quinta-feira, 24 de abril de 2014

Por quê? (340) – O Patriarca está em casa




Cláudio Amaral

Minha biblioteca está temporariamente mais rica. Temporariamente porque os cinco livros que aqui entraram na tarde desta quarta-feira, 23/4/2014, não são meus. São do meu Amigo e Compadre Carlos Conde, Editor-chefe do diário A Tribuna de Santos.

São todos ligados à figura do Patriarca da Independência do Brasil, José Bonifácio de Andrada e Silva (foto), que tem sido figura constante nas minhas aulas de Brasil Colonial, na FMU/Campus Liberdade/SP, com a Professora Silvia Cristina Lambert Siriani.

Por conta disso, e como estou me preparando para ser Historiador, além de Jornalista, resolvi buscar informações as mais detalhadas possíveis sobre a vida de José Bonifácio.

Sabendo que ele nasceu em Santos, onde trabalhei por um bom tempo, fui consultar quem também é nascido lá e para a Capital da Baixada voltou depois de rodar o mundo a serviço de grandes jornais. Entre eles, O Estado de S. Paulo, onde nos conhecemos nos anos 1970.

Carlos Conde respondeu de imediato minha consulta a respeito de José Bonifácio e para mim separou cinco dos melhores livros que tem a respeito daquele que foi braço forte de D. Pedro I quando da Proclamação da Independência do Brasil.

Menos de 24 horas após ser comunicado por telefone que os livros estavam à minha disposição, lá fui eu, de Metrô, para o bairro paulistano de Perdizes, na zona oeste da capital paulista.

Lygia Conde, a filha do meu Amigo e Compadre, mora num local privilegiado, ao lado da PUC, na Rua João Ramalho. E foi lá que peguei estes cinco livros:

1)   José Bonifácio e a unidade nacional, de autoria de Therezinha de Castro, geógrafa do Instituto Brasileiro de Geografia e professora de Geo-História da Faculdade de Humanidades Pedro II e de História do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. A obra é da Record e de 1972.

2)   José Bonifácio e a História dos Fundadores do Brasil, por Octávio Tarquínio de Sousa (1889-1959), historiador também formado em Direito. Esta publicação saiu em 1988 pela Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo (USP).

3)   José Bonifácio de Andrada e Silva – Projetos para o Brasil, sob a organização de Miriam Dolhnikoff, pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e autora do Atlas de História do Brasil (1993). A obra foi editada pela Companhia das Letras em 1998.

4)   Construção da nação e escravidão no pensamento de José Bonifácio – 1783-1823, de Ana Rosa Cloclet da Silva, historiadora pela Universidade Estadual de Campinas. Trata-se de um livro editado pela Editora da Unicamp em 1999.

5)   José Bonifácio, primeiro Chanceler do Brasil, por João Alfredo dos Anjos, formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, diplomata pelo Instituto Rio Branco e historiador pela Universidade Federal de Pernambuco. Esta obra foi editada em 2008 pela Fundação Alexandre de Gusmão.

Agora só me resta esperar pelo fim do terceiro semestre de Licenciatura em História na FMU para ter tempo de me dedicar à leitura de tais obras.

Será uma leitura das mais prazerosas, com certeza. E produtiva, também, com mais certeza ainda.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


24/04/2014 00:07:50

sábado, 19 de abril de 2014

Por quê? (339) – A alegria de morar aqui…


Cláudio Amaral

Morar bem é um privilégio. Um privilégio que poucos podem dizer que têm. E eu sou um deles. Eu, minha Sueli, nossos filhos… Nossos netos, também, por que não?

Vivo dizendo – sim, vivo dizendo, por que não admitir? – que gostaria de viver num apartamento. De preferência, num apê dos menores. Um apê tipo daquele que morei a partir do início de setembro de 1971, quando Sueli e eu nos casamos.

Nosso primeiro apartamento ficava num prédio situado quase no final da Rua Nicolau de Souza Queiroz, na Aclimação. Era minúsculo. Não passava de 40 metros quadrados e nem garagem tinha.

Mas, também, se não tínhamos carro, por que iríamos querer garagem.

Na época – setembro de 1971, repito – eu me deslocava pela manhã até a Rua Major Quedinho, no centro velho de São Paulo, e de lá voltava, tarde da noite, usando os ônibus elétricos da CMTC. Eram os famosos “chifrudos”, assim apelidados porque tinham dois mastros saindo da parte traseira e ligando os motores à rede aérea de energia elétrica.

E a aqueles que perguntavam do meu carro eu respondia: Carro? Para quê eu quero carro, se posso ir e vir com a vantagem de ter motorista – no caso, condutor – particular?

Era muito divertido apreciar a cara de espanto dos meus colegas de reportagens, fossem eles do Estadão, onde eu trabalhava, ou de qualquer outro jornal ou rádio ou televisão. Site, não, porque naquela época não havia Internet.

Da Rua Nicolau de Souza Queiroz a família, que já havia crescido, se mudou para uma moradia própria na Rua Machado de Assis, ainda na Aclimação. E de lá, anos depois, viemos para nossa atual moradia, na Rua Gregório Serrão.

Moramos inicialmente de aluguel, mas logo compramos a casa. Uma moradia ampla, com três pavimentos e acomodações para todos: o casal e os três filhos.

E a aqueles que perguntam pelo meu endereço, explico, invariavelmente: vivo na Aclimação, uma pequena cidade do interior, nas proximidades do centro da maior cidade do País.

Digo isso e por dentro, sem que eles percebam, dou risadas – ou melhor, gargalhadas –, imaginando a inveja que sentem. E hoje, exatamente hoje, dia 19 de abril de 2014, penso que sentiriam – ou sentirão? – inveja maior ainda. Afinal, fui acordado por um passarinho, logo cedo, cedinho.

