempre fiz questão de escrever e falar corretamente. Ou, como queira, da maneira mais correta possível, porque, afinal, ninguém é perfeito.

Mas, eles fazem questão. Ou pelo menos ele, Ruy Castro, faz.

E fez, publicamente, sexta-feira, ao lado dos jornalistas e escritores Ricardo Kotscho e Heloisa Seixas, desde o palco do Theatro Guarany, em Santos, por ocasião do 1º Encontro Internacional de Escritores, batizado de “Tarrafa Literária”.

Ruy Castro tem uma história linda e apaixonante em relação às palavras.

Ele, entretanto, fez questão de nos dizer, por exemplo, que a palavra impressa avaliza a notícia.

Disse mais: ouvida através do rádio, a palavra entra por um ouvido e sai pelo outro; pela televisão? hum... a televisão, segundo Ruy Castro, “diz tanta porcaria”.

Nas palavras de Heloisa Seixas – jornalista, tradutora e escritora, mulher de Ruy há 20 anos – Castro se identificou com os livros ainda pequeno, numa casa que tinha muitos jornais e revistas, mas poucos ou nenhum livro.

Logo ele começou a ler e a colecionar livros. E até hoje cuida, organiza, restaura e se encanta com os livros.

Nas palavras de Ruy, ele ganhou o primeiro livro aos cinco anos e hoje, aos 61 anos, nunca passou um dia sem ler.

Ele dá tanta importância à palavra impressa, que não tem dúvida em afirmar que o livro já nasceu “veículo perfeito”.

O livro é barato e pode ser lido em qualquer lugar, segundo Ruy: no banheiro, no ônibus, no trem, no táxi, no avião, na cama, no sofá...

O livro também pode ser guardado em tudo quanto é lugar e de qualquer jeito, lembrou Ruy Castro numa conversa descontraída e informal com uma platéia que poderia ter o triplo de ouvintes, tal é a capacidade do Theatro Guarany.

Isso, entretanto, certamente não o incomodou. Nem a ele, nem a Heloisa, nem a Ricardo Kotscho, o mediador, porque lá estavam pessoas interessadas e atentas.

Ruy calçava uma meia que estampava o distintivo do Flamengo e fez questão de mostrá-lo a Kotscho, que vestia uma camisa com o brasão do SPFC.

A platéia riu das preferências futebolísticas dos dois, mas estava interessada, mesmo, nas idéias literárias de ambos. E de Heloisa Seixas, também, autora de Pente de Vênus, A porta, Diário de Perséfone, Através do Vidro, Pérolas absolutas, Uma ilha chamada livro (Contos mínimos – sobre ler, escrever e contar, que ela fez a gentileza de autografar para mim, ainda no Theatro Guarany), Sete vidas e Mal de Alzheimer, O lugar escuro.

Para sorte nossa, Ruy usou seus conhecimentos sobre a palavra para nos falar das biografias que produziu, do trabalho dele como biógrafo e confessou que mostra cada capítulo para Helô, assim que o conclui.

Por fim, nos brindou com duas frases inesquecíveis:

- A palavra é um assunto inesgotável.

- É preciso entender os mistérios da palavra.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

5/9/2009 13:35:43

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Por quê? (175) Em nome dos livros


Cláudio Amaral


Hoje, sexta-feira, a primeira de setembro de 2009, foi dia de rever um Amigo, de reencontrar um conhecido e de conhecer uma jornalista, tradutora e escritora que o consagrado Carlos Heitor Cony chamou de “uma das maiores revelações literárias dos últimos anos”.

O Amigo: Ricardo Kotscho.

O conhecido: Ruy Castro.

A revelação: Heloisa Seixas.

Fui encontrar os três reunidos em torno do 1º Encontro Internacional de Escritores em Santos.

Batizado de “Tarrafa Literária”, o evento acontece no histórico Theatro Guarany, bem no centro de Santos.

Precisamente, na Praça dos Andradas, 100, bem no Centro Histórico de Santos.

Por lá vão passar, até segunda-feira, dia 7 de setembro, além dos citados, gente do gabarito de Jeremy Mercer (França), Milton Hatoum, André Laurentino, José Roberto Torero, Jorge Caldeira, Laurentino Gomes, Zuenir Ventura, Theo Roos, Marcia Tiburi, Mona Dorf, Matthew Shirts, Xico Sá, Vladir Lemos, Amyr Klink, Tim Winton e Arthur Depieve.

Ricardo Kotscho eu conheci em 1971, na velha Redação do Estadão, na Rua Major Quedinho, 28, 5º andar. Eu era um projeto de repórter, recém chegado do Interior paulista. Ele, um dos editores de esportes ao lado de Clóvis Rossi e Luiz Carlos Ramos. Todos sob o comando de Ludemberg Teixeira de Góes.

Depois do Estadão, Ricardinho trabalhou, entre outros, na Folha de S. Paulo, no Jornal do Brasil, nas campanhas presidenciais de Lula e com ele nos dois primeiros anos (2003/4) de Palácio do Planalto.

