sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Por quê? (149) Santos amanheceu triste


Cláudio Amaral

Dizem por aqui que o Santos Futebol Clube é o termômetro da cidade.

Mais que isso:

- Quando o Santos FC ganha, a cidade fica alegre, segundo um motorista de táxi.

- E quando o Santos perde?, perguntei a ele.

- A cidade amanhece triste, ele me respondeu.

Pelo sim, pelo não... sinto que Santos, a “Capital da Baixada Paulista”, amanheceu triste.

Na praia, na padaria, na banca de jornais e revistas, no supermercado, enfim, por todos os lugares por onde circulei nesta manhã de sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009, as pessoas me pareceram cabisbaixas.

Muitas estavam carrancudas.

A maioria, pouco afeitas ao diálogo.

E não é assim que o povo de Santos costuma ser.

O povo de Santos é sorridente, solícito, cordial, amável e prestativo.

“Boa gente” ou “gente boa” seria a melhor definição para quem vive por aqui há muito tempo.

Ao volante, a história é outra.

Mas, em geral, estamos sempre ouvindo “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, “com licença”, “por favor”, “seja bem-vindo”, “agradecido”.

O povo santista é assim.

Tem lá os seus “defeitinhos”, como todos nós temos.

Hoje, entretanto, sinto que eles, os santistas que torcem pelo Santos FC, estão contrariados.

E não é para menos.

Afinal, o Santos FC perdeu para o meu Marília Atlético Clube, o MAC, ontem à noite, em Marília, por 1 a 0.

Para piorar a situação, o MAC não havia feito um gol sequer no “Abreusão” neste Campeonato Paulista.

O MAC também não havia vencido um jogo sequer.

Havia conquistado apenas dois pontinhos magros e suados, em dois empates.

E o Santos FC precisava vencer para se aproximar, novamente, do G-4, o grupo dos quatro times que se classificarão para o quadrangular final do Paulistão 2009.

Para completar, Santos amanheceu nublado, cinza, sem os raios solares de quase todos os dias do ano.

Ou seja: tudo contribui para que o povo de Santos esteja triste nesta sexta-feira, 13.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

13/2/2009 10:56:26

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Por quê? (148) Eu a vi na missa, nas palavras de Beatriz...


Cláudio Amaral

A dúvida cruel persiste: devo torcer para o tempo correr ou passar bem devagar?

Se o tempo correr, ela volta logo; se os dias passarem bem devagar, ela aproveita mais e melhor a viagem à Itália.

Enquanto eu não me decido, fico a lembrar dela, a pensar nela.

Entrei na capela das Irmãs da Visitação, quase 8 horas da manhã de domingo e a vi ao meu lado.

Cantei as músicas da celebração e a ouvi cantar comigo.

Rezei o “Pai Nosso que estais no Céu...” e ela rezou comigo.

Acompanhei a primeira e a segunda leituras e ela acompanhou comigo.

Em tudo, tudo, ela estava comigo, cantava comigo, rezava comigo, sempre comigo, sempre ao meu lado, como sempre.

Como se isso não bastasse, todas as pessoas conhecidas me perguntavam dela.

- Como, pensei, se ela está comigo, sempre ao meu lado?

Da capela, na Vila Mariana, rumei para o condomínio em que moram minhas filha e netinha, mais meu genro, no Alto do Ipiranga.

Mais uma vez, ela parecia estar comigo, ao meu lado, no banco direito do nosso Honda Fiat vermelho como uma Ferrari.

Parecia estar?

Por instantes, jurei que ela estava, como sempre esteve.

No Condomínio Santa Cruz, onde fiquei por cerca de 5 horas, tudo me lembrava ela. Tudo.

Be(bê)atriz, por exemplo, falava o tempo todo algo muito parecido com “vovó”.

E cada vez que essa palavrinha mágica era repetida pela nossa pequena de quase 20 meses, meu coração apertava mais. Mais e mais.

O mesmo acontecia quando as amigas e os amigos perguntavam por ela.

- Como, pensei novamente, se ela está comigo, sempre ao meu lado?

Ah, meu Deus: que dúvida cruel.

Mais uma dúvida.

Afinal, ela está ou não está ao meu lado?

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

11/02/2009 00:16:26

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Por quê? (147) Eu a vi dedilhando


Cláudio Amaral

Dormi da uma hora da madrugada às 7h30 da manhã, neste domingo, 8 de fevereiro de 2009.

Dormi bem.

Dormi gostoso.

Um sono suave, tranquilo.

Fui acordado por uma ligação via celular.

Meu genro me convidava para o café da manhã no apartamento que ele vive com minhas filha e netinha, na Chácara Santa Cruz, proximidades do Metrô Alto do Ipiranga.

Um convite apetitoso, sem dúvida.

Mesmo assim, decidi por ir assistir, antes, a celebração da missa na capela das Irmãs da Visitação, na Rua Dona Ignácia Uchoa, na Vila Mariana.

