quarta-feira, 30 de março de 2016

Por quê? (358) – Escola de Caligrafia?


Cláudio Amaral

Você, caro e-leitor, sabia que existe uma Escola de Caligrafia em São Paulo?

Eu sabia, mas não me lembrava. Recordei agora, exatamente no meio da tarde chuvosa desta terça-feira (29/3/2016), enquanto aguardo a visita de um técnico especializado em instalação de tevê a cabo e telefone.

E como se deu essa minha lembrança? Acredite: lendo um jornal-revista em papel, exatamente no momento em que os impressos, especialmente jornais e revistas, estão acabando, por conta do avanço das publicações via Internet.

Trata-se de piauí 113, edição de fevereiro deste ano, que comprei e levei para ler durante as férias nos Estados Unidos, onde estive entre 14/2 e 4/3.

Levei mas não li. Afinal, fiquei ocupado com as brincadeiras dos netinhos Murilo (6 anos) e Beatriz (8), com a leitura de livros e as poucas saídas com a Filha, o Genro e o irmão dele. Fomos três vezes a Washington, ora para ver hóquei sobre patins e basquete universitário no Verizon Center (http://www.verizoncenter.net), ora para conhecer por dentro o campus principal da Georgetown University (https://www.georgetown.edu).

De volta ao Brasil, peguei a piauí e tenho lido aos poucos, texto por texto. Até que hoje cheguei à página 15 e ao texto CONSCIÊNCIA DO TRAÇO – Uma escola paulistana de caligrafia.

Por essa reportagem fiquei sabendo da existência “da centenária Escola de Caligrafia De Franco”, fundada em 1915 pelo Professor Antônio De Franco.

Instalada na Zona Oeste da Capital paulista, a escola é dirigida pelo neto do fundador, o também Professor Flávio José De Franco Júnior.

Segundo a autora do texto em questão, Ana Lima Cecilio, o Professor De Franco Júnior “é um homem alto, de 58 anos e cabelos brancos”. Ele “fala com voz grave e se veste de maneira sóbria”, detalhes só observados por repórter muito observador e daqueles que sempre procurei imitar, desde que optei pela profissão de Jornalista, em 1º de maio de 1968.

Outro detalhe bem observado por Ana Lima Cecilio: a Escola de Caligrafia De Franco tem 120 alunos matriculados. São aprendizes que buscam a instituição “atrás de volteios da letra inglesa manuscrita tipo comercial moderna, a base do curso”.

Ainda de acordo com as explicações do diretor, essa escrita “é uma das mais simples” e que “dá ao estudante a consciência do traço”. E depois? “Depois ele pode escrever o que quiser”.

Nunca tive o privilégio de entrevistar o Professor De Franco, o avô. Mas lembro-me bem dele dos meus bons tempos de repórter do Estadão. Era nas páginas do então maior e melhor diário do Brasil que ele publicava pequenos anúncios em busca de novos alunos.

Mais uma que aprendi nas páginas 15 e 16 de piauí: o fundador da Escola de Caligrafia De Franco “aprendeu a arte caligráfica com a mãe, uma italiana da região de Vêneto que veio solteira para o Brasil e se casou com um conterrâneo que achou por aqui por volta de 1890”.

Hoje, segundo o neto, “a técnica ali ensinada continua importante”.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


29/03/2016 23:10:40 (pelo horário de Brasília) 

quinta-feira, 3 de março de 2016

Por quê? (357) – O Jornalista mais premiado do Brasil


Cláudio Amaral

Tal qual O Esquife do Caudilho, de autoria do Jornalista e Amigo Daniel Pereira, o livro que acabo de ler – O Jornalista mais premiado do Brasil, escrito pelo também Jornalista e Amigo Arnon Gomes – me remeteu a uma longa série de acontecimentos que vivi.

Biografia do Jornalista José Hamilton Ribeiro, O Jornalista mais premiado do Brasil é um trabalho tão minucioso, detalhado e cuidadoso quanto O Esquife do Caudilho.

Entre um e outro existem muitas diferenças, embora ambos possam ser colocados na mesma categoria: livros de memórias. No primeiro (O Esquife do Caudilho) as lembranças são do próprio autor (Daniel Pereira). No segundo (O Jornalista mais premiado do Brasil) o autor (Arnon Gomes) conta a vida e as riquíssimas aventuras de José Hamilton Ribeiro.

Estive no lançamento das duas publicações, em São Paulo. Mas em ambos os casos me ocupei da leitura em outra localidade: li durante minha estada em Ashburn Village, na Virginia, neste final de Inverno da Costa Leste dos EUA, enquanto o Verão torrava as cabeças dos meus conterrâneos, na Capital paulista.

Daniel Pereira é um conhecido de muito tempo. O conheço desde o século passado. Enquanto que com Arnon Gomes meu relacionamento é mais recente, de 2005. Ambos, entretanto, são Amigos e Jornalistas da maior competência.

