segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Por quê? (370) – Amor entre guerras

AMOR ENTRE GUERRAS, por Marianne Nishihata (Editora Planeta - 2015)

Cláudio Amaral

Meu relógio marcava exatamente 10h10 desta segunda-feira (12/09/2016) quando dei por encerrada a leitura do livro Amor entre guerras.

Estava visivelmente emocionado, depois de ter ido às lágrimas por mais de uma vez, em razão da hábil narrativa construída a partir de 2001 pela Jornalista Marianne Nishihata, então estudante na Universidade de Mogi das Cruzes (SP).

Amor entre guerras representa o primeiro romance escrito pela autora e foi editado pela Planeta (www.planetadelivros.com.br), em 2015.

Nesta obra, que começou como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), ela narra “o romance entre uma carioca e um japonês que lutou pelo Brasil na 2ª. Guerra Mundial”.

A carioca, no caso, era Ilma Faria (1922/2009); o japonês, Alberto Tomiyo Yamada (1921/2002).

Ele nasceu no Japão, mas teve o registro de nascimento feito no Brasil. Por consequência foi convocado para integrar a FEB, a Força Expedicionária Brasileira (1943/1945), que, por decisão do presidente Getúlio Vargas, enviou para a Itália 27.834 combatentes, entre homens (a maioria) e mulheres. Todos sob o comando do general João Batista Mascarenhas de Morais (1883/1968).  Desses, 454 pracinhas e cinco pilotos da Força Aérea Brasileira morreram em ação.

Alberto Tomiyo voltou vivo da Itália, mas por pouco não foi a 455ª. vítima em combate. Ele acabou ferido por pelo menos três projeteis disparados por um soldado alemão e foi dado como morto. Depois se descobriu que fora socorrido por socorristas dos Estados Unidos e recuperado por médicos e enfermeiras estadunidenses e brasileiros.

Ilma ficou o tempo todo no Brasil. Era apaixonada por Alberto Tomiyo, que havia conhecido na estação ferroviária de Mogi das Cruzes, quando a família dela mudara do Rio de Janeiro para aquela localidade paulista por conta da transferência do pai.

Ambos queriam se casar antes do embarque dele para os campos de batalhas, mas não conseguiram. E ela só não sofreu mais por ser devota de Santa Teresinha e Filha de Maria. Foi a única pessoa das duas famílias que jamais acreditou que o então noivo houvera morrido. E não se arrependeu disso.

O casamento de Ilma e Alberto Tomiyo aconteceu a 26 de dezembro de 1946 e eles tiveram seis filhos: Teresinha (conforme haviam combinado ainda antes do embarque de Alberto para combater na 2ª. Guerra Mundial), José, Sueli, Suzui, Regina e Vera.

Juntos eles conseguiram outra vitória: dez anos depois, venceram as barreiras e tiveram o casamento aceito pela Família Yamada. A partir de então, Ilma “passou a ser uma das pessoas mais adoradas pelo clã”, segundo a Jornalista Marianne Nishihata.

Amor entre guerras é mais uma prova de que não é preciso ser escritor experiente para construir uma boa narrativa.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral (clamaral@uol.com.br) é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e Biógrafo pela FMU/Faculdade de História/SP (Turma de 2013/2015).

12/09/2016 18:10:49 (pelo horário de Brasília)

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