Levantei, me preparei e desci para a sala.

Passo a passo, degrau por degrau.

Antes que a escada terminasse, parei para admirar o piano que para ela comprei há muitos anos.

Parei e fiquei a me lembrar das músicas que ela dedilhou para mim desde que o Piano Brasil chegou ao nosso lar.

Foram canções do repertório da música popular brasileira.

Músicas que ela aprendeu ainda solteira, em Marília.

Músicas que ela estudou nos últimos anos, depois que o coração dela se alegrou com o presente.

Músicas que ela estudou em São Paulo e em Franca, antes e depois de nossos meses de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul.

Relembrei tudo isso e fiquei feliz.

E feliz eu fui para a igreja.

Fui pensando que agora só faltam 18 dias para a volta dela da Itália.

Dias que eu contarei, um a um, como quando criança eu contava carneirinhos para dormir.

Dias sobre os quais eu tenho uma dúvida cruel: quero que passem bem depressa, para que ela volte logo, ou bem devagar, para que ela aproveite bem a viagem que tanto desejou fazer?

Ah, meu Deus: que dúvida cruel.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

08/02/2009 23:54:13

Por quê? (146) Ela está em tudo


Cláudio Amaral

É sábado, 7 de fevereiro de 2009.

Deixo a Redação de A Tribuna por volta das 10 horas da noite, sigo em frente pela Rua João Pessoa e vou terminar minha viagem, uma hora depois, na Rua Gregório Serrão, em São Paulo.

Se não fossem as curvas da estrada de Santos, construída em torno da Serra do Mar, eu teria feito 75 quilômetros numa reta só.

Chego em casa, minha residência na Capital paulista, e a vejo toda apagada, mergulhada numa escuridão de dar medo.

É neste exato momento que ela me vem à mente.

Crio coragem, aperto o botão do abridor automático e entro na garagem.

Entro e dou de cara com ela.

Abro a porta da garagem para a varanda e... lá está ela.

Ao abrir a porta da varanda para a sala... mais uma vez... lá está ela.

Ela está em tudo o que eu posso ver: na cozinha, na escada que me leva à ala íntima da casa, no nosso quarto, no nosso banheiro, no nosso escritório.

Ela está em tudo.

No móvel em que guardamos nossas roupas, nas gavetas de documentos e peças de uso pessoal (minhas e dela), na banheira e... na cama.

Ela está em tudo.

Eu a vejo em todos os lugares da casa.

Abro a janela do nosso quarto para o quintal e lá está ela.

Ela está na jabuticabeira que plantou no quintal e junto à qual brinca com as pequenas e queridas Sofia Bianco Vitorino (nossa “sobrinha”) e Beatriz do Amaral Gouvêa (nossa netinha).

Ela está nas rosas.

Ela está em todas as flores que plantou e cultiva no quintal da casa que nos serve de residência há 32 anos.

Ela está em tudo.

Na toalha de banho tem o cheiro dela.

Na fronha do travesseiro tem o cheiro dela.

No lençol da nossa cama tem o cheiro dela.

Ela está em tudo.

Ela só não está aqui pessoalmente, de corpo presente, de braços abertos, de sorriso nos lábios, de alegria nos olhos...

Ela só não está aqui para me abraçar, me beijar, me amar.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

08/02/2009 17:23:04

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Por quê? (145) E ela se foi...


Cláudio Amaral

E não é que ela se foi?

Foi e me deixou só.

Foi e levou meu coração.

Foi e com ela carregou todo o meu amor.

Foi a bordo de um pássaro voador da Alitalia.

Foi para voar 11 horas.

Foi direto, de São Paulo a Milano.

Não, ela não foi só.

Ela me deixou só, mas foi acompanhada.

Foi em companhia de um grupo que estuda a língua de Michelangelo numa pequena, mas calorosa escola da Rua Dr. José de Queiroz Aranha, quase esquina da Rua Gregório Serrão, na Aclimação, em São Paulo.

Uma escola tão italiana quanto o nome: Monte Bianco.

Ela não viajou só porque foi com a mãe, de 80, quase 81 anos.

Foi com a sobrinha querida, de pouco mais de 20 aninhos.

Foram.

Foram e me deixaram.

Nem ao embarque eu tive como ir, quanto mais com ela, para a Itália.

Agora, quase meia-noite de quinta (5) para sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009, ela deve estar dormindo.

Ela deve estar dormindo e... sonhando.

Comigo, espero.

Sim, porque, mesmo acordado, eu não consigo pensar em outra... só nela.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, professor e orientador de jovens jornalistas, palestrante e consultor de empresas para assuntos de comunicação institucional até o dia 1º/10/2008, quando entrou na Redação d’A Tribuna de Santos como Editor-Executivo.

05/02/2009 23:15:03