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Por quê? (455) – Obstáculos ou soluções?

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Cláudio Amaral (*)   Quando você tem uma ideia nova, o que vem primeiro à sua mente? Os obstáculos ou as soluções? É curioso como, diante do novo, muitos de nós somos rápidos em levantar muros antes mesmo de enxergar caminhos. Em vez de perguntar “como fazer?”, perguntamos logo: “por que não vai dar certo?”. Exemplo primeiro e simples. Você está à procura de um novo emprego, esteja ou não desempregado. O pensamento inicial costuma ser: idade, concorrência, exigências do mercado, falta de oportunidades. Mas e as soluções? Atualizar-se, conversar com pessoas amigas e/ou apenas conhecidas, abrir-se a novos formatos de trabalho, aceitar desafios antes impensáveis. Todas essas possibilidades vêm depois, quando vêm. Outro exemplo, o segundo. Você decide ajudar um conhecido que está desempregado. De imediato, surgem as suposições: “Ele não vai querer mudar de cidade”, “não aceita sair do Estado”, “jamais pensaria em outro país”. Mas será mesmo? Por que não ouvi-...

Por quê? (453) – O mediador perfeito

  Cláudio Amaral (*)   Vivemos tempos curiosos e inquietantes. Nunca se falou tanto em diálogo, mediação e construção de pontes. Jamais foi tão difícil conversar sem gritar, discordar sem agredir, negociar sem trair convicções. Talvez por isso o tema abordado pelo Frei João Marcos, na homilia deste domingo (11/01/2026), na Paróquia Santa Rita de Cássia de Vila Mariana, aqui em São Paulo, tenha ecoado com tanta força em mim. O diretor do Colégio Santo Agostinho e Vigário da Paróquia Santo Agostinho, ambos sediados aqui na Capital paulista, abordou a questão do mediador perfeito. Imediata e mentalmente eu me questionei: o mediador perfeito existe? E, ato contínuo, pensei: o mundo atual parece órfão de mediações confiáveis. Afinal, temos líderes que falam em paz, mas alimentam conflitos; negociadores que defendem interesses travestidos de consenso; instituições que perderam autoridade moral. Assim, o diálogo, tantas vezes invocado, tornou-se técnica vazia ou...

Por quê? (452) – O cansaço é nosso; o Amor, não.

  Cláudio Amaral (*)           Acordei por volta das 4h da madrugada desta sexta-feira (09/01/2026) e logo me veio à mente a frase:  “Tarde é não mudar nunca” . Pensei, repensei… e fui levado a outra frase marcante:  “Há dias em que a gente pensa que já passou da hora” . Então fiquei a me perguntar: é hora de mudar, de recomeçar, de rever caminhos, de pedir perdão, de aceitar o novo? A verdade é que a idade pesa, a história pesa, os erros pesam. E então surge aquela tentação silenciosa: a de acreditar que Deus também se cansou de nós. Mas não. Deus não se cansa de nos chamar. Quem se cansa, às vezes, somos nós.            Somos nós que cansamos de tentar, de esperar, de acreditar. Somos nós que, feridos pela vida ou decepcionados com o mundo, vamos reduzindo os sonhos, encurtando os passos, baixando o volume da esperança. Não porque Deus tenha se afastado...

Por quê? (451) – Manual de Vida

  Cláudio Amaral (*)   Na Missa das 18h desta segunda-feira, 05/01/2026, na Paróquia Santo Inácio de Loyola e São Paulo Apóstolo, aqui em São Paulo, o Padre Rafael lançou uma daquelas frases que parecem simples, mas que ficam ecoando no coração como sino de igreja ao entardecer: os Dez Mandamentos são um manual para a vida . Parei, pensei e fiquei a raciocinar: Manual. Trata-se de uma palavra curiosa. Uma palavra geralmente associada a máquinas, eletrodomésticos, coisas que, se usadas de forma errada, quebram. E talvez seja exatamente aí que esteja o ponto. A vida também quebra. As relações quebram. O ser humano, tantas vezes, quebra por dentro, quase sempre por uso indevido do Amor, da Liberdade e da Consciência. Na Bíblia, o livro mais vendido do mundo, os Mandamentos não surgem como castigo, mas como cuidado. Deus não os entrega ao povo enquanto ele ainda é escravo no Egito. Primeiro Ele nos liberta. Depois nos orienta. Fez como quem diz: “Agora que você é...