Meus primeiros contatos com Arnon aconteceram quando eu era responsável pela seleção de novos profissionais para o diário Comércio da Franca (SP). E este foi o caso dele, com quem falei por telefone numa noite quente, tanto em Franca, quanto em Santos, onde ele morava. Nossa negociação foi tão rápida, que em meia hora Arnon estava dentro do ônibus que o conduziria a Franca. Mal teve tempo de se comunicar com os familiares mais próximos e na manhã seguinte já estava à minha frente, na rodoviária da cidade em que iria trabalhar.

A passagem dele pelo diário mais importante daquela região foi um êxito tão grande, que logo ele foi “roubado” pela Folha da Região de Araçatuba, na qual trabalha até hoje (março de 2016).

Êxito, também, Arnon conseguiu na produção e lançamento de um projeto antigo, dos bons tempos de Universidade Santa Cecília, em Santos: a biografia de José Hamilton Ribeiro.

Neste livro o Jornalista Arnon Gomes nos apresenta um texto impecável e demonstra igual competência na apuração dos fatos relacionados à vida de Zé Hamilton. Uma apuração e um relato dos mais difíceis. Exatamente porque o biografado tem mais de 60 anos de carreira e – apesar de se dizer, com orgulho, um caipira do Interior paulista – viajou muito pelo Brasil e pelo mundo. Sempre a trabalho e em missões das mais arriscadas, como a Guerra do Vietnã, em 1968, quando perdeu a perna esquerda ao pisar numa mina.

Nunca trabalhei com Zé Hamilton. Fiz alguns poucos contatos com ele nos meus tempos de Gerente de Redação da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, onde tivemos um Amigo e colega de trabalho em comum: Almyr Gajardoni, citado na página 33.

Mas o detalhado relato de Arnon Gomes em O Jornalista mais premiado do Brasil me fez lembrar meus bons tempos de Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo; de Mario Mazzei Guimarães (1914-2012), citado também na 33 e 202, entre outras; daquela figura que Daniel Pereira chama de “veneranda” em O Esquife do Caudilho (página 59); do meu bom e saudoso Amigo Anselmo Scarano (1919-2006), que nos tempos de repórter em Marília me dizia: “quem tem um não tem nenhum”, como está na página 61; das muitas reportagens médico-científicas que fiz em Franca (página 62, por exemplo); as dificuldades que tive para entrevistar Gerson, “o canhotinha de ouro”, nos tempos em que ele jogou no SPFC (tal qual Zé Hamilton teve com Chico Buarque, página 66, e Gay Talese com Frank Sinatra); Zuenir Ventura (página 112) e a famosa frase que ele cunhou – 1968, o ano que não acabou – e que uso na abertura deste meu blogue, por ser exatamente o ano do início de minha carreira como repórter; o Amigo Eduardo Ribeiro, idealizador e editor do Jornalistas & Cia. (página 134, entre outras); a discussão em torno da obrigatoriedade ou não de diploma para exercício da profissão de Jornalista (página 137); a preferência de Zé Hamilton pela reportagem, mesmo quando em posto de chefia, como fiz, por exemplo, quando diretor de Redação do diário O Estado de MS, em Campo Grande (MS), e Editor-Executivo d’A Tribuna de Santos; as referências ao Amigo Ethevaldo Siqueira (página 153), com quem trabalhei no Estadão; igualmente ao histórico fim do jejum de títulos do meu Corinthians, em 1977, assim como a Osmar Santos, meu Amigo e colega na Rádio Verinha, em Marília (página 155); às aulas de História do Brasil que tive na FMU, entre 2013 e 2015, com a Professora Silvia Siriani (página 168).

Outra questão importante que me remeteu ao passado, nos relatos de Arnon Gomes, em O Jornalista mais premiado do Brasil, está na página 201. Ali há referência aos “cabelos brancos” de Zé Hamilton e ao fato de que isso não o impede de aparecer no vídeo, na TV Globo. Exatamente como no episódio que levou a cubana Bonnie Anderson, minha Professora no Master em Jornalismo – Turma de 2003, a se demitir da vice-presidência da CNN quando a direção quis que ela substituísse os antigos apresentadores da emissora de Atlanta (EUA) e em seus lugares colocasse jovens, bonitos e elegantes, mas nem sempre experientes e competentes.

Mais uma coincidência que me alegrou em O Jornalista mais premiado do Brasil: Zé Hamilton é, como eu, morador da Aclimação, para mim “o bairro mais agradável de São Paulo”.

Para finalizar, uma vez que esta crônica também está passando dos limites, tal qual na anterior: quantos de nós não gostaríamos de ter uma carreira tão brilhante como a de José Hamilton Ribeiro? E mais: de ter trabalhado em revistas como a histórica Realidade? Mais uma: e de ter o privilégio que tem Arnon Gomes de conviver, privar da Amizade e de escrever a biografia d’O Jornalista mais premiado do Brasil?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


03/03/2016 09:23:31  (pelo horário de Inverno da Costa Leste dos EUA, onde estamos duas horas antes do horário de Brasília)