Por quê? (418) – Virgínia Mordida
Cláudio
Amaral
Um
dos livros mais interessantes que li neste ano de 2021 foi Virgínia Mordida.
Trata-se
do primeiro romance da Escritora Jeovanna Vieira.
Ela
é capixaba, mas vive no Rio de Janeiro. É mulher preta, como gosta de
dizer. E mãe de dois meninos, o Joaquim de 6 e o Bento de 3 anos, a quem ela se
dedica com Amor e o maior carinho.
O
gosto dela pela escrita começou cedo e ela sempre escreveu. Até porque é
Jornalista por formação, como eu, que estou nesta labuta desde 1º de Maio de
1968.
Assim
que terminei de ler Virgínia Mordida escrevi para a Autora pelo
WhatsApp: Maravilha, Jeovanna. Maravilha. Jamais li algo assim, tão
interessante, tão diferente. Parabéns! Siga em frente! Quero mais histórias
assim.
Puxa-saquismo?
Bajulação? Não, sinceramente, não foi essa minha intenção. Minha intenção foi
incentivar e dar moral, cada vez mais, a uma pessoa que me convenceu de que tem
potencial e deve seguir em frente nesta atividade.
Dedicar-se
à carreira de Escritor/a não é nada fácil. Sei bem disso. Sei porque tentei por
anos e anos publicar meu primeiro livro (Um lenço, um folheto e a roupa do
corpo – SP, 2016). E só consegui depois de bater às portas de muitas
editoras e colecionar negativas e mais negativas. No fim, e antes de desistir, resolvi
fazer uma auto publicação.
Com
Jeovanna Vieira foi um pouco diferente. Até porque ela teve pelo menos duas
propostas para publicação dos textos que escreveu. Mas nenhuma a motivou. E, na
falta de uma casa publicadora que a motivasse, ela optou por fazer a primeira
publicação no formato ebook e via Amazon, que ofereceu a ela a oportunidade de
participar do #PrêmioKindle. Assim, e se o livro dela for o vencedor, será
editado e publicado pela Editora Record e distribuído em livrarias de todo o
Brasil. Caso contrário, ela pretende procurar outras editoras.
Só
quem está nesta vida, como Jeovanna Vieira e milhares de outros pretensos
Escribas, sabe o quanto é importante tentar um lugar ao Sol como o
#PrêmioKindle.
Mas,
deve você estar a se perguntar: do que se trata o primeiro romance da Jeovanna
Vieira?
Segundo
ela, Virgínia Mordida é um romance baseado em fatos reais, que não pretende
identificar personagens, apinhados de muitas histórias.
E
quem é a personagem principal? A personagem principal é a violência.
Quando
pedi que ela explicasse a razão dessa fala, Jeovanna respondeu: Por muitas
vezes, na fase das leituras, as pessoas que tiveram acesso ao texto apontaram
trechos que pareciam inverossímeis. Como se eu fosse capaz de criar uma fábula
tão violenta quanto irreal. Não fui.
E acrescentou, a Autora de Virgínia
Mordida: O professor Marcelino Freire, em uma aula que participei,
provocou: “não faça nada pelo leitor, ele não vem, o leitor não vem”. Então,
não vou supor que a leitora ou o leitor vá achar que há algo de exagerado no
romance, porque a leitora ou o leitor não vêm.
Na tentativa de explicar mais e melhor o
texto de Virgínia Mordida a Autora diz: Em todo caso, se alguém me
encontrar nessa página inaugural, tudo que parecer fantasioso é real, e tudo
que parecer real é referência básica de abusos - o trivial, aquilo a que
estamos ambientadas e ambientados. Neste exercício, descobri que a violência se
camufla também no absurdo, naquilo que quando pronunciado gera dúvida ao relato
da vítima. “Quem faria isso?”
Assim
como eu, outros Autores gostaram do primeiro romance de Jeovanna Vieira. E
entre esses está a Escritora Jenny Rugeroni, Autora de O ano em que não
choveu (Vicenza, 2021): Sim! Virgínia Mordida é muito bem
escrito! Eu gostei da escrita dela.
Por quê?
Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?
(*) Cláudio
Amaral (claudioamaral49@gmail.com) é
Católico Apostólico Romano, Corinthiano e devoto de Santo Agostinho e Santa
Rita de Cássia. É autor dos livros Um
lenço, um folheto e a roupa do corpo (2016) e Por
quê? Crônicas de um questionador (2017). É Jornalista desde 01/05/1968,
Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (2003) e Biógrafo pela
FMU/Faculdade de História/SP (2013/2015).
02/10/2021
12:29:10 (pelo horário de Brasília)
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