Por quê? (452) – O cansaço é nosso; o Amor, não.
Cláudio
Amaral(*)
Acordei por volta das 4h da madrugada
desta sexta-feira (09/01/2026) e logo me veio à mente a frase: “Tarde é
não mudar nunca”.
Pensei,
repensei… e fui levado a outra frase marcante: “Há dias em que a gente
pensa que já passou da hora”.
Então
fiquei a me perguntar: é hora de mudar, de recomeçar, de rever caminhos, de
pedir perdão, de aceitar o novo?
A verdade
é que a idade pesa, a história pesa, os erros pesam.
E então
surge aquela tentação silenciosa: a de acreditar que Deus também se cansou de
nós.
Mas não.
Deus não
se cansa de nos chamar.
Quem se
cansa, às vezes, somos
nós.
Somos nós
que cansamos de tentar, de esperar, de acreditar.
Somos nós
que, feridos pela vida ou decepcionados com o mundo, vamos reduzindo os sonhos,
encurtando os passos, baixando o volume da esperança.
Não porque
Deus tenha se afastado, mas porque o coração, às vezes, pede descanso ou se
fecha por medo.
Deus
continua a nos chamar nos detalhes simples: na madrugada, no dia que amanhece,
na palavra que toca, no gesto que acolhe, no incômodo que não nos deixa em paz.
Ele chama
sem gritar, sem cobrar, sem humilhar.
Chama como
quem ama.
Chama como
Pai que sabe esperar.
Chama até
quando fingimos não ouvir.
E talvez
seja isso que nos salve: saber que, mesmo cansados, mesmo lentos, mesmo
tropeçando, não fomos esquecidos.
O convite
permanece.
A porta
continua aberta.
O recomeço
segue tendo validade.
É por isso
que, quando alguém diz que é tarde, eu discordo.
Para mim,
tarde não é mudar.
Tarde é
não mudar nunca.
Enquanto
houver um suspiro de Fé, um desejo tímido de fazer melhor, uma vontade, por
menor que ela seja, de amar mais, Deus estará nos chamando.
E nós,
cansados ou não, seguimos aprendendo a responder.
Com passos
curtos, talvez.
Mas com o
coração voltado para onde sempre esteve: no bem, na esperança e em Deus.
Assim
seja.
Amém!
(*) Cláudio Amaral (claudioamaral49@gmail.com) é Católico. Patriota.
Anticomunista. Autor do livro-biografia O Cabo e o Jornalista (José Arnaldo 100 Anos) e
do livro-autobiográfico Meus Escritos de Memória. Jornalista desde
01/05/1968. Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (2003). Biógrafo
pela FMU/Faculdade de História/SP (2013/2015).
09/01/2026
09:15:24 (pelo horário de Brasília)
Comentários