Por quê? (453) – O mediador perfeito
Cláudio Amaral(*)
Vivemos tempos curiosos e inquietantes.
Nunca se falou tanto em diálogo, mediação e construção
de pontes.
Jamais foi tão difícil conversar sem gritar,
discordar sem agredir, negociar sem trair convicções.
Talvez por isso o tema abordado pelo Frei João
Marcos, na homilia deste domingo (11/01/2026), na Paróquia Santa Rita de Cássia
de Vila Mariana, aqui em São Paulo, tenha ecoado com tanta força em mim.
O diretor do Colégio Santo Agostinho e Vigário
da Paróquia Santo Agostinho, ambos sediados aqui na Capital paulista, abordou a
questão do mediador perfeito.
Imediata e mentalmente eu me questionei: o
mediador perfeito existe?
E, ato contínuo, pensei: o mundo atual parece
órfão de mediações confiáveis.
Afinal, temos líderes que falam em paz, mas
alimentam conflitos; negociadores que defendem interesses travestidos de
consenso; instituições que perderam autoridade moral.
Assim, o diálogo, tantas vezes invocado,
tornou-se técnica vazia ou estratégia de poder.
À luz da Fé Cristã, porém, a resposta não
nasce da análise política nem do cálculo diplomático. Nasce da Revelação.
A Igreja Católica nos ensina, com clareza
antiga e atual, que há um só mediador pleno entre Deus e os homens: o nosso
Senhor Jesus Cristo.
Não porque Ele nos deixou o melhor dos
ensinamentos, nem porque tentou agradar a todos, mas porque foi e segue sendo, ao mesmo tempo, verdadeiro
Deus e verdadeiro homem.
Só quem pertence aos dois lados pode uni-los
de forma definitiva.
Lembremos e reconheçamos que Jesus não mediou
interesses; Ele mediou destinos. Não negociou a verdade; Ele se entregou por Amor.
Enquanto esteve na cruz, Jesus não tomou
partido contra ninguém, mas logo assumiu a dor de todos nós.
Ali, onde o mundo vê fracasso, a Fé reconhece
a mediação perfeita: a reconciliação entre o Céu e a Terra, entre Deus e a Humanidade
ferida.
É indiscutível que toda mediação humana é
limitada.
Sacerdotes, líderes, instituições, acordos
internacionais... todos podem aproximar, mas nenhum é absoluto.
Carregamos fragilidades, interesses, medos.
Por isso, a Igreja Católica não se apresenta
como substituta do Mediador, mas como sinal d’Ele.
Quando nós, Cristãos Católicos, nos esquecemos
disso, ou seja, do sinal d’Ele, falhamos; quando recordamos e reconhecemos do
sinal de Cristo, estamos perto, bem perto da luz.
Talvez a crise do diálogo no mundo atual
revele algo mais profundo: não perdemos apenas a capacidade de conversar, mas o
fundamento espiritual da escuta.
De acordo com os Ensinamentos de Cristo, cem Verdade,
o diálogo vira encenação. Sem Justiça, torna-se imposição. Sem Amor,
transforma-se em disputa.
A Fé Cristã propõe outro caminho. Ela nos
sugere dialogar. Sim. Devemos buscar o diálogo, mas sem relativizar a Verdade. Precisamos
buscar a paz, sim, mas sem confundir silêncio com reconciliação.
Até porque o verdadeiro diálogo nasce da Cruz
e escuta o sofrimento, nomeia o erro, oferece perdão e aponta para a esperança.
Em verdade, o mundo continua a procurar
mediadores perfeitos, enquanto produz apenas negociadores cansados.
A Fé responde com serenidade e deixa claro a
todos nós, seres humanos do Bem: o mediador perfeito já veio.
Ele veio e não nos trouxe exércitos, não
assinou tratados, não discursou para aplausos. Ele apenas e tão-somente abriu
os braços.
E enquanto insistimos em construir pontes
frágeis sobre abismos cada vez maiores, a Cruz permanece firme e segue ligando
a Terra ao Céu e lembrando-nos de que só o Amor que se doa por inteiro é capaz
de reconciliar.
Amém!
(*) Cláudio Amaral (claudioamaral49@gmail.com) é Católico. Patriota.
Anticomunista. Autor do livro-biografia O Cabo e o Jornalista (José
Arnaldo 100 Anos) e do livro-autobiográfico Meus Escritos de Memória.
Jornalista desde 01/05/1968. Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP
(2003). Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (2013/2015).
11/01/2026
14:53:29 (pelo horário de Brasília)
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