Meu relógio de cabeceira não marcava nem seis horas da manhã quando tal figurinha se alojou do lado de fora da minha janela e se pôs a cantar. Minha alegria foi indescritível. Nem abrir a janela eu tive coragem. Não queria espantá-lo. Não desejava incomodá-lo.

Horas depois, quando passava das 15h30, terminei a leitura do Estadão do dia, me levantei, afastei a cadeira da mesa da sala e olhei pela janela. E lá estavam dois passarinhos. Haviam se acomodados no muro que separa minha casa do prédio ao lado, o “espigão” construído na esquina das ruas Gregório Serrão e Machado de Assis. Nem me mexi. Nem abri a boca. Agradeci a Deus – mentalmente – pelo privilégio de morar aqui, de estar vivo, com saúde e de poder apreciar o dia maravilhoso que faz hoje.

Por fim, fiz um pedido, desta vez de viva voz: queria que eles, os dois, viessem até a soleira da janela da sala. E, sem medo, até porque sou do Bem e da Paz, viessem cantar prá mim. Do mesmo jeito que um deles, seja lá qual for, cantou pela manhã, na janela do meu quarto.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


19/04/2014 16:23:46

domingo, 6 de abril de 2014

Por quê? (338) – José Arnaldo 92


Cláudio Amaral

Se vivo estivesse, o Jornalista e Pracinha José Padilla Bravos, o José Arnaldo, estaria a completar neste 7 de abril de 2014 exatos 92 anos.

Sim, não se trata de uma idade cheia. Algo como 50, 80 ou 100 anos.

Mas, por que seria preciso uma data cheia para falarmos de alguém que nos provoca tantas saudades como José Arnaldo?

E por que, você, caro e-leitor, pensa que estou a escrever a respeito do pai da minha Sueli, ou seja, do meu sogro, marido de Dona Cidinha por mais de 50 anos?

É simples: escrevo porque entendo que ele merece e pela simples razão de que precisa ser lembrado sempre.

Especialmente agora quando a cidade que ele mais amou, Marília, acaba de completar 85 anos de emancipação política e administrativa.

Exatamente: José Arnaldo teria neste sete de abril de 2014 sete anos a mais do que a querida “Cidade Menina”, como ele gostava de escrever a respeito de Marília.

E como ele gostava de escrever bem de Marília.

E como ele ficava nervoso, raivoso, quando alguém criticava Marília.

Ele, José Arnaldo, podia falar criticar Marília. Outra pessoa, não. Fosse quem fosse.

José Arnaldo criticou – e muito – os políticos de Marília. Muitos políticos. “Meteu o pau”, como ele dizia, em vereadores, prefeitos e deputados.

Fez campanha contra todos que trabalhavam sem levar em consideração os interesses de Marília. Especialmente no caso dos eleitores que votavam em candidatos de fora, fossem eles concorrentes à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ou pretendentes a uma cadeira no Congresso Nacional, em Brasília.

José Arnaldo queria todos os marilienses votando em candidatos locais. Estes nem precisavam ter nascidos em Marília, como ele não veio ao mundo em território mariliense, mas tinham, obrigatoriamente, que ter uma vida pública inteiramente dedicada aos interesses da “Capital da Alta Paulista”, outra expressão preferida por ele.

E José Arnaldo tanto fez que conseguiu ver políticos de Marília tanto no Palácio 9 de Julho, em São Paulo, como no Congresso Nacional, em Brasília. Entre eles, os Amigos Diogo Nomura, Aniz Badra e Oswaldo Doretto Campanari, que representaram Marília tanto na Capital paulista quanto na Capital Federal.

José Arnaldo tinha cara de bravo. Era visto por muitos como carrancudo e sem senso de humor.

Mas os Amigos dele – eu, como genro – podemos garantir que não era sempre assim. Ele sabia ser sorridente, contar causos e piadas. Sabia mais: escrevia como poucos. E escrevia muito bem.

José Arnaldo tinha um carinho especial pela esposa Cidinha (agora com quase 86 anos) e pelos filhos, todos os filhos, mas especialmente pelas “meninas”, como ele gostava de se referir às duas filhas: Sueli e Salete.

Ele morreu cedo. Ou bem mais cedo do que nós todos gostaríamos. Nos deixou a 15 de agosto de 1999, aos 77 anos, após ter escrito por mais de 40 anos em defesa de Marília e dos interesses locais nas páginas do Correio de Marília.

Costumo dizer – e escrever, sempre que tenho oportunidade – que José Arnaldo foi “o mais mariliense de todos os marilienses”. E mais: tenho provas e mais provas de que ele foi, além de um bairrista, um brasileiro como poucos. Muito poucos.

José Arnaldo conheceu todos os 16 netos, mas ao nos deixar tinha apenas um bisneto: o Rafael, filho do André Guilherme, que havia nascido também num dia 7 de abril, em 1997. Infelizmente, ele não não teve o privilégio de conhecer outros nove bisnetos: Laura (filha de Rogério e Cilene, que vivem em Orlando, na Flórida, EUA), José (da Paula e do José, que vivem em Barueiri/SP), Gabriel e Mayara (da Betânia, que vive em Brasília), Anderson (da Maíra, que vive em Chicago, nos EUA), Laura (filha do Bruno, que vive em SP), Bruna (da Thaís e Marcos, que também vivem em SP),  Beatriz e Murilo (da Cláudia e do Márcio, que vivem em Ashburn Village, Virgínia, EUA).

Imagino, cá comigo, o quanto José Arnaldo se divertiria e daria risadas e mais risadas diante das brincadeiras dos bisnetos. Posso garantir que ele daria até gargalhadas. Muitas gargalhadas.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


06/04/2014 10:33:44