Sempre como “contador de histórias”, como ele gosta de dizer.

E é contando histórias que ele vive desde que deixou Lula e Brasília.

Tem um blogue (http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho), produz uma reportagem por mês para a revista Brasileiros e escreve livros.

Ruy Castro foi meu parceiro na série de espetáculos que ajudei a divulgar nos anos 1990, que levava o nome de um dos livros mais famosos que ele escreveu (Chega de Saudade) e que exibimos no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília.

Heloisa Seixas é mulher de Ruy Castro há 20 anos e autora de livros como Pente de Vênus, A porta, Diário de Perséfone, Através do Vidro, Pérolas absolutas, Uma ilha chamada livro (Contos mínimos – sobre ler, escrever e contar), Sete vidas e Mal de Alzheimer, O lugar escuro.

Os três – Ricardo Kotscho, Ruy Castro e Heloisa Seixas – têm em comum o jornalismo e uma paixão pública e confessa pelos livros.

Mais que isso: pela palavra escrita, pela palavra impressa.

E por que essa paixão pela palavra impressa?

Isso eu explico no próximo texto.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

4/9/2009 22:02:39

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Por quê? (174) Uma pipoca, por favor


Cláudio Amaral

No final do ano passado, trafegando pela avenida da praia, em Santos, senti uma vontade louca de comer pipoca.

Era outubro.

Meados do mês.

Eu estava ao volante do meu Honda Fit, vermelho como uma Ferrari.

Ao meu lado, no banco do passageiro, eu levava o Amigo Mário Evangelista, jornalista como eu.

Comentei, no ato, em voz alta:

- Mário, estou com vontade de comer pipoca.

E ele, para minha surpresa, respondeu:

- Eu também.

Como a vontade era mútua, Mário e eu decidimos buscar um carrinho de pipoca.

Combinamos, então, que eu diminuiria a velocidade do carro e ele procuraria um pipoqueiro.

Não demorou muito e Mário gritou:

- Olha lá. Lá tem um pipoqueiro.

Ele, o pipoqueiro, tinha o carrinho estacionado na esquina da avenida da praia com a Rua da Paz.

Mário pediu que eu parasse o carro e desceu.

Antes, entretanto, combinamos que ele compraria dois saquinhos enquanto eu dava a volta no quarteirão e voltaria para pegá-lo.

Dito e feito.

Voltamos para o Gonzaga Flat, onde vivemos os primeiros 30 dias de Santos e nos deliciamos com a pipoca.

Passados dez, quase 11 meses, Mário e eu relembramos o ocorrido na manhã desta quarta-feira, 2 de setembro de 2009.

Estávamos na sala da casa em que ele mora com a mulher, a filha e a cunhada: Mônica, Marcela e Helô, pela ordem.

Eu havia ido até lá – uma casa grande, na vila existente na esquina das avenidas Epitácio Pessoa e Coronel Montenegro, junto ao Canal 6 – para ver Mário e Mônica, corintiana como eu.

Fui e levei um bom pedaço de bolo preparado pela Dona Cidinha, minha sogra.

Eu vestia a camisa do Timão, que à noite jogaria com o Santos FC e venceria por 2 a 1.

Mário tomou a iniciativa de relembrar nossa aventura em torno da vontade de comer pipoca.

Relembrou e contou em detalhes para Mônica.

Estávamos os três sentados nos sofás da sala e rimos muito.

Rimos muito.

Rimos muito relembrando os bons tempos da pipoca.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

3/9/2009 01:56:58

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Por quê? (173) Em nome da música


Cláudio Amaral

O apartamento em que moro com Sueli, minha eterna namorada, é ótimo; o nosso bairro é agradável e além de tudo tem o nome da minha querida sogra, Aparecida, mas... Santos tem muito mais a nos oferecer.

A Capital da Baixada Santista tem muito mais a nos oferecer aqui na Aparecida, na vizinha Ponta da Praia, no Boqueirão, no Embaré, no glamoroso Gonzaga, na famosa Vila Belmiro... enfim... por todas as partes, em Santos, encontramos atrações dignas das nossas atenções.

Os teatros de Santos, por exemplo, que aos poucos vão sendo recuperados graças às parcerias do poder público municipal com a iniciativa privada, representam algo que deve ser observado e curtido pela população local e regional.

Pois foi num deles, o Coliseu, que Sueli e eu fomos novamente, na noite desta terça-feira, 1º de setembro de 2009, para assistir as apresentações de duas corporações musicais de primeira.

Uma nós já conhecíamos: a Orquestra Sinfônica Municipal de Santos.

A outra, não: a Banda de Música da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea.

Assistimos a duas exibições de encher os olhos, de agradar os ouvidos e de mexer com todos os nossos músculos e sentimentos.

Depois do Hino Nacional, que sempre reaviva nosso patriotismo, a Sinfônica santista nos brindou com a Sinfonia da Ópera O Guarani, de Carlos Gomes.

