sábado, 28 de maio de 2016

Por quê? (361) – Acabou, Maninha! Acabou?

 Clélia Maria Amaral e eu tomamos café na Bolaria da Ju no dia 20/7/2015

Cláudio Amaral

Foi a última vez, infelizmente, que minha Maninha querida cuidou dos meus cabelos e das minhas unhas.

Sexta-feira, 27 de maio de 2016, por volta das 4 horas da tarde, ela me deu a triste notícia: vai encerrar as atividades do salão de beleza que mantinha na Rua Bom Pastor, no Ipiranga, em São Paulo, Capital.

Quando eu e Sueli voltarmos dos Estados Unidos, em fins de junho, ela estará efetivamente aposentada.

Vai cuidar apenas da nova casa, dos netinhos queridos e das atividades religiosas à qual se dedica há anos, muitos anos, pregando a palavra dos Testemunhas de Jeová.

Clélia Maria do Amaral é a caçula de quatro filhos colocados no mundo pelo casal Wanda e Lázaro, o ‘seu’ Lazinho.

Em verdade, em verdade eu vos digo: nossos pais geraram muito mais do que quatro filhos, mas só Cleide, eu, Clówis e Clélia sobrevivemos.

Atualmente, Cleide, a primeira, vive em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; eu estou aqui, firme e forte, aposentado, mas ainda curtindo os prazeres do Jornalismo e me dedicando a produzir biografias; Clówis é falecido; e Clélia está decidida a fazer apenas o que gosta (como eu).

Clélia cuidava dos meus cabelos e unhas dos pés e das mãos há muito, muito tempo. Desde que um dia, em Marília, onde morava, viu minhas unhas das mãos, achou que não estavam boas e resolveu cuidar delas.

Concordei. E enquanto ela cortava e lixava, meu sogro, o carrancudo José Arnaldo, chegou e fez cara feia para o que viu. Ele deve ter pensado: “Homem cuidando das unhas?”. Mas, se pensou, nada falou. E fez bem, porque logo era ele quem estava sentando na mesma cadeira e dando as unhas para Clelinha cuidar.

Depois das unhas das mãos, Maninha passou a cuidar também das unhas dos pés e dos cabelos, numa época em que este ‘loucutor’ que vos fala tinha cabelos em profusão.

Quando ela se mudou de Marília para São Paulo e eu senti que precisávamos nos ver com mais frequência, passei a frequentar com maior regularidade o salão dela, sempre no Ipiranga. Era uma maneira de vê-la mais vezes.

Só não gostava do fato dela nunca aceitar o meu suado dinheirinho. Por isso, sempre perguntava para Sueli se ela tinha algum produto de patchwork (http://patchworksueliamaral.blogspot.com.br) para que eu levasse para minha Maninha querida. Ou, quando não, eu procurava compensá-la de outra forma. Como nesta sexta-feira, quando fomos tomar lanche na Lar Sol Pães e Doces, na mesma Rua Bom Pastor.

E, apesar de nada me cobrar pelas unhas e cabelos, foi assim que Clelinha se sustentou e criou os três filhos: Cristiano, Gustavo e Luciano, que lhe deram quatro netos e uma netinha, todos lindos, fofos e queridos.

Deus seja louvado, Maninha.

Deus a proteja sempre, Maninha. A você e a todos aqueles que lhe são caros.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


28/05/2016 11:21:36

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Por quê? (359) – Volta às aulas?


Cláudio Amaral

Foi como voltar aos bancos escolares que frequentei em 2013, 2014 e 2015 na FMU/Liberdade.

Mais que isso: foi como voltar às aulas de História desse mesmo período, as quais frequentei para aprender a interpretar e a escrever com o rigor e a linguagem dos historiadores.

Muito mais: foi como voltar às aulas de História do Brasil e da África. Do Brasil, com os Professores Edson Violim Júnior (Séculos XVI e XVII), Silvia Cristina Lambert Siriani (Século XVIII e I Reinado e Regência) e Flávio Luís Rodrigues (Da República Velha ao Estado Novo e Brasil Contemporâneo). Da África, com Maria Cecília Martinez.

Tudo isso eu senti na manhã desta quinta-feira (19/5/2016), no auditório da Editora Unesp, na Praça da Sé, em São Paulo.

Foi lá que se deu o Simpósio História Viva do Brasil: 50 anos de contribuições de Emília Viotti da Costa à historiografia brasileira.

Tratou-se de um evento científico aberto ao público em geral, gratuito, com inscrições prévias.

Um evento que – como o próprio nome indicou – marcou uma homenagem especial à Historiadora Emília Viotti da Costa.

Apesar das limitações físicas, uma vez que ela se locomove em cadeira de rodas, a Professora e Historiadora Emília se fez presente, ouviu palavras elogiosas pronunciadas pelo Professor Jézio Gutierre, presidente da Fundação Editora Unesp, e dele recebeu uma placa comemorativa aos 50 anos que ela dedicou à historiografia brasileira tanto aqui (como Professora na USP) quanto nos Estados Unidos, onde viveu, lecionou e se aposentou pela Universidade de Yale depois de ter sido cassada pelo regime cívico-militar de 1964.

Senti-me de volta aos bancos escolares e às aulas de História do Brasil e da África por conta das exposições que fizeram os Professores Ana Maria Camargo (USP), Leila Mezan Algranti (Unicamp), Manolo Garcia Florentino (UFRJ) e Vagner Gonçalves da Silva (USP).

O tema da manhã foi Abolição e relações raciais na atualidade. E por conta disso foi nos dito, por exemplo, que cerca de 12 milhões de escravos foram exportados para o mundo a partir do território africano, de 1800 a 1850.

Entre eles estavam principalmente adultos do sexo masculino. Mas não só, porque havia – ainda que em menor número – também mulheres, idosos e crianças.

Para tanto foram necessárias mais de 35.000 viagens de navios negreiros.

Quantos vieram para o Brasil? Calcula-se algo em torno de 5 milhões de negros (que também eram humanos, embora, lamentavelmente, não fossem reconhecidos como tal pelos traficantes e senhores de escravos).

E a escravidão acabou após a insistência e as punições imposta pela Inglaterra a Portugal e ao Brasil, no século XIX? Não, porque – segundo Zilda Iokoi – esse tema está presente ainda hoje, em São Paulo, por exemplo, por conta dos milhares de bolivianos que vivem escondidos nas oficinas de costura da Capital paulista.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).


19/05/2016 19:29:52