quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Por quê? (333) – Professor Lapa, Historiador



Cláudio Amaral

Depois que passamos de 40 anos de vida profissional e estamos prestes a completar 64 anos bem vividos, nossas lembranças são tantas que se torna difícil agradecer a todos aqueles que um dia nos ajudaram a subir um único degrau que seja.

Comecei a trabalhar com seis anos de idade e passei a exercer a profissão de Jornalista no dia 1º. de maio de 1968, graças a boa-vontade de Hirigino Camargo, diretor responsável pelo Jornal do Comércio de Marília (SP) e meu primeiro Mestre.

Em seguida, e também por obra dele, fui proposto e aceito como correspondente do Estadão na Cidade Símbolo de Amor e Liberdade (Marília, claro). E foi lá, igualmente, que vim a conhecer um jovem professor e historiador em começo de carreira.

Lembro-me até hoje, 43 anos passados, da aventura que foi entrevistar José Roberto do Amaral Lapa, que em 1970 estava ligado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília.

O Professor Lapa, como era chamado por todos – entre alunos, amigos, funcionários e outros professores da FFCL-M – era o coordenador de um seminário sobre História. E lá fui eu, num prédio amplo e bem reformado, que ficava logo após o Yara Clube de Marília.

Conversamos por horas, numa tarde de um dia qualquer de meio de semana. Voltei para a redação, apressado e preocupado com o encerramento da edição do dia seguinte do JC, que Mestre Irigino sempre deixava nas minhas mãos, apesar da pouca experiência (mal sabia eu que, antes de a máquina plana ser posta para rodar os exemplares do dia seguinte, ele, o chefe, lia cada linha de cada notícia).

Encerrada a edição do único diário mariliense que circulava em duas cores (preto e vermelho sobre o papel branco/amarelado), minha missão era produzir e transmitir meus textos para o Estadão, onde outro Mestre, Eduardo Martins, Editor de Interior, esperava pelas minhas reportagens previamente pautadas até 22 horas.

Escrevi bastante naquele dia. Ou pelo menos mais do que o normal. Peguei o telefone, pedi para a telefonista Roseli (amiga de longa data da minha então namorada) que me ligasse para o 256-3133 em São Paulo, chamei pelo Geraldo, um dos mais rápidos datilógrafos das cabines, e ditei palavra por palavra, vírgula por vírgula, pontos e parágrafos. Eu ditava e ele dizia: “Mais rápido, mais rápido…”.

Anos depois, quando eu já havia sido transferido para a sede, em São Paulo, com breve passagem por Campinas, voltei a me encontrar com o Professor Amaral Lapa na sede do Estadão. Entre apertos de mãos e abraços saudosos, levei-o até a Redação do 5º. andar da Rua Major Quedinho, 28, no centro da Capital paulista. E lá o apresentei a Eduardo Martins. Disse que aquele era o Professor de História que entrevistei em Marília e, depois dos detalhes que achei necessários, Edu, então meu Chefe de Reportagem falou:

- Por causa de vocês dois eu levei uma bronca sem tamanho do Dr. Julinho (Júlio de Mesquita Neto) no mesmo dia em que a reportagem foi publicada. E o tempo só não fechou para o meu lado porque você, Cláudio, tinha detalhado a pauta que me mandou na véspera (via Raul Martins Bastos, o chefe dos correspondentes). Só assim consegui convencer o nosso Diretor Responsável que o Professor Amaral Lapa era um historiador de renome e que estava em Marília de passagem.

Demos muitas risadas e o Professor se foi. E foi para sempre. Jamais voltei a vê-lo. E só fui ter lembranças dele, concretamente, neste ano, quando ingressei no curso de Licenciatura em História na FMU. Isto porque o nome dele sempre aparecia nas citações bibliográficas de uma ou outra apostila preparada pelos meus mestres de agora.

No dia 22/10/2013, terça-feira desta semana, depois de muitas ameaças, entrei no Google e digitei: Amaral Lapa. E logo veio um número infindável de arquivos. Entrei num dos sites recomendados (http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com.br/2009/06/efemeride-jose-roberto-do-amaral-lapa.html) e dei de cara com recortes de notícias a respeito dele. Todas do Correio Popular e do Diário do Povo de Campinas, edições do ano 2000. E só assim tive um novo contato com o Professor Lapa. E só então fiquei sabendo que ele se foi – e desta vez para sempre – no dia 19/6/2000.

Amaral Lapa estava aposentado como Professor da Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas. Pelo que lá está escrito, ele foi de uma vez, de infarto, aos 70 anos. E mais: foi velado e sepultado em meio a muito carinho, respeito e admiração de alunos, orientandos, professores e familiares.

Embora triste, agradecido estou – e sempre estarei – ao Professor José Roberto do Amaral Lapa. Professor e Historiador, como eu pretendo ser daqui a alguns poucos anos de FMU.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


23/10/2013 19:15:49 (pelo horário de Verão no Brasil)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Por quê? (332) – Aos Mestres com carinho e gratidão


Cláudio Amaral

Neste Dia do Professor, lembro-me que meus primeiros Mestres foram meus pais: Wanda e Lázaro Alves do Amaral. Eles não tiveram o privilégio de me ensinar o beabá, as primeiras letras, as palavras elementares, mas foram os responsáveis por algo muito mais importante: me deram a vida e mostraram-me como vivê-la, com dignidade, honestidade e respeito ao próximo, principalmente. A partir disso, tudo foi mais fácil nestes meus quase 64 anos.

Foi guiado e orientado pelos meus pais que comecei a trabalhar aos seis anos de idade e assim fui até os 60. Sempre com muita dedicação, aplicação e responsabilidade.

Também aos seis anos conheci minha primeira Professora, Dona Esther, num grupo escolar estadual do bairro Moinho Velho, em São Paulo. Depois, com a volta da família para minha cidade natal, Adamantina, no Interior paulista, passei a frequentar o 1º. Grupo Escolar local. Em seguida, o Ateneu Bento da Silva, o Instituto Educacional e o Colégio Helen Keller, onde completei o Ginasial.

De mudança para Marilia e com emprego fixo no Jornal do Comércio, frequentei o Colégio Cristo Rei. Mas foi com Irigino Camargo, meu primeiro Mestre em Jornalismo, que  mais aprendi.

Em Campinas, para onde fui transferido pelo Estadão, não tive tempo para conhecer novos bancos escolares, nem outros Professores. Mesmo assim, aprendi muito com Mestre Mário Erbolato.

Só quando o Estadão me trouxe para São Paulo é que voltei a ter contato com os Mestres. O saudoso Eduardo Martins, meu ex-Editor de Interior e na época (1971), chefe de Reportagem, foi quem mais me ensinou no Jornalismo. Ele era um cidadão educado, mas firme. Sabia ensinar e se impor. Sem grosseria, nem agressividade. Era autoridade sem ser autoritário.

Tive outros Mestres ao longo da carreira profissional, mas me recordo sem esforço algum de Emerson Araújo (que me ensinou Matemática e Física no Instituto Monitor de São Paulo), de Edmar Torres Júnior (que me desvendou os segredos da calculadora científica) e de Carlos Alberto Di Franco (diretor do Master em Jornalismo para Editores, no IICS – Instituto Internacional de Comunicação Social, onde fiz meu Mestrado em Jornalismo, em 2003).

Foi também no IICS que conheci Mestres e Colegas dos quais jamais me esquecerei. E o mesmo vem acontecendo agora, dez anos depois, na FMU/Liberdade/SP, onde busco minha licenciatura em História desde 1º./2/2013. Lá tenho o prazer de conviver com os Professores André Oliva Teixeira Mendes, Edson Violim Júnior, Yara Cristina Gabriel, Leandro de Proença Lopes, Flávio Luís Rodrigues, Osvaldo Cleber Cecheti, Denise Canal, Silvia Cristina Lambert Siriani, Carlos Vismara e Maria Cecília Martinez.

Mas não é apenas nos bancos escolares e nas redações que me deparei com Mestres inesquecíveis. É na vida, principalmente. É em casa, também. Na casa dos meus pais, dos meus avós, do meu sogro e da minha sogra, da minha própria família (ao lado de Sueli, Professora por formação) e ainda na convivência com os Amigos (tantos que seria impossível citar cada um). Aos meus filhos, igualmente, devo muitos aprendizados.

Com todos eles foi possível aprender. Mais com alguns, menos com outros, mas cada um me deu bons e inesquecíveis exemplos, ensinamentos e lições.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968 e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


14/10/2013 23:24:11