Foi a primeira vez que ouvi essa obra – a Sinfonia da Ópera O Guarani – na íntegra. Ouvi e gostei. Sueli, também.

Na sequência, os músicos comandados pelo maestro Luís Gustavo Petri, regente titular, nos ofereceram cinco obras lindíssimas de Heitor Villa-Lobos.

Para nos dar um fôlego, ainda que isso não fosse necessário, a organização do Concerto Comemorativo à Semana da Pátria, fez um intervalo de 15 minutos.

Foi mais para que a Sinfônica de Santos desse lugar à Banda da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, integrada por 36 militares e regida pelo subtenente mestre de música Cláudio Roberto Faria.

Dez músicas foram nos oferecidas pela Banda. Uma após a outra. Sem intervalo algum.

Destaques? Sim, tivemos três momentos mágicos, pela ordem: a Canção do Expedicionário, que tem letra de Guilherme de Almeida e música de Spartaco Rossi; os hinos das Forças Armadas e o Hino da Independência, em que Evaristo da Veiga escreveu sobre a música de Dom Pedro I.

No fim da noite e como a platéia pediu mais, fomos todos surpreendidos com uma ordem inesperada do general Nelson Santini Filho, comandante da 1ª Brigada.

Ele se levantou do lugar em que estava, no fundo e no alto da platéia, ao lado direito da esposa Maria Cristina Beraldo Santini, colocou as duas mãos na boca e bradou com voz alta e forte, para que todos ouvíssemos:

- O comando autoriza mais música.

A platéia aplaudiu, logicamente.

Aplaudiu e cantou ao som da Banda da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

2/9/2009 01:35:58

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Por quê? (172) Dez meses


Cláudio Amaral

Hoje, exatamente hoje, dia 1º de setembro de 2009, completam-se dez meses que Sueli e eu ocupamos o apartamento de número 71 do edifício localizado na Avenida Epitácio Pessoa, 555, em Santos.

Estamos no bairro da Aparecida, a 30 metros da Avenida Coronel Montenegro, que tem ao centro o Canal 6 da Capital da Baixada Santista.

Temos uma vista lindíssima do Oceano Atlântico a partir das janelas da sala e de dois dos nossos três dormitórios.

E não poderia ser diferente porque estamos a exatos 742 passos contados, um a um, da areia da praia da Aparecida.

Essa é a distância – 742 passos – que somos “obrigados” a percorrer diariamente entre a porta do nosso apartamento e a areia, logo após atravessarmos a Avenida Bartolomeu de Gusmão, a chamada “avenida da orla santista”.

Sueli foi quem escolheu esse apartamento e negociou o aluguel e todas as condições com o proprietário, o Sr. Nelson Fabretti, que na época morava em Santo André, no ABC paulista.

O Sr. Nelson não está mais entre nós, infelizmente. E desde junho nós nos entendemos com a viúva, Sra. Filomena.

Ficamos tristes, muito tristes, com o falecimento do Sr. Nelson. Mandamos até celebrar missa de sétimo dia em intenção da alma dele, mas nem por isso perdemos o gosto pelo apartamento que ele nos confiou.

Nem pelo apartamento, nem pelo bairro Aparecida, nem por Santos.

Até porque o apartamento é espaçoso o suficiente para recebemos quase todo fim de semana e feriados prolongados pessoas queridas como a filha Cláudia, o genro Márcio e nossa princesa Beatriz.

Dona Cidinha, a mãe de Sueli, também está aqui conosco desde as primeiras semanas. Desde que aqui morava o Amigo Mário Evangelista, jornalista como eu e companheiro de tantas e tantas jornadas, que hoje – com a mulher Mônica e a filha Marcela – habita uma casa grande e confortável do condomínio localizado bem em frente ao nosso prédio.

Inicialmente, Dona Cidinha ficou conosco. Mas, depois que teve certeza de que queria trocar Marília, no interior paulista, por Santos, aqui no litoral, alugou um apartamento só para ela, o 63, que fica um andar abaixo, no mesmo prédio.

E é assim que nós vamos vivendo nossa nova vida, desde que deixamos a casa da Aclimação, em São Paulo, quase que integralmente para os filhos Flávio e Mauro: caminhando na praia, fazendo nossas orações com os pés nas águas do Oceano Atlântico, frequentando as salas de ginástica e de leitura, o teatro e o restaurante do Sesc (o único de Santos), assistindo brilhantes apresentações de nossas orquestras na Praia do Gonzaga (Osesp) e no Coliseu (Sinfônica Municipal), participando das celebrações na Catedral e nas paróquias da região (especialmente no Sagrado Coração de Jesus), almoçando e jantando com os amigos de Santos e de São Paulo.

Tendo sempre como base o apartamento 71.

O apartamento de onde a pequena e querida Beatriz aprendeu a admirar o “marzarzão” e a ver com alegria sem igual os “navisãos”, como ela diz.

Sempre.

Há exatos dez meses.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, repórter, editor, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação empresarial e institucional.

1/9/2009 00:11:48