Por quê? (450) – A Simplicidade que nos falta

  Cláudio Amaral (*)   Ontem (01/12/2025) à noite, sentado no banco da igreja, na Paróquia Santo Inácio de Loyola e São Paulo Apostolo, na Vila Mariana, aqui em São Paulo, ouvi algo tão simples quanto profundo. Não era teologia complicada, nem metáfora difícil, nem revelação inédita. Era apenas aquilo que, de tão óbvio, a gente esquece: o Natal é importante porque é o dia em que Cristo nasceu. Pronto. Simples assim. E, no entanto, o Natal é tão grande. O sacerdote, um senhor de cabelos brancos, branquinhos, o Padre Marin (Pe. Darci Luiz Marin, ssp), disse isso com uma calma que atravessou o templo inteiro. Ele não levantou a voz, nem fez malabarismos homiléticos (**) . Ele, com autoridade que Deus lhe deu, só lembrou, como quem chama de volta uma criança distraída na rua, que toda a beleza deste tempo nasce de um acontecimento único: Deus se fez um de nós. E eu fiquei ali, ruminando a frase, percebendo que, no fundo, o Natal só perdeu força porque nó...

Por quê? (449) – Obrigado, Senhor!

  Cláudio Amaral   Nada tenho a pedir aos Amigos e às Amigas neste três de Dezembro de 2025, dia em que estou a completar 76 anos de vida. Nada. Só tenho a agradecer. A Deus, em primeiro lugar. Por quê? Porque é Dele qu’eu tenho recebido tudo o que de bom eu possuo. Tudo o que de bom que recebi desde às 2h15 da madrugada morna daquele dia em que vim ao mundo graças ao Amor dos meus pais, os saudosos Wanda e Lazinho. Tive uma infância pobre, mas feliz, alegre, saudável, amorosa. Deus e os meus pais me deram tudo o que eu necessitei nestes 76 anos de vida: alimentos, roupas, medicamentos, estudos, saúde, disposição, força de vontade, sabedoria, gosto pelo trabalho, amor ao próximo... tudo. Se você, Caro AmigãoZão, Caríssima Amiguinha, não acredita nisso tudo que escrevi, leia, então, uma mensagem apócrifa que recebi neste final de semana: O QUE O POVO ANDA DIZENDO DE CLÁUDIO AMARAL Dizem que Deus caprichou quando mandou Cláudio Amaral ao mundo. Fala...

Por quê? (445) – Sêneca

Cláudio Amaral O Metrô é uma boa fonte de inspiração para essas crônicas que eu amo escrever e que tenho produzido desde 2008. É no Metrô, sem dúvida, onde mais encontro temas para criar e produzir textos como esse. E foi no Metrô, na manhã fria e chuvosa dessa terça-feira, que saquei o assunto de hoje, 30 de Julho de 2024. Estava indo para mais uma sessão de Reabilitação Ortopédica no Núcleo de Medicina Avançada da Prevent Senior, na Avenida Cruzeiro do Sul, 2463, junto à estação Carandiru. E, ao entrar no vagão do trem que me levaria para o meu destino, dei de cara com um jovem que, ao invés de empunhar o celular, como a maioria, se dedicava a algo mais saudável e produtivo : um livro impresso, um dos muitos livros escritos por Sêneca. De imediato me lembrei da ocasião em que fui chamado pelo Amigo Corrêa Neves Júnior para dar treinamento na redação do jornal diário Comércio da Franca, em Franca, em Abril de 2005. Preparei-me para aquela missão lendo textos e mais te...