sexta-feira, 18 de julho de 2008

Por quê? (105) Concurso literário, não.


Cláudio Amaral

De folga e sem compromisso algum na agenda, deixei minha residência e fui caminhar pelas vias públicas da Aclimação e da Vila Mariana.

Era fim de tarde de quinta-feira, 17 de julho de 2008.

Meu destino era incerto.

Acabei no Sesc Vila Mariana, na Rua Pelotas, aonde não ia há meses.

Gosto muito do Sesc Vila Mariana, onde fiz ginástica e hidroginástica, li muitos jornais e revistas, assisti apresentações de teatro e música, admirei exposições e mais exposições.

Mesmo assim, deixei de ir ao Sesc Vila Mariana.

Por quê?

Os motivos são diversos: minhas transferências para Campo Grande (onde também freqüentei o Sesc) e depois para Franca (cidade em que não encontrei uma unidade sequer do Sesc), meu ritmo frenético de trabalho após a volta a São Paulo, etc.

A primeira ação que fiz ao chegar ao Sesc Vila Mariana, na tarde de quinta-feira, foi perguntar a respeito da minha situação como associado.

Enquanto aguardava o atendente consultar o sistema, peguei e li um folheto a respeito do Concurso Literário de 2008, promovido pelo Sesc nacional e a Editora Record.

Li e reli, ontem (quinta-feira) e hoje (sexta-feira, 18/7/2008).

O regulamento informa, por exemplo, que posso inscrever meus contos e meus romances até o dia 15 de agosto de 2008, que o resultado será divulgado em janeiro de 2009 e que o vencedor de cada categoria terá sua obra publicada e distribuída pela Editora Record.

Tem mais: “O autor vencedor de cada categoria terá direito a 10% do valor de capa da obra quando de sua comercialização em livrarias”.

Pensei, claro, em rever meus textos e inscrever pelo menos um.

Mas, infelizmente, não me animei.

Posso até vir a mudar de idéia, mas..., por enquanto, tenho muito forte, dentro de mim, a frustração do concurso de 2003.

Naquele ano, em “férias forçadas”, escrevi como um louco e, às vésperas do Natal, inscrevi um texto junto ao Sesc.

A inscrição foi mais dolorida do que um parto, embora eu nunca tenho sentido as dores do parto.

Deu trabalho, muito trabalho, mas eu consegui inscrever meu texto.

E você pensa que o trabalho e a dor do parto terminaram quando da inscrição, caro e-leitor?

Não. De maneira alguma.

Deixei São Paulo para trabalhar em Campo Grande em fins de julho de 2004 sem saber do resultado do Premio Sesc de Literatura 2003.

Fiz de tudo para saber o que acontecera com meu romance, e nada.

Mais de um ano se passaram até que eu conseguisse saber, por um terceiro, quais tinham sido os romances e os autores premiados.

Doeu.

Fui uma dor do parto dobrada.

Nem tanto pelo fato de meu texto sequer aparecer em último lugar, o quinto.

Doeu muito mais pelo fato de os organizadores nunca terem tido a gentileza de me dar uma informação. Uma informação sequer.

Por tudo isso, preferi ignorar o Prêmio Sesc de Literatura dos anos seguintes.

E tudo indica que continuarei a ignorá-los, mesmo sabendo que uma premiação – em quinto lugar, que seja – poderia dar uma força à minha ainda inédita carreira de escritor.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

18/7/2008 18:51:48

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