Por quê? (425) – José Arnaldo 100 anos
Cláudio Amaral
Se vivo estivesse, o Cidadão José Padilla Bravos estaria a
completar 100 anos. Exatamente no próximo dia 7 de Abril de 2022.
Ele nasceu a 7 de Abril de 1922 e viveu parte da infância na
pequena cidade paulista de Avaí.
Depois mudou-se para outro pequeno município: Cafelândia.
De lá foi para uma localidade maior, Lins, onde se alistou
no Exército e foi mandado para a Itália para lutar na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Na volta, logo após a batalha final, a tomada de Monte
Castello, o Cabo Padilla foi para Marília, onde estava a maior parte da família.
E lá se dedicou uma atividade que ele mais gostava: escrever.
Escreveu, escreveu e escreveu até o final da vida, em 1999.
Escreveu principalmente no jornal diário Correio de Marília.
Produziu, seguramente, cerca de 10.000 textos, ou seja, 250
por ano ao longo de 40 anos.
Todos sob o pseudônimo de José Arnaldo, porque,
paralelamente, ele tinha outras atividades profissionais. Entre elas, foi
Tesoureiro da Caixa Econômica do Estado de São Paulo.
Você que não conheceu José Arnaldo deve estar a se perguntar
as razões que me levam a escrever dele. E eu digo: simplesmente porque entendo
que ele merece e precisa ser lembrado sempre e para sempre.
Especialmente no ano do centenário de nascimento dele,
porque José Arnaldo teria no dia 7 de Abril de 2022 um ano a mais do que a
querida “Cidade Menina”, como ele gostava de escrever a respeito de Marília,
fundada em 1923 e emancipada em 4 de Abril de 1929.
E como ele gostava de escrever bem de Marília.
E como ele ficava nervoso, raivoso, quando alguém criticava
Marília.
Ele, José Arnaldo, podia criticar Marília. Outra pessoa,
não. Fosse quem fosse.
José Arnaldo criticou – e muito – os políticos de Marília.
Muitos políticos. “Meteu o pau”, como ele dizia, em vereadores, prefeitos e
deputados.
Fez campanha contra todos que trabalhavam sem levar em
consideração os interesses de Marília. Especialmente no caso dos eleitores que
votavam em candidatos de fora, fossem eles concorrentes à Assembleia
Legislativa do Estado de São Paulo ou pretendentes a uma cadeira no Congresso
Nacional, em Brasília.
José Arnaldo queria todos os marilienses votando em
candidatos locais. Estes nem precisavam ter nascidos em Marília, como ele não
veio ao mundo em território mariliense, mas tinham, obrigatoriamente, que ter
uma vida pública inteiramente dedicada aos interesses da “Capital da Alta
Paulista”, outra expressão preferida por ele.
E José Arnaldo tanto fez que conseguiu ver políticos de
Marília tanto no Palácio 9 de Julho, em São Paulo, como no Congresso Nacional,
em Brasília.
José Arnaldo tinha cara de bravo. Era visto por muitos como
carrancudo e sem senso de humor.
Mas eu, como genro, e os Amigos dele podemos garantir que
não era sempre assim. Ele sabia ser sorridente, contar causos e piadas. Sabia
mais: escrevia como poucos. E escrevia muito bem.
José Arnaldo tinha um carinho especial pela esposa Cidinha (falecida
no dia 7 de Dezembro de 2021, aos 93 anos) e pelos filhos, todos os filhos, mas
especialmente pelas “meninas”, como ele gostava de se referir às duas filhas:
Sueli e Salete.
Ele morreu cedo. Ou bem mais cedo do que nós todos
gostaríamos. Nos deixou a 15 de Agosto de 1999, aos 77 anos.
Costumo dizer – e escrever, sempre que tenho oportunidade –
que José Arnaldo foi “o mais mariliense de todos os marilienses”. E mais: tenho
provas e mais provas de que ele foi, além de um bairrista, um brasileiro como
poucos.
(*) Cláudio Amaral (claudioamaral49@gmail.com) é
Católico Apostólico Romano, Corinthiano e devoto de Santo Agostinho e Santa
Rita de Cássia. É autor dos livros Um lenço, um folheto e a roupa do corpo (2016) e Por quê? Crônicas de um questionador (2017). É
Jornalista desde 01/05/1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP
(2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (2013/2015).
31/01/2022 13:18:47 (pelo horário de Brasília)